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  1. Pessoal. Agora em Janeiro estive na Chapada dos Guimarães exclusivamente para pedalar. Mas não levei a bike. Aluguei uma Bicicleta apropriada para a Trilha lá na cidade e tive excelentes dicas de passeios com a galera de Lá. Segue o primeiro vídeo desta aventura. Logo postarei o segundo vídeo, que trata do Pedal no Alto do Céu. Espero que curtam.
  2. A CICLOVIAGEM DE FINAL DE ANO - 2017 Planejei sair dia 26/12/2017 pra fazer a cicloviagem, partindo de SJC com destino a Ubatuba. O planejamento foi feito a partir de todos os mapeamentos disponíveis e com os diversos softwares de georreferenciamento que utilizo no meu cotidiano (MapSource, Basecamp, Trackmaker e Googleearthpro, principalmente). Procurei planejar um roteiro passando por locais onde eu nunca havia estado antes. Foi assim que criei um roteiro planejando subir a serra entre Caçapava e Jambeiro a partir do Bairro da Germânia (em Caçapava) e, depois da serra, esticar até São Luiz do Paraitinga onde eu pretendia dormir num hotel. Estimativa de pouco mais de 90km de pedal... morro pra “caramba”. Sabia que seria difícil, muito difícil... Ademais tinha o peso do camelbak com várias tralhas e o alforje lotado com roupas, eletrônicos, ferramentas, câmara extra (providencial, pois precisei dela depois... mas vou chegar lá) chinelo, remédios básicos, enfim, uns 15kg de peso extra e muito arrasto na bike... Mas isso fazia parte do roteiro e dos planos. Planejamento é fundamental, mas dificilmente a gente consegue seguir o plano em sua totalidade... no final das contas o planejamento só serve pra gente fugir dele e deixar o acaso agir, preparar-se para o imponderável, para aquilo que não se prevê... Kkkkk!!!!! O plano já furou na saída... eu tinha pensado em sair umas 7hs da manhã, mas acordei tarde pra cacete e saí 10:20hs!!!!! Eu tinha bebido muito no dia 24/12/17 e isso estava repercutindo em meu rendimento. Eu estava enjoado, meu estômago e fígado estavam “detonados” e um “mal-estar” permanecia, com uma leve dor de cabeça latejando nas têmporas. Os excessos com a cerveja no Natal estavam me “judiando” kkkkkkkkk. O primeiro trecho planejado para a viagem era totalmente urbano e, portanto, no asfalto... saída do meu bairro no Altos de Santana, atravessei a ponte Maria Peregrina e o rio Paraíba do Sul, estiquei pela Via Norte, caí no Parque da Cidade e pedalei pesado até o bairro do Tesouro. Saí na estrada marginal da Via Dutra e pedalei até o distrito de Eugênio de Melo e, de lá, segui pelo asfalto até Caçapava. Em Caçapava atravessei a Dutra por debaixo de um pontilhão e peguei uma rua chamada Barreto Leme (marginal à Via Dutra, no sentido Rio de Janeiro) onde segui até a rua João Benedito Moreira, que é a rua que dá acesso ao bairro da Germânia, já na zona rural de Caçapava e onde entrei nas estradas de terra. (Observação: se jogar essas informações no GoogleEarthPro dá pra gerar a rota). Às 13:00 cheguei no bar do Jonas no bairro rural da Germânia em Caçapava. Eu tinha percorrido mais de 37Km em 2:40hs... Excelente minha média horária de 14km/h, considerando o peso na bike e a ressaca do Natal!!!! Comi umas frutas. Ainda estava meio enjoado, mas precisava subir um grande morro... a serra entre Caçapava e Jambeiro. No local fiquei sabendo que o caminho que iria subir se chama estrada do coletor (tinham placas indicando esse nome), mas não sei quem coletava “o que” naquele lugar... achei engraçado!!!! Foi a única coisa que achei graça, porque logo depois iniciei a subida, primeira grande dificuldade técnica do dia... 45 minutos subindo, “vovozinha” nas marchas, fiz minha primeira parada... Bebe água... mais água... mais um cadinho d'água... 5 minutinhos de descanso e volto a subir!! Mais meia hora de pedal e paro, perto da exaustão, fico 15 minutos me recuperando, dou mais uma esticada de 200m e venci o morro... puta merda!!!! Tava cansado pra “caracas”!!!! Do outro lado da serra uma grande descida compensou o gasto de energia da subida, mas as péssimas condições da estrada não permitem “soltar” a bike, então a descida precisa ser técnica e tinha que tomar cuidado com os alforjes e todo o peso das coisas também... Viagem solitária, o silêncio falava alto em minha alma e tinham os meus medos que me “encucavam” reverberando em minha mente... “E se eu passar mal??” “E se a bike quebra??” “E se chover forte?? Onde me abrigo? E se tiver raios? Puts... Tenho medo de raios!!!!” Quase 50 anos de idade nas costas, muita coisa pra pensar e refletir. Ao longo do caminho pensava sobre os vários erros já cometidos em minha vida e que escancaram o “lixo” que sou. Eu rezava e me dava a oportunidade de me perdoar e de ser sincero comigo mesmo e então ocorreram vários “insights” e epifanias e intuições que de certa forma dão um sentido à minha vida, mas que paradoxalmente, não encontram eco em minha racionalidade! E era essa difícil e impiedosa contradição entre meu espírito e minha mente que me motivava a continuar pedalando... e rezando!!! Mas estou narrando minha viagem e não o resultado de minhas introspecções, então, vamos lá... Depois da descida da serra entrei numa estrada de terra que interliga as cidades de Jambeiro e Redenção da Serra... estrada muito difícil, com muitos morros e cada subida de morro era um desafio maior. Houve momentos em que praguejei, me senti fraco e entristecido. Acho que ando forçando muito meu corpo!!! Preciso diminuir a quantidade de cerveja que bebo, kkkkkkkkk!!!! À medida que me aproximava da cidade de Redenção da Serra eu via a chuva e os raios e trovões me cercando e isso me abalava psicologicamente... pensava comigo mesmo... “E se essa chuva cair?? E tem os raios!!!! Ai que medo de raio!!!! E se essa chuva cair e me pegar na estrada?? Como minha roupa seca até amanhã?? Onde me abrigo??? Como será??”... Pedalava ofegante, cansadão!!! Sou um homem de pouca fé!! Até que enfim, cheguei num bar, eram 17:49hs... bar do Pescador... acho que era esse o nome do bar!!!! Estava protegido. Passam 5 minutos e desaba um mundo de água e chove muito!!! Por dentro eu era só agradecimento!!!! Cheguei em Redenção... apesar de todos os percalços, de toda a dificuldade, de todos os medos!!!! E cheguei antes da chuva!!!! Não tomei uma gota de chuva na cabeça!!! Apesar da minha falta de fé e minha racionalidade, o místico dentro de mim aflorava em emoções diversas e vários sentimentos e percepções e intuições e a experiência do sagrado se fazendo presente em minha vida!!! Epifanias podem ser forjadas no nosso sistema nervoso e a fisiologia até pode explicar o conjunto de sentimentos e emoções que experimentamos nessas experiências. Minha racionalidade aponta constantemente nessa direção, explicando a origem bioquímica dos meus sentimentos. No entanto, essas epifanias são tão esclarecedoras e reveladoras que me permitem a experiência do sagrado, do encontro com o “divino”, e isso é tão pessoal, tão particular, tão íntimo, que me maravilho diante do fenômeno “vida” e da natureza da vida e de como esse corpo que ocupo e minha mente atuam. Novamente me perco em minhas reminiscências durante a produção desse texto!!!! Vou voltar a contar sobre a viagem em si e parar de falar sobre minhas reflexões e experiências de êxtase “religioso”!!! Como é difícil dissociar o racional do emocional!!! O quanto que a realidade sacralizada transcende a dimensão do material e corpóreo!!!! Como essas experiências são minhas e apenas minhas!!! Já tinha decidido que não dormiria em São Luiz do Paraitinga... primeira mudança de planos!!! Ia dormir em Redenção da Serra. Até porque, estava chovendo pra caramba e tinha mais 36Km até São Luiz do Paraitinga (pelo asfalto). Amaina a chuva, eram 18:12hs, saio do bar do Pescador e pedalo até o trevo, onde acho uma pousada simples pra passar a noite em Redenção da Serra. Pousada Paraíso (fone 12-36761221). R$50,00, um bom banho quente, uma cama, uma tv... caramba, essa sensação de ter chego a um lugar e de estar novamente em uma situação de conforto depois de um dia inteiro de pedal é muito boa!!! Na pousada conheci Marlene, proprietária, que foi uma pessoa muito legal comigo. Uma excelente anfitriã. Na realidade eu já sabia da pousada por indicação de Fábio, que é um colega de trabalho cuja família é de Redenção da Serra. Achei engraçado que quando comentei sobre Fábio com Marlene ela disse que o conhecia, mas que não lembrava do nome dele, então ela se referia a ele apenas como “o marido de Simone”!!! Quando voltei a encontrar com Fábio comentei com ele que, em Redenção, ele é “o marido de Simone” e não o Fábio, rsrsrsrsrsrsrs. Na pousada ainda tinha um grupo de ciclistas (acho que eram 3 caras) que estavam fazendo a “Rota da Luz” (www.rotadaluzsp.com.br). Os caras estavam em bikes de aro 29 e sem alforje. Pedal diferente do meu. Achei muito legal encontrar outros ciclistas fazendo outra cicloviagem... o mundo está mudando mesmo e muitas pessoas fazem essas atividades de cicloturismo hoje em dia. Imagino o dia em que todas as rodovias terão ciclovias paralelas onde trafegarão lado a lado todos os tipos de veículos. Comi um X-bacon-salada num carrinho de lanche que fica na praça central da cidade (R$10,00), voltei pra pousada e desmaiei. Dia 27/12/2017 acordei 6:00hs. Já não me sentia enjoado. Tinha tomado muito líquido (sucos e água) e estava me sentindo bem melhor. Antes do café da manhã fui no mercado, que fica na rua de cima da pousada (acho que chama mercado São Judas Tadeu, mas não tenho certeza), e comprei pilhas pro GPS. Lá “colou” em mim um “senhorzinho” que começou a me pedir um $$. Achei o “tiozinho” bem comédia, um “figuraça” e dei uns trocadinhos que tinha na carteira, mas o cara continuou me pedindo mais dinheiro até que a mulher do mercado deu uma bronca no “Zezão” (esse era o nome do “tiozinho”) dizendo pra ele não me encher. Achei a cena engraçada, mas fiquei imaginando que o Zezão deve ficar pedindo dinheiro pra todos os clientes do mercadinho. Dei risada sozinho!!! Dias depois, comentei a cena e o fato com o Fábio e fiquei sabendo que o Zezão é o único “mendigo” de Redenção da Serra (demos muita risada juntos), e que o Zezão tem realmente problemas psiquiátricos (lógico), e que a mania que ele tem é ficar pedindo dinheiro pra todos os que aparecem na cidade. Assim, o Zezão é uma figura carismática, que representa um daqueles casos em que o povo da cidade acolheu o cara e criou um mito, ao se apiedar do ser humano pela sua inocência, e reproduz suas histórias e faz com que elas sejam contadas com todo o humor. Segundo Fábio isso inclusive rendeu uma marchinha de carnaval na cidade, que inclusive tem um bloco de carnaval chamado “Bloco do Zezão”!! No final das contas, Zezão é uma figura pitoresca, assim como a própria cidade de Redenção. Talvez seja o munícipe mais famoso da cidade hoje, kkkkkkkkkkkkk. Acho que ele é mais conhecido que o prefeito, kkkkk. Continuando a minha cicloviagem, tomei meu café da manhã na pousada e dei uma “enrolada” batendo papo com a Dona Marlene e com outras pessoas da pousada. A bicicleta e as cicloviagens são elementos que criam empatia nas pessoas e elas gostam de conversar, ouvir as nossas histórias, compartilhar a “vida” e isso permite bom contato com as pessoas. É no “outro” que me “percebo” como ser humano e isso é bom. Resultado, acabei saindo quase 9:00hs da manhã em viagem. Agora eu tinha que escolher entre dois caminhos a seguir até São Luiz do Paraitinga... um pelo asfalto e outro por estradas de terra. Em função do horário decidi seguir pelo asfalto, até porque eu sabia que teria muito morro pra enfrentar a tarde e eu quis dar uma adiantada na viagem. O caminho pelo asfalto encerrava 41Km até a entrada da estrada da Catuçaba. Pelas estradas de terra eram só 35Km (6Km a menos), mas pedalar na terra é sempre mais lento que no asfalto e o caminho pelo asfalto eu conhecia... resolvi não arriscar... Os primeiros 16km segui na Rodovia Major Gabriel Ortiz Monteiro até chegar na Rodovia Oswaldo Cruz. Uma hora certinho de deslocamento. Único incidente foi uma picada de vespa no ombro.... caracas... doeu pacas!!! Na Rodovia Oswaldo Cruz percorri mais 25Km até a entrada da estrada da Catuçaba em São Luiz do Paraitinga. Fiz esse trajeto (25Km) em exatamente duas horas, sendo que fiquei 15 minutos parado e pedalei por 1:45hs. Mais de 14 km/h de média horária. Ao contrário do dia anterior eu estava me sentindo bem, bastante “inteiro”. Ainda tinham mais de 50Km pra percorrer até Ubatuba e eu já tinha pedalado mais de 40Km em 3 horas. Mas já era meio dia e o sol ora aparecia e ora se escondia atrás das nuvens e criava um mormaço forte, mas não tinha chuva. Catuçaba é um bairro da zona rural de São Luiz do Paraitinga. A estrada da Catuçaba é asfaltada, mas quase não tem trânsito. Logo no início da estrada da Catuçaba vi um rapaz, parei pra perguntar sobre o caminho, as condições da via, distâncias, enfim, informações que são úteis a um viajante. O cara só faltou falar pra mim que eu estava “fudid**” kkkkk. Disse que a estrada estava toda esburacada, que a distância era enorme, que era muito melhor ir pelo asfalto da Rodovia Oswaldo Cruz... kkkkk... Dei risada e segui viagem... todas as informações do cara estavam erradas... a estrada estava em excelentes condições (inclusive com as chuvas), as distâncias a serem percorridas estavam todas dentro do programado e com certeza foi muito melhor ir por dentro do PESM, seja pela beleza da estrada, seja pelo tráfego quase inexistente de automóveis o que deixa a viagem com muito mais segurança. Seguindo a viagem... Percorri 11Km na estrada da Catuçaba em 45 minutos e cheguei na estrada de terra que adentra e atravessa o Parque Estadual da Serra do Mar (PESM). Agora eu sabia que iria enfrentar mais morros até chegar ao Núcleo Santa Virgínia e sairia bem próximo da serra de Ubatuba na Rodovia Oswaldo Cruz, mas tinha que vencer mais 22Km. Logo no início da estrada que adentra o PESM (±2Km) pedi água na casa de um cara muito gente boa chamado José, mas o apelido dele é “Zé baiano” (a casa dele fica na coordenada UTM 23K – E-477670/S-7.426.000). Enchi meus reservatórios de água geladinha e comecei a subir morro!!! Faltavam 20Km pra retornar ao asfalto na Rodovia Oswaldo Cruz. Sugiro a todos que forem fazer essa viagem que parem pra pedir água na casa do zé baiano, não só por ele ser muito gente boa, mas porque ele vai te dar água gelada e vai te dar informações corretas sobre o caminho. 7Km de subidas de morro, venci 350m de altitude em 1:30hs de pedal. Média de 5Km/h, mas só subindo morro, atingi a cota 1097m de altitude (ponto culminante de toda a viagem). Já eram 15:00hs. Depois dessa subida são 13Km de estrada de terra com muitas subidas e descidas alternadas, até chegar na Rodovia Oswaldo Cruz. Mas a estrada estava muito boa e nesse trecho as variações altimétricas não são tão grandes, então consegui desenvolver uma boa velocidade até chegar nos escritórios da administração do PESM no Núcleo Sta. Virgínia, onde pedi água. A chuva estava rodeando e faltava apenas 3Km pra chegar no asfalto. Saí do Núcleo Sta. Virgínia e caiu uma forte chuva no lombo. Até esse momento da viagem ainda não havia tomado chuva. Reduzi bastante minha velocidade e segui devagarinho. Foi um momento difícil suportar a chuva... eu não estava muito preparado psicologicamente pra tomar a chuva. A forte chuva que caiu durou 15 minutos e amainou e o mormaço esquentou novamente. Cheguei na Rodovia Oswaldo Cruz às 16:20hs com quase 74Km pedalados em 7:20hs. Eu estava muito feliz de ter conseguido chegar. Agora eu já estava em Ubatuba. Na cumeada da serra dei uma pequena parada, ajeitei minhas coisas no alforje, verifiquei o que tinha molhado com a chuva e comecei a descida. Tudo certo. Todas as sacolas dentro do alforje estavam molhadas, mas todas as minhas roupas e equipamentos estavam secos (tudo enrolado em sacos plásticos de supermercado, kkkkkkk, pra que saco estanque??) A descida da serra de Ubatuba é muito legal, mas exige concentração e atenção redobrada. Existem riscos, ainda mais com a pista molhada pela chuva. De qualquer forma, o trânsito intenso me protegia, pois os automóveis andam devagar na serra e os carros atrás de mim me protegiam, pois os motoristas acabam respeitando o ciclista no trecho de serra e dão um certo recuo. No finalzinho da serra eu estava atrás de um carro e acabei passando por cima de algumas calotas que ficam caídas ao longo de quase toda a serra e o resultado é que o pneu dianteiro da bike furou. Na realidade a câmara de ar rasgou mesmo e tive que por uma nova (aquela câmara do começo do texto)... ainda bem que eu estava bem equipado e tinha uma câmara reserva e bomba de ar e tudo o mais que era necessário pra eu fazer o conserto do pneu. Eu estava feliz, apesar da chuva que caía. Em 15 minutos troquei a câmara arrumei o pneu, dei graças a Deus de não ter sido o pneu traseiro pois daria muito mais trabalho. Terminei a descida da serra e peguei pesado no pedal até a casa de minha mãe, onde cheguei exatamente às 18:02hs. 9 horas de viagem, contabilizando inclusive os momentos parado, quase 93Km pedalados. Eu era só felicidade nesse momento. Tomei um banho quente, me alimentei e dormi muito. Nos dias seguintes muita chuva, mas pedalei mais um pouco. Fui até o Rio Escuro pegar meus filhos, fui ver meus amigos Carlinhos e Pedro Paulo no morro da pedreira e acabei revendo o “Joca”, foi muito legal... enfim, curti a minha bicicleta nos meus passeios pela cidade de Ubatuba. Essa é a história dessa cicloviagem de final de ano. Espero que quem ler esse relato curta a história. Abraço a todos A CICLOVIAGEM DE FINAL DE ANO-2017-2018.pdf
  3. Bike Trip Amsterdam Antuérpia Quis publicar essa experiência porque quando pensei em fazer essa viagem encontrei pouca informação a respeito. Então pensei que poderia ser útil para outros viajantes. Fiz a viagem em set/2017. Todos os valores estão em euros. Criei um blog onde coloquei esse mesmo relato com as fotos da viagem. Pra quem quiser conferir o endereço é: https://biodaltro.wixsite.com/merggulho O começo Essa é minha terceira visita a Amsterdam. Estar num lugar da Europa sempre sugere conhecer os arredores, tudo tão perto e tão acessível. Mas, até aqui, isso não tinha sido possível. Nessa temporada vim mais determinado. Imaginei uma viagem de bicicleta depois de pedalar a primeira vez pelas ruas de Amsterdam. A estrutura pro uso de bicicletas aqui é fantástica, revolucionária, instigante, e entrei de verdade no clima, e no espirito da cidade, somente depois desse dia. Uma onda, a melhor onda de Amsterdam. Tive a certeza de querer viajar pedalando depois que fui mais longe um pouco, e senti uma sensação de liberdade que só havia sentido antes nas caminhadas que faço. Ciclovias intermináveis. Primeiro busquei um site de viagens, que oferecia roteiro, bike, hospedagem, transporte da bagagem. 7 dias de Amsterdam a Bruges, por 800 euros. Considerei, mas pacotes não são bem meu estilo. Então aproveitei apenas o roteiro. Passei a imaginar a viagem seguindo o mesmo roteiro, mas alugando uma bike em Amsterdam, e reservando os locais para pernoitar por minha conta. Encontrei muitas opções, e o custo caiu. Alugar uma bicicleta para circular por Amsterdam e conhecer a cidade é muito fácil, você esbarra nas opções por todo lado. Mas alugar para uma viagem não é tão comum, nem tão mais barato como eu imaginava. Então comecei a pensar em comprar uma bike de segunda mão. Muitas pessoas daqui me sugeriram isso. Aqui eles tem um tipo de eBay holandês - www.markplaats.nl. Foi a indicação que me deram. Encontrei muitas bicicletas boas e baratas. Tive que garimpar, em holandês, usando um tradutor. 2 dias antes - segunda - 04/set - Amsterdam Depois de muito olhar comecei a separar as bicicletas que eu mais gostava, e foi assim que cheguei na loja Fietshokje, em Haarlem, que fica a mais de 20 km de Amsterdam. Fui de ônibus, em meia hora, viagem super tranquila e bonita. Na loja encontrei muitas bikes, de todos os tipos, preços e estados de conservação. Olhei, olhei e escolhi. Não foi tão barata como eu esperava, mas tinha cara de nova. Saí de Haarlem rumo a Amsterdam já pedalando. Emocionante essa possibilidade. Abri o mapa no celular e segui. O tempo todo andei por ciclovias. Atravessei lugares lindos, com muita vontade de sentar na varanda de um bar, tomar uma cerveja e curtir esse momento mágico. Mas decidi comemorar pedalando. A ciclovia acompanha as auto estradas, mas à distância. Geralmente você pedala bem próximo aos canais, em meio à vegetação. 1 dia antes - terça - 05/set Amsterdam Como ja tinha planejado viajar por aqui, e acabava não rolando, dessa vez defini uma data, pra tentar fazer as coisas acontecerem. Bom, essa data era ontem, e já estou 2 dias atrasado. Mas contou aí a inexperiência, e a falta de intimidade com a cidade. Depois que comprei a bike, e comecei a pedalar, vi que coisas essenciais estavam faltando. De cara uma corrente contra roubo e uma campainha. Apesar de ser o lugar que é, Amsterdam tem um índice altíssimo de roubo de bicicletas. Numa das lojas que entrei, deixei a bicicleta sem tranca na porta e entrei pra me informar. O atendente se virou e disse: “Senhor, nunca, nunca, nunca, deixe sua bicicleta sem segurança na rua.” Uma campainha também é essencial quando o trânsito de bicicletas e pessoas é mais intenso. Evita freadas, e mesmo acidentes. O uso do GPS é fundamental. Não consigo me imaginar chegando a algum lugar por aqui sem o GPS, principalmente pedalando. Na volta de Haarlem parei mais de 30 vezes, tirava o celular da mochila, e conferia a rota. Logo percebi que um suporte pro celular no guidom ajudaria muito, e esse foi o terceiro acessório. Nesse mesmo percurso usei uma mochila leve e pequena, bem mais leve e menor do que a que preciso levar na viagem. Então, um bagageiro, e uma pequena caixa plástica presa nele foram a alternativa para encaixar a mochila, e livrar o peso e o calor nas costas, quarto e quinto acessórios. Uma bomba para encher os pneus foi o última e clássica aquisição. A bike estava pronta, ficou um espetáculo. Partida certa no dia 6/set, destino Gouda, a terra dos queijos. Mas ja sei que lá tem muito mais que isso. loja: Fietshokje bicicleta - 150,00 loja: Het Zwarte corrente - 55,00 loja: Tromm mao de obra - 15,00 protetor e suporte pro celular - 29,95 bagageiro - 35,95 caixa plastica 25L - 19,95 bomba - 11,49 extensor - 7,95 total - 325,29 Dia 1 - quarta - 06/set - Amsterdam - Gouda (57,5 km) Dei uma ultima reorganizada na mochila, tirei algumas coisas, coloquei outras, tentando conciliar peso com funcionalidade. Achei que ficou mais adequada, mas essa impressão vem realmente durante a viagem. De manhã o tempo estava nublado, bem nublado. Não muito frio. Vesti uma camiseta sintética de manga curta, e coloquei a mochila dentro de um saco (não trouxe a capa), e dentro da caixa. A caixa plástica acoplada ao bagageiro foi uma ótima solução pra transportar a bagagem, e no final do dia vi como viajar com a mochila nas costas teria me destruído. Iniciei a viagem às 10:00. Com uns 5 minutos de pedalada a chuva começou. Me abriguei, troquei a camisa pela de manga comprida, e protegi melhor a mochila. Esse foi tempo suficiente pra chuva parar, e retomei o caminho. Não me impressiono mais com a chuva por aqui, porque ela é bem passageira. O GPS tem sido fundamental pra conseguir me deslocar a longas distancias por aqui. Além de tudo plano, sem meus tradicionais pontos de referencia - montanhas, e canais parecidos por todos os lados, as ciclovias em muitos trechos tem mão única. Então, se você erra um caminho, não pode simplesmente dar meia volta e retornar ao ponto certo. Tem que fazer um retorno, como se estivesse dirigindo um carro. Mas não foi difícil sair de Amsterdam. Os visuais ainda dentro da cidade já são incríveis. A principio pareceu que uma bicicleta com 6 marchas seria um exagero, num lugar plano como a Holanda, mas o grande adversário por aqui é o vento. Nas retas descampadas senti a pressão, mesmo não sendo a época de ventos fortes. Tive que me adaptar também a pedalar com o volume e o peso da mochila, principalmente nas paradas e nos trechos com vento mais forte. Em Gouwsluis tive bastante dificuldade de seguir em frente. O GPS me conduziu pra uma rota em que a ciclovia estava interditada. Eu tinha atravessado um rio, e percorrido uma boa distancia pela margem direita, quando encontrei a interdição. De um lado, o rio, do outro, campos cultivados a perder de vista. Pedi orientação a uma pessoa que estava por ali, que me disse pra retornar, atravessar o rio e seguir pela ciclovia do outro lado. Mas já imaginava que isso não seria tão simples, porque observei do outro lado uma espécie de porto fluvial, com muitos containrs depositados. Retornei, atravessei o rio, e fiquei bastante tempo tentando encontrar o caminho. Refiz a rota algumas vezes no aplicativo. Mas apesar de estar na outra margem ele não alterava o itinerário, me direcionava pro mesmo trecho interditado, e girava como uma bússola doida quando eu não seguia na direção indicada. Na loja de acessórios para bicicleta vi uma pequena bússola que se adapta ao guidom, e me arrependo de não ter comprado. Finalmente encontrei alguém para pedir informação - era um lugar bem deserto de pessoas andando, e consegui encontrar a saida. Imagino que gastei cerca de uma hora nessa confusão. Passei a pedalar ao lado de um largo canal, ou rio, por onde circulavam grandes balsas transportando carga. Vi quea interdição do outro lado se tratava de uma manutenção na contenção das bordas. Ali eu já estava transitando pelos “paises baixos”, com a noção do rio fluindo acima da terra. Mais adiante, quando margeava alguns canais menores, o desnível entre o espelho d’água e os campos onde o gado pastava era maior ainda, talvez mais de uns 2 metros. Ainda me perdi mais algumas vezes. Num determinado ponto o GPS me indicava pra virar numa direção onde não havia como atravessar uma rodovia bem movimentada, sem acostamento, faixa para pedestres, nada. Noutro, ele me jogou mesmo pra rodovia. De repente me vi pedalando ao lado de carros e caminhões em alta velocidade. Não havia acostamento, e as buzinadas sucessivas me convenceram a entrar pro mato ao lado da estrada, descer da bicicleta, e voltar empurrando, pelo mato. Depois que sai da estrada ainda fiquei em idas e vindas sucessivas, com o GPS rodando doidão, até achar a direção correta. Nesse ponto devo ter gastado também mais uma hora. As rotas equivocadas e o esforço pra encontrar o caminho certo me cansaram mais que a pedalada em si. Olhava pra previsão de chegada do navegador, e contava os minutos pra chegar. Mais pelo êxito do que pelo descanso. Faltavam cerca de 15 minutos, ou até menos um pouco, quando a bateria do celular acabou. Por sorte trouxe uma bateria auxiliar. Ela carrega o celular, mas não o faz funcionar imediatamente. Precisei aguardar algum tempo ate que houvesse carga suficiente pra religar o navegador. Esse foi o último contratempo, e então finalmente cheguei, com 5 horas e meia de percurso, 3 horas a mais do que o inicialmente previsto. O hotel é muito bom, Campanile Hotel, melhor do que eu realmente precisava, mas foi basicamente a única opção, pelo preço e localização. Ainda assim eu estava ha 3,5 km do centro. Tomei um banho, ocupei o espaço, e aproveitei a estrutura pra lavar algumas roupas usadas no dia. E saí rumo ao centro, a pé. Não queria continuar pedalando, na essência sou um andarilho. Mas, os 3,5 km de ida, mais a volta, mais o reconhecimento do centro de Gouda, me consumiram bastante energia, a que tinha me sobrado, porque não cheguei tão cansado da pedalada, como cheguei da caminhada. O centro de Gouda me surpreendeu. O caminho até lá era bem convencional, menos atraente do que a região residencial de Amsterdam. Mas o centro, bem restrito a uma pequena área, possui muitas construções antigas, canais, pontes, pequenas vielas, tudo num clima muito pitoresco. Cheguei no final da tarde, por volta das 17:00. As ruas estavam bem vazias e tranquilas, o que dava a paisagem um ar ainda mais intimista. Muitos estabelecimentos ja estavam fechados. Infelizmente ja estava bem cansado, ansioso por voltar ao hotel e recuperar minhas energias, e não desfrutei da visita ao centro de Gouda como gostaria. O caminho de volta foi bem mais interessante. Percorri espaços muito bonitos, bucólicos. Pequenos canais, muita vegetação, e construções integradas a natureza. Tive a sensação de estar o tempo todo andando por um bosque habitado, com trilhas que exigem ser um local para não se perder. Ou um GPS. Cheguei de volta ao hotel depois das 20:00, e logo fui dormir. Hotel (Campanile) - 72,00 imposto - 1,51 Cafe da manha - 11,50 mercado (suco de laranja, vinho, queijo, pão) - 8,50 Dia 2 - quinta - 07/set - Gouda - Dordrecht - 40km O dia começou bem. Briguei um pouco à noite com o edredom - estranhamente não havia lençol de cobrir na cama, e o barulho da estrada em frente pareceu durar a noite inteira. Mas levantei refeito, cedo, e fui pro café da manhã, que valeu super a pena. Cappuccino, café expresso, suco de laranja, vitamina de frutas, frutas picadas com iogurte, salame, peito de peru fatiado, sucrilhos com leite, croissant, pão preto, pão de ciabata, queijo. Aproveitei pra, sem pressa de comer, ir escrevendo sobre o dia de ontem, e a comida me inspirou. Subi pro quarto por volta das 09:30, e consultei a previsão do tempo. Chuva prevista para as 14:00. Tempo de viagem até Dordrecht, 2 horas. Mas esse não é o tempo que estou gastando, como comprovei ontem, e novamente hoje. Ainda custei a sair, e as rodas da bike só começaram a girar mesmo às 10:55. Até agora me pergunto como demorei tanto pra sair. A saída de Gouda foi tranquila, e logo estava atravessando um vasto campo de pastos, cortado por muitos canais pequenos, com vacas, ovelhas, cavalos, patos, marrecos, gansos, cisnes, frangos d’água, e muitos pássaros. Um percurso silencioso e bucólico. No mapa, uma reta de mais de 6 km. Tentei não parar muito pra fotografar, e priorizar completar o caminho num tempo menor, preocupado com a previsão de chuva. Essa é uma região agrícola. Fazendas, talvez sítios na nossa concepção, com holandeses trabalhando no trato da terra e dos animais. Pareciam proprietários, colocando “a mão na massa”. Passei por casas à beira do caminho. A região é repleta de água, e os moradores exploram as condições naturais do local. Todas as casa utilizam os canais na decoração, com plantas, enfeites, estátuas de animais - patos, gansos, porcos. Transmitem felicidade, cuidado, bom gosto. Parecem viver em cartões postais, mas com simplicidade. Passei por uma casa em construção, e tive que parar. Me pareceu um lego gigante. Algumas partes já estavam montadas. Empilhadas ao lado, outras peças aguardavam para ser encaixadas. Dois homens trabalhando, e um contêiner que parecia funcionar como alojamento. Nenhum dos trabalhadores falava inglês, e não pude saber mais sobre o trabalho. Tudo ia bem, e eu seguia pedalando, até me deparar com outro trecho de ciclovia interditado. Naquele labirinto de campos, canais e caminhos, o aplicativo traçou uma nova rota, que eu comecei a seguir. Num determinado ponto, bem mais a frente, a pane começou. A rota sumiu, meu posicionamento foi lá pro outro lado da Holanda, e eu comecei a encerrar e reiniciar o aplicativo. E ia pra um lado, e voltava, e pegava outra direção, e nada. Por fim escolhi uma direção e segui. Bem mais a frente cheguei a uma rodovia, e um senhor que não sabia me informar o caminho, me indicou a direção onde ficava Dordrecht. No caminho eu deveria atravessar um rio, de balsa, e poderia me informar melhor. E foi o caminho que segui. Um pouco depois o aplicativo resolveu cooperar, e facilmente cheguei a Lekkerkerk, onde atravessei de barco o rio Lek. Me sentia feliz, achando que o destino estava certo e garantido, mas levei nova rasteira. Logo depois de começar a pedalar na outra margem, aplicativo doidão, me abandonou. Mesma situação, indicações desconexas, e uma vastidão deserta de pessoas. Encontrei um rapaz, numa fazenda, que mal falava inglês, mas conseguiu me apontar pra que lado seguir. E mais uma vez segui uma certa intuição, sei lá, talvez um pouco de bom senso também, e consegui sair daquele “branco no mapa”. Um pouco mais a frente o aplicativo voltou a cooperar, mas agora também a bateria do celular começou a jogar no time adversário. Faltava pouco, uns 10 km. Busquei todos os recursos que conseguia imaginar, placas, intuição, bom senso, e quando encontrava alguém, pedia informação. Boa prática de colocar a timidez de lado, e o pouco inglês que tenho pra fora. Finalmente cheguei em frente ao Bastion Hotel, novamente o melhor preço/localização, e novamente bem acima do que pretendia. Mas, avistar o hotel não encerrava essa jornada do dia. Ele estava do outro lado de uma rodovia muito movimentada, e como mencionei anteriormente, se eu estava de bicicleta precisava chegar até ele por uma ciclovia. Isso nem sempre é simples. E não foi. Primeiro tentei atravessar a avenida, e para isso precisei fazer uma grande volta, que me levou a um parque, que estava entre mim e o hotel, muito perto, quase podia tocá-lo, mas não foi possível chegar nele. Entre nós apareceu uma ferrovia, e depois um canal, e nenhuma passagem pro outro lado, que cada vez ia ficando mais distante. Volto a lembrar que aqui, se você está de bicicleta, não pode traçar uma reta de onde você está até onde quer chegar, e ir. As pessoas atravessam as ruas nas faixas. Não se atravessa uma linha de trem fora da passagem de nível, muito menos se estiver de bike. Então, tive que voltar um grande trecho que já havia percorrido, uma volta de 360 graus, pra chegar ao hotel que estava ao meu lado. Mas estou aprendendo. O hotel é, mais uma vez, muito mais do que eu esperava ou precisava. Mas foi o que se apresentou. Minha prática de ir decidindo e reservando conforme a viagem vai fluindo, está saindo cara aqui, e já estou tentando fazer diferente. Novamente, cheguei no hotel, ocupei o espaço, tomei um banho, e saí. Dordrecht é uma das cidades mais antigas da Holanda, e a parte mais antiga da cidade, um pequeno centro, possui mais de 1000 edificações históricas. Foi o que eu li, e estava doido pra ver de perto. Dessa vez não estava tão cansado, e mais perto do centro, 2,5 km. O caminho repetiu o que vi em Gouda, uma cidade mais moderna e convencional nos arredores, mas não sem suas peculiaridades, que vai ficando mais encantadora conforme vai-se aproximando do centro. Pelo pouco que conheci até agora da Holanda, me arriscaria dizer que há características comuns em todos os lugares por onde passei. Tranquilidade e proximidade com a natureza, bicicletas e aparência saudável das pessoas, seriam as primeiras. Parques, muitos parques por todos os lados, e pessoas desfrutando deles de uma forma que parece ser bem cotidiana. Também chama minha atenção o cuidado e o prazer no trato dos jardins, que não me parece algo estético, voltado pra quem vai ver de fora, mas um envolvimento do morador com o espaço em que ele vive. Bom, tudo isso vai me ocorrendo ao longo do caminho. A paisagem é instigante. Viagens, culturas, habitats, variações que vão agitando os pensamentos. O centro de Dordrecht tem muitos canais, e tive a sensação de uma viagem no tempo. As fotos falam melhor. Tive vontade de circular por todos os lugares, e entrar em cada beco, cada passagem estreita, através de prédios. Parei pra tomar uma cerveja, em frente a um canal, do lado de fora - a temperatura está bem agradável, e acho que estou aclimatado. Presenciei uma cena bastante comum por aqui. Alarme soando, cancelas baixando, trânsito parando, e a ponte sendo elevada para um barco seguir pelo canal. Voltando pro hotel, quando já estava escurecendo, passei em frente a um clube de escalada magnifico, envidraçado, paredes equivalentes a uns 4 andares de altura, instigante. Mais um dia de aventuras e emoções. travessia de barco - 0,90 hospedagem no Bastion - 84,00 cerveja (2) - 8,00 mercado (suco de laranja e pacote de cookies) - 3,50 café da manha - 14,00 Dia 3 - sexta - 08/set - Dordrecht - Willemstad - 33km 07:00 - O dia amanheceu horrível, tempo bem fechado, bastante vento, e chuva. A previsão não desmente isso, e também não acena com melhora antes do meio dia. O café da manha se repetiu uma boa escolha como a de ontem. Muitas opções, que me fizeram ficar bastante satisfeito pra encarar a jornada de hoje. 08:30 - o tempo melhorou um pouco. Da janela do salão do café vejo muitas bicicletas seguindo seus destinos, apesar do tempo ruim. 09:30, e o tempo piorou novamente. Chove e venta. Já vou considerando a possibilidade de pedalar desse jeito mesmo. Adversidades. 10:50 - A previsão indica tempo com chuva pra todo o dia. O período mais favorável é de agora até as 14:00. Então estou indo. Esperei bastante por um erro na previsão do tempo, mas ela está certa. A chuva melhora e piora, e de dentro do hotel parece estar ventando bastante. Enquanto saía, um grupo de umas 4 pessoas, com idades em torno dos 65 anos, parecia estar chegando. Um carro trazia bicicletas no bagageiro. Ficaram me olhando, enquanto me preparava para sair na chuva. Me pareceu que aquelas bicicletas não desceriam do bagageiro. Parti às 10:55. Mochila bem ensacada, vesti o anorak com capuz, e fui. Hoje pedalei direto, do início ao fim, sem nenhuma parada. Os adversários do dia foram a chuva e o vento, que atacaram o tempo todo, variando apenas a intensidade e a combinação dos dois. Exceto por um pequeno trecho no início, passei quase o tempo todo por áreas industriais, muitas empresas e galpões imensos. Vi muitos trens, de passageiros e de carga. Trens de carga circulando pra todo lado são um indício de desenvolvimento. O navegador não falhou hoje. Talvez uma trégua por conta da chuva e vento. Realmente não sei como seria se ocorresse uma pane daquelas dos outros dias. Mesmo assim, hoje foi um dia de desafio. Não que eu me sentisse desafiando a natureza, destemido contra a chuva e o vento. Pelo contrário, me senti entrando em contato com ela, e tentando me adequar. Levei 3 horas pra completar o percurso, e cheguei bem molhado. O terceiro hotel, Het Wapen van Willemstad, não fugiu à regra. É igualmente bem acima das minhas expectativas, de preço e padrão, e mesmo assim a melhor opção que se apresentava. Cheguei, lavei as roupas que estavam molhadas, e aproveite o aquecedor do quarto pra secar. 16:00 - O tempo piorou, chove mais do que quando cheguei, impossível de sair para conhecer a cidade. Tentei, mas me molhei, e só consegui duas ou três fotos sem que a lente da câmera ficasse respingada. O hotel é também restaurante, que está bastante cheio, em sua maioria pessoas da terceira idade, europeus aparentemente. Agora, um novo grupo, de umas 30 pessoas, muitos falantes, começou a ocupar os lugares de dentro do restaurante. A varanda já está cheia. Estão animados. São muitas risadas. A chuva me desanimou bastante. Pedalei todo o percurso na chuva, cheguei bem molhado, e continua chovendo. A cidade é pequena, muitas casas, poucas opções. Depois de comer, tomar uma cerveja, e escrever um pouco, voltei pro quarto. A animação das outras mesas não estava me contagiando. Pelo contrario, muitas vezes nessas situações me sinto ainda mais solitário. Momentos. Um dia de chuva como esse não estava nos meus planos. Fui dormir cedo. Poucos registros fotográficos nesse dia. hotel (Het Wapen) - 81,50 imposto - 1,20 almoço (ravioli) - 12,50 cerveja - 2,50 supermercado (pão, peito de peru, vinho) - 4,50 Dia 4 - sábado - 09/set - Willemstad - Hoogerheide - 37km Mudança de rumo. Meu roteiro, e paradas, foram ficando incompatíveis com meu bolso, ou com o que estou disposto a gastar nessa pedalada. Então, minha próxima parada foi definida pelo preço da hospedagem que consegui, e por isso retracei a rota, e estou indo para Hoogerheide. Isso não me surpreende. É mais ou menos como funcionam minhas viagens. Escolho um objetivo, uma direção, e eles vão se alterando conforme vou seguindo. Vou tentando perceber, e me orientar pelos sinais. É o que mais gosto nessas aventuras, e o que mais me surpreende. Mexe com minha cabeça, e muitas vezes só faz sentido mais na frente. Em Willemstad continua a chover, e a previsão é de continuar chovendo. Estou ansioso por deixar esse lugar, que era o que mais queria conhecer. Um pouco depois do café da manhã, que hoje foi bem reduzido, comecei a arrumar minha mochila. Quando olhei pela janela, o céu começava a ficar azul, e o sol aparecia. Com tudo arrumado, saí pra tentar as fotos que não consegui tirar ontem. A cidade é bem pequena, e logo registrei o que eu queria. Já estava realmente querendo partir. Encontrei nos fundos do hotel algumas ruínas, e descobri que se tratava de uma fortaleza ao redor do que hoje é a cidade, construída para defesa contra as invasões napoleônicas. História. A cidade é ilhada por um canal. Isso fica bem visível no mapa. Saí às 10:30 - o sino da igreja tocou, com céu bem aberto, não completamente, e sol. Estava gostoso pedalar. Mas isso não durou muito. Ainda resisti aos primeiro pingos, que foram aumentando, mas o céu bem carregado não deixava eu me iludir. Parei, ensaquei a mochila, coloquei e ajustei o anorak, e continuei. E continuei bem tranquilo, mais do que ontem, acho que mais preparado. Pedalei mais devagar, e então não suei tanto dentro do agasalho. Também percebi que estava olhando mais pra paisagem, e menos pro navegador. Estava mais relaxado, mesmo com a chuva. Depois de uma hora de pedalada a chuva parou. Ainda continuei com a mochila protegida, e com o anorak vestido. Por fim estava tudo seco, até mesmo o tênis, e faltavam poucos quilômetros. Tudo perfeito. Cheguei a parar para umas fotos em Steenbergen. Quase no final do percurso nuvens cinzentas surgiram de repente. Talvez já estivessem por ali, e eu me distraí. Mas, mesmo depois de vê-las, tentei não considerar. Então, como segundo aviso vieram as trovoadas. Olhei pro navegador, faltavam pouco mais de 10 km, uns 10 minutos. Pensei em procurar um abrigo, algo raro por aqui. Surgiu um galpão aberto, um pouco afastado da ciclovia, com pessoas por perto. Mas preferi apostar nas pernas e na velocidade. E perdi. Um temporal despencou, a menos de 2 km do hotel. E eu, que já estava completamente seco, fiquei completamente molhado novamente. Cheguei no hotel às 13:20. Simpatizei de cara com o hotel, Tasty World, e com a localização. O preço do quarto, e do café da manhã influenciaram. Mas não foi só isso. Depois de tomar um banho, e colocar minhas coisas pra secar, saí pra comprar um lanche. Em frente ao hotel tem um Albert Heijn, o mesmo supermercado de Amsterdam, muito bom. Comprei pão, presunto e suco de laranja. Voltei pro quarto pra comer. Depois, saí pra conhecer a cidade, hoje de bicicleta, e foi um prazer guiar sem peso. A cidade tem cerca de 3 km de uma ponta a outra, é bem pequena. Circulei um pouco, e escolhi um bar pra tomar uma cerveja, sentado sob o sol. Aproveitei pra escrever um pouco. O contexto é inspirador. Quando cheguei de volta ao hotel, que é restaurante também, estava lotado. O restaurante é bem grande, e deviam ter mais de 100 pessoas, num clima bem animado. Pedi um café, sentei num canto, e mais estórias. O sol devolveu meu ânimo, e a viagem segue. Já não é mais a viagem planejada, adquiriu contornos próprios, e os próximos quilômetros ainda são uma surpresa. Os canais estão abertos, e “la nave va". Decidi ficar mais um dia aqui, explorar os arredores, descansar, e decidir pra onde seguir. Bruges deve sair do roteiro. E a volta deve ser de trem. Mas nada é certo enquanto não é passado. Já estou gostando de pedalar na chuva. Isso é muito engraçado. Tasty World - 45,00 cafe da manha - 8,5 imposto - 1,50 mercado (pão, suco de laranja, peito de peru) - 5,00 2 cervejas - 5,80 2 cafés - cortesia Dia 5 - domingo - 10/set - Hoogerheide - 40 km Dormi a melhor noite desde que comecei a pedalar. Acordei cedo e tomei um super ontbijt (café da manhã). O dia estava lindo, sol, céu completamente azul. Fui conhecer uma vila que fica às margens do rio Escalda, o rio por onde os barcos chegam a Antuérpia. O nome da vila é Bath. Demorei um pouco a sair, 11:00, comendo muito. A ida à Bath foi fácil. Um caminho por entre fazendas. Campos extensos, com plantações e criações, geralmente de ovelhas. E aquelas casas que se tem vontade de morar. Pedalar sem peso foi muito bom. Levei uma hora pra chegar. No caminho muitas bicicletas, indo e vindo, algumas bem velozes. Fui encontrando pelo caminho cataventos gigantescos, geradores de energia. Temos muitos deles no nordeste. Aqui parecem mais integrados a paisagem. A vila de Bath é muito simples e pequena, não muito diferente do que tenho visto nas cidades por onde tenho passado, e não me demorei muito. Um quadro tipo de avisos, na cidade, exibia, dentre os anúncios, um jornal antigo com a foto de um cargueiro chinês que encalhou em frente a vila em 14/jul/2017, e atraiu muitos curiosos. Por pouco não vi. Dali continuei pedalando ao longo do rio na direção da fronteira com a Bélgica, que estava a menos de 5 km. A paisagem no horizonte era bem industrial. Encontrei um ponto de bombeamento da água de um canal pro mar. Pude perceber nitidamente a diferença de nível, o canal abaixo do nível do mar. No mar, a água despejada formava uma grande correnteza. E assim eles mantêm a Holanda abaixo do nível do mar. Coisas legais da engenhosidade humana. Não voltei pelo mesmo caminho. Segui por um canal, e conseguia ver mais à frente a ponte por onde tinha atravessado esse mesmo canal na ida. Quando cheguei em baixo da ponte não havia caminho para subir, apenas uma rampa não muito extensa, com um capim baixo. Teria que retornar um grande trecho pra fazer o caminho convencional. Não foi pela pressa, nem pelo cansaço, mas tracei uma reta rampa acima, e subi pelo meio do capim, me sentindo um pouco selvagem, e um pouco coerente. O dia estava legal. As vezes mais frio, as vezes o vento mais forte, nenhum peso no bagageiro. Tudo isso era um presente, depois das últimas pedaladas com chuva. A vida aqui parece ser tranquila e simples, e eu podia sentir isso. No caminho passei por um casal. Deviam ter uns 70 anos, ele pedalando, ela na cadeira motorizada. Iam na mesma direção que eu, e logo os ultrapassei. Bem mais na frente, e bem depois, eu os encontrei no supermercado. Tinham ido fazer compras, no modo holandês de ser. Comprei algumas coisas pra comer, e lanchei no quarto. Acabei dormindo um pouco. No hotel me falaram de uma floresta na saída sul da cidade, e fui lá pra conferir, no final da tarde. É uma grande área de mata que se estende além da fronteira com a Bélgica. Uma floresta bem menos densa do que as que eu conheço no Brasil, com muitas espécies de pinheiros. Fui pedalando e cheguei na fronteira com a Bélgica. Ao menos foi o que o navegador me disse. Não havia qualquer demarcação. Quando estava dentro dessa imensidão, o vento começou a ficar forte, e o céu carregado. Já passava das 18:00, e o horário, mais as nuvens, deixaram o ambiente bem escuro. Lembrei de “A Bruxa de Blair”. Pra siar, só com GPS, e muitos trechos das trilhas eram muito arenosos, impossíveis de pedalar. Tinha que descer da bike e empurrar. Voltei pro hotel, tomei um banho, desci pra uma cerveja, e fui dormir cedo. Pedalei 40km no dia. Tasty World - 45,00 cafe da manha - 8,5 imposto - 1,50 mercado (maçã, suco detox, vinho) - 8,00 cerveja - cortesia Dia 6 - segunda - 11/set - Hoogerheide - Antuérpia - 31 km Acordei cedo, mas ainda queria dormir mais. Essa noite não foi tão boa quanto a anterior. Mas levantei logo porque o café da manhã durante a semana é de 06:30 às 08:00. Tudo bem, queria mesmo seguir em frente. Café da manhã bem completo, me abasteceu plenamente. Café expresso, cappuccino, suco de laranja, pão preto, queijo, peito de peru defumado, nozes, amêndoas, iogurte, banana, morangos (sem agrotóxico). A manhã estava legal pra viajar, céu aberto, pouco vento. Parti as 09:30. Foi o dia que sai mais cedo. Os primeiros quilômetros eram bem familiares. Pedalei por eles algumas vezes nesse pouco tempo. Estava sentindo um pouco de frio, mas esperei o corpo esquentar com o movimento. Os trechos com sol eram bem gostosos. Depois de sair de Hoogerheide pedalei bastante tempo por dentro da floresta. A estrada e a ciclovia cortavam essa mata de pinheiros variados por mais de 7 quilômetros. Ar puro, silêncio, e verde. Vontade de mergulhar novamente nesse mar. Achei interessante que nas paradas de ônibus ao longo do caminho sempre havia um banco, e lugar para estacionar bicicletas. Uma realidade muito legal. Em Putte o Lebara me avisou que eu tinha entrado na Bélgica, sem que eu tivesse percebido. Não havia barreiras, placas, avisos. Talvez um dia vivamos assim, num mundo sem fronteiras. Passei por poucas cidades, e quando me toquei já estava na região metropolitana de Antuérpia. Fiz o percurso em 2 horas, 31 km, as pernas estão fortes. Algumas dores que sentia pelo corpo antes da viagem, sumiram. Endorfina. Também devo ter perdido algum peso. Não foi difícil chegar ao hotel, Hotel Antwerp Billard Palace, usando o navegador. Agora estamos nos entendendo. Pedalar na Bélgica foi diferente de pedalar na Holanda. Nem sempre há ciclovias, e a consciência não parece ser a mesma, dos pedestres, dos carros, e dos ciclistas. Há bem poucos locais adequados pra estacionar as bikes, que ficam presas na maioria dos postes existentes pelas ruas. Mas minha experiência foi bem restrita. Percorri apenas cerca de 20 km dentro do país, e só conheci uma cidade. Fiquei mesmo apaixonado por pedalar na Holanda, e esse andarilho está gostando de estar sobre duas rodas. Parei a bicicleta em frente ao hotel, com as trancas, mas não ficou presa a nada. Em frente, todos os postes estavam apinhados de bicicletas, presas umas por cima das outras. No final da tarde consegui um cantinho apertado dentro hotel pra guardá-la. O hotel fica numa praça. É bem mais caído que os outros, e mais barato também. Se acostumar com coisa boa é fácil. No térreo, ao lado da recepção, funciona um fast food, mais ou menos, e no primeiro andar uma espécie de bar, com muitas mesas de bilhar, e uma frequência bem estranha. Não entrei pra conferir. Na mesma praça está a estação central de trem, uma construção magnifica, não sem motivo conhecida como “Catedral do Trem”. Tem 4 andares de linhas chegando e saindo. Troquei minhas roupas, coloquei alguns destinos no navegador e fui. Primeiro fui a um parque bem próximo. Parques são um espaço especial por esses lados, e incorporei eles aos meus atrativos prediletos. Depois fui até a Catedral de Nossa Senhora, e circulei pelo centro. Muitos prédios e lugares interessantes. Por último, fui até as margens do rio Escalda, e passei em frente ao castelo lendário que envolve a origem do nome da cidade - um gigante, um romano que corta sua mão, e a arremessa no rio. De lá voltei, com medo da chuva, e com fome. Havia muitas opções de lugares pra comer. Escolhi uma pizzaria bem legal, moderna, e isso, junto com uma cerveja, me deixou ok. Na saída, chuva, e vento forte, daquele que dá medo de alguma coisa voar em cima. Quando a chuva parou procurei um lugar pra tomar um café, e fui parar na estação de trem, a “Catedral”, no Café Le Royal. Tomei um cappuccino, e uma De Koninck, cerveja local muito boa. Ano de fundação do café, 1830. Fiquei ali bastante tempo, degustando a bebida, o ambiente, e escrevendo umas linhas. Embarco amanha de volta pra Amsterdam, de trem. Passagem 53,40 euros, incluindo 13 euros pra transportar a bicicleta. Em 6 dias pedalei 239 quilômetros. 48,00 - Hotel Antwerp Billard Palace (com imposto) 10,10 - pizza e cerveja 1,60 - cafe expresso 10,10 - cappuccino e 2 cervejas na estação 7,00 - mercado (pão, peito de peru, suco de laranja) Dia 7 - terça - 12/set - Antuérpia - Amsterdam Legal Antuérpia, mas pra viajar pedalando acho que vou preferir não sair da Holanda da próxima vez. Depois de conhecer o melhor, o senso critico fica mais aguçado. Já estava acordado há bastante tempo, mas não quis levantar antes das 8:00. A noite foi longa. Com as paredes finas, um casal apaixonado no quarto ao lado agitou a noite. E foi muito amor. Tudo bem. Não rolou café da manha, comi o que tinha no quarto: pão, maçã, e suco de laranja. Minha cabeça já estava em Amsterdam, faltava levar o corpo. Minha bike ficou guardada no meio de uma escada espiral que descia pro porão do hotel. Tirar ela de lá foi a primeira coisa que fiz. Meio uma questão de cumplicidade. Depois fui comprar a passagem de trem. Primeira viagem de bike, primeira viagem de trem por minha conta, sozinho no velho continente, e carregando uma bicicleta. Fico tenso, mas gosto. Se sua bike for dobrável talvez você não pague um valor a mais por leva-la. Não foi meu caso. A passagem vem sem horário, você pode pegar o primeiro trem que chegar. Transitei normalmente pela estação com a bicicleta, elevadores, escadas rolantes. Primeiro me senti com uma melancia no pescoço, mas logo fui encontrado outras bicicletas, e fui vendo que aqui isso é comum. Cheguei a dar informação pra uma estrangeira que não sabia o fazer com a bike quando o trem chegasse. Eu sabia que não tinha como saber antes do trem chegar. Legal, me senti. Quando o trem chegou, descobri. O compartimento pra colocar a bike ficava no último vagão. Eu estava no extremo oposto, e o cara que me informou isso me disse: “corre”. Ainda voltei pra confirmar se aquele trem ia mesmo pra Amsterdam, e ele falou: “vai, mas acho melhor você correr, de verdade”. E eu corri. Consegui. Foram poucos segundos entre eu entrar no trem, e ele sair. No compartimento, você prende a bike, e pode ir escolher uma poltrona pra sentar. Se quiser também pode ficar fazendo companhia pra bike. Quase fiz isso. Coisas de brasileiro, que dorme sempre com um olho aberto. Mas aqui é bem diferente, e vale a pena tentar viver esse clima de tranquilidade. O trem “voa” e retornei em 01:50 o que levei 6 dias pra avançar. Em muitos pontos da viagem reconheci a paisagem. Conferia no mapa e via que estava certo. Muito legal isso. Muito bom chegar de volta a Amsterdam. Nessa viagem, como sempre, aprendi muitas coisas, compartilhei algumas aqui, outras ficaram na mente. Essa aventura acaba aqui, mas as estórias continuam em Amsterdam.
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