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Moçambique Setembro 2011


André Soares

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Maputo e algo de Moçambique

 

Maputo - Moçambique

 

Chegada dia 10 de setembro de 2011, perto das 6h da manha. Após largos minutos de espera pelas bagagens (já estavamos assustados!!!) lá saimos do aeroporto, não sem antes os senhores agentes da autoridade “embicarem” com uma das nossas malas. Ao sair do cais de chegada, claro está que fomos bombardeados de gente amável que nos leva o carro das bagagens até onde quisermos (a troco de alguns meticais – moeda moçambicana).

 

 

 

Sair da zona do aeroporto (praticamente todo renovado – mão de obra chinesa) e entrar na realidade moçambicana pode levar ao choque. Muitos carros, pessoas, vendedores ambulantes, bairros de lata, lixo, carros luxuosos, chapas (toyota hiace ou similar, que serve de taxi para um numero infinito de pessoas). Tudo isto durante os 15 ou 20 minutos de viagem até ao centro da cidade de Maputo.

 

Ao chegar percebemos que se trata de um antiga colónia portuguesa APENAS devido a alguns edificios, moradias, jardins, enfim...! Quem ali vive, diz mesmo “muita coisa mudou”. Eu pessoalmente como se trata da minha primeira “visita” a Maputo, estou completamente apaixonado. Cidade perfeita para uma pessoa como eu: podemos falar com toda a gente, não há quase gente mal encarada, podemos andar à vontade (não senti um pingo de insegurança, embora tivesse um episodio de tentativa de roubo facilmente resolvido), avenidas largas com palmeiras tipicamente africanas. Não me referirei nunca ao calor e vento abafado que se faz sentir, já que essa é uma caracteristica de Àfrica.

 

 

 

Passado algum tempo de aqui estar, torna-se adaptável estar e inclusive viver em Maputo.

 

 

 

Levo já 25 dias em Maputo.

 

 

 

Hoje em dia desloco-me e vou a qualquer lugar praticamente sem ajuda nem recorrer a um mapa ou perguntar seja a quem for. Dentro da cidade é facil identificar os locais mais ou menos aconselháveis a estarmos. È sempre bom visitar e “viver” aquilo a que chamamos “Africa Profunda” – bares tipicos, bairros, enfim...locais maioritariamente frequentados por moçambicanos.

 

 

 

Aconselho, a quem aqui venha durante algum tempo, visitar Moçambique. Moçambique não se resume a Maputo, e há quem diga que Moçambique NÂO é Maputo. Não concordo, já que aqui vemos um pouco de tudo devido á multi-culturalidade desta metropole. Muitas religiões, por exemplo, estão aqui presentes (de cristãos, a muçulmanos, passando por seitas locais – normalmente vistas junto ao Mar, em reuniões de gente, com “fardas” esquisitas).

 

 

 

1º lugar visitado fora de Maputo: PRAIA DO BILENE. A aproximadamente 200kms de Maputo, chegamos a este destino que como o nome indica, leva qualquer europeu a pensar “estou num paraiso”. Uma aldeia pescatória, virada para o turismo, em que basicamente existem (aparte das casas dos habitantes locais) hoteis e restaurantes. Uma lagoa que se junta ao Oceano Indico fazem as delicias de quem visita o Bilene. Aguas quentes (embora não sejam as do “caribe”), calmas, desportos nauticos, europeus, sul-africanos, enfim...esta visita serviu principalmente para “lavar as vistas” de grande metropole (e por vezes lixeira) que é Maputo. A viagem para o Bilene é feita por uma estrada de apenas 2 faixas (uma em cada sentido), repleta de condutores loucos com ultrapassagens arriscadas, mas que fazem parte também desta realidade moçambicana. Passamos por locais fascinantes, alguns até em que os habitantes (ainda) estranham a passagem de carros e aproximam-se de qualquer movimento em busca de um sorriso, algum presente (aconselha-se a todos que tragam objectos que não deem muita importância), ou algum ou outro metical. Dar a estas crianças 50 meticais (aproximadamente 1 euro) é fazer-lhes o maior favor, quiça o presente que nunca receberam e nunca se irão esquecer. È deveras emocionante! Passamos também por aldeias tipicamente coloniais, embora destruidas (uma pena o estado de alguns edificios).Enfim...

 

 

 

Outro local que também aconselho é a PRAIA DA MACANETA, no distrito de Marracuene, a cerca de 40 kms de Maputo. Ao chegar a Marracuene, somos obrigados a apanhar um “Batelão” (ferry) com capacidade maxima de 4 carros e algumas (muitas) pessoas. Preço: 4 meticais por pessoa + 180 meticais por carro. Preço ida e volta. A travessia faz-se em aproximadamente 5 minutos. Ao sair do batelão, existe uma recta ladeada por caniçais e lagos (dizem que frequentados por hipopotamos, embora eu não os tenha visto) até á praia, aproximadamente 8 kms. Mais uma daquelas praias “Wooooow”. Àgua mais fria que no Bilene, já que se trata de Oceano Indico, e este no Sul (onde está Moçambique) não ser muito quente devido á sua união com o Oceano Atlantico (famoso Cabo das Tormentas). Aconselho. Praia mais parecida ás portuguesas, com ondas. Facilmente encontramos ondas “surfaveis” (pena não ter trazido o meu material). Como não poderia deixar de ser, aconselho a visita.

 

 

 

De volta a Maputo, aqui temos oportunidade de visitar alguns sitios tipicamente turisticos. Não sei se esta palavra se aplica a Maputo, já que o turismo em Moçambique está ainda num estado prematuro, no entanto não deixam de haver locais obrigatórios a visitar, mas que também fazem parte do dia-a-dia desta cidade. Alguns exemplos: Jardim dos Namorados (vista maritima fantastica), Parque dos Continuadores (boa feira de artesanato, com enorme oferta e também procura), Jardim dos Professores e a sua esplanada “Acácia” (vista sobre a baía de Maputo), Mercado do Peixe (para mim, uma desilusão, devido à sua dimensão e condições em que se encontra o peixe – muitas moscas, embora digam que também existem ratazanas), Mercado do Povo (fantástico, um mar de gente. Cuidado com o espirito que temos, e com os objectos que levamos), Baixa de Maputo, Centro Cultural Franco Moçambicano (lindo), CFM (estação de caminhos de ferro de Maputo. Está entre as 10 mais belas do mundo. Projecto de Gustavo Eiffel.Aqui gravou-se “Diamante de Sangue” . famoso filme sobre Africa, com Leonardo Di Caprio), Fortaleza de Maputo, Catedral de Maputo (vizinha do famoso Hotel Pestana Rovuma), Casa de Ferro (edificio contruido por Gustavo Eiffel, totalmente feita em placas de ferro), entre alguns outros locais que só de passarmos sentimo-nos bem, tais como toda e qualquer rua ou avenida desta cidade. Daqui sairam nomes notáveis como Eusébio, Mariza, Malangatana (artista plastico famoso), Mia Couto, ou o famoso general Samora Machel, idolo de qualquer moçambicano já que foi o grande responsável pela independência de Moçambique nos anos 70.

 

 

 

Qualquer português (a meu ver) se sente bem em Moçambique. Sentimos isto como nosso, embora a grande maioria dos habitantes não seja da nossa cor. Igualmente sentimos esta terra como nossa e também somos recebidos como “patrões” (termo regularmente chamado à população branca). Maputo é uma cidade grande, com um grande porto e um grande centro citadino onde se passa praticamente tudo. Nota-se um grande crescimento e desenvolvimento.

 

 

 

Curiosidades de Maputo:

 

- conduz-se á inglesa, do lado esquerdo das estradas

 

- regras de trânsito há poucas

 

- não se pode fotografar nem caminhar junto a edificios do estado (governo, assembleias, residencias oficiais, etc)

 

- policia pára, turista paga

 

- para comprar algo é o jogo do sobe e desce o preço, embora não se deixem “vender”, como acontece por exemplo nos países arabes. As coisas em Moçambique têm um preço, embora obviamente todos queiram ganhar sempre mais. Tentar não custa!

 

- praia em Maputo não convém. Além das praias serem algo sujas, o mar também não é o melhor. Para isso, Bilene, Macaneta,Ilha da Inhaca, Ponta do Ouro, Inhambane, Tofo ou a famosa Bazaruto.

 

- Como diria Vasco da Gama, aquando da descoberta deste território, Moçambique é a “Terra da Boa Gente”

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