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Feriado na Serra da Capivara (4 dias)

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De volta ao Piauí. Por uma causa nobre, muito mais que nobre. A Serra da Capivara

Não sei exatamente quando a Serra da Capivara entrou no meu subconsciente. Nos anos 90 eu gostava de ler e folhear (então raros) livros sobre parques nacionais, nem sempre atualizados. Talvez ele já estivesse lá e talvez tenha entrado no meu subconsciente desde então. Mas não me lembro. Sei que entrou na lista dos lugares a ir nos últimos anos, quando passei a ler e pesquisar com mais frequência sobre lugares a se conhecer no Brasil (e no mundo). 

No momento que talvez tenha sido o último suspiro do Brasil antes do coma, a Serra da Capivara figurou com merecido destaque no encerramento das Olimpíadas do Rio 2016. Ela, a Serra da Capivara, já estava em alta nos meus planos naquela época. Faltava o plano e a chance.

Estive no Piauí pela primeira vez num fim de semana cheio, onde conheci alguns pontos turísticos de Teresina e fui conhecer o espetacular Parque Nacional Sete Cidades, no interior. Foi uma ótima viagem, mas não voltei mais ao Estado. Não é fácil conseguir passagens a preços promocionais para Teresina. E nem dessa vez conseguimos: a passagem foi emitida com milhas smiles, vários meses antes. Custou cerca de 36 mil milhas ida e volta para cada um. Considerando que as milhas smiles são um tanto inflacionadas, achei bom negócio.

Quando / clima
Busquei muito para o Carnaval, época (teoricamente) já de chuva na área. Sempre achei que precisaria ao menos de 5 dias por lá, já contando os dias quebrados de ida e volta. Mas acabamos fechando para outro momento.

Foi no feriado de 12 de outubro (2017). Com a forca na sexta-feira, era um momento talvez ideal para conhecer a Capivara. Mês do BRO, ou seja, secura total. Isso é o que eu achava, com base no que me lembrava de Sete Cidades. Mas o Piauí é grande e as regiões têm climas variados, e ali já me parece ter mais o perfil do Brasil central, com o meio do ano mais seco. Outubro por lá já seria mês de começar a chover. Não choveu dia algum, e fez o tradicional sol escaldante da caatinga brasileira. Outubro, por ser tido como mês de transição da secura para o começo da chuva, também é tido como um dos mais quentes. Rafael, nosso guia, disse que habitualmente estaria mais quente do que a temperatura que pegamos. Pegamos céu estalando de azul todos os dias. Havia algumas nuvens no começo e no fim do dia, no máximo.

A paisagem da Serra da Capivara muda radicalmente, dependendo da época do ano. Em outubro estava aquele visual seco de caatinga. Em períodos de alguma chuva, o cenário esverdeia fortemente. 

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Veja o contraste do local entre época chuvosa x seca

O Parque Nacional da Serra da Capivara
O parque foi criado em 1979. Consta que nos anos 60 uma arqueóloga brasileira, Niède Guidon, estava numa exposição de pinturas rupestres em São Paulo quando um morador de São Raimundo Nonato informou que havia diversas daquelas na cidade dele. E aí a coisa começou. Uma expedição franco-brasileira foi ao local anos depois e foi descobrindo esse tesouro arqueológico que veio a se chamar Parque Nacional da Serra da Capivara.

Conforme descrito na wikipedia (em 23 de outubro de 2018), “Área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e Patrimônio Cultural da Humanidade - UNESCO. Contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo.” Estudos em função de achados por lá alteraram concepções arqueológicas vigentes até então. O Museu do Homem Americano indica essas mudanças, ainda que com uma linguagem enviesada.

Diversos dos sítios arqueológicos estão abertos à visitação (somente com guia), dentre os outros ainda mais diversos existentes. Há também sítios históricos, há as formações rochosas, a fauna, a indefectível e espetacular vegetação da região.

Se eu me conheço bem, caso estivesse sozinho por lá, sem guia, iria querer entrar em cada trilha sinalizada para visitar cada toca ou sítio que estivesse no caminho. Levaria dias, semanas visitando cada um. Mais ou menos como fiz no Camboja (eu me lembro até hoje do menino que nos levava de tuk tuk dizendo que não havia mais templos interessantes, e eu sacava mais um do meu mapinha, pedindo para ele parar – e, para mim, era sim mais um templo interessante!) ou em Bagan (onde era inviável conhecer todos os templos, ainda que tenhamos ido em diversos).

Mas é necessário desencanar e confiar no seu guia. Não é para tanto, não precisa entrar em cada um, a não ser que vc seja um pesquisador ou coisa parecida. O guia sabe quais tocas ou sítios que tem pinturas mais interessantes, ou que tem visuais bacanas. E o guia saca os interesses do grupo. Uma boa ideia, tendo tempo, é comprar o livro sobre o parque (vende em algumas guaritas e no Museu do Homem Americano), estudar as trilhas e mapear o que vc quer fazer, eventualmente trocando ideia com o guia. 

O parque é muito bem sinalizado, com setinhas indicando tocas, sítios, trilhas e etc. Escadas de ferro, degraus em rocha ou pedras cimentadas (ou coisa parecida) mesmo. Estradas de terra transitáveis numa boa por carros baixos (foi sem chuva!), guaritas organizadas, acesso controlado. Somente com guia. Estrutura muito boa. Acima do padrão Brasil.


Como / Transporte
Não é simples chegar. Fica a mais de 500 km de Teresina. E mais de 300km de Petrolina. Tem aeroporto, e já tem cia aérea voando para lá duas vezes por semana. Os voos não me atendiam (nem por logística, nem por preço), Petrolina não me atendia (idem, nem logística, nem preço), de modo que o jeito era ir por Teresina, que tinha boa logística: chegava na quarta-feira de noite, voltava na madrugada de domingo para segunda-feira. De Teresina seguiríamos de carro para São Raimundo Nonato.

Alugamos um carro. Como iria encarar viagem de 500+ km e ainda rodar pelo parque, não mesquinhei dessa vez: nada de basicão, o carro tinha de ter ar e direção. Consegui na Localiza o que achei ser um bom preço para 5 dias, a 465 reais. De combustível gastamos ainda uns 350 reais. 

Embora várias fontes confirmassem que a viagem dura cerca de 6 horas, o google maps indicava mais de 7. Na dúvida, assumi o pior tempo. Mas as 6 horas se confirmaram. Saímos pouco depois das 6 da matina de Teresina, chegamos ao hotel em São Raimundo Nonato (SRN) quase meio-dia. Com duas paradas no caminho para esticar pernas e/ou abastecer.

O waze indicava uma rota meio louca, acho que não considera algumas das estradas existentes. Reforçou minha concepção de que o waze para estradas no interior não é tão eficiente como o google maps. O maps dava o caminho que eu queria seguir. Floriano, Campo do Buriti, SRN, a grosso modo. 

Importante: mesmo com estradas em ótimo estado, não há pedágios. Desconheço outro lugar no Brasil que conjugue isso: estradas boas não pedagiadas.

Sobre combustível: na ida abasteça em Campo do Buriti, última cidade antes de SRN. Combustível por lá estava na faixa de 4 reais (gasolina), enquanto em SRN estava por 4,3. Em Teresina é mais em conta. De Floriano a Campo do Buriti a gasolina estava na faixa de 4.

Além dos 500+ km de distância entre Teresina e SRN, vc ainda vai rodar bastante na região do Parque. Qualquer saída, para qualquer das entradas, significa dezenas de kms a rodar. Dentro do parque vc rodará outras dezenas de kms tbm.

No total rodamos mais de 1.500 km nos 4 dias. Não dirigia tanto assim havia 20 anos, quando percorri a clássica Rota 66 (dirigi muito mais que isso naquela viagem). Eu achava que dessa vez seria bem mais cansativo do que foi na prática. No fim das contas, achei bem tranquilo.

A qualidade do asfalto é bem acima da média brasileira, em praticamente todo o trajeto. Havia obras na saída de Teresina, dentro das cidades é padrão Brasil e já havia alguns buracos entre Campo do Buriti e SRN. Fora isso está muito bom. Longos trajetos retos sem carro nem nada à vista, mas é necessário ter muito cuidado com animais na pista, sobretudo cabras. Uma delas atravessou bem na nossa frente e numa curva. Felizmente não estávamos em alta velocidade. Há burros também, eventualmente.

Guia
Todos os passeios no parque precisam de guia. A página do parque indica os guias credenciados (mas acho que nem todos). Eu não tinha indicações. No extraordinário relato do Diego Minatel, ele falava do Zezão, mas não achei contato dele. Contatei inicialmente o Wilk (089-81300291), que tinha sido o guia do Ricardo Freire. O Wilk respondeu rapidamente, mas já tinha compromisso para o período. Acho que contatei um mês antes da viagem. O Wilk foi excelente: mesmo ocupado no período, preocupou-se em me indicar outro guia, além de me dar diversas informações sobre o parque. Muito bom!

Acabou que o guia indicado pelo Wilk também tinha compromisso e me indicou o Rafael Martins (089-81324551 / 089-94533761). Rafael foi ótimo! Dosou, na medida certa para nós, caminhadas com visuais das espetaculares formações rochosas e pinturas rupestres. Digo isso porque o interesse do visitante varia bastante: vc pode querer fazer longas caminhadas, ou nenhuma caminhada, ou pode querer visitar o quanto puder das pinturas, ou pode querer fazer programas leves de manhã e à tarde, fugindo do sol. Falei com Rafael que queríamos passar o dia inteiro fazendo passeios, sem pausas para almoço (nossos guias sofrem!) e explorar pinturas, visuais e fazer caminhadas. Ele fez roteiros que preencheram isso perfeitamente. Eu tinha alguns lugares que queria conhecer necessariamente e disse isso a ele. De resto, deixei nas mãos dele que organizasse. Sempre sobrava algum tempo, e ele sempre encaixava algum passeio adicional. Muito bom mesmo.

Tínhamos a tarde da chegada, dois dias cheios e a manhã do dia de ir embora. Acho que conhecemos mais que o principal das áreas mais acessíveis. 

A diária do guia estava em 150 reais, e isso já me foi colocado desde o começo pelo Wilk. Dia inteiro, meio dia, só um passeiozinho, não importa, o preço era esse para o dia. Para o grupo, não por pessoa. Eu acho que é negociável, mas achei justo o valor. O Rafael ficava conosco desde o café da manhã até escurecer. Excelente. Saíamos do hotel umas 7 da manhã e voltávamos já escurecendo ou de noite mesmo.

A entrada no parque custa 16 reais por dia por pessoa. Estrangeiros pagam o dobro. Já deixamos pago todos os dias logo na chegada, isso facilitava o acesso nos dias seguintes.

O lance de pinturas rupestres nunca foi algo que me cativasse, sinceramente. Lembro-me de ver algumas muito bacanas em Sete Cidades, lembro que Urubici também tinha alguma coisa, e outros lugares que já nem me lembro mais. Eu achava interessante, mas não era algo que me impulsionasse a visitar. Mas a Serra da Capivara é isso! Eu estava lá para ver pinturas rupestres também. Inteiramente desencanado de buscar compreender significados, embora praticasse esse exercício eventualmente. Voltei maravilhado.


Fauna
Muitos mocós. Em tudo quanto era lugar do parque encontrávamos os mocós. Ou corriam, ou faziam estátua. Eram graciosos. A presença deles nas cavernas e tocas, quando não visível, é facilmente identificável pelos cocozinhos que deixam de rastro. Parece que estão ameaçados de extinção em outros lugares. Por lá eles são figurinha fácil.

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Mocó

Além dos passarinhos de montão, inclusive andorinhas, vimos macacos, veados, lagartixas-da-serra, porcos do mato. Tem onça no parque também, mas só vimos (possíveis) pegadas.

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Esse era meio domesticado

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Macaco-Prego

Comer
O hotel tinha café da manhã, então somente jantávamos. Primeiro dia no Varandas, muito bom. Fica na rua do agito (acho que Avenida dos Estudantes), com restaurantes de mesas na calçada. Churrasco e acompanhamentos. 50 pratas a picanha pra 2 pessoas. Segundo dia no Bode Assado do Tanga, também muito bom. 39 reais o bode para 2. Ambiente bem simples, não se iluda. Terceira janta foi dividida entre o Donizete, onde saboreamos uma saborosa paçoca (carne seca) com queijo coalho, e depois a pizzaria do Paulinho, famosa por ter calzone de carneiro, mas que não tinha carneiro naquele dia! Comemos pizza “normal”, então. Eu gostei, Katia não.

Galera tradicionalmente almoça no restaurante que fica do lado da fábrica de cerâmica. Estivemos lá uma vez, mas não almoçamos. Esquema buffet, mas que vc paga extra se desperdiçar. Comida parecia boa e cheirosa.
 

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Relato

Dia 1
Chegamos na sexta-feira a Teresina, conforme previsto. Era começo de madrugada. Enquanto esperava o transfer da locadora, vi que galera fazia uma fila quádrupla (!!) na chegada dos passageiros. Tinha fila de taxi, outros dois carros parados em fila dupla, e do outro lado tinha taxi parado também. Sobrava um espaçozinho para quem quisesse passar, o que naturalmente provocava engarrafamento na pequena área do aeroporto. Ehê, Brasil! 

Nesse dia só fizemos seguir para o hotel e dormir. Acordaríamos horas depois para partir em viagem, agora rodoviária.

Partimos pouco depois das 6. Havia muitos caminhões na saída de Teresina, conforme havia lido, conforme previsto. Tinha colocado como meta conservadora chegar umas 14hs em SRN, avisei ao guia. Fui avisando nosso paradeiro nas duas paradas que fizemos. Qdo chegamos no hotel em SRN, em poucos minutos ele estava lá nos esperando (ficamos no Real Hotel, mais central, mas de diária salgada – os preços de hospedagem por lá não são baixos). Conversamos rapidamente, expliquei nosso estilo e o que queríamos (aproveitar ao máximo o dia, não fazer pausa para almoço, mesclar caminhadas com pinturas e visuais), e logo partimos.

Nesse primeiro dia fizemos uma longa caminhada mesclando pinturas rupestres e formações rochosas. Foi uma travessia do Sítio do Meio para o Baixão da Pedra Furada. Passamos pelo Boqueirão Pedro Rodrigues, e, claro, pela Pedra Furada, um cartão postal da Serra da Capivara. Paramos o carro num ponto e somente caminhamos dali em diante. Eu diria que foi uma apresentação de gala do Parque. Ainda havia a chance de ficarmos até escurecer para ver o Baixão sob iluminação noturna, mas o corpo estava bem cansado – muito mais da sequência de pouco sono (da noite anterior e dos dias anteriores, no meu caso; além do completo jejum do dia!) e da longa viagem de carro do que da caminhada, sinceramente. Apesar de longa (o mytrail do Rafael indicou 16kms), a caminhada foi tranquila.

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Visual (1o dia)

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Famosas pinturas rupestres do Baixão da Pedra Furada

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                                                                                      Árvore nas pedras

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Plaquinhas

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Pedra Furada - cartão postal da Capivara

Na cidade, fomos na rua paralela ao hotel para jantar. É a rua onde rola o agito noturno, ao que parece, com bares e restaurantes, geralmente com mesas na rua. Nos dias em que estivemos por lá, tinha um lamentável som automotivo (mas que parecia fazer sucesso com a galera) em volume altíssimo. Jantamos e chapamos.
 

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Dia 2
No segundo dia fomos na Serra Branca. Foram diversas tocas, com belíssimos visuais, novamente. Mas nesse dia não fizemos caminhadas longas, eram mais curtas. Teve mais deslocamento de carro, no esquema de parar, ver uma ou mais tocas, e voltar para o carro e seguir para outra toca ou região.

Pelas minhas anotações, passamos por Toca do Caboclo da Serra Branca, Toca da Pedra, Toca da Pinga do Boi, Toca da Onça (não vimos onça, mas tinha pegadas!), Toca da Pinga do Nicolau, essas últimas com belíssimo visual. Toca da Rancharia da Escada (com um roda-moinho em baixo relevo), Toca do Sobradinho (sexo!), Toca do Caldeirão da Vaca I, Toca do Veado (um enorme veado, hoje coberto para proteger do sol), Toca do João Arsena (muitas pinturas), Extrema II, Toca do Vento, etc.

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Visual

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Sexo rupestre?

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Antiga casa de João Sabino e Ana Rosa da Conceição. Essa é uma das "tocas" escavadas na rocha que eram ocupadas por maniçobeiros (trabalhadores que extraíram o látex da maniçoba para a fabricação de borracha). Eles conviviam com as pinturas rupestres bem antes de sua descoberta pela comunidade científica.

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Pinturas

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Visitando os vários sítios arqueológicos (tocas)

Antes de embicarmos para o Baixão das Andorinhas de tarde, paramos num lugar que o Rafael chama de Canoas da Serra Vermelha. Fica fora do parque e trata-se de um cânion espetacular. Boa parte do espetáculo desses cânions não é possível de se visualizar em fotografias, precisa estar lá. Acredito que um dia, quando (se) finalmente souberem explorar o turismo por lá de forma sustentável (a la Foz do Iguaçu), haverá voos de helicóptero por aqueles cânions. Se vc olha pelo Google Earth, já vai identificar. Estar ali e ver com os próprios olhos é qualquer coisa de sublime. Caminhar pela borda dos cânions observando o espetáculo abaixo é das diversas lembranças memoráveis que tenho da Capivara.

Fomos então para a Serra Vermelha. Fomos primeiro nas tocas do Baixão do Perna, depois seguimos para o pôr do sol.

O fim desse dia foi no Baixão das Andorinhas, ponto tradicional de fim de tarde na região. Além do pôr do sol, o grande barato é ver as Andorinhas dando rasantes cânion adentro para seguirem para seus ninhos. Se a galera fizer silêncio (felizmente o grupo que estava lá não era brulhento!), vc ouve o rasante delas. É muito bacana. Mais que isso: a velocidade do rasante é impressionante. Vimos algumas dando esse rasante cânion adentro, mas Rafael falou que foi um dia fraco: geralmente elas descem em grupo e em maior número. Ele tinha ouvido e identificado que várias delas já tinham descido “antes da hora”, enquanto fazíamos uma caminhada pelas bordas do cânion. 

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Baixão das Andorinhas

Tem de voltar um pouco antes das 18 hs, que é a hora de fechamento do parque. Quando o sol se põe mais tarde, tem tolerância maior. 

Nesse dia rodamos uma boa quantidade de kms de carro, e caminhamos menos que na tarde anterior no total. Começamos +- às 8 da manhã, voltamos para a cidade já depois das 18hs.

Estávamos em dúvida sobre o passeio de sábado. Eu queria conhecer o Circuito das Chapadas, mas era necessário subir uma escada na rocha, e sabia que Katia ia encanar com isso. Rafael nos levou num sítio e aproveitamos para “testar” uma escadaria na rocha que havia ali perto. Katia nem tentou, vetou logo. Então dia seguinte fomos conhecer o Desfiladeiro da Capivara de manhã.

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Escada não
 

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Dia 3
Sábado de manhã lá estávamos nós seguindo estrada para o parque. Vindo para SRN por Campo do Buriti tem um visual espetacular conforme vc se aproxima da cidade de SRN. São chapadas no horizonte, tem a Serra Vermelha. Mas falta um mirante na estrada. Onde tem mirante é na outra estrada, que vai por Cel. José Dias. Foi nessa que fomos no sábado, seguindo para o Desfiladeiro da Capivara. O mirante é bacana, amplo, mas não tem as chapadas ao horizonte. O visual não é tão estonteante quanto na outra estrada.

O roteiro daquela manhã foi pelo Desfiladeiro da Capivara. Pajaú, Barro (pinturas nas pedras encravadas no conglomerado de seixo), Inferno, Baixão da Vaca, Saída, Veadinho Azul, Paredão dos Veadinhos, caminhada por sobre o desfiladeiro, Paraguaio.

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Desfiladeiro da Capivara

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Formações

No fim da manhã vimos macacos. Eles ficam numa das guaritas do parque, deve rolar uma alimentação por ali. Eles pareciam bem à vontade. [Mais tarde, na verdade semanas atrás (antes da publicação deste relato), teve um Globo Repórter que mostrava como o Parque lidava com esses animais. De fato o Parque providencia água e alimento a eles.]

Nesse dia passamos pela cidade de Cel. José Dias, que tem tentado desenvolver alguma infraestrutura para o turismo. Cidade bem pequena, com ainda menos opções que SRN, com cabras nas ruas, porém na cara de uma das entradas do parque. E perto da famosa entrada da fábrica de cerâmica. Os preços da lojinha de cerâmica são inicialmente os mesmos praticados na cidade, mas dão 20% de desconto. Não estava nos nossos planos parar por lá, mas entendemos que o Rafael queria almoçar (e queríamos água fresca!) então fomos. A fábrica não estava aberta, mas a lojinha sim. Katia comprou algumas peças, aproveitamos para hidratar e tomar uma cajuína.
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O veadinho azul -- que não é azul
 

Aliás, gostei muito de o Rafael topar de não fazer pausas para almoço! Isso era das coisas que me angustiavam no Cariri paraibano, onde só havia passeios de manhã ou no meio da tarde, ninguém encarava o sol escaldante do meio-dia. Na verdade, em outras ocasiões a pausa para almoçar em passeios de dia inteiro me traz a sensação de que podia estar explorando mais algum lugar e estou parado. Mas isso é tara minha, sei que o normal da galera é fazer essa pausa. Via de regra, se eu tomo café da manhã, pulo o almoço numa boa. Em viagens eu busco sempre pular o almoço.

De tarde fizemos algumas das trilhas interpretativas hombu. São diversas trilhas pelo parque, com placas explicativas. Muito bacana, acho que atende aos colégios que levam estudantes na região. Diversas tocas e sítios pelo caminho. 
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Pinturas -- e branco com vermelho sobrepostos

Salvo engano, passamos por Toca da Ema do Sítio do Brás, Casa do Alexandre, Toca do Mangueiro, Toca da Roça do Sítio do Brás, Museu do Neco Coelho. 

E ainda fomos conferir uma caverna (Toca de Cima do Sítio do Pilão) que fica fora da área do parque, mas que ainda estava fechada. Pareceu ser muito legal, com estrutura interna de madeira, mas que estava deteriorada. Deu vontade de explorar, mas estava com entrada proibida, e era de fato arriscado demais pisar sobre aquelas passarelas de madeira parecendo que iriam cair.

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Madeira sobre pedra

Ainda fizemos mais trilhas hombu depois. Toca de Cima do Caldeirão do Gado, Toca da Igrejinha do Sítio do Mocó, Toca do Elias, Toca da Invenção (pinturas brancas sobrepostas às vermelhas, contrariando conhecimento firmado), e Fundo do Baixão da Pedra Furada.

Nesse dia vimos porcos do mato e um veado, novamente em área próxima a uma guarita, onde havia água para os bichos.

No fim da tarde, fomos para o Baixão da Pedra Furada para a observação noturna. Eles ligam os refletores quando escurece para o grupo que agendar. Sai por 50 pratas para o grupo. Nesse dia o grupo era só eu e Katia mesmo. Private!! Seria melhor ter mais gente para ratear o custo, mas foi bacana ter aquele painel espetacular só para nós também. Enquanto escurecia, ficamos assistindo a alguns vídeos (já antigos) do parque numa sala na sede ao lado do Baixão.

Ver aquele espetáculo de noite foi redundantemente um espetáculo. Ficamos um bom tempo vendo, admirando, fotografando e revendo e re-admirando (e re-fotografando) as pinturas. E as pedras sob a penumbra do início da noite, ou sob a iluminação dos refletores. É pra não esquecer.

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Baixão da Pedra Furada noturno

Tirei uma quantidade absurda de fotos nos dois dias cheios que estivemos lá (mas paradoxalmente coloco poucas aqui). Cismei de fotografar cada pintura que me parecesse interessante, uma a uma. Uma leve obsessão. Várias pinturas me pareceram interessantes, não enjoei delas. 
 

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Dia 4
Domingo era nosso último dia, e tínhamos ainda a manhã inteira. Fomos na Baixa do Paulino. Percorremos um cânion até o fim, depois subimos por escadas de metal estrategicamente posicionadas entre as pedras. Katia nem grilou com essas escadas, foi bem tranquilo. No alto, o visual. Belo, como há de ser naquela região bela. Depois fizemos ainda uma caminhada no Baixão das Mulheres, onde tem a pintura rupestre famosa de um pássaro trovão. Foi nossa programação no parque naquela manhã.

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Escada sim

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Do alto do Baixão do Paulino

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                                                Agora dentro

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Pássaro Trovão no Baixão das Mulheres

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Uma longa escadinha e uma bela formação rochosa

Deixamos o Museu do Homem Americano para o fim, foi nossa última visita. Seria interessante ir lá no começo, antes de visitar o parque, é bem bacana. (No entanto, quando chegamos na cidade, no primeiro dia, só pensávamos em ir para o parque!). Ficamos uma horinha por lá e voltamos para a cidade.

Conseguimos uma pequena folga com o hotel para um check-out um pouquinho mais tarde, o que permitiu um merecido banho antes de seguir viagem de volta. Partimos de SRN umas 13hs, chegamos em Teresina pouco mais de 6hs depois. Velocidade vai diminuindo quanto mais próximo se chega de Teresina. E ainda pegamos chuva em algum ponto depois de Floriano, com direito a um belíssimo arco-íris!

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Arco-íris na estrada de volta

Ainda deu tempo de rever o Parque Potycabana, que segue muito bacana, e a Ponte Estaiada (mas só de longe), antes de saborear novamente a carne de sol do São João, que agora tem filial pertinho do aeroporto. Bateu um bode violento depois da janta, fomos tirar uma soneca nas cadeiras do aeroporto até nosso voo da madrugada partir. Dia seguinte já era dia de trabalho novamente.

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Teresina

Mais um feriado desbravando lugares pelo Brasil!
Mais que isso: desbravando um tesouro da humanidade. Inesquecível.


 

Três posts que me ajudaram

Serra da Capivara: roteiro completo do Thiago
[pena que foram somente os dois primeiros dias no relato!]

Dicas rápidas para finalmente ir à Serra da Capivara
[pequena matéria, útil para confirmar o caminho a seguir e as condições das estradas; e valeu também pela dica do livro – muito bom!]

Serra da Capivara: senta que lá vem pré-história
[esse foi um ótimo teaser que li – e que guardei na memória desde quando fui ao Piauí pela primeira vez --, do Ricardo Freire; muito embora meu esquema de viagem seja geralmente diferente do dele]


Quando eu voltar (e hei de voltar)
- Quero ir de 4 x 4, para conhecer sítios somente acessíveis com carro tracionado.
- Quero esticar para a Serra das Confusões, que fica “logo ali”, a 100 km.
- Quero voltar a caminhar por alguns daqueles lugares espetaculares que conhecemos.

Eu tinha grandes expectativas sobre a Serra da Capivara. E o lugar é ainda mais fantástico do que eu esperava.

[As fotos são majoritariamente do Instagram da Katia]
 

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