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De Assis-SP a Machu Picchu - 16 a 31 de Julho/2012


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Alguém disse uma vez que sonhos nunca envelhecem. Quando comecei a ler a respeito das civilizaçoes pré-colombianas eu era um garoto no alto de meus de 14 anos de idade. Nao tinha a menor ideia de onde ficava o Peru nem imaginava como fazer para chegar lá. Mas sonhei que um dia iria a Machu Picchu.

Passaram-se 33 anos desde entao e muita coisa aconteceu na minha vida, para o bem e para o mal. Ganhei dinheiro, perdi dinheiro, casei, tive filhos, abandonei a faculdade, voltei a estudar aos 44 anos.

Mas, os sonhos nunca envelhecem. Hoje, um dos meus filhos está com 17 anos e demonstra ter os mesmos gostos, os mesmos sonhos que eu tinha na sua idade.

Esse foi um dos motivos que, há um ano, reacenderam em mim o desejo de viajar por esta parte da América Latina. Acredito que toda viagem começa quando se decide fazê-la: planejamento, economia, pesquisas e, finalmente, pé na estrada.

Assim, aqui estamos nós, eu e meu filho, mochilando pela primeira vez. Ele ainda com o vigor e o ímpeto que eu tinha décadas atrás. Eu com uma experiência de vida que espero que ele um dia tenha.

Este nao é apenas um mochilao: é uma viagem de auto-conhecimento, de descobrimento dos nossos limites, de troca de conhecimentos entre duas geraçoes, de aprendizado mútuo.

Espero que o relato dessa aventura sirva de incentivo a todos os pais que um dia sonharam com esta viagem e que, por um motivo ou outro, foram protelando. Sempre há o dia em que nossos sonhos podem se tornar realidade.

Há um tempo para sonhar, mas há o tempo de viver. Este é meu tempo, agora.

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Saímos de Assis no dia 16/07, como previsto. O ônibus chegou na rodoviária com poucos minutos de atraso, considerando-se que veio do Rio de Janeiro. Embarcamos às 23:20hs e partimos rumo à fronteira Brasil/Bolívia pela Rodovia Raposo Tavares, atravessando o sudoeste paulista até a cidade de Presidente Prudente, onde fizemos a primeira parada por volta de 01:00hs do dia 17. O frio era perfeitamente suportável.

 

Descemos e fizemos um lanche rápido, mas um pouco indigesto para o horário: um salgado de frango desfiado um tanto quanto oleoso e uma Coca-cola para cada um no Rodoserv Prudente, lanchonete de aspecto bastante inferior aos outros estabelecimentos da rede que proliferam pela Rodovia Castello Branco.

 

Não ficamos nem vinte minutos nessa parada. Foi o tempo suficiente para efetuarem a troca dos motoristas e logo estávamos na estrada novamente. O ônibus era confortável e isso ajudou a pegarmos no sono com certa facilidade.

 

Acordei meio desnorteado e, na escuridão, tentava adivinhar a distância que já haviamos percorrido demonstrando claro sinal de ansiedade, o que não é bom em uma viagem sabidamente longa. Olhei para trás e vi que meu filho dormia profundamente. Consegui relaxar e voltei a dormir.

 

Amanhecia quando o ônibus começou a reduzir a velocidade em um trecho de estrada não muito bom, o que nos fez despertar. Acho que a cidade se chamava Alvorada ou Nova Alvorada, pois a maioria dos estabelecimentos comerciais à beira da pista tinham quase os mesmos nomes: "Hotel Alvorada", "Farmácia Nova Alvorada", etc....

Pensei que fôssemos parar novamente, mas a viagem prosseguiu até Campo Grande, estado do Mato Grosso do Sul, onde existe uma espécie de "pit stop" da empresa Andorinha, pela qual viajávamos. O motorista conduziu o veículo até o estacionamento e anunciou uma parada de quinze minutos. Descemos todos e, enquanto alguns procuraram a lanchonete e outros foram aos banheiros, funcionários da empresa lavaram os vidros e substituíram os equipamentos de higiêne do sanitário do ônibus. Tudo levou exatamente o tempo anunciado pelo motorista que, imediatamente após, entrou no ônibus e buzinou para os passageiros entrarem: estrada novamente.

 

Campo Grande, auto-denominada "Cidade Morena", é a própria descrição de seu nome, com seu relevo extremamente plano, permitindo avistar o horizonte para qualquer lado que se olhe. Pelo menos no trecho da cidade onde passamos, não foi possível identificar sinais de desleixo por parte da administração pública, apesar de não parecer-me tratar-se da área central do município. Deixou uma boa impressão, pelo menos nesse aspecto.

 

A paisagem começou a mudar e percebi que estávamos entrando no Pantanal Matogrossense. Vegetação típica com mata de verde exuberante e muita água, como se uma grande chuva tivesse caído e deixado grandes poças entre as árvores. Chegamos ao município de Miranda, que eu já conhecia por conta das muitas histórias de meus amigos de São Paulo que pescavam periodicamente em um rio que dá nome à cidade. Nunca vi nenhum peixe que eles diziam ter pescado.

 

Paramos para o almoço, mas estávamos sem fome. Tiramos algumas fotos e voltamos para o ônibus. Ainda faltava quase metade da viagem até a Bolívia, pelos meus cálculos, uma vez que já havia pesquisado várias vezes o trajeto no "Google Maps". Estranhamente, contudo, minha ansiedade estava sendo substituída pela preocupação em me decepcionar por, talvez, ter exagerado nas expectativas. Respirei fundo e tentei mudar o foco de meus pensamentos para a observação da paisagem. Meu filho parecia estar alheio a isso, pois apagou de novo. Aliás, isso me fez lembrar de quando ele era pequeno pois era só entrar em um carro ou ônibus e já dormia. Em compensação, quando estava acordado parecia ligado em 220 volts. Não mudou muito...

 

A paisagem foi ficando cada vez mais bonita: pássaros, montanhas, lagos, jacarés. Uma elevação, em especial, me chamou a atenção. Soube, mais tarde, que tratava-se de uma chapada, muito comum na região. Era magnífica. Rodamos por mais cinco horas e, finalmente, avistei uma placa indicando estarmos em Corumbá, última cidade do Brasil antes da Bolívia. A aventura iria começar em breve. O "Trem da Morte" nos esperava em Puerto Quijarro...

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