Minha mochilada pela Europa começou completamente por acaso.
Estava planejando uma viajem pra outro destino há quase 3 meses, mas devido a um imprevisto tive que mudar os planos.
Há 5 anos não tirava 30 dias de férias seguidos e como a viajem estava planejada para o mês de maio de 2010, tinha marcado minhas férias e folgas atrasadas no trabalho para esse mês e, agora tinha que decidir o que faria com meus 38 dias de descanso.
Primeiramente pensei em ir pra Patagônia e subir pelo Chile até o Peru, mas fui dissuadido pelo clima patagônico no mês de maio. No final de dezembro, revendo umas fotos da turma da faculdade, relembrando as expectativas que tínhamos, acabei me lembrando que em 1999, durante a facu, tinha combinado com 3 amigos que um dia iríamos à Amsterdã, e de lá, partiríamos prum mochilão de trem pelo velho continente. Peguei o telefone e liguei pros três filhos da puta, que arrumaram um milhão de desculpas e empecilhos pra não realizarmos nosso antigo sonho. Entrei aqui no site e fui dar uma olhada nos destinos europeus. Numa passada pelos roteiros de viagem, vi que tinha uma menina, Roberta, com roteiro que começava em Amsterdã e acabei trocando umas mensagens com ela. Adicionei-a no msn e começamos a trocar idéia sobre uma trip pela Europa. Ela me disse que tinha morado em Londres e passado um tempo em Paris pra estudar. Era completamente apaixonada pelo continente e tava super empolgada com sua viagem. Pelas experiências que teve me indicou a KLM dando ótimas referências. Pra não perder a empolgação e não ficar pensando demais, entrei no site da companhia e comprei minha passagem pra Amsterdã pro dia 02/05/2010. Desde os 14 anos andava só, e excluindo a região sul, conhecia praticamente todo o Brasil, mas nunca havia feito uma viagem internacional, além de não falar nada em outro idioma. Como não gosto de criar expectativas, não falei com ninguém aqui de casa sobre a viagem e deixei tudo de lado, sem nem ao menos pensar num roteiro por lá. Uns 20 dias depois comecei a dar uma olhada em locais que tinha interesse em conhecer e numa tarde tracei meu roteiro. Além de Amsterdã, queria conhecer Praga, Viena, Chamonix e Paris. Tinha lido sobre Chamonix aqui no site e tava louco pra conhecer. Pra não ficar andando em zigue-zague tentei fazer um roteiro linear, acrescentando lugares ao longo das cidades escolhidas no início. Peguei um mapa da Europa marquei os 5 pontos e comecei a riscar uma cidade a outra de maneira a formar um circulo de volta à Amsterdã, afinal tinha comprado a passagem ida e volta pra lá e, ali era o local que mais me fascinava no outro lado do Atlântico, portando achei legal chegar e partir daquele ponto.
Quando o roteiro chegou em Viena, tava com uma dificuldade imensa pra encontrar uma rota lógica pra Chamonix, muita coisa atrapalhava, a distância, a falta de ligação direta, acabei colocando Milão no roteiro pra facilitar minha viagem.
No final, acabei gostando da maneira que tinha ficado:
Amsterdã – Berlim – Praga – Budapeste – Viena – Milão – Chamonix – Paris – Bruxelas – Amsterdã.
Depois disso, comprei um guia O Viajante Europa pra dar uma pesquisada e fucei bastante sobre os destinos aqui no mochileiros.com.
Estava tão ocupado com o trabalho pra deixar tudo pronto pra poder tirar minhas férias, que o tempo voou. Ao contrário do que muitos me aconselharam, resolvi não comprar passe de trem. Comprei apenas a passagem aérea de Viena a Milão. Também não reservei albergues em todos lugares não. Deixei reservado em Amsterdã, caso caísse na imigração. Programei mais ou menos quantos dias ficaria em cada lugar, mas sempre deixando tempo pra uma mudança de planos, afinal, mudo de vontade como alguém muda de roupa e não tava afim de engessar o roteiro e ter que fazer nada por obrigação.
A ansiedade só bateu a dois dias da viagem, quando cheguei em casa e percebi que iria “depois de amanhã”, resolvi arrumar a mochila. Coloquei tudo que levaria e sobrou espaço, roupas pra uns 8, 9 dias. O resto (equipo fotográfico, medicamentos e os guias, acabei comprando um de conversação pra tentar me virar lá) taquei na mochila de mão.
Nesse tempo entre a compra da passagem e a viagem, acabei engatando um namoro com uma colega de trabalho e agora ela tava meio cabreira comigo, então tirei todo o dia anterior à viagem, sábado, 01 de maio, pra namorar. Acabei chegando em casa às 02:00h da manhã e tinha que acordar bem cedo, pois teria que ir pra Brasília pegar o vôo pra Guarulhos. Acordei às 06:00 horas, tomei um banho chamei meu pai, buscamos a namorada e rumamos pra Brasília. O vôo sairia às 11:50, chegamos às 09:30 em BSB. Despedimo-nos e rumei pra Sampa. Meu vôo pra Amsterdã seria às 19:05h. Fui arrumar um lugar pra almoçar, ou melhor, ser “assaltado”. Hehehehe
Depois despachei a mochila e fui ver a final do paulistão. Até a hora do embarque consegui beber 11 chopes e pagar 96 reais, “assaltado” outra vez no aeroporto. O bom é que já entrei no avião meio mamado. O vôo foi super tranqüilo e a bebedeira continuou. Um comissário me serviu uísque e cerveja durante às 11 horas de vôo, não dormi nenhum segundo. Ao descer do avião, acho que não estava em Schiphol, tava era pra lá de Bagdá. Ao passar pela imigração o cara falou comigo e não entendi patavinas, tentou novamente e acabou chamando outro cara que me levou pra uma sala onde tinha mais cinco pessoas, 4 da imigração e um aguardando assim com eu. Essa merda acabou curando minha bebura. Ele tava com meu passaporte, perguntou se falava inglês, ee disse que não, que falava somente português (tinha decorado essas frases). O oficial pegou o telefone e me entregou, era uma intérprete. Ele fazia as perguntas pra ela, a mulher traduzia pra mim e depois pro cara. Foi rápido, perguntou quanto tempo ficaria lá, quanto tinha levado, se tinha reserva em algum lugar. Mostrei o que ele pediu, depois me devolveu o passaporte, me desejou uma boa viagem e me levou novamente ao guichê. Quando fui pegar a mochila, era o ultimo por lá.
Peguei a mochila e fui arrumar um jeito de ir pra Amsterdã. A estação de trem é no subsolo. Fui até uma máquina pra comprar a passagem e tava perdido pra caralho, quando um senhor bem solícito que vinha passando, percebeu que eu estava enrolado e me ajudou a comprar o bilhete. Na plataforma conheci um português chamado João, tava indo pra Estocolmo e aproveitou o intervalo entre um vôo e outro pra queimar um baseado. No caminho até Amsterdã, cerca de 20 minutos, trocamos umas idéias. Tava com sorte, pois já tinha encontrado um senhor que me ajudou com a passagem e um cara que falava meu idioma, ou algo parecido, que me levou até o centro de informações. A atendente me deu um mapa e marcou o local do hotel. Resolvi ficar em hotel em Amsterdã pela questão do fuso e pq tinha combinado de encontrar com a Roberta, que estava no mesmo hotel, o NH City Centre. Caminhei uns 20, 25 minutos até lá, fiz o check in, subi pro quarto, tomei um banho e resolvi bater perna. Ao descer, encontrei a Roberta no saguão, ela tinha acabado de chegar e tava fazendo o check in. Esperei-a enquanto levava as coisas pro quarto e fomos caçar o que comer, pois já eram 13:30. Depois de comer uma panqueca fantástica, fomos até a Casa de Anne Frank. É um lugar legal. Saímos de lá e fomos bater perna no Jordaan.
Fomos a um mercado e voltamos pro hotel às 20:00 horas. Ela disse que iria dormir e eu caí pro Red Light District. Bati perna, dei várias olhadas nas vitrines e fui comer um bolo exótico num Coffee Shop. Lá encontrei 6 brasileiros que moravam em Londres e foram passar um final de semana lá pra curtir um pouco. Conversamos um pouco e resolvi acompanhá-los até um show erótico no Theatre Casa Rosso. O show é cheio de bizarrices, sexo em posições impossíveis, mulheres atirando bolinhas de ping pong, fumando pela vagina e mais um monte de coisa pouquíssimo excitantes, mas tá valendo.
Depois do “teatro”, fomos a um bar e tomamos cerveja até às 04:00 da madruga, tava um frio do caralho.
Acordei ainda meio bêbado com a Roberta no interfone dizendo que tava me esperando a mais de 30 minutos. No dia anterior eu tinha convidado-a pra ir até o Keukenhof e tínhamos combinado de nos encontrarmos às 07:30 no saguão. Tava chovendo fino e muito frio. Fomos até a esquina tomar café e rumamos à pé pra estação central. O tempo melhorou e o sol tinha saído. Pegamos um trem pra Schiphol e de lá um ônibus pro Keukenhof. Que lugar fantástico, certamente um dos locais mais bonitos que já vi. As flores, os aromas e os cânticos dos pássaros trazem uma paz incrível ao local. Separei-me da Roberta e nos encontramos por acaso umas 3 horas depois na fila do restaurante. Ficamos lá até o final da tarde e acabamos voltando embaixo de uma chuva forte na estrada.
Aproveitamos a passada pela Estação Central pra comprar as passagens pra Berlim. Saímos pra curtir a Leidseplein e ficamos lá até 01:30 da madruga. Na volta fiquei no bar na esquina do hotel e tomei mais 6 cervejas pra dormir tranqüilo. Acordei novamente com a Roberta me chamando, o céu tava bem limpo, mas fazia um pouco de frio. Fomos visitar o Van Gogh Museum, apesar de não ser ligado a pinturas, achei diversas obras maneiras, o estilo das pinceladas do cara é muito massa. Lá tem obras de vários outros artistas, como Monet, Manet, Paul Gauguin e outros. É um museu bem legal. De lá fomos ao Rijksm Museum, também legal, mas depois disso tava cansado de ver obrar de arte e ao contrario da Roberta, fui correndo ao Heineken Experience, lugar massa, e vc tem uma degustação e 2 chopes incluídos. Como fui o mais rápido a beber a degustação, ganhei outra. Saí de lá e fui dar uma volta de barco. Depois fui até o mercado das flores e caminhei até a Dam square pra comer a famosa batata frita com ketchup e maionese, pois eram 18:00 horas e além do café da manhã, tinha comido somente um cachorro quente. Fui ao hotel, tomei um bom banho quente e chamei a Roberta pra tomar uma cerveja no Red Light District. Pra variar ela disse que estava com sono e iria dormir. Eu, pra não fugir da rotina fui me embebedar.
Acordei às 07:00 com dor de cabeça, tomei um banho, desci, encontrei a Roberta, tomamos café na lanchonete da esquina, voltamos, fizemos o chek out e partimos pra Berlim.
Esperando meu chope no Heineken Experience
Eu e Roberta esperando o trem pra Berlim
Após 6 horas de viagem, chegamos à Berlim HBF. Pegamos um ônibus até a Alexanderplatz e de lá o metrô até o hostel Meininger Prenzlauer Berg. O lugar é bem legal, muito limpo e organizado, com bom café da manhã, foi o melhor de todos os hostels da trip. A Roberta ficou em quarto privativo e eu, num com mais 7 pessoas, 4 garotas e 3 caras. Tinha um inglês maluco, que mal entrei no quarto e o cara já me chamou pra tomar uma cerveja com ele e uma garota, que pra falar a verdade, até hoje não sei qual era a relação dos dois. Comunicamos basicamente por mímicas, mas como tava seco, descemos e fomos tomar umas cervejas bem próximo ao hostel. Tava chovendo um pouco e ficamos no bar até anoitecer. Voltei pro hostel e encontrei a Roberta que estava chegando da rua. Convidei-a pra tomar um goró e ela, pela primeira vez aceitou. Fomos a um lugarzinho massa próximo à torre Fernsehturm. Enquanto ela tomou umas cervejas misturadas com vinho, parti prum rum com 72% de alcool e pro tão falado “fada verde”, ainda bem que tava acompanhado, pois sozinho não conseguiria ir pro hostel.
Acordei numa ressaca desgraçada e fui matar um café pra ver se melhorava. Fomos até a Berliner Don e depois ao Portão de Brandemburgo. Lá engatamos num free walking tour, fui na turma do espanhol, enquanto a Roberta foi na de inglês. É legal, principalmente pra se familiarizar com a cidade, as visitas são rápidas, mas valem a pena. A galera marcou de se encontrar no outro dia pela manhã pra ir a um campo de concentração. Subi no Berlin Hi-Flyer pra dar uma olhada na vista lá de cima. Depois disso, comi um pão com salsicha na rua e fui pra ilha dos museus. Resolvi entrar no Pergamon, mto massa. Como ainda tava mto cedo, fui com uma galera a um cemitério, não faço a mínima idéia onde fica, mas é cercado por prédios cheios de marcas de tiro, apesar de haver moradores, os prédio parecem abandonados.
Passei numas lojas de equipos já no final da tarde e voltei pro hostel. Tava louco pra comer uma carne suculenta e fui com a Roberta a um restaurante uruguaio. A picanha tava show, bem cara, mas valeu cada centavo e o vinho tbm tava mto bom. Acordei cedo e fui encontrar a galera pra ir ao campo de concentração. O que dizer de um local que transparece tanta angustia e sofrimento, sei lá, mas é bom visitar pra termos um pouco de noção do que eram esses lugares. Como cheguei ainda com mto tempo de sol, fui até o parlamento e resolvi dar uma passada no zoológico. Já no final da tarde fui até a East Side Gallery. Na volta passei num restaurante japonês e depois retornei ao hostel. Encontrei-me com a Roberta e fomos dar uma volta. Despedi-me dela e fui dormir, era a última vez que veria minha companheira de viagem, pois iria pra Praga e ela continuaria em Berlim.
Acordei, tomei meu café e fui de metrô à estação Berlim HBF. A viagem pra Praga foi rápida e tranquila, passando por paisagens bem legais. Cheguei a Praga e já fui a um centro de informações. Descolei um mapa, fui trocar um pouco de euros, mas achei a cotação bem superior ao que tinha vista na net e deixei pra trocar em outro local. Tentei arrumar um jeito de ir pro Hostel Plus Prague, que um brasileiro tinha me indicado em Amsterdã e acabei combinando com um taxista por 10 euros. O hostel é bom, limpo, organizado e tem um staf português mto atencioso, me deu várias dicas de como pegar os bondes e sobre a cidade. Eles fazem câmbio também, mas a uma taxa um pouco superior às lojas no centro. Deixei minhas coisas no quarto e fui bater perna, afinal não eram nem 12:00 horas. Praga é uma cidade linda e muito bem conservada. Fui à Staromestske Namesti, a praça onde fica o antigo prédio da prefeitura e o relógio astronômico. Esperei pra dar uma olhada no showzinho do relógio, depois fui no lado oposto da praça onde tinha uma exposição de Salvador Dali, resolvi entrar. Umas obras maneiras. Saí e fui até a Karluv Most, cheia de artistas de ruas: pintores, cantores, desenhistas e diversos outros, a ponte tem um astral bem legal. Voltei pra um dos diversos cafés de rua próximo à Staromestske Namesti pra comer, tomar uma das famosas cervejas tchecas e curtir o ambiente.
Fiquei perambulando pelo centro até bem tarde pra poder tirar umas fotos noturnas, qdo entrei em um beco próximo à Karluv Most e vi dois caras brigando e um acertou alguma coisa na cabeça do outro. Tava meio escuro e não consegui ver o que era, aproximei-me do cara no chão e vi que ele estava sangrando, era um senhor bem velho, devia ser morador de rua, pois estava sujo e vestindo umas roupas meio trapeiras. Tentei ver se podia ajudar e o cara tava meio agressivo, não entendia nada do que ele falava, mas qdo consegui ajudá-lo a levantar, o cara tentou pegar a garrafa de cerveja que tava na minha mão. Provavelmente deveriam estar brigando por causa de goró. Acenei perguntando se ele queria a cerveja e ele fazia que sim com a cabeça. Fomos até um mercadinho que tinha 2 mesas na calçada, paguei um pão com salsicha pra ele, e tomamos umas 8 cervejas cada, era incrível a cara de felicidade do senhor depois das cervejas.
Vazei, antes que ele achasse que eu era uma madre Tereza e voltei pro hostel. Tomei um bom banho e dormi fácil por causa da bebida. Acordei cedo, tomei um banho e fui colocar uma bermuda, pois o sol tava prometendo, era o primeiro dia que usaria bermuda. Respondi a um cumprimento de um rapaz da cama ao lado e me dirigi à recepção. Tava perguntando umas coisas pro José, o staff português quando meu colega de quarto perguntou em português de onde eu era. Por coicidência, ele tbm era brasileiro, chamava-se Alexandre. Trocamos umas ideias e decidimos ir ao Castelo de Praga. É um complexo mto interessante, uma grande catedral, o prédio da prefeitura e outros tantos edifícios. Tinha uma excursão escolar por lá, o local estava lotado. Depois de umas horas caminhando e tomando umas cervejas, fomos ao centro, onde encontramos mais uns brasileiros. Ficamos de bobeira um tempão, só curtindo o clima, o dia a dia dos nativos.
Alexandre e eu no Castelo de Praga
Voltamos pro hostel já no final da tarde e esticamos pro bar do albergue pra tomar mais algumas cervejas. Encontramos um casal de brasileiros de Jundiaí, Manuela e Sergio, outro que morava em Berlim, Fernando e uma garota que estava no mesmo quarto que a gente, a Amanda.
Ficamos lá bebendo até o bar fechar, aí o Fernando chamou todo mundo pra ir a uma festa no centro. Pedimos pro staff chamar uma taxi e embarcamos pra “balada”. Tava tão chapado, que nem notei o frio, apesar de estar de berbuma e camiseta. A festa rolava num porão de um velho prédio, um lugar meio sinistro, o corredor de acesso ao porão era super apertado e embaixo era meio escuro, cheio de fumaça e o haxixe rolava solto. O som tava mto legal e a galera animada demais. A cerveja barata pra caralho, 20 coroas, menos de um euro. Saímos de lá quase 07:00 horas e desmaiei ao deitar na cama. Acordei umas 11:00 horas com uma puta dor de cabeça. A Amanda e o Alexandre ainda dormiam. Tomei um analgésico e um banho demorado, acordei meus amigos e fui entrar na net pra dar notícias, tinha 3 dias que tava “sumido”. Fomos curtir a cidade, e o dia foi regado à cerveja como o anterior, mas agora éramos 3 companheiros. No fim da tarde, fui até a estação e comprei a passagem pra Budapeste pro dia seguinte. À noite, mais uma vez, enchemos a cara no bar do hostel até fechar e partimos pro porão. A festa foi mais pancada que a anterior. Trocamos a cerveja pelo absinto e pirei totalmente, acabamos nos separando e voltei pro hostel umas 05:00 horas, qdo entrei no quarto, tava um gemido danado, liguei a luz, e lá estava minha colega trepando com um maluco lá do porão, coitada, tava toda assustada. Desmaiei e quase não acordo pra pegar o trem pra Budapeste. Cheguei em cima da hora, mas consegui embarcar. Dormi a viagem toda, só acordei pq uma mina me chamou qdo chegamos à Budapeste. Troquei uns euros numa casa de câmbio a uma esquina da estação e peguei o metrô pro hostel que reservei lá de Praga, o The Groove. Era um lugar bem precário, meio que “hostel caseiro”, o cara fez a casa dele de albergue, mas a atmosfera era ótima, a galera fez a maior festa qdo cheguei lá, não entendi, mas parece que era o primeiro ou um dos poucos brasileiros a me hospedar lá. Éramos somente 8 hóspedes, eu, 2 americanos, 1 casal de alemães e 3 australianas, uma simplesmente linda, Nicole, Gabi e Daisha. As meninas estavam cozinhando um macarrão e me chamaram pra almoçar. Desci, comprei umas cervejas e comemos a macarronada. Saí com as meninas, mas a dificuldade em me comunicar era imensa, a cada tentativa vinha uma sucessão de risos. Fomos a uma castelo, depois a uma praça bem bonita e ao parlamento, ficamos de bobeira, curtindo de boa. Na volta passamos em um supermercado pra comprar comida e cerveja. As meninas me chamaram pra uma balada, mas tava cansado demais. Fiquei com uma galerinha bebendo e fumando narguilé até tarde, aí resolvi dormir.
Acordei com as meninas me chamando. Fomos bater perna. Caminhamos pela margem do Danúbio, onde tentei encontrar passagem de barco pra Viena, mas em vão. Almoçamos num restaurante massa. Andamos pra caralho esse dia, fomos a um museu que não me lembro o nome e a uma porção de lugares marcados no mapa pela staff do hostel. Jantei um goulash, é uma espécie de carne cozida, típico da Hungria. À noite saí com as australianas e um dos americanos, fomos a uma boate que funciona dentro de um navio carqueiro atracado no Danúbio, a entrada era gratuita e a cerveja barata, não quis tomar nada mais forte, pois o ambiente era maio pesado. Mas foi uma balada do caralho, a melhor da trip. Voltamos bem “alegres” pro hostel. Acordei, tomei café e resolvi ira pra Viena. Chamei as meninas, tomamos mais umas cervejas, trocamos e-mail e arrumei as coisas pra partir. Fui de metrô até a estação, comprei a passagem pra Viena pra dali 40 minutos, comi um sanduiche e dei o resto dos meus florins prum pedinte na porta da estação. E parti de Budapeste sem encontrar nenhum brasileiro. A viagem até Viena foi rápida, o trem era bem menos confortável que os outros, mas foi de boa.
Minha mochilada pela Europa começou completamente por acaso.
Estava planejando uma viajem pra outro destino há quase 3 meses, mas devido a um imprevisto tive que mudar os planos.
Há 5 anos não tirava 30 dias de férias seguidos e como a viajem estava planejada para o mês de maio de 2010, tinha marcado minhas férias e folgas atrasadas no trabalho para esse mês e, agora tinha que decidir o que faria com meus 38 dias de descanso.
Primeiramente pensei em ir pra Patagônia e subir pelo Chile até o Peru, mas fui dissuadido pelo clima patagônico no mês de maio. No final de dezembro, revendo umas fotos da turma da faculdade, relembrando as expectativas que tínhamos, acabei me lembrando que em 1999, durante a facu, tinha combinado com 3 amigos que um dia iríamos à Amsterdã, e de lá, partiríamos prum mochilão de trem pelo velho continente. Peguei o telefone e liguei pros três filhos da puta, que arrumaram um milhão de desculpas e empecilhos pra não realizarmos nosso antigo sonho. Entrei aqui no site e fui dar uma olhada nos destinos europeus. Numa passada pelos roteiros de viagem, vi que tinha uma menina, Roberta, com roteiro que começava em Amsterdã e acabei trocando umas mensagens com ela. Adicionei-a no msn e começamos a trocar idéia sobre uma trip pela Europa. Ela me disse que tinha morado em Londres e passado um tempo em Paris pra estudar. Era completamente apaixonada pelo continente e tava super empolgada com sua viagem. Pelas experiências que teve me indicou a KLM dando ótimas referências. Pra não perder a empolgação e não ficar pensando demais, entrei no site da companhia e comprei minha passagem pra Amsterdã pro dia 02/05/2010. Desde os 14 anos andava só, e excluindo a região sul, conhecia praticamente todo o Brasil, mas nunca havia feito uma viagem internacional, além de não falar nada em outro idioma. Como não gosto de criar expectativas, não falei com ninguém aqui de casa sobre a viagem e deixei tudo de lado, sem nem ao menos pensar num roteiro por lá. Uns 20 dias depois comecei a dar uma olhada em locais que tinha interesse em conhecer e numa tarde tracei meu roteiro. Além de Amsterdã, queria conhecer Praga, Viena, Chamonix e Paris. Tinha lido sobre Chamonix aqui no site e tava louco pra conhecer. Pra não ficar andando em zigue-zague tentei fazer um roteiro linear, acrescentando lugares ao longo das cidades escolhidas no início. Peguei um mapa da Europa marquei os 5 pontos e comecei a riscar uma cidade a outra de maneira a formar um circulo de volta à Amsterdã, afinal tinha comprado a passagem ida e volta pra lá e, ali era o local que mais me fascinava no outro lado do Atlântico, portando achei legal chegar e partir daquele ponto.
Quando o roteiro chegou em Viena, tava com uma dificuldade imensa pra encontrar uma rota lógica pra Chamonix, muita coisa atrapalhava, a distância, a falta de ligação direta, acabei colocando Milão no roteiro pra facilitar minha viagem.
No final, acabei gostando da maneira que tinha ficado:
Amsterdã – Berlim – Praga – Budapeste – Viena – Milão – Chamonix – Paris – Bruxelas – Amsterdã.
Depois disso, comprei um guia O Viajante Europa pra dar uma pesquisada e fucei bastante sobre os destinos aqui no mochileiros.com.
Estava tão ocupado com o trabalho pra deixar tudo pronto pra poder tirar minhas férias, que o tempo voou. Ao contrário do que muitos me aconselharam, resolvi não comprar passe de trem. Comprei apenas a passagem aérea de Viena a Milão. Também não reservei albergues em todos lugares não. Deixei reservado em Amsterdã, caso caísse na imigração. Programei mais ou menos quantos dias ficaria em cada lugar, mas sempre deixando tempo pra uma mudança de planos, afinal, mudo de vontade como alguém muda de roupa e não tava afim de engessar o roteiro e ter que fazer nada por obrigação.
A ansiedade só bateu a dois dias da viagem, quando cheguei em casa e percebi que iria “depois de amanhã”, resolvi arrumar a mochila. Coloquei tudo que levaria e sobrou espaço, roupas pra uns 8, 9 dias. O resto (equipo fotográfico, medicamentos e os guias, acabei comprando um de conversação pra tentar me virar lá) taquei na mochila de mão.
Nesse tempo entre a compra da passagem e a viagem, acabei engatando um namoro com uma colega de trabalho e agora ela tava meio cabreira comigo, então tirei todo o dia anterior à viagem, sábado, 01 de maio, pra namorar. Acabei chegando em casa às 02:00h da manhã e tinha que acordar bem cedo, pois teria que ir pra Brasília pegar o vôo pra Guarulhos. Acordei às 06:00 horas, tomei um banho chamei meu pai, buscamos a namorada e rumamos pra Brasília. O vôo sairia às 11:50, chegamos às 09:30 em BSB. Despedimo-nos e rumei pra Sampa. Meu vôo pra Amsterdã seria às 19:05h. Fui arrumar um lugar pra almoçar, ou melhor, ser “assaltado”. Hehehehe
Depois despachei a mochila e fui ver a final do paulistão. Até a hora do embarque consegui beber 11 chopes e pagar 96 reais, “assaltado” outra vez no aeroporto. O bom é que já entrei no avião meio mamado. O vôo foi super tranqüilo e a bebedeira continuou. Um comissário me serviu uísque e cerveja durante às 11 horas de vôo, não dormi nenhum segundo. Ao descer do avião, acho que não estava em Schiphol, tava era pra lá de Bagdá. Ao passar pela imigração o cara falou comigo e não entendi patavinas, tentou novamente e acabou chamando outro cara que me levou pra uma sala onde tinha mais cinco pessoas, 4 da imigração e um aguardando assim com eu. Essa merda acabou curando minha bebura. Ele tava com meu passaporte, perguntou se falava inglês, ee disse que não, que falava somente português (tinha decorado essas frases). O oficial pegou o telefone e me entregou, era uma intérprete. Ele fazia as perguntas pra ela, a mulher traduzia pra mim e depois pro cara. Foi rápido, perguntou quanto tempo ficaria lá, quanto tinha levado, se tinha reserva em algum lugar. Mostrei o que ele pediu, depois me devolveu o passaporte, me desejou uma boa viagem e me levou novamente ao guichê. Quando fui pegar a mochila, era o ultimo por lá.
Peguei a mochila e fui arrumar um jeito de ir pra Amsterdã. A estação de trem é no subsolo. Fui até uma máquina pra comprar a passagem e tava perdido pra caralho, quando um senhor bem solícito que vinha passando, percebeu que eu estava enrolado e me ajudou a comprar o bilhete. Na plataforma conheci um português chamado João, tava indo pra Estocolmo e aproveitou o intervalo entre um vôo e outro pra queimar um baseado. No caminho até Amsterdã, cerca de 20 minutos, trocamos umas idéias. Tava com sorte, pois já tinha encontrado um senhor que me ajudou com a passagem e um cara que falava meu idioma, ou algo parecido, que me levou até o centro de informações. A atendente me deu um mapa e marcou o local do hotel. Resolvi ficar em hotel em Amsterdã pela questão do fuso e pq tinha combinado de encontrar com a Roberta, que estava no mesmo hotel, o NH City Centre. Caminhei uns 20, 25 minutos até lá, fiz o check in, subi pro quarto, tomei um banho e resolvi bater perna. Ao descer, encontrei a Roberta no saguão, ela tinha acabado de chegar e tava fazendo o check in. Esperei-a enquanto levava as coisas pro quarto e fomos caçar o que comer, pois já eram 13:30. Depois de comer uma panqueca fantástica, fomos até a Casa de Anne Frank. É um lugar legal. Saímos de lá e fomos bater perna no Jordaan.
Fomos a um mercado e voltamos pro hotel às 20:00 horas. Ela disse que iria dormir e eu caí pro Red Light District. Bati perna, dei várias olhadas nas vitrines e fui comer um bolo exótico num Coffee Shop. Lá encontrei 6 brasileiros que moravam em Londres e foram passar um final de semana lá pra curtir um pouco. Conversamos um pouco e resolvi acompanhá-los até um show erótico no Theatre Casa Rosso. O show é cheio de bizarrices, sexo em posições impossíveis, mulheres atirando bolinhas de ping pong, fumando pela vagina e mais um monte de coisa pouquíssimo excitantes, mas tá valendo.
Depois do “teatro”, fomos a um bar e tomamos cerveja até às 04:00 da madruga, tava um frio do caralho.
Acordei ainda meio bêbado com a Roberta no interfone dizendo que tava me esperando a mais de 30 minutos. No dia anterior eu tinha convidado-a pra ir até o Keukenhof e tínhamos combinado de nos encontrarmos às 07:30 no saguão. Tava chovendo fino e muito frio. Fomos até a esquina tomar café e rumamos à pé pra estação central. O tempo melhorou e o sol tinha saído. Pegamos um trem pra Schiphol e de lá um ônibus pro Keukenhof. Que lugar fantástico, certamente um dos locais mais bonitos que já vi. As flores, os aromas e os cânticos dos pássaros trazem uma paz incrível ao local. Separei-me da Roberta e nos encontramos por acaso umas 3 horas depois na fila do restaurante. Ficamos lá até o final da tarde e acabamos voltando embaixo de uma chuva forte na estrada.
Aproveitamos a passada pela Estação Central pra comprar as passagens pra Berlim. Saímos pra curtir a Leidseplein e ficamos lá até 01:30 da madruga. Na volta fiquei no bar na esquina do hotel e tomei mais 6 cervejas pra dormir tranqüilo. Acordei novamente com a Roberta me chamando, o céu tava bem limpo, mas fazia um pouco de frio. Fomos visitar o Van Gogh Museum, apesar de não ser ligado a pinturas, achei diversas obras maneiras, o estilo das pinceladas do cara é muito massa. Lá tem obras de vários outros artistas, como Monet, Manet, Paul Gauguin e outros. É um museu bem legal. De lá fomos ao Rijksm Museum, também legal, mas depois disso tava cansado de ver obrar de arte e ao contrario da Roberta, fui correndo ao Heineken Experience, lugar massa, e vc tem uma degustação e 2 chopes incluídos. Como fui o mais rápido a beber a degustação, ganhei outra. Saí de lá e fui dar uma volta de barco. Depois fui até o mercado das flores e caminhei até a Dam square pra comer a famosa batata frita com ketchup e maionese, pois eram 18:00 horas e além do café da manhã, tinha comido somente um cachorro quente. Fui ao hotel, tomei um bom banho quente e chamei a Roberta pra tomar uma cerveja no Red Light District. Pra variar ela disse que estava com sono e iria dormir. Eu, pra não fugir da rotina fui me embebedar.
Acordei às 07:00 com dor de cabeça, tomei um banho, desci, encontrei a Roberta, tomamos café na lanchonete da esquina, voltamos, fizemos o chek out e partimos pra Berlim.
Esperando meu chope no Heineken Experience
Eu e Roberta esperando o trem pra Berlim
Após 6 horas de viagem, chegamos à Berlim HBF. Pegamos um ônibus até a Alexanderplatz e de lá o metrô até o hostel Meininger Prenzlauer Berg. O lugar é bem legal, muito limpo e organizado, com bom café da manhã, foi o melhor de todos os hostels da trip. A Roberta ficou em quarto privativo e eu, num com mais 7 pessoas, 4 garotas e 3 caras. Tinha um inglês maluco, que mal entrei no quarto e o cara já me chamou pra tomar uma cerveja com ele e uma garota, que pra falar a verdade, até hoje não sei qual era a relação dos dois. Comunicamos basicamente por mímicas, mas como tava seco, descemos e fomos tomar umas cervejas bem próximo ao hostel. Tava chovendo um pouco e ficamos no bar até anoitecer. Voltei pro hostel e encontrei a Roberta que estava chegando da rua. Convidei-a pra tomar um goró e ela, pela primeira vez aceitou. Fomos a um lugarzinho massa próximo à torre Fernsehturm. Enquanto ela tomou umas cervejas misturadas com vinho, parti prum rum com 72% de alcool e pro tão falado “fada verde”, ainda bem que tava acompanhado, pois sozinho não conseguiria ir pro hostel.
Acordei numa ressaca desgraçada e fui matar um café pra ver se melhorava. Fomos até a Berliner Don e depois ao Portão de Brandemburgo. Lá engatamos num free walking tour, fui na turma do espanhol, enquanto a Roberta foi na de inglês. É legal, principalmente pra se familiarizar com a cidade, as visitas são rápidas, mas valem a pena. A galera marcou de se encontrar no outro dia pela manhã pra ir a um campo de concentração. Subi no Berlin Hi-Flyer pra dar uma olhada na vista lá de cima. Depois disso, comi um pão com salsicha na rua e fui pra ilha dos museus. Resolvi entrar no Pergamon, mto massa. Como ainda tava mto cedo, fui com uma galera a um cemitério, não faço a mínima idéia onde fica, mas é cercado por prédios cheios de marcas de tiro, apesar de haver moradores, os prédio parecem abandonados.
Passei numas lojas de equipos já no final da tarde e voltei pro hostel. Tava louco pra comer uma carne suculenta e fui com a Roberta a um restaurante uruguaio. A picanha tava show, bem cara, mas valeu cada centavo e o vinho tbm tava mto bom. Acordei cedo e fui encontrar a galera pra ir ao campo de concentração. O que dizer de um local que transparece tanta angustia e sofrimento, sei lá, mas é bom visitar pra termos um pouco de noção do que eram esses lugares. Como cheguei ainda com mto tempo de sol, fui até o parlamento e resolvi dar uma passada no zoológico. Já no final da tarde fui até a East Side Gallery. Na volta passei num restaurante japonês e depois retornei ao hostel. Encontrei-me com a Roberta e fomos dar uma volta. Despedi-me dela e fui dormir, era a última vez que veria minha companheira de viagem, pois iria pra Praga e ela continuaria em Berlim.
Acordei, tomei meu café e fui de metrô à estação Berlim HBF. A viagem pra Praga foi rápida e tranquila, passando por paisagens bem legais. Cheguei a Praga e já fui a um centro de informações. Descolei um mapa, fui trocar um pouco de euros, mas achei a cotação bem superior ao que tinha vista na net e deixei pra trocar em outro local. Tentei arrumar um jeito de ir pro Hostel Plus Prague, que um brasileiro tinha me indicado em Amsterdã e acabei combinando com um taxista por 10 euros. O hostel é bom, limpo, organizado e tem um staf português mto atencioso, me deu várias dicas de como pegar os bondes e sobre a cidade. Eles fazem câmbio também, mas a uma taxa um pouco superior às lojas no centro. Deixei minhas coisas no quarto e fui bater perna, afinal não eram nem 12:00 horas. Praga é uma cidade linda e muito bem conservada. Fui à Staromestske Namesti, a praça onde fica o antigo prédio da prefeitura e o relógio astronômico. Esperei pra dar uma olhada no showzinho do relógio, depois fui no lado oposto da praça onde tinha uma exposição de Salvador Dali, resolvi entrar. Umas obras maneiras. Saí e fui até a Karluv Most, cheia de artistas de ruas: pintores, cantores, desenhistas e diversos outros, a ponte tem um astral bem legal. Voltei pra um dos diversos cafés de rua próximo à Staromestske Namesti pra comer, tomar uma das famosas cervejas tchecas e curtir o ambiente.
Fiquei perambulando pelo centro até bem tarde pra poder tirar umas fotos noturnas, qdo entrei em um beco próximo à Karluv Most e vi dois caras brigando e um acertou alguma coisa na cabeça do outro. Tava meio escuro e não consegui ver o que era, aproximei-me do cara no chão e vi que ele estava sangrando, era um senhor bem velho, devia ser morador de rua, pois estava sujo e vestindo umas roupas meio trapeiras. Tentei ver se podia ajudar e o cara tava meio agressivo, não entendia nada do que ele falava, mas qdo consegui ajudá-lo a levantar, o cara tentou pegar a garrafa de cerveja que tava na minha mão. Provavelmente deveriam estar brigando por causa de goró. Acenei perguntando se ele queria a cerveja e ele fazia que sim com a cabeça. Fomos até um mercadinho que tinha 2 mesas na calçada, paguei um pão com salsicha pra ele, e tomamos umas 8 cervejas cada, era incrível a cara de felicidade do senhor depois das cervejas.
Vazei, antes que ele achasse que eu era uma madre Tereza e voltei pro hostel. Tomei um bom banho e dormi fácil por causa da bebida. Acordei cedo, tomei um banho e fui colocar uma bermuda, pois o sol tava prometendo, era o primeiro dia que usaria bermuda. Respondi a um cumprimento de um rapaz da cama ao lado e me dirigi à recepção. Tava perguntando umas coisas pro José, o staff português quando meu colega de quarto perguntou em português de onde eu era. Por coicidência, ele tbm era brasileiro, chamava-se Alexandre. Trocamos umas ideias e decidimos ir ao Castelo de Praga. É um complexo mto interessante, uma grande catedral, o prédio da prefeitura e outros tantos edifícios. Tinha uma excursão escolar por lá, o local estava lotado. Depois de umas horas caminhando e tomando umas cervejas, fomos ao centro, onde encontramos mais uns brasileiros. Ficamos de bobeira um tempão, só curtindo o clima, o dia a dia dos nativos.
Alexandre e eu no Castelo de Praga
Voltamos pro hostel já no final da tarde e esticamos pro bar do albergue pra tomar mais algumas cervejas. Encontramos um casal de brasileiros de Jundiaí, Manuela e Sergio, outro que morava em Berlim, Fernando e uma garota que estava no mesmo quarto que a gente, a Amanda.
Ficamos lá bebendo até o bar fechar, aí o Fernando chamou todo mundo pra ir a uma festa no centro. Pedimos pro staff chamar uma taxi e embarcamos pra “balada”. Tava tão chapado, que nem notei o frio, apesar de estar de berbuma e camiseta. A festa rolava num porão de um velho prédio, um lugar meio sinistro, o corredor de acesso ao porão era super apertado e embaixo era meio escuro, cheio de fumaça e o haxixe rolava solto. O som tava mto legal e a galera animada demais. A cerveja barata pra caralho, 20 coroas, menos de um euro. Saímos de lá quase 07:00 horas e desmaiei ao deitar na cama. Acordei umas 11:00 horas com uma puta dor de cabeça. A Amanda e o Alexandre ainda dormiam. Tomei um analgésico e um banho demorado, acordei meus amigos e fui entrar na net pra dar notícias, tinha 3 dias que tava “sumido”. Fomos curtir a cidade, e o dia foi regado à cerveja como o anterior, mas agora éramos 3 companheiros. No fim da tarde, fui até a estação e comprei a passagem pra Budapeste pro dia seguinte. À noite, mais uma vez, enchemos a cara no bar do hostel até fechar e partimos pro porão. A festa foi mais pancada que a anterior. Trocamos a cerveja pelo absinto e pirei totalmente, acabamos nos separando e voltei pro hostel umas 05:00 horas, qdo entrei no quarto, tava um gemido danado, liguei a luz, e lá estava minha colega trepando com um maluco lá do porão, coitada, tava toda assustada. Desmaiei e quase não acordo pra pegar o trem pra Budapeste. Cheguei em cima da hora, mas consegui embarcar. Dormi a viagem toda, só acordei pq uma mina me chamou qdo chegamos à Budapeste. Troquei uns euros numa casa de câmbio a uma esquina da estação e peguei o metrô pro hostel que reservei lá de Praga, o The Groove. Era um lugar bem precário, meio que “hostel caseiro”, o cara fez a casa dele de albergue, mas a atmosfera era ótima, a galera fez a maior festa qdo cheguei lá, não entendi, mas parece que era o primeiro ou um dos poucos brasileiros a me hospedar lá. Éramos somente 8 hóspedes, eu, 2 americanos, 1 casal de alemães e 3 australianas, uma simplesmente linda, Nicole, Gabi e Daisha. As meninas estavam cozinhando um macarrão e me chamaram pra almoçar. Desci, comprei umas cervejas e comemos a macarronada. Saí com as meninas, mas a dificuldade em me comunicar era imensa, a cada tentativa vinha uma sucessão de risos. Fomos a uma castelo, depois a uma praça bem bonita e ao parlamento, ficamos de bobeira, curtindo de boa. Na volta passamos em um supermercado pra comprar comida e cerveja. As meninas me chamaram pra uma balada, mas tava cansado demais. Fiquei com uma galerinha bebendo e fumando narguilé até tarde, aí resolvi dormir.
Acordei com as meninas me chamando. Fomos bater perna. Caminhamos pela margem do Danúbio, onde tentei encontrar passagem de barco pra Viena, mas em vão. Almoçamos num restaurante massa. Andamos pra caralho esse dia, fomos a um museu que não me lembro o nome e a uma porção de lugares marcados no mapa pela staff do hostel. Jantei um goulash, é uma espécie de carne cozida, típico da Hungria. À noite saí com as australianas e um dos americanos, fomos a uma boate que funciona dentro de um navio carqueiro atracado no Danúbio, a entrada era gratuita e a cerveja barata, não quis tomar nada mais forte, pois o ambiente era maio pesado. Mas foi uma balada do caralho, a melhor da trip. Voltamos bem “alegres” pro hostel. Acordei, tomei café e resolvi ira pra Viena. Chamei as meninas, tomamos mais umas cervejas, trocamos e-mail e arrumei as coisas pra partir. Fui de metrô até a estação, comprei a passagem pra Viena pra dali 40 minutos, comi um sanduiche e dei o resto dos meus florins prum pedinte na porta da estação. E parti de Budapeste sem encontrar nenhum brasileiro. A viagem até Viena foi rápida, o trem era bem menos confortável que os outros, mas foi de boa.
Editado por Visitante