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  1. 1º. Dia Já dentro do avião da TAAG, cujo serviço de bordo poderia ser melhor (comissárias antipáticas, poucas opções de entretenimento), eu, Miguel, Rafael e Lucas pousamos ao nascer do sol de 3 de fevereiro no aeroporto de 4 de fevereiro (!) em Luanda, capital de Angola. Ficamos ali umas horinhas até o voo seguinte. É bem pequeno e deixa a desejar em relação ao banheiro, à falta de wi-fi e a não aceitação de cartões de crédito. No voo seguinte também pela TAAG, fomos babando de sono até o Aeroporto Internacional de Windhoek, distante da capital da Namíbia. Lá alugamos os carros que conduziríamos pelo país. O que fiquei custou 2700 NAD (~645 reais) na Thrifty. Enquanto aguardava a chegada de Daniel, os outros foram para cidade adiantar as compras no supermercado. Quase me perdi deles ao chegar a Windhoek, pois os endereços não batiam, ninguém conhecia o lugar onde eles estavam e não havia internet disponível. Tive que entrar em uma loja e pedir o celular de uma moça para localizá-los. Bem que deveria ter feito que nem o Miguel e comprado um chip. Mas fora isso, é uma capital diferente do resto da África; tudo organizado e limpo como num país desenvolvido, mas sem trânsito ou caos. Começamos lá pelas 7 horas a jornada de carro até Sesriem. Segundo a locadora, de carro levaria umas 3 horas apenas... Faz-me rir. Assim que deixamos Windhoek, o asfalto lisinho deu lugar a uma estrada de chão. Belíssimas paisagens no pôr de sol, mas traiçoeiras pedras soltas e riachos cruzando as estradas frequentemente. À medida que escurecia, a estrada ficava pior e a velocidade do nosso Polo ia diminuindo. Determinado momento não deu mais para seguir, pois devido ao rio uma picape ficou atolada. Tivemos que tomar um caminho alternativo mais longo. O inevitável aconteceu: um pneu se foi. Trocamos e seguimos bem devagar, sem ver ninguém em todo o resto do caminho. O trajeto foi quase um safári noturno, pois vimos lebres, chacais, gazelas, zebras e os imponentes antílopes órix. 2º. Dia Somente às 3 da madrugada chegamos a Sesriem. Lucas e Rafael haviam reservado um chalé num dos caros alojamentos do local. Barato somente em campings, pois não há albergues. O Desert Quiver Camp estava sem sinal algum de vida quando chegamos. Imaginamos que tínhamos perdido a reserva da casa, mas não, a chave estava do lado de fora da recepção. E olha que não havia nenhum segurança por lá. Ah, se fosse no Brasil... Acabou que Daniel e eu conseguimos ficar num sofá-cama, não precisando dormir no carro. Dormimos pouco para não nos atrasarmos mais no dia seguinte. Pelas 10 horas já estávamos no portão do Parque Nacional Namib-Naukluft. Pagamos 80 NAD por cabeça mais 10 NAD pelo carro e seguimos pela via asfaltada em meio ao deserto e dunas por 60 km até o estacionamento. Daí em diante só tração 4X4, pois o caminho é de areia. Caminhamos nessa areia num sol de rachar por uns 3 km até a bifurcação de Sossusvlei, ao norte e Deadvlei, ao sul. Após 1 km e meio deparamo-nos com um cenário impressionante. O vale da morte fica entre grandes dunas, consistindo em troncos mortos de árvores. Este cenário ficou conhecido depois de uma foto ganhadora de um concurso de mundial de fotografia. Os troncos são de árvores que morreram a aproximadamente 600 anos, quando a mudança de posição das dunas interrompeu o curso de água, deixando apenas uma camada de argila. Nesse dia, até um corvo apareceu por lá. No retorno os rapazes subiram na duna 45, um marco na paisagem. Abastecemos na saída do parque, a 11 NAD o litro. Visitamos ainda o Sesriem Canyon, ali perto. É uma falha no terreno, onde se entra em meio aos paredões de conglomerados. No posto de combustível nós compramos um pneu novo. Ainda bem, pois em Solitaire o posto já estava fechado quando passamos, logo após o pôr do sol. A vista desolada é interessante. A estrada até a cidade portuária de Walvis Bay foi mais tranquila, embora ainda fosse de chão. Chegamos em uma hospedagem reservada no AirBnb (Jessma Bnb), um lugar agradável e finalmente com wi-fi, já na hora de dormir. 3º. Dia Fomos a Swakopmund , a segunda mais populosa do país, cidade vizinha ligada por uma rodovia asfaltada entre o mar escuro e frio e as dunas de areia. Passamos no caminho por umas casas bem maneiras. Esta cidade é bem limpa, organizada e vazia, com uma arquitetura bem interessante. Os museus estavam fechados por ser domingo, mas conseguimos ir ao National Aquarium of Namíbia, por 30 NAD. É um local pequeno com alguns tanques de seres marinhos existentes no país e mais um grande com um túnel. Lá perto paramos para almoçar em um dos restaurantes mais chiques da cidade, o The Tug, à beira-mar. Os frutos do mar são ótimos, e os preços não são tão caros. Recomendo a lula. À tarde fomos pechinchar bastante no mercado aberto de artesanatos. Havia bastantes opções e artigos interessantíssimos. Alguns vendedores eram angolanos, falando português. Tivemos que negociar muito mesmo para conseguir preços decentes nas máscaras, estátuas e quadros. No fim da tarde ficamos admirando centenas de flamingos em frente ao calçadão de Walvis Bay. Antes que a cidade toda fechasse, fizemos um rancho num supermercado, e à noite confraternizamos na hospedagem com os colegas recém-chegados. 4º. Dia Fomos em direção nordeste, passando por paisagens totalmente desérticas. Desviando um pouco da rodovia principal está a rota cênica do Moon Landscape e Welwitschia Drive, onde supostamente estariam essas plantas rasteiras milenares. Rodamos bastante até chegarmos à Spitzkoppe, maciço rochoso que se ergue a 1700 m de altitude. Ao redor deste parque foi onde vimos os primeiros miseráveis, morando em cubículos de chapa de metal no meio do nada. Compramos uns móbiles que eles vendiam para ajudá-los. Para entrar nesse parque, assim como os demais, paga-se 60 NAD por pessoa e 20 NAD por carro. Montanhas destacam-se na vasta planície ao redor. São de impressionante beleza cênica, principalmente na feição que é um arco de rocha. As rochas podem ser escaladas. Outra atração são os sítios de pintura rupestre da etnia San, que só podem ser visitados com guia, para evitar vandalismo. Quem quiser pode acampar no parque, mas nós já tínhamos reserva no Brandberg Rest Camp, mais ao norte, ao lado da maior montanha do país. Chegamos à noite e pagamos 250 NAD, indo ao seu bar antes que fechasse às 22 horas, para provarmos as deliciosas cidras sul-africanas da marca Savanna. Os quartos compartilhados são bem rudimentares, não havendo nem porta separando a privada do resto, e a agua da pia é salobra. 5º. Dia Devido ao pouco tempo, não pudemos ver as pinturas do Monte Brandberg conhecidas como White Lady. Prosseguimos pela estrada de cascalho até o sítio arqueológico Twyfelfontein. Antes de chegar há uma bifurcação que leva à Burnt Mountain, um cone de vulcão escuro inativo, pouco interessante, e Organ Pipes, colunas geométricas da rocha escura diabásio. Paga-se 50 NAD por pessoa para entrar. Se estiverem com pressa nem percam tempo. Em Twyfelfontein há uma série de desenhos de animais (girafas, antílopes, elefantes, leões, rinocerontes e até pinguins e leões marinhos) representados em rochas pelo povo San entre 2 a 6 mil anos atrás. O mais impressionante é que não são pinturas, mas entalhes. Foram descobertos no século passado e estão listados como patrimônio da UNESCO. Em seguida ficam as Petrified Forest, florestas de troncos fossilizados. Há diversas propriedades ao longo da estrada até Khorixas oferecendo essa vista. De Khorixas tivemos que ir até a cidade de Kamanjab, pois é por lá que fica o vilarejo da tribo Himba, a mais tradicional e fotogênica da Namíbia. Chegamos lá sem reserva e apenas no fim do dia, mas foi até melhor assim, pois pudemos negociar um valor bem baixo com a guia Himba Vanessa (pagamos 50 NAD cada, em vez as dos costumeiras 250), além de doações alimentares, e fomos os únicos ali. O vilarejo dessa tribo geralmente nômade é composto de choupanas de barro e palha situadas de forma circular em torno do cercado de animais de criação (cabras e galinhas) e do fogo sagrado. No entorno ficam as plantações de milho e em algum ponto uma captação de água. Essa sociedade poligâmica distingue-se fisicamente de outras pelos adornos corporais, pelos “dread locks” eternos de ocre e pela prática inconsequente de extração dos 4 dentes inferiores centrais. As mulheres vendem pulseiras e bonecas para complementar a renda. O melhor de tudo são as crianças fofíssimas que buscam carinho na gente sem pedir nada em troca. Saímos emocionados de lá. No caminho tivemos o azar de ter pneus furados novamente nos 2 carros, mas com isso ao menos descobrimos um restaurante em Kamanjab que servia um baita bifão de órix (ou zebra) por um preço muito bom, e incrivelmente deliciosos. Na virada do dia chegamos ao Sasa Safari Camp, em Outjo, onde dormimos em quartos duplos (508 NAD por pessoa com café da manhã). 6º. Dia Rodovia asfaltada até a entrada do Etosha National Park, mais ao norte. Entramos pela portaria Okaukuejo e fizemos um safári auto-guiado. O valor foi de 80 NAD por pessoa/dia mais 20 NAD por carro. O início foi empolgante, com o avistamento de muitos antílopes, zebras, girafas, gnus, leões, flamingos e diversas aves espalhados pelos diferentes ambientes do parque, que vão desde o salar central, pastos com arbustos esparsos, pequenas lagoas e até uma mata. Há uma infinidade de rotas a seguir, mas depois de pouco tempo as espécies começam a se repetir ou até não aparecer, ao menos na estação chuvosa, onde tudo fica verde. Saímos um pouco decepcionados no final do dia em meio a uma chuva, pelo portão Namutoni, no lado oposto ao que entramos. Nossa hospedagem da vez foi o luxuoso [email protected] Lodge, pois não havia mais nada em conta por perto. 7º. Dia Os 600 NAD nos deram direito a um café da manhã substancial. Rodamos mais umas horas pelo parque, vendo de novo apenas um chacal e outras aves maiores. Almoçamos e voltamos para Windhoek, o trajeto mais movimentado do país. Fiquem atentos para não passar dos 120 km/h permitidos, pois há radares fixos e móveis. Já durante o pôr do sol, chegando em Windhoek, tivemos que parar em um posto de fiscalização contra o tráfico de produtos oriundos de animais selvagens. Os japoneses que estavam no carro à frente tiveram todas as bagagens minuciosamente revistadas, enquanto que, quando dissemos que éramos brasileiros, nos liberaram sem nem conferir por cima. Passamos à noite no albergue Backpackers Unite. Pedimos uma pizza e interagimos, indo dormir já tarde, visto que madrugaríamos no dia seguinte. 8º. Dia Embarcamos no voo da South African Airlines para Joanesburgo às 6 horas e 40 minutos. Depois de muita enrolação, pegamos nossos carros alugados e fomos ao Consulado de Lesoto na expectativa de conseguirmos o visto. Ao chegar lá soubemos que precisaríamos de 2 fotos. Por sorte havia um fotógrafo próximo e que revelava no meio da rua a foto. Os demais requisitos foram um comprovante de hospedagem e de renda, e preencher um formulário, além da taxa de emissão, que foi um problema. O valor pela internet era de 500 rands sul-africanos (mesma cotação da moeda da Namíbia), mas no Consulado nos informaram que seria mais 1000 rands para emiti-lo em 2 a 3 dias úteis. Como já era sexta e não tínhamos todo esse tempo, precisamos do emergencial. Esse tipo parece ser informal pois dos 1500 primeiramente informados, pagamos 1300 rands no final, sendo emitido em menos de 1 hora. Como estava muito caro, apenas eu, Rafael e Alberto fizemos, seguindo para a fronteira de Maseru, capital de Lesoto, logo após o almoço. Os outros 3 foram para a fronteira de Sani Pass, no lado oposto do país, pois caso não conseguissem emiti-lo por lá, ou subir a montanha, já que é necessária tração 4X4 e nossos minúsculos Hyndai i10 certamente não serviriam, pelo menos poderiam aproveitar as incríveis paisagens montanhosas de Drakensberg. No final, subiram os 16 km a pé e pagaram 200 rands de propina para entrar. Chegamos ao anoitecer no posto de imigração. Somente nessa hora , Rafael percebeu que havia perdido o passaporte em Joanesburgo. Depois de muito drama e replanejamento, decidimos tentar seguir para Lesoto com o carro alugado em nome do Rafael, enquanto ele ficaria em Ladybrand (última cidade da África do Sul), até segunda, quando regressaríamos. Eu e Alberto pagamos os 30 maloti (moeda de Lesoto) para ingresso com carro, jantamos no aparente único estabelecimento aberto 24 horas logo após a fronteira e nos hospedamos no Cyaara Guest House, pagando 750 rands com quarto e café. Os rands sul-africanos são aceitos em qualquer lugar com a mesma cotação dos malotis lesotenses, assim como ocorreu com os dólares namibianos. 9º. Dia Tiramos uma foto da bela igreja católica com pedras expostas, enchemos o tanque pagando menos que na África do Sul, e deixamos a caótica capital por uma rodovia em bom estado rumo a Semonkong. O caminho, tanto antes como depois deste projeto de cidade é totalmente rural, com vilas com choupanas tradicionais, plantações de milho, pecuária de gado e ovinos, carros velhos, poucos turistas e paisagens deslumbrantes de relevo. Como as estradas sobem e descem as montanhas o tempo todo, as jornadas tomam mais tempo e são perigosas (Lesoto é o 2º país com mais mortes por acidentes de carro). Entramos numa estrada de terra braba em Semonkong, onde almoçamos por 50 rands no Semonkong Lodge, de onde começa a trilha de 4 km e meio até Maletsunyane Falls, cachoeiras belíssimas com até 193 metros de altura, e bastante volume nesse período chuvoso. Ali fica também o maior rapel do mundo com 204 metros. Atravessamos campos encharcados em meio aos simpáticos habitantes. Passamos um bom tempo admirando as quedas antes de voltarmos para o carro. Seguimos viagem para Qacha’s Nek. No trajeto servimos até de táxi, pois um que estava levando passageiros quebrou. Já era noite quando paramos no Nthaoua Hotel, na entrada da cidade. O quarto é massa, mas ficamos sem wi-fi e com um chuveiro bem limitado. 10º. Dia Choveu a noite toda, e quando saímos para o parque a estrada que já era ruim ficou intransitável sem tração 4X4, principalmente porque pegamos a pior das duas vias que levam de Qacha’s Nek a Selahbethebe, graças ao GPS. Depois de uns 20 minutos de viagem andando na 1ª ou 2ª marcha, nosso carro atolou de vez na lama. Prontamente o povo de Lesoto nos ajudou. Enquanto uns foram atrás de reboque, nada menos que 10 homens e mulheres de um vilarejo vieram nos ajudar erguendo o carro para colocar pedras, o que deu tração para que eu conseguisse tirá-lo. Ficaram felizes em ajudar-nos e nem pediram algo em troca. Infelizmente abortamos o parque, mas quando demos carona a uns jovens que iam a igreja, ficamos sabendo de um tal de Snake, que poderíamos visitar nessa cidadezinha de fronteira sem grandes atrações. O Snake Park, o primeiro do tipo no país, é uma iniciativa privada bastante interessante. Fizemos um tour com o próprio dono, que além de nos mostrar as víboras e najas altamente venenosas de Lesoto, nos contou sobre a preparação e dificuldade para erguer e manter este espaço, pois inclui também iniciativas socioambientais. Há ainda um rochedo sobre o qual vê-se toda a cidade, montanhas vizinhas e fronteira. Almoçamos na avenida principal e regressamos a Maseru. No caminho, além da infinidade de paisagens indescritíveis, um evento no mínimo inusitado: a cada poucas dezenas de km, cruzavam na rodovia pastores e suas dezenas de bois e ovelhas trancando toda a via. Chegamos no final da tarde no tumulto da capital, vimos a cabeça de leão na montanha, jantamos no Pioneer Mall, um shopping center ocidental típico e voltamos à mesma hospedagem. 11º. Dia No Basotho Hat, localizado no centro da cidade, compramos um bocado de souvenires artesanais como jóias, estátuas, máscaras, etc, por bons preços. Cruzamos a fronteira de volta, pegamos o Rafael em Ladybrand e regressamos a Joanesburgo. A rodovia com pedágio é muito boa, então dá para rodar tranquilamente a 120 km/h permitidos. Felizmente achamos o passaporte na praça de alimentação da estação de trem. Assim, seguimos os 3 diretamente para Suazilândia. No caminho apenas plantações e pequenas cidades. Cruzamos a fronteira de carro em Oshoek ao anoitecer. Pagamos 50 rands na fronteira. Uma via rápida nos levou à hospedagem situada entre as 2 maiores cidades do país, a capital Mbabane e Manzini. Por mais incrível que pareça, ficamos alojados em um cassino na Suazilândia, o Happy Valley. Em frente fica um shopping center, onde jantamos na rede sul-africana Spur. 12º. Dia Bem próximo fica o Mantenga Nature Reserve, onde fomos pela manhã. Pagamos a taxa de 100 rands de entrada. Primeiro caminhamos até a cachoeira - até que ela é bonita, mas a vista não é das melhores e não se pode tomar banho. A segunda atração da reserva é o Swazi Cultural Village. A visita guiada nos leva a uma réplica em tamanho real de um vilarejo típico da Suazilândia no período pré-colonização holandesa e inglesa. São ocas e cercas de palha e madeira onde as famílias poligâmicas viviam junto de suas vacas, orando para seus ancestrais e fabricando cervejas com marula. O passeio termina com uma apresentação de 45 minutos de música e danças típicas bem interessante. Almoçamos lá mesmo e, como estava chovendo, seguimos ao Museu Nacional. Pelos 80 rands de entrada (30 para estudantes) você aprende de forma textual e gráfica sobre a história, costumes e natureza do pequeno país. Em seguida, passamos por um mercado de artesanato meio caro, onde ficam as coloridas velas Swazi. À noite ficamos no hotel. O salão do cassino é bem considerável, com diversas máquinas e jogos de mesa, mas dispensamos a jogatina. 13º. Dia Comemos até não podermos mais no melhor café da manhã que tivemos nesta viagem e em seguida fomos em direção norte. Primeiro passamos na fábrica e loja de cristais Nungwi Glass. Você pode observar como eles aprenderam com os suecos a fazer magníficos cristais de diversas formas , principalmente animais e abstratos. Se não se importar com o preço, aproveite a loja em seguida. Um pouco mais além, subimos o morro que leva às minas de ferro de Nungwi. Por 30 rands um guia te mostra a enorme cava abandonada, um pequeno museu e conta a história da mina mais antiga do mundo explorada pelo povo San há mais de 40 mil anos, em busca de ocre. Lá pelos anos de 450 começou a ser explorada pelo minério de ferro, até que no século 20 assumiu escala industrial. Aproveitei a visita para enriquecer minha coleção geológica com especularita, hematita e ocre. Almoçamos comida indiana em um shopping center da capital Mbabane. O centro administrativo é bem menor e mais organizado do que poderia supor. À tarde tocamos para Manzini, outra grande cidade e principal em termos de comércio do país. No entanto é feia e aparentemente a única atração é o mercado de artesanatos. Localizado no segundo piso de uma construção consiste em alguns corredores com estandes de vendedores onde você pode calmamente barganhar muitos produtos diferentes, como máscaras, estátuas, camisas, colares, chaveiros, tambores, recipientes, além dos clássicos ornamentos e trajes dos guerreiros. Nos hospedamos em um quarto triplo com ar e frigobar no Valley View Lodge, por 330 rands cada. A área é confortável. Ficamos tomando umas no terraço que é um mirante. 14º. Dia Levantei 5 horas da madruga para pegar o transporte até Maputo. Meus companheiros voltaram a Joanesburgo. Assim como boa parte da África, o veículo só parte quando cheio ou quase. Como naquela manhã chuvosa só havia eu e mais um passageiro no ônibus que iria para Maputo por 90 rands, tivemos que embarcar às 6 e meia num micro ônibus que por 45 rands nos deixaria na fronteira de Lomahasha-Namaacha. Lá ingressei no meu 50º país, fiz câmbio na rua e imediatamente segui espremido com meu mochilão em uma van até Boane, por 50 meticais (moeda de Moçambique, equivale a uns 2,5 reais). Assim que desembarquei, subi num micro até o centro de Maputo por 20 e poucos meticais. Caminhei até o albergue Fátimas Backpackers. Almocei num restaurante indiano com decoração brega em frente (Royal Sweets). Pelo menos havia wi-fi bom, ar e aceitava cartão. Segui meio aleatoriamente a pé passando por alguns pontos de interesse, como a Igreja de Santo Antônio da Polana e o Museu Nacional de Geologia (uma interessante aula de geologia acompanhada de uma significativa coleção de rochas e minerais), pagando 50 rands pela entrada. Depois disso não vi nada aprazível. A cidade é meio suja, decadente e insegura. Nem mesmo a orla se salva. Lá fui parado pela polícia. Como estava portando meu passaporte com o visto e não estava com nenhuma substância ilícita, não me pediram dinheiro. Voltei para o albergue, onde conheci um grupo de cariocas. Jantamos no indiano e ficamos tomando cerveja local 2M (80 meticais) no albergue. A cama do dormitório coletivo não é muito confortável e os ventiladores não vencem o calor até mesmo durante a noite. 15º. Dia Teoricamente eu iria até a praia de Tofo nesse dia, mas devido ao ciclone Dineo que atingiu em cheio a região de Inhambane, um dia antes, tive que ficar um dia a mais em Maputo. Aproveitei para passear pelo centro histórico, onde ficam prédios, monumentos e museus. Ao lado da Catedral Metropolitana na Praça da Independência fica a estátua de Samora Machel, líder revolucionário da independência de Moçambique de Portugal. Entrei nos museus da ferrovia, da pesca, da arte e da fortaleza, todos custando entre 20 e 50 meticais. Há informações escritas tanto em inglês quanto português, mas são pequenos e não tão interessantes. O que mais gostei foi o ferroviário, dentro da estação de trens de passageiros e cargas de Maputo. Fiquem atentos para os horários estranhos de funcionamento, pois enquanto o de arte nacional só abre às 11 horas, já o de história natural fecha às 15horas e 30 minutos. Comi pelo centro mesmo, observei alguns prédios com arquitetura interessante, entrei no mercado municipal, que vende artigos alimentícios, sobretudo não processados, e segui de volta. No caminho passei brevemente pelo Jardins Tunduru, uma tentativa frustada de se fazer um jardim botânico. Ao menos a entrada é gratuita. Ao anoitecer, eu, Felipe (carioca) e Jake (que havia conhecido em Windhoek, assistimos a uma apresentação musical no Centro Cultural Franco Moçambicano. Bholoja, Rodália e Samito, um cantor, violeiro e pianista Suazi, uma cantora Moçambicana e um percussionista. Não sei definir o ritmo e nem o idioma do concerto, mas foi uma intensidade de arrepiar. 16º. Dia Ás 5 horas da madruga, eu, Jake e os 8 brasileiros, partimos de ônibus (990 meticais) para Tofo, mais ao norte. Foi difícil dormir satisfatoriamente a longo do trajeto, visto que as poltronas não reclinavam e que fomos parados em cerca de 10 barreiras policiais. Chegando em Tofo no começo da tarde, era bem perceptível a destruição causada pelo ciclone, como habitações destelhadas, árvores e postes caídos, eletricidade, água e internet voltando lentamente. Almocei salada de polvo (250 meticais) na própria hospedaria, Fátima’s Nest, da mesma administração de Maputo. Tomei umas geladas com um rasta gente boa que pagou. A hospedagem fica de frente para o mar, em uma praia longa e plana, com água de temperatura agradável e algumas ondas. Foi na areia que corri alguns quilômetros no final da tarde. Ao retornar, vi alguns poucos plânctons bioluminescentes na linha da água. Como quase tudo estava fechado, jantamos num restaurante chamado Ulombe, que desrecomendo. Nossos pedidos levaram mais de 1 hora para ficar prontos, não vieram conforme solicitado, e ainda fizeram confusão na hora do pagamento. 17º. Dia Por 3200 meticais, nós 10 e mais um casal greco-lusitano, fizemos um passeio de dia todo com rango incluso no estuário de Inhambane, organizado no Fátima’s. Primeiro fomos na caçamba de uma picape até a Praia da Barra, onde pegamos um barco à vela pelo estuário raso até a Ilha dos Porcos. Ali vive uma comunidade semi-isolada. Sob sol escaldante fizemos um “city tour” pela ilha, aprendendo sobre seus costumes. O melhor veio em seguida. Um baita banquete de frutos do mar (mexilhão, camarão, peixe, siri), além de matapa (culinária regional), arroz e salada. Caímos na água em algum ponto no estuário para um pouco de snorkeling. Pequeninos recifes escondiam lagostas, moreias, siris e alguns peixes. Velejamos lentamente por mais um tempo, terminando o passeio com o final da tarde. Depois jantamos pizzas na hospedagem e fomos ao centrinho curtir um som e dançar num lugar aberto que estava com um agito, entre locais e gringos. 18º. Dia Enquanto os brasileiros prosseguiram ao norte para Vilanculos, fiquei um dia a mais para tentar observar os gigantes tubarões-baleia. Aparentemente, Tofo é um dos melhores lugares no mundo para este fim. Consegui um desconto e por 2700 meticais, contra os 3200 de tabela para fazer o chamado safári oceânico na operadora Liquid Adventures. A entrada no mar grosso com a lancha foi emocionante. Vimos muitos trinta-réis e algumas tartarugas, mas infelizmente nenhum tubarão-baleia. O passeio também inclui um pouco de snorkeling em um ponto aleatório, onde vi peixes, corais e um ctenóforo bem interessante. Passei o resto do dia curtindo a praia. À noite reencontrei por acaso o gaúcho Rafael que estava no restaurante Casa de Comer com mais brazucas. O lugar é meio caro, mas um dos poucos funcionando naquela noite sem luz. 19º. Dia Retorno a Maputo às 4 horas da madruga. FEIMA (Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia) à tarde com os brasileiros da noite anterior, Juliana e Gabriel O Pensador. São centenas de estandes dos mais variados souvenires. 20º e 21º. Dia Dias dos múltiplos voos. Tomei o café da manhã em Maputo, almocei em Joanesburgo, lanchei em Windhoek e jantei em Luanda. Quase confiscaram meus souvenires por não conter recibo de venda. No dia seguinte, passei por Guarulhos e cheguei a Florianópolis, curtindo as boas lembranças dessa baita viagem. Curtiram? Então não deixem de conferir outros relatos mais detalhados no meu blog: http://rediscoveringtheworld.com
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