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Landis

3 dias em Portugal de mochila e gastando pouco

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Conhecimentos, alegrias e frustrações

 

Sexta-feira, 05 de agosto, feriado em Portugal. Saí de Faro em direção a Loulé, cidade próxima, 18Km, fui para a faixa tentar carona, afinal um trecho tão curto não deveria ser difícil conseguir. Não sabia eu que os portugueses além de sua grosseria habitual também não gostam de dar caronas. Enfim, caminhei muito, peguei algumas romãs pelo caminho (tem muito pê de romã aqui) até que em um cruzamento um morador de Loulé parou para mim.

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Me levou até a cidade de Loulé em seu BMW antigo, lamentou da crise portuguesa, disse que no ramo de construção, que é o que ele trabalha, não se tem mais nada para fazer, as pessoas não gastam, e me falou que os portugueses tem medo de assaltos e por isso não dão ‘boleia’, que é como eles chamam a carona.

Conheci a cidade e ainda era cedo, pensei em pegar um trem para Silves porém estavam de greve, não teria ônibus naquela tarde também, assim sendo a carona não era mais uma opção, mas sim a única alternativa que me restava. Fui andando alguns quilômetros até que encontrei a auto-estrada 22, como se fosse a nossa free-way, é proibido andar a pé por ela, e parar um carro então nem se fala, mesmo assim um inglês parou para mim. Ele e a esposa estavam indo para uma cidade que não era Silves mas me deixariam no caminho. Foram super legais comigo e me indicaram a direção que deveria ir, fui caminhando e plaqueando Silves, até que um casal parou e me ofereceu carona por mais um trajeto, também não iriam até lá, mas toda ajuda é bem vinda. Sai do carro e perguntei em uma casa próxima quantos quilômetros faltavam até a cidade, um homem me respondeu que uns 8, pensei comigo, se eu não conseguir carona posso caminhar até lá. Decidir comer uma das romãs que havia pego pela manhã. Estava simplesmente divina, me remeteu há muitos anos antes quando comia no Brasil.

 

A esta altura já havia percorrido muitos quilômetros a pé ao logo do dia, mas não importava, se os pés estivessem doendo e eu desistisse, continuariam a doer, e a aventura acabaria, dessa forma serviam como estímulos, afinal eu já havia andado tanto, não daria para desistir agora. Até que um carro inglês parou para mim, novamente os ingleses me salvando. Desta vez era um casal mais velho, ele dirigia do lado direito do carro e os dois só falavam inglês. Assim mesmo conseguimos nos comunicar muito bem e me levaram até a entrada da cidade de Silves.

O castelo dos Mouros chama a atenção e mostra sua imponência logo de cara, ao topo de um morro no qual a cidade está construída mostra o quanto Silves foi importante alguns séculos a.C.. Pude ver a ponte romana, as igrejas colossais, e o castelo. Fui a última pessoa a entrar antes de fecharem as portas, e consequentemente o último a sair. Sempre fui fascinado por história, mitologia, coisas medievais, por isso quando estava visitando o castelo parte de mim era automaticamente teleportado a um tempo de espadas, cavaleiros e reis.

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Não tinha muitas opções do que fazer em Silves após conhecer a cidade, vi um ônibus que iria para Albufeira e decidi embarcar nele. Fui para a cidade litorânea sem nenhum planejamento, estava cansado, levemente queimado do sol, e precisando de um banho. Pensei em dormir na praia, entretanto o tempo estava duvidoso e como precisava de um banho resolvi procurar um albergue. Encontrei um que me informaram ser o mais barato da cidade, me frustrei. Era muito ruim na verdade, o chuveiro, que era apenas uma ducha e não um chuveiro, ficava desligando a água quente, dessa maneira eu sentia um pouco de água quente e em seguida um balde de água gelada, mas terminei o banho, como meus pés doíam resolvi não sair naquela noite, fiquei do quarto e dormi cedo. Me arrependi amargamente de ter ficado lá, estou até agora arrependido na verdade, pois o infeliz me cobrou 12 euros, achei um absurdo.

 

Levantei cedo na manhã seguinte e fui conhecer a praia, levei todas as minhas coisas, afinal não pretendia voltar ao hostel mesmo. A praia de Albufeira é linda, caminhei por algumas rochas que são usadas por pescadores e gostei muito do lugar, conheci o que a cidade tinha para oferecer no centro, mas obviamente tudo voltado à turistas com dinheiro. O que definitivamente não era o meu caso. Procurei uma farmácia para comprar um protetor solar e o mais barato que havia era 12 euros, então decidi me queimar um pouco. Perguntei para algumas pessoas qual era a saída da cidade que levava à Lagos, pois queria pegar novamente boleia. Me indicaram, mas todos falaram que seria demasiadamente difícil, uma vez que ninguém mais dava carona. Entretanto, esse é o pensamento de portugueses, fui tentar carona e consegui rapidamente com um inglês, de novo. Cara muito gente fina, chamado Mick, torcedor fanático do Chelsea e que irá para o Brasil na copa de 2014, ele só falava inglês e assim fomos conversando de Albufeira até Lagos, falamos sobre futebol, crise de Portugal, corrupção no Brasil, lugares para se conhecer na Europa, dentre outras coisas, além do Seat novo, com ar-condicionado, a viagem foi boa pois fui praticando meu inglês, que é uma porcaria diga-se de passagem, e foi de graça.

 

Lagos sem dúvida foi o ápice da viagem, cidade linda, repleta de coisas bonitas para todos os lados, em arquitetura, sofisticação e natureza. As muralhas no estilo medieval fazem praticamente o mesmo efeito do castelo de Silves, a marina como belos barcos mostra que a cidade possuem pessoas com grande poder aquisitivo, e as praias são um encanto a parte. Resolvi ir em todas as praias, e achei todas muito lindas, o problema foi o Sol. Me queimei muito e comecei a sentir isso com o passar da tarde. Encontrei um grupo de brasileiros que estavam lá com uma excursão de Coimbra, foram em 5 ônibus, muita gente, mas só conversei com uns 5 ou 6, dos quais acabei me dispersando mais além. Procurei um camping que havia lá perto e consegui um banho por 2,50 euros, e sem demagogia foi um dos melhores banhos que tomei em Portugal, pois foi um dos pouco que havia um chuveiro realmente, e não duchas, após o banho caminhei pela cidade e foi comer em um mercado, artigos de padaria, foi muito mais barato que ter comido em qualquer outro lugar. Como já havia planejado antes de sair de faro, fui dormir na praia.

 

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Encontrei uma gruta próxima a entrada da praia, em um local com sombra das luzes da cidade, dessa maneira ficaria mais confortável para dormir e mais difícil das pessoas me verem. Logo que deito recebo um presente da Lua, subindo no mar amarela, enorme, refletindo na água, só por aquela imagem já valeu a viagem. Algumas pessoas foram à praia na madrugada, mas não me viam, cumprimentei algumas e notei que se assustavam, assim preferi ficar quieto se visse mais alguém. Por volta das 4 horas da manhã chegam 2 guris e uma menina, os 3 levemente bêbados, ela mais do que eles pelo que percebi. Só falavam em inglês e ela insistia em entrar na água, quando um deles tirou toda a roupa, sim, toda, e foi pro mar. Nisso ela levanta seu vestido e o tira, não estava usando nada por baixo, e também corre para o mar, o terceiro foi o único que ficou com cueca, pensei em bater palmas ou gritar algo do tipo ‘Nice show guys!’ mas percebi que só iria servir para acabar com a diversão deles. Não tardaram a ir embora e me deixar sozinho novamente. Acordei muito cedo para poder ver o sol nascer, deu certo. Uma visão tão especial quanto a da lua na noite anterior.

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Mas como nem tudo são flores na vida, decidi voltar para Faro, fui tentar carona, e consegui, porém só até Portimão, resolvi ficar na estrada ao invés de entrar na cidade, assim continuaria tentando. Porém não deu certo, e quando o ônibus de Faro passou não parou para mim, mesmo eu fazendo sinal para isso. Como não tinha opções resolvi ir até o centro de Portimão, tanto para conhecer a cidade quanto para pegar um ônibus para Faro, o Sol já estava ficando forte e como eu estava muito queimado não queria piorar a situação. Caminhei uns 5km e cheguei na marina de Portimão, lugar bonito, com um iate gigantesco atracado, algumas ruínas, no entanto nem minha máquina digital, nem meu celular, possuíam bateria para fotografar qualquer coisa, foi uma pena. Peguei um ônibus que viria de lá para Faro, 67Km, deveria ser tranquilo. Porém o ônibus não abria as janelas, o ar-condicionado não estava funcionando e não haviam cortinas, além do fato de eu ter saído as 11 da manhã de lá e ter chegado as 13:20 aqui. Duas horas e vinte dentro de uma sauna abafada. Mas o que importa é que cheguei bem, apenas queimado, sem gastar muito e com uma boa experiência adquirida.

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