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Trilhas em Bariloche: opções vão de caminhadas curtas a travessias de vários dias

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Destino argentino reúne percursos por bosques, lagos, vales e montanhas, mas condições climáticas e exigências de cada trilha devem ser verificadas antes da saída

Bariloche não se resume à neve ou às paisagens observadas dos mirantes. A cidade argentina também serve como ponto de partida para uma extensa rede de trilhas, com alternativas que vão de caminhadas curtas e de baixa dificuldade a travessias de vários dias pela Cordilheira dos Andes.

Há percursos para quem está começando no trekking, roteiros que ocupam praticamente um dia inteiro e itinerários destinados somente a pessoas com experiência em ambientes de montanha. Algumas opções incluem pernoite em refúgios ou campings, enquanto as mais exigentes requerem equipamentos técnicos e acompanhamento especializado.

A escolha, portanto, não deve considerar apenas a beleza da paisagem. Distância, desnível, condições meteorológicas, horas de luz e preparo físico fazem diferença — e uma trilha considerada acessível no verão pode apresentar riscos bem maiores durante os meses frios.

Bariloche pode ser visitada durante o ano todo

A temporada de neve costuma ser o período mais conhecido de Bariloche, mas a cidade recebe visitantes durante as quatro estações. O que muda são as paisagens, as atividades disponíveis e, principalmente, as condições encontradas nas trilhas.

De maneira geral, a temporada de neve vai de junho ao fim de setembro. A abertura e o encerramento das pistas, no entanto, dependem do volume de neve, da operação dos meios de elevação e das condições meteorológicas.

Em 2026, o Cerro Catedral anunciou a extensão da temporada até 12 de outubro. Isso não garante que todas as pistas e atividades estejam disponíveis até a data: o funcionamento deve ser consultado diariamente.

Para quem pretende combinar a viagem com trekking, cada estação oferece vantagens e exige cuidados diferentes.

Verão: melhor época para as travessias longas

Entre dezembro e março, os dias mais longos e a redução da neve em muitos setores favorecem caminhadas de maior duração, acessos aos refúgios e travessias de vários dias.

É nessa época que roteiros como o Paso de las Nubes e o caminho até o Refúgio Frey costumam ter sua janela mais indicada. O verão também facilita o planejamento de percursos de ida e volta no mesmo dia, pois há mais horas de luz.

Ainda assim, verão na Patagônia não significa tempo estável. Pode haver vento forte, chuva, queda repentina de temperatura e até neve em áreas elevadas. Protetor solar, agasalho e camada impermeável continuam necessários.

Outono: bosques coloridos e trilhas mais tranquilas

No outono, as folhas dos bosques ganham tons amarelos, alaranjados e avermelhados, modificando completamente a paisagem. É uma época interessante para caminhadas mais curtas e para quem prefere visitar a região fora do período mais movimentado do verão e do auge da temporada de esqui.

Em contrapartida, os dias ficam progressivamente mais curtos e as temperaturas começam a cair. Gelo e neve podem aparecer nas áreas mais altas, sobretudo à medida que o inverno se aproxima.

Nesse período, vale priorizar trilhas de baixa ou média dificuldade que estejam oficialmente habilitadas. Travessias longas e acessos a refúgios precisam ser avaliados de acordo com as condições do momento, não apenas com a descrição habitual do percurso.

Inverno: trekking muda de característica

Entre junho e setembro, Bariloche entra em sua principal temporada de neve. É o período mais procurado para esqui, snowboard e outras atividades de inverno.

Nas trilhas, porém, a presença de neve e gelo pode encobrir a sinalização, dificultar a orientação e aumentar significativamente o tempo de deslocamento. Caminhos classificados como de dificuldade média no verão podem se tornar de alta dificuldade durante o inverno.

Isso não significa que seja impossível caminhar. Há passeios com raquetes de neve e circuitos invernais específicos, alguns deles acompanhados por guias. A vantagem é observar bosques e montanhas sob uma paisagem completamente diferente daquela encontrada no verão.

O viajante não deve, contudo, entrar em uma trilha convencional supondo que encontrará as mesmas condições da estação quente. É preciso verificar se o percurso está habilitado, usar equipamento adequado e, quando recomendado, contratar guia especializado.

Primavera: transição entre neve e trilhas abertas

A primavera começa com possibilidade de neve acumulada nas montanhas, mesmo quando as temperaturas já estão mais agradáveis no centro de Bariloche. Em alguns anos, atividades de inverno ainda podem funcionar durante parte de outubro.

Com o avanço da estação, os dias ficam mais longos e diferentes trilhas voltam a apresentar condições favoráveis. A paisagem também passa pela transição entre as montanhas nevadas e o verde dos bosques.

O degelo, entretanto, pode deixar o terreno enlameado, elevar o nível dos cursos d’água e tornar algumas travessias mais difíceis. Nas áreas altas, ainda pode haver neve ou gelo durante boa parte da primavera.

Por isso, setembro, outubro e novembro não devem ser tratados automaticamente como meses de condições equivalentes às do verão. Antes de escolher uma trilha, é necessário consultar o estado atualizado do percurso.

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Área do Refúgio Frey | Foto: Mazzocchi Emilia/Unsplash.

Caminhadas curtas no Parque Municipal Llao Llao

Para quem busca uma caminhada mais leve, o Parque Municipal Llao Llao concentra algumas das opções mais acessíveis de Bariloche.

O caminho até o Lago Escondido leva aproximadamente 20 minutos por trecho e atravessa um bosque de coihues. O passeio pode ser combinado com outros pontos da região, como a Bahía de los Troncos e a Puente Romano.

Outra possibilidade é seguir até o mirante do Cerro Llao Llao. O percurso tem trechos de subida, mas é classificado como de baixa dificuldade pelo site oficial de turismo da cidade. A caminhada pode ser combinada com Villa Tacul, área às margens do Lago Nahuel Huapi. Dependendo do trecho escolhido, o tempo estimado varia de 50 minutos a 1h20.

Embora sejam opções mais simples, isso não dispensa calçado adequado, água e consulta prévia às condições dos caminhos.

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Foto: Lucas Todeschini/Unsplash.

Bahía López é opção para quem está começando

A trilha de Bahía López também aparece entre as recomendações para iniciantes. O percurso tem baixa dificuldade e duração aproximada de 1h30.

Ao longo do caminho, o visitante encontra vistas para o Brazo de la Tristeza, a própria Bahía López e a encosta do Cerro Capilla. O início fica próximo ao estacionamento do Hotel Alun Nehuen, no Circuito Chico.

É uma alternativa para quem deseja caminhar por mais tempo, mas ainda não pretende encarar grandes desníveis ou passar a noite na montanha.

Refúgio Frey exige um dia bem planejado

Entre as trilhas em Bariloche mais conhecidas está o caminho entre a base do Cerro Catedral e o Refúgio Emilio Frey, localizado junto à Laguna Toncek.

Segundo o Parque Nacional Nahuel Huapi, são aproximadamente 9 quilômetros por trecho, 700 metros de desnível e de quatro a cinco horas de caminhada somente na ida. O período recomendado para a visita vai de dezembro a março.

Nos quilômetros finais, a subida se torna mais acentuada e passa por terreno rochoso, com maior exposição ao sol. Quem pretende fazer ida e volta no mesmo dia precisa considerar o tempo total de caminhada, o próprio ritmo e as horas de luz disponíveis.

Também é possível pernoitar no Refúgio Frey ou utilizar a área de camping. As duas opções devem ser reservadas antecipadamente pelo site oficial do refúgio. As vagas são disponibilizadas apenas para os sete dias seguintes. No caso do pernoite, é necessário levar saco de dormir (temos um artigo falando sobre o melhor saco de dormir, caso você precise de um), e parte do pagamento deve ser feita em dinheiro no próprio refúgio.

👀 A reserva da hospedagem ou do camping não substitui o Registro de Trekking exigido pelo Parque Nacional Nahuel Huapi. São dois procedimentos diferentes.

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Área do Refúgio Frey | Foto: Jeremias Thomas/Divulgação Emprotur.

Laguna Negra combina bosque, subida e pernoite

Outra trilha bastante procurada parte de Colonia Suiza e segue pelo vale do Arroyo Goye até o Refúgio Italia Manfredo Segre, às margens da Laguna Negra.

O percurso tem cerca de 11 quilômetros por trecho, 800 metros de desnível e exige aproximadamente cinco a seis horas de caminhada na ida. Grande parte do caminho atravessa o bosque, mas o trecho final apresenta uma subida mais intensa.

O Parque Nacional Nahuel Huapi recomenda realizar a visita entre dezembro e abril. Quem pretende dormir na montanha deve reservar previamente o refúgio ou a área de camping.

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Cena da exuberante beleza do Parque Nacional Nahuel Huapi | Foto: Florian Deléen/Unsplash.

Quatro Refúgios: travessia para pessoas experientes

A Travesía de los Cuatro Refugios conecta Frey, Jakob, Laguna Negra e López. Classificado como de alta dificuldade, o roteiro costuma durar entre quatro e cinco dias, com jornadas de quatro a nove horas de caminhada.

O caminho combina fortes desníveis, trechos técnicos e terrenos variados. Apesar de os refúgios ajudarem na organização dos pernoites e das refeições, a travessia requer bom condicionamento físico, experiência e planejamento detalhado.

Também é possível fazer apenas algumas etapas, mas isso não significa que os trechos isolados sejam simples. As condições de acesso, as reservas e a situação de cada caminho precisam ser verificadas antes da viagem.

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Refúgio López | Foto: Chiwi Giambirtone/Divulgação Emprotur.

Cinco Lagunas amplia o desafio

A Travesía de las Cinco Lagunas é outra alternativa para quem procura um roteiro de vários dias. O itinerário passa por áreas remotas da cordilheira e inclui lagunas, vales, bosques e trechos de montanha com pouca infraestrutura.

É um percurso exigente, indicado para pessoas com experiência, autonomia e preparo físico compatível com longas jornadas. O planejamento deve considerar navegação, alimentação, abrigo, mudanças repentinas no clima e formas de comunicação em áreas sem sinal de celular.

Paso de las Nubes une caminhada e navegação

Na região do Cerro Tronador, a travessia conhecida como Paso de las Nubes conecta Pampa Linda ao Refúgio Agostino Rocca e segue, no segundo dia, em direção ao Lago Frías.

O roteiro completo tem cerca de 26 quilômetros e precisa ser dividido em duas jornadas. O primeiro trecho, de Pampa Linda ao refúgio, leva entre quatro e seis horas. No dia seguinte, são necessárias aproximadamente seis a sete horas para chegar à região de Puerto Frías.

Além de reservar o pernoite no Refúgio Rocca, o visitante deve comprar antecipadamente o transporte lacustre para retornar a Bariloche. Depois do início da caminhada, pode não haver sinal para entrar em contato com o refúgio ou com a empresa de navegação.

O parque recomenda a realização da travessia entre dezembro e março.

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Ventisquero Negro na base do Cerro Tronador, no Parque Nacional Nahuel Huapi | Foto: Sebastián Agarrayúa/Unsplash.

Huella Andina permite percorrer trechos independentes

Bariloche e seus arredores também são atravessados por setores da Huella Andina, trilha de longa distância que percorre a Patagônia Norte.

O caminho completo se estende por diferentes parques nacionais e localidades, mas não é necessário realizá-lo de uma só vez. O viajante pode escolher etapas independentes de acordo com o tempo disponível, a dificuldade e as condições de acesso.

Como os trechos apresentam características distintas, é importante pesquisar cada setor separadamente e não presumir que toda a rota tenha o mesmo nível de dificuldade ou infraestrutura.

Travessia pelo Glaciar Alerce é de dificuldade extrema

Entre os percursos de maior exigência está a ligação entre os refúgios Otto Meiling e Agostino Rocca pelo Glaciar Alerce.

O trecho inclui travessia sobre gelo e demanda conhecimentos técnicos, equipamentos específicos e acompanhamento de guia de montanha habilitado. Não se trata de um trekking convencional nem de uma opção para quem deseja experimentar uma atividade de montanha pela primeira vez.

Mesmo pessoas experientes devem consultar as condições atualizadas, pois o estado do glaciar, a presença de neve e as mudanças meteorológicas interferem diretamente na segurança e na viabilidade do percurso.

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Vista fascinante de uma avalanche de neve no Cerro Tronador | Foto: Lucas Leonel Suárez/Pexels.

Registro de trekking é obrigatório no Parque Nacional Nahuel Huapi

Antes de iniciar uma trilha dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, o visitante deve preencher o Registro de Trekking. O cadastro é gratuito, feito por grupo e permite informar às autoridades qual será o percurso e quando os participantes pretendem retornar.

O registro, no entanto, não substitui o planejamento. É necessário verificar se a trilha está aberta e habilitada, consultar a previsão do tempo e considerar distância, desnível, dificuldade, condição do terreno e horas de luz.

Bariloche também mantém uma plataforma on-line com informações para quem pretende fazer trekking. A ferramenta reúne percursos, mapas e características de diferentes caminhos, mas as orientações mais recentes do Parque Nacional devem ser consultadas novamente próximo à data da atividade.

Para travessias com pernoite, é preciso confirmar as regras e a disponibilidade dos refúgios, campings ou áreas habilitadas. Reservar uma cama no refúgio também não elimina a necessidade de levar roupas e equipamentos adequados às condições de montanha.

O que verificar antes de escolher uma trilha em Bariloche

Antes de sair, confira:

  • se o percurso está aberto e habilitado;
  • a previsão do tempo para toda a duração da atividade;
  • distância, desnível e tempo estimado de caminhada;
  • horário do pôr do sol e quantidade de luz disponível;
  • necessidade de registro, reserva ou guia habilitado;
  • disponibilidade de água ao longo do caminho;
  • roupas, calçados e equipamentos necessários;
  • existência — ou não — de sinal de celular;
  • alternativas de saída em caso de mudança do tempo.

Os tempos divulgados são estimativas. Ritmo do grupo, peso da mochila, pausas, estado do terreno e condições climáticas podem prolongar bastante a caminhada.

Também vale organizar a parte documental antes de embarcar. Brasileiros que planejam visitar a região podem consultar o guia do Mochileiros.com sobre quais documentos são necessários para entrar na Argentina.

Com percursos tão diferentes, Bariloche pode ser aproveitada a pé por quem dispõe de apenas algumas horas e também por quem pretende passar vários dias na cordilheira. O importante é escolher uma trilha compatível com a própria experiência e confirmar as condições do caminho pouco antes da saída, independentemente da época do ano.

Com informações da assessoria de imprensa da Emprotur/Bariloche, do site oficial de Turismo de Bariloche, do Parque Nacional Nahuel Huapi, da Administração de Parques Nacionais da Argentina e do Cerro Catedral.

O Mochileiros.com é um blog e um fórum para viajantes independentes e mochileiros. Está online desde 1999 e foi responsável pela inclusão do verbete "Mochileiro" na Wikipédia em Português. Possui mais de 10.000 relatos de viagens publicados. Recebeu com muita honra o "Prêmio Influenciadores Digitais" nos anos de 2017, 2018 e 2020.

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