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Segue abaixo relato da maravilhosa viagem que fiz a Cuba, na virada de 2018 para 2019. 

Primeiro dia - 25/12/2018

Peguei o voo no Rio de Janeiro em direção ao Panamá, saindo às 02:25 da manhã, pela Copa Airlines. Não tive nenhum problema com a empresa nem na ida e na volta no que tange as bagagens. O sistema deles realmente funciona. E olha que na ida a minha baldeação foi rápida. Apenas 02:00 horas no Panamá, mas não tive nenhum problema com as malas. O serviço dentro do avião também foi ok. 

Na espera do voo para Cuba, já no Panamá, alguns cubanos me viram lendo o Granma, jornal de Cuba que tiv acesso graças a uma amiga que tinha ido no meio do ano. Estranharam e me perguntaram se eu havia comprado no Panamá. Expliquei a situação pra eles e eles brincaram comigo, disseram que já estava chegando a Cuba bem informado. Rs. Além disso, me fizeram um pedido inusitado: que eu passasse com algumas mercadorias que eles compraram no Panamá, eram presentes de natal para crianças, brinquedos em sua maior parte. Eu os atendi e entreguei dentro do avião. Não entendi o porque, se havia alguma fiscalização no voo em relação a quantidade de produtos importados. Não me pareceu haver ali nada que justificasse o pedido, mas não me neguei a fazer. Entreguei os presentes dentro do avião. 

Cheguei em Cuba após 10 horas de viagem (Rio - Cidade do Panamá + Cidade do Panamá - Cuba). O aeroporto é simples, mas bem decorado, todo vermelho. Vi em uma sala de funcionários cuja porta estava aberta um retrato de Fidel pendurado na parede. Na entrada, preenchi dois formulários: o de vigilância sanitária e o da aduaneira. Na imigração a fila estava enorme, mas foi de boa. Encontrei com o motorista que ia me levar e troquei Euros por Cucs já no aeroporto. Fui conversando com o motorista. Perguntei sobre o que ele achava do sistema e do governo. Ele disse que Cuba tem saúde e educação, que não havia violência. Mas que os salários da população eram muito baixos. Algo em torno de 20 cuc mensais (90 a 100 reais). Além disso, um cubano só pode montar um negócio próprio se for pequeno. Por exemplo, um restaurante gerido por um cubano só poderia ter, no máximo, 50 mesas. Empresas grandes eram majoritariamente controladas pelo Estado. 

Chegamos até um município próximo de Havana conhecido como Playa, onde ficaria hospedado na casa de Dna. Mercedes e Irina. Irina é uma ótima pessoa, me recebeu muito bem. Conversamos um pouco e ela me contou que já havia morado na Russia, depois da queda da URSS. Essa experiência a fez contrastar o capitalismo com o socialismo cubano e que, entre ter muita riqueza, mas também muita pobreza, e ter saúde e educação garantidos, ela preferia a segunda opção. Falamos um pouco do Brasil e do governo Bolsonaro também (os cubanos o odeiam! Rs). 

Irina me indicou ir até o centro de Havana, tomei um ônibus perto a casa dela e lá fui eu. Muitos cubanos nas ruas, a Copelia (famosa sorveteria local) estava lotada, as ruas cheias. Dous cubanos tentaram me dar o golpe dos charutos. Irina já havia me passado todas as informações e as questões de malandragem. Sim, malandragem existe em qualquer lugar. Ambos tentaram me vender charutos falsos, mas quando rejeitei também não ficaram em cima. Achei de boa. Cada um na sua batalha cotidiana. Tomei algumas cervejas (Bocanero), cervejinha gostosa, e depois fui em um quiosque. Comprei 10 croquetes pequenos de carne que custaram 1 cuc (algo em torno de R$ 4,65). Na ida, como peguei um microônibus de uma cooperativa de trabalhadores, paguei 5 cup (pesos cubanos). Paguei 15 cuc pelo quarto + 5 cuc por um almoço e um café da manhã no dia seguinte. 6 cuc em mojitos + 10 cuc que dei aos músicos (sim, dei mole e paguei caro, depois fiquei mais esperto na hora de dar gorjetas), 3 cucs em 2 cervejas e 1 água + 2 cucs em um cartão para usar a internet e falar com a família que cheguei. A volta, no ônibus do Estado, foi apenas 1 cup (algo em torno de R$ 0,25).  

 

Total: 72 Cucs + 6 cup = R$313,00

 

Dia 02 (26/12/2018):

Acordei por volta das 07:00 e tomei café com Dna. Mercedez. Conversamos bastante e ela revelou que estudou na União Soviética e foi para lá no mesmo voo que Che Guevara. Fiquei emocionado com a forma que ela falou do Che. Havia brilho nos olhos daquela senhora de + de 80 anos. Ela defende o regime cubano e me explicou várias nuances do regime. Exemplos: a libreta (cesta básica a qual todo cubano tem direito), o direito de toda criança até os 7 anos de ter leite (o Estado entrega em casa) e das crianças de 07 a 13 anos de ter um pacote de Iogurte. As mulheres grávidas ganham todas as vitaminas e alimentos necessários para o desenvolvimento do feto no período da gestação, etc. Tudo gratuito. Mas, como todos os cubanos ao longo da viagem fizeram, ela reclamou muito do baixo nível salarial no país.

 

Às 09:30, tomei um táxi coletivo (25 cuc) rumo a Viñales. Ao chegar na província de Pinar del Rio paramos em uma plantação de Tabaco para ver como se realiza o processo de plantio e fabricação do tabaco. São 3 meses no campo + 3 meses secando em umas casas que são específicas para a realização do processo de retirada das impurezas e + algum tempo para enrolar e formar o charuto. Esse último período depende da fábrica (Sim, existem várias, mas são todas controladas pelo Estado). Os camponeses ganham a terra do Estado e em contrapartida tem que vender 90% da produção para o Estado. Os outros 10% ficam para eles pra fazerem o que quiser, como vender para os viajantes que passam ali no povoado. Comprei um "puro" como se chama lá, por 4 Cuc, uma delícia, cheiroso como nunca. Fumei no ano novo.

Cheguei em Viñales e me surpreendi com a estrutura do vilarejo. Muitas casas bonitas e bem arrumadas. O quarto no qual me hospedei tinha uma estrutura excelente. Fui recebido pela cunhada da dona da casa com um suco de manga (cortesia da casa). Pegaram meu passaporte para registrar a minha entreada e ainda me arrumaram um guia local para me levar ao Parque Nacional de Viñales. Tomei um banho e fui logo. Não havia tempo a perder e já eram por volta de 13:30. Tava morrendo de fome e tive que almoçar dentro do Parque. Quiseram me cobrar 10 cuc, falei que não. Abaixaram pra 8 cuc. Disse que não também. Aí me propuseram 6 cuc. Aí eu aceitei. Tipo, tem que ir pro crime e mostrar que você é latino-americano. Conosco o tratamento é diferenciado do que com os Europeus porque os cubanos têm uma noção de pertencimento e  fraternidade muito grande. Quando disse que era brasileiro e que não tinha muito dinheiro os camaradas começaram a me tratar de outra forma. Percebi porque estava com um casal de canadenses e o guia fechou muito comigo, conversamos muito a viagem toda e ele me passou muitas dicas. Joel, el Chino, super indico, grande companheiro. A ele, meu muito obrigado. 

O dono do restaurante tem a licença da UNESCO para ter um negócio dentro do parque. Ele também é o guia que explica como se planta e fabrica o mel, café e rum naquelas terras. O rum de Viñales é distinto dos outros runs cubanos porque é produzio com goiaba e mel. eu provei e é muito bom. Mas, estavam vendendo a 20 cuc e como estava apenas no segundo dia da viagem, arreguei de comprar. Depois, em outras locais vi vendendo a 10 cuc, mas dei mole, acabei não comprando. 

Dali, fomos conhecer as características das plantações em Viñales. O clima, a umidade e as terras da província são as mais propícias do mundo para o plantio do tabaco. Como em Cuba houve após a revolução a reforma agrária, o Estado repassa a terra aos campesinos que, me troca têm que vender um quota da produção obrigatoriamente ao Estado. Para o tabaco é 90%, mas pra outros produtos a quota varia (70%, 60%).

Fui para a casa onde estava hospedado e conheci a dona. Sra Danirka me recebeu de braços abertos e topou conversar comigo. Ela me idsse que iria viajar para o Uruguai dia 07 de Janeiro. Reclamou um pouco da burocracia pra sair o país, mas disse que o povo cubano tem viajado mais e que agora pode fazer a diferença entre Cuba e o capitalismo. Segundo ela, ela comprou a sua casa por apenas 400 cucs (R$ 2.400), que não paga por saúde, por educação, para praticas esportes, etc. Que sua filha vai as festas a noite e volta sozinha sem correr nenhum risco. Que as contas de luz e água são simbólicas. Tudo isso, na visão dela, compensa os baixos salários. Disse ainda que ter internet é bom, mas é um luxo, supérfluo. Que para eles, o fundamental é ter saúde e educação. Pra entender esse pensamento, só mergulhando na cultura local e foi isso que eu fiz. Posso afirmar sem sobra de dúvidas que Viñales foi o lugar mais especial da viagem porque lá eu vi o que é um outro tipo de sociedade, e confesso que gostei. 

Depois da conversa, tomei um banho e fui ao centro de Viñales. Comi um prato com arroz, banana, tomate, pepino, repolho, pimentão, vagem, atum, lagosta e um outro tipo de pescado. Tudo isso em porções pequenas, é claro, mas o prato como um todo era grande. Tudo por 6 cuc. Dali fui para um bar estatal que tinha visto que tava vendendo mojito a 0,90 cuc. O mojito + barato que encontrei em Cuba e não deve muito aos outros (a não ser ao da Bodeguita del Medio, que é de outro mundo). Tomei uns 2 e dali fui para o Pollo Montañez, local onde os Cubanos vão para dançar salsa e se divertir. A entrada para viajantes era 1,5 cuc. Fiquei um pouco, mas estava muito cansado, logo depois resolvi voltar pra dormir. 

 

Gastos totais 75,10 Cuc

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Dia 03 (27/12/2019):

Acordei no dia seguinte, tomei café com Danirka e conversamos + uma vez sobre as questões em Cuba. Eles estavam prestes a deliberar uma novva constituição para o país e a principal polêmica era em torno do casamento gay. Conversamos um pouco sobre isso e depois do café fui para Cayo Jutias. Infelizmente não estava sol como no dia anterior, o tempo estava fechado. Mas já tinha combinado então fui mesmo assim, na esperança de o tempo abrir. O transporte era um caminhão adaptado, Rs, O compartimento mais parecia uma gaiola, mas é aquilo, tava na guerra. Chega um momento na viagem que a estrada é só buraco, quase impraticável de passar. Por esse motivo a viagem dura + ou - 1:30 hora. 

Mesmo com o tempo nublado deu pra perceber a beleza da praia, totalmente natural. Tem um restaurante do Estado e também uma empresa estatal que oferece serviço de mergulho. A comida no restaurante deixa muito a desejar e é uma porção bem pequena, mas ao menos não era o olho da cara. Paguei 5,65 cuc com arroz, vegetais e camarão grelhado. Depois tomei uma água de coco e o famoso coco loco, bebida típica do caribe que em Cuba é feita com Rum, água de coco e limão. Paguei 5 cuc na bebida, mas foi bom pq a essa altura estava chovendo e o coco loco espanta o frio. Rs. O sol só abriu bonito às 15:00 horas, mas o horário de retorno era Às 16:00. Ao menos deu pra entrar no mar e curtir um pouco aquela praia maravilhosa. Na volta, desci no centro de Viñales e comprei um gorro por 4 cuc. Voltei pra casa e fui recebido por Carlos, esposo de Danirka, que me convidou para tomar uns drinks e jantar. Conversamos muito sobre várias coisas com eles e com um casal de franceses que havia acabado de chegar e ficariam em outro quarto. Foi muito legal! Depois da conversa já era tarde eu fui dormir. 

Gastos totais 54,65 cuc. 

Obs: Danirka e Carlos não me cobraram pelo jantar e nem pelos Drinks e ainda me fizeram um desconto por eu ter ficado no quarto sozinho. Achavam que eu iria acompanhado. Foram pessoas ótimas que fizeram da minha estadia em Cuba maravilhosa. Se você pretende conhecer o local, conversar com as pessoas, entender o processo revolucionário cubano, como funcionam os comitês de defesa da revolução e a democracia em Cuba, além de entender um pouco da economia do país, indico ir a Viñales e se hospedar na casa desse casal. Foi uma experiência incrível e não me senti, em momento algum, um "turista". Me senti como um deles.  

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