Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Júlia.

Membros
  • Registro em

  • Última visita

  1. Relato muito bom! Contando assim parece um sonho, incrível. A hospitalidade e vontade de ajudar das pessoas do lugar me fez lembrar de pessoas às quais sou eternamente grata por oferecer carona à desconhecidos perdidos. Quando a gente perde a esperança na humanidade, é só lembrar de como tem gente legal na estrada e nos cantos mais remotos, disposta a tratar mochileiros doidos como se fossem da família, e perceber que nem tudo está perdido. Essa sua foi uma experiência inesperada e inesquecível que pouquíssimas pessoas tem a chance de ter. É isso aí: quando as coisas saem completamente diferentes do planejado, podem acabar saindo é muito melhor do que o planejado, é só não se estressar e não entrar em pânico.
  2. Vou aproveitar o tópico pra deixar também meu próprio relato de viagem à serra gaúcha na mesma data [12-15 de setembro] só que do ano de 2012. Fomos num passeio em família, eu e meus pais, saindo de Pirabeiraba, distrito de Joinville – SC. Saímos de Pirabeiraba dia 13/9, às 7:00. Caminho conhecido a princípio, pela BR101, descendo pelo litoral de SC, passando por Florianópolis e cidades próximas, até chegar bem pro sul de SC, onde decidimos passar pela Serra do Rio do Rastro, conhecida por sua beleza, mas que estava imersa numa nuvem, com uma neblina que em alguns pontos da estrada mal dava pra ver se tinha algum caminhão à frente. [duna em Florianópolis] [pequena queda d'água na serra] [neblina na serra] Saímos sem querer em São Joaquim, cidade turística famosa pelo frio. Vimos uma placa de “bem vindo à São Joaquim” e ficamos com cara de interrogação. Já que estávamos lá, demos uma volta pela cidade, de carro mesmo. E que cidade sem graça. Toda a propaganda turística dali é bastante enganosa. Não é bonita nem interessante, das poucas cidades no Brasil onde neva de vez em quando, certamente tem outras mais bonitas pra se visitar do que São Joaquim. Descemos então para o RS, fazendo o caminho por Vacaria, Caxias do Sul, e outras tantas cidadezinhas de nome estranho que eu nunca tinha ouvido falar, chegando doze horas depois em Bento Gonçalves, onde dormimos numa pousada simpática, hospitaleira, e com o pior chuveiro que já vi. Acordamos bem cedo dia 14 e fomos conhecer a rota enoturística da região, parando em várias vinícolas famosas do Vale dos Vinhedos, como a Miolo, a Casa Valduga e a Cave de Pedra. Vimos as plantações de parreiras de cada vinícola e eu finalmente descobri quanto diabos mede um hectare. [Vinícola Alma Única] [Parreiral da vinícola Miolo] [Castelo da vinícola Cave de Pedra] [Vespeiro from hell] À tarde fomos fazer o passeio de Maria Fumaça, um caminho de 23km de Bento Gonçalves até Carlos Barbosa, parando no caminho em Garibaldi pra mais uma degustação de suco de uva e vinho. A espera na estação pra pegar o trem é animada com música italiana ao vivo, muita gente tirando foto e uma pequena fila pra pegar uma tacinha de plástico e começar a degustação. Logo depois de entrar no trem, vi minha ligeira preocupação a respeito da minha câmera meio grande chamar muita atenção ser eclipsada pela chegada de um japonês com uma câmera cinco vezes maior que a minha. Os quatro japoneses no banco ao lado aparentemente não falavam nada de português e estavam incrivelmente animados. O lado interessante no passeio de trem não é tanto a paisagem pela janela, mas o que acontece dentro do trem: atores e músicos vão de vagão em vagão contando histórias e músicas italianas animadas. [Música e dança italiana dentro do trem] [Atores] Aparecem também alguns caras tocando uma música típica gaúcha, com vestes típicas e tudo mais. Pra alguém que mora no sul e não aguenta mais os vizinhos ouvindo música gauchesca todo dia, não é a melhor parte do passeio, mas pra alguém que nunca ouviu, pode achar interessante conhecer. Chegando na estação em Carlos Barbosa, pegamos o ônibus da própria empresa que faz o passeio de trem [Giordani Turismo], que nos deixou de volta em Bento Gonçalves para conhecer a apresentação Epopéia Italiana, uma espécie de teatro-documentário guiado por cenários de madeira retratando cenas da imigração italiana. Tudo incluso [trem+ônibus+epopéia por 70 reais/pessoa. A empresa exige pagamento adiantado na reserva pela internet, o que me deixou paranóica a princípio, mas a empresa é honesta e não houve complicação nenhuma na retirada das passagens]. [Chegada com música italiana ao vivo] [Cena do Epopéia Italiana] De lá fomos pra Gramado, onde chegamos já à noite e morrendo de fome. Paramos num restaurante aleatoriamente, o nome era Hubertus ou coisa parecida. Logo na entrada já estranhamos um lugar tão chique. A lareira acesa, as cadeiras forradas de pele de carneiro. Chega o cardápio, olhamos os preços, saímos correndo. O prato individual mais barato era uns 70 reais, e era basicamente o tipo de prato que minha mãe faz em casa pra três pessoas com menos de dez reais em ingredientes. O arroz dos caras deve ser de ouro, pqp. Paramos num posto e perguntamos sobre um lugar bom pra comer. O cara indicou um tal de Skillo. Chegamos nesse Skillo lanches, não tem estacionamento nem nada, o que não foi problema, paramos o carro numa rua próxima e fomos andando. Lugar pequeno, feinho, meio sujo, aqueles gatos embolados de fio nos cantos pendendo do teto sem forro. Vem o cardápio, peço um sanduíche de strogonoff com bacon. O que posso dizer... Acho que fazia pelo menos 12 anos que eu não comia um sanduíche tão bom. Aquilo ali é uma refeição muito melhor do que a maioria das refeições que eu tive desde que fui morar sozinha. Excelente, recomendo totalmente. Tenho certeza de que vale muito mais do que qualquer prato caro do restaurante chique por onde passamos. Pra quem estiver passando pela região, eu recomendo totalmente, vá no Skillo lanches, mas vá com fome, porque o sanduíche é do tamanho do prato. O dia seguinte foi dia de conhecer Gramado e Canela. Andamos MUITO, conhecemos várias lojas, a maioria só pra olhar, e algumas tinham coisas bem legais pra se olhar, como uma loja de relógios-cucos, com alguns relógios que dava pra ver todo o mecanismo dele funcionando, dava vontade de ficar um tempão olhando todas aquelas peças girando. Vimos também o trem tombado, o memorial de um acidente de trem histórico em que a máquina passou direto da estação e caiu numa calçada, ficando exatamente como retratado no memorial: Depois de enfrentar uma falta absurda de pão de queijo na rua coberta [não tinha pão de queijo na Casa do Pão de Queijo, como assim?], entramos no restaurante ao lado, acho que se chamava Mamma Massa, ou coisa assim, e pedimos um prato chamado Da Vinci. Fazia juz ao nome, muito bom. O garçom disse que era individual, mas dava pra duas pessoas tranquilamente. Era uma massa assada recheada com cogumelo, com carne e um molho excelente. Ficamos andando pelas duas cidades, clima agradável [o ar da noite parecia até gostoso de respirar] e lugar bem tranquilo. No centro de Canela tem uma igreja de pedra bem bonita. Mesmo eu que detesto igrejas e religiões monoteístas em geral, tenho que admitir que era uma obra admirável da arquitetura e engenharia. De noite ela fica toda iluminada, com cores que mudam a cada algum tempo, vale a pena ver. No dia seguinte paramos no Belvedere, um mirante ao lado da estrada, com uma vista incrível. Apesar da neblina, deu pra ver bem a paisagem. Achei interessante a formação geológica da paisagem, com montanhas altas e bem retas em cima, se não me engano são chamadas de “mesas”. Deixando a cidade, passamos ainda pela cervejaria Edelbrau, onde o cara tentou explicar a diferença entre o malte de cada grão ou o que exatamente era isso, mas se bagunçou na explicação e saímos de lá sem entender nada. A viagem de volta ao som de Black Sabbath foi por um caminho diferente, evitando o litoral. Horas no meio do nada, nenhum posto à vista, o desespero por ir no banheiro. Paramos num lugar, nenhum de nós faz qualquer idéia do nome da cidade, não era um posto de gasolina, nem um restaurante, eu não sei dizer o que era aquilo, mas a melhor descrição que encontrei é parecida com uma lanchonete da estrada da cidade de Lugar Nenhum do antigo desenho do Coragem, o Cão Covarde. Latas vazias de Coca-Cola penduradas por barbantes, amarrados em pregos em prateleiras com troféus cobertos por casulos de seja lá que bicho era aquilo, se misturavam com mesas cheias de sapatos e bíblias velhas, pedaços de madeira, uma infinidade de coisas que eu nem imagino com que poderiam ser, intercaladas com uma variedade de lixo que o dono do lugar deve considerar enfeite. Uma van cheia de pessoas precisando de um lugar na estrada pra ir no banheiro parou logo depois e todos ficaram com a mesma cara de “WTF?!?” ao entrar lá. Estou até agora tentando entender que raios de lugar era aquilo, mas o que importa é que tinha um banheiro. Por volta de uma hora depois, paramos num posto de caminhoneiro no meio do nada e jantamos. A comida não parecia muito apetitosa, mas no geral estava boa. Demos a volta por São Bento do Sul, Campo Alegre, e por fim descemos a Serra Dona Francisca em meio à muita neblina, chegando em casa bastante cansados, às 5 pra meia noite. O que posso dizer da viagem é que, apesar de cansativa, foi muito boa. Paisagens bonitas e clima gostoso, aprovado. Já estou até pensando em visitar a região de novo no próximo ano.
  3. Júlia. respondeu ao tópico de Notícias em Arquivo
    Alguns bairros de Curitiba tem uma característica muito interessante que poucos notam: a quantidade de árvores frutíferas nas ruas. De amoreiras carregadas, pitangueiras e mesmo as tradicionais araucárias, símbolo do Paraná, é relativamente comum achar algo pra comer andando na rua. Depois de dois anos morando em Curitiba, já virou até hábito fazer alguns desvios pra dentro do bairro, no caminho de volta pra faculdade, à procura de árvores, encher a mão de amoras e ir pra casa comendo. É comum também no começo do inverno ver pessoas agaixadas na calçada, com uma sacolinha na mão. Um olhar mais de perto e você percebe que essas pessoas estão recolhendo pinhão [a semente da araucária] que cai daquela altura e se esparrama pelo chão. Esse pinhão recolhido pode ser cozinho [a forma de preparo paulista, que eu desaprovo fortemente] ou assado na chapa, ou até mesmo direto na fogueira, o modo mais tradicional do sul e certamente o mais gostoso. Essas árvores estão por toda parte, e todo ano cobrem o chão com suas deliciosas sementes, que não ficam lá por muito tempo, porque logo as pessoas começam a pegar pra comer. É algo que os passantes de carro muito dificilmente notam, mas que um caminhante com olhar mais atento pode apreciar.
  4. Hahah, que bom que vocês gostaram do relato, até eu me diverti escrevendo ele e lembrando de cada cena no caminho. Apesar dos "erros", como ter levado pouca comida, saído meio tarde, ido com um tênis meio inadequado, passado por algumas situações meio "e agora?" e tudo mais, eu não me arrependo de nada. Estou até com saudade da floresta. A noite cheia de vagalumes por toda parte é algo que fica bem na memória. Já estamos até planejando trilhar algum outro caminho da região, mas dessa vez vamos estar mais preparados.
  5. Júlia. respondeu ao tópico de Michael Darolt em Santa Catarina
    Um lugar interessante de se conhecer é a plantação de Hemerocallis, na Estrada da Ilha, em Pirabeiraba[distrito de Joinville junto da Serra Dona Francisca]. Você pode ver todo o cultivo de flores da espécie, conhecer o Jardim Sensorial na visita guiada[totalmente gratuita], além de comprar mudas de flores. A temporada em que está aberta pra visitação é de novembro à fevereiro, que é a época de florada da hemerocallis. Essa é uma hemerocallis que fotografei na primeira vez que estive lá. Eles tem também algumas outras espécies, como agapantos, mas a principal que cultivam é a hemerocallis mesmo. Tem dezenas de variedades e eles podem explicar o que você quiser sobre cada uma delas. Mas a coisa mais interessante na visita é alimentar os peixes. Diferentemente da maioria das carpas que se vê por aí, as carpas da Agrícola da Ilha são acostumadas com pessoas e vem comer na mão. Você pode até fazer carinho nelas. Fazer carinho num peixe é uma experiência inédita. Mas perguntar sobre o sabor da carne delas pode não ser uma boa idéia, já que os donos tem elas como animais de estimação. Essa é a mão do meu vô dando comida na boca dos peixes: Informações sobre endereço e tal tem no site deles: http://www.hemerocallis.com.br/ É um lugar bonito e interessante pra se visitar, além de ser de graça. Se estiver passando por Pirabeiraba na época de florada, recomendo passar lá pra conhecer.
  6. Bom, vou deixar aqui também meu relato dessa experiência fantástica que eu e um amigo que conheci na internet encaramos juntos, pra quem quiser ler e pra quem puder ser útil. Saímos de Curitiba, no sábado de manhã, pegamos o ônibus pra Quatro Barras, de lá direto pra Borda do Campo. Meio dia chegamos no começo da trilha, onde encontramos um velho maluco brandindo um facão e falando alto sobre alguma coisa incompreensível. Passamos direito e chegamos ao posto onde fizemos o cadastro. O cara pareceu espantado, talvez por causa do horário. Algumas coisas que eles nos disse: - Nos dois cruzamentos da trilha com a linha férrea tinha sinal de celular - A trilha estava muito bem sinalizada e definida Ambas mentira. Em nenhum dos dois cruzamentos tinha sinal da Tim e a trilha praticamente sumia em alguns pontos e tinha bifurcações sem nenhuma sinalização. Mas o bonito mesmo foi nós dois, dois completos nerds sem nenhuma experiência com trilha, indo pra lá pela primeira vez, sem preparo físico, sem guia, sem equipamento, sem mapa e sem bom senso. Na mochila da faculdade, eu levava lanterna, um casaco [santo casaco!], pão, um pacote de Nescal Ball, o equipamento da câmera, água, um guarda chuva [santo guarda-chuva!], e a toalha [o ítem mais importante de todos, como todo mochileiro -NEEEEEERD- sabe]. Logo de começo já quase fomos pela trilha errada. O trailer do posto fica no meio de uma bifurcação, e o cara teve que avisar que a trilha certa era o caminho da direita. As primeiras horas foram fáceis e tranquilas, no começo estávamos até com um ar de "isso é o que chamam de 'trilha semi-pesada'? andar pelas ruas da cidade é mais pesado do que isso". Chegamos numa bifurcação em frente à uma rocha, que já foi o primeiro sinal de que a trilha não estava bem sinalizada. Não tinha nada indicando qual era o caminho certo. Fomos pela direita [pelo que me lembre] e por sorte era a trilha certa. Não muito depois chegamos à gruta [você precisa sair um pouco da trilha pra achar ela, e se orientar pelo som/cheiro da água, porque não tem nenhuma placa ou coisa assim indicando]. A água dela é excelente e está sempre gelada. Bem pro começo tinha também alguns "guias", uns cachorros que ficavam parados em pontos da trilha e indicavam a direção. Mas foi só pro começo mesmo, depois não tinha mais ninguém. Garrafas cheias e algumas fotos, e continuamos. O clima oscilava bizarramente, variando quando era subida ou descida. Quando chegamos no primeiro rio ficamos ligeiramente confusos sobre pra onde ir depois. Não tinha nada sinalizando que tinha que atravessar o rio [pulando sobre pedras, não tem ponte naquele trecho] pra chegar na continuação da trilha. Descobri meio na sorte mesmo. Não muito depois achamos a casa em ruínas e a linha de trem. Ali mais uma vez faltou sinalização. Como estávamos sem mapa [eu não imprimi um porque achei que poderia pegar um no posto, mas não tinha], não sabíamos onde exatamente era cada coisa, e não fazíamos idéia de pra onde tínhamos que ir pra encontrar a famosa roda d'água e a cachoeira. Algumas fotos, uma pausa pra beber água e ficar observando uma águia que sobrevoava o lugar dando os característicos gritos de ave de rapina, comer pão recheado com Nescau Ball [não sei se era a fome, mas estava delicioso], andar de um lado pro outro à procura de sinal de celular, e nisso descobrimos uma placa pequena e pouco visível, do outro lado da linha do trem, indicando a continuação da trilha. Continuamos sem ter visitado o trecho da roda d'água, e sem nem saber que era por ali. Continuamos andando até o anoitecer, quando paramos pra pegar as lanternas, e por sorte tinha pilhas extra no bolso de equipamento da câmera, porque a pilha da minha lanterna escolheu a hora mais inconveniente possível pra parar de funcionar, bem numa descida de pedras escorregadias em meio ao breu da noite. Então esse é um conselho que eu deixo pra quem for pra qualquer lugar: SEMPRE tenha pilhas extra. Já era quase 22:00 quando chegamos ao segundo rio e decidimos parar pra descansar e continuar no dia seguinte. Ali foi outro lugar em que a trilha simplesmente acabava. Ela terminava pouco antes do rio e não tinha nenhuma bifurcação antes. Deduzi que, assim como no rio anterior, ela continuaria do outro lado, mas esse parecia ser maior e a luz das lanternas não iluminava o suficiente o outro lado pra termos certeza. Além do mais, seria impossível atravessar aquele rio pulando sobre pedras escorregadias e afastadas, no breu da noite, carregando mochilas. Decidimos dormir ali do lado do rio mesmo, ouvindo o som da água e vendo as dezenas de vagalumes [malditos lindos vagalumes] acendendo ao redor. Coloquei o casaco [e foi ali que descobri que ele era um ótimo isolante térmico] e deitei no chão mesmo, usando a mochila como travesseiro. Eu tenho uma facilidade anormal em dormir [a ponto de já ter dormido de pé sem querer algumas vezes] e apaguei logo, então um vagalume pousou na minha cara e acendeu. SUSTO. Me cobri com minha toalha, Virei pro lado e voltei a dormir, mas uma meia hora depois acordei com MUITO frio e percebi que estava tudo molhado. Aparentemente choveu e a gente não ouviu por causa do barulho do rio a dois metros de onde estávamos deitados. Chão molhado, toalha molhada, roupa molhada, e frio, muito frio. Tentamos fazer uma fogueira, mas foi inútil, o chão molhado e o vento tornavam isso impossível. Então levantamos e voltamos uns 500 metros na trilha até achar um lugar onde deitamos e dormimos até começar a amanhecer. Deitar e dormir são eufemismos. Eu só estendi a toalha no chão, sentei em cima e me cobri com o guarda-chuva. Dormi sentada mesmo, pelo menos naquele ponto não estava tão frio nem ventando. Acordei algumas vezes com o barulho do trem passando e fiquei um bom tempo observando o brilho de algum tipo de fungo bioluminescente numa pedra do meu lado. Quando começou a amanhecer, recolhemos as coisas, limpamos o lugar e descemos de volta pro rio onde acabava a trilha. Bom, agora a gente tinha que atravessar esse rio pra descobrir se na outra margem a trilha continuava. O que não foi muito fácil, porque as pedras estavam longe uma da outra e escorregando MUITO. Eu atravessei primeiro e fui procurar a trilha. Um pedaço de terra batida aberta no mato na outra margem é o começo dela, mas o calçamento só começa alguns metros depois, num degrau meio alto. Voltei, pegamos as mochilas e atravessamos de novo, pra continuar a trilha. O Sol nascendo já dispensava as lanternas. Logo depois começa um trecho infernal. Ali sim que a trilha mudou de "extremamente leve" pra "insanamente hardcore". Uma descida íngreme de pedras escorregadias fazendo curvas em zigue-zague por mais de um quilômetro, feita pra dar tombos a cada meio metro. Foi difícil [e doloroso] se manter de pé naquele trecho. O mais bizarro é quando aparece um corrimão [e aí a coisa fica estranha mesmo] e o chão fica cada vez mais bagunçado, com pedras enormes espalhadas e degraus altos e tortos de terra. Até que você chega numa escada. Mas sério, o que é aquilo? Uma escada com um corrimão de uns 15cm de altura, basicamente, uma escada que você tem que descer deitado[!?]. Aquele trecho é completamente insano e eu ainda não achei um adjetivo adequado pra descrever ele. No final da última escada tinha um trem parado, e tivemos que ficar esperando ele sair pra poder passar. Quando ele saiu, ali estava na nossa frente a famosa igrejinha do cadeado, que não tem nada de mais, mas fica ao lado de uma placa com um mapa [finalmente um mapa!] que seria melhor não ter encontrado. Segundo a escala do mapa, a partir dali tinha um trecho pequeno, uma ponte enorme, outro trecho menor ainda, outra ponte maior ainda, e depois mais um pedaço de pedra até o posto no final da trilha. Parecia tranquilo. É. Parecia. Só parecia mesmo. A distância entre a igreja e a primeira ponte era de mais de dois quilômetros e o chão de pedra [extremamente escorregadia por causa da chuva na madrugada anterior] não ajudava em nada. Nós dois estávamos cansados e as pernas já não obedeciam mais. Um escorregão a cada 23 metros e uma parada pra descansar a cada escorregada. Isso já era mais de meio dia, a comida e a água já tinham acabado e nada de chegar na primeira ponte pra pegar mais água. Aquela parte foi tensa. Então aqui outro conselho pra quem ainda estiver se preparando pra ir: nunca, em momento algum, confie na escala do mapa, ela é completamente errada. Segundo a escala, a primeira ponte deveria ter uns dois quilômetros. Se tinha dez metros já era muito. A distância até a segunda ponte e dela até o final da trilha já era menor [na escala do mapa era a mesma, o que deu um certo desespero]. Chegamos vivos ao fim dela, já mais de duas da tarde [não tenho certeza, celular já sem bateria, mas era por volta das duas]. Aí não fazia idéia de pra que lado ir. Vimos umas pessoas passarem andando e perguntamos. Pelo que disseram, esquerda = Morretes = "um pouco longe, quase uma hora daqui", direita = Marumbi = "não tem nada lá", nas palavras do cara. Decidimos ir pra Morretes, mesmo estando morrendo de fome e com as pernas tremendo de cansaço. Andamos por quase uma hora até achar o posto, onde demos baixa nos nomes e encontramos um grupo de trilheiros com uma Land Rover. Pela tontura e fraqueza eu já estava sentindo que a pressão baixa ia atacar [há muitas horas sem comer e exaustão física, e ainda o calor]. O pessoal do Land Rover, que eu não sei nem o nome mas que tem minha eterna gratidão, nos deu algo pra comer e beber e uma carona [santa carona!] divertida, sacolejando no "porta-mala" ouvindo música e vendo a paisagem. Eles nos deixaram na frente de um lugar onde pegamos um transporte que é um jeep puxando uma espécie de carroça, que nos levou até a rodoviária de Morretes por só 3 reais. Vento nos cabelos e pela paisagem. Ali fizemos nosso "almoço" à base de coxinhas e pasteis de rodoviária, que na hora pareceram ótimos, mas talvez fosse por eu estar morrendo de fome. Alguns cachorros simpáticos nos fizeram companhia enquanto esperávamos o ônibus de volta pra Curitiba. E foi assim que dois nerds sem experiência, sem equipamento, sem guia, mas com muita sorte, sobreviveram juntos ao Caminho de Itupava. No mapa dizia que o percurso levava seis horas e meia. Nós levamos mais de 24hs. Foi cansativo, passamos frio, calor, mas valeu cada metro e cada tombo. Então pra quem está tentando decidir se vai enfrentar a trilha ou não: é uma experiência marcante que vale a pena. Mesmo não conseguindo descer a escada de casa no dia seguinte de tanta dor nas pernas, eu não me arrependi nem um pouco. É fantástico.

Account

Navigation

Pesquisar

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.