"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Finalmente consegui terminar meu relato sobre viagem a Cartagena, San andrés, Bonaire e Curaçao. Os relatos que aqui são postados tem me ajudado bastante em minhas viagens, portanto, segue o meu......
Entre os dias 12 e 29 de junho de 2008, viajei, juntamente com minha namorada, para Cartagena e a Ilha de San Andrés, na Colômbia e para Bonaire e Curaçao, nas Antilhas Holandesas.
Planejei a viagem chegando e saindo pela Venezuela, tendo em vista que lá estivemos um ano atrás e, como já relatei anteriormente, o câmbio nos era bastante favorável, facilitando a compra das passagens aérea que necessitaríamos.
Nosso roteiro foi: Caracas-Maracaibo-Cartagena- San Andrés - Cartagena-Maracaibo-Bonaire-Curaçao-Caracas.
Chegamos a Caracas logo cedo do dia 12-06. Não compramos com antecipação nenhum dos trechos aéreos que utilizaríamos a partir da Venezuela. Ao chegar no aeroporto de Maiquetia, procuramos trocar dólares por Bolivares Fortes. Ano passado, também em junho, conseguimos fazer câmbio de 3600BS por cada dólar. Vimos relatos no mochileiros.com dizendo que em dezembro estavam pagando 5000BS por cada dólar. Portanto, fomos tranqüilos. Chegando lá, qual não foi nossa surpresa. A moeda local estava mais valorizada e não conseguimos mais do que 3000BS por cada dólar. Bom, como não íamos viajar pela Venezuela, dos males o menor. Ruim porque encareceu as passagens aéreas que compraríamos na Venezuela.
Assim, em 12-06, compramos passagem aérea, pela empresa Venezolana (recomendo), para Maracaibo, pois nosso destino inicial era a Colômbia-Cartagena. De Caracas para Cartagena são 24h de ônibus. Preferimos pegar o ônibus a partir de Maracaibo. São 12h de viagem, com direito a perder pelo menos 2 horas na travessia da fronteira. Chegando em Maracaibo, tomamos um táxi, que nos levou ao escritório da empresa de ônibus Expresso Amerlujo (f: 6532536). Esta empresa faz o trajeto para Cartagena direto, sem trocar de ônibus. O bilhete custou 140Bf por pessoa, uns US$ 50,00. Boa empresa. O ônibus já vem de Caracas e não passa no terminal de passageiros de Maracaibo. Passa no escritório, que fica longe do terminal. Portanto, resolvemos ficar, a conselho do taxista, num hotelzinho perto do escritório, pois o ônibus saia às 05:30 da madrugada. Ficamos no hotel Ejecutivo (f: 0261 7874247). É um hotel bem simples. O quarto possui ar condicionado e TV, além de banheiro privativo. É limpo, mas o problema é que também é utilizado como motel. Para dormir uma noite é suficiente (apenas uma noite – o lugar do hotel é subúrbio, meio feio, sem nada para fazer). Pagamos por ele 90BF (cerca de US$ 30,00). A viagem até Cartagena foi bem tranqüila. Paga-se uma taxa na saída da Venezuela, no valor de 45BF. Não se paga para sair da Colômbia. O ruim da Colômbia é a sua imigração, que é super burocrática. Passamos quase uma hora na fila para carimbar o passaporte.
CARTAGENA:
Chegamos em Cartagena por volta das 18h do dia 13-06. O terminal de transportes fica longe do centro e do bairro de Boca Grande, onde ficamos. Portanto, pegamos um táxi (17000 pesos – US$ 11,00) até o hotel onde ficaríamos. Ficamos hospedados no hotel Pinar Del Mar (End.: CRA 3, nº5-131. F: 6652071), no bairro turístico de Boca Grande. Pagamos 50000 pesos por noite. Um dólar compra 1600 pesos colombianos. Bom hotel. Limpo, com ar condicionado e TV, além do banheiro privado. O hotel é bem localizado. Fica ao lado de um supermercado 24 horas, onde se pode tomar café da manhã, e perto de diversos restaurantes e pizzarias. A região de Boca Grande é altamente turística. Tem a maioria dos hotéis de Cartagena. Do hotel até a Ciudad Amurallada são 10 minutos de táxi, a um custo de 5000 pesos. O centro histórico é lindo, mas achamos melhor ficar mesmo na Boca Grande. Tem mais restaurantes, mais hotéis e preços melhores.
Cartagena é uma cidade linda, inesquecível, que vale muito a pena conhecer. O ideal é no primeiro dia fazer o City Tour nas Chivas (caminhões adaptados em forma de ônibus), que dura umas 4 horas, e conhecer La Popa, o Forte de San Felipe, além de passar pelo centro histórico e conhecer uma joalheria, para quem quiser comprar esmeraldas (que não foi nosso caso). Custo do passeio foi de 25000 pesos por pessoa (depois de muito chorar com o cara da agência – tem agência que oferece o mesmo passeio por 40000 pesos, portanto, pesquisar é o melhor a fazer). Outro passeio super legal que fizemos foi conhecer a Isla Del Rosário. Custo de 40000 pesos por pessoa, com almoço incluído. Tais ilhas ficam a cerca de 40 km de cartagena. É bom ir de lancha rápida, pois assim, aproveita-se mais o passeio. Há barcos lentos, mas não vale a pena. Fomos de lancha rápida. A primeira parada foi na ilha que tem o oceanário. Lá tivemos a opção de conhecer o aquário, ou fazer snorkel. Ambos eram pagos. Optamos pelo aquário. Preço de 15000 pesos por pessoa. Muito legal. Tem tubarões lixa, arraias, golfinhos. Snorkel, faríamos muito ainda nos nossos próximos destinos. Após o oceznário, seguimos para a última parada, a playa blanca. Praia muito legal. Águas típicas do caribe, bem transparentes. Lá foi servido o almoço. O ruim dessa praia foi a quantidade enorme de vendedores. Enche o saco. Nem tomar banho em paz eles nos deixam. É bom ter certo cuidado com as coisas que ficam na areia enquanto estiver no mar. De volta a Cartagena (umas 16h), passamos o resto da tarde no centro histórico. Fica bem de frente de onde chegam as lanchas do passeio das Ilhas Del rosário. É lindo demais. Super preservado. Uma muralha de 9km protege a ciudad amurallada. Vale muito a pena conhecer. O bom é ir no final da tarde, pois o comércio ainda está aberto. À noite fecha quase tudo, ficando apenas os restaurantes abertos. Retornamos outro dia ao centro histórico para fazer o passeio de Coche (charrete). Pagamos 25000 pesos pelo passeio completo, que durou 35 minutos, passando pelos principais atrativos do centro histórico. Muito legal, principalmente para casais em lua de mel. Com certeza, o centro histórico é o ponto alto duma viagem a Cartagena.
SAN ANDRÉS:
San Andrés fica a uns 500km da costa da Colômbia, mais para América Central do que para a América do Sul. Ilha maravilhosa, tipicamente caribenha. Águas de uma cor inesquecível ( como dizem por lá: “El água de 7 colores”).
Compramos um pacote em Cartagena, incluindo hotel com café da manhã e jantar. Saiu praticamente o mesmo preço caso comprássemos apenas a passagem aérea. Procurem a agência de viagem Aviatur. Agência muito boa, séria (f: 6650101, 6650209, 6650081 – aviatur@enred.com). Lá nos preocupamos em ficar em um hotel um pouco melhor, tendo em vista que a ilha não possui água doce e apenas os hotéis melhores possuem, pois é necessário ter um desalinizador. Ficamos hospedados no hotel Tiúna, umas 3 estrelas, que tinha água quase doce. Muito bom, apesar de velho. Fica a beira mar, no centro, perto de todas as melhores lojas para compras. E por falar em compras, lá é zona franca, portanto, perfumes, eletrônicos, óculos, etc, possuem preços excelentes. Para quem não quiser comer no próprio hotel, a ilha tem alguns restaurantes e pizzarias, mas a maioria dos turistas faz pacote de meia pensão ou pensão integral. San Andrés é uma ilha de uns 7km de comprimento. Tem uma população de 70000 habitantes. Para conhecer a ilha, alugamos uma moto (uma scooter). Preço: 40000 pesos por 7 horas. Muito tranqüilo. O cara que aluga fornece um mapa da ilha. O legal é que a estrada margeia toda a costa da ilha. A ilha quase não tem praias. A mais legal que achamos fica em frente ao hotel Decameron, na parte sul da ilha. Mar lindo, de águas transparentes. Outro ponto legal para conhecer é um lugar que paga para entrar, 1000 pesos, chamado aquário. Muitos peixes e águas azuladas, transparentes. Lugar um pouco fundo. Uns 3 metros de profundidade. Lembrem, tenham sempre uma máscara em mãos. Lugares para fotos e banhos são muitos. Um outro passeio legal que fizemos foi a duas pequenas ilhas. Uma delas se chama aquário e a outra se chama ilha jonny cay. Lugares maravilhosos. Mar maravilhoso. Preço de 15000 pesos por pessoa. Sai as 09:00h e retorna as 13 ou 15 horas, você quem escolhe. Voltamos as 15 horas, lamentando. Por nós, ficávamos até as 18 horas. Bom, foi uma pena termos ficado apenas 3 dias. San Andrés valia pelo menos mais uns 2 dias.
Cartagena – Maracaibo (21-06)
Compramos a passagem no bairro da Boca Grande, no escritório da Expresso Brasília, a um custo de 115000 pesos por pessoa (mais caro que da Venezuela para a Colômbia). O bom é que não tivemos que ir ao terminal de transportes, que fica bem longe de boca grande, uns 40 minutos de táxi. A viagem foi tranqüila, mas tivemos um pouco de estresse na fronteira. Passamos quase 2 horas para carimbar o passaporte na imigração da Colômbia. Eita povo burocrático. O pior é que quando chegamos para carimbar o passaporte no lado venezuelano, tinha faltado energia elétrica e já era noite. Mas, no final deu tudo certo. Saímos de Cartagena as 08:30h e chegamos em Maracaibo as 22:00h. Acabamos ficando num hotel indicado pelo motorista do ônibus. O motorista foi muito legal. Parou o ônibus bem em frente ao hotel Milenium. Custou 150BF. E é bem melhor do que o Ejecutivo. Fica na entrada da cidade. O ônibus da expresso Brasília apenas vai até a praça El Toro (fica na entrada da cidade - de lá é necessário tomar táxi para o hotel), e de lá segue viagem para Caracas. Esta praça é meio afastada e como já era tarde, não pensamos 2 vezes antes de aceitar o hotel.
No início, tentamos ficar no centro de Maracaibo e pelo menos umas 3 pessoas não nos aconselharam, pois diziam que lá é perigoso a noite. Seguimos os conselhos. Inclusive o guia lonely planet indica alguns hotéis no centro, como o Caribe e o Montevidéu. Ninguém aconselhou. Portanto, cuidado ao ficar no centro.
No dia seguinte (domingo 22) seguimos para o aeroporto de Maracaibo, onde, anteriormente, na chegada, tínhamos comprado a passagem para Curaçao, pela Avior (http://www.aviorairlines.com), a um custo de 260BF por pessoa. O detalhe, é que além deste preço, tivemos que pagar taxas de embarque, no valor absurdo de 150BF (mais de US$ 50,00) por pessoa. Resultado, a passagem saiu (só ida) o valor de 410BF por pessoa (uns US$ 140,00). Detalhe, o vôo até Curaçao é de apenas 25 minutos.
Curaçao-Bonaire
Nosso destino, nesse dia 22 era Bonaire. Curaçao ficaria por último.
Assim, ao chegarmos em Curaçao, por volta das 12:30h, procuramos imediatamente se informar sobre vôos para Bonaire. Tinha lido anteriormente que várias companhias voam durante todo o dia para Bonaire. Assim, compramos passagem pela Insel Air, ao preço de US$ 46,00 por pessoa. Vôo super tranqüilo, apenas 25 minutos. Vôo exclusivo, somente nós no avião, o qual possuía apenas uns 20 lugares.
Chegando em Bonaire, fomos recepcionados pelo senhor Samuel, taxista que presta serviço a pousada Coco Palm, onde ficamos hospedados. Anteriormente, tinhámos entrado em contato com o pessoal da pousada e reservado por e-mail. Dados da pousada: http://www.cocopalmgarden.com - F: 599 – 7172108 e 7861479 – fica localizada a 5 minutos do aeroporto. Ficamos num apartamento, com cozinha completa (Kolibri), ao preço de US$ 66,00 e mais US$ 10,00 para utilizar ar condicionado, portanto, US$ 76,00 (o calor é grande – é melhor ficar com ar condicionado). Quartos novos e espaçosos. Fica distante uns 5km da capital, Kralendijk. Como possui cozinha completa, caso se queira, dá para cozinhar e economizar na comida. Para comer na cidade, gasta-se pelo menos uns US$ 15,00 por pessoa. Só elogios a fazer da pousada. As donas, Marion e Bridgite são super atenciosas e corretas. Como falamos, a reserva foi feita por e-mail. Reservamos além do quarto, um automóvel. Em Bonaire não há transporte público e há poucos táxis. Portanto, no mínimo alugue uma moto. Mas, se for mergulhar, alugue uma pick up. No aeroporto, ligamos para Samuel (detalhe – tivemos que pedir um favor a uma pessoa, pois não há telefones públicos no aeroporto e era domingo, dia que quase ninguém trabalha na ilha, nem mesmo o escritório do Coco Palm funciona). Bom, no aeroporto, Samuel já nos entregou o carro alugado e nos guiou até o Coco Palm. O caro custou US$ 40,00 por dia, com todos os seguros inclusos. Negociamos com o próprio Coco Palm, que intermediou o aluguel. Os carros não são novos, mas é o suficiente.
Bonaire é uma ilha maravilhosa. Com certeza a de mar mais bonito entre as três que visitamos. Certamente é o paraíso dos mergulhadores. Aliás, é praticamente só o que se faz na ilha. Ou se mergulha ou se faz snorkel. A água do mar é de uma cor maravilhosa. Lembra muito o mar de Los Roques. O mergulho é de praia. Assim, alugamos equipamento numa operadora e fizemos em apenas um dia, 4 mergulhos. No início, achamos ruim, pois estamos acostumados a mergulhar embarcado. Mas no final do dia achamos excelente, já que não temos que viajar de barco até o ponto de mergulho. Tudo o que fazíamos era escolher o ponto de mergulho e se dirigir a ele, estacionando a caminhonete num local o mais próximo possível do local de entrada no mar. O interessante é que nos pontos de mergulho costumamos ver diversos carros estacionados e ninguém no local, já que todos estão submersos. Importante, o carro deve ficar estacionado com os vidros abertos, pois os poucos furtos que ocorreram em Bonaire foram em carros que estavam estacionados enquanto os donos mergulhavam e deixaram os mesmos fechados. Portanto, deixar as janelas abertas e não levar coisas de valor quando for mergulhar. Indico a operadora Dive Friends. Um dos escritórios fica na saída do aeroporto. Quando for alugar equipamento, é bom alugar tanques ilimitados. Assim, ficamos mais a vontade para mergulhar. Os tanques podem ser repostos em qualquer dos escritórios da Dive Friends espalhados pela ilha. O legal é que a Dive Friends do aeroporto, tem uma pessoa que fala bem o português, pois é casada com um brasileiro.
O nosso primeiro dia de praia em Bonaire foi o dia da chegada. Chegamos por volta das 16 horas. Fomos conhecer uma baía (Lac Bay), onde se pratica muito Wind surf. Bem legal, pense num vento forte.
No segundo dia, conhecemos as praias do norte da ilha. Com certeza, as melhores. Dia de muitos banhos e snorkel. Também conhecemos o vilarejo de Rincon. Muito pacato. É onde fica a entrada para o parque nacional, que acabamos não indo por falta de tempo. No terceiro dia, foi o dia do mergulho. Logo cedo alugamos todo o equipamento para mergulho. Fizemos 4 mergulhos. Foi um dia maravilhoso. Mergulhar em Bonaire foi uma experiência super legal, principalmente porque pela primeira vez, fizemos mergulho de praia. Sim, lá o mergulho é na praia. É chegar, estacionar o carro, colocar o equipamento e cair no mar. Todos os pontos de mergulho são muito bem sinalizados, tanto na terra quanto no mar. Portanto, não tem como errar. E também não há perigo. O ruim é que mergulhamos apenas um dia. A maioria do povo que vai pra lá, passa uma semana inteira mergulhando.
No quarto dia, passeamos pela capital, já que pela manhã estava chovendo. As lojas de bonaire só abrem durante o dia. A maioria fecha às 18 horas ( no máximo). Material de mergulho em Bonaire é super barato. Vale muito a pena comprar. É inclusive melhor de comprar do que Curaçao. Na parte da tarde fomos conhecer a parte sul da ilha. Região muito diferente do norte, principalmente por ser mais baixa e plana e ter várias salinas. Mas vale muito a visita. Mas, escolhemos para terminar o dia na praia de 1000 steps, uma das mais bonitas da ilha, que fica na parte norte. Banho maravilhoso. No quinto dia, viajamos para Curaçao. O inconveniente, é que deixaríamos o carro no aeroporto, mas, na saída, o carro não quis pegar. A bateria se foi. Nem sinal. E o pior, é que era pouco mais de 05:00h da madrugada. Tudo escuro ainda. Bateu um pouco de desespero na hora, mas nos acalmamos e minha namorada lembrou do manual de instruções da pousada, principalmente da parte que dizia que em caso de emergência, podíamos nos dirigir a casa de Marion (umas das donas) e acordá-la. Foi a nossa salvação. Apesar de bastante assustada, ela foi super prestativa e nos deixou no aeroporto. Portanto, recomendo bastante o Coco Palm Garden. É inclusive um dos melhores custos benefício da ilha. Bom, já com muita saudade, conseguimos pegar o avião para Curaçao.
CURAÇAO
Chegamos em Curaçao por volta das 08:00 da quinta-feira 26 de junho. Não tínhamos reservado hotel, mas tinha uma lista de possíveis candidatos. Era baixa temporada. Do aeroporto, ligamos para o Alablanca apartments e, ao preço de US$ 65,00, mais 7% de taxas, aí ficamos hospedados (f: 599-5680647 7365660 – End.: Kaya Toni Kunch15a, Curaçao). O dono foi legal, deixou-nos entrar as 09:30h, sem pagar nada mais. Assim como o Coco Palm, o quarto também tem cozinha completa, mas é mais velho. Mas, é o suficiente. É limpo e fica a apenas 5km da capital, Willemstad. Ainda no aeroporto, alugamos um carro nas locadoras que ficam no próprio aeroporto. Pagamos US$ 50,00 pela diária de um Atos, com ar condicionado (locadora Trifty - a mais barata entre as locadoras do aeroporto). Carro novo, com seguro incluso. Detalhe, o seguro não cobria o parque Christoffel National Park e a Mambo Beach (praia que fica ao lado do sea aquarium). Portanto, evitamos essas áreas. Compramos um mapa e seguimos para o alablanca apartments. Chegamos sem muita dificuldades.
Bonaire tem apenas cerca de 10000 habitantes, enquanto Curaçao tem 170000. Daí, a diferença entre as ilhas é enorme. Em Curaçao tudo é bem mais longe, apesar de ser fácil se guiar com um mapa. Bonaire é bem mais tranqüila. O acesso as praias em Bonaire também é bem mais fácil, é mais perto. Enquanto Bonaire tem uma estrada que praticamente circunda pelo litoral toda a ilha, Curaçao não tem uma estrada propriamente costeira. Assim, para chegar às praias, deve-se guiar pelas placas de indicação. Curaçao tem mais praias (de areia) que Bonaire. Também tem mais gente nas areias e as melhores praias são pagas. Paga-se para entrar e para ter uma cadeira de praia. Outro detalhe é que a água do mar de Bonaire ( e de San Andrés) são mais transparentes que Curaçao. Na maior parte das praias de Curaçao as águas não são tão transparentes, são um pouco brancas. Mas, comparando com o Brasil, são águas maravilhosas, também dignas do Caribe.
No nosso primeiro dia em Curaçao, resolvemos conhecer as praias do oeste, as melhores da ilha. Fomos em direção a West Punt, cerca de 40 minutos de carro desde Willemstad. Com o mapa na mão é bem fácil de chegar. Passamos para conhecer na maioria delas, mas ficamos apenas em duas. O tempo era curto. Nossa primeira parada foi na praia Kalki. Gostamos bastante desta praia. Praia de águas claras, com pouca gente e boa para snorkel. Tomamos um bom banho. Saindo de lá, paramos para conhecer diversas praias, todas bonitas, mas escolhemos para ficar a praia Kenepa, tida como uma das melhores da ilha. É uma pequena praia, que lota nos finais de semana, mas quando fomos tinha bem pouca gente. Foi ótimo. Um banho maravilhoso.
Na volta, paramos para conhecer Willemstad, a capital de Curaçao. Cidade essa que é dividida em duas partes, Otrobanda e Punda, separadas por um braço de mar, uma baía. A ligação entre elas se dá por uma ponte que só passa pedestre e é giratória. Sempre que vai passar algum barco ou navio, ela abre, ficando os pedestres impossibilitados de atravessar, tendo que recorrer ao Ferry que fica a disposição, gratuitamente, das pessoas. Em Punda estão as melhores lojas para compras, tendo em vista que Curaçao é uma zona livre de impostos. Nesse primeiro dia, paramos em Otrobanda. Tiramos várias fotos, principalmente de suas construções antigas, bem pintadas e preservadas. É uma visita imperdível. Neste mesmo dia, à noite, retornamos a Willemstad, desta vez para Punda. Viagem praticamente perdida, pois a noite tudo fecha, ficando aberto apenas alguns restaurantes e cassinos. A cidade fica meio que deserta. Acabamos nos perdendo para sair e retomar a estrada para nosso hotel, mas, com auxílio do mapa, encontramos a saída.
No nosso segundo dia, fomos ao Sea Aquarium, US$ 15,00 por pessoa. Passeio legal, para turista. Tem desde algumas aves como flamingos e pelicanos, até shows com golfinhos, lobos marinhos e tubarões lixa. Com relação a estes, a curiosidade é o fato de os turistas poderem alimentá-los com peixes, dando uma certa emoção à visita. Também há a opção de nadar com os golfinhos, mas a um custo bem maior. Nossa visita durou cerca de 2 horas. Valeu a pena. Do sea aquarium, resolvemos conhecer alguma praia do lado leste da ilha (ou lado sul para alguns – segundo os nativos a parte acima da capital seria o oeste, o aeroporto estaria no norte). Bom, por orientação do guia do sea aquarium seguimos para umas das praias do lado leste, mas não gostamos de nenhuma, pois quando comparávamos com as praias do oeste, ficavam bem aquém. Assim, resolvemos andar um bom pedaço de carro, e ir até uma praia privada no lado oeste, chamada Porto Mari. Super legal. A melhor praia que fomos em Curaçao. Também tem as águas mais claras das praias que fomos. Ficamos na praia até quase 7h da noite. Valeu muito a pena. No retorno paramos novamente em Willemstad, onde tiramos mais fotos.
No nosso último dia em Curaçao, que seria o nosso dia de retorno à Caracas, pedimos ao dono do hotel para ficarmos até as 17 horas. Fomos atendidos e ficamos livres para passear praticamente o dia todo. Logo cedo, fomos conhecer uma tal de Zona Livre (Free Zone), crentes que lá estariam os melhores preços. Lugar que fica na região portuária e que só pode entrar turista. Quando chegamos foi a maior decepção da viagem. Corram de lá. Lugar péssimo. Não percam tempo. Assim, quando vimos que era uma furada, corremos para Willemstad. Aí sim, tem diversas lojas, com preços excelentes, além do charme da própria cidade, que é linda.
Ao final do dia retornamos para o hotel e seguimos para o aeroporto, onde entregamos o carro e nos despedimos de Curaçao. Detalhe, a taxa de saída de Curaçao é no valor de US$ 35,00 por pessoa.
Curaçao-Caracas-Brasil
À meia noite chegamos a Caracas (nosso vôo foi via Bogotá, demorando 4 horas para chegar – se fosse direto seriam apenas 30 minutos de vôo). Resolvemos ficar no próprio aeroporto, pois nosso vôo para o Brasil seria as 08:00h do dia seguinte. Além de nós, o aeroporto estava cheio de turistas, que também preferiam ficar no aeroporto. Sair de Maiquetia para Caracas é muito longe e caro.Um táxi para Caracas custa cerca de US$ 50,00. Achamos melhor ficar mesmo no aeroporto, pois teríamos que estar de volta as 06:00 para fazer check-in. Enfim, passamos todo o dia 29 viajando, até chegarmos em nossa cidade, Recife.
Bom, diversas impressões ficaram nessa viagem.
Com relação à Colômbia, podemos dizer que superou nossas expectativas. Cartagena é uma cidade linda, imperdível. É realmente tudo o que falam de bom. San Andrés é ilha caribenha que não deixa a dever a Curaçao e Bonaire. Inclusive gostamos mais de San Andrés que de Curaçao, principalmente pelo mar de 7 cores. A única parte meio tortuosa da viagem foi a entrada e saída na Colômbia, de ônibus. Apesar de a viagem ter sido tranqüila (tanto na ida quanto na volta) é preciso ter bastante paciência para agüentar a demora na fronteira. Na volta perdemos simplesmente 2 horas.
Bonaire, sem palavras para descrever. Valeu cada dólar gasto. Lugar lindo. Pretendemos retornar o quanto antes. Se você gosta de mergulhar, lá é o lugar.
Curaçao é um lugar bonito. Também muito legal. Mas é bem diferente das outras ilhas que fomos. É lugar grande, com muitos carros, trânsito e praias pagas. Lugar pra turista americano mesmo, talvez não como Aruba. Mas, se você for a Bonaire, vale a passada por Curaçao.
De todas as ilhas da região, que conhecemos, em nossa opinião as melhores, por ordem, são: Los Roques, Bonaire, San Andrés e Curaçao. Sem dúvida, Los Roques é a mais bela, tendo em vista ser a mais preservada.
Qualquer dúvida, mandem e-mail: cleberpaes@hotmail.com.
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