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Paulo56

Viagem ao Perú

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Em agosto de 2012 viajei por 20 dias pelo Perú, seguindo o seguinte roteiro, que detalharei abaixo:

 

1. Vôo de São Paulo a Cusco, com conexão em Lima

2. 3 dias em Cusco, com passeios pelo Vale Sagrado

3. Ida a Machu Picchu de trem, a partir de Ollantaytambo, com pernoite em Águas Calientes

4. Machu Picchu e retorno a Cusco, pela estação de Poroy

5. Mais 1 dia em Cusco

6. Viagem a Puno em ônibus de turismo, visitando 4 atrações no caminho

7. 1 dia em Puno

8. Viagem a Arequipa em ônibus de turismo, passando por Cañon del Colca, com pernoite em Chivay.

9. 2 dias em Arequipa

10. 1 dia em Nazca

11. 1 dia em Huacachina

12. 2 dias em Paracas

13. 2 dias em Lima

14. Volta a São Paulo

 

Foi uma viagem espetacular e barata. O Perú tem paisagens impressionantes, e os hotéis e restaurantes são mais baratos que os de mesma categoria no Brasil. O preço da diária dos hotéis para o casal, com café da manhã incluído, variou de US$ 30 (hotel 2 estrelas, porém confortável e com ótimo atendimento) a US$ 75 (4 estrelas). A refeição em um bom restaurante, dividindo o prato principal entre o casal, com bebida e sobremesa incluídos, custava cerca de US$ 20. Porém, o transporte é caro, pois a gasolina é tão cara quanto no Brasil. A infraestrutura turística do Perú é bem melhor que a do Brasil, com todas as atrações muito bem cuidadas. Os locais turísticos são bem policiados, fazendo com que o turista se sinta seguro. Mesmo em uma grande cidade como Lima, eu me senti mais seguro lá, do que me sinto normalmente em São Paulo.

 

Preparei o roteiro com base no Guia Visual da Folha de São Paulo. Escolhi os hotéis através do site booking.com, com notas acima de 7,5, bem avaliados pelos hóspedes anteriores.

 

Vamos ao detalhamento do roteiro:

 

1. Vôo de São Paulo a Cusco, com conexão em Lima, sendo o primeiro trecho pela TAM, e o segundo pela LAN.

 

2. No próprio hotel em Cusco, contratamos um táxi para o passeio até Pisac, visitando as ruínas e o mercado (era domingo). Nas ruínas de Pisac, o táxi nos deixou e esperou na parte de cima. Creio que o melhor seria que o táxi nos esperasse na parte de baixo das ruínas, assim faríamos o percurso completo. Compramos na entrada das ruínas de Pisac, o boleto turístico que inclui 16 atrações, entre elas todas as ruínas do Vale Sagrado. Na volta, passamos pelas atrações:

 

• Awana Kancha, que tem currais com llamas, alpacas e vicunhas, demonstração da tecelagem artesanal, e uma grande loja.

• Ruínas de Tambomachay, Puca Pucara e Qenko.

 

Estava previsto também passarmos por Sacsayhuamán, mas nos atrasamos, e não chegamos antes das 6 da tarde. Como estávamos em 4, o táxi foi para nós uma opção interessante, mas este passeio pode ser feito também através das agências de turismo de Cusco.

 

Cusco é uma cidade muito interessante. Foi a capital do império Inca, que abrangeu a região ocupada hoje pelo Perú, Equador, Bolívia, Chile e norte da Argentina. O império Inca existiu por apenas 95 anos, mas o seu legado arquitetônico impressiona. As edificações incas eram feitas com grandes pedras com encaixe perfeito, sem argamassa, que resistiram a grandes terremotos. Em Cusco, os conquistadores espanhóis derrubaram parte das edificações incas, e sobre as suas bases sólidas de pedras, construíram grandiosas igrejas, e casas.

 

Em Cusco, fomos às seguintes atrações:

 

• Catedral – das 6 às 10 da manhã há as missas, e o acesso é livre. A partir deste horário, a Catedral fica aberta para visitação turística, com cobrança de ingresso. Quem optar para ir à Catedral no horário da missa, deve ter uma atitude de respeito em relação à missa, não se comportando como turista interessado apenas na arquitetura e desinteressado na missa. Cusco tem 14 igrejas monumentais, todas construídas sobre as bases de construções incas parcialmente demolidas.

 

• Museu Inka – mostra também a evolução das civilizações pré-incas, que culminaram na civilização inca. Tem uma interessante maquete de Moray, no Vale Sagrado, próximo de Ollantaytambo. Os pesquisadores acreditam que Moray tenha sido um laboratório agrícola inca.

 

• Koricancha e Santo Domingo – Koricancha foi o principal templo inca, dedicado a Inti, o Deus-Sol. Como as principais construções incas, foi feito com pedras de formato almofadado e com encaixe perfeito, sem argamassa. Suas paredes eram revestidas de ouro e pedras preciosas. Os conquistadores espanhóis saquearam o ouro, derrubaram parte do templo, e sobre suas bases construíram a Igreja e o Convento de São Domingos. Na linguagem utilizada pelos Incas, quéchua, Koricancha significa “Templo de Ouro”, porém o nome original atribuído pelos Incas era Inti Kancha, “Templo do Sol”.

 

• Sacsayhuamán é uma ruína inca junto a Cusco. Alguns pesquisadores acreditam que era um templo cerimonial amplo, outros acreditam que era uma fortaleza para defesa de Cusco, pois foi usado desta forma na guerra com os conquistadores espanhóis. Cusco foi projetada pelos incas para ter a forma de um puma, sendo Sacsayhuamán a cabeça, e seus muros dentados, as presas. Cusco era o corpo, e o templo Koricancha a cauda.

 

• Museu do Chocolate

 

• Com o boleto turístico, fomos também às seguintes atrações:

o Espetáculo de dança folclórica;

o Museu Histórico

o Museu do Korichancha (no subsolo)

o Museu de Arte Popular

o Museu de Arte Contemporânea

 

Curiosidades históricas:

 

• O nome atribuído pelos Incas a seu império era Tahuantinsuyo, que em quéchua significa “As 4 Regiões”, que compunham o seu império. Inca era o título atribuído ao soberano.

 

• O império Inca durou apenas 95 anos, de 1438 a 1533. O fundador do império Tahuantinsuyo e primeiro Inca histórico, Pachacútec, foi o seu maior governante. Consolidou o império, construiu estradas e ergueu obras monumentais. Na mitologia Inca, antes de Pachacútec, houve 6 Incas lendários. Segunda a lenda, o primeiro deles, Manco Cápac, filho do Sol, e sua irmã Mama Occlo, filha da Lua, emergiram do lago Titicaca, e com um cajado saíram em busca de um local para fundar o império. Em Cusco, o cajado afundou na terra, sendo um sinal dos deuses de que aquele era o lugar.

 

• Cusco, em quéchua significa umbigo. Era considerada pelos Incas o umbigo (centro) do mundo.

 

• Os conquistadores espanhóis fizeram várias tentativas frustradas de domínio dos Incas (que também eram guerreiros e conquistadores), até que com reforço e com a vantagem de possuírem cavalos e a pólvora, conseguiram derrotar o último Inca a exercer o poder, Atahualpa. Ele ofereceu aos conquistadores espanhóis o pagamento de 11 toneladas de ouro em troca da sua liberdade, mas mesmo tendo pago o resgate, foi executado. Atahualpa foi sucedido por seu irmão, Tupac Huallpa, sem exercer o poder, mas mantendo a pompa de nobreza Inca.

 

• Os Incas não conheciam a escrita. A principal fonte dos costumes incas é o livro Comentários Reais de Inca Garcilago de La Veja, mestiço filho de um conquistador e cavaleiro espanhol e de uma princesa inca, que foi educado nas tradições culturais espanholas e incas.

 

3. Na agência da Peru Rail, na Plaza de Armas, compramos as passagens de trem, de ida e volta a Águas Calientes, a partir de Ollantaytambo. A entrada de Machu Picchu deve ser comprada pela internet, no site http://www.machupicchu.gob.pe, fornecendo o número do passaporte ou RG. Na própria agência da Peru Rail há um terminal de internet, onde adquirimos as entradas de Machu Picchu, e pagamos no próprio balcão da agência. Uma opção é comprar a entrada de Machu Picchu com direito a ida Huaynapicchu, onde se tem uma vista de Machu Picchu do alto. Porém, a ida a Huaynapicchu é mais concorrida, limitada a 400 pessoas por dia, e deve ser comprada com antecedência. Outra opção, também concorrida é a Trilha Inca, limitada a 500 pessoas por dia.

 

Contratamos um taxi para fazer o passeio só de ida de Cusco a Ollantaytambo, passando pelas ruínas de Chinchero e Moray, e as Salinas de Maras. À noite, em Ollantaytambo, pegamos o trem para Águas Calientes, onde pernoitamos.

 

4. Passamos o dia em Machu Picchu, que surpreende pela beleza natural, e pelas construções. Machu Picchu ficou escondida dos conquistadores espanhóis, e só foi redescoberta em 1911 pela expedição científica liderada pelo norte-americano Hiram Bingham. Assim é a ruína inca melhor preservada. Voltamos à noite de trem, de Águas Calientes até a estação de Poroy, onde pegamos um táxi até Cusco.

 

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5. Passamos mais um dia em Cusco.

 

6. Pegamos um ônibus de turismo de Cusco a Puno, passando pelas seguintes atrações: Andahuaylillas, Raqchi, La Raya e Pukara, com almoço Buffet incluído no preço da passagem. Há algumas empresas de ônibus que fazem o mesmo percurso.

 

7. Puno fica às margens do lago Titicaca, que a uma altitude de 3.800 metros, é um dos mais altos do mundo. No lago Titicaca, fizemos o passeio de barco até as Ilhas Uros, que são ilhas artificiais feitas de junco totora, utilizadas há séculos para escapar de culturas hostis do continente. Além das ilhas, o junco totora serve como alimento (o seu miolo parece palmito), para fogueira, sobre uma camada de pedra, e na construção de barcos e casas.

 

8. Em Puno, contratamos um pacote de ônibus turístico até Arequipa, com pernoite na cidade de Chivay, no Cañon del Colca. O Cañon del Colca tem impressionantes terraços agrícolas, ainda em uso. O ponto mais famoso do Cañon del Colca é o mirante da Cruz del Condor, sobrevoado por enormes condores.

 

9. Arequipa é chamada de “Ciudad Blanca”, pois muitas de suas construções são de sillar, uma rocha vulcânica branca. É rodeada por vulcões, sendo o mais famoso, o majestoso Misti. Os incas consideravam vulcões divindades.

 

Em Arequipa fomos às seguintes atrações:

• Casa de Moral

• Monastério de Santa Catalina, que tem uma área enorme, é como uma cidade dentro da cidade.

• Museu Santuarios Andinos de La Universidad de Santa Maria, cuja peça mais famosa é Juanita, uma múmia congelada, encontrada em 1995 no vulcão Ampato.

• Mirador de Yanahuara

 

10. Fomos de Arequipa a Nazca em ônibus leito. Saímos às 22:00 horas e chegamos às 7:00 horas. Em Nazca fomos às seguintes atrações:

• Museu Antonini

• Linhas de Nazca. Há 2 plataformas de visão ao lado da rodovia Panamericana.

• Ruínas de Cahuachi

• Cementerio de Chauchilla

 

11. Fomos para Ica, onde pegamos um taxi para o oásis de Huacachina, que é um lugar muito bonito, com uma pequena lagoa, rodeada por dunas. Fomos às seguintes atrações:

• Passeio de buggy com capacidade para até 12 pessoas, que praticamente voa quando chega ao alto da duna, perdendo o chão. O passeio inclui o sandboard, em que se surfa na areia deitado de barriga na prancha, usando os pés como freio.

 

• Botega de Pisco El Catador, onde um guia nos apresentou todo o processo de fabricação do pisco, bebida alcoólica de uva, fermentada e depois destilada. Depois nos indicou como se degusta adequadamente o pisco: inicialmente se aprecia o aroma; em seguida mantém um gole na boca por alguns segundos, apreciando o sabor; depois se engole, apreciando o retorno do aroma à boca.

 

12. Em Huacachina, contratamos o passeio em van para Paracas, só de ida, onde fomos para as atrações:

• Passeio de barco pelas Ilhas Ballestras, que têm uma quantidade impressionante de aves. Há algum tempo, o guano, esterco destas aves, utilizado como fertilizante, chegou a ser um importante produto de exportação do Perú. Nestas ilhas há também leões-marinhos. Passa-se pelo famoso geoglifo Candelabro.

 

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• Museu de Paracas

• Passeio pela Reserva Nacional de Paracas, com almoço na aldeia de Lagunillas, visitando lindas praias e encerrando no Centro de Interpretación, um moderno museu.

Em Paracas caminhei pela praia próxima ao centro, onde há grandes casas de veraneio de frente para o mar.

 

13. De Paracas, viajei para Lima. As praças e principais avenidas de Lima têm jardins muito bem cuidados, com flores e irrigação. Em Lima fomos às seguintes atrações:

• Praça Kennedy

• Shopping Larcomar, incrustado no rochedo, com uma bela vista para o mar. Neste shopping há um posto de informações turísticas da Promperú, órgão de turismo do governo do Perú.

• Polvos Azules, shopping de desconto, parecido com o Multishop Vila Mariana, na rua Pelotas, em São Paulo.

• Museu Metropolitano de Lima, um museu “vivo”, interativo, muito interessante, com hologramas, cinema 180º, e outros recursos. As visitas são guiadas, acompanhando a evolução histórica desde a época dos Incas. As atrações que mais me impressionaram foram as seguintes:

o Maquete mostrando inicialmente a Plaza de Armas na época dos Incas. A partir deste ponto na história, através de movimentação de partes da maquete e projeções, são mostradas as modificações efetuadas pelos conquistadores, o efeito dos terremotos e posteriores reconstruções com modificações, sempre projetando o ano corrente da maquete.

o Cinema 180º de uma cerimônia de sacrifício inca, interrompida pelo ataque de inimigos indígenas.

o Cinema de uma festa em palácio colonial interrompida por um terrível terremoto, com as poltronas do cinema trepidando, simulando o terremoto.

 

• Circuito Mágico del Agua, no Parque de la Reserva, com 13 fontes luminosas espetaculares, perfeitas, com os jatos idênticos, muito bem calibrados. Todas as noites, há 3 espetáculos de projeção de imagens e música, na Fonte de la Fantasia, que forma uma cortina de água. Há também um túnel com painéis, que indicam a necessidade de preservação deste recurso precioso, que é a água. O Guinness World Records certificou este parque como o maior complexo de fontes do mundo.

• Barranco – bairro histórico de Lima.

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Paulo, legal e sucinto o seu relato. faltam umas fotinhas e o preço dos passeios e o nome das hospedagens que vc usou.

 

Tenho uma dúvida. em julho/2011 eu fui de cusco direto pra ica, e foi a pior estrada que ja andei na minha vida. era curva e mais curva, das 14 horas de viagem, ficou umas 10 horas fazendo curvas sem parar, nunca imaginei que existisse uma estrada assim, sem mentira, nao andava nem um minuto em linha reta. Eu te pergunto, de cusco pra arequipa é assim? curva o tempo todo? e de arequipa pra nazca como é?

 

Fala da sua impressão da estrada ai pra gente. pq eu adoraria ir pra ica outra vez e pra arequipa tbm, mas nao encaro aquelas curvas outra vez não.

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Não cheguei a pegar muitas curvas em todo o percurso. Chegando em Cañon del Colca, há uma descida de serra com mais curvas, que são compensadas pelas belas vistas. De Arequipa a Nazca são 9 horas de ônibus, e eu fui à noite, de ônibus leito. Não cheguei a sentir curvas, pois consegui dormir razoavelmente bem. De Nazca a Ica praticamente não há curvas.

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