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Olá viajante!

Bora viajar?

Quebrada de Matienzo - P.P. Aconcágua

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Gosto de ler os relatos aqui nos Mochileiros. Sempre aprendemos alguma coisa e trocamos idéias.

 

Compartilho com vcs o trekking feito nos Andes Centrais, dentro de um projeto pessoal de gradualmente conhecer boa parte dos Andes, desde Port Willians até a Venezuela.

 

A Quebrada (Vale) de Matienzo está entre o Vale do Horcones e a fronteira com o Chile. O Horcones é o acesso ao acampamento-base mais utilizado do Aconcágua, a Plaza de Mulas. Assim, se vc quiser ter uma idéia de um vale de grande altitude nos Andes Centrais, com pouca gente e sem pagar a entrada requerida para o Horcones, uma sugestão é a Quebrada de Matienzo, que fica também dentro do Parque Provincial Aconcágua.

 

No Google Earth a Quebrada de Matienzo está com resolução bem melhor que o Vale do Horcones e o Aconcágua. Era conhecido como Vale da Bodega. Depois da morte do piloto Matienzo em 1919, na sua tentativa de cruzar os Andes num velho Nieport, passou a denominar-se Vale de Matienzo. O piloto teve de fazer uma aterissagem forçada numa encosta. Sobreviveu e ferido tentou alcançar a civilização. Mas o mês de maio já é muito frio naquela altitude. Morreu um ou dois dias após da queda. Seu corpo foi encontrado 4 meses depois. Os destroços do avião apenas 30 anos depois.

 

Para ir para a Quebrada devemos pegar o Expresso Upsallata no Terminal El Sol, em Mendoza, Argentina. É a mesma linha que vcs utilizariam para ir a Penitentes ou Puente Del Inca, ou para acessar o Aconcágua. Custa menos que 20 pesos para ir a Las Cuevas, que fica logo antes do Túnel Internacional, último ponto antes de cruzar a fronteira com o Chile. Peguei o ônibus no último 10 de fevereiro, domingo, as 07 hrs (escuro ainda). Vale a pena fazer esta viagem mesmo que não queiram escalar ou fazer trekking. Vc vê quase a mesma coisa que veria se contratasse uma agência de viagem pagando bem mais (90 pesos argentinos).

 

Depois de saltar em Las Cuevas, já maravilhado pelo cenário, um argentino me informou onde começava a trilha. Devemos atravessar a carretera e 300 metros abaixo, atrás de um galpão abandonado da ferrovia há grandes pedras onde encontramos uma pequena ponte para atravessar o rio Las Cuevas. É a única travessia que tive de fazer deste rio no meu trajeto. Sempre fiquei na margem esquerda dele (margem verdadeira). A trilha é bem visível. Logo no começo avistamos muitas lebres correndo assustadas com a nossa aproximação.

 

Depois de 30 a 40 minutos a trilha faz uma curva para o norte começando a adentrar na quebrada. À direita o grande Cerro Tolosa, coroado no topo pelo Glaciar do Homem Cojo. Costeamos um morro ao lado de um canyon estreito com umas grandes pedras. Em baixo de uma delas um local perfeito para um vivac, inclusive com uma cerca de pedras. Segui, já sentindo os 3.100 metros de altitude. Uma subida besta daquelas e eu perdendo o fôlego...

 

A trilha sempre costeia o rio Las Cuevas. É um rio barrento devido aos sedimentos dos morros vermelhos que a água do degelo traz para o rio. Este sendero sobe gradualmente e cruza uns pequenos afluentes que descem para o rio, tranqüilos de cruzar.É interessante notar que a vazão do rio e dos córregos muda ao longo do dia. Os rios sempre estão mais baixos no início do dia, pois pela noite não há degelo, praticamente. Ao longo do dia o caudal d’água aumenta muito, atingindo o máximo no final da tarde, o que pode complicar uma travessia, a depender da época do ano. Também mudam de cor, a depender de uma avalanche ter coberto o rio com terras de cores diferentes (cinza, amarelo, vermelho ou branco).

 

A vegetação é rasteira. Faz muito deixamos a linha das árvores (timberline). Pelo que me recordo as últimas estão em Punta de Vacas e Puente del Inca, a 2.400 e 2.700 msnm respectivamente.

 

O vale tem uma inflexão para a esquerda de quem sobe, ao lado do cerro México e continua ascendendo. Embora a 1ª etapa tenha apenas entre 11 e 12 km, 500 mts de desnível, e 5,5 horas de caminhada até o abrigo Las Minas, o fato de vc ter vindo de ônibus de Mendoza, saído dos 800 mts de altitude para os 3.100 mts em 4,5 horas, deixa a gente pouco aclimatado tornando sempre o 1º dia difícil.

 

Por volta de 17 horas estava já olhando de soslaio para ver se encontrava um bom lugar para acampar, devido ao cansaço. Nada de encontrar o abrigo Las Minas. Até que, de cima de um morro, avistei uma forma retangular entre umas pedras grandes num morro adiante. Não dava para distinguir se era pedra ou uma construção humana. Mas o formato pouco comum na natureza me deu esperança de ser o abrigo. Quando me aproximei vi que se tratava do que restou de uma construção, provavelmente uma casa de mineiros. Apenas as grossas paredes de pedra estavam de pé. Dentro, num canto, um pequeno abrigo feito com folhas de flandres. Ali era a cozinha. Armei a tenda dentro dos muros. É um excelente abrigo em relação aos ventos. Se vc não tem muita confiança na resistência da sua barraca a ventos fortes, ali dá para ficar tranqüilo...Havia água translúcida num pequeno córrego que brotava da terra mais abaixo. Pelo mapa topográfico, este local está entre 3.500 e 3.600 metros.

 

Fiz o clássico prato mochileiro macarrão capeli di angeli com atum e molho de tomate debaixo do abrigo. Dentro dele encontrei uma garrafa PET de Coca Cola de 2 litros. Antes de xingar o porquinho que deixou lixo para trás, li num rótulo colado na garrafa: “bencina – white gas – para los que lo necesiten”. A garrafa estava cheia. Numa das vigas da cozinha uma caixa de fósforos enrolada em esparadrapo, “... para los que lo necessiten”. Fiquei comovido com o desprendimento de alguém que carregou 2 litros de benzina para deixá-la para um desconhecido numa emergência. Este é o verdadeiro espírito da montanha.

 

Foi um dia muito bonito de verão. A temperatura alcançou 30 ºC durante o dia, com uma luminosidade incrível num céu sem nuvens. Protetor solar e bons óculos de sol são muito necessários neste ambiente. Apenas escureceu às 21 horas.

 

Depois que saí de Las Cuevas não encontrei ninguém no vale. Em diversos trechos vi rastros de uma pessoa e de uma montain bike. Não posso deixar de admirar quem subiu até Las Minas numa bicicleta pelo terreno acidentado e cansativo. Devia estar treinando para um triathlon.

 

Tive de tomar um Ibuprofeno antes de dormir. Estava com a dor de cabeça característica do soroche. Depois de uma hora a dor desapareceu e não voltou mais a incomodar. Se persistisse, mesmo após medicação, aí sim precisaria começar a me preocupar com o MAM – Mal Agudo de Montanha – que pode surgir mesmo aos 3.000 metros, se estiver mal aclimatado.

 

À noite a temperatura baixou para cerca de -2 a -3ºC. Pela manhã havia gelo dentro e fora da tenda. Como minha barraca é de uma só capa, o vapor d’água da respiração se condensa no seu interior.

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olá peter, parabéns pela viagem, fiquei muito interessado no seu roteiro. como pretendo ir ao aconcagua no inicio d janeiro gostaria de algumas informações suas. localizei o vale do matienzo no google, fiquei em dúvida se é necessario o permisso para percorre-lo ou se ele é fora do parque. como estarei indo de carro, onde poderia deixa-lo? las cuevas? ponte del inca? E quanto ao equipamento necessário? já estive em situações próximas de zero grau no caminho inca e em itatiaia com equipamento comum, nada especial, mas já sei que as condições podem ser bem adversas, apesar de que não pretendo ir a grandes altitudes somente até os campos base... o que vc consideraria essencial levar? as locações de equipamento em mendoza são baratas? ficarei muito agradecido se puder me ajudar. desde já obrigado pela atenção, marcos.

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olá peter, parabéns pela viagem, fiquei muito interessado no seu roteiro. como pretendo ir ao aconcagua no inicio d janeiro gostaria de algumas informações suas. localizei o vale do matienzo no google, fiquei em dúvida se é necessario o permisso para percorre-lo ou se ele é fora do parque. como estarei indo de carro, onde poderia deixa-lo? las cuevas? ponte del inca? E quanto ao equipamento necessário? já estive em situações próximas de zero grau no caminho inca e em itatiaia com equipamento comum, nada especial, mas já sei que as condições podem ser bem adversas, apesar de que não pretendo ir a grandes altitudes somente até os campos base... o que vc consideraria essencial levar? as locações de equipamento em mendoza são baratas? ficarei muito agradecido se puder me ajudar. desde já obrigado pela atenção, marcos.

 

Marcos:

 

Beleza! Ainda hei de fazer o Caminho Inca e Itatiaia.

 

A Quebrada de Matienzo fica fora do parque. Não tem que pagar ingresso.

 

Se vc vai no verão, deve levar as mesmas coisas que levaria indo pra o Horcones. Embora eu tenha ficado abaixo da altura do acampamento base do Aconcágua, se vc subir o Vale do Matienzo até o abrigo Lanigla, vc deve ficar na mesma altura.

 

Acho até o Matienzo uma boa pedida para aclimatação, antes de tentar o Aconcágua, pois quando vc compra o permisso de ascensão e entra no parque o relógio começa a contar.

 

Eu levei (meados de fevereiro - pleno verão): saco de pluma 20 ºF, agasalho polartec powerstrech, outro agasalho polartec (não lembro a referência), fogareiro de benzina, fogareiro a gás com apenas um cartucho (se o de benzina me deixasse na mão), luvas polartec, balaclava, gorro, impermeável goretex da Ansilta, 3 a 4 pares de meia, de algodão/lã, calça e camisa underwear. Tive de usar tudo de noite, perto dos 4.000 metros! E não peguei tempestade e ventos fortes!!

 

Durante o dia, protetor solar, boné, calça e camisa de manga comprida. Usei bermuda e a parte de trás das pernas, abaixo do joelho, ficaram bem queimadas de sol, coisa que nunca me aconteceu no Brasil. Deixe a mão um corta vento que nas paradas vc deve vestir logo, antes que esfrie o corpo.

 

Leve um Ibuprofeno, ou outro analgésico, para eventualmente aliviar o soroche.

 

Não aluguei nada, pois algumas coisas não pareciam muito limpas depois de vários usuários. Mas todas as lojas de equipamento outdoor de Mendoza alugam. Vale pesquisar e olhar a qualidade dos equipamentos. Tire o 1º dia para isto. Se vc quiser investir, vale a pena comprar, pois eles têm coisa de muito boa qualidade. Mas na época a cotação real-peso argentino ajudava nas compras...

 

Se vc não pretende viajar com freqüência para lugares frios então vale alugar um saco de dormir de pluma –10 º C e um agasalho de pluma (este último se vc não for no verão). São essenciais junto a um bom impermeável e corta vento. Só não sei o preço do aluguel.

 

Mesmo no verão pode haver nevasca. É melhor ir com excesso de roupas do que passar frio.

 

Mochila: 70 litros ou mais. Pessoal gosta da 80 lts porque roupa de frio é volumosa. Levei uma de 60 litros que ficou muito apertada.

 

Creio que dá para deixar estacionado especialmente em Puente Del Inca, mas não seria melhor deixá-lo na rodoviária de Mendoza e pegar um ônibus a menos de 20 pesos?? Vai ser cansativo vc retornar da caminhada e ainda ter de voltar dirigindo mais 3 a 4 horas.

 

Espero tê-lo ajudado. Boa sorte no projeto!!

 

Peter

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