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Davi_Benati

Travessia do Vale do Paty (Capão – Andaraí) + 3 dias em Lençóis

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Travessia do Vale do Paty (Capão – Andaraí)

 

Bom, antes de começar o relato queria agradecer todos do Mochileiros pela ajuda, indicações, dicas, e relatos postados que me inspiraram e ensinaram tantas coisas! Valeu, pessoal!

 

Fomos minha esposa e eu encarar a travessia do Paty pelo roteiro mais “clássico”, partindo do Vale do Capão e chegando a Andaraí em cinco dias. Nossa viagem incluiu, além da travessia, mais três dias em Lençóis para conhecermos a cidade e os pontos turísticos mais próximos. Como a Chapada é imensa e o tempo sempre será pouco para conhecê-la, optamos por não irmos para o sul desta vez, então deixamos Ibicoara, Igatu e todas as suas belezas para a próxima viagem, infelizmente – mas não tem jeito, querer fazer tudo na correria é pior, vê-se tudo e aproveita-se pouco. Bom, resumindo, nosso itinerário foi exatamente este:

 

10/Dez – Vôo de Campinas com chegada a Salvador às 24h. Pernoite em Salvador

11/Dez – Partida com ônibus da Real Expresso às 7h para Palmeiras / Vale do Capão

12/Dez – Trilha do Paty dia 1

13/Dez – Trilha do Paty dia 2

14/Dez – Trilha do Paty dia 3

15/Dez – Trilha do Paty dia 4

16/Dez – Trilha com dia 5 com chegada em Andaraí. Translado e pernoite em Lençóis

17/Dez – Grutas (Torrinha e Pratinha) + Morro do Pai Inácio

18/Dez – Piscinas do Serrano + Ribeirão do Meio

19/Dez – Cachoeira da Fumaça por Cima + Riachinho

20/Dez – Partida para Salvador às 13h no ônibus da Real Expresso

 

10/Dez: Chegamos meia-noite e pouco em Salvador. Pegamos um taxi do Aeroporto até o Spotlight Hotel, que é muito perto da rodoviária (pagamos R$ 70,00 – facada total!). Optamos pelo Spotlight porque como o ônibus para Palmeiras partiria logo às 7h do dia seguinte, correríamos menor risco de atraso estando já próximos da rodoviária. Hotel executivo, achei bem honesto. Pagamos 120 reais a diária sem café da manhã.

 

11/Dez: 7h em ponto o ônibus partiu da rodoviária com destino à Chapada. Bom ônibus, confortável, mas a viagem é longíssima e muito cansativa! Fizemos algumas paradas rápidas para embarque e desembarque de passageiros e paramos para valer mesmo por volta das 11:30h no Restaurante e Pousada Portal do Sol, em Itaberaba, para almoçar. Comida a quilo, não era tão caro (menos de R$20,00 o quilo) mas também não era não bom, rsrsrs!!! Bom, tá valendo, deu pra comer tranqüilo! Partimos de novo e chegamos a Palmeiras por volta das 15h. A partir daí, pegamos um “rural” logo que descemos do ônibus (o pessoal já fica lá esperando e perguntando quem tá indo pra Capão). Coisa de 1h de estrada e chegamos ao Capão por volta das 16h. Ficamos na Pousada Vila Esperança, recomendadíssima! Deu tempo de dar uma voltinha pela vila e experimentar as iguarias do local – pastel de palmito de jaca da D. Dalva (gostoso, diferente, mas não é imperdível) e a pizza integral do Thomas! Show de bola a pizza, comemos a salgada e a doce, ambas deliciosas, e aquele mel com pimenta dá um toque especial! A noite deu uma tempestade violenta que fez com que a energia acabasse em todo o Capão.

 

12/Dez: Acordamos com o Capão ainda sem energia e com a maior chuvarada, e, após o café da manhã, nosso guia João chegou pontualmente às 8h da manhã na pousada. Estávamos meio receosos de partir com a chuva toda que tinha caído, e acabamos esperando um pouco pra ver se melhorava. Lá pelas 9:30h a chuva diminuiu um pouco, e acabamos tomando coragem e indo. Fomos até o Bomba de carona (R$50,00), como a pista estava muito encharcada e o carro corria risco de atolar, paramos cerca de 2km antes. Por volta das 10:30h chegamos ao Bomba e começamos a travessia de fato! Iríamos subir o Vale do Capão, cruzar os Gerais do Vieira e descer até o Rancho para almoçar. O tempo estava muito fechado, e o volume muito grande de chuvas tornou todas as travessias dos córregos muito difíceis desde o Bomba até o Rancho. O tempo ruim trouxe outro dano – muita neblina e quase nenhuma visibilidade até o Rancho, então perdemos quase toda a vista da saída do Vale do Capão e dos Gerais do Vieira. A evolução difícil somada a saída tardia do Bomba nos trouxe prejuízo no horário, então comemos mais rapidamente (o João levou a comida – pão integral, mussarela, peito de peru, tomate, rúcula, chocolate, enfim, banquete mesmo!) e partimos, já por volta das 15h, em direção à subida do Quebra-Bunda. Subimos com o tempo ainda muito fechado, e seguimos avançando pelos Gerais do Rio Preto ainda sem qualquer visibilidade. O tempo foi melhorando à medida que avançávamos, e já na altura da Ruinha pudemos ter de fato nossa primeira visão clara do Vale: impressionante! O Morro Branco reluzia à nossa frente, ao longe à esquerda, os dourados Gerais do Vieira e abaixo, em pleno Vale do Paty, as trilhas pequeninas desenhadas no vale, levando à Igrejinha, Sr. Wilson, D. Raquel, e descortinando todo o Paty! Chega a ser comovente, indescritível com certeza! Com o tempo um pouco mais limpo seguimos até a descida da rampa, já por volta das 17:30h. Descemos (e sofremos, rsrsrs!!!) na rampa, e mais alguns quilômetros chegamos na casa do Sr. Wilson, já por volta das 19h, onde pernoitaríamos as duas primeiras noites. Depois de jantar excelente, com direito a carne assada, arroz, feijão fradinho, farofa de cenoura, rúcula, abóbora e um suco de maracujá do mato de chorar de tão bom, fomos dormir pregados!

Aqui faço um parêntese para falar um pouco do João, nosso guia que nos foi indicado pelo Alcino (dono da Estalagem do Alcino, de quem falarei mais tarde). Como o próprio Alcino nos diria mais tarde, existem guias excelentes em Lençóis, mas o João é fora de série! Cara educado, responsável, sério, e ainda por cima corredor dos bons (10km em 35min, pra quem é corredor amador como eu sabe o quanto isso é rápido, rsrsrsrs!!!) , enfim, mais do que recomendado! Tremendo profissional, tomara que tenha muito sucesso sempre!

 

13/Dez: Minha esposa, Camila, acordou bem gripada, com um pouco de febre, devido à chuva e frio que pegamos quase que no dia anterior inteiro. O tempo também estava bem fechado. Nosso plano era deixar as mochilas na casa, subir o Castelo, depois descer até a Cachoeira do Funil e então retornar para pernoitar no Sr. Wilson mais uma noite. Devido ao estado físico dela, acabamos abortando a Cachoeira do Funil, indo “apenas” até o Castelo e voltando ao Sr. Wilson no meio da tarde. O tempo esteve fechado o durante toda a manhã, então fizemos a escalaminhada ao morro sem qualquer vista, mas depois de cruzarmos a Gruta da Lapinha no alto do Castelo, já por volta das 12h, e sol apareceu e pudemos contemplar a magnífica vista do Vale do Calixto, da Cachoeira do Calixto pequenina lá no fundo, a Serra do Ramalho bem a nossa frente e o majestoso Morro Branco mais próximo do que nunca! Acho que fiquei uns 15 minutos calado e imóvel contemplando a vista, completamente impressionado! Nessa altura do campeonato, com menos da metade da travessia transcorrida, eu já tinha dado a viagem como ganha – se acabasse ali estaria de bom tamanho, rsrsrs!!! Descemos do morro do Castelo já por volta das 15h, após um lanche lá em cima, e chegamos na casa de Wilson por volta das 16h. A Cá estava bem gripada, com um pouco de febre, e foi descansar. Fiquei perambulando pela casa. O jantar, mais uma vez, foi irretocável, desta vez com cortado de mamão (delicioso!) e uma carne de sol no ponto! Muito boa mesmo a comida de D. Maria, esposa do Sr. Wilson!

 

14/Dez: O roteiro do dia englobaria irmos de Wilson até o Paty de baixo, para pernoitarmos na casa do Sr. Jóia. O dia amanheceu menos fechado, porém as chuvas dos dias anteriores e o volume muito grande de água nos rios nos forçaram a alterar o caminho, desviando dos rios o máximo de podíamos. Nos despedimos de D. Maria, Sr. Wilson e Nara, filha do casal (pessoas maravilhosas e muito divertidas!), e seguimos em direção à casa de D. Léia, depois para D. Raquel até chegarmos à casa de Jaílson e à Prefeitura. Lanchamos na prefeitura com a vista incrível do Castelo à nossa frente, e seguimos então em direção à casa de Jóia, passando pela casa de Tonho e cruzando o belo rio Cachoeirão com suas águas vermelhas e cristalinas. Atravessamos a pinguela de madeira e seguimos adiante até a casa do Sr. Jóia, com a magnífica Serra do Ramalho nos acompanhando à nossa esquerda! Chegamos no finalzinho do dia, que foi o mais tranqüilo da travessia, mas estávamos precisando de um dia light, porque a gripe da Cá ainda estava pegando, e ela estava precisando descansar um pouco! À noite, na companhia de D. Edileuza e do Sr. Jóia, jantamos e depois ficamos jogando conversa fora, tomando um chá de capim cidreira com folhas de limão que D. Edileuza ofereceu à minha esposa para melhorar da gripe – pessoas incríveis aqueles dois, de uma simplicidade que poucas vezes eu vi na vida! Nesta noite iríamos ter dormido na casa do Sr. Eduardo, mas este estava em Guiné para a formatura de seu neto, então acabamos ficando duas noites na casa de Jóia. Resultou que andamos um pouco mais, mas o caminho era tão lindo que acho que até valeu e pena!

 

15/Dez: Primeiro dia que amanheceu claro, com sol, e iríamos até o Cachoeirão! Seguimos sentido Vale do Cachoeirão, voltando até o rio Cachoeirão e cruzando a pinguela de madeira novamente. Antes, passamos pela casa do Sr. Eduardo e conhecemos as cadelinhas dele, muito fofas! Aqui a primeira recompensa pelo sofrimento extra com as incessantes chuvas – uma linda cachoeira temporária no morro da Piaba, bem detrás da casa do Sr. Eduardo! Seguimos rumo ao Cachoeirão, e o volume grande de água dos dias anteriores primeiro nos castigou, porque o rio estava extremamente cheio – tivemos que improvisar vários caminhos, e seguir por trechos alternativos, já que vez ou outra o volume de água impedia que atravessássemos o rio com segurança. Mas, quando chegamos, a segunda recompensa – nada menos que 12 quedas d’água, e o Cachoeirão completamente magnífico à nossa frente! Lanchamos em uma das pedras bem planas pouco antes dos poços, e depois seguimos uns metros adiante e à direita até o poço que recebia quatro cachoeiras, do lado direito do cânion – naquele momento, quando subimos a última pedra e me vi de frente com o poço, com aquelas cachoeiras imensas, com o barulho estrondoso da água caindo, vermelha, gelada, e o sol brilhando forte e refletindo os pingos d’água, tive a certeza que estava diante da paisagem mais bonita que já vi na minha vida, sem sombra de dúvida! Absolutamente impressionante e indescritível, não há fotografia ou relato capaz de ser honesto com aquilo! Nadamos no poço, fomos até debaixo das quedas, enfim, ficamos um tempo ali perdidos no paraíso, para depois retornamos até Jóia já no meio da tarde. No caminho João parou na casa de Tonho para pegar alguns abacaxis e chegamos à casa de Jóia já no final da tarde. O jantar foi mais uma vez muito saboroso, com um suco de abacaxi também de chorar de tão bom, e fomos dormir totalmente resignados, mas não sem antes contemplar o céu da casa do Sr. Jóia – os grandes paredões da Serra do Ramalho protegendo a região de qualquer luz, trazia ao céu uma riqueza de detalhes que eu poucas vezes vi – nebulosas, constelações, um sem fim de estrelas... se eu, que no Castelo já considerei a viagem “paga”, aqui então já estava me sentindo muito no lucro! Rsrsrss...

 

16/Dez: Último café da manhã no Paty, e a alma já amanheceu pesada! Último cuscuz com banana da D. Edileuza, que vai deixar saudades com certeza (até compramos um cuscuzeiro em Salvador, rsrsrs!!!). Cruzamos o rio Paty para iniciarmos a subida da Ladeira do Império, e novamente tivemos uma grande neblina durante toda a dura subida do Império – não conseguimos ver nada além da casinha do Sr. Jóia enterrada no meio do vale... a neblina impedia que víssemos o vale do Cachoeirão, o morro do Castelo, enfim, qualquer paisagem mais distante. Depois da subida, e de cruzarmos a Serra do Ramalho, começamos o longo caminho até Andaraí, já pelas paisagens arrebentadas pelo garimpo – é chocante perceber a mudança radical na flora do local – saem as quaresmeiras, e todo o verde do Paty, e entram diversos cactos, orquídeas, e uma vegetação que remetia a um clima desértico, fruto de uma região explorada pelo garimpo, maltratada anos antes, ainda bonita, mas irremediavelmente perdida... aqui, depois de tantos dias e tantos quilômetros caminhados, não era o cansaço das pernas pesadas pelo Império que mais castigava, nem o sol tórrido do meio-dia, nem a mochila mais pesada a cada passo, nem mesmo a paisagem judiada pela ganância do homem – o que mais castigava aqui era ver Andaraí cada vez mais perto e saber que o Paty tinha ficado para trás, que aquele lugar mágico estava cada vez mais longe... chegamos a Andaraí por volta das 13h, e após vários sorvetes na Apollo (pra quem é de Campinas e região e conhece a sorveteria Sonho de Verão é difícil achar outro sorvete tão gostoso, então nem exigi muito da Apollo... é gostosinho, vai, pelo preço vale a pena tomar um ou outro!) e uma espera imensa pelo ônibus que só passou por volta das 16h, rumamos para Lençóis para nos hospedarmos na Estalagem do Alcino pra mais três dias mais na Chapada! O ônibus para em Tanquinho, e de lá pegamos uma condução (10 reais por pessoa) até Lençóis. Chegamos em Lençóis por volta das 19h, nos despedimos do João e nos hospedamos na Estalagem. Ficamos em uma suíte no segundo piso, impecável, como toda a pousada! O ambiente criado pelo Alcino e a simpatia da sua pessoa são muito cativantes, o que ajudou um pouco a curar a depressão pós Paty, rsrsrsrs!!! Fomos jantar na pizzaria Pizza da Gente, do italiano Marco – massa fininha, excelente custo benefício (as pizzas tem preço médio de 15 reais, mas são quase que individuais!) e bem gostosas! Recomendo certamente a Pizza da Gente!

 

17/Dez: Primeiro café da manhã do Alcino, e a expectativa era bem alta, no que foi completamente atendida! Impecável, como eu já disse, é a palavra que melhor define a Estalagem – decoração impecável, café da manhã impecável, limpeza impecável, atendimento impecável, enfim, muito mais do que recomendado o Alcino, quando voltar a Lençóis não temos nem sombra de dúvida de onde nos hospedaremos novamente! Neste dia resolvemos fazer uma espécie de Roteiro 1, como o pessoal das agências de turismo chamam por lá, e que compreende as Grutas da Lapa Doce, Pratinha e Morro do Pai Inácio. Mas como queríamos conhecer também a Gruta da Torrinha, fizemos o passeio por conta, sem guia, alugando um carro (locamos na Lukidan, R$80,00 meia diária devolvendo o carro até às 20h). Fomos primeiro até a Torrinha, e, em minha opinião, foi um dos pontos altos da viagem! A Torrinha é um universo simplesmente impressionante, infelizmente poucas agências a incluem nos roteiros, o que considero um verdadeiro pecado! Não deixe de conhecer a Torrinha, o Eduardo, que gerencia as coisas por lá, é uma simpatia, fale com ele que quer fazer o roteiro completo, inclusive conhecer o Palácio de Cristal – são tantas formações tão curiosas, singulares e raras que deixam qualquer um, inclusive um leigo em espeleologia como eu, embasbacado! Depois da Torrinha, lanchamos qualquer coisa que tínhamos na mochila e, pela falta de tempo, acabamos abortando a Lapa Doce e seguindo direto à Pratinha, onde conhecemos a Gruta Azul, a Gruta da Pratinha (não fizemos o snorkeling, fica pra próxima!) e o riozinho da Pratinha. Dali para o Pai Inácio, pôr do sol maravilhoso com lindas vistas do morro do Camelo e do Morrão! Voltamos pra Lençóis, deixamos o carro na Lukidan (para este itnerário R$20,00 de gasolina são suficientes) e jantamos no Grisante, uma carne do sol com purê de aipim, arroz e feijão fradinho. Gostei da carne, estava macia, e o ponto forte era o tamanho da porção – meia porção já era gigante, então recomendo o restaurante pelo excelente custo benefício que proporciona. Depois, sobremesa no Pavê e Comê – o pavê de três cremes, a tortinha de banana com sorvete de creme e o bolinho de chocolate com sorvete de maracujá são muito, muito gostosos! R$10,00 reais cada sobremesa, individual, achei meio caro para os padrões de Lençóis, mas era tão gostoso que repetimos quase todas as noites! Recomendadíssimo!

 

18/Dez: Ainda faltava a Fumaça por cima, mas como tínhamos dois dias em Lençóis ainda, tiramos este dia para fazer os roteiros mais próximos a pé, e conhecer os atrativos mais acessíveis de Lençóis! Fomos caminhando do Alcino até as piscinas do Serrano, e passamos a manhã por lá, subindo até os Salões de Areia e depois esticando até o poço Halley e a Cachoeirinha. Visual bonito, interessante, a Cachoeirinha é bem bonita, parece um jardim natural, e as lavadeiras esticando seus tapetes nas pedras coloridas do Serrano formam um cenário extremamente romântico! Já lá pelas 12h estávamos com fome e abortamos a Cachoeira da Primavera, voltando até o centrinho de Lençóis para almoçar no Bode. Restaurante por quilo, outro com excelente custo benefício – a comida é boa, nada de outro mundo, mas o legal é que tem bastante coisa típica, como o cortado de palma, godó de banana, entre outros, e o suco de mangaba estava ótimo! De lá seguimos também a pé até o Ribeirão do Meio, caminhada tranquila de pouco mais de uma hora, e passamos o resto da tarde por lá mesmo, descansando nas corredeiras do Ribeirão! Este dia foi bem leve, sem nenhuma grande paisagem, sem nada muito espetacular ou inesquecível como a Torrinha ou o Vale do Paty, talvez pudesse até ser descartado da agenda, mas acho que valeu a pena pegar mais leve e perambular pela região! A noite jantamos no Artistas da Massa, meio carinho mas bem gostoso, pra quem gosta e faz questão de uma massa caseira e caprichada, ali é o lugar certo, e ainda rola um jazz da melhor qualidade no som ambiente!

 

19/Dez: Dia da Fumaça por cima! Na noite anterior tínhamos cotado diversas agências de turismo, mas os valores eram sempre 100 reais por pessoa para Fumaça por cima + riachinho, com exceção da Cirtur, um pouco mais barata. Conversamos com o Alcino e ele conseguiu conversar com um colega dele que nos indicou o Kelmo, um guia/taxista que nos cobrou 80 reais por pessoa para fazermos Fumaça por cima com o Riachinho na volta e, de lambuja, pararíamos rapidamente no Pai Inácio para tirarmos mais fotos (na primeira vez que fomos a bateria da máquina acabou bem lá em cima, então queríamos subir mais uma vez para fotografar mais!). Caro, porém, diante das opções, ficou de bom tamanho! A subida para a Fumaça é tranquila, uma caminhada razoável, mas nada que com um pouco de boa vontade não se suba sem grandes traumas – além disso, o tempo estava ótimo e tivemos uma vista maravilhosa da Vila do Capão, pequenina lá embaixo, e da entrada dos Gerais do Vieira. Foi muito legal, deu para entender perfeitamente o itinerário que fizemos desde a saída de Capão até a entrada dos Gerais no começo da travessia do Paty! Chegando próximo do penhasco da Fumaça, já deu pra sentir a névoa de água formada pela cachoeira e, ao chegar ao cânion, é impressionante a vista dos mais de 380m de altura da queda d’água! Deitar na pedra e observar a queda d’água é de tirar o fôlego, e imaginar que aquele poço, tão pequenino, tem mais de 100 metros de largura, deixa uma idéia do quão alto estamos! Realmente um passeio imperdível! Na volta, o belíssimo riachinho proporciona um agradável (e, pra variar, gelado!) banho, com suas águas também muito vermelhas e sua paisagem muitíssimo bonita! Conforme tínhamos combinado, subimos mais uma vez no Pai Inácio, e voltamos para nossa última noite em Lençóis! Jantamos no restaurante Fazendinha, pedimos uma porção que vinha com carne de sol com cebola roxa, arroz, feijão fradinho e farofa, além de uma pizza pequena de queijo coalho... tudo bem gostoso, nada inesquecível mas recomendado também, vale a pena pelo custo benefício!

 

20/Dez: Último café da manhã no Alcino, e a tristeza já batia forte! Fomos bater perna por Lençóis, ver a vida passar durante a manhã... achei Lençóis uma cidade pra lá de simpática, muito agradável mesmo, valeu a pena ter ficado alguns dias por lá! Nosso ônibus partiria para Salvador às 13h, então voltamos pra Estalagem, nos despedimos do Alcino, compramos umas geléias caseiras vendidas na pousada ao lado do Alcino, a Casa da Geléia (a de maça com menta é excelente, o chutney de jaca é tão exótico quanto gostoso, e a geléia de pimenta é muito, muito forte para os nossos padrões paulistas, rsrsrs!!!) e fomos embora, com o coração triste e a alma resignada! A Cá até chorou, rsrsrs!!! Enfim, a Chapada é demais, e, como eu já disse, tem paisagens tão impressionantes que poucas fotos ou relatos conseguem ser fiéis!

 

É isso, pessoal! Pra quem teve paciência de ler o relato até aqui, muito obrigado!

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Aê Davi!! Ainda bem q sua viagem foi tranquila.. maravilha de relato!! Vale do Pati é um dos lugares mais lindos do mundo!! E aquele céu???? lindo, né? maravilha, pode ter certeza q vc conheceu o melhor, já começou bem!!! abraços!!!

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Muito obrigado, Frida!

Você me ajudou muito com várias dicas excelentes antes da viagem!

Realmente o Vale do Pati é um lugar que não existe... a gente fica diferente depois que passa por ali, sei lá, parece que o jeito de enxergar as coisas, a vida, tudo fica diferente! Mal cheguei e nem vejo a hora de voltar! Rsrsrsrs...

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Excelente relato, grande ajuda, estou indo para lá semana que vem!!! Se poder me responder uma dúvida, ficarei agradecido. Estarei levando algumas tralhas e pretendo deixar no Capão, para quando terminar a trilha do Vale do Paty, retornar para buscar. A minha dúvida é a seguinte, fica mais facil eu deixar em Lençois (passando por la primeiramente) ou é tranquilo o retorno pro Capão?

 

Abraços

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Oi oliv!

 

Na verdade depende da logística da sua viagem... de Lençóis pra Capão não é longe, mas não valeria a pena deixar as coisas no Capão, terminar o Paty, regressar pra Lençóis e depois ter que ir a Capão só para pegar as tralhas... te aconselharia a fazer o seguinte:

 

Se for ficar hospedado em Lençóis depois do Paty, vale a pena, chegando ao Capão, despachar suas coisas para Lençóis (tem um pessoal que leva, eu fiz isso e ficou bem barato, coisa de uns 20 reais)... eram itens que eu não ia usar na trilha mas usaria depois (tênis, calça jeans, etc). Acho mais fácil do que passar antes em Lençóis, deixar as coisas, depois seguir pra Capão pra começar a trilha. Confira com sua pousada em Lençóis se eles podem guardar suas coisas por alguns dias, e se for esse o caso me avisa que eu te passo os contatos para o transporte. É bem tranquilo, meio que todo mundo faz isso, não tem erro! Daí você nem passaria por Lençóis antes da trilha, iria direto para Palmeiras e depois Capão como eu fiz, e quando terminasse a trilha e chegasse à sua pousada as coisas estarão lá te esperando!

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Olá Davi,

 

Valeu pela dica!!! Irei fazer isto sim, irá ajudar muito na Logistica, ficarei agradecido se poder enviar os contatos ou a pessoa que fez o transporte do material para você. Conversei hoje na pousada que irei ficar e eles irão guardar o volume para mim.

Mais uma vez, obrigado.

 

Paulo Henrique

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Paulo, seguinte, quem levou minha mala do Capão para Lençóis foi o Luciano, e ele está bem acostumado a fazer isso. Só tem um problema, pelo que entendi, ele parte do Capão toda segunda-feira de manhã com destino a Lençóis, e então é que leva as malas e bagagens de quem tiver combinado previamente. Como tinha deixado combinado com ele com antecedência, ele passou na pousada em que eu estava no Capão (Pousada Vila Esperança) no domingo a noite e pegou a mala diretamente comigo, e então eu lhe paguei. O telefone dele e o 75-3344-1376

Qualquer coisa, caso ele nao possa, peca para ele te indicare alguem, ou entao tente falar com o Rena (tel. 75-3344-1059), que foi quem nos levou da pousada ate o comeco da trilha do Paty, na Vila do Bomba - talvez Rena te ajude a encontrar quem possa levar a mala!

Dica: Combina o preco antes com eles, pra nao ser surpreendido, e aquela choradinha basica nao faz mal pra ninguem, rsrsrs!!!

 

Abracao e boa viagem! Tenha certeza que vai ser uma experiencia pra toda a vida, a Chapada e realmente magica!

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Olá Davi,

 

Estou indo fazer +/- o mesmo roteiro que você fez, alias me deu uma ótima ideia de mudar a ordem da viagem, ao invés de lençóis-palmeiras fazer palmeiras-lençóis.

O guia que você citou, o João, como foi o contato com ele? Foi através de agência mesmo ou ele é um guia independente?

 

Minha última dúvida é um pouco indiscreta, quando vc gastou +/- pelo trekking do Vale do Paty?

 

Agradeço desde já!

Obrigada.

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Oi Giovana!

 

Que legal, se fizer o Paty tenha certeza que vai ser inesquecível, a Chapada é sensacional!

 

Quanto ao João, foi indicação do Alcino, dono da pousada Estalagem do Alcino. O João, apesar de jovem, é nativo de Lençóis e guia há muito tempo, conhece as trilhas da Chapada como a palma da mão, inclusive muitas delas ele foi dos pioneiros a começar a levar turistas. Ele é um guia independente, mas sempre tem a agenda muito cheia, porque quem faz um trekking com ele costuma indicar pra todos que se interessam, e com isso a clientela dele só aumenta! Recomendo o João sem dúvidas, como disse no relato!

 

Se ainda não tem guia, liga pro João, conversa com ele, e pode fechar com ele sem medo se houver interesse! Caso não tenha o contato, o tel. do João é (75)3334-1221... diga pra ele que pegou o contato com o Davi, de Campinas, e chora pra ele te dar um descontinho! ::otemo::

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Pessoal,

Estou planejando a trvesso do Vale do Paty e estou com algumas dúvidas.

1. Acho que vou sair de Bomba em torno de 09:00, mas não tenho definido ainda onde dormir, já que quem vai comigo não tem muita experiência em travessias e não sabemos quanto aguentará andar. Parar no Rancho me parece muito pouco para um dia, mas ir até o Vale do capão pode ser demais. Há pontos decentes de camping acima da subida do quebra-bunda?

2. Alguém tem o tracklog e waypoint da Toca do Gavião e do Cachoeirão por cima?

3. Em torno do Vale do Capão, deixando as mochilas e barracas, há algo além da Cachoeira dos Funis e Gruta do Morro da Lapinha?

Obrigado, abraços,

Ricardo Feres

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