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Torres del Paine

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Torres del Paine

Foi chorando que eu comecei o trekking. Sim, chorando literalmente. Ao chegar no camping Central, montei a barraca, e ao pegar a mochila pra iniciar a trilha começou um daqueles ventos que te carregam se você não senta ou se deita no chão. A barraca quebrou em dois lugares diferentes e não ficava mais em pé, e o pessoal do parque não tinha ferramentas pra ajudar no reparo, nem a silver tape deu conta. A chuva não dava trégua e o vento menos ainda. É o momento que você tem que decidir se vai voltar atrás porque tá no meio do nada na Patagônia Austral, com chuva, e sem ter onde se abrigar ou dormir, ou se você vai até o fim pra poder ver de perto as Torres del Paine com seus próprios olhos ao invés de só imaginar o frio que faz lá em cima. Como minha mãe fala “se vira”. 

É considerada uma trilha de alta dificuldade, foram 20km pra ir e voltar, levei 9 horas de caminhada no total. 

Saí chorando e subi xingando até quem não merecia. O que dói é o psicólogo, várias vezes pensei em voltar por julgar que não iria dar conta do resto. Mas aí você se lembra de subir a Lion's Head só com um pão na barriga, dos degraus pro Tesouro de Petra, e de atravessar o Saara em uma van que não explodiu (não é preconceito, é uma realidade possível), e até mesmo da vez que resolvi fazer trilha de 9km de All Star, e então percebi que daria conta sim. 

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Quando chegou na base das Torres eu só conseguia pensar e pegar meu chocolate e comer (como diz minha irmã, o mundo é dos semi-gordos), o frio era tanto que não consegui tirar nenhuma foto decente da paisagem (sim é incrível, vale apena todo o esforço)  muito menos consegui tirar uma foto boa minha pra cantar vitória pra quem achou que eu não iria conseguir. O tempo lá muda em questão de segundos, não dá pra pensar muito...Hora de voltar.

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Olho pro lado depois de levantar da escorregada que dei nas pedras e provavelmente dei mau jeito no joelho, e tudo que vejo é do mais vibrante verde que já vi. O medo de olhar pro lado esquerdo e perceber que a próxima queda pode ser a última não se dispersa, nem mesmo o medo de estar sozinha na trilha pra chegar ao acampando Central que antes parecia o mais conveniente, agora é só o mais distante, ainda faltam 8km. A lanterna dentro da mochila que já está inteiramente molhada corre o risco de não funcionar. Apesar do horário de verão e da ciência de que só escurece por volta de 21h30 ou 22 horas da noite não ameniza a neblina que chega cada vez mais perto e a hora que vai passando mais rápida a cada passo.

Ao contrário da ida, na volta quase não encontrei pessoas na trilha, um pai que acompanhava a filha com o joelho machucado e apoiada em um galho, andava devagar torcendo pra filha não piorar e pra chegaram logo ao acampamento Chileno. Três chinesas tentam caminhar no mesmo ritmo pra que nenhuma fique pra trás. O senhor de bolsa atravessada no peito que vez ou outra para pra observar a paisagem, mas é o rio com águas bravas que mais o impressionam, ali ele fica alguns minutos, do outro lado da ponte mais alguns. O casal com uma roupa de impermeabilidade e qualidade muito boa, impressionante, estavam secos àquela altura, devia ter perguntado que marca era aquela.
A família de japoneses, a filha mais velha puxa a turma, - falta muito pra chegar no acampamento chileno? - Falta, mas é só metade do caminho subida e a outra metade descida. - uhuuuuuu "palavras em japonês". A família responde com "uhuuuuuu" e continua a subida íngreme onde não se vê o horizonte. - be careful! A trilha de volta vai ficando complicada, vai se formando uma trilha de água, um mini rio, até o momento que não dá mais pra andar com as botas pra fora da água, elas já estavam encharcadas mesmo. Começo a tentar ver vantagem no spray impermeabilizante que teve a durabilidade de umas três horas e meia na ida. O joelho já não dobra, entre água e pedras a descida é interminável, começo a lembrar de ter passado por aquele lugar no caminho de ida, aqui foi onde passaram as crianças, aqui onde ventou tanto que tive que sentar, aqui onde comecei a acompanhar o ritmo das chilenas que estavam confusas sobre de onde elas eram. Ali é só atravessar a ponte que passa sob o rio. Merda. Tem água passando quase em cima da ponte, corre. E a chuva ainda não deu um minuto de trégua, só mais essa subida e consigo avistar as casinhas, só mais um km e consigo avistar a "rua" que dá pro camping. - Moço, ainda falta muito pro camping Central? Segue a rua até o final e vai pela diagonal na esquerda. Chuva que não para, agora o medo é chegar e ver que a barraca desmontou ou não aguentou tanta água assim como aconteceu com toda a minha roupa, sapatos, e mochila, mas a barraca número 8 azul turquesa estava de pé, e dentro dela tudo seco. O primeiro impulso foi tirar toda a roupa molhada, e colocar as últimas roupas secas, nessa ordem, depois soprar pra encher o isolante térmico, com que fôlego meu deus? E por cima tacar o saco de dormir, pra já ir esquentando as pernas. O cansaço é tão inexplicável que não consegui abrir uma lata de atum pra tacar no pão e comer, só consegui terminar o chocolate já aberto e devorar um kiwi, assim teria um saco plástico pra salvar o celular do dilúvio que estava por vir no dia seguinte.

A volta foi cantando, o que doía era o joelho, pelo frio ou pelo impacto, eu não sei. A trilha já tinha virado um mini rio pois a chuva não parou em nenhum momento e o joelho já não dobrava. O casaco, a calça e as botas que eram impermeáveis estavam encharcados, mais peso pra carregar.

Mas cheguei no acampamento, aluguei uma barraca que troquei pelo meu rim, e capotei depois de comer um kiwi, porque nesse ponto da vida eu já poderia me considerar fitness.

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Total de tombos: 2

Água: 2L 

Comida: duas bananas, um chocolate, bolachas de chocolate com menta, um kiwi, e um danone.

O que mais tinha na mochila: luvas, gorro, celular, máquina fotográfica, documentos e dinheiro, uma capa de chuva e mais um casaco.

O que molhou: tudo, tudo, tudo. Mesmo o que era impermeável.

Lição de moral: não adianta nada planejar as coisas.

 

 

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