Tentam nos convencer que o agora é o fim da história e que o inferno de tédio ou de esforço diário por que passamos é a maneira natural das coisas serem, como se ser escravo fosse algo inerente a ser humano. Se você já parou, olhou em sua volta e pensou que há algo muito errado acontecendo com o mundo e com sua própria vida, se você espera os finais de semana ou as férias para “poder viver um pouco”, se você passa a maior parte do dia em um pântano de tédio efetuando uma atividade alienante em proveito de pessoas das quais você nunca viu o rosto, talvez seja a hora de despertar desse sono e agarrar sua vida de volta.
Aprender e mostrar a mudança, apresentar possibilidades, uma maneira diferente de viver e de encarar a vida, bem vindo(a) ao Projeto Alternativa
Propomos assim abraçar o nomadismo como forma de vida. Nosso meio de locomoção são as bicicletas, não deixaremos nunca de pegar caronas, atividade a que nos acostumamos tanto no último ano, mas uma capacidade maior de autonomia é necessária. Começaremos nossa jornada incerta no interior de Goiás, não temos planos ou roteiros estritamente definidos, sendo o primeiro plano chegar a Amazônia e de lá provavelmente cruzar a fronteira para Venezuela, mas nossa mente está sempre aberta para mudanças drásticas de e tudo é possível.
Por hora eis o relato de nossa primeira de 200km, destinada a ser apenas uma teste acabou sendo incrivelmente rica e prazerosa.
Saímos de Brasília dia 10 para percorrer os 200km até Alto Paraíso, a primeira vez realmente na estrada com bicicletas carregadas. Logo na saída subidas intermináveis e muito trafego, foi como poderia se esperar, o pior trecho para testarmos nosso equilíbrio com tudo montado. Em uma das subidas o bagageiro de Karine quebrou, paramos em um posto onde um caminhoneiro conseguiu uns pedaços de arame que usamos para remendar o estrago. Partimos desanimados, o pensamento de ter de voltar para Brasília era muito desgostoso. Dizia para mim mesmo que logo a estrada que queríamos chegaria e tudo melhoraria com menos carros e ambientes menos urbanos, aquela loucura de cidade grande simplesmente parece não combinar com o que significa de bicicleta. No fim a entrada para a DF-345/GO-118 chegou, mas apenas às 20:00h, após um longo trecho de uma subida pouco íngreme mas muito extensa em que empurramos as bicicletas praticamente o tempo todo, usando as lanternas de cabeça e as luzes sinalizadoras atrás. Logo que entramos na DF-345 já avistamos o nosso destino, secundárias que beiram a rodovia, usadas por tratores e maquinas agrícolas para mover-se entre as fazendas, lugares perfeitos para passar a noite, atrás do cerrado, escondido o bastante do asfalto e dos poucos carros que passavam. O começo da noite de stealth camping trouxe um pouco de ansiedade com vozes longínquas alcançando nosso ouvidos aguçados pelo silencio, mas logo o sono chegou e a noite passou tranquila.
No outro dia nosso estoque de barras de cereal e frutas já acabava e comida de verdade era necessária, uma placa de self-service (buffet livre) a R$10,99 atiçou o estomago e seguimos pelos 15km até o destino. Chegamos e além do almoço tomamos um banho de graça no posto. As 14:00hs pedalamos sol a dentro para um dia inteiro até São Gabriel – Goias, onde o bagageiro emendado quebrou de vez derrubando tudo de cima da bicicleta, não havia mais conserto com arame, teríamos que amanhecer ali e tentar soldar a coisa toda. Ganhei um saco de amendoim e a informação que o posto permitia acampar para passar a noite, além de ser perfeitamente seguro. No posto ganhamos uma salinha VIP para montar a barraca, tomamos o segundo banho grátis do dia, ultra quente para relaxar. Cozinhamos um miojo no fogão de um caminhoneiro que nos prometeu carona no dia seguinte, o sono não demorou para chegar
Acordamos e assim que a serralheria abriu levei o bagageiro para arrumar. Conseguimos sair pouco antes das 9:00hs mas antes de chegar na estrada vimos o caminhoneiro da noite anterior passando, a carona tinha sido perdida. Pedalamos 20km de grandes descidas chegando aos 50km/h e ao parar para curtir a sombra de uma placa na estrada um caminhão buzinou e encostou, deu ré e quando vi já cortávamos o cerrado acomodados na caçamba aberta, sempre a melhor forma de caronar. Levou-nos até São João da Aliança, seu Esmeraldo disse que sempre ajuda quem viaja e nos pagou um almoço. Deixamos São João esperando passar a noite na estrada e chegar em Alto no dia seguinte, mas tudo mudou quando um carro encostou. Em 10min estávamos na fazenda do Mário do Balanço, na beira de um rio com um balanço incrível onde me diverti muito. Mário planta quase de tudo, tem vaca, galinha, porcos e abelhas, ajudei-o com as abelhas realizando um sonho antigo. Mário cuida de tudo junto de sua companheira, é uma quantidade de trabalho enorme que ele realiza diariamente acordando cedo e dormindo já tarde, provamos de seu queijo caseiro, do leite da vaca, do mel direto das abelhas que trabalham com pólen nativo da reserva de cerrado que ele mantém, um mel surpreendentemente cheiroso, de sabor pungente e muito característico, uma delícia acompanhando o bolo de milho plantado na fazenda, colhido e feito na hora. No dia seguinte ajudamos Mário a colher mexiricas para vender em Alto e ganhamos a carona até nosso destino, além de tudo Mário ainda tinha generosidade o bastante para pagar-nos o marmitex no restaurante do posto. Nos despedimos com promessas de voltarmos para ajudá-lo um pouco com sua terra.
Os 200km de teste acabaram, aprendemos algumas coisas e ficou claro que nossa disposição de bagagem sem uso de bagageiros laterais é problemática. Será preciso reforçar os bagageiros traseiros, os dianteiros apesar de fixados com gambiarra trabalharam perfeitamente. Um arame fincado no pneu provou que o anti furo realmente funciona e vale seu investimento. No fim o sentimento de estar em uma correnteza que apenas o leva de um lado ao outro está de volta, seja de carona ou de bicicleta, as mesmas coisas boas acontecem e cada vez que um elo se fecha é como uma explosão de satisfação. Acordar em um posto, aceitar o dia de pedalada e no fim ganhar uma carona, aceitar que ficará na estrada e acabar num lugar incrível com pessoas incríveis, o que mais pode acontecer? Tudo pode acontecer e essa é a melhor parte, abraçar a mudança como forma de vida e esquecer tudo que o aprisiona.
Tentam nos convencer que o agora é o fim da história e que o inferno de tédio ou de esforço diário por que passamos é a maneira natural das coisas serem, como se ser escravo fosse algo inerente a ser humano. Se você já parou, olhou em sua volta e pensou que há algo muito errado acontecendo com o mundo e com sua própria vida, se você espera os finais de semana ou as férias para “poder viver um pouco”, se você passa a maior parte do dia em um pântano de tédio efetuando uma atividade alienante em proveito de pessoas das quais você nunca viu o rosto, talvez seja a hora de despertar desse sono e agarrar sua vida de volta.
Aprender e mostrar a mudança, apresentar possibilidades, uma maneira diferente de viver e de encarar a vida, bem vindo(a) ao Projeto Alternativa
Propomos assim abraçar o nomadismo como forma de vida. Nosso meio de locomoção são as bicicletas, não deixaremos nunca de pegar caronas, atividade a que nos acostumamos tanto no último ano, mas uma capacidade maior de autonomia é necessária. Começaremos nossa jornada incerta no interior de Goiás, não temos planos ou roteiros estritamente definidos, sendo o primeiro plano chegar a Amazônia e de lá provavelmente cruzar a fronteira para Venezuela, mas nossa mente está sempre aberta para mudanças drásticas de e tudo é possível.
Por hora eis o relato de nossa primeira de 200km, destinada a ser apenas uma teste acabou sendo incrivelmente rica e prazerosa.
Saímos de Brasília dia 10 para percorrer os 200km até Alto Paraíso, a primeira vez realmente na estrada com bicicletas carregadas. Logo na saída subidas intermináveis e muito trafego, foi como poderia se esperar, o pior trecho para testarmos nosso equilíbrio com tudo montado. Em uma das subidas o bagageiro de Karine quebrou, paramos em um posto onde um caminhoneiro conseguiu uns pedaços de arame que usamos para remendar o estrago. Partimos desanimados, o pensamento de ter de voltar para Brasília era muito desgostoso. Dizia para mim mesmo que logo a estrada que queríamos chegaria e tudo melhoraria com menos carros e ambientes menos urbanos, aquela loucura de cidade grande simplesmente parece não combinar com o que significa de bicicleta. No fim a entrada para a DF-345/GO-118 chegou, mas apenas às 20:00h, após um longo trecho de uma subida pouco íngreme mas muito extensa em que empurramos as bicicletas praticamente o tempo todo, usando as lanternas de cabeça e as luzes sinalizadoras atrás. Logo que entramos na DF-345 já avistamos o nosso destino, secundárias que beiram a rodovia, usadas por tratores e maquinas agrícolas para mover-se entre as fazendas, lugares perfeitos para passar a noite, atrás do cerrado, escondido o bastante do asfalto e dos poucos carros que passavam. O começo da noite de stealth camping trouxe um pouco de ansiedade com vozes longínquas alcançando nosso ouvidos aguçados pelo silencio, mas logo o sono chegou e a noite passou tranquila.
No outro dia nosso estoque de barras de cereal e frutas já acabava e comida de verdade era necessária, uma placa de self-service (buffet livre) a R$10,99 atiçou o estomago e seguimos pelos 15km até o destino. Chegamos e além do almoço tomamos um banho de graça no posto. As 14:00hs pedalamos sol a dentro para um dia inteiro até São Gabriel – Goias, onde o bagageiro emendado quebrou de vez derrubando tudo de cima da bicicleta, não havia mais conserto com arame, teríamos que amanhecer ali e tentar soldar a coisa toda. Ganhei um saco de amendoim e a informação que o posto permitia acampar para passar a noite, além de ser perfeitamente seguro. No posto ganhamos uma salinha VIP para montar a barraca, tomamos o segundo banho grátis do dia, ultra quente para relaxar. Cozinhamos um miojo no fogão de um caminhoneiro que nos prometeu carona no dia seguinte, o sono não demorou para chegar
Acordamos e assim que a serralheria abriu levei o bagageiro para arrumar. Conseguimos sair pouco antes das 9:00hs mas antes de chegar na estrada vimos o caminhoneiro da noite anterior passando, a carona tinha sido perdida. Pedalamos 20km de grandes descidas chegando aos 50km/h e ao parar para curtir a sombra de uma placa na estrada um caminhão buzinou e encostou, deu ré e quando vi já cortávamos o cerrado acomodados na caçamba aberta, sempre a melhor forma de caronar. Levou-nos até São João da Aliança, seu Esmeraldo disse que sempre ajuda quem viaja e nos pagou um almoço. Deixamos São João esperando passar a noite na estrada e chegar em Alto no dia seguinte, mas tudo mudou quando um carro encostou. Em 10min estávamos na fazenda do Mário do Balanço, na beira de um rio com um balanço incrível onde me diverti muito. Mário planta quase de tudo, tem vaca, galinha, porcos e abelhas, ajudei-o com as abelhas realizando um sonho antigo. Mário cuida de tudo junto de sua companheira, é uma quantidade de trabalho enorme que ele realiza diariamente acordando cedo e dormindo já tarde, provamos de seu queijo caseiro, do leite da vaca, do mel direto das abelhas que trabalham com pólen nativo da reserva de cerrado que ele mantém, um mel surpreendentemente cheiroso, de sabor pungente e muito característico, uma delícia acompanhando o bolo de milho plantado na fazenda, colhido e feito na hora. No dia seguinte ajudamos Mário a colher mexiricas para vender em Alto e ganhamos a carona até nosso destino, além de tudo Mário ainda tinha generosidade o bastante para pagar-nos o marmitex no restaurante do posto. Nos despedimos com promessas de voltarmos para ajudá-lo um pouco com sua terra.
Os 200km de teste acabaram, aprendemos algumas coisas e ficou claro que nossa disposição de bagagem sem uso de bagageiros laterais é problemática. Será preciso reforçar os bagageiros traseiros, os dianteiros apesar de fixados com gambiarra trabalharam perfeitamente. Um arame fincado no pneu provou que o anti furo realmente funciona e vale seu investimento. No fim o sentimento de estar em uma correnteza que apenas o leva de um lado ao outro está de volta, seja de carona ou de bicicleta, as mesmas coisas boas acontecem e cada vez que um elo se fecha é como uma explosão de satisfação. Acordar em um posto, aceitar o dia de pedalada e no fim ganhar uma carona, aceitar que ficará na estrada e acabar num lugar incrível com pessoas incríveis, o que mais pode acontecer? Tudo pode acontecer e essa é a melhor parte, abraçar a mudança como forma de vida e esquecer tudo que o aprisiona.
Mais informações sobre nomadismo e viver viajando > https://www.facebook.com/projetoalternativa
Em breve outro capítulo, próximo destino grande é o Palmas - TO até lá.