Oi, gente. Sou ávida consumidora do fórum, mas essa é a minha primeira postagem grande por aqui. Resolvi escrever o relato da minha viagem pelo México, porque acho que esse é o tipo de post onde eu mais busco informações antes de viajar. Esse relato é de uma viagem em 2018, mas eu tinha parado no meio e acabei nunca postando. Achei um desperdício e tô botando aqui o que já tinha escrito. Se animar, um dia escrevo o resto do relato com o que eu lembrar. O mochileiros.com é tão útil pra mim, que acho injusto não tentar contribuir
Resumo:
Eu e uma amiga passamos 17 dias no México em abril de 2018. Nosso roteiro incluiu Cidade do México, Oaxaca (capital) e a península de Yucatán (com estadia em Tulum, mas com daytrips para vários lugares). Como o tempo não era tão grande, resolvemos nos concentrar em poucas cidades para não ficar pipocando de ponto turístico em ponto turístico que nem loucas. E mesmo assim sentimos vontade de passar mais tempo em todos os lugares. O México é gigantesco, cada região tem sua particularidade e dá pra ficar 15 dias, 1 mês ou 6 meses fazendo coisas interessantes todos os dias.
Nosso estilo de gastos foi híbrido. Já viajamos muito fazendo economia/pão-durice, mas dessa vez nos demos alguns luxos (fizemos algumas pernas da viagem de avião e ficamos em quartos privativos em todos os lugares). Tirando isso, achamos o México um país bastante barato (pelo menos em comparação com o Rio). Decidimos a viagem um pouco em cima da hora (2 meses antes), então não achamos as passagens tão em conta, mas aposto que existem promoções se você olhar com antecedência. Por alto, acho que gastamos, incluindo as passagens e comprinhas, R$7.000,00 por pessoa. Não é assim, aqueeeela economia, mas considerando que metade da viagem estávamos na Riviera Maya, poderia ter sido pior.
Cidade do México
Tempo: 4 dias inteiros + meio dia
Gastos por dia: R$1.800,00 (passagem)
Custo da Estadia: R$630 p/ 2 pessoas (La Mansion - AirBNB)
Vôo de ida: Pegamos nosso vôo da Copa Airlines Rio-Cidade do México, às 11h do dia 14/04 e fizemos escala na Cidade do Panamá. A previsão era chegarmos em CdMx às 23h, mas tivemos um atraso na conexão e só pousamos 3h da manhã. Somando isso com a imigração e a ida pro AirBNB, acabamos indo dormir quase 5h. Isso atrapalhou bastante o nosso primeiro dia na Cidade do México, porque só conseguimos acordar umas 11h.
Sobre imigração: li em vários lugares que a imigração mexicana é bem chatinha. Parece que muita gente vai pro México para atravessar para os EUA, então eles podem ser mais rigorosos do que o normal. Só que nada disso aconteceu com a gente, a imigração foi super rápida. Você só tem que preencher um papel com alguns dados e guardar ele durante a sua estadia para devolver na saída.
CERTIFICADO DE FEBRE AMARELA: Aqui fica um alerta. A partir de março de 2018, todos os passageiros com conexão no Panamá tem que apresentar o certificado internacional de vacina da febre amarela, independente do tempo de conexão. Eu, que tava tranquilona porque o México não exige certificado de brasileiros, quase perdi a viagem por causa disso. Uma semana antes do vôo tive que ir que nem uma louca no posto de saúde buscar uma segunda via do meu certificado.
1º dia:
Por causa do atraso no vôo, nosso dia começou um pouco tarde. Acordamos por volta de 11h e só saímos para passear depois de meio-dia.
Ficamos em um AirBNB na região de Roma Sur e super recomendaria a estadia por lá (La Mansion)! São duas casas conjugadas, com um jardim de inverno delícia no meio. Os donos, Pablo e Fernando, são muito simpáticos e sempre tem gente batendo um papo e tomando uma cerveja nas áreas comuns. Mas se você for da calmaria e do silêncio, também não tem problema nenhum. A rua é residencial e os quartos são no segundo andar. Poderia continuar elogiando, mas acho que as reviews deles no AirBNB já falam por si mesmas. Saímos do AirBNB e passamos para almoçar num mercado ali do lado, Mercado Medellin. Ouvimos muito que os mercados no México são imperdíveis, então essa tinha que ser a nossa primeira parada. De primeira, não ficamos muito impressionadas, o mercado era mais de venda de frutas e flores e muitas das tendas de comida estavam fechadas porque era domingo. Comemos uma quesadilla e pedimos um uber para o nosso destino principal do dia: Xochimilco.
Para quem não sabe, a região onde hoje fica a Cidade do México antigamente era um grande lago. Com a chegada dos espanhóis e o fim da cidade Azteca de Tenochtitlan, o lago foi aterrado, mas ainda existe uma parte onde se conservam os canais da cidade, Xochimilco. É como uma Veneza em miniatura (não tão bonita como Veneza).
Um passeio muito comum que os mexicanos fazem é alugar trajineiras para ficar passeando por esses canais, ouvindo mariachis, comendo tacos e bebendo micheladas. É tipo um churrascão de domingo, só que sobre a àgua! O preço do aluguel do barco varia conforme o tempo de passeio que você escolhe. Nós pegamos o médio, de 2h. Tem opções de 1h e 4h também. O preço eu não lembro exatamente, mas achei meio salgado.
Os canais mesmo não são tão bonitos, a graça são as próprias trajineiras, todas coloridas, com nomes próprios (a nossa se chamava Valentina) e enfeitadas de flores. Mas o que achei mais legal é que parece ser um lugar de passeio dos próprios moradores da cidade, não tão turístico. Vimos famílias no almoço de domingo, pessoas comemorando aniversários (com direito à faixa em homenagem ao aniversariante) e casais passeando. Tirando um grupo de europeus, não vimos mais nenhum “gringo”. Acho que se você estiver pela Cidade do México no fim de semana, vale muito a pena a visita. É uma forma de ver como as pessoas da cidade vivem, fora um pouco daquele circuito tradicional do centro e de museus, algo do povo mais simples.
Depois das 2h de passeio, nosso barqueiro nos devolveu ao lugar de saída e resolvemos voltar de transporte público pra casa. Xochimilco é mais afastado do centro, algo como 30-40 minutos de carro, e não tem saída de metrô ali perto. O que fizemos foi pedir informação na rua mesmo (ajudou que falamos espanhol) e pegar um ônibus para a estação de metrô mais próxima. Ainda passamos por um festival de música de rua pelo caminho!
O metrô na Cidade do México é barato (R$1,00) e vai a muitos lugares da cidade. Comparado com o do Rio, então, nem se fala! Baixamos o mapa do metrô, e nos locomovemos todos os dias sem problemas.
Voltamos para o AirBNB já umas 20h e encontramos um pessoal socializando no jardim de inverno. Até ficamos um pouco por ali, mas estávamos tão cansadas da maratona de aeroporto do dia anterior que fomos dormir cedo.
2º dia:
Depois de um primeiro dia mais devagar, resolvemos bater perna pela cidade. Saímos cedo e marcamos vários lugares para visitar entre Roma e o centro. Tomamos café numa padaria perto de casa (feijão no café da manhã!) e demos uma andada pelo bairro de Roma.
Começamos indo ao Parque México, que fica na fronteira entre Roma Norte e Condesa. É um parque bem arborizado, com um lago.
Depois, tomamos um vinho no Mercado Roma. Bem mais gourmet.
Continuamos andando e fomos ao Mercado Ciutadela. É um mercado de artesanato incrível! Os preços não são tão em conta, mas você consegue encontrar de tudo e coisas com mais qualidade. Como era o começo da viagem e iríamos a Oaxaca, cidade dos artesanatos, resolvemos não nos precipitar. Nos arrependemos, porque certas coisas que vimos lá não encontramos em nenhum outro lugar. Tanto que no dia da nossa volta, passamos lá a manhã toda comprando o restante dos presentes.
Quase em frente, tem a Biblioteca Pública de México. Não é nada de mais, mas é uma boa dica se você estiver querendo um lugar para descansar no Centro (e tem banheiro e bebedouro).
Partimos pra almoçar no Mercado San Juan, mas nos decepcionamos um pouco. É um mercado voltado para comida espanhola e como estávamos querendo focar em comida mexicana, não ficamos por lá pra almoçar. Mas se você gosta de tapas e vinhos, vale a passada. Se quiser comprar pimentas pra trazer também.
Acabamos almoçando na Fonda Santa Rita, recomendação do guia que pegamos emprestado no AirBNB. As fondas são um tipo de refeitório popular bem barato no México. Mas não gostamos nem um pouco da comida. Sem sal, bem sem graça e o garçom com nenhuma paciência para nos explicar o cardápio (era nosso primeiro dia, ainda estávamos aprendendo os pratos).
De lá, Torre Latina. A vista é super bonita, dá pra ver o tamanho gigantesco da Cidade do México. Parece que inaugurou há pouco tempo, então não tinha muitos turistas estrangeiros. Isso foi uma coisa que notamos na Cidade do México: quase não vimos turistas, e quando vimos eles pareciam ser mexicanos. Acho que a cidade é tão grande, que não tem muito como se sentir turista.
Mas exatamente depois, chegamos no centro turístico da cidade, o Zócalo e a rua Francisco Madero. É como a Plaza Mayor das cidades espanholas. Uma rua de pedestres que termina numa enorme praça onde está o Templo Mayor. Como era segunda-feira (dia em que todos os museus fecham), a visitação estava fechada, mas você pode caminhar por cima de um pedaço.
Por fim, voltamos pela Francisco Madero até o Palácio de Bellas Artes. É um prédio lindo, bem parecido com o Theatro Municipal do Rio. A dica que recebemos de todo mundo foi: procurem um café no terraço na região e vejam o pôr-do-sol de frente pro Palácio. Fomos no café da Sears (a loja mesmo). Como isso aqui é Cidade do México, conhecida pela poluição, não deu pra ver o sol, mas o céu ficou rosa super bonito e descansamos os pés, que estavam destruídos.
Comemos em uma taqueria vegana recomendada pelo pessoal do AirBNB. Incrível. É uma carrocinha de cachorro-quente que vende uns tacos maravilhosos. Funciona até meia-noite, na esquina da calle Chiapas com a calle Manzanillo no bairro de Roma Sur. Taquería Por Siempre.
3º dia:
Café da manhã no La Bohême (do lado do Mercado Roma). Sensacional. As baguetes são tão grandes, que dá pra almoçar. Isso é verdade no geral pra comida do México: eles não fazem mixaria. Diversas vezes ouvimos de mexicanos que a porção era individual e quando vimos dava pra dividir fácil. Conte com comida farta por lá.
Saímos e fomos caminhando até o Museu de Arqueologia. Por conta de termos perdido o primeiro dia, e o segundo ser segunda-feira (museus não abrem), nosso dia de museus ficou muito corrido. Em condições ideais, teríamos meio que tirado o dia para o Museo Nacional de Arqueologia. Vale muito a pena. O museu é gigantesco! Nas 4h que passamos lá, não conseguimos ver nada do andar de cima e ainda tivemos que correr um algumas salas do andar de baixo. Obviamente, isso vai de cada um. Mas recomendo muito que não se vá com hora marcada, porque tem muita coisa pra ver.
Chegamos 10h30 no museu e vimos que tinha uma visita guiada grátis começando bem nesse horário. Demos uma corridinha e alcançamos o grupo em uma das salas. A guia era ótima, a visita focava em 3 salas específicas do museu (o grupo pode escolher quais). Vale bastante a pena ver quais são os horários (o primeiro passeio inicia 10h30).
O problema é que tínhamos reservado esse dia também para ir no Museo da Frida, do outro lado da cidade, às 16h. O Museo da Frida vale a pena reservar antecipado, ainda mais se o plano for ir no fim de semana, porque ele é pequeno e a fila pode ser bem grande. Saímos do Museo de Arqueología e pegamos um Uber pra acelerar.
O Museo da Frida também é maravilhoso! É na casa onde ela viveu a vida toda, primeiro com os pais e depois com Diego Rivera. Foi também onde ela recebeu Trotski quando ele se exilou no México. Tem alguns quadros dela (fotos abaixo), mas o passeio é mais voltado para contar um pouco da vida dos dois.
Saímos do museu já no fim da tarde e resolvemos passear pelo bairro de Coyoacán, famoso por ser um bairro boêmio e bem bonito. Tínhamos também a recomendação de uma taqueria perto da praça principal do bairro. Coyoacán é uma delícia! Ficamos encantadas com o bairro, as ruas são todas coloridas, como era fim de tarde, a praça estava cheia de gente, adolescentes e crianças saídas da escola. E a taqueria era ótima também, La Casa de Los Tacos. A Ju até comeu um mini escorpião (blergh).
Umas 20h voltamos pro AirBNB, porque tínhamos planos (ousados) para a noite. Ainda no Rio, tínhamos ouvido falar de um bar super tradicional de cumbia na Cidade do México. A descrição era de um bar bem tradicional, onde as pessoas da cidade mesmo vão dançar. Ficamos super curiosas e tínhamos reservado a terça feira à noite para isso. O nome do bar é Barba Azul.
Barba Azul: é uma experiência à parte. Um antigo cabaré, com cara de decadente, música ao vivo todas as noites e uma decoração mega-ultra-super brega. O público é muito louco, desde grupos de amigos de 20 e poucos anos, passando por advogados engravatados após o expediente, até coroas sozinhos buscando arranjar “o esquema” da noite. E bota noite nisso. Como era terça, achamos melhor chegar umas 22h e pouco, pra não perder o furdunço. Doce engano. A casa só começou a encher depois de meia-noite (encher é forte, pq a casa é grande e era terça, mas tinha uma quantidade razoável de gente). Era noite de salsa e se você não quer dançar, não vá. A gente dançava mal, então ficamos com vergonha de aceitar e em pouco tempo percebemos que isso também foi um erro. Depois de um tempo, quando já estava mais cheio e a pressão de saber o que fazer era menor, ninguém mais nos chamava. Ficamos nos coçando, vendo aquele povo rodopiar. Dicas: Não se deixe assustar pela cara de “roubada”, se for pra só visitar lugares arrumadinhos e cheio de europeu, a gente nem saía de casa. Se puder, vá no fim de semana, deve ser bem mais divertido. Não chegue antes de meia-noite, não vai ter ninguém. Não fique com vergonha de dançar, a graça é essa.
4º dia:
Ficamos na dúvida se passávamos o dia em Teotihuacan ou tentávamos fazer o que faltava da cidade. Acabamos resolvendo ficar pela cidade mesmo.
Acordamos cedo e voltamos para Coyoacán, achamos que não tínhamos aproveitado o dia anterior o suficiente. Saltamos no metrô Viveros/Derechos Humanos e resolvemos descer pela rua Francisco Sosa, sem nem saber nada sobre ela. Aparentemente, a rua é famosa no bairro, com várias casas lindas e coloridas, galerias e cafés. Passamos no Museu Aquarela, na Iglesia Santa Catarina, na Pinacoteca e descemos até a Plaza do Centenário (praça principal do bairro, onde tínhamos passado no dia anterior). Nosso objetivo final era passar no Museu a Frida novamente, porque no dia anterior a lojinha de lembrancinhas já estava fechada (imagina não comprar lembrancinhas feministas prazamigas?). Vimos o mercado de artesanato do bairro, mas não achamos nada de mais. As vendinhas do Mercado de Coyoacán são bem mais interessantes, até mesmo para artesanato.
De lá, pegamos o metrô de volta para o centro da cidade, querendo ir almoçar no Mercado La Merced. É um lugar gigantesco! Ocupa 2 quarteirões e se perder é a coisa mais fácil! Quando voltamos ao AirBNB também nos avisaram que é um lugar meio perigoso, do lado de uma região esquisita da cidade. Se você quiser, talvez o melhor seja passar durante um dia de semana e com dia claro. Também não vale ficar mostrando coisas de valor (se bem que nós fizemos as turistas e tiramos várias fotos com a câmera). Sentamos pra comer “chilaquiles” em uma das milhões de vendas que tem no meio do mercado. A comida é barata e simples, mas estava bem bom.
Seguimos viagem, querendo conhecer um museu relativamente novo na cidade: o Museu de Arte Popular (“do nosso chão…”). Cuidado, a lojinha do museu é a coisa mais linda do mundo, mas os preços são bizarros. Cheguei a ver uma blusa por DOIS MIL REAIS!!!!
Terminamos o dia andando de novo pelo Zócalo pra trocar dinheiro. Voltamos para a região de Condesa e Roma buscando um lugar para comer antes de pegar nosso ônibus noturno para Oaxaca. Acabamos na Pizzaria Perro Negro, recomendada por uma amiga do Brasil. Achamos bem ruinzinha. O ambiente é super legal, mas a música fica aos berros (depois de um dia de caminhada, ter que gritar pra conversar é meio estressante) e a pizza é muito gordurosa. Com dois pedaços já estávamos estufadas, parecia que tínhamos comido um rodízio. A cerveja também estava quente, o que, descobrimos, é algo comum de acontecer no México. Foi uma questão que nos intrigou a viagem inteira, porque enquanto cerveja em temperatura ambiente faz até “algum” sentido nos países frios da Europa (mentira, cerveja quente é uma bosta em qualquer lugar), num país tropical pareceu surreal.
Oi, gente. Sou ávida consumidora do fórum, mas essa é a minha primeira postagem grande por aqui. Resolvi escrever o relato da minha viagem pelo México, porque acho que esse é o tipo de post onde eu mais busco informações antes de viajar. Esse relato é de uma viagem em 2018, mas eu tinha parado no meio e acabei nunca postando. Achei um desperdício e tô botando aqui o que já tinha escrito. Se animar, um dia escrevo o resto do relato com o que eu lembrar. O mochileiros.com é tão útil pra mim, que acho injusto não tentar contribuir
Resumo:
Eu e uma amiga passamos 17 dias no México em abril de 2018. Nosso roteiro incluiu Cidade do México, Oaxaca (capital) e a península de Yucatán (com estadia em Tulum, mas com daytrips para vários lugares). Como o tempo não era tão grande, resolvemos nos concentrar em poucas cidades para não ficar pipocando de ponto turístico em ponto turístico que nem loucas. E mesmo assim sentimos vontade de passar mais tempo em todos os lugares. O México é gigantesco, cada região tem sua particularidade e dá pra ficar 15 dias, 1 mês ou 6 meses fazendo coisas interessantes todos os dias.
Nosso estilo de gastos foi híbrido. Já viajamos muito fazendo economia/pão-durice, mas dessa vez nos demos alguns luxos (fizemos algumas pernas da viagem de avião e ficamos em quartos privativos em todos os lugares). Tirando isso, achamos o México um país bastante barato (pelo menos em comparação com o Rio). Decidimos a viagem um pouco em cima da hora (2 meses antes), então não achamos as passagens tão em conta, mas aposto que existem promoções se você olhar com antecedência. Por alto, acho que gastamos, incluindo as passagens e comprinhas, R$7.000,00 por pessoa. Não é assim, aqueeeela economia, mas considerando que metade da viagem estávamos na Riviera Maya, poderia ter sido pior.
Cidade do México
Tempo: 4 dias inteiros + meio dia
Gastos por dia: R$1.800,00 (passagem)
Custo da Estadia: R$630 p/ 2 pessoas (La Mansion - AirBNB)
Vôo de ida: Pegamos nosso vôo da Copa Airlines Rio-Cidade do México, às 11h do dia 14/04 e fizemos escala na Cidade do Panamá. A previsão era chegarmos em CdMx às 23h, mas tivemos um atraso na conexão e só pousamos 3h da manhã. Somando isso com a imigração e a ida pro AirBNB, acabamos indo dormir quase 5h. Isso atrapalhou bastante o nosso primeiro dia na Cidade do México, porque só conseguimos acordar umas 11h.
Sobre imigração: li em vários lugares que a imigração mexicana é bem chatinha. Parece que muita gente vai pro México para atravessar para os EUA, então eles podem ser mais rigorosos do que o normal. Só que nada disso aconteceu com a gente, a imigração foi super rápida. Você só tem que preencher um papel com alguns dados e guardar ele durante a sua estadia para devolver na saída.
CERTIFICADO DE FEBRE AMARELA: Aqui fica um alerta. A partir de março de 2018, todos os passageiros com conexão no Panamá tem que apresentar o certificado internacional de vacina da febre amarela, independente do tempo de conexão. Eu, que tava tranquilona porque o México não exige certificado de brasileiros, quase perdi a viagem por causa disso. Uma semana antes do vôo tive que ir que nem uma louca no posto de saúde buscar uma segunda via do meu certificado.
1º dia:
Por causa do atraso no vôo, nosso dia começou um pouco tarde. Acordamos por volta de 11h e só saímos para passear depois de meio-dia.
Ficamos em um AirBNB na região de Roma Sur e super recomendaria a estadia por lá (La Mansion)! São duas casas conjugadas, com um jardim de inverno delícia no meio. Os donos, Pablo e Fernando, são muito simpáticos e sempre tem gente batendo um papo e tomando uma cerveja nas áreas comuns. Mas se você for da calmaria e do silêncio, também não tem problema nenhum. A rua é residencial e os quartos são no segundo andar. Poderia continuar elogiando, mas acho que as reviews deles no AirBNB já falam por si mesmas. Saímos do AirBNB e passamos para almoçar num mercado ali do lado, Mercado Medellin. Ouvimos muito que os mercados no México são imperdíveis, então essa tinha que ser a nossa primeira parada. De primeira, não ficamos muito impressionadas, o mercado era mais de venda de frutas e flores e muitas das tendas de comida estavam fechadas porque era domingo. Comemos uma quesadilla e pedimos um uber para o nosso destino principal do dia: Xochimilco.
Para quem não sabe, a região onde hoje fica a Cidade do México antigamente era um grande lago. Com a chegada dos espanhóis e o fim da cidade Azteca de Tenochtitlan, o lago foi aterrado, mas ainda existe uma parte onde se conservam os canais da cidade, Xochimilco. É como uma Veneza em miniatura (não tão bonita como Veneza).
Um passeio muito comum que os mexicanos fazem é alugar trajineiras para ficar passeando por esses canais, ouvindo mariachis, comendo tacos e bebendo micheladas. É tipo um churrascão de domingo, só que sobre a àgua! O preço do aluguel do barco varia conforme o tempo de passeio que você escolhe. Nós pegamos o médio, de 2h. Tem opções de 1h e 4h também. O preço eu não lembro exatamente, mas achei meio salgado.
Os canais mesmo não são tão bonitos, a graça são as próprias trajineiras, todas coloridas, com nomes próprios (a nossa se chamava Valentina) e enfeitadas de flores. Mas o que achei mais legal é que parece ser um lugar de passeio dos próprios moradores da cidade, não tão turístico. Vimos famílias no almoço de domingo, pessoas comemorando aniversários (com direito à faixa em homenagem ao aniversariante) e casais passeando. Tirando um grupo de europeus, não vimos mais nenhum “gringo”. Acho que se você estiver pela Cidade do México no fim de semana, vale muito a pena a visita. É uma forma de ver como as pessoas da cidade vivem, fora um pouco daquele circuito tradicional do centro e de museus, algo do povo mais simples.
Depois das 2h de passeio, nosso barqueiro nos devolveu ao lugar de saída e resolvemos voltar de transporte público pra casa. Xochimilco é mais afastado do centro, algo como 30-40 minutos de carro, e não tem saída de metrô ali perto. O que fizemos foi pedir informação na rua mesmo (ajudou que falamos espanhol) e pegar um ônibus para a estação de metrô mais próxima. Ainda passamos por um festival de música de rua pelo caminho!
O metrô na Cidade do México é barato (R$1,00) e vai a muitos lugares da cidade. Comparado com o do Rio, então, nem se fala! Baixamos o mapa do metrô, e nos locomovemos todos os dias sem problemas.
Voltamos para o AirBNB já umas 20h e encontramos um pessoal socializando no jardim de inverno. Até ficamos um pouco por ali, mas estávamos tão cansadas da maratona de aeroporto do dia anterior que fomos dormir cedo.
2º dia:
Depois de um primeiro dia mais devagar, resolvemos bater perna pela cidade. Saímos cedo e marcamos vários lugares para visitar entre Roma e o centro. Tomamos café numa padaria perto de casa (feijão no café da manhã!) e demos uma andada pelo bairro de Roma.
Começamos indo ao Parque México, que fica na fronteira entre Roma Norte e Condesa. É um parque bem arborizado, com um lago.
Depois, tomamos um vinho no Mercado Roma. Bem mais gourmet.
Continuamos andando e fomos ao Mercado Ciutadela. É um mercado de artesanato incrível! Os preços não são tão em conta, mas você consegue encontrar de tudo e coisas com mais qualidade. Como era o começo da viagem e iríamos a Oaxaca, cidade dos artesanatos, resolvemos não nos precipitar. Nos arrependemos, porque certas coisas que vimos lá não encontramos em nenhum outro lugar. Tanto que no dia da nossa volta, passamos lá a manhã toda comprando o restante dos presentes.
Quase em frente, tem a Biblioteca Pública de México. Não é nada de mais, mas é uma boa dica se você estiver querendo um lugar para descansar no Centro (e tem banheiro e bebedouro).
Partimos pra almoçar no Mercado San Juan, mas nos decepcionamos um pouco. É um mercado voltado para comida espanhola e como estávamos querendo focar em comida mexicana, não ficamos por lá pra almoçar. Mas se você gosta de tapas e vinhos, vale a passada. Se quiser comprar pimentas pra trazer também.
Acabamos almoçando na Fonda Santa Rita, recomendação do guia que pegamos emprestado no AirBNB. As fondas são um tipo de refeitório popular bem barato no México. Mas não gostamos nem um pouco da comida. Sem sal, bem sem graça e o garçom com nenhuma paciência para nos explicar o cardápio (era nosso primeiro dia, ainda estávamos aprendendo os pratos).
De lá, Torre Latina. A vista é super bonita, dá pra ver o tamanho gigantesco da Cidade do México. Parece que inaugurou há pouco tempo, então não tinha muitos turistas estrangeiros. Isso foi uma coisa que notamos na Cidade do México: quase não vimos turistas, e quando vimos eles pareciam ser mexicanos. Acho que a cidade é tão grande, que não tem muito como se sentir turista.
Mas exatamente depois, chegamos no centro turístico da cidade, o Zócalo e a rua Francisco Madero. É como a Plaza Mayor das cidades espanholas. Uma rua de pedestres que termina numa enorme praça onde está o Templo Mayor. Como era segunda-feira (dia em que todos os museus fecham), a visitação estava fechada, mas você pode caminhar por cima de um pedaço.
Por fim, voltamos pela Francisco Madero até o Palácio de Bellas Artes. É um prédio lindo, bem parecido com o Theatro Municipal do Rio. A dica que recebemos de todo mundo foi: procurem um café no terraço na região e vejam o pôr-do-sol de frente pro Palácio. Fomos no café da Sears (a loja mesmo). Como isso aqui é Cidade do México, conhecida pela poluição, não deu pra ver o sol, mas o céu ficou rosa super bonito e descansamos os pés, que estavam destruídos.
Comemos em uma taqueria vegana recomendada pelo pessoal do AirBNB. Incrível. É uma carrocinha de cachorro-quente que vende uns tacos maravilhosos. Funciona até meia-noite, na esquina da calle Chiapas com a calle Manzanillo no bairro de Roma Sur. Taquería Por Siempre.
3º dia:
Café da manhã no La Bohême (do lado do Mercado Roma). Sensacional. As baguetes são tão grandes, que dá pra almoçar. Isso é verdade no geral pra comida do México: eles não fazem mixaria. Diversas vezes ouvimos de mexicanos que a porção era individual e quando vimos dava pra dividir fácil. Conte com comida farta por lá.
Saímos e fomos caminhando até o Museu de Arqueologia. Por conta de termos perdido o primeiro dia, e o segundo ser segunda-feira (museus não abrem), nosso dia de museus ficou muito corrido. Em condições ideais, teríamos meio que tirado o dia para o Museo Nacional de Arqueologia. Vale muito a pena. O museu é gigantesco! Nas 4h que passamos lá, não conseguimos ver nada do andar de cima e ainda tivemos que correr um algumas salas do andar de baixo. Obviamente, isso vai de cada um. Mas recomendo muito que não se vá com hora marcada, porque tem muita coisa pra ver.
Chegamos 10h30 no museu e vimos que tinha uma visita guiada grátis começando bem nesse horário. Demos uma corridinha e alcançamos o grupo em uma das salas. A guia era ótima, a visita focava em 3 salas específicas do museu (o grupo pode escolher quais). Vale bastante a pena ver quais são os horários (o primeiro passeio inicia 10h30).
O problema é que tínhamos reservado esse dia também para ir no Museo da Frida, do outro lado da cidade, às 16h. O Museo da Frida vale a pena reservar antecipado, ainda mais se o plano for ir no fim de semana, porque ele é pequeno e a fila pode ser bem grande. Saímos do Museo de Arqueología e pegamos um Uber pra acelerar.
O Museo da Frida também é maravilhoso! É na casa onde ela viveu a vida toda, primeiro com os pais e depois com Diego Rivera. Foi também onde ela recebeu Trotski quando ele se exilou no México. Tem alguns quadros dela (fotos abaixo), mas o passeio é mais voltado para contar um pouco da vida dos dois.
Saímos do museu já no fim da tarde e resolvemos passear pelo bairro de Coyoacán, famoso por ser um bairro boêmio e bem bonito. Tínhamos também a recomendação de uma taqueria perto da praça principal do bairro. Coyoacán é uma delícia! Ficamos encantadas com o bairro, as ruas são todas coloridas, como era fim de tarde, a praça estava cheia de gente, adolescentes e crianças saídas da escola. E a taqueria era ótima também, La Casa de Los Tacos. A Ju até comeu um mini escorpião (blergh).
Umas 20h voltamos pro AirBNB, porque tínhamos planos (ousados) para a noite. Ainda no Rio, tínhamos ouvido falar de um bar super tradicional de cumbia na Cidade do México. A descrição era de um bar bem tradicional, onde as pessoas da cidade mesmo vão dançar. Ficamos super curiosas e tínhamos reservado a terça feira à noite para isso. O nome do bar é Barba Azul.
Barba Azul: é uma experiência à parte. Um antigo cabaré, com cara de decadente, música ao vivo todas as noites e uma decoração mega-ultra-super brega. O público é muito louco, desde grupos de amigos de 20 e poucos anos, passando por advogados engravatados após o expediente, até coroas sozinhos buscando arranjar “o esquema” da noite. E bota noite nisso. Como era terça, achamos melhor chegar umas 22h e pouco, pra não perder o furdunço. Doce engano. A casa só começou a encher depois de meia-noite (encher é forte, pq a casa é grande e era terça, mas tinha uma quantidade razoável de gente). Era noite de salsa e se você não quer dançar, não vá. A gente dançava mal, então ficamos com vergonha de aceitar e em pouco tempo percebemos que isso também foi um erro. Depois de um tempo, quando já estava mais cheio e a pressão de saber o que fazer era menor, ninguém mais nos chamava. Ficamos nos coçando, vendo aquele povo rodopiar. Dicas: Não se deixe assustar pela cara de “roubada”, se for pra só visitar lugares arrumadinhos e cheio de europeu, a gente nem saía de casa. Se puder, vá no fim de semana, deve ser bem mais divertido. Não chegue antes de meia-noite, não vai ter ninguém. Não fique com vergonha de dançar, a graça é essa.
4º dia:
Ficamos na dúvida se passávamos o dia em Teotihuacan ou tentávamos fazer o que faltava da cidade. Acabamos resolvendo ficar pela cidade mesmo.
Acordamos cedo e voltamos para Coyoacán, achamos que não tínhamos aproveitado o dia anterior o suficiente. Saltamos no metrô Viveros/Derechos Humanos e resolvemos descer pela rua Francisco Sosa, sem nem saber nada sobre ela. Aparentemente, a rua é famosa no bairro, com várias casas lindas e coloridas, galerias e cafés. Passamos no Museu Aquarela, na Iglesia Santa Catarina, na Pinacoteca e descemos até a Plaza do Centenário (praça principal do bairro, onde tínhamos passado no dia anterior). Nosso objetivo final era passar no Museu a Frida novamente, porque no dia anterior a lojinha de lembrancinhas já estava fechada (imagina não comprar lembrancinhas feministas prazamigas?). Vimos o mercado de artesanato do bairro, mas não achamos nada de mais. As vendinhas do Mercado de Coyoacán são bem mais interessantes, até mesmo para artesanato.
De lá, pegamos o metrô de volta para o centro da cidade, querendo ir almoçar no Mercado La Merced. É um lugar gigantesco! Ocupa 2 quarteirões e se perder é a coisa mais fácil! Quando voltamos ao AirBNB também nos avisaram que é um lugar meio perigoso, do lado de uma região esquisita da cidade. Se você quiser, talvez o melhor seja passar durante um dia de semana e com dia claro. Também não vale ficar mostrando coisas de valor (se bem que nós fizemos as turistas e tiramos várias fotos com a câmera). Sentamos pra comer “chilaquiles” em uma das milhões de vendas que tem no meio do mercado. A comida é barata e simples, mas estava bem bom.
Seguimos viagem, querendo conhecer um museu relativamente novo na cidade: o Museu de Arte Popular (“do nosso chão…”). Cuidado, a lojinha do museu é a coisa mais linda do mundo, mas os preços são bizarros. Cheguei a ver uma blusa por DOIS MIL REAIS!!!!
Terminamos o dia andando de novo pelo Zócalo pra trocar dinheiro. Voltamos para a região de Condesa e Roma buscando um lugar para comer antes de pegar nosso ônibus noturno para Oaxaca. Acabamos na Pizzaria Perro Negro, recomendada por uma amiga do Brasil. Achamos bem ruinzinha. O ambiente é super legal, mas a música fica aos berros (depois de um dia de caminhada, ter que gritar pra conversar é meio estressante) e a pizza é muito gordurosa. Com dois pedaços já estávamos estufadas, parecia que tínhamos comido um rodízio. A cerveja também estava quente, o que, descobrimos, é algo comum de acontecer no México. Foi uma questão que nos intrigou a viagem inteira, porque enquanto cerveja em temperatura ambiente faz até “algum” sentido nos países frios da Europa (mentira, cerveja quente é uma bosta em qualquer lugar), num país tropical pareceu surreal.