Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#847206 por Renato37
04 Jun 2013, 20:36
Trip feita em 01/06/2013.

Travessia conhecida como "A travessia dos Poncianos"

Álbum com todas as fotos em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Eram 5:25 da manhã e lá estava eu, descendo o "viaduto vergueiro" em uma madrugada fria e com o típico nevoeiro outonal (o tradicional "fog") paulistano, em direção a estação do metrô de mesmo nome. Ponto de encontro previamente marcado com a galera que iria me acompanhar nessa trip. Porém, mal cheguei no ponto e ouvi uma buzina. Era o pessoal (Ana Paula, Mari, Gustavo e Cristiano) que havia chegando instantes antes de mim e já me aguardavam no local.

Feitas as devidas apresentações, rapidamente partimos em direção ao Inicio da Fernão Dias, numa viagem que levaria cerca de 3 horas até nosso destino final: Monte Verde, distrito mineiro pertencente ao municipio de Camanducaia ao sul de Minas Gerais e situado no alto da serra da Mantiqueira, a uma altitude média de 1.600 metros.

Adentramos a Fernão dias qdo notamos que a neblina ficou mais densa, o que deixou a visão prejudicada e obrigou a Ana Paula a trafegar com mais cautela. Fizemos uma rápida parada num posto para calibrar os pneus do carro e tomar um café. Ao iniciar a subida da serra da Cantareira, uma surpresa: Rapidamente, a densa neblina deu lugar a um céu limpo e totalmente livre de qualquer vestígio de nuvem, antecipando previamente que o dia seria totalmente aproveitável para a felicidade da galera.

Ao olhar para trás, notamos que na verdade, a forte neblina cobria apenas as áreas de baixada, deixando descoberto as partes altas, o que proporcionou uma vista diferenciada. Apenas saímos dela enquanto subíamos a serra. As 6:10h estavamos passando pelo túnel da mata fria e ao iniciar a descida para Mairiporã, novamente observamos que a mesma estava totalmente envolvida pela forte neblina, por tb estar em área de baixada. Então, o céu limpo e rosado com o amanhecer deu lugar a forte neblina, assim que o veículo mergulhou na mesma a toa velocidade. E novamente a visão ficou prejudicada, o que exigiu maior cautela da Ana no volante.

Passamos pelo pedágio de Mairiporã as 6:20h e ao iniciar a subida para Atibaia, o nevoeiro ficou para trás e mais uma vez, pudermos contemplar a bela paisagem do alto da serra da cantareira, com o astro-rei despejando seus primeiros raios luminosos de cor rosada no alto das montanhas.

Com um amanhecer tão bonito e diferenciado como esse, não poderiamos deixar de fazer um registro. Então, as 6:35h fizemos uma parada no alto da montanha para apreciarmos a bela visão das nuvens cobrindo os vales e as montanhas da serra da cantareira rasgando o céu no horizonte....Pausa para cliques e contemplação. É, ainda faltavam + de 2 horas de viagem e já estavamos fazendo nossos primeiros registros fotográficos das paisagens dos contrafortes serranos.

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As 6:50h estavamos passando por Atibaia, e logo em seguida, pela placa que indica a divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Chegamos a simpática Camanducaia as 7:40, cidadezinha com cerca de 21.074 habitantes (segundo dados do IBGE), que ainda dormira. Mas nossa passagem por ali seria breve, e es que 10 minutos depois já nos encontravamos na vicinal que liga Camanducaia a Monte Verde. As 8:35 após ziguezaguear de um lado para o outro durante a subidona da Serra da Mantiqueira, chegamos ao portal de Monte Verde, vilarejo situado ao vale do alto da Serra da Mantiquera a 1.600 metros de altitude.

A cidade mal despertara da noite que fora para lá de gelada, qdo sem perder tempo, seguimos direto em direção ao nosso destino, que é a entrada para a trilha para o pico da Onça. Deixamos o carro em uma ruazinha a poucos quarteirões da trilha e fomos em busca da entrada da picada propriamente dito. As infos iniciais que dispunha é que a dita picada partira do final da "Rua Taurus" a partir da porteira de uma tal de "Missões Horizontes". Pergunta aqui, ali, acolá e após 30 minutos de tempo perdido, localizamos a tal "Rua Taurus".

Em uma ruazinha toda detonada e emlameada, segundo uma das infos, fomos seguindo no caminho indicado por um morador,qdo o silêncio e a atenção para não enfiar os pés nos trechos enlameados da precária estrada de terra foi quebrado quase como um susto, por conta de um cãozinho solitário que passou a latir a nossa passagem.

Caímos na rua e seguimos por ela até finalmente alcançamos a porteira da tal "Missões Horizontes" as 9:40, após o "labirinto" de ruelas sem placa ou indicação alguma dos nomes das ruas. Na lateral da propriedade, partia uma picada a direita da porteira, onde seguimos reto, deixando passar batido a bifurcação a esquerda que mergulhava na floresta de pinheirais.

Após 10 minutos de subida, chegamos a uma outra porteira, onde um aviso nos alertara sobre ser proibido a entrada e que para os que assim insistirem em desrespeitar, cães bravos estariam na moita, prontos para botar para correr qualquer invasor que ali tentar se embrenhar sem autorização. Bom, não era por ali, então voltamos e continuamos fuçando nas margens a fim de encontrar a suposta picada que nos passou batido. Algumas trilhas discretas foram vistas e eu resolvi adentrar em algumas delas a fim de explorar e ver qual delas era a correta, em vão.

Fuça aqui, explora ali, acolá até que que ao retornar próximo da porteira,es que finalmente encontramos a dita picada que nos passou desapercebido a esquerda. Até que enfim, após quase 1 hora depois que sairmos do carro, encontramos o inicio da supraciada vereda as 9:55. Após 5 minutos, chegamos a uma clareira com uma pequena porteira e placas que nos alertara que ali era propriedade particular da "Melhoramentos" e uma bifurcação.

Como as infos ditas para nós não dizia nada sobre uma bifurcação, fomos pela bifurcação a direita que bordejava a cerca da propriedade, enquanto a outra adentrava pela porteira e seguia reto. Bem, vamos fuçar, se não for essa, voltamos e pegamos a outra. A dita picada seguia em nível, acompanhando a cerca da propriedade e ia bem aberta. Logo, chegamos a uma bifurcação, onde novamente tivemos que escolher a qual delas seguir, então optei por continuar na principal, ignorando a bifurcação da esquerda.

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Entrada da trilha pela porteira da propriedade da "Melhoramentos" logo após entrar a direita na trilha ao lado da "Missões horizontes".

Após mais alguns minutos, cruzamos com outra bifurcação a esquerda. Ao perceber que ela ia na suposta "direção desejada", es que abandonamos a picada principal em favor da trilha a esquerda, onde seguimos reto ignorando outras 2 bifurcações, uma a direita e outra a esquerda. Cruzamos um pequeno rio e a picada virava a direita, subindo suavelmente para logo chegar a uma cerca de limite de propriedade, fazendo uma espécie de retorno até cair novamente no rio mais abaixo.

Novamente cruzamos o rio e a dita picada terminou em outra trilha, na qual reconheci na hora, por ter passado por ali cerca de 10 minutos atrás.Após esperar o restante do pessoal chegar, alerto que o caminho não é por aqui, pois a picada apenas deu uma volta e caiu no mesmo lugar. Provavelmente era apenas para manutenção das cercas. Retornamos para a principal e seguimos em frente. As 10:55, chegamos a uma área enorme, uma mistura de sitio com pousada.

A grama do local estava toda bem capinada, com destaque as várias folhas das árvores caídas no chão, o que lembrava muito os cenários de outono dos países de clima temperado. Ao fundo, havia 2 casas onde cheguei mais próximo e bati palmas, mas ninguém apareceu.

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Nas cidades do alto da serra da Mantiqueira, por conta do clima mais frio, nessa época do ano, as folhas das árvores de parte da vegetação muda de cor, ficando amarela e vermelha, depois caindo, formando um belo cenário outonal, que lembra muito os velhos cartões postais europeus.

Segui adiante até chegar nos limites laterais da propriedade afim de encontrar a continuação da picada. Mas só encontrei mesmo uma que poderia ser a continuação da trilha, pois estava bem aberta e marcada.
Cheguei a conclusão que a bifurcação a direita era só caminho até o tal sítio com cara de pousada, então retornamos pela outra trilha até que ela caiu na bifurcação a esquerda que seguimos anteriormente (e que dava no rio).

Em algumas frestas na mata, se avistava os enormes rochedos do Pico da Onça lá no alto dos seus quase 2.000 metros de altitude. Mas como não era o caminho, retornamos até o inicio.

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Vista de um dos picos da trilha

De volta ao inicio, es que as 11:20, adentramos a outra trilha que foi ignorada no começo. Não tardou e logo a picada mergulha na floresta, atravessa um riacho e embica de vez numa subida meio forte que fez a galera andar em ritmo de tartaruga com muletas. Após um breve pit stop para recuperar o fôlego a pedido da Ana Paula, retormamos a pernada e seguimos em frente. A picada dava algumas voltas, enquanto subia uma crista da serra, em meio a uma floresta cheia de pinheiros e araucárias, espécies comuns em regiões de clima mais frio ou de altitude elevada.

Nesse meio termo, com o corpo aquecido, acabei disparando na frente, parando algumas vezes para aguardar o pessoal me alcançar. Numa dessas paradas, aproveitava para contemplar os raios solares iluminando o interior da floresta e imaginando como deveria estar a visão lá do topo. Cruzamos com alguns turistas que estavam retornando do Pico da onça, na qual acenamos e cumprimentamos cordialmente. Passamos por alguns trechos onde troncos e galhos caídos foram alguns obstáculos que retardaram nosso avanço, ora tendo que passar por cima, ora contornar pelo lado.

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Trilha para o Pico da Onça e também da Travessia SFX x Monte Verde segue bem larga e definida em toda sua extensão

Mais acima, a trilha fica um pouco mais estreita e logo mergulha em túneis de voçorocas de bambus e pinheirinhos, nos obrigando a agachar em alguns trechos, afim de evitar que as mesmas se enrosquem nas mochilas ou arranhem nossos rostos. Depois de ziguezaguear pelos "tuneis de taquarinhas", a picada nivela e passa a cruzar um trecho de encosta serrana a esquerda, permitindo algumas visões da imponente rocha do Pico da Onça totalmente livre de qualquer vestígio de nebulosidade.

As 12:25 chegamos ao belíssimo trecho do "Bosque dos Duendes", onde o cenário da floresta muda e lembra muito as cenas do filme "A Bruxa de Blair". Após deixarmos o bosque, em menos de 10 minutos, passamos um marco divisor dos estados de SP e MG, que indica que estavamos em terras paulistas. Assim que passamos o marco divisor de estados, chegamos a bifurcação onde as 2 trilhas (a que vem de São Francisco Xavier e de Monte Verde) se encontram.

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Trecho do Bosque dos Duendes

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Ignoramos a bifurcação a esquerda (que desce até a Fazenda Monte Verde em SFX) em favor da picada a direita, que segue até o Pico da Onça. A trilha volta a subir forte, agora pela crista serrana em linha semi-reta, onde ganhamos altitude rapidamente. Após esse trecho, a trilha vira a esquerda e fica mais íngreme, mas que dura pouco tempo. Ao passar por uma enorme rocha a esquerda, abandonamos temporariamente a picada principal em favor de uma discreta e curta trilha a esquerda que levava até um pequeno mirante no alto da enorme rocha, onde pudemos contemplar as primeiras vistas do alto da serra. Vista essa que deixou o Cristiano radiante.

Mari, Ana Paula e Gustavo haviam ficado para trás, então eu e o Cristiano resolvermos espera-los lá no topo. Após alguns cliques, voltamos para a trilha principal e chegamos ao Pico da Onça as 12:55, onde segui direto para a bifurcação ao lado de uma das rochas onde se localiza o livro do cume. Mari chegou minutos depois e a Ana Paula e Gustavo cerca de 10 minutos depois.

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O pico, com o livro do cume

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A vista de outro ponto do alto do pico da Onça (com SFX lá embaixo e SJC ao fundo)

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Pico da Pedra Bonita a frente

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Como já estivera ali na semana anterior com outra galera, porém não havia visto muita coisa por conta da nebulosidade que pairou sobre o cume a maior parte do tempo, me fartei de fotos de todos os trechos de mirante no pico. A chegada ao cume é no geral, um tradicional pit-stop obrigatório, obviamente. Então mandei ver nos lanches e bebidas, afim de forrar o estomago e molhar a goela seca. Depois, me pus a relaxar os músculos, já que ao contrário da trip anterior, a aventura não terminara ali e ainda tinha chão pela frente até chegar a Pedra Partida.

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Visão de tirar o fôlego....

Após a contemplação do local, descançados e revigorados, além da galera deixar seus nomes no livro do cume, es que as 13:40h damos adeus ao Pico da Onça e adentramos a continuação da picada que mergulhava na mata em direção a Pedra Bonita. A picada descia suavelmente a crista do alto da serra em curtos ziguezagues, passando por alguns troncos caídos. As 13:50 passamos por uma clareira grande no meio do vale entre os picos da onça e pedra bonita, onde cabia pelo menos umas 3 barracas do tipo "iglu" com folga.

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Chegando a Pedra Bonita

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O Paredão da Pedra bonita

A partir desse trecho, a picada embica para cima e passa a subir forte a encosta da Pedra Bonita. Ao passar no meio de 2 enormes rochedos a esquerda, onde fomos obrigados a passar quase engatinhando, a picada vira a direita e nos deixa nos enormes rochedos da parte baixa do sopé da Pedra bonita, onde foi necessário o auxilio das mãos afim de permitir uma escalada mais segura nas rochas.

Enfim, as 14:10h, atingimos o topo da Pedra Bonita, onde todos puderam contemplar uma visão ainda mais bela e impressionante do vale do Paraíba. E claro, nova pausa para cliques e apreciação do local, obviamente. Não deixa de impressionar. Do topo da Pedra Bonita, se tem vistas ainda mas impressionantes que o do Pico da Onça. Lá embaixo, do lado paulista, se avista SFX bem pequena. Ao fundo, SJC e outras cidades do vale do paraíba parecem estar um pouco mais próximas e são mais visiveis. Já da ponta oeste, noroeste e norte, se avista Joanópolis e os imponentes Picos do Selado mais ao fundo. E de frente, os picos da Pedra Redonda e Partida.

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Uma das belas visões do Pico da Pedra Bonita

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Serra do selado

Enquanto estavamos descançando, avistamos alguns turistas no topo da Pedra Partida, que pareciam olhar com espanto em nossa direção, curiosos em saber como chegamos até ali, já que daquele ponto não há continuação de trilha. O pico da Pedra Bonita só é acessível para quem se dispõe a andar por no mínimo 2 horas em trilha, independente de onde decidir entrar. Seja pela trilha que vem de SFX ou a de Monte Verde. Ou então, descer a partir da Pedra Partida, encarando o vara-mato em meio as enormes voçorocas de taquarinhas e pinheirais.

Donos absolutos daquele enorme, extenso e belíssimo mirante rochoso, nos pusemos a fazer mais um pit stop, na qual aproveitei para tirar um rápido cochilo e relaxar os músculos para o trecho final até a Pedra Partida. De acordo com infos, embora curto, não haveria trilha, então esse trecho de interligação entre a Pedra Bonita e Partida, seria feito na base do vara-mato mesmo, onde seria necessário o uso da bússola. Marquei a direção com ela e após todos estarem descançados e preparados para o "perrenguinho", es que as 15:00h em ponto, demos as costas ao enorme rochedo da Pedra Bonita.

Retornamos um pouco até o trecho inicial onde a trilha que vem da Pico da Onça terminava, afim de encontrar um ponto onde fosse possível desescalaminhar as rochas de forma segura e que for possível acessar o vale entre os 2 picos, na qual seguiríamos em direção a Pedra Partida. Porém, para a nossa surpresa, encontrei uma discreta picada que margeava a parte baixa da rocha e adentrava na mata na direção desejada. Não pensei 2 vezes e fui por ela.

A mesma tinha sinais de ter sido aberta faz pouco tempo, o que permitiu um avanço mais rápido do que o previsto, embora pelas infos que tinha, mesmo sem trilha, era visível que seria fácil esse trecho de vara-mato, por conta da vegetação ser bem espaçada entre si na maior parte do trecho de crista.

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Trecho de vara-mato, com a vegetação ainda bem espaçada...

Porém, com a trilha, foi ainda mais rápido e em 15 minutos, já havíamos cruzado o trecho de vale e estávamos subindo a encosta serrana da Pedra Partida. As vezes a picada sumia, mas nada que um bom farejo de trilha não resolva e logo a reencontrávamos mais a frente. Cruzamos com algumas discretas bifurcações que ignoramos, pois o sentido era óbvio, sempre a noroeste. Em um trecho, a picada virou para norte e ai começou a descer, saindo do alto da crista.

Então, vendo que a trilha estava seguindo muito para a direita, demos de cara com uma outra bifurcação a esquerda que ia na direção desejada. Com isso abandonamos a picada que estávamos em favor da discreta bifurcação a esquerda, que permitiu continuar subindo boa parte da encosta serrana da Pedra Partida em linha reta, sem grandes dificuldades.

Porém, mais a frente, a mata foi ficando mais densa e fechada. A picada logo sumiu, nos obrigando a varar-mato, onde enormes voçorocas de taquarinhas, troncos e outros cheios de espinhos literalmente travou nosso avanço de vez, tendo que engatinhar, se arrastar e agarrar em tudo que foi possível, como raízes, troncos e o que mais estiver disponível afim de conseguir ganhar altitude e os patamares seguintes.

A medida que íamos nos aproximando do sopé da Pedra Partida, o terreno foi ficando cada mais íngreme, o que aliado as voçorocas de taquarinhas e a mata muito fechada e densa, praticamente a cada passo que se dava para frente, voltava de 2 a 3 para trás. Então, o trecho foi vencido a base de escalaminhada com vara-mato nervoso que parecia interminável. Como estava na frente, fui abrindo a mata para que os demais possam passar com menos dificuldades.

Ali era o trecho final, o gps do Gustavo marcava quase 2.000 metros de altitude e nas frestas da mata se avistava o topo da Pedra Bonita já no nivel abaixo da onde estávamos, sinal que o topo estava bem próximo e que a qualquer momento, iríamos dar de cara com o enorme rochedo da Pedra partida. Porém, enquanto isso não acontecia, da-lhe escalaminhada piramba acima. Galera tava um pouco estressada, mas ao mesmo tempo, brincávamos com o perrengue.....

Enquanto isso, começava a achar estranho estar demorando um pouco para chegar ao sopé da Pedra, já que embora se arrastando, estávamos ganhando altitude. A direção da bússola estava correta, a Pedra Bonita estava bem atrás em linha reta, o que me fez supor que praticamente segui em linha reta o tempo todo.
Então comecei a cogitar que iria dar de cara mesmo é com a trilha, assim que o terreno nivelasse e alcançasse o topo.

E não deu outra: qdo alcançamos o topo,o terreno nivelou e ficou reto. E assim visualizei logo a frente, a trilha a poucos metros de onde eu estava, com a enorme rocha da Pedra Partida ao lado direito. Mas a ideia inicial era chegar mesmo nos rochedos dos patamares inferiores da pedra partida, a cerca de 10 a 20 metros abaixo do cume, terminando a subida num simples e curto "trepa-pedra" afim de evitar o trecho mais íngreme e de mato mais denso, onde as enormes voçorocas de taquarinhas estavam quase impossíveis de serem vencidas.

Mas tudo bem, acabamos que pulando a parte do trepa-pedra e o objetivo foi alcançado, embora de uma forma um pouco mais complicada e demorada. Assim, as 16:15 chegamos ao cume da Pedra Partida, onde a galera ficou para lá de radiante com a visu de tirar o fôlego do alto dos 2.045 metros de altitude (segundo o gps do Gustavo) da dita cuja, que nos brindou com uma visão em 360 graus de todo o trajeto percorrido, assim como o Chapéu do bispo lá embaixo cheia de turistas. A visão da Pedra Bonita iluminada pelo sol e o imponente pico do Selado eram um colírio para os olhos.

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Galera no topo...

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A belíssima vista do alto da Pico da Pedra Partida, com o Pico do Selado bem ao fundo em destaque

Com isso, a travessia entre os Picos da Onça e Partida estava concluída, embora o trecho de vara-mato entre os picos da Pedra Bonita e Partida ter sido facil e curto (exceto pelo trecho final), só não foi da forma como eu pretendia, porque ao invés de desviar pelo sopé dos rochedos inferiores da Pedra, acabei subindo em linha reta mesmo, caindo exatamente no final da trilha.

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Todo o trecho da travessia percorrido.

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Pedra Bonita vista do alto da Pedra Partida

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Visões que vale qualquer esforço!

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Após a galera se fartar de fotos ali, o vento gelado de fim de tarde, anunciava que a temperatura estava caindo rapidamente e que nos mandássemos dali logo. E assim, as 17:00hs, retomamos a pernada de volta para Monte Verde, onde vimos o Astro-rei repousando no horizonte no meio da descida da trilha. A travessia estava concluída, mas não a trilha, pois ainda teríamos que desescalaminhar e ziguezaguear todo o trecho da trilha abaixo até o estacionamento.

Passamos batido pela bifurcação da trilha que vai para a Pedra redonda e seguimos em frente, até que as 17:45 finalmente chegamos no "Portal" e o estacionamento, onde ainda havia vários carros estacionados. Ou seja, ainda havia alguns turistas loucos indo para algum dos picos.

O pico das Pedras redonda, Partida, Chapéu do Bispo e selado são pontos turísticos tradicionais daqueles que vão a Monte Verde, assim como o complexo do Baú para quem vai a Campos do Jordão. Pelo menos havia estrutura no local, instalaram vários cestos de lixo (que se encontravam cheios de lixo)e não havia quase nenhum vestigio de sujeira na trilha. Passamos batido pela entrada das trilhas para o Chapéu do Bispo e Pico do Selado. E em seguida, o famoso "Star Bar", o bar mais alto do Brasil que fica a cerca de 1.850m de altitude. Mas que já se encontrava fechado, infelizmente.

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Passando pelo Star Bar

Como deixamos o carro próximo a entrada da trilha do Pico da Onça, andamos por quase 2 km pelas ruelas da cidade com muita descontração e observando o belo céu super estrelado, coisa que aqui em SP por conta da poluição não se vê, descendo cerca de de 400 metros pela estrada de acesso ao "Starbar" e as trilhas para os picos. Até que finalmente as 19:10hs alcançamos o carro e zarpamos dali de volta a Sampa, mas não sem antes passar numa espécie de bar e lojinha de venda de doces caseiros para comer algo e tomar um delicioso chocolate quente a lá "montanhês".

Afinal, o frio estava intenso, os termômetros estavam marcando 08 graus e nada que um bom chocolate quente para esquentar o corpo. Cheguei em Sampa somente após as 22:00hs, com o corpo meio dolorido, um ou outro corte nas mãos (dessa vez não fiquei todo ralado, não sei como) e um pouco de dor no corpo, o que é básico. Depois de um bom banho e uma boa noite de sono, no dia seguinte já estava pronto para outra, exceto pelos quase 3 kg perdidos nessa travessia.

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Suplementos alimentares? Alimentos dietéticos? Diet shake? Herbalife? Bullshit, quer emagrecer e ganhar resistência física e imunológica? Faça trilhas e se alimente bem. Além de evitar o sedentarismo, não terá custo algum a não ser alimentação e o transporte. E ainda será recompensado com belíssimas paisagens a cada trilha, sem necessidade de gastar fortunas com produtos que prometem milagres. Experiência própria. =)
Editado pela última vez por Renato37 em 31 Mar 2015, 15:31, em um total de 1 vez.

#849334 por Fabricio Reis
11 Jun 2013, 13:44
Belo Renato!!

Me diz uma coisa, após a Pedra Bonita, vc já azimutou e tocou para a Pedra Partida? OU vc retornou no sope da Pedra Bonita e entrou em uma trilha a esquerda que sai em uma clareira (chamada de graminha), onde tem água?

Já estive estive até esse ponto depois de descer da Pedra Bonita, mas como o tempo estava muito fechado não havia referencia para azimutar, então preferimos volta.

Abrss
#849668 por Renato37
12 Jun 2013, 09:28
FRANCISCO CARDOSO escreveu:Show de bola heim Renato?
Fotos e visuais espetaculares...
Parabéns pela aventura, gostei muito!
Abs


Valeu Francisco, o lugar é de fato show de bola e além dos picos, ainda tem o simpático bosque dos Duendes que é outro atrativo a parte de impressionar. ::otemo::

Fabricio Reis escreveu:Belo Renato!!

Me diz uma coisa, após a Pedra Bonita, vc já azimutou e tocou para a Pedra Partida? OU vc retornou no sope da Pedra Bonita e entrou em uma trilha a esquerda que sai em uma clareira (chamada de graminha), onde tem água?

Já estive até esse ponto depois de descer da Pedra Bonita, mas como o tempo estava muito fechado não havia referencia para azimutar, então preferimos volta.

Abrss


Fabricio, qdo estava descançando no alto do rochedo da Pedra Bonita (a que aparece na foto tirada do topo da Pedra Partida), com o tempo bom e o topo da Pedra Bonita bem visivel a frente, apenas apontei a bússola em direção a Pedra Partida. A direção é a Noroeste, não tem erro. Siga sempre pela crista sem deixar cair pelas laterais dela no vale e não tem erro. Automaticamente, por conta de procurar um trecho na rocha onde seja possivel desescalaminhar até cair na mata do vale, você vai encontrar uma discreta picada que mergulha na mata e segue na direção desejada. Seguindo em parte por ela, vc já vai estar indo na direção da Pedra Partida. Mas cuidado com as voçorocas de taquarinhas, elas são terriveis e qdo você está bem perto do sopé da pedra, elas ficam tão densas que se você não tiver um facão para abrir caminho (como foi o meu caso), terá que rasgar no peito mesmo....Esse trecho curto me tomou quase meia hora.

Tirando isso, essa curta travessia foi bem facil.....Só não perca o sentido da Bussola: Sempre a Noroeste. Se estiver tempo bom, você verá, ao meio das frestas da mata, o enorme rochedo da Pedra Partida bem acima e outra referência é a Pedra Bonita estar bem atrás, em linha reta. :)

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