5 estilos de vida fora do esquema “viver pra pagar contas”


O estilo de vida nas grandes cidades está cada vez mais padronizado pelos excessos – de informação, de violência , de opinião, de horas trabalhadas, de lixo e bens materiais, e até mesmo quando não temos a possibilidade do consumo, sofremos com o excesso do desejo de consumir: “Trabalhamos em empregos que não gostamos, para comprar coisas que não precisamos”,  como já dizia Tyler Durden.

Até meados de 1950, menos de um terço da população mundial vivia em cidades, hoje mais da metade vive em centros urbanos e a estimativa é que essa cota atinja 70% até 2050.  Uma das consequências desse fluxo migratório, já demonstrada em diversos estudos, é a epidemia de doenças mentais e distúrbios de todos os gêneros.  Na cidade de São Paulo por exemplo,  segundo pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 3 em cada 10 pessoas sofrem de transtorno mental.

Nos últimos 10 anos, movimentos que tem por objetivo a procura de um estilo de vida fora destes padrões proliferaram pelo mundo e se mesclam, oferecendo alternativas pra quem procura outras formas de existir, dentro ou fora das grandes cidades.  Neste post reunimos alguns deles:

1 – Minimalismo

Colecione Momentos, não coisas.
Colecione Momentos, não coisas. – Foto: full-head.tumblr.com

Para alguns pode parecer contraditório falar em “minimalismo” em um país onde a maior parte da população é pobre, mas pobreza não é sinônimo de minimalismo. Tranqueiras são tranqueiras, independente de quanto elas valham e qualquer loja de R$ 1,99 é a materialização desse argumento.

Por outro lado, é obvio também que esse é um movimento que nasceu como contraponto à abundancia e ao consumo exacerbado em países mais ricos.

Os minimalistas pregam o desapego total e vivem apenas com o mínimo necessário, com objetos realmente úteis e nada mais.  É a materialização do meme “colecione momentos e não coisas” !   Obviamente, se você só gastar com o útil, além de ajudar a natureza, ainda vai sobrar grana pra viajar mais e essa parte muitos nos interessa, certo?

O movimento se popularizou com o documentário “Minimalism: A Documentary About the Important Things” disponível na Netflix e já é praticado em terras brasileiras. No Facebook há diversos grupos, um deles com mais de 35.000 membros.  Pesquisando no Google você também irá encontrar diversas páginas e notícias sobre o assunto.

2 – Vanlife

Lucas e Bia do canal “Na Estrada” – Foto: Na estrada

Vanlife“ é o termo usado pra definir o estilo de vida de quem trocou o conforto do lar, para viver a bordo de uma van adaptada. As chamadas “campervans” não são exatamente motorhomes, estão mais para Kombihomes, mas possuem o básico para uma vida nômade.  2016 foi ano em que essa pratica se popularizou ( fizemos um post especial sobre aqui) e de lá pra cá não parou de crescer, fato fácil de ser constatado pesquisando sobre o termo no Google Trends.

Quem escolhe viver assim continua trabalhando, só que na estrada.  Esse é o caso do casal mineiro Lucas Teixeira e Beatriz Gonçalves, criadores do canal do Youtube “Na Estrada“. Para bancar o nomadismo eles produzem sites e vídeos promocionais. Os americanos Corey e Emily do canal  Where’s My Office Now?,  também bancam a vida nômade desenvolvendo sites e aplicativos para web.

Clicando na tag vanlife aqui no blog do Mochileiros.com você vai encontrar dezenas de posts falando sobre o assunto.

3 – Tiny house

Uma Tiny House de 2 eixos – Foto: New Frontier Tiny Homes

Imagine uma mini casa que tenha o minimo necessário para viver uma vida confortável e que você possa mudá-la de lugar sempre que lhe bater na telha!

Essa é a base do Tiny House Movement, um movimento minimalista arquitetônico com pitadas de nomadismo que a partir de 2013 passou a ganhar popularidade em países como Canadá, Nova Zelândia e Estados Unidos.

No Brasil o movimento dá os primeiros passos e já conta com uma comunidade com 2.000 membros no Facebook. Entre os membros há pessoas como o casal gaúcho Bel Albornoz e Robson Lunardi do projeto Pés Descalços. Bel e Robson venderam a casa em SP para viver o sonho da vida nômade.  O casal possui um canal no Youtube que mostra o passo a passo da construção da sua Tiny House.

Pra saber mais sobre assunto você pode conferir a série Movimento Tiny House que estreou a pouco tempo no catálogo da Netflix. No Youtube um dos canais mais populares sobre o assunto é o Living Big In A Tiny House conduzido pelo neozelandês Bryce Langston que também possui um blog especializado em Tiny houses.

 

4 – Vida “Off -The-Grid”

Quem nunca desejou viver no meio do mato? Com o noticiário farto de absurdos, cada vez mais esse tem se tornado o sonho de muita gente.

Em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, principalmente após a crise de 2008 a vontade de ir para o mato e de ficar bem longe do caos se transformou em um movimento silencioso que tem encontrado adeptos em todo mundo: o Off the Grid.

São pessoas que viveram por muito tempo em grandes centros urbanos e decidiram fazer o caminho inverso de seus antepassados. O chamado “Back-to-the-land movement” teve início nos anos 60, mas com o advento das novas tecnologias ganhou essa “nova vertente” que  procura o isolamento da civilização sem abrir mão do wi-fi! 😀

Podemos dizer que é o bom e velho “vou morar no meio do mato” mas com pitadas de conforto, autossuficiência e tecnologia de ponta.

Com a popularização e evolução dos sistemas de energia solar e da internet via satélite isso se tornará cada vez mais possível e esse movimento de desconexão da rede provavelmente aumentará até mesmo no Brasil, onde muita gente ainda sequer conseguiu se conectar às redes de serviços públicos.  Para saber mais confira os diversos blogs e grupos no Facebook sobre o assunto.

5 – Nomadismo Digital

Foto: StockSnap / Pixabay

Se você fosse um cientista estudando uma espécie de macacos, seria muito útil elaborar um histórico para descobrir como ela surgiu e se comportou ao longo do tempo, certo?

Então você descobre que a espécie tem ao menos 300.000 anos e que em 99% deste tempo viveu como nômade, e só nos últimos 8.000 anos abandonou esse hábito.  Descobriu também que 20% destes indivíduos ainda carregam esse “gene nômade” e que esses 20% ainda sentem uma vontade incontrolável de acordar e dormir em um lugar diferente todos os dias.

Talvez você não seja cientista, mas a espécie citada somos nós, a espécie Homo Sapiens, e é verdade também que 20%  carrega o gene do nomadismo que foi recém descoberto e batizado de DRD4-7R.

Essas pessoas são como você, precisam trabalhar para pagar os boletos, o problema é que elas não se sentem completas fazendo isso plantadas em uma única cidade, apenas se deslocando de um bairro pro outro. Elas precisam “zerar o GPS”, entende?  Parece loucura, mas é mais comum do que você possa imaginar!

Se você olhar para História vai perceber que os caixeiro-viajantes por exemplo, já eram uma espécie de “nômades pré-analógicos”. Se olhar bem ao redor vai encontrar outros tipos de nômades, não tão “descolados” como os digitais, mas que ainda assim conseguem apaziguar um pouco desse “nomadismo genético”,  como é o caso dos caminhoneiros. Pergunte a um caminhoneiro se ele trocaria a profissão por outra onde ganharia mais, só que ao invés de rodar por aí, teria de ficar sentando o dia inteiro em um escritório.  Provavelmente ele vai rir da sua cara!

Seja lá qual for sua profissão,  se ela pode ser exercida apenas com um computador, independente de onde você estiver e você é do tipo que não consegue ficar parado, não aguenta repetir o mesmo trajeto todos os dias , então você é um belo candidato ao nomadismo digital.

Confira mais sobre este assunto acessando nossa tag  nômades digitais.

 


5 comentários em “5 estilos de vida fora do esquema “viver pra pagar contas””

  1. Existe mais estilo de vida com construção natural ou viver simples. O importante e desapegar do todo e viver mais. Querendo algumas dicas posso dar fiz casas do lixo vivo com trabalhos artesanais ou técnicos que máquinas não podem executar e sempre morei com água da nascente e florestas.

  2. E o meu sonho deixar de ser formiguinha da selva de pedra. Pensando seriamente no assunto,reinventar.

  3. Escolhi viver absorto na ficção. Ainda não uma imersão total, mas já desconectado das notícias (quase sempre) desastrosas do mundo exterior. Crio minha ficção, escrevendo e vivendo dentro dos contos que escrevo, das crônicas e da elaboração de um romance. No meu mundo, só penetra quem passa por minha aprovação. É uma maneira saudável de criticar e de se desligar do mundo indesejável.

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