venho aqui publicar o relato da minha terceira viagem pela Europa. Na verdade, estou escrevendo-o para o meu blog de viagens (http://passosepaginas.wordpress.com), então, o estilo está um pouco diferente do que eu costumo escrever, já que, além de querer dividir minhas experiências gostaria de escrever algo para mim também. Algo que eu possa eu me lembrar. Sendo assim, se meu estilo estiver bem chato de ler, me perdoem, ok?
Aqui no Mochileiros.com há muitos relatos da Europa e a minha viagem teve novamente um roteiro bem básico. Por isso, creio que não acrescentar nada de novo em termos de informação, mas espero poder inspirar alguém a fazer viagens como essa ou mesmo os divirta em pelo menos alguma coisa.
Segue texto já colado do blog. Espero que gostem!
Mochilão pela Europa, setembro e outubro de 2012 – Introdução
Eis-me aqui novamente para tentar a escrita de uma nova viagem pela Europa. A escrita para mim é sempre uma necessidade muito grande porque me parece que é assim que as experiências que tive ganham forma mais consistente na minha memória. Na viagem que relatei aqui neste blog (a de Buenos Aires), não mantive um diário porque estava acompanhado e não desejava momentos de isolamento. No entanto, eu sugeri que eu e as meninas fizéssemos uma recapitulação ao final de cada dia da nossa viagem. A ideia foi essencial para que eu conseguisse lembrar alguns detalhes importantes posteriormente. Nessas três semanas de 2012 em que eu viajei pela Europa, o meu inseparável companheiro foi um caderninho espiralado azul sem pautas. Era ali que eu escrevia, às vezes rapidamente e com letra confusa e erros de português, às vezes com calma, mais reflexão e letra cuidada, muito do que aconteceu. Com base nesse caderno e nas minhas fotos será escrito o relato. Espero que todos apreciem. Assim como no caderno, não pretendo escrever absolutamente tudo o que me passou. Seria insanidade. Além do que, muito seria irrelevante e outras coisas foram bastante pessoais e vou guardá-las comigo somente.
A viagem começou, claro, bem antes da viagem. A vontade surgiu lá em 2010, logo depois que eu voltei da minha viagem anterior (é o vício! Fazer o quê!). Como acontece nessas ocasiões, depois de conversar com tanta gente diferente, com suas línguas e histórias de vida, a gente começa a aprender mais sobre o mundo e então vem a vontade de conhecer mais e mais lugares. Eu voltei com um roteiro perfeito! Queria conhecer a Alemanha e a Polônia e quem sabe dar uma passadinha em Istambul. Ia ser lindo! Voltar para casa parece a princípio uma espécie de exílio. “Tanta coisa lá fora e eu aqui em casa”. Era assim que eu pensava quando retornei. Mas isso durou pouco. Em pouco tempo fui absorvido pelas tarefas do cotidiano. E o meu sonho resolveu tirar uma soneca enquanto isso. Eu até mesmo esqueci que ele estava ali, afinal 2011 foi uma verdadeira montanha russa, com tentativa de mudança dos rumos da minha vida. Mas acho que estava querendo por uma porta estreita demais para mim, e a Providência resolveu me dar uma pequena ajuda, já que eu não estava fazendo o meu trabalho direito. Acabei por chegar à conclusão de que uma mudança de rumo para mim seria continuar a fazer o que eu estava fazendo antes. Confuso? Nem tanto. Quando tive o insight, fiquei tão confiante que continuaria meu caminho não importa o que acontecesse. Assim, de certo modo aquele ano terminou mais ou menos como acabou, porém com uma diferença importante: eu tinha uma grande motivação!
E o que isso tudo tem a ver com o mochilão? Tudo! Se não tivesse encontrado um rumo para mim, essa viagem não teria sido possível. Então, de certo modo ela foi um presente e representa o símbolo de uma nova fase que eu queria que se iniciasse. E foi assim mesmo! Tanto foi que a oportunidade de viajar surgiu logo em janeiro de 2012, porém ela foi sacramentada em março. Foi aí que o “bicho viajante” acordou de vez! A viagem começou aí. Para começar, defini o que eu chamei de “cidade obrigatória”, um lugar que eu gostaria muitíssimo de conhecer e que não tiraria do meu roteiro de jeito nenhum, e a bola da vez foi Istambul, na Turquia. Comecei a pesquisar as passagens e o menor preço foi um voo São Paulo-Madri-São Paulo pela Tam. Negócio fechado! Já tinha duas cidades no meu roteiro. Depois de ouvir muita coisa boa, decidi que Barcelona faria parte da viagem sem dúvida. Iria de Madri para Barcelona assim que chegasse à Europa ou pousaria em Barcelona quase no fim da viagem para voltar para Madri alguns dias depois. Além disso, tinha outro problema: Espanha e Turquia ficam em extremos do continente e eu precisava arrumar um jeito barato de ir e voltar. Confesso que essa foi a parte mais difícil da pesquisa. Cheguei inclusive a pensar em tirar Istambul do roteiro, mas logo que não conseguiria fazer isso. Só de pensar na minha viagem sem conhecer a Ayasophia já me desmotivava (veja só a minha vontade de conhecer essa cidade). O problema é que eu consegui um jeito de ir para a Turquia saltando de Barcelona para Berlim, então de lá para Istambul. Só que não conseguia fazer o caminho de volta de jeito. Tentei inverter a ordem e fiz mil peripécias até que finalmente constatei que o melhor volta seria para Londres, pois, apesar de ser muito longe, eu ganharia algumas horas por causa do fuso horário, mas o voo Istambul-Londres estava muito caro. Precisava de uma ponte entre as duas cidades. Que tal Atenas? Perfeito! Então de Londres era só pegar o último voo para Madri e o círculo fechou!
O roteiro ficou assim:
Madri (partida para Barcelona no mesmo dia) – Barcelona (5 noites) – Berlim (4 noites) – Istambul (4 noites) – Atenas (2 noites) – Londres (5 noites) – Madri (1 noite).
Como você pode ver, ficou um roteiro meio maluco, que sai do ocidente, vai parar quase na Ásia e depois volta para o ocidente. Certamente eu perderia muito tempo com deslocamento, mas por outro lado veria países muito diferentes uns dos outros. O contraste faria parte da viagem. E quer saber de uma coisa? Eu fiquei satisfeito com o roteiro. Fá-lo-ia de novo!
A seguir precisei também comprar o seguro viagem (numa agência de viagem) e também reservar minhas hospedagens. Pela experiência positiva que tive na minha viagem para Santiago, pensei em escolher alguns hotéis, mas no fim prevaleceu a minha vontade de conhecer pessoas diferentes e o clima descontraído dos hostels. Reservei pelo Hostel World (www.hostelworld.com):
Os meses que me separaram da viagem foram bastante corridas, então a angústia não foi tão grande. Apenas as três últimas semanas foram difíceis de aguentar. Mas o dia de viajar foi tão emocionante! Eu estava eufórico.
Mochilão pela Europa, setembro e outubro de 2012 – Introdução II
Como ia dizendo antes, as últimas semanas de viagem foram bem corridas. Além das minhas obrigações do mestrado, que me ocupam bastante tempo, estava trabalhando bastante de modo que tive que fazer muitas coisas nos últimos dias antes da viagem. Não aconselho ninguém a fazer isso. Seria ideal que as coisas sejam organizadas bem antes para que nada saia errado. Para evitar erros, já que teria de me organizar (e muito bem), decidi fazer uma lista das coisas que eu precisava fazer antes de viajar, fossem elas ligadas ao passeio ou não. Assim, minha rotina passou a ser guiada por aquela lista. A cada dia eu tentava riscar um ou mais itens. O pior foi o dinheiro. Eu pretendia retirar o dinheiro que ia levar, trocar parte e colocar o resto num cartão pré-pago, que lhe permite retirar o dinheiro que você quiser naquelas máquinas ATM. No entanto, deixei para fazer isso pouco antes de viajar e no fim decidi ir apenas com as notinhas mesmo. Iria usar três moedas diferentes: libras, liras turcas e euros, mas comprei só essas últimas mesmo. Aqui no Brasil até é possível achar as libras, mas precisa reservar. É bom ficar atento. O dinheiro ficou guardado numa bolsa chamada money belt. Nela também ficavam guardados o meu passaporte, a chave reserva do cadeado do mochilão e o meu cartão de crédito internacional. Essa bolsa ficava sempre comigo, escondida dentro das minhas calças. É o jeito mais seguro, na minha opinião.
Para viajar também imprimi todos os protocolos das companhias aéreas, que coloquei junto dos documentos do seguro de viagem. Arrumei o mochilão um dia antes de viajar, para ter certeza de que não iria esquecer nada. Além das roupas de meia estação, levei os itens de higiene habituais, chinelos, um par de tênis já amaciados, toalha, um livro de companhia, meus guias de viagem e só. A intenção era ir o mais leve possível, afinal de contas teria de carregar minha casa por três semanas e sabia que ela iria aumentar de peso consideravelmente ao longo da viagem (isso acabou sendo um grande problema, como você poderá ver mais para frente neste relato). A hora de fechar a mala é bastante tensa porque sempre dá um medo de esquecer alguma coisa. Mas para evitar isso estabeleci um check-list mental de coisas que eu não poderia perder de jeito nenhum: minha câmera, o passaporte, o dinheiro, o cartão de crédito e a chave do cadeado. O resto eu poderia dar um jeito de substituir e no final não seria um problema tão grande assim.
O dia da viagem começou como qualquer outro: acordei às 6h10min, tomei meu banho e fui para o trabalho. Nem preciso comentar como o dia passou devagar. As seis horas de trabalho pareciam 30. Não acabavam nunca! Acho que o meu rendimento não deve ter sido muito alto nesse dia. Minha cabeça não estava lá. Eu só queria partir o quanto antes. Então você imaginar o foguete que saiu voando da minha empresa no horário de saída! Era horário de almoçar, mas estava tão empolgado que nem conseguiria comer nada. Peguei o metrô e fui direto para casa. O combinado foi que meu pai iria passar para me buscar, depois ele levaria o meu carro para a casa dele. E ele estava lá no horário combinado! Achei que ele fosse se atrasar, como ele sempre costuma fazer, mas o pai sabe diferenciar aquilo que é realmente importante daquilo que é mais maleável. Beleza, então! Ao entrar em casa eu ainda precisava arrumar algumas coisinhas, mas não demorou nada, então pudemos sair rápido.
Hora de ir para o aeroporto! Mas não tão rápido assim. Era 14 de setembro, sexta-feira, e como muitos devem saber, esse é o dia da semana em que o trânsito de São Paulo mais se complica. Assim, não foi surpresa pegar um lindo e delicioso congestionamento bem no calor da marginal Tietê. Calma, calma! Não “priemos cânico”! Ainda tinha muito tempo. Não estava preocupado.
E foi tranquilo mesmo. Meu pai me largou no aeroporto, se mandou e eu fiquei sozinho. Ali era o começo das minhas três semanas independentes. Fiz o meu check-in e fui para a área de embarque. Destino: o aeroporto de Madrid-Barajas! E começa a diversão!
Queridos mochileiros,
venho aqui publicar o relato da minha terceira viagem pela Europa. Na verdade, estou escrevendo-o para o meu blog de viagens (http://passosepaginas.wordpress.com), então, o estilo está um pouco diferente do que eu costumo escrever, já que, além de querer dividir minhas experiências gostaria de escrever algo para mim também. Algo que eu possa eu me lembrar. Sendo assim, se meu estilo estiver bem chato de ler, me perdoem, ok?
Aqui no Mochileiros.com há muitos relatos da Europa e a minha viagem teve novamente um roteiro bem básico. Por isso, creio que não acrescentar nada de novo em termos de informação, mas espero poder inspirar alguém a fazer viagens como essa ou mesmo os divirta em pelo menos alguma coisa.
Segue texto já colado do blog. Espero que gostem!
Mochilão pela Europa, setembro e outubro de 2012 – Introdução
Eis-me aqui novamente para tentar a escrita de uma nova viagem pela Europa. A escrita para mim é sempre uma necessidade muito grande porque me parece que é assim que as experiências que tive ganham forma mais consistente na minha memória. Na viagem que relatei aqui neste blog (a de Buenos Aires), não mantive um diário porque estava acompanhado e não desejava momentos de isolamento. No entanto, eu sugeri que eu e as meninas fizéssemos uma recapitulação ao final de cada dia da nossa viagem. A ideia foi essencial para que eu conseguisse lembrar alguns detalhes importantes posteriormente. Nessas três semanas de 2012 em que eu viajei pela Europa, o meu inseparável companheiro foi um caderninho espiralado azul sem pautas. Era ali que eu escrevia, às vezes rapidamente e com letra confusa e erros de português, às vezes com calma, mais reflexão e letra cuidada, muito do que aconteceu. Com base nesse caderno e nas minhas fotos será escrito o relato. Espero que todos apreciem. Assim como no caderno, não pretendo escrever absolutamente tudo o que me passou. Seria insanidade. Além do que, muito seria irrelevante e outras coisas foram bastante pessoais e vou guardá-las comigo somente.
A viagem começou, claro, bem antes da viagem. A vontade surgiu lá em 2010, logo depois que eu voltei da minha viagem anterior (é o vício! Fazer o quê!). Como acontece nessas ocasiões, depois de conversar com tanta gente diferente, com suas línguas e histórias de vida, a gente começa a aprender mais sobre o mundo e então vem a vontade de conhecer mais e mais lugares. Eu voltei com um roteiro perfeito! Queria conhecer a Alemanha e a Polônia e quem sabe dar uma passadinha em Istambul. Ia ser lindo! Voltar para casa parece a princípio uma espécie de exílio. “Tanta coisa lá fora e eu aqui em casa”. Era assim que eu pensava quando retornei. Mas isso durou pouco. Em pouco tempo fui absorvido pelas tarefas do cotidiano. E o meu sonho resolveu tirar uma soneca enquanto isso. Eu até mesmo esqueci que ele estava ali, afinal 2011 foi uma verdadeira montanha russa, com tentativa de mudança dos rumos da minha vida. Mas acho que estava querendo por uma porta estreita demais para mim, e a Providência resolveu me dar uma pequena ajuda, já que eu não estava fazendo o meu trabalho direito. Acabei por chegar à conclusão de que uma mudança de rumo para mim seria continuar a fazer o que eu estava fazendo antes. Confuso? Nem tanto. Quando tive o insight, fiquei tão confiante que continuaria meu caminho não importa o que acontecesse. Assim, de certo modo aquele ano terminou mais ou menos como acabou, porém com uma diferença importante: eu tinha uma grande motivação!
E o que isso tudo tem a ver com o mochilão? Tudo! Se não tivesse encontrado um rumo para mim, essa viagem não teria sido possível. Então, de certo modo ela foi um presente e representa o símbolo de uma nova fase que eu queria que se iniciasse. E foi assim mesmo! Tanto foi que a oportunidade de viajar surgiu logo em janeiro de 2012, porém ela foi sacramentada em março. Foi aí que o “bicho viajante” acordou de vez! A viagem começou aí. Para começar, defini o que eu chamei de “cidade obrigatória”, um lugar que eu gostaria muitíssimo de conhecer e que não tiraria do meu roteiro de jeito nenhum, e a bola da vez foi Istambul, na Turquia. Comecei a pesquisar as passagens e o menor preço foi um voo São Paulo-Madri-São Paulo pela Tam. Negócio fechado! Já tinha duas cidades no meu roteiro. Depois de ouvir muita coisa boa, decidi que Barcelona faria parte da viagem sem dúvida. Iria de Madri para Barcelona assim que chegasse à Europa ou pousaria em Barcelona quase no fim da viagem para voltar para Madri alguns dias depois. Além disso, tinha outro problema: Espanha e Turquia ficam em extremos do continente e eu precisava arrumar um jeito barato de ir e voltar. Confesso que essa foi a parte mais difícil da pesquisa. Cheguei inclusive a pensar em tirar Istambul do roteiro, mas logo que não conseguiria fazer isso. Só de pensar na minha viagem sem conhecer a Ayasophia já me desmotivava (veja só a minha vontade de conhecer essa cidade). O problema é que eu consegui um jeito de ir para a Turquia saltando de Barcelona para Berlim, então de lá para Istambul. Só que não conseguia fazer o caminho de volta de jeito. Tentei inverter a ordem e fiz mil peripécias até que finalmente constatei que o melhor volta seria para Londres, pois, apesar de ser muito longe, eu ganharia algumas horas por causa do fuso horário, mas o voo Istambul-Londres estava muito caro. Precisava de uma ponte entre as duas cidades. Que tal Atenas? Perfeito! Então de Londres era só pegar o último voo para Madri e o círculo fechou!
O roteiro ficou assim:
Madri (partida para Barcelona no mesmo dia) – Barcelona (5 noites) – Berlim (4 noites) – Istambul (4 noites) – Atenas (2 noites) – Londres (5 noites) – Madri (1 noite).
Como você pode ver, ficou um roteiro meio maluco, que sai do ocidente, vai parar quase na Ásia e depois volta para o ocidente. Certamente eu perderia muito tempo com deslocamento, mas por outro lado veria países muito diferentes uns dos outros. O contraste faria parte da viagem. E quer saber de uma coisa? Eu fiquei satisfeito com o roteiro. Fá-lo-ia de novo!
A seguir precisei também comprar o seguro viagem (numa agência de viagem) e também reservar minhas hospedagens. Pela experiência positiva que tive na minha viagem para Santiago, pensei em escolher alguns hotéis, mas no fim prevaleceu a minha vontade de conhecer pessoas diferentes e o clima descontraído dos hostels. Reservei pelo Hostel World (www.hostelworld.com):
Em Barcelona o Hostel One Paral.lel (http://www.onehostel.com/barcelona-paralelo); em Berlim o Circus Hostel (http://www.circus-berlin.de/circus_berlin_hostel.html); em Istambul, o Cheers Hostel (http://www.cheershostel.com/); em Atenas o Athens Backpackers (http://www.backpackers.gr/); em Londres o Travel Joy Chelsea (http://www.traveljoyhostels.com/) e finalmente em Madri o Way Hostel Madrid (http://www.wayhostel.com/). Todos foram tão bons que seria difícil escolher o melhor! Durante o relato falarei de cada um à medida que forem aparecendo.
Os meses que me separaram da viagem foram bastante corridas, então a angústia não foi tão grande. Apenas as três últimas semanas foram difíceis de aguentar. Mas o dia de viajar foi tão emocionante! Eu estava eufórico.
Mochilão pela Europa, setembro e outubro de 2012 – Introdução II
Como ia dizendo antes, as últimas semanas de viagem foram bem corridas. Além das minhas obrigações do mestrado, que me ocupam bastante tempo, estava trabalhando bastante de modo que tive que fazer muitas coisas nos últimos dias antes da viagem. Não aconselho ninguém a fazer isso. Seria ideal que as coisas sejam organizadas bem antes para que nada saia errado. Para evitar erros, já que teria de me organizar (e muito bem), decidi fazer uma lista das coisas que eu precisava fazer antes de viajar, fossem elas ligadas ao passeio ou não. Assim, minha rotina passou a ser guiada por aquela lista. A cada dia eu tentava riscar um ou mais itens. O pior foi o dinheiro. Eu pretendia retirar o dinheiro que ia levar, trocar parte e colocar o resto num cartão pré-pago, que lhe permite retirar o dinheiro que você quiser naquelas máquinas ATM. No entanto, deixei para fazer isso pouco antes de viajar e no fim decidi ir apenas com as notinhas mesmo. Iria usar três moedas diferentes: libras, liras turcas e euros, mas comprei só essas últimas mesmo. Aqui no Brasil até é possível achar as libras, mas precisa reservar. É bom ficar atento. O dinheiro ficou guardado numa bolsa chamada money belt. Nela também ficavam guardados o meu passaporte, a chave reserva do cadeado do mochilão e o meu cartão de crédito internacional. Essa bolsa ficava sempre comigo, escondida dentro das minhas calças. É o jeito mais seguro, na minha opinião.
Para viajar também imprimi todos os protocolos das companhias aéreas, que coloquei junto dos documentos do seguro de viagem. Arrumei o mochilão um dia antes de viajar, para ter certeza de que não iria esquecer nada. Além das roupas de meia estação, levei os itens de higiene habituais, chinelos, um par de tênis já amaciados, toalha, um livro de companhia, meus guias de viagem e só. A intenção era ir o mais leve possível, afinal de contas teria de carregar minha casa por três semanas e sabia que ela iria aumentar de peso consideravelmente ao longo da viagem (isso acabou sendo um grande problema, como você poderá ver mais para frente neste relato). A hora de fechar a mala é bastante tensa porque sempre dá um medo de esquecer alguma coisa. Mas para evitar isso estabeleci um check-list mental de coisas que eu não poderia perder de jeito nenhum: minha câmera, o passaporte, o dinheiro, o cartão de crédito e a chave do cadeado. O resto eu poderia dar um jeito de substituir e no final não seria um problema tão grande assim.
O dia da viagem começou como qualquer outro: acordei às 6h10min, tomei meu banho e fui para o trabalho. Nem preciso comentar como o dia passou devagar. As seis horas de trabalho pareciam 30. Não acabavam nunca! Acho que o meu rendimento não deve ter sido muito alto nesse dia. Minha cabeça não estava lá. Eu só queria partir o quanto antes. Então você imaginar o foguete que saiu voando da minha empresa no horário de saída! Era horário de almoçar, mas estava tão empolgado que nem conseguiria comer nada. Peguei o metrô e fui direto para casa. O combinado foi que meu pai iria passar para me buscar, depois ele levaria o meu carro para a casa dele. E ele estava lá no horário combinado! Achei que ele fosse se atrasar, como ele sempre costuma fazer, mas o pai sabe diferenciar aquilo que é realmente importante daquilo que é mais maleável. Beleza, então! Ao entrar em casa eu ainda precisava arrumar algumas coisinhas, mas não demorou nada, então pudemos sair rápido.
Hora de ir para o aeroporto! Mas não tão rápido assim. Era 14 de setembro, sexta-feira, e como muitos devem saber, esse é o dia da semana em que o trânsito de São Paulo mais se complica. Assim, não foi surpresa pegar um lindo e delicioso congestionamento bem no calor da marginal Tietê. Calma, calma! Não “priemos cânico”! Ainda tinha muito tempo. Não estava preocupado.
E foi tranquilo mesmo. Meu pai me largou no aeroporto, se mandou e eu fiquei sozinho. Ali era o começo das minhas três semanas independentes. Fiz o meu check-in e fui para a área de embarque. Destino: o aeroporto de Madrid-Barajas! E começa a diversão!