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Olá viajante!

Bora viajar?

Relato: Londres e Edimburgo (09 dias)

Postado
  • Membros

Olá, gente!

 

Em retribuição às dicas que sempre pego aqui no Mochileiros, resolvi contar como foi a minha viagem para a Inglaterra e Escócia. Vou aproveitar para fazer isso enquanto as lembranças estão vivas e as anotações que fiz durante o passeio, aqui à mão. Mas vou escrevendo aos poucos porque o tempo anda escasso e eu tendo a escrever muito hehehe.

 

Fomos eu e um amigo, e tínhamos decidido não saracotear demais passando por 50 cidades, já que só poderíamos ficar fora pouco mais de uma semana. Eu já havia ido a Londres antes com uma excursão e sabia que há muita coisa pra se fazer lá, independente do seu perfil de viajante. Então, optamos por passar por Londres e depois seguir para Edimburgo, cidade que nenhum dos dois conhecia.

 

Partimos no dia 20/09, num voo da British Airways às 16h15 direto para o aeroporto de Heathrow. O voo foi tranquilo. A tripulação era profissional e um tanto descontraída, mas não tomava muito conhecimento dos passageiros não. Faziam o mais rápido possível o que tinham que fazer e sumiam. Como eu não sou de ficar pedindo água, travesseiro, palito, cobertor, café, revista e tudo mais nessas viagens, minha interação com eles limitou-se a responder "chá" ou "café" na hora das bebidas.

 

Pousamos no Heathrow perto das 7 da matina do dia 21. E aí começou pra valer a saga.

 

1º DIA (21/09) : Todo mundo sabe que qualquer viagem começa nos preparativos, mas a imigração, pra mim, sempre é um capítulo à parte. Como falei antes, já havia ido a Londres e não estava tão receoso em relação à imigração. Mas meu amigo, exceto por uma viagem ao Peru e Chile este ano, nunca havia ido pra fora. E pior, já havia passado pela péssima experiência de ter um visto americano recusado. Então, boa parte do meu tempo antes da viagem foi gasta lendo relatos de pessoas que passaram pela imigração e fazendo praticamente um estudo sobre os motivos que levaram pessoas a serem barradas e como foi o procedimento. Li vários desses relatos aqui mesmo no Mochileiros e em vários blogs na Internet. Busquei informações nos sites oficiais da embaixada do Reino Unido, li relatos de estrangeiros para ver se havia diferenças, e por aí foi. Ao mesmo tempo, ia fazendo notas e passando para o meu amigo uma lista de documentos que seria bom ele providenciar e ter à mão na hora da imigração. A agonia era tanta que, dois ou três dias antes da viagem, lá estava eu no YouTube assistindo episódios de uma série inglesa intitulada "UK Border Force", que mostra a atuação dos oficiais de imigração nas fronteiras do Reino Unido e a caça empreendida aos trabalhadores ilegais no país. Já via eu e meu amigo sendo abordados pela polícia de imigração no açougue de um imigrante turco e tendo de mostrar os passaportes falsos e... peraí, volta à realidade porque vocês estão indo a passeio, gastar o suado dinheirinho do emprego de vocês e não têm a menor intenção de ficar lá mais que os nove dias planejados inicialmente.

 

Enfim, nós tínhamos muito mais do que os documentos recomendados. De comprovantes de hospedagem até a passagem de volta, passando pelos comprovantes financeiros, de emprego, contracheques, declarações, seguro de viagem e até um roteiro com o que pretendíamos fazer em cada um dos dias, tudo estava lá, bonitinho, caso pedissem. Mas sempre rola um pouco de insegurança porque, afinal de contas, nunca se sabe se você realmente levou tudo, e, se você pensa demais, começa a lembrar de outras coisas que poderia ter levado junto. Só que chega uma hora também (já dentro do avião, no meu caso) em que você tem que admitir que fez tudo o que podia e que, se não rolar, não rolou. Não vai ser por você não ter se preparado e, sim, por algo alheio à sua vontade. E fomos com esse pensamento para a imigração.

 

Com base em vários relatos, achei que esperaríamos horrores na fila, mas ela estava limpa e cristalina, exceto por umas duas ou três pessoas que foram chamadas enquanto estávamos percorrendo o zigue-zague até o ponto que marca onde se deve esperar. Eu tinha falado para o meu amigo que vi relatos de que pessoa sem vínculos familiares não podem passar pelo mesmo guichê, mas já havia dito também que era pra gente tentar ir junto, já que as viagens que já fizemos juntos, meu visto americano e outras coisas poderiam facilitar a entrada. Assim, passamos direto do ponto de espera para o guichê, e ninguém achou ruim. A oficial foi simpática, pegou nossos passaportes e começou as perguntas:

 

P: Qual o motivo da viagem ao Reino Unido?

R: Turismo.

P: Quantos dias vão ficar?

R: Nove.

P: De onde vocês se conhecem?

R: Do trabalho.

P: O que vão ver em Londres.

R: Alguns dos pontos mais famosos, como --

P: Desculpe, senhor, pode repetir?

R: Aham. Alguns dos pontos mais famosos, como o Palácio de Buckingham e a Torre de Londres.

P: E vão passar os nove dias em Londres?

R: Não, pretendemos passar cinco dias em Londres e depois ir para Edimburgo.

P: E o que vão ver em Edimburgo?

R (sorrindo): Principalmente o castelo.

P (sorrindo): Certo. Vocês já vieram antes ao Reino Unido?

R: Eu já, ele não.

P (pega os passaportes e carimba) : Certo, obrigado e aproveitem a viagem.

 

Poderia ter dado um beijo nela e falado que mandaria uma passagem pra ela visitar o Brasil e ficar hospedada na minha casa, se ela quisesse, mas fiz o mais sensato: agradeci, peguei os passaportes e saí com meu amigo antes que ela mudasse de ideia. :D

 

Depois disso, até meu esfíncter relaxou, e começamos a sessão de fotos ainda no aeroporto. Fomos, logo depois, até as máquinas de bilhete de metrô (não tem jeito de você deixar de vê-las no caminho, é só ir seguindo as placas do "Underground") e compramos o bilhete para ir até a Zona 1. Sabíamos da opção do Oyster Card, mas, nesse momento, nossa intenção era usar o metrô só pra ir e voltar do aeroporto, então compramos bilhetes individuais mesmo (a bagatela de 5,30 libras pra cada um). Pegamos o elevador até o andar do metrô e embarcamos na linha Piccadilly para o centro. Ah, é importante você guardar o bilhete do metrô porque tem de usá-lo para sair da estação quando chega ao seu destino.

 

A viagem de metrô até o centro demorou entre 40 ou 50 minutos. Pegamos ele vazio no Heathrow e ele foi enchendo - e muito! - ao longo do caminho. Os vagões são pequenos e estreitos, mas aparentemente há bastantes trens, pois é raro você ficar esperando muito tempo na plataforma. E outra: o povo não fica naquele espreme-puxa-empurra e viva a festa da Xuxa. Quando o vagão lota, o pessoal que sobrou fica do lado de fora, pacientemente, aguardando o próximo trem. Não vi ninguém com a cara prensada no vidro. Estávamos, eu e meu amigo, cada um com uma mochila do tipo escolar abarrotada, e, por isso, foi um alívio ir sentado a viagem toda.

 

Descemos na estação de South Kensington e, como ainda não eram nem 9 da manhã e só poderíamos fazer nosso check-in no hotel a partir das 3 da tarde, lá fomos nós perambular. Resolvemos seguir nosso roteiro original (que já havia levado em consideração esse tempo de chegada e o horário do check-in) e subimos a Exhibition Road a partir da estação. Vimos e tiramos fotos dos prédios do Victoria & Albert Museum e do Natural History Museum, mas visitar nem pensar porque ainda estavam fechados. Seguimos em frente e demos uma passada pelo Royal Albert Hall. Aquele prédio é muito bonito, mesmo que não tenhamos visitado por dentro valeu a pena parar ali um pouco e tirar umas fotos.

 

Atravessando a rua, estávamos na entrada dos Kensington Gardens. Bem de cara, um memorial belíssimo ao marido da rainha Victoria, Albert. Se você gosta de escultura, como eu, é um prato cheio, principalmente as esculturas nos quatro cantos do monumento, que representam quatro continentes. Depois de gastar um tempinho ali, fomos andando pelo restante do parque e, sem querer querendo, demos de cara com a estátua do Peter Pan. É uma das histórias infantis que eu mais gostava quando criança, então foi a realização de um sonho tardio ficar ali do lado e tirar umas fotos. Seguimos adiante e passamos pela galeria Serpentine e pelo próprio Serpentine até chegarmos ao jardim italiano, que é muito bonito. Esse jardim é praticamente a divisão entre os Kensington Gardens e o Hyde Park. Depois da paradinha no jardim, seguimos pelo Hyde Park.

 

O Hyde Park não é, ao menos pra mim, tão bonito quanto os Kensington Gardens, mas é bastante agradável. Fomos andando pelo lado norte do parque até chegarmos no Speaker's Corner, mas não havia ninguém lá discursando, coisa que eu adoraria ter visto. Mas, além da chuva fina, li em algum lugar que o povo costuma ir até lá aos domingos, embora não saiba se é algo que acontece realmente todo domingo ou se a tradição já está esquecida. Enfim, pegamos uma chuvinha fina nessa hora e fomos até o Marble Arch, saindo do parque pelo canto superior direito do parque, e de quebra vimos uma escultura linda representando a cabeça de um cavalo (toda vez que falo isso só me lembro de "O Poderoso Chefão"). A chuva apertou um pouquinho e aproveitamos pra ir comer num Pret à Manger que tem ali perto. Aliás, o Pret à Manger é ótimo se você, quando viaja, prefere forrar o bucho com um sanduíche frio e um refrigerante enquanto anda em vez de sentar e gastar pelo menos meia hora em qualquer restaurante. O nosso plano, inclusive, era comprar e sair andando, mas a chuva apertou bastante enquanto pagávamos e então optamos por comer lá dentro mesmo e aproveitamos a oportunidade para dar um descanso para as nossas costas do peso das mochilas.

 

Não demorou muito, a chuva ficou fininha de novo, e lá fomos pra rua. Voltamos beirando o Hyde Park e os Kensington Gardens até o playground que é dedicado à Princesa Diana (no lado esquerdo dos jardins) e descemos o caminho até o Palácio de Kensington. Não achei o palácio tão bonito, mas a área em volta dele é muito bonita. Grama aparadinha, árvores trabalhadas com formas diversas, um lago próximo e a estátua da rainha Victoria e de William III nos arredores. Meu amigo sugeriu visitarmos por dentro, mas esse é um dos lugares em que você precisa pagar, e, no fim, não achamos que valeria realmente a pena frente às outras coisas que queríamos ver.

 

Assim, voltamos para o nosso ponto de partida na frente do Royal Albert Hall e descemos pela Exhibition Road até o Natural History Museum. Já era de tarde e pudemos entrar tranquilamente. Eu achei que haveria pelo menos algum tipo de inspeção das nossas mochilas, uma catraca ou detector de metais, mas nada: passamos direto para dentro do museu e ninguém tomou conhecimento da nossa existência. Entramos pela entrada lateral, e acho que esse foi o nosso erro: caímos no pavilhão de geologia, que não me interessa nem um pouco. Era pedra atrás de pedra, com todos os detalhes de formação de cada uma, onde são encontradas e por aí vai. Há atividades interativas, em que você pressiona botões, move alavancas e tal, para observar os efeitos. Mas realmente não é a minha praia, embora com certeza vá deleitar quem curte o assunto. Nem o simulador de terremoto me fez sorrir, porque é bem fraquinho (e nem podia ser diferente.. imagina alguma vó caindo e quebrando a perna).

 

O quentinho do museu, comparado com o frio leve do lado de fora, começou a fazer eu e meu amigo ficarmos com cara de drogado. Depois de 10 horas e meia de voo, praticamente sem dormir, e passar toda a manhã e uma parte da tarde andando feito camelos carregando entre 5 e 6 Kg nas costas, com chuva e vento, chega uma hora que seu corpo começa a chorar, né? Então resolvemos ir até a ala dos dinossauros - motivo-mor da nossa ida ao Natural History Museum - e, como já passava das 4 da tarde, veríamos mais alguma coisa se desse tempo até o museu fechar e pronto. No caminho, passamos por um corredor com várias espécies de aves empalhadas, e paramos lá um pouquinho para vê-las. Fiquei fã de uma coruja marrom que tem lá com cara de "ataaaaaaaaaaaque!!!". Continuamos e passamos por um outro corredor gigante, onde há os esqueletos fossilizados de uma preguiça gigante e de vários dinossauros marinhos, alguns gigantescos! No final das contas, pra quem curte dinossauros, o Natural History Museum vale mais pelos exemplares marinhos do que os terrestres. Mas claro que só descobrimos isso depois da visita à aula dos dinossauros mesmo. Há alguns esqueletos de triceratops, estegossauro, alossauro e outros, além de alguns ossos avulsos de partes de uma pata ou da coluna. Há também um modelo animatrônico de tiranossauro e um outro de raptor, mas, no fim das contas, eu achei a ala pequena. Há informações gerais e atividades para crianças, mas eu achava que a ala era maior e que havia mais espécies do que os de sempre. No fim, como disse, os espécimes marinhos valem mais a pena, na minha opinião.

 

Tentamos ir à ala dos insetos, bichos nojentos, rastejantes e afins, mas o museu já estava fechando. Ainda deu tempo de tirar uma foto da estátua do Charles Darwin, no primeiro patamar da escadaria de entrada do museu, mas em seguida tivemos que ir embora mesmo. Saindo do quentinho e indo pro geladinho, ficamos um pouco revigorados, mas decidimos ir logo para o hotel. Ficamos, nessa noite, no EasyHotel South Kensington. Por uma demora na hora de fecharmos as datas da viagem, acabamos não conseguindo vaga na primeira noite no EasyHotel Victoria, que era nossa primeira opção, e, assim, ficamos a primeira noite no EasyHotel South Kensington e, no dia seguinte, iríamos pro EasyHotel Victoria, que é mais central. A chuva fraca voltou a incomodar, mas em mais ou menos 15 minutos estávamos no hotel. Foi minha primeira experiência em um EasyHotel e posso dizer que não me arrependi nem um pouco. Se você só precisa de uma boa cama, um chuveiro e uma privada, o EasyHotel te serve muito bem. Como eles dizem no site, os quartos são bem pequenos, então gente que viaja com malas grandes pode ter problemas pra se virar dentro do quarto. Todos os extras, mas todos mesmo, do ar condicionado à televisão, passando pela limpeza do quarto e guarda de bagagem, são cobrados à parte. Isso tudo está no site deles, então não dá pra se assustar quando você chega lá. Eu achei o custo bom para o que era oferecido, principalmente levando-se em conta que estávamos em Londres, onde tudo é caro.

 

Apesar do cansaço e de já estar vendo tudo em quatro dimensões, saímos de novo para conhecer a vizinhança. No caminho, passamos por um Sainsbury, um supermercado que dá igual chuchu na cerca lá no Reino Unido. Aproveitamos e comemos por lá, já que há tipo uma praça de alimentação. Compramos mais algumas coisas para o caso de fome noturna e também um adaptador para a tomada - no Reino Unido as tomadas são de três pinos chatos, dois na horizontal e um na vertical. Compramos por 3 libras (no EasyHotel estavam vendendo por 7), mas dias depois precisamos de outro e achamos por 1,50 libra.

 

Tentamos usar o caixa self-service do supermercado, mas foi um epic fail total. Já vesgos de cansaço, fomos a um que não aceitava cartões, e eu tinha deixado meu dinheiro no hotel. Fomos a um outro caixa self-service, e ele também não aceitava cartões. Nesse meio tempo, meu amigo achou o dinheiro dele e um tio apareceu lá, levou a gente até outro caixa e praticamente fez tudo, inclusive trocar o dinheiro (meu amigo tinha uma nota de cinquenta libras, o caixa só aceitava 10 e 20 libras). O tio foi super prestativo, mas a nossa sensação de incompetência foi grande hehehe.

 

Nessa brincadeira, já tinha passado de 8 da noite. Por mais que digam que não se deve dormir em viagens assim, a gente realmente precisava dormir. A nosso favor, tínhamos o fato de que havíamos feito tudo o que pretendíamos nesse primeiro dia. Combinamos então em voltar pro hotel e capotar para levantar cedo no dia seguinte e continuar a maratona. Pra dormir, não precisei nem de dois minutos depois que deitei.

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Postado
  • Membros

excelente relato!!

vc anotou o que foi feito nos dias de viagem em algum caderno? pq nossa, os detalhes são muitos. parabéns!

no aguardo pelo restante.

Postado
  • Membros

Grandes detalhes sim senhor! Está indo bem esse report para já. Para melhorar mais ainda podia meter algumas fotos (principalmente de Edinburgh, que estou ansioso de conhecer!).

  • 6 meses depois...
Postado
  • Membros

Querido, ri muito com o seu relato! Foi ótimo, divertido e com muitas informações que vou aproveitar para o meu roteiro! Embarco domingo! Obrigada por dividir sua aventura conosco!

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