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  1. Na língua Mapuche, Huerquehue significa lugar de mensageiros. É um dos parques nacionais mais antigos do Chile e da América do Sul, sua história data de 1912, com a criação do Parque Nacional Vicuña Mackena, que englobava a área atual do parque e posteriormente, em 1967 foi criado oficialmente o Parque Nacional Huerquehue. O Parque Nacional Huerquehue foi uma grata surpresa! Inicialmente a ideia era fazer a Villarrica Traverse, mas devido à erupção do vulcão Villarrica, parte dessa travessia foi fechada e como não queria fazer só a metade dessa trilha, tive que partir para o plano B, e deixar a Villarrica Traverse para outra oportunidade. No hostel em Pucón, conheci o Bruno, brasileiro que estava no mesmo dormitório que eu. Ao mostrar meu trajeto em Huerquehue, ele disse que iria fazer uma parte das trilhas também e combinamos de irmos juntos no outro dia. O acesso ao parque é bem simples. A partir de Pucón, há ônibus diários pela Buses Caburgua, que saem da garagem dessa empresa, em frente à garagem da JAC Buses. Fomos no ônibus de 08:30 e levamos uma hora para percorrer os cerca de 35 quilômetros até o Parque Nacional Huerquehue. Assim que chegamos ao parque fomos nos identificar, indicar as trilhas que faríamos e pagar a taxa. Eu faria o Cerro San Sebastian mais a trilha das Termas Rio Blanco, pelo acampamento Renahue. O Bruno faria o Cerro San Sebastian. Informaram-nos que somente o Camping Olga estava aberto às margens do Lago Tinquilco. A guarda que nos atendeu ainda nos disse que com o clima daquele jeito não era bom irmos ao San Sebastian, pois estava muito nublado e não teríamos vista nenhuma. O Bruno disse a ela que a previsão indicava que o tempo abriria, e que mesmo com nuvens, subiríamos. Os guardas não nos deixaram subir o Cerro San Sebastian com as cargueiras, alegando que era perigoso e tivemos que deixá-las na guarderia. Eles nem imaginavam que a insistência em subirmos com as cargueiras era porque nossa intenção era subir com toda a tralha, pois se encontrássemos um lugar legal no topo, pretendíamos acampar lá. Mas como não conseguimos dissuadir os guardas, deixamos as cargueiras e subimos apenas com as mochilas de ataque com água e um lanche. Toda a trilha até o topo do San Sebastian é uma subida só, não há nenhum trecho plano, mas é relativamente tranquila, a maior parte por bosques de coigues, lengas e araucárias. O trecho final é por uma crista exposta, que às vezes fica estreita e com algumas pedras, exigindo um pouquinho de atenção, mas nada demais. A vista lá do alto é fantástica. Visualiza-se vários lagos, o Caburgua, o Tinquilco, o Chico, o Verde, o Toro e a linda Laguna San Manuel, com seu azul intenso. Além dos inúmeros vulcões. Ao norte os vulcões Sollipulli, Llaima, Sierra Nevada, Tolhuaca e Lonquimay, que eu tinha acabado de circundar. Ao sul o Lanin, Quinquilil, Quetrupillan, Mocho-Choshuenco e Villarrica. Depois de um bom tempo no topo, descemos tranquilamente, fazendo várias paradas para saborear as amoras silvestres. Pegamos nossas mochilas na guarderia e fomos até o Camping Olga, dois quilômetros à frente, no final do Lago Tinquilco. No camping havia um lugar para ascender uma fogueira e depois de jantar resolvemos fazer um foguinho pra aplacar um pouco do frio que começava a aumentar. Uma galera que estava acampada foi curtir o fogo, além de nós dois, duas alemãs e um grupo de chilenos que fizeram um churrasco ao lado da fogueira e ofereceram comida e cerveja pra todos nós. Ficamos até tarde comendo, bebendo e jogando conversa fora. Essa foi a noite mais fria em Huerquehue. Nas primeiras horas da manhã já estávamos com as mochilas nas costas e iniciando a trilha em direção aos lagos que havíamos visto do alto do Cerro San Sebastian. A tilha segue num bonito bosque, por uma subida longa, mas leve. Sempre em zig e zag e antes de chegar aos lagos, passa por um posto de controle dos guarda parques, e depois por duas cachoeiras que estavam quase secas nessa época do ano. Dali continua subindo até chegar ao primeiro lago, o Lago Chico, margeia esse lago e mais à frente chega à bifurcação que à esquerda vai para o lago Verde e á direita para o lago Toro. Fomos até o Toro e encontramos um francês, o Arthur, descansando às margens desse bonito lago. Aproveitei que o sol estava forte e dei um mergulho nas águas geladas do lago. Bruno e Arthur me acompanharam e também caíram na água. Depois do impacto inicial da água gelada, o banho ficou uma delícia. Devo ter ficado quase uma hora ali e depois de um lanche, voltei à trilha. Ali despedi-me de meu companheiro de trilha Bruno, que voltaria pra Pucón enquanto eu seguiria pro Renahue. A trilha segue margeando o Lago Toro e proporciona bonitas vistas tanto do lago, quanto das montanhas atrás dele. Alguns quilômetros à frente há a placa que sinaliza o caminho para a Laguna Huerquehue, bem menor e menos bonita que os outros lagos. Aqui também é o último trecho quem faz o Circuito Los Lagos, retornando pela Laguna Huerquehue, Laguna Los Patos e Lago Verde. A partir desse trecho a trilha é bem menos batida, o que mostra que a grande maioria faz apenas o circuito dos lagos, mas a trilha continua bem sinalizada. Uns vinte minutos à frente, logo após a Laguna Avutardas, alcancei o mirador Renahue, que dá uma bonita vista do vale do Estero Renahue até o Lago Caburgua à oeste e do cerro Araucano à leste e diversos morros ao norte. Identifiquei o domo que fica no Renahue e desse ponto em diante é só descida até o local de camping. Como cheguei muito cedo, armei minha tenda e tirei o resto da tarde pra curtir o lugar e preparar minha comida. O local de acampamento é bem bonito, mas havia bastante lixo em alguns cantos e o “banheiro” estava fechado por algum motivo. Vi que minha bota estava começando a abrir o bico e fiz uns remendos com silver tape pra bichinha aguentar o restante da pernada. Logo depois que armei a tenda, mais um trekker chegou ao acampamento, um alemão chamado Stephan, um cara de conversa tranquila e bem solícito, disse-me que era a 17ª vez que passava as férias no Chile e a 4ª vez que visitava Huerquehue. Conversamos bastante (com meu péssimo portunhol) sobre trilhas e ele me deu bastante dicas e informações sobre os trekkings que havia feito no Chile. Ainda recebemos a visita de cavalos e vacas. Dormi cedo e não acordei nenhuma vez. O vale é bem abrigado e nem ventou, nem fez tanto frio durante a noite. Após o café, decidi deixar a tenda armada e ir até as termas sem mochila. Conversei mais um pouco com Stephan e saí antes dele arrumar as coisas em direção ás termas. Existem dois caminhos até as termas a partir do Renahue, fui pela direita, passando próximo à Laguna Pehuen e voltei pelo outro lado. O caminho que passa pela Laguna Pehuen é um pouquinho maior e bem mais íngreme. As termas são legais, mas longe de toda a beleza que algumas pessoas me falaram lá em Pucón. O Stephan chegou bem depois de mim e ainda conversamos um pouco mais. Ele acamparia ali, eu voltaria pro acampamento da noite anterior, e depois de curtir o lugar por umas 3 horas, voltei pro Renahue. Durante o retorno, tive que refazer o remendo na bota. Outra tarde com direito a visita de cavalos e vacas e mais uma noite bastante tranquila, dessa vez só eu estava acampado ali. No dia seguinte, acordei e após arrumar minhas coisas segui em direção ao Lago Caburgua. Inicialmente a sinalização continua até uma casa onde vende alguns suprimentos, mas estava fechada. Após essa casa, a trilha não é mais sinalizada e pode ser confundida por inúmeras trilhas de animais que às vezes cruzam, outras vezes seguem em paralelo à trilha certa. Para não cometerem erros como cometi, tem uma dica importante. Logo após essa casa, há uma porteira e a trilha cruza o Estero Renahue para a margem esquerda verdadeira. A partir dessa travessia a trilha segue sempre pela margem esquerda verdadeira do Renahue, qualquer outra trilha que cruze o estero está errada. Passei por alguns pomares antigos, onde apanhei maçãs e ameixas pra comer no caminho, além de parar várias vezes pra comer amoras. Nessa parte da trilha é onde há mais amoras. Após uma longa cerca de madeira, há uma bifurcação onde errei o caminho. A trilha à direita é muito mais marcada, e tem inclusive uma pequena ponte pra cruzarmos o riacho, mas leva somente até uma casa, uns 2 ou 3 quilômetros à frente. À esquerda, ela sobe em direção sul e depois faz uma curva de 90º entrando num bosque e indo até o Lago Caburgua. Nas margens do Lago há uma pequenina estação energética e a partir daí são 13 quilômetros margeando o lago por uma estradinha de terra até a cidade de Caburgua. Só encontrei dois locais que davam acesso ao lago e suas águas limpíssimas, de um azul intenso. O restante é propriedade privada, algumas só o terreno, outras com bonitas casas de veraneio. Durante o trajeto tive que remendar a bota mais uma vez, e não sei se por estar pisando um pouco diferente do habitual, acabei ganhando uma enorme bolha de sangue na lateral do calcanhar do pé esquerdo. Assim que alcancei o asfalto, um carro se aproximava, levantei o dedo e o rapaz parou e me deu uma carona até Pucón. Era um topógrafo que disse estar medindo lotes nas margens do lago. Cheguei em Pucón cansado, fui até o Hostel onde tinha deixado boa parte das minhas coisas, tomei um banho e fui tomar uma cerveja gelada pra relaxar as pernas dessa magnífica caminhada.
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