Em 25 de dezembro saímos novamente para mais uma aventura de carro. Dessa vez tentarei ser mais sucinto em meu relato, apenas para esclarecer, indicar e opinar sobre alguns pontos que podem vir a ser interessantes para algum colega mochileiro.
O roteiro ficou assim:
Dias
Origem
KM
Tempo
Destino
25/dez
Santos/SP
977
13h06
Guarujá do Sul/SC
26/dez
Guarujá do Sul/SC
658
Ruinas de San Ignacio
08h14
Corrientes/ARG
27/dez
Corrientes/ARG
944
12h04
Tilcara/ARG
28/dez
Tilcara/ARG
751
Serrania de Hornocal
11h01
Uyuni/BOL
29/dez
Salar de Uyuni
30/dez
31/dez
01/jan
Uyuni/BOL
539
07h20
La Paz/BOL
02/jan
Mercado Las Brujas - Calle Jaen - Centro - Mirador
03/jan
Monte Chacaltaya
04/jan
La Paz/BOL
154
Ruinas de Tiawanaco
03h31
Copacabana/BOL
05/jan
Copacabana/BOL
142
Isla del Sol
02h21
Puno/PER
06/jan
Puno/PER
375
Isla de Taquiles
06h27
Tacna/PER
07/jan
Tacna/PER
365
04h41
Iquique/CHI
08/jan
Iquique/CHI
487
Humberstone
05h31
San Pedro Atacama/CHI
09/jan
Tour Astronômico
10/jan
San Pedro Atacama/CHI
509
Paso Sico - Lagunas
08h53
Salta/ARG
11/jan
Salta/ARG
821
10h24
Resistência/ARG
12/jan
Resistência/ARG
642
08h27
Foz de Iguaçu/PR
13/jan
Foz de Iguaçu/PR
1056
Ciudad del Est
13h41
Santos/SP
Foram 20 dias percorrendo cerca de 8400 km, passando por Argentina, Bolívia, Peru, Chile e uma passadinha no Paraguai.
Vamos então aos pontos mais importantes:
Fronteira de Dionísio Cerqueira / Bernardo de Irigoyen
Prós: Menos veículos, cambistas na primeira esquina
Contras: A estrada que leva a Guarujá do Sul e também à Dionísio é muito ruim em comparação à que nos levaria a Foz do Iguaçu. Eu planejei fazer a carta verde em solo argentino, porém tive que ir a pé, cerca de 200mts, até a seguradora após a fronteira. Ou seja, já façam a carta verde no Brasil. Paguei 100 reais por 30 dias. Bernardo de Irigoyen é uma cidade muito pequena e bem menos interessante do que Puerto Iguazu (Travessia de Foz).
Ruínas de San Ignácio
Local bem interessante de conhecer. Fica no caminho para Corrientes em uma cidadezinha às margens da estrada. São ruínas preservadas e ótimas para tirar boas fotos. Possuí também um museu no local e infraestrutura para turista. Em frente à entrada tem um bom restaurante para almoçar.
Corrientes
Em Corrientes tem uma ótima casa de câmbio, El Dorado – www.eldoradosa.com , com cotações bem melhores que da fronteira. Então sempre troco apenas o suficiente para chegar até Corrientes e comprar o restante dos pesos nessa casa. Necessário levar o passaporte ou a permissão de entrada para cadastro. Calle 9 de Julio, 996.
Tilcara
Uma pequena cidade, bem parecida com Purmamarca, com Hostels bem legais e vida noturna agitada com muitos turistas. Foi o mais perto que consegui chegar da fronteira boliviana até o anoitecer. No local apenas fizemos um passeio pela praça central, e aqui fica a dica: Ótimos preços para artesanatos e outros artigos. O lugar mais barato que encontrei até hoje para comprar presentes e lembranças andinas.
Fronteira de La Quiaca / Villazon
Local fácil de achar e tranquilo de atravessar. Deve descer do veículo e fazer os trâmites necessários. Logo após a travessia, na rua de frente a Migracione, irá encontrar diversas casas de câmbio, local para comprar chip de celular, e tudo mais em muitas lojas e tendas. Também tem bancos e mercados mais a frente, na própria Villazon. Nâo nos foi solicitado seguro para terceiros.
(imagem obtida na internet.)
Uyuni
Bolívia realmente é um país diferente, um paraíso sob o caos. São paisagens magnificas por todo lado. Mas também muita pobreza nas cidades. Me surpreendeu infelizmente a grande quantidade de animais, principalmente cães, atropelados pelas beiras de estrada.
Havia dois caminhos para Uyuni: o mais longo nos levaria até Potosí, o que até então era o único caminho asfaltado. E o caminho mais curto, direto de Tupiza à Uyuni. Escolhi o mais curto e acertei, pois encontramos apenas um pequeno trecho de ripío, em condições medianas, mas percorridas em pouco mais de 1 hr. O restante foi asfalto até Uyuni. Vale a pena fazer o caminho mais curto.
Em Uyuni logo fomos buscar uma agência para contratarmos o tour de 3 dias para o dia seguinte. Pagamos 800 bolivianos na Esmeralda Tour. Nos hospedamos no Cilos Hotel. Barato, mas bem ruinzinho. Não recomendo. A cidade tem bastante comércio para comprar comida ou o que for necessário.
Tour de Uyuni
Fizemos o tour com dois brasileiros e uma italiana e, felizmente, todos se deram super bem. O guia/motorista Alfredo era um típico boliviano e conhecia muito bem como fazer o tour.
Não tivemos muita sorte em relação ao clima. Todos os dias foram nublados e as vezes com um pouco de chuva.
Os lugares visitados são fantásticos e por isso, apesar das horas que passamos apertados dentro do veículo, nem percebemos o tempo passar.
Na primeira noite ficamos em um hotel de sal onde tivemos quarto privativo. O banho deve ser solicitado e pago junto a proprietária do local. Faça-o assim que chegar porque existe apenas um chuveiro para todos e se você quer um banheiro limpo... O jantar e o café da manhã são servidos pelo nosso guia e foram satisfatórios.
Na segunda noite, de frente para laguna colorada, o quarto foi compartilhado com o restante da nossa equipe. Novamente o jantar e o café da manhã foram servidos pelo nosso guia. O banheiro é espaçoso, mas logo torna-se insalubre devido ao grande número de pessoas e nenhuma limpeza enquanto estivemos lá. Pela manhã estava impossível utilizar algo além da pia. Já o banho pode ser conseguido em uma outra casa nos fundos do hotel, pagando uma taxa. Nessa mesma casa também pode pagar para ter um pouco de WIfi.
Enfim, os lugares visitados são fantásticos, com muitos vulcões, lagunas, flamingos, raposas, etc. O frio não estava tão intenso, variando entre 0° a 15°, com alguns poucos pontos nevados.
Cemiterio de Trens
Monumento Dakar
Restaurante de Sal
Restaurante de Sal
Sal
Salar de Uyuni
Salar de Uyuni
Hotel de Sal
Vulcão Ollague
Flamingos Chilenos
Gato Feral
Flamingo Chileno
Viscachas
Arbol de Piedra
Zorrito
Laguna Colorada
Laguna Colorada
Noite na Laguna Colorada
Geiser Sol de La Mañana
Geiser Sol de La Mañana
Laguna Verde e Licancabur
Termas de Polques
Uyuni à La Paz
Estradas excelentes nos levaram até La Paz. Não tivemos problemas com policia rodoviária em toda a Bolívia. Somente alguns pedágios. Alguns pedágios não têm cobrança se ainda tiver o ticket do pedágio anterior. Então guarde-os. Devido a altitude também pegamos um pouco de gelo e neve no caminho, mas nada que precisasse de correntes. A cidade de El Alto é bem confusa, mas o GPS nos levou direitinho para as descidas de La Paz, apesar do trânsito caótico. A descida para La Paz é algo muito diferente, inesquecível a visão da cidade entre as montanhas.
La Paz
Em La Paz nos hospedamos no Hotel Salas, bem próximo às agências. Não tinha garagem, mas conseguimos um estacionamento próximo para deixar o carro. Também levamos nossas roupas para uma lavanderia e aqui fica uma dica, anote cada peça de roupa deixada lá pois podem entregar faltando algumas. No nosso caso faltou no mínimo duas peças e veio uma peça íntima de alguém desconhecido...ou seja, descuido total.
No primeiro dia saímos para conhecer a cidade e os bondes aéreos. E no segundo dia fomos ao passeio até o Monte Chacaltaya. O monte fica bem próximo e a estrada é bem ruim. Da para ir em seu próprio carro se for alto e com bons amortecedores. O lugar é realmente bem alto e a altitude traz seus sintomas. Após chegar à antiga estação de esqui, ainda tem uma subida íngreme até o topo e ali o sofrimento é maior pois falta ar, a cabeça parece querer ter um AVC, mas é recompensador o topo. Muita neve e uma vista incrível das várias montanhas e lagunas ao redor. Aproveita-se para descansar e tirar muitas fotos enquanto contempla a natureza.
No último dia acordamos cedo e fomos comprar “lembrancinhas” para nós e para família. Conhecemos a tal de Mercado Las Brujas e adjacentes...encontramos bastante coisa, mas é um pouco caro. Em Villazon, uyuni, e principalmente em Tilcara, encontramos preços bem melhores.
Tiawanaco
Após as rápidas compras demos adeus a cidade de La Paz, subimos suas encostas até chegar a El Alto e dali partimos para visitar as ruínas de Tiawanaco. Foi tranquilo encontrar, mas ficamos surpresos com o valor da entrada, um pouco salgada demais pela estrutura que oferece, cerca de R$100,00 por pessoa. Mas visitamos o local e é bem interessante. São ruínas muito antigas e estão dispersas por uma área bem grande. Terá que andar bastante para ver tudo, mas é uma oportunidade única de ver algo tão antigo e preservado.
Copacabana
Após visitar as ruínas de Tiawanaco, seguimos direto para a cidade de Copacabana. Boas estradas nos levam até lá, com alguns pontos em reforma/pavimentação.Ao se aproximar do lago, começamos a serpentear pelas estradas altas da cidade de Tikina, com vista pro lago, até chegarmos à balsa. Lá não tem guichê ou coisa parecida, bastando se aproximar das balsar e perguntar para algum boliviano próximo onde poderíamos embarcar. Ao que parece, cada boliviano por ali tem sua própria balsa e a toca do jeito que lhe convêm. A subida e descida da balsa é um tanto desajeitada e improvisada, mas tudo correu bem e atravessamos sem precisar sair do carro.
Após a balsa, mais alguns Km de estrada até chegar a Copacabana. A estrada é muito bonita e tem pontos com mirantes para estacionar e tirar fotos.
Em Copacabana nos hospedamos no Hotel La Casa del Sol, de frente para o lago. O hotel tem estacionamento e um bom café da manhã. Mas o quarto estava muito ruim, com vazamento no banheiro, cheiro de mofo e chuveiro com água morna e utilizável apenas em horários pré-definidos. É o tal custo-benefício...
A noite saímos para jantar e pode-se encontrar de tudo, comida e artigos, nas ruas ao redor da Plaza Sucre. Não fomos visitar o Cerro Calvário e a Basilica de N. Sra Copacabana, o que considero um erro. No dia seguinte apenas fomos fazer o passeio de um dia à Isla del Sol.
Isla del Sol
O passeio é barato e a barca que nos leva é confortável. O passeio pode ser contratado na beira do lago, ao lado da estátua do Leme de Barco. A ilha é muito bonita, mas sinceramente esperava mais. Ao chegar na Praia Sul da ilha – Yumani - nos deparamos com as estatuas de Manco e Mama e uma longa escadaria que termina em uma bifurcação para caminhos diferentes da ilha. Pelo caminho diversas tendas de artesanato e moradores locais em seus afazeres diários. A travessia Norte-Sul está bloqueada, então não tem muito o que fazer na ilha a não ser contemplar, tirar algumas fotos e voltar pro barco. Ah, não bebam a água da Fonte Inca da Juventude. Eu sabia do risco de contaminação, mas me atrevi e paguei o preço com forte enjoo e vômitos no dia seguinte... mas bebi
Fronteira Bolivia / Peru
Após passear pela Isla del Sol e almoçar, partimos em direção ao Peru. A fronteira é bem pertinho de Copacabana. A saída da Bolivia foi rápida, apenas devolvendo os permissos e uma olhadinha do fiscal para conferir o modelo e placa do veículo. Logo após a barreira policial temos a aduana peruana e ali tivemos problemas: Eles exigem o seguro SOAT para o veículo. Não poderia seguir viagem sem ele e só encontraria esse seguro em Yunguio, cerca de 5km a frente. Tive que fazer cara de coitado e prometer muito fazer o seguro para poder seguir com o veiculo, porque até então teria que ir andando ou de tuktuk até a cidade e voltar.
O seguro conseguimos contratar em um banco comercial na praça principal da cidade de Yunguyo, por um valor bem barato. De lá, partimos para Puno, dando quase uma meia volta completa no Lago Titicaca.
Puno / Isla Taquile
Chegamos à Puno já de noite e entramos no primeiro hotel que encontramos. Demos sorte porque era barato, possuía estacionamento externo, café da manhã, ducha caliente e camas confortáveis. E para melhorar, o proprietário também agendava passeios e assim já fechamos para o dia seguinte o tour para Isla Taquile.
Umas das vantagens de viajar de carro é a liberdade de escolhas e essa foi acertada. Nosso projeto indicava sair de Copacabana e ir direto até Tacna, no Peru, apenas para pernoitar e partir rumo ao Chile. Mas como estávamos um pouco decepcionados com a Isla del Sol, resolvemos mudar a direção e partimos para Puno. Seria um dia a mais de viagem e alguns gastos extras, mas quem ta na chuva.... Decisão acertada, pois o caminho até puno é muito bonito e a cidade apesar de ter um trânsito horrível, tem boa infraestrutura para turistas. Gostaria de ter tido mais tempo para conhecer seus pontos turísticos.
O passeio para Isla Taquile é muito gostoso, bem organizado e interessante. Em uma das grandes ilhas de totora fomos recebidos pelo seu chefe e ali, reunidos em uma grande roda, acomodados em bancos de totora, o chefe nos apresenta a ilha, sua história e costumes. É muito interessante tudo que nos foi contado e não pretendo dar spoiler aqui né.
Moquegua
De Puno partimos para Tacna, mas devido ao mal-estar devido a “fonte da Juventude” só consegui chegar em Moquegua. O percurso com altitude de cerca de 5000m e muitas curvas foi demais para meu estomago infectado. O resultado disso foi várias paradas em locais inóspitos para vomitar ou apenas tentar brecar o enjoo. Ossos do ofício. Paramos em um hotelzinho de beira de estrada, muito bom por sinal e dormimos o máximo possível.
Fronteira Peru / Chile
De Moquegua partimos com destino ao Chile. A fronteira fica próxima à cidade de Arica. Uma fronteira bem movimentada por sinal. Estaciona-se o veículo em um grande estacionamento e parte-se para a migração. O Chile é um país bem rigoroso em suas fronteiras, mas essa foi a pior que conhecemos até agora.
Antes de pegar a fila 01, é bom atentar-se a uma exigência deles: devemos apresentar uma ficha, não recordo o nome, que vendem na lanchonete do local, no prédio a esquerda. É melhor comprar essa ficha antes de entrar na fila, assim não enfrenta a fila duas vezes...
Depois do guichê 1, vai para o 2 dar entrada no veículo e depois trazer o veículo para a fila de inspeção, onde todas as malas deverão ser levadas para outra fila onde passarão pelo scanner. O veículo é vistoriado, mais alguns carimbos e finalmente somos liberados para adentrar. Reserve de uma a duas horas para esses trâmites.
Arica / Iquique
Em Arica, por ser domingo, não encontrei casa de câmbio aberta. Precisava abastecer e pagar eventuais pedágios, comprar comida, etc. A solução foi ir ao aeroporto e lá sacar no caixa eletrônico. Havia guichê para cambiar, porém aceitavam apenas dólar e euros.
Chegamos em Iquique no final de tarde. É uma cidade litorânea pequena, mas muito bonita, acolhedora e tranquila, cercada por dunas de areia de um lado e o oceano do outro. Tem uma bela orla e boa infraestrutura para o turista. Tem shopping, fast food, cassino, parques, feiras de artesanatos e todo tipo de comércio. Também possui diversas casas de câmbio, com ótimas cotações para o real.
Humberstone
Em nossa última viagem para o Atacama, demos o azar de vir à fábrica fantasma de Humberstone justamente em um feriado e assim batemos a cara na porta. Dessa vez conseguimos entrar e valeu a pena a insistência. O local fica a apenas 45km de Iquique e é incrível para quem curte fotografar e também conhecer um pouco da história. É um patrimônio mundial da humanidade pela Unesco e muito bem preservado pelos chilenos. Custa apenas 3 mil pesos e lá dentro encontrará tendas vendendo souvenirs e até mesmo alugando roupas da época para fotos. Lá poderão ver escolas, maquinários, mercados, açougues e moradias dos antigos funcionários da fábrica de salitre. Imperdível e fica na beira da rodovia que liga San Pedro à Iquique ou Árica.
San Pedro de Atacama
Outra visita a San Pedro. Sempre um prazer enorme rever a cidade e seu centrinho. Dessa vez apenas como ponto de pernoite em nosso retorno. Aproveitamos para fazer um passeio que não havíamos conseguido ainda, o tour astronômico. O contratamos para a mesma noite que chegamos.
O tour iniciou as 21hs e em uma van com mais 7 pessoas partimos para um sitio um pouco afastado do centro. Não achei o local tão afastado assim das luzes artificiais da cidade. O guia tinha excelente conhecimento do mapa celeste e suas características. Nos ensinou bastante coisa. Vale a pena fazer o tour pelo conhecimento adquirido. Eles possuíam 4 telescópios manuais e um eletrônico. Por volta de 23hs o tour termina e a van nos leva de volta ao centro.
Nos hospedamos no Hostel Rey Lagarto. Muito bom, recomendamos.
Fronteira Chile / Argentina – Paso Sico
Hora de dar tchau. Já conhecíamos bem o Paso Jama e dessa vez queríamos conhecer o Paso Sico. Péssima idéia... do lado chileno é tudo uma maravilha, com estradas perfeitas e zero trânsito. E ainda conhecemos, pelo caminho, as lagunas das Piedras Rojas e a maravilhosa Laguna Tuyajto. Valeria a distância percorrida se voltássemos a partir dessa laguna para atravessar por Paso Jama apenas por sua beleza. Mas seguimos em frente e logo terminou o Chile e terminou o asfalto. Veio a aduana e após rápidos trâmites seguimos em frente... A estrada de ripio vai piorando e piorando... não há nada no caminho caso aconteça algo. Se ainda houvesse belas paisagens pelo caminho, mas apenas montes de areia, cactos e pedras pelo caminho. São cerca de 170km nessa toada. O carro estremece e sofre com as pedras e buracos. No meio do caminho já havia um barulho enorme de lataria batendo na suspensão dianteira. Depois, já em Santos, na oficina para revisão, descobriram uma pedra de uns 7 cm presa na bandeja da suspensão...a culpada de todo barulho que eu já declarava ser amortecedor estourado... Enfim, é uma longa estrada ruim de terra, pedra e buraco, sem atrativos, para chegar a Salta. Paso Jama 10 x 0 Paso Sico.
Salta / Corrientes / Foz do Iguaçu
De Salta até chegar em casa não houve novidades. Aquela reta interminável da RN 16 até Corrientes e depois muitas curvas até chegar ao nosso país. Visitamos Ciudad del Est para comprar alguns eletrônicos e pernoitamos ainda em Guarapuava antes de ir para Santos.
Resumo da Estória
Fronteira de Foz do Iguaçu tem mais fila de veículos, porém tem melhor atendimento e estradas do que Dionisio Cerqueira. Vale a pena ir por Foz.
Entrar na Bolivia pelo norte da Argentina realmente me pareceu mais seguro e rápido. As estradas são boas e não tivemos qualquer perturbação de policiais.Talvez por Corumbá não tivesse sido assim.
O Tour de Uyuni é muito legal. Se você já conheceu todo Atacama, talvez não se impressione tanto com todos os pontos visitados, pois são mais vulcões, lagunas e montanhas. Mas o salar é imperdível. E a experiência como um todo é gratificante e inesquecível. São coisas a se fazer na vida.
La Paz merece mais tempo, dinheiro e coragem. Tem muitas aventuras disponíveis. Como estava em família, não pude aproveitar tudo que gostaria, mas queria ter realizado ao menos o trekking pela estrada da morte e a subida ao Huayna Potosi. Mas o monte Chacaltaya é show e vale a visita.
Ruínas de Tiawanaco é incrível pela antiguidade das peças e a história envolvida. Fica a critério de cada um. Como estava perto não quis perder a oportunidade.
Lago Titicaca é incrível pelo tamanho e pela atmosfera esotérica que o cerca. Parece um lugar com uma energia diferente realmente. Talvez seja influência das estórias ou o marketing envolvido, mas é muito bom estar lá.
Ao passar por Puno/Peru, conheçam as ilhas Uros e Taquile. É divertido e curioso.
Se você curti fotografia tem o dever de conhecer Humberstone se estiver por perto. Se não for, vá mesmo assim porque é um lugar muito doido, lembra até mesmo um parque de diversões assombrado.
O tour astronômico pode ser trocado por uma pesquisa no google e uma fugidinha para um local mais afastado para tirar as fotos com a Via Lactea ao fundo. Mas a explanação do profissional é bem interessante acerca das constelações. Os telescópios não fazem muita diferença na visualização das estrelas. Não é um passeio caro, vale a pena realizar se passar por San Pedro.
Paso Sico nunca mais! Mesmo se tivesse um Troller. Sem atrativos ao contrário do Paso Jama.
Olá
Em 25 de dezembro saímos novamente para mais uma aventura de carro. Dessa vez tentarei ser mais sucinto em meu relato, apenas para esclarecer, indicar e opinar sobre alguns pontos que podem vir a ser interessantes para algum colega mochileiro.
O roteiro ficou assim:
Dias
Origem
KM
Tempo
Destino
25/dez
Santos/SP
977
13h06
Guarujá do Sul/SC
26/dez
Guarujá do Sul/SC
658
Ruinas de San Ignacio
08h14
Corrientes/ARG
27/dez
Corrientes/ARG
944
12h04
Tilcara/ARG
28/dez
Tilcara/ARG
751
Serrania de Hornocal
11h01
Uyuni/BOL
29/dez
Salar de Uyuni
30/dez
31/dez
01/jan
Uyuni/BOL
539
07h20
La Paz/BOL
02/jan
Mercado Las Brujas - Calle Jaen - Centro - Mirador
03/jan
Monte Chacaltaya
04/jan
La Paz/BOL
154
Ruinas de Tiawanaco
03h31
Copacabana/BOL
05/jan
Copacabana/BOL
142
Isla del Sol
02h21
Puno/PER
06/jan
Puno/PER
375
Isla de Taquiles
06h27
Tacna/PER
07/jan
Tacna/PER
365
04h41
Iquique/CHI
08/jan
Iquique/CHI
487
Humberstone
05h31
San Pedro Atacama/CHI
09/jan
Tour Astronômico
10/jan
San Pedro Atacama/CHI
509
Paso Sico - Lagunas
08h53
Salta/ARG
11/jan
Salta/ARG
821
10h24
Resistência/ARG
12/jan
Resistência/ARG
642
08h27
Foz de Iguaçu/PR
13/jan
Foz de Iguaçu/PR
1056
Ciudad del Est
13h41
Santos/SP
Foram 20 dias percorrendo cerca de 8400 km, passando por Argentina, Bolívia, Peru, Chile e uma passadinha no Paraguai.
Vamos então aos pontos mais importantes:
Fronteira de Dionísio Cerqueira / Bernardo de Irigoyen
Prós: Menos veículos, cambistas na primeira esquina
Contras: A estrada que leva a Guarujá do Sul e também à Dionísio é muito ruim em comparação à que nos levaria a Foz do Iguaçu. Eu planejei fazer a carta verde em solo argentino, porém tive que ir a pé, cerca de 200mts, até a seguradora após a fronteira. Ou seja, já façam a carta verde no Brasil. Paguei 100 reais por 30 dias. Bernardo de Irigoyen é uma cidade muito pequena e bem menos interessante do que Puerto Iguazu (Travessia de Foz).
Ruínas de San Ignácio
Local bem interessante de conhecer. Fica no caminho para Corrientes em uma cidadezinha às margens da estrada. São ruínas preservadas e ótimas para tirar boas fotos. Possuí também um museu no local e infraestrutura para turista. Em frente à entrada tem um bom restaurante para almoçar.
Corrientes
Em Corrientes tem uma ótima casa de câmbio, El Dorado – www.eldoradosa.com , com cotações bem melhores que da fronteira. Então sempre troco apenas o suficiente para chegar até Corrientes e comprar o restante dos pesos nessa casa. Necessário levar o passaporte ou a permissão de entrada para cadastro. Calle 9 de Julio, 996.
Tilcara
Uma pequena cidade, bem parecida com Purmamarca, com Hostels bem legais e vida noturna agitada com muitos turistas. Foi o mais perto que consegui chegar da fronteira boliviana até o anoitecer. No local apenas fizemos um passeio pela praça central, e aqui fica a dica: Ótimos preços para artesanatos e outros artigos. O lugar mais barato que encontrei até hoje para comprar presentes e lembranças andinas.
Fronteira de La Quiaca / Villazon
Local fácil de achar e tranquilo de atravessar. Deve descer do veículo e fazer os trâmites necessários. Logo após a travessia, na rua de frente a Migracione, irá encontrar diversas casas de câmbio, local para comprar chip de celular, e tudo mais em muitas lojas e tendas. Também tem bancos e mercados mais a frente, na própria Villazon. Nâo nos foi solicitado seguro para terceiros.
(imagem obtida na internet.)
Uyuni
Bolívia realmente é um país diferente, um paraíso sob o caos. São paisagens magnificas por todo lado. Mas também muita pobreza nas cidades. Me surpreendeu infelizmente a grande quantidade de animais, principalmente cães, atropelados pelas beiras de estrada.
Havia dois caminhos para Uyuni: o mais longo nos levaria até Potosí, o que até então era o único caminho asfaltado. E o caminho mais curto, direto de Tupiza à Uyuni. Escolhi o mais curto e acertei, pois encontramos apenas um pequeno trecho de ripío, em condições medianas, mas percorridas em pouco mais de 1 hr. O restante foi asfalto até Uyuni. Vale a pena fazer o caminho mais curto.
Em Uyuni logo fomos buscar uma agência para contratarmos o tour de 3 dias para o dia seguinte. Pagamos 800 bolivianos na Esmeralda Tour. Nos hospedamos no Cilos Hotel. Barato, mas bem ruinzinho. Não recomendo. A cidade tem bastante comércio para comprar comida ou o que for necessário.
Tour de Uyuni
Fizemos o tour com dois brasileiros e uma italiana e, felizmente, todos se deram super bem. O guia/motorista Alfredo era um típico boliviano e conhecia muito bem como fazer o tour.
Não tivemos muita sorte em relação ao clima. Todos os dias foram nublados e as vezes com um pouco de chuva.
Os lugares visitados são fantásticos e por isso, apesar das horas que passamos apertados dentro do veículo, nem percebemos o tempo passar.
Na primeira noite ficamos em um hotel de sal onde tivemos quarto privativo. O banho deve ser solicitado e pago junto a proprietária do local. Faça-o assim que chegar porque existe apenas um chuveiro para todos e se você quer um banheiro limpo... O jantar e o café da manhã são servidos pelo nosso guia e foram satisfatórios.
Na segunda noite, de frente para laguna colorada, o quarto foi compartilhado com o restante da nossa equipe. Novamente o jantar e o café da manhã foram servidos pelo nosso guia. O banheiro é espaçoso, mas logo torna-se insalubre devido ao grande número de pessoas e nenhuma limpeza enquanto estivemos lá. Pela manhã estava impossível utilizar algo além da pia. Já o banho pode ser conseguido em uma outra casa nos fundos do hotel, pagando uma taxa. Nessa mesma casa também pode pagar para ter um pouco de WIfi.
Enfim, os lugares visitados são fantásticos, com muitos vulcões, lagunas, flamingos, raposas, etc. O frio não estava tão intenso, variando entre 0° a 15°, com alguns poucos pontos nevados.
Cemiterio de Trens
Monumento Dakar
Restaurante de Sal
Restaurante de Sal
Sal
Salar de Uyuni
Salar de Uyuni
Hotel de Sal
Vulcão Ollague
Flamingos Chilenos
Gato Feral
Flamingo Chileno
Viscachas
Arbol de Piedra
Zorrito
Laguna Colorada
Laguna Colorada
Noite na Laguna Colorada
Geiser Sol de La Mañana
Geiser Sol de La Mañana
Laguna Verde e Licancabur
Termas de Polques
Uyuni à La Paz
Estradas excelentes nos levaram até La Paz. Não tivemos problemas com policia rodoviária em toda a Bolívia. Somente alguns pedágios. Alguns pedágios não têm cobrança se ainda tiver o ticket do pedágio anterior. Então guarde-os. Devido a altitude também pegamos um pouco de gelo e neve no caminho, mas nada que precisasse de correntes. A cidade de El Alto é bem confusa, mas o GPS nos levou direitinho para as descidas de La Paz, apesar do trânsito caótico. A descida para La Paz é algo muito diferente, inesquecível a visão da cidade entre as montanhas.
La Paz
Em La Paz nos hospedamos no Hotel Salas, bem próximo às agências. Não tinha garagem, mas conseguimos um estacionamento próximo para deixar o carro. Também levamos nossas roupas para uma lavanderia e aqui fica uma dica, anote cada peça de roupa deixada lá pois podem entregar faltando algumas. No nosso caso faltou no mínimo duas peças e veio uma peça íntima de alguém desconhecido...ou seja, descuido total.
No primeiro dia saímos para conhecer a cidade e os bondes aéreos. E no segundo dia fomos ao passeio até o Monte Chacaltaya. O monte fica bem próximo e a estrada é bem ruim. Da para ir em seu próprio carro se for alto e com bons amortecedores. O lugar é realmente bem alto e a altitude traz seus sintomas. Após chegar à antiga estação de esqui, ainda tem uma subida íngreme até o topo e ali o sofrimento é maior pois falta ar, a cabeça parece querer ter um AVC, mas é recompensador o topo. Muita neve e uma vista incrível das várias montanhas e lagunas ao redor. Aproveita-se para descansar e tirar muitas fotos enquanto contempla a natureza.
No último dia acordamos cedo e fomos comprar “lembrancinhas” para nós e para família. Conhecemos a tal de Mercado Las Brujas e adjacentes...encontramos bastante coisa, mas é um pouco caro. Em Villazon, uyuni, e principalmente em Tilcara, encontramos preços bem melhores.
Tiawanaco
Após as rápidas compras demos adeus a cidade de La Paz, subimos suas encostas até chegar a El Alto e dali partimos para visitar as ruínas de Tiawanaco. Foi tranquilo encontrar, mas ficamos surpresos com o valor da entrada, um pouco salgada demais pela estrutura que oferece, cerca de R$100,00 por pessoa. Mas visitamos o local e é bem interessante. São ruínas muito antigas e estão dispersas por uma área bem grande. Terá que andar bastante para ver tudo, mas é uma oportunidade única de ver algo tão antigo e preservado.
Copacabana
Após visitar as ruínas de Tiawanaco, seguimos direto para a cidade de Copacabana. Boas estradas nos levam até lá, com alguns pontos em reforma/pavimentação. Ao se aproximar do lago, começamos a serpentear pelas estradas altas da cidade de Tikina, com vista pro lago, até chegarmos à balsa. Lá não tem guichê ou coisa parecida, bastando se aproximar das balsar e perguntar para algum boliviano próximo onde poderíamos embarcar. Ao que parece, cada boliviano por ali tem sua própria balsa e a toca do jeito que lhe convêm. A subida e descida da balsa é um tanto desajeitada e improvisada, mas tudo correu bem e atravessamos sem precisar sair do carro.
Após a balsa, mais alguns Km de estrada até chegar a Copacabana. A estrada é muito bonita e tem pontos com mirantes para estacionar e tirar fotos.
Em Copacabana nos hospedamos no Hotel La Casa del Sol, de frente para o lago. O hotel tem estacionamento e um bom café da manhã. Mas o quarto estava muito ruim, com vazamento no banheiro, cheiro de mofo e chuveiro com água morna e utilizável apenas em horários pré-definidos. É o tal custo-benefício...
A noite saímos para jantar e pode-se encontrar de tudo, comida e artigos, nas ruas ao redor da Plaza Sucre. Não fomos visitar o Cerro Calvário e a Basilica de N. Sra Copacabana, o que considero um erro. No dia seguinte apenas fomos fazer o passeio de um dia à Isla del Sol.
Isla del Sol
O passeio é barato e a barca que nos leva é confortável. O passeio pode ser contratado na beira do lago, ao lado da estátua do Leme de Barco. A ilha é muito bonita, mas sinceramente esperava mais. Ao chegar na Praia Sul da ilha – Yumani - nos deparamos com as estatuas de Manco e Mama e uma longa escadaria que termina em uma bifurcação para caminhos diferentes da ilha. Pelo caminho diversas tendas de artesanato e moradores locais em seus afazeres diários. A travessia Norte-Sul está bloqueada, então não tem muito o que fazer na ilha a não ser contemplar, tirar algumas fotos e voltar pro barco. Ah, não bebam a água da Fonte Inca da Juventude. Eu sabia do risco de contaminação, mas me atrevi e paguei o preço com forte enjoo e vômitos no dia seguinte... mas bebi
Fronteira Bolivia / Peru
Após passear pela Isla del Sol e almoçar, partimos em direção ao Peru. A fronteira é bem pertinho de Copacabana. A saída da Bolivia foi rápida, apenas devolvendo os permissos e uma olhadinha do fiscal para conferir o modelo e placa do veículo. Logo após a barreira policial temos a aduana peruana e ali tivemos problemas: Eles exigem o seguro SOAT para o veículo. Não poderia seguir viagem sem ele e só encontraria esse seguro em Yunguio, cerca de 5km a frente. Tive que fazer cara de coitado e prometer muito fazer o seguro para poder seguir com o veiculo, porque até então teria que ir andando ou de tuktuk até a cidade e voltar.
O seguro conseguimos contratar em um banco comercial na praça principal da cidade de Yunguyo, por um valor bem barato. De lá, partimos para Puno, dando quase uma meia volta completa no Lago Titicaca.
Puno / Isla Taquile
Chegamos à Puno já de noite e entramos no primeiro hotel que encontramos. Demos sorte porque era barato, possuía estacionamento externo, café da manhã, ducha caliente e camas confortáveis. E para melhorar, o proprietário também agendava passeios e assim já fechamos para o dia seguinte o tour para Isla Taquile.
Umas das vantagens de viajar de carro é a liberdade de escolhas e essa foi acertada. Nosso projeto indicava sair de Copacabana e ir direto até Tacna, no Peru, apenas para pernoitar e partir rumo ao Chile. Mas como estávamos um pouco decepcionados com a Isla del Sol, resolvemos mudar a direção e partimos para Puno. Seria um dia a mais de viagem e alguns gastos extras, mas quem ta na chuva.... Decisão acertada, pois o caminho até puno é muito bonito e a cidade apesar de ter um trânsito horrível, tem boa infraestrutura para turistas. Gostaria de ter tido mais tempo para conhecer seus pontos turísticos.
O passeio para Isla Taquile é muito gostoso, bem organizado e interessante. Em uma das grandes ilhas de totora fomos recebidos pelo seu chefe e ali, reunidos em uma grande roda, acomodados em bancos de totora, o chefe nos apresenta a ilha, sua história e costumes. É muito interessante tudo que nos foi contado e não pretendo dar spoiler aqui né.
Moquegua
De Puno partimos para Tacna, mas devido ao mal-estar devido a “fonte da Juventude” só consegui chegar em Moquegua. O percurso com altitude de cerca de 5000m e muitas curvas foi demais para meu estomago infectado. O resultado disso foi várias paradas em locais inóspitos para vomitar ou apenas tentar brecar o enjoo. Ossos do ofício. Paramos em um hotelzinho de beira de estrada, muito bom por sinal e dormimos o máximo possível.
Fronteira Peru / Chile
De Moquegua partimos com destino ao Chile. A fronteira fica próxima à cidade de Arica. Uma fronteira bem movimentada por sinal. Estaciona-se o veículo em um grande estacionamento e parte-se para a migração. O Chile é um país bem rigoroso em suas fronteiras, mas essa foi a pior que conhecemos até agora.
Antes de pegar a fila 01, é bom atentar-se a uma exigência deles: devemos apresentar uma ficha, não recordo o nome, que vendem na lanchonete do local, no prédio a esquerda. É melhor comprar essa ficha antes de entrar na fila, assim não enfrenta a fila duas vezes...
Depois do guichê 1, vai para o 2 dar entrada no veículo e depois trazer o veículo para a fila de inspeção, onde todas as malas deverão ser levadas para outra fila onde passarão pelo scanner. O veículo é vistoriado, mais alguns carimbos e finalmente somos liberados para adentrar. Reserve de uma a duas horas para esses trâmites.
Arica / Iquique
Em Arica, por ser domingo, não encontrei casa de câmbio aberta. Precisava abastecer e pagar eventuais pedágios, comprar comida, etc. A solução foi ir ao aeroporto e lá sacar no caixa eletrônico. Havia guichê para cambiar, porém aceitavam apenas dólar e euros.
Chegamos em Iquique no final de tarde. É uma cidade litorânea pequena, mas muito bonita, acolhedora e tranquila, cercada por dunas de areia de um lado e o oceano do outro. Tem uma bela orla e boa infraestrutura para o turista. Tem shopping, fast food, cassino, parques, feiras de artesanatos e todo tipo de comércio. Também possui diversas casas de câmbio, com ótimas cotações para o real.
Humberstone
Em nossa última viagem para o Atacama, demos o azar de vir à fábrica fantasma de Humberstone justamente em um feriado e assim batemos a cara na porta. Dessa vez conseguimos entrar e valeu a pena a insistência. O local fica a apenas 45km de Iquique e é incrível para quem curte fotografar e também conhecer um pouco da história. É um patrimônio mundial da humanidade pela Unesco e muito bem preservado pelos chilenos. Custa apenas 3 mil pesos e lá dentro encontrará tendas vendendo souvenirs e até mesmo alugando roupas da época para fotos. Lá poderão ver escolas, maquinários, mercados, açougues e moradias dos antigos funcionários da fábrica de salitre. Imperdível e fica na beira da rodovia que liga San Pedro à Iquique ou Árica.
San Pedro de Atacama
Outra visita a San Pedro. Sempre um prazer enorme rever a cidade e seu centrinho. Dessa vez apenas como ponto de pernoite em nosso retorno. Aproveitamos para fazer um passeio que não havíamos conseguido ainda, o tour astronômico. O contratamos para a mesma noite que chegamos.
O tour iniciou as 21hs e em uma van com mais 7 pessoas partimos para um sitio um pouco afastado do centro. Não achei o local tão afastado assim das luzes artificiais da cidade. O guia tinha excelente conhecimento do mapa celeste e suas características. Nos ensinou bastante coisa. Vale a pena fazer o tour pelo conhecimento adquirido. Eles possuíam 4 telescópios manuais e um eletrônico. Por volta de 23hs o tour termina e a van nos leva de volta ao centro.
Nos hospedamos no Hostel Rey Lagarto. Muito bom, recomendamos.
Fronteira Chile / Argentina – Paso Sico
Hora de dar tchau. Já conhecíamos bem o Paso Jama e dessa vez queríamos conhecer o Paso Sico. Péssima idéia... do lado chileno é tudo uma maravilha, com estradas perfeitas e zero trânsito. E ainda conhecemos, pelo caminho, as lagunas das Piedras Rojas e a maravilhosa Laguna Tuyajto. Valeria a distância percorrida se voltássemos a partir dessa laguna para atravessar por Paso Jama apenas por sua beleza. Mas seguimos em frente e logo terminou o Chile e terminou o asfalto. Veio a aduana e após rápidos trâmites seguimos em frente... A estrada de ripio vai piorando e piorando... não há nada no caminho caso aconteça algo. Se ainda houvesse belas paisagens pelo caminho, mas apenas montes de areia, cactos e pedras pelo caminho. São cerca de 170km nessa toada. O carro estremece e sofre com as pedras e buracos. No meio do caminho já havia um barulho enorme de lataria batendo na suspensão dianteira. Depois, já em Santos, na oficina para revisão, descobriram uma pedra de uns 7 cm presa na bandeja da suspensão...a culpada de todo barulho que eu já declarava ser amortecedor estourado... Enfim, é uma longa estrada ruim de terra, pedra e buraco, sem atrativos, para chegar a Salta. Paso Jama 10 x 0 Paso Sico.
Salta / Corrientes / Foz do Iguaçu
De Salta até chegar em casa não houve novidades. Aquela reta interminável da RN 16 até Corrientes e depois muitas curvas até chegar ao nosso país. Visitamos Ciudad del Est para comprar alguns eletrônicos e pernoitamos ainda em Guarapuava antes de ir para Santos.
Resumo da Estória
Fronteira de Foz do Iguaçu tem mais fila de veículos, porém tem melhor atendimento e estradas do que Dionisio Cerqueira. Vale a pena ir por Foz.
Entrar na Bolivia pelo norte da Argentina realmente me pareceu mais seguro e rápido. As estradas são boas e não tivemos qualquer perturbação de policiais. Talvez por Corumbá não tivesse sido assim.
O Tour de Uyuni é muito legal. Se você já conheceu todo Atacama, talvez não se impressione tanto com todos os pontos visitados, pois são mais vulcões, lagunas e montanhas. Mas o salar é imperdível. E a experiência como um todo é gratificante e inesquecível. São coisas a se fazer na vida.
La Paz merece mais tempo, dinheiro e coragem. Tem muitas aventuras disponíveis. Como estava em família, não pude aproveitar tudo que gostaria, mas queria ter realizado ao menos o trekking pela estrada da morte e a subida ao Huayna Potosi. Mas o monte Chacaltaya é show e vale a visita.
Ruínas de Tiawanaco é incrível pela antiguidade das peças e a história envolvida. Fica a critério de cada um. Como estava perto não quis perder a oportunidade.
Lago Titicaca é incrível pelo tamanho e pela atmosfera esotérica que o cerca. Parece um lugar com uma energia diferente realmente. Talvez seja influência das estórias ou o marketing envolvido, mas é muito bom estar lá.
Ao passar por Puno/Peru, conheçam as ilhas Uros e Taquile. É divertido e curioso.
Se você curti fotografia tem o dever de conhecer Humberstone se estiver por perto. Se não for, vá mesmo assim porque é um lugar muito doido, lembra até mesmo um parque de diversões assombrado.
O tour astronômico pode ser trocado por uma pesquisa no google e uma fugidinha para um local mais afastado para tirar as fotos com a Via Lactea ao fundo. Mas a explanação do profissional é bem interessante acerca das constelações. Os telescópios não fazem muita diferença na visualização das estrelas. Não é um passeio caro, vale a pena realizar se passar por San Pedro.
Paso Sico nunca mais! Mesmo se tivesse um Troller. Sem atrativos ao contrário do Paso Jama.
Agora é planejar a próxima !!