Me casei com minha esposa Juliana em janeiro de 2010. Depois de muitas discussões e planejamentos a respeito de onde curtiríamos nossa lua de mel – Nordeste, Europa, Caribe e Patagônia foram algumas opções por nós levantadas – resolvemos fazer um giro pelo Cone Sul. Adoramos esta região: eu já era mochileiro há 11 anos, com bom conhecimento do Chile (de norte a sul) e da Patagônia; Juliana ainda estava em início de carreira, mas já conhecera Buenos Aires e se encantara. Assim, mesclando custos mais reduzidos e um encanto natural pelo nosso destino, decidimos por uma viagem de 15 dias por Uruguai, Argentina e Chile, com um objetivo especial: comer muito!
Como era lua de mel, não podia fazer um roteiro baseado nos hábitos mochileiros. Tinha que escolher bem o lugar onde ficar, balanceando um orçamento limitado e o romantismo da ocasião. Ao final das contas, tudo saiu muito bem: os gastos obrigatórios – diárias e transporte – para os dois custaram USD 1.260. Além disso, gastamos USD 1.520 com o resto – aí incluídos alimentação (esbanjamos), compras (relativamente poucas, pois não compramos mais do que seis peças de roupa e quatorze garrafas de bebidas, entre vinhos e champagne, além de recordações artesanais) e tours. Somados, exatos R$5.000, sem contar as passagens, que adquiri utilizando milhas aéreas.
Dia 1 - Montevidéu
Iniciamos nossa lua de mel pelo Uruguai. Chegamos num vôo da TAM. Não conhecia Montevidéu, a capital do país, e foi lá que desembarcamos por volta do meio-dia de uma segunda feira de calor asfixiante. O aeroporto de Carrasco fica uns 20-30 minutos do centro da cidade, e como eu nunca tinha entrado no país por ali, apenas por Colônia del Sacramento, tive dúvidas sobre a melhor forma de ir para o centro. Os táxis de tarifa fixa custavam um absurdo – 900 pesos uruguaios, numa época em que o câmbio, arredondando para facilitar as contas, era de R$1 = $10 e USD1 = $20. Li na internet que os ônibus que vinham de Punta Del Este passavam por Carrasco, de modo que corri atrás do balcão da Cot, uma empresa de ônibus local. O balcão fica do lado de fora do aeroporto. O custo era de $88, mas, por mais surreal que seja, a empresa vende a passagem mas não garante o ônibus! Foi isso que procurou me explicar a funcionária, dizendo que não era certo do ônibus de Punta passar em Carrasco – só o faria se algum passageiro vindo do balneário solicitasse. Eu já estava quase fazendo minha cabeça sobre pagar os $900 do táxi do aeroporto, quando a Juliana puxou papo com uma senhora local que nos deu dicas sobre os táxis. Ela foi bastante atenciosa, e chamou um taxista e começou a falar com o cara, dizendo que nós éramos familiares vindos de longe. O resultado foi que pagamos $370 numa corrida feita pelas ramblas de Mvd, uma estrada pela costa marítima que vai desde Carrasco até o Centro. O taxista explicou as características de cada um dos bairros pelos quais passávamos, fazendo menção inclusive aos donos das mansões do bairro Carrasco – entre eles o jogador Rubéns Sosa, famoso atacante da Celeste.
Chegamos na hora do almoço no nosso hotel, o Holiday Inn, com diária de USD90. Ele fica na rua Colônia, a uma quadra da Plaza Independência, centro da cidade e porta de entrada para Cuidad Vieja. A escolha foi muito feliz, pois o hotel, apesar de caro, é um 4 estrelas muito bem cuidado. Fiquei em dúvida entre ele e o Days Inn, mas no final das contas achei a opção correta, pois apesar de um pouco mais barato, o Days Inn não me pareceu bem localizado – fica próximo da rodoviária. Outra boa opção me pareceu o Balmoral, também no centro. Mas depois de ter ficado três dias em Mvd, posso afirmar com segurança que o melhor lugar pra ficar é em Pocitos – região de praia a cerca de 10 minutos do centro e muito estilosa, que me lembrou um pouco (só um pouco...) a zona sul carioca.
Nosso primeiro almoço foi num bar perto do hotel, sem muito glamour mas com muita comida. Logo descobrimos algo fantástico, que se encaixava perfeitamente no que procurávamos: no Uruguai, os pratos individuais são BEM fartos, e podem facilmente ser divididos por um casal. Nesses bares menos badalados uma milanesa sai por volta de $120-150, o que consideramos muito barato. Já a cerveja de litro era mais cara, saindo em torno de $60-100. Passemos pelas ruas de Cuidad Vieja, partindo da Puerta de La Ciudadela no início da calle Sarandí e seguindo até a região do porto. Aos apreciadores de sorvete, há uma sorveteria Freddo bem no começinho da Sarandí.
Entretanto, o melhor do dia foi o bairro de Pocitos. A praia nem é tão bonita para os olhos de um casal de cariocas – até porque o mar é turvo, provavelmente em virtude do Rio da Prata, e a água é quente. Mas o mais interessante foi o clima descontraído da região, com muitos jovens subindo e descendo, esportistas correndo pela calçada, adultos e idosos com sua inseparável garrafa térmica e erva-mate. Chega-se facilmente ao bairro de táxi (de preferência pela rambla, para curtir o visual) ou ônibus urbano – que são extremamente lentos, irritantes mesmo – mas, se couber no bolso, não tenho dúvidas em indicar Playa Pocitos e Punta Carretas (bairro ao lado) como os melhores locais para se hospedar em Mvd.
Olá Mochileiros,
Me casei com minha esposa Juliana em janeiro de 2010. Depois de muitas discussões e planejamentos a respeito de onde curtiríamos nossa lua de mel – Nordeste, Europa, Caribe e Patagônia foram algumas opções por nós levantadas – resolvemos fazer um giro pelo Cone Sul. Adoramos esta região: eu já era mochileiro há 11 anos, com bom conhecimento do Chile (de norte a sul) e da Patagônia; Juliana ainda estava em início de carreira, mas já conhecera Buenos Aires e se encantara. Assim, mesclando custos mais reduzidos e um encanto natural pelo nosso destino, decidimos por uma viagem de 15 dias por Uruguai, Argentina e Chile, com um objetivo especial: comer muito!
Como era lua de mel, não podia fazer um roteiro baseado nos hábitos mochileiros. Tinha que escolher bem o lugar onde ficar, balanceando um orçamento limitado e o romantismo da ocasião. Ao final das contas, tudo saiu muito bem: os gastos obrigatórios – diárias e transporte – para os dois custaram USD 1.260. Além disso, gastamos USD 1.520 com o resto – aí incluídos alimentação (esbanjamos), compras (relativamente poucas, pois não compramos mais do que seis peças de roupa e quatorze garrafas de bebidas, entre vinhos e champagne, além de recordações artesanais) e tours. Somados, exatos R$5.000, sem contar as passagens, que adquiri utilizando milhas aéreas.
Dia 1 - Montevidéu
Iniciamos nossa lua de mel pelo Uruguai. Chegamos num vôo da TAM. Não conhecia Montevidéu, a capital do país, e foi lá que desembarcamos por volta do meio-dia de uma segunda feira de calor asfixiante. O aeroporto de Carrasco fica uns 20-30 minutos do centro da cidade, e como eu nunca tinha entrado no país por ali, apenas por Colônia del Sacramento, tive dúvidas sobre a melhor forma de ir para o centro. Os táxis de tarifa fixa custavam um absurdo – 900 pesos uruguaios, numa época em que o câmbio, arredondando para facilitar as contas, era de R$1 = $10 e USD1 = $20. Li na internet que os ônibus que vinham de Punta Del Este passavam por Carrasco, de modo que corri atrás do balcão da Cot, uma empresa de ônibus local. O balcão fica do lado de fora do aeroporto. O custo era de $88, mas, por mais surreal que seja, a empresa vende a passagem mas não garante o ônibus! Foi isso que procurou me explicar a funcionária, dizendo que não era certo do ônibus de Punta passar em Carrasco – só o faria se algum passageiro vindo do balneário solicitasse. Eu já estava quase fazendo minha cabeça sobre pagar os $900 do táxi do aeroporto, quando a Juliana puxou papo com uma senhora local que nos deu dicas sobre os táxis. Ela foi bastante atenciosa, e chamou um taxista e começou a falar com o cara, dizendo que nós éramos familiares vindos de longe. O resultado foi que pagamos $370 numa corrida feita pelas ramblas de Mvd, uma estrada pela costa marítima que vai desde Carrasco até o Centro. O taxista explicou as características de cada um dos bairros pelos quais passávamos, fazendo menção inclusive aos donos das mansões do bairro Carrasco – entre eles o jogador Rubéns Sosa, famoso atacante da Celeste.
Chegamos na hora do almoço no nosso hotel, o Holiday Inn, com diária de USD90. Ele fica na rua Colônia, a uma quadra da Plaza Independência, centro da cidade e porta de entrada para Cuidad Vieja. A escolha foi muito feliz, pois o hotel, apesar de caro, é um 4 estrelas muito bem cuidado. Fiquei em dúvida entre ele e o Days Inn, mas no final das contas achei a opção correta, pois apesar de um pouco mais barato, o Days Inn não me pareceu bem localizado – fica próximo da rodoviária. Outra boa opção me pareceu o Balmoral, também no centro. Mas depois de ter ficado três dias em Mvd, posso afirmar com segurança que o melhor lugar pra ficar é em Pocitos – região de praia a cerca de 10 minutos do centro e muito estilosa, que me lembrou um pouco (só um pouco...) a zona sul carioca.
Nosso primeiro almoço foi num bar perto do hotel, sem muito glamour mas com muita comida. Logo descobrimos algo fantástico, que se encaixava perfeitamente no que procurávamos: no Uruguai, os pratos individuais são BEM fartos, e podem facilmente ser divididos por um casal. Nesses bares menos badalados uma milanesa sai por volta de $120-150, o que consideramos muito barato. Já a cerveja de litro era mais cara, saindo em torno de $60-100. Passemos pelas ruas de Cuidad Vieja, partindo da Puerta de La Ciudadela no início da calle Sarandí e seguindo até a região do porto. Aos apreciadores de sorvete, há uma sorveteria Freddo bem no começinho da Sarandí.
Entretanto, o melhor do dia foi o bairro de Pocitos. A praia nem é tão bonita para os olhos de um casal de cariocas – até porque o mar é turvo, provavelmente em virtude do Rio da Prata, e a água é quente. Mas o mais interessante foi o clima descontraído da região, com muitos jovens subindo e descendo, esportistas correndo pela calçada, adultos e idosos com sua inseparável garrafa térmica e erva-mate. Chega-se facilmente ao bairro de táxi (de preferência pela rambla, para curtir o visual) ou ônibus urbano – que são extremamente lentos, irritantes mesmo – mas, se couber no bolso, não tenho dúvidas em indicar Playa Pocitos e Punta Carretas (bairro ao lado) como os melhores locais para se hospedar em Mvd.
Visual de Playa Pocitos