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Patagônia Chilena e Argentina- Primavera 2010-via região dos lagos


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Acordei para o fazer o Vale do Francês (pehoé-campamento italiano-campamento britânico-mirador). Estava um pouco preocupado porque estava sentindo muito as trilhas e agora seria mais pesado em tese, por causa do bate e volta. Foram inacreditáveis 30km em 8h30min, 4h40min só de ida. Pra alguns veteranos isso pode ser traquilo, mas nunca tinha feito algo assim. Foi uma superação pra mim.

A trilha, mais uma vez sensacional, mas diferente do Grey, porque é a maior parte montanha acima. Saí 8:30h. No caminho muita variedade de paisagem e quando chega lá em cima a sensação é de que se está numa catedral com aqueles imensos paredões de granito a sua volta. Ao fundo a vista do lago de onde você iniciou a trilha. Muito frio lá em cima. Foi um tal de tira e bota roupa porque sinto muito calor quando estou andando.

Não peguei dias de sol, mas considerando o normal da região com chuvas e ventos fortes, me considero um sortudo, pois não vi nada disso.

Voltei muito satisfeito nesse dia e senti que já estava mais adaptado as caminhadas de longa distância. Comecei a usar cajado que encontrava na trilha, o que me ajudou bastante com o joelho.

No dia 4/11 decidi ir embora pegando o catamarã no pehoé as 12:30h. Da onde eu estava não daria pra fazer nenhuma outra trilha e voltar a tempo mesmo a tarde. Mas como vi o dia lindo de sol que fazia resolvi subir um morro que fica atrás do lodge paine grande. Fiquei lá 1h admirando o lago, as torres, e tudo o mais. Sensacional aquelas cores!

As 13h já estava no Pudeto pra pegar o bus de volta a Puerto Natales.

Torres del paine é um lugar que ninguém pode deixar de ir antes de morrer. Eu voltaria lá, sem dúvida, pra fazer o W, já que só fiz o V.

Acredito que nesses tours de 1 dia , onde você não entra nas trilhas de fato, não dá pra sentir a magia do lugar.

Chegando em Puerto Natales, descansei pra seguir no dia seguinte pra El calafate e El Chalten.

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Peguei o bus da Cootra as 8:30h, em direção a El Calafate (5h de viagem,Ch$12000). Chegando lá já comprei passagem pra El Chalten pro fim da tarde, pela Caltur, ida e volta em aberto (Ar$130). E agendei o minitrekking para quando retornasse de Chalten. Dei uma volta pelo centro de El Calafate pra esperar a hora do embarque e me surprrendi com a cidade. Bonita, arborizada, organizada e limpa. Comi um cordeiro patagônico no El Tablito, e sorvete de calafate. Achei as pequenas cidades argentinas mais bonitas que as chilenas e mais baratas.

Cheguei em El Chalten a noite. Acho que foram 4h de viagem. El Chalten é um pequeno povoado no meio do nada que não tem nada, além de maravilhosas oportunidades pra trekking e alpinismo. Se você não se interessa por isso, nem passe perto, mas se gosta não pode deixar de ir. É um paraíso.

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Amanheceu nublado, de novo! Decidi fazer a trilha para cerro torre-laguna torre-mirante maestrini, na esperança de que no dia seguinte o tempo melhorasse pra ir ao Fitz Roy.

Foram 26km em 6:40h. A trilha não tem grandes variações e as vezes você tem a sensação de estar perdido, andando por horas numa paisagem meio árida, sem encontrar ninguém (por causa do mal tempo, talvez). Comparado com o que vi em TDP, se não tivesse no espírito poderia achar até entediante. Começou a chover.

Ao chegar na laguna não dava pra ver o cerro torre, encoberto, e o lago estava cinza. Com mais 2 km caminhando por pedras em torno do lago, cheguei ao mirante bem perto do glaciar. Fiquei sentado numa pedra observando por um bom tempo , sem avistar uma viva alma. Foi uma experiência interessante estar sozinho a km da civilização, naquele silêncio.

Na volta, a chuva apertou e queria parar pra comer, mas não encontrava abrigo. Resolvi parar em baixo de um arbusto numa pedra pra comer. Um erro, tirar as luvas que não consegui botar de novo por estarem enxarcadas, mas estava com muita fome. Ao voltar pra trilha começou a complicar, o frio, a chuva, as dores no joelho foram piorando (uma nova dor). Comecei a ficar meio puto, até que começou a nevar! Não acreditei. Apesar de não ser incomum nevar na primavera na região, eu não esperava e fiquei maravilhado. Nunca tinha feito trilha nevando. Nunca vou esquecer o contraste dos flocos brancos de neve com o verde das árvores. Até esqueci do frio.

Quando fui terminado a chuva e o frio voltaram. O final foi bem ruim mas, mais uma vez valeu o sofrimento.

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Creio que esse foi o clímax da minha viagem. um dia fantástico! Fiz a trilha mais difícil, porém a mais legal de toda minha vida, ao Fitz Roy. A chuva que tanto me prejudicou no dia anterior que na montanha vem em forma de neve, continuou a madrugada toda. Dessa forma vocês podem imaginar como ficou a trilha no dia seguinte.

Foram 25km em 8:00h de uma trilha incomum. 4:15 de ida.

A trilha por si só já é linda, mas conforme fui subindo percebi que havia neve nas copas das árvores, arbustos, troncos e margem do caminho e quanto mais alto ia, mais neve tinha até que num ponto todo o caminho estava coberto de neve, apenas com um estreito caminho de pagadas no centro da trilha. E o dia estava lindo de sol, sem nuvens!

Conforme foi esquentando a neve começou a derreter nos pontos mais baixos e quando entrava entre árvores, a sensação era de uma geladeira descongelando.

Após 3h cheguei ao momento mais difícil, os últimos 500m. Uma subida , implacável, íngrime como se fosse uma escadaria de pedra. Uma hora de subida. Ali, percebi que estava com bom preparo físico e fui direto, quase morrendo, mas direto, com objetivo na cabeça. Quando você acha que chegou, ainda tem um trecho de subida de terra e no meio da neve .

Cheguei! E me deparei com o paredão do Fitz Roy a minha frente. Inacreditável. Você pensa: "como vim parar aqui?!" A laguna de los 3 estava completamente branca de neve, não sei isso foi sorte ou azar. Fiquei ali um tempo admirando e depois desci. Voltei pelo caminho da laguna capri que é bem agradável também. Tinha um guanaco preso no acampamento capri. E o que ele estava fazendo ali??? Ao terminar descobri que meu joelho já era de uma vez, problema na cartilagem, muita dor.

Foi um dia fantástico!

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Decidi descansar nesse dia, por causa do joelho. Ainda tinha o minitrekking pra fazer e não sabia como conseguiria, pois andava mancando e não conseguia descer escada.

Peguei o bus as 13:00h e fui pra El Calafate.

Apesar da trilha do Fitz Roy ser incrível, não posso comparar TDP como um todo com El Chalten. TDP é algo realmente diferenciado, pela variedade de opções e lugares e estrutura. Mas pros alpinistas isso deve ser diferente.

Em El Calafate fiquei no Che Lagarto, grande hostel com boa estrutura e muitos mochileiros.

Agora era descansar pro Perito Moreno do dia seguinte.

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Meu único objetivo em Calafate foi conhecer o Perito Moreno num tour de dia inteiro. Não tive outros interesses. Se quiser fazer todos os glaciares, faça antes do Perito Moreno, se não não terá tanta graça. Recomendo muito o perito moreno com ou sem trekking. Eu escolhi o mini por conta do meu joelho e por ser mais barato também. Não posso opinar se vale mais fazer o big ice ou o mini. Só sei que vale a pena o mini. Fui com a hyelo e aventura (esqueci o valor e não anotei, mas foi algo em torno de AR$500). De manhã te levam dentro do parque (AR$75 a entrada), até as passarelas onde você fica cara a cara com o paredão do glaciar. Magnífico. Já tinha visto outros glaciares na viagem, mas esse é realmente imperdível. Ainda bem que foi o último. Não vou ficar falando aqui sobre o Perito Moreno porque tem vários posts sobre isso e também porque só vendo pra saber. De tarde você pega um barco que vai bem perto no glaciar e te deixa numa praia. Ali recebemos palestras e instruções. Através de uma pequena trilha se chega no local de acesso ao trekking, tudo guiado. Não se pode pisar lá por conta própria. A trilha é bem legal porque contrasta paisagem de verde com o branco-azulado do gelo. Chegando lá te calçam os grampones e te ensinam a andar sobre o gelo. É tranquilo, mesmo para um aleijado como eu estava. Fui mancando, ridículo! Realmente parece que se está em outro planeta, ou na lua quando se anda sobre aquilo. As fendas que contém água são de uma cor surreal. Adorei a experiência.

No passeio conheci um casal muito simpático de SP e eles me convidaram pra jantar em Calafate depois.

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Miha mãe sempre disse que chegaria longe um dia, e cheguei... ao fim do mundo, onde tudo termina, ou começa. Pra começar, a chegada por avião é sensacional, passa pelo meio de montanhas muito perto até pousar. Quando comprei a passagem comprei abrindo em múltiplos voos, sai mais barato, um pouco mais do que uma viagem ida e volta. Foi RIo x Bariloche, Calafate x Ushuaia, Ushuaia Buenos Aires, Buenos Aires x Rio pela Aerolineas Argentinas. Esqueci de mencionar isso antes.

Peguei um táxi para o hostel antartica (recomendo), e fui logo vendo as possibilidades de passeio para aquele dia, pois cheguei de tarde e consegui uma vaga para visitar a pinguineira. Corri para o porto, mancando, e sem saber muitos detalhes entrei numa van a caminho da estância hamberton. Eu achei que iriamos de barco pelo canal, num passeio tradicional, mas soube depois que só pegaríamos uma lancha pra atravessar o canal até a pinguineira depois de enfrentar um caminho de van por 1:45h. O caminho é bonito, mas muito cansativo e me deu sono. Chegando lá pega uma lancha pra isla martillo, a única com pinguins por aqui. Na correria de ir, percebi que não me praparei em termos de roupa e esqueci que estava em ushuaia, no fim do mundo, numa ilha habitada por pinguins do outro lado do canal. UM FRIO DESGRAÇADO! Não tinha tantos pinguins na ilha e apenas 2 espécies diferentes. É interessante vê-los de perto, mas acho que não vale os AR$280.

De volta conheci uma dupla figura de brasileiros. Sérgio e Marcelo do RJ. Fui jantar com eles. Era só o início de muitas risadas que ainda viriam no fim da viagem, pois além de Ushuaia nos encontramos também no voo de volta pro Brasil.

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Fui fazer o off road do lago escondido e fagnano, o que mais queria fazer aqui. E aí sim, um passeio que recomendo apesar do preço (esqueci o valor e não anotei). Mas esqueça isso e vá se estiver em Ushuaia. É a melhor atração do local. Um 4x4 te pega no hostel e te leva por um caminho bonito até um mirante para o lago escondido, muito bonito também. De lá vai fazer a trilha off road em direção ao Fagnano. è bem legal e dei a sorte de pegar um bom guia/motorista, muito divertido com cara de jamaicano (ele mesmo se apresentava como jamaicano). Ele de vez em quando saía do carro em movimento e deixava o veículo subindo sozinho a trilha engatado. Para numa castoreira e de lá se vai a pé até a praia no lago, onde tem um churrasco muito bom feito na floresta. Come-se bem. As florestas parecem cemitérios de árvores por conta do trabalho dos castores e do tipo de solo. O castor não tem predador lá porque foi introduzido inadvertidamente e virou uma praga.

Depois de comer muito te levam para o lago escondido pra fazer canoagem em dupla. Minha dupla foi o guia figura. è um passeio de dia inteiro.

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Meu último dia na Patagônia e resolvi conhecer o parque nacional tierra del fuego, mesmo sabendo que não poderia fazer nenhuma trilha mais. Fui com o James, um texano. O próprio hostel chamou um transporte pra gente de ida e volta, tem uns horários certos que passam as vans. Dentro do parque tem locais específicos onde eles te deixam e pegam. tem que ficar de olho nos horários e na empresa que te levou. tem várias. Pra entrar o parque custa Ar$65. É bem bonito, mas sinceramente depois de passar pelos lugares que passei não vi tanta graça. Mas hoje vendo as fotos, vejo o tanto que é bonito Ushuaia. Talvez se fizesse essa parte no início da viagem seria melhor.

Queria ter feito a senda costera, muito bem falada, mas só consegui caminhar pela baia lapataya. TIrei algumas fotos e acabei voltando cedo pro hostel.

A noite fui num tenedor libre comer churrasco com Marcelo e Sérgio.

Sem dúvida o final da minha viagem foi mais interativa, pois no início fui no propósito de ter uma viagem mais introspectiva. Estava passando um momento complicado e precisava daquilo, daquele lugar, daquele jeito. tanto que voltei de alma lavada, com a impressão de que a maioria de meus problemas foram ficando por aquelas montanhas da Patagônia, lugar abençoado.

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Acabei optando por ficar uma tarde/noite e uma manhã em Buenos Aires porque não conhecia e tinha que fazer escala por lá de qualquer maneira. Mas descobri que não se pode misturar viagens...saberão em breve qual a razão.

Voo longo de 3:20 de Ushuaia x BArS. Taxi caro do ezeiza Ar$140.

Fiquei no hostel suites florida . Saí logo pra conhecer o centro e fui andando em direção a casa rosada, plaza de mayo. Continuei na direção san telmo e desci ao puerto madero. Sempre mancando, claro. Jantei no siga la vaca (nada demais pra mim). Gostei especialmente da região de Puerto Madero que a noite fica bem movimentada com muitas opções gastronômicas.

 

No dia seguinte, meu último dia de viagem, o dia maldito...

Fui até o caminito de taxi, em la boca(muito barato andar de taxi em B.Ars). Infelizmente ainda estava cedo e estavam montando as coisas na rua, mas gostei bastante daquelas ruas coloridas. Fui andando até o la bombonera. Todos falam pra não fazer isso que é perigoso, mas achei super tranquilo aqui. Como amante do futebol não poderia deixar de visitar.

Peguei um táxi pra recoleta, o que seria forçadamente meu último passeio. Saltei em frente o museu de belas artes e daí veio a merda, literalmente. Atravessei a rua, entrei numa praça arborizada, tranquilo, pois aquela região é considerada elitizada. Nada parecido com La Boca.

De repente senti algo caindo em mim e um cheiro esquisito. Parecia cocô de pombo, mas tinha muito em toda minha roupa e mochila, só se o pombo estivesse com muita diarreia. Logo apareceu um casal de uns 40 anos cada, querendo me ajudar e falando "mira mira" pra lá e pra cá. Você fica confuso, tenta proteger as coisas, tenta se limpar e eles falando. E fingindo que estão te ajudando e limpando. Muito rapidamente eles estão agindo. Depois que passa, você sai agradecendo a ajuda, todo cagado pra só mais tarde descobrir que foi roubado. Pior, eu já conhecia esse golpe por ter lido aqui no forum, mas na hora, você não sabe o que faz. Eu protegi minha câmera que estava presa no bolso e quando tirei a mochila das costas pra segurar, já tinham tirado minha carteira de dentro dela. Pelo menos foi só a carteira. Eu nunca deixo meus cartões juntos na carteira, mas relaxei no fim da viagem e perdi logo meus 2 cartões. Dinheiro tinha bem pouco, o suficiente pro taxi e pra almoçar. Levaram. Documentos , passaporte, tudo isso sempre fica bem protegido, mas dei mole no detalhe dos cartões, na reta final. Fica aí o alerta, jamais relaxem com coisas de valor. Felizmente estava indo embora pro Brasil, poderia ter sido muito pior. Mas fiquei muito puto e minha viagem acabou ali. De resto foi ficar ligando pra cancelar cartão. Sorte que tinha uma sobra de reais em algum bolso, o suficiente pra pagar meu transfer pro ezeiza e comer um hamburguer no burguer king. Voltei cagado e com raiva, mas é isso. Não se pode deixar um momento estragar tantos dias maravilhosos. O que acho de Buenos Aires? Odeio Buenos Aires! Mas isso é uma opinião totalmente pessoal e parcial devido ao problema que passei. Sei que a maioria das pessoas adora a cidade. Quem sabe um dia...daqui há muitos anos eu mude de opinião.

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