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Gu RL

Breve Relato: Trekking no Pico da Bandeira 14 e 15 de julho de 2012.

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Breve Relato:Trekking no Pico da Bandeira 14 e 15 de julho de 2012.

 

 

Um mês antes de iniciarmos a trilha no Pico da Bandeira, liguei para o Parque do Caparaó, para fazer a reserva e garantir a vaga nesta época de estiagem (junho a agosto). Consegui reservar para o dia 14/07/2012, oito vagas para realizar a trip.

Uma semana antes do esperado dia, liguei novamente para confirmar duas reservas, para mim e minha esposa, os outros seis amigos e parentes desistiram da caminhada.

No decorrer da semana antecedente à trip, fiquei de olho no tempo, pois como disse Tom Hanks, no filme O Náufrago: “Não vamos cometer o pecado de perder o controle do tempo”. Então, vigiando o tempo pelo site Climatempo, a previsão era de pancadas de chuva de manhã, à tarde e à noite, entretanto, o nível de chuva indicava apenas 5 milímetros o que era muito pouco considerando a massa polar. Nesse momento, por precaução, achei melhor levar capas de chuva.

Na Sexta feira 13 (é 13/07/2012!), liguei de manhã e de tarde pro Parque pra saber se estava chovendo, e com muita gentileza, me comunicaram que o tempo estava nublado, frio e até o momento, sem chuva. Foi muito bom ouvir isso! Saímos de Cachoeiro de Itapemirim - ES ás 8:30 hs da manhã do dia 14/07, passamos pelas cidades de Jerônimo Monteiro, Alegre, Guaçuí, Dores do Rio Preto, até aqui no ES e depois Espera Feliz-MG, até chegarmos em Alto Caparaó – MG, às 11:00 hs, totalizando 154 quilômetros, onde enfim, paramos para almoçar no restaurante ao lado do Natalino “Jippeiro” (tenho uma historia com esse sujeito na ida ao Pico no ano anterior 2011, que logo postarei).

A comida mineira estava uma delícia, mas não podíamos comer muito pois, logo iniciaríamos a subida ao Terreirão, então satisfeitos, pagamos a conta e fomos rumo a entrada do parque para fazer o cheque das reservas e o pagamento para a subida.

Dezessete reais (R$17,00), foi o preço da entrada e o pernoite por pessoa no Parque do Caparaó. Subimos, da entrada do Parque até a Tronqueira de carro (a estrada não está ruim) onde iniciamos a trilha.

Pagamos também R$ 50,00 ao moço da mula, que levou não só a nossa bagagem, como a da maioria que ali estava (realmente há uma exploração de animais ali mas, comentarei sobre isso em um outro momento). Começamos o trekking por volta do meio dia. Parada para a foto clássica na placa do inicio da aventura e fomos. No decorrer da trilha, tudo tranqüilo, tempo nublado sem sol, muito fresco, paramos para tirar fotos (em todas as placas!), para descansar, fazer uns vídeos e tal. Chegamos ao Terreirão 1:30 minutos depois, as mulas já haviam nos ultrapassado e nossa bagagem estava no abrigo dos brigadistas do Parque.

Montei nossa barraca, tomamos um capuccino, desses que é só acrescentar água fervendo à mistura e comemos uns biscoitos, chocolates e barras de cereal, descansamos um pouco e horas depois demos uma volta no Terreirão para fazer uma vistoria, localizar banheiros , água, conversar com as pessoas sobre o horário da subida ao cume e mais fotos!

Às 17:00 fomos nas pedras acima da casa de pedra para aguardar o por do sol, como o céu não estava limpo o por do sol ficou diferente do que comumente vimos em fotografias, mas isso não lhe retirou a beleza do momento.

Voltamos à barraca, quando chegou uma turma de Manhumirim-MG, não lembro do nome de todos mas lembro de Charles, Maurício, Camila e Priscila, eles estavam em oito ou nove pessoas eu acho. Conversamos um pouco, eles montaram as barracas próximas à nossa, para que pudessem também utilizar da mesa de madeira ali instalada.

Nove graus negativos às 18:00 horas, o termômetro já indicava que a noite estava esfriando e bem rápido. Ficamos ao lado da mesa, com os fogareiros que utilizam álcool como combustível nos aquecendo, conversando, rindo muito, fazendo choconhaque e macarrão instantâneo. O tempo passou e verificamos o termômetro às 20:00 hs, que já marcava zero graus, “cara que frio!” tomei mais uma dose de conhaque e resolvi com minha esposa descansar na barraca até ás 2:30 hs, horário que subiríamos.

Não deu muito certo. Eu cochilava e acordava, cochilava e acordava até que ás 22 hs resolvi sair um pouco da barraca e vi que Maurício e Charles ainda estavam na mesa, conversando, rindo e fritando uma lingüiça de churrasco que estava congelada! Fiquei por ali até que vi que a minha barraca estava úmida, pois a geada fixou gelo na parte exterior da lona plástica e como ela estava encostada na barraca acabou encharcando-a. Pedi ajuda para Charles e Maurício e sacudimos a lona retirando parte da umidade e colocamos de volta, porém afastada da barraca.

Voltei pra barraca, e consegui dormir até as 2:20 hs, enrolei um pouco deitado até dar 2:30 hs, então acordei minha esposa, ajeitamos a mochila: câmera, água, chocolate, biscoito, barra de cereal, blusas reservas e partimos.

Iniciamos a trip às 3:00 hs da manhã, como era a primeira vez, ficamos um pouco perdido na trilha, mas logo começou a se formar uma grande fila indiana de lanternas que dava pra ver contornando a montanha, então, foi só entrar no meio e acompanhar o pessoal.

Após muitos passos, pedras e paradas para descanso, havíamos chegado bem perto do cume, mas quanto mais subíamos, mais constantes eram as paradas para descanso, lembro que ás vezes fechávamos os olhos para descansar e respirar fundo e hora o oxigênio não vinha ou hora quase dormíamos de sono. Sou ex-fumante, parei de fumar há dois anos 11/07/2010, no dia em que a Espanha foi Campeã Mundial de futebol (de certa forma a ida ao Pico da Bandeira foi até uma comemoração pelo feito), e confesso que senti a falta de ar proporcionada pelo rarefeito e, certo momento falei: “... é nessa hora que a gente sente o prejuízo de 18 anos de cigarros ...”, então respirei fundo e continuamos a subir.

Chegamos ao topo do Bandeira às 5:40 da manhã, demoramos 2 horas e 50 minutos para alcançar o topo. Lá a temperatura estava em 3 graus negativos, é de congelar! Retirei a camisa que estava molhada de suor, troquei por uma blusa seca, coloquei a jaqueta de volta e aí melhorou, rapidamente me esquentei. Minha esposa de tão cansada com frio e sono, ficou sentadinha encolhida até o sol nascer.

O sol nasceu às 6:24hs e enquanto surgia, o pessoal ia gritando, aplaudindo, assoviando, comemorando o espetáculo do nascimento solar. Nasceu entre as nuvens, e vagarosamente foi surgindo e sua radiação nos aquecendo.

Após contemplar, filmar e fotografar o evento e o local, resolvemos nos despedir e voltarmos ao Terreirão. Minha perna chegava a tremer na descida e o joelho reclamou um pouco, mas foi um preço muito baixo pelo presente recebido.

Conhecer o Pico da Bandeira, ver o sol se por no Terreirão e nascer no topo, ver a grama e as barracas congeladas, foi uma experiência incrível, pois para isso, conheci novos lugares, novas pessoas, outros climas e fiz amizades.

Fiquei me perguntando: “Porque não fui ao Pico da Bandeira quando era mais novo e estava com 100% de disposição?”, não posso reclamar do passado. Ouvi dizer que “não importa o resultado e sim o caminho”, mas, digo que, no caso do Pico da Bandeira, tudo importa tanto o caminho quanto o resultado, pois tudo vale a pena!

Bom, se você curtiu esse breve relato e tem vontade de conhecer o Pico da Bandeira, não perca tempo, faça sua reserva, programe-se que é um local fantástico de se conhecer.

Como eu curto camping, sugiro que acampe de barraca no Terreirão, a experiência é com certeza muito mais ampla do que ficar na pousada, caso contrário fique na pousada, mas não deixe de ver o nascer do Sol no topo dos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais, é de impressionar!

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Parabens pela sua conquista e sua superação, largar o cigarro sempre é bom. Eu estou indo em Julho com mais dois amigos, gostaria de algumas dicas. Nem sabia dessa pousada, lembra valores? Não temos barracas podemos alugar la?? e a mula paga quanto? Obrigado pela ajuda e obrigado pelo relato!

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