Olá viajante!
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6 dias em La Paz/ Chacaltaya/ Copacabana/ Isla del Sol/ Lago Titica (Com muitas fotos) - Bolívia
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Oi moçada!
Em janeiro deste ano estive fazendo meu primeiro mochilão fora do país e resolvi começar por perto: Bolívia! Após, ler e reler diversos relatos aqui no mochileiros, montei meu roteiro, juntei uma grana, dei uma 'facada' no meu velho e fui!
Objetivo: Conhecer La Paz e seus arredores e o Salar de Uyuni.
Como faz seis meses que voltei e só agora parei para escrever, peço desculpas pela falta de exatidão com datas e preços. Não lembro de tudo. Certamente, os passeios não estarão na ordem EXATA que aconteceram, mas estarão todos aqui, rs.
Decidi sair de SP, pois o voo estava mais barato; voei pela AEROSUR (que acabou falindo pouco depois que voltei da viagem). SP > Santa Cruz de La Sierra (conexão) > La Paz.
Cheguei em La Paz à noite e, pela primeira vez na vida, eu senti frio de verdade. Desci do avião na pista do Aeroporto mesmo e fiquei bobo com tanta fumaça que saia da minha boca enquanto eu respirava. Meus dentes batiam sem parar e o meu casaco de Rio de Janeiro era como uma camiseta em La Paz.
Abri desesperadamente a bagagem de mão e improvisei um agasalho com uma camisa de manga cumprida que não foi nada eficaz, confesso. Eu só queria sair dalí e me trancar em um quarto com bons cobertores.
Peguei as malas, troquei algum dinheiro para o taxi no próprio aeroporto e paguei 60 bolivianos para que o taxista me deixasse na porta do Hostel. Ao sair do aeroporto, confesso que fiquei um pouco 'assustado' com a cidade. Aparentemente pobre, deserta e com ares de perigo, minha primeira impressão de La Paz me amedrontou. Era eu alí, sozinho e nada mais.
Enfim, cheguei no Hostel. (Copacabana Hostal - http://www.hostalcopacabana.com" onclick="window.open(this.href);return false; ), que eu já havia reservado por e-mail –
13 dólares o quarto com banheiro privativo. Fica no centro de La Paz, em uma rua cheia de outros albergues e bem perto de tudo que precisamos.
Bati no vidro da portaria, fui recebido, paguei o quarto, subi uns 5 degraus e o ar me faltou. Faltou mesmo! Alí eu fui me lembrar da famosa altitude que sempre falam da Bolívia. Era como se eu tivesse dado uma rápida corrida. Ao mesmo tempo que parei pra buscar ar eu ria da situação engraçada de me cansar com 5 pequenos degraus.
De pouco em pouco, cheguei no segundo andar (ainda bem que o quarto era no segundo), após o banho quente (obaaa), vesti 3 calças, algumas blusas, mais algumas meias, me enfiei dentro de 5 edredons que a cama tinha e me joguei na cama. Demorei um pouco pra dormir, afinal, a altitude estava me tirando o ar e a cabeça parecia que ia explodir. Precavido, tomei uns remedinhos pra dor de cabeça e apaguei.
Da janela do quarto no Copacabana Hostal
No dia seguinte: Tomei café no hostel e provei o famoso chá de coca pela primeira vez. É normal, como um chá qualquer. Tem um gostinho de folha, docinho e só. Sem efeitos colaterais, alívios e nada. bebi iogurte, comi uns pãezinhos e fui conhecer La paz!
Regra número um: andar, andar e andar. E como andei. Sem preocupação, entrava e saia em ruas, olhava o povo, observava os transportes, as lojas, o comportamento, os váarios mochileiros que cruzavam a cidade de um lado para o outro e aí, fui conhecendo mais La Paz..
sim, de cara assusta, mas esse caos é fácil de se acostumar com os dias que passam..
A famosa Calle de las Brujas foi meu primeiro contato com a cultura local. Pela rua, as Cholas, vez ou outra carregando uma criança nas costas, dividiam espaço com turistas de todo o mundo em busca das peculiaridades que davam nome ao famoso mercado das bruxas.
Entre fetos de lhama, folha de coca e artefatos para rituais religiosos, é fácil encontrar as lembrancinhas típicas para trazes aos amigos, além dos casacos, luvas e gorros de lã que são essenciais para quem pisa na cidade. Ah, e o preços são muito atrativos. La paz é caótica, é cultural, é hippie e é pop. É pra todo mundo! E tem cada coisa no mercado das bruxas..
Fetos de lhama e outros animais - usados para magias, feitiços e tal.
Vai um perfuminho aí?
E na Calle de las Brujas tem de tudo! Eu comprei algumas balas de coca e chá de coca para os amigos, aproveitei o preço bom para comprar umas luvas e gorros, lembrancinhas e um casaco 'La Coste". rsrs.
Quem, assim como eu, vive nas grandes capitais, a diferença vai estar gritando em cada esquina. Seja no comércio de alimentos vendidos nas calçadas, no improviso do povo, na afobação e agitação dos carros e por aí vai. A primeira impressão é de uma certa "sujeira", mas bem adaptável ao longo dos dias. Nessas horas, a gente observa o que é de fato cultura e aprende a respeitar o modo de vida alheio, sem julgamento ou depreciação disso. Os bolivianos são simpáticos, em geral, e estão mais do que acostumados com estrangeiros.
Enfim, deu a hora da fome e eu já sabia o que ia comer: Pollo!, ou frango, como chamamos aqui. Em cada esquina, em cada rua, o cheiro te persegue. É pollo frito, assado, com batatas (papas)... Tem frango em tudo que é lugar! óbvio, que eu estava alí para conhecer o máximo do local e me aventurei no pollo com papas. Meus amigos, o negócio é diferente! rsrs
Muitaaaaa gordura e um gosto muito enjoativo! Não consegui comer tudo. Não sei se é o tempero, o cheiro, sei lá... Não caiu bem em mim. O pessoal do fast food (sim, eles tem um "Mc Donalds" só de frango) é super gente fina, mas o pollo com papas foi meu primeiro e último prato boliviano. Depois disso, eu prendia a respiração quando passava em frente as lojinhas do tipo.
Só de ver essa foto, a sensação já me vem a cabeça: nunca mais me esquecerei do pollo com papas fritas. rsrs
Eu tinha que buscar minha amiga no Aeroporto, ela estava vindo do Brasil e iriamos juntos para o Salar de Uyuni após mais alguns dias em La Paz. Antes dei mais umas voltas pelo centro e cheguei a Plaza San Francisco, onde visitei a Igreja ( e convento) de San Francisco, que também é um museu e centro cultural. É impressionante como os bolivianos são entregues à religião católica. Fiquei um tempo na igreja observando a forçando da devoção deles. Isso fica muito visível pela força do olhar de cada um em frente ao altar enquanto fazem suas preces.
Paguei (acho que 20 bolivianos ) para visitar o museu, convento e o telhado da igreja. Encontrei um brasileiro e fui com ele e a simpática guia (señorita Elli - procurem por ela) pela igreja. Ela nos contou as histórias, levou em todos os aposentos e foi extremamente simpática na visita...
A queridíssima guia Elli - pronúncia: 'ele'
Na volta pro Hostel, encontrei um casal de Porto Alegre que mudou todos os meu planos de viagem. Eles também tinham ido à Bolívia no intuito de conhecer o Salar de Uyuini. Pois bem, me contaram que o Salar estava alagado por causa de fortes chuvas, que alguns jipes ficaram atolados e, por segurança, haviam cancelado temporariamente os passeios no Salar. Eles já estavam alí há alguns dias esperando ver se a coisa melhorava para ir pra Uyuni. Estavam indo sempre às agencias que fazem os passeios (tem aos montes no centro de La Paz), mas não tinham boas notícias... Ferrou! Naquele momento eu pensei: PQP! E agora? Bateu uma decepção... Enfim, o jeito era rodar um pouco mais pela cidade e buscar minha amiga no aeroporto mais tarde para dar a péssima noticia para ela e decidirmos juntos o que fazer.
Rodei um pouco mais no comecinho da noite, até conheci uns argentinos e peruanos e batemos um papinho na Plaza San Francisco.
Após rodar um pouco mais, fui buscar Joseane no aeroporto e dei a notícia à ela. Resolvemos descançar e, no dia seguinte, passar nas agências de turismo para ver se a situação estava melhor no Salar. De acordo com meu roteiro, naquela noite teríamos que ir para o Salar ou então eu não voltaria a tempo para pegar meu voo de volta ao Brasil. Por isso é sempre bom , deixar uns 2 dias sobrando (imprevistos acontecem). Eu planejei a viagem certinha e acabei ficando sem o Salar de Uyuni. Isso mesmo. Não fui!
As coisas até melhoraram por lá. No dia seguinte, fomos a algumas agencias e o passeio já estava sendo feito, porém só o de um dia e não o de 3 dias que havíamos planejado. Além do mais, algumas partes do tour no deserto não permitiam a passagem do carro, então o tour não estava sendo feito completo. O jeito foi me conformar e aproveitarmos o que La Paz podia nos oferecer. E ai surgiu: subir o Chacaltaya e o Downhill de bike na estrada de la muerte.
Após muito pechinchar, fechamos em cerca de 250 bolivianos (cada) o passeio estrada de la muerte (bike, lanche, cd de fotos, camisa e tal.). Acordamos cedo no dia seguinte, tomamos café na agência com o pessoal que tb ia fazer o passeio, assinamos o termo de responsabilidade que isenta a empresa de culpa em caso de morte (sim, alguns já rolaram precipício abaixo) e partimos na van com os gringos para o alto da montanha onde começa a descida de 3 horas e meia em cima da bike.
Visibilidade na subida
Após instruções, testem os freios e vamo que vamo!
O fato de saber que algumas pessoas já partiram dessa para melhor fazendo este passeio deixa a aventura mais alucinante, mas o frio é tanto, tanto que o medo até fica de lado às vezes.
A descida é FOOOOOOOOODA (ainda acho que é mais do que isso). Uma das melhores sensações da minha vida! O frio é absurso, não esqueçam disso. Absurdo no começo; eu parava para assoprar dentro das luvas com ar quente para meus dedos não congelarem. Isso não é exagero. Detalhe: eu estava com duas luvas.
É curioso começar a pedalar no alto da montanha com muita neblina e um frio que congela (e congela mesmo) os dedos e terminar a descida como uma bica de suor sob forte sol. Afinal, são quase 4 horas de descida, tremendo, em alta velocidade. O perigo é se descuidar admirando a inexplicável paisagem e rolar barranco a baixo! rsrs.
Algumas curvas são precipícios muito estreitos e tem uma galera que desce voando, mas tb tem um grupo mais lento que vai no final. Quem quiser, pode ainda ir dentro da van, caso fico com muito medo na hora da descida..
Esse aventura é MUITO CANSATIVA. No final, paramos para tomar o banho e almoçar em um restaurante com piscina e todo mundo volta dormindo na van, sem forças! rs
Na volta Pra La Paz, já agendamos o passeio do Chacaltaya e Vale de la luna para o dia seguinte, afinal tava na hora de ver neve já. rs. A subida para a montanha chacaltaya foi tensa para mim, que tenho sérios problemas com altura. Ver o ônibus subir na beirinha de precipícios e as pedrinhas rolarem quando a roda do bus passava quase do lado de fora foi muito desagradável. rs
Passado o susto, veio o frio.
O bom e velho frio da Bolívia.
Já estávamos à mais de 5 mil metros de altitude acima do nível do mar. Frio extremo de novo e respiração muito, mas muito difícil! A dica do guia era: sentiu que vai desmaiar? senta logo no chão e respira fundo. Tenso!
Foi incrível pela dificuldade! Depois de, felizmente, descermos, fomos visitar o vale de la Luna, mas começou a chover e ninguém saiu do ônibus, então só deu pra fazer umas fotinhas com uma leve estiada que a chuva deu.
Mais um dia se foi e a falta de comida agradável começou a falar mais alto; já não aguentávamos mais comer batatas, biscoitos, massas muito ruins, chocolates e tal.. foi quando eu e minha amiga entramos em uma taxi e começamos a correr atrás de comida de verdade pela cidade, e então.. Achamos um Burger King! (sim, na ocasião era como o arroz,feijão, bife e fritas da minha avó!).
(vou ficar devendo o endereço
)
Enchemos o bucho. Paguei cerca de 10 reais no mesmo lanche que custa uns 30, no Brasil. Enquanto comíamos feito esfomeados, ouvimos uma galera falando português e logo nos animamos com isso. Não éramos só eu e Joseane que sofríamos com falta de comida minimamente agradável. Tinha uns brazucas lá pelo mesmo motivo. rs
Por um momento, nós e eles nos sentimos em casa. Papo vai, papo vem, ficamos sabendo por elesque o passeio no Salar de Uyuni já estava normal. Que ótimo! Ou melhor, que ótimo pra quem pode aproveitar. Meu voo de volta era em dois dias
Minha amiga, sortuda, tinha mais dias disponíveis.. Sorte a dela, que acabou indo para o Salar, mas não sem antes me ajudar a definir o que e faria com dois dias sobrando em uma cidade em que eu não sabia mais o que fazer. Foi aí que ela me orientou ir pra cidade de Copacabana (perto da fronteira com o Peru) e visitar o famoso lago Titica e a Isla del sol; e tinha outra alternativa? Não! Então lá fui eu meio desanimado, confesso.
Fui pra Rodoviária de La Paz, comprei minha passagem, me despedi de minha amiga. Ela foi para o Salar que eu tanto queria e eu pra Copacabana (a 4 horas de ônibus de La Paz). No caminho, descemos do ônibus, que atravessa o rio em uma balsa e os passageiros vão em um barquinho duvidoso, mas que chegou firme do outro lado. rs.
Em Copacabana, sozinho e meio sem rumo, fuii atrás de albergue. Fui em três que não queria alugar quarto para uma pessoa só, pois os quartos eram pra 2 e eles perderiam dinheiro alugando só pra um. No quarto Hostel (que me esqueci o nome, pra variar) recebi a mesma resposta de que não tinham vaga pra uma pessoa. Dei as costas e abaixei a cabeça fazendo uma cena dramática.. rs.. Enquanto eu caminhava em direção à saída, a dona do hostel ficou com pena e disse que eu poderia ficar no quarto, mas perguntou se eu aceitaria dividí-lo caso algum hóspede aparecesse. òbvio que sim! Eu estava em uma cidade que não estava no meu roteiro, da qual eu nao sabia nada, eu só queria um quarto
Por fim, ninguém apareceu e fiquei com ele só pra mim. Fui à rua, comprei uns chocolates, snacks e agua no comércio local, comprei minha passagem de barco pra Isla de Sol no dia seguinte, voltei pro hostel, fui ver tv e assisti o filme 'O Tubarão" em espanhol, até pegar no sono.. hehe
felizmente, o dia seguinte estava lindo, graças a um belo sol que me fez lembrar da Copacabana Carioca. Durante as 2 horas de barco, algumas ilhas e rochedos agradavam ainda mais o passeio.
Chegando a Isla del Sol, logo fui visitar o museu arqueológico de Challapampa, onde estavam expostos objetos de antigas civilizaçãos encontrados ao redor da ilha e nas profundezas do lago.
Em seguida, foi hora de pegar a trilha (o ponto alto da viagem) que, durante 45 minutos de caminhada, exibia uma vista deslumbrante ao redor do Lago Titicaca.
Caminhei até a rocha sagrada, onde um grupo realizava um ritual muito colorido em frente a pedra sagrada. Logo em seguida, cheguei ao labirinto, como são conhecidas as ruinas de Chinkana. Quem quiser, ainda pode ir à parte sul da ilha caminhando por três horas, pois aquela altura, eu só queria descansar de um dia exausto.
Ao contrário dos meus planos, não pude ir ao Salar de Uyuni, mas quando cheguei a Isla del Sol, ví que valeu a pena. Que paraíso! As melhores fotos da viagem são de lá!
Ritual da Rocha Sagrada
Editado por Visitante