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Lian Tai

Vivência Indígena na Chapada dos Veadeiros

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Soube da vivência por uma amiga. Entrei em contato com a Casa de Cultura Cavaleiros de Jorge, que organizava o evento, e fiz minha inscrição.

 

Para quem não sabe, há, perto de São Jorge, uma Aldeia Multiétnica, onde são realizados encontros e eventos ligados à cultura indígena. As ocas lá foram construídas pelos próprios índios. A vivência ocorreu em abril deste ano (sendo que eu havia ido à Chapada em fevereiro e em março), com representantes do povo Yawalapiti, do Xingu. Essa foi a segunda vivência organizada pela Casa de Cultura, tendo sido a primeira com os Krahô (há uma próxima programada com os Mebengokré, também conhecidos como Caiapó).

 

A ideia é passar uma semana na Aldeia, convivendo com os índios e aprendendo sobre sua cultura e sua rotina. Mesmo que tenha sido um evento, achei que seria legal compartilhar por aqui, já que haverá outros e que minha experiência pode inspirar ou motivar algumas pessoas.

 

Cheguei no sábado pela manhã ao aeroporto de Brasília e, de lá, peguei um taxi para a rodoviária. Chegando no guichê da companhia que fazia a viagem para Alto Paraíso e São Jorge, descobri que o ônibus não sairia no horário que constava na internet e que, além disso, o trajeto levaria cinco horas, sendo que de carro são apenas três. Lá, um moço ofereceu fazer o frete pelo mesmo preço. No início fiquei desconfiada, mas acabei aceitando, o que acabou sendo ótimo, pois a viagem foi muito mais rápida. Descobri depois que o esquema de frete é muito comum por lá e também que há sites na internet de caronas e fretes entre Chapada e Brasília. O único porém é que ele não levaria até São Jorge, mas apenas até Alto Paraíso. Desci no trevo e não demorei a conseguir carona para São Jorge. Lá as pessoas são muito gentis e estão acostumadas a darem carona. Também descobri que optar por não pegar o ônibus foi uma ótima escolha, pois naquele dia ele quebrou e atrasou horas, o que soube depois ser muito comum.

 

Em São Jorge, fui até a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge e esperei um funcionário me levar para a Aldeia. Havia duas opções de "hospedagem": levar barraca para acampar ou levar rede para dormir na oca. Levei minha barraca, mas confesso que fiquei com invejinha da galera que dormia na oca, pois eles compartilhavam dos momentos de acordar cedo junto com os índios, ouvindo as risadas e os primeiros barulhos.

 

O dia começava cedo, com o banho de rio. Confesso que nem sempre eu acordava tão cedo e nem sempre tinha coragem de tomar esse primeiro banho. As refeições (café da manhã, almoço e jantar) eram bem completas e preparadas pelos funcionários do local, formados por pessoas da comunidade calunga. Mas os índios também preparavam sua refeição (basicamente beiju com peixe) e eu sempre filava da comida deles, que era maravilhosa e me rendeu semanas sentindo falta.

 

A cada dia tínhamos algumas atividades, entre elas: artesanato, pintura corporal, festas, brincadeiras e rituais indígenas, aulas de língua e da cultura deles, histórias em torno da fogueira, culinária.

 

No dia da culinária, colhemos, ralamos, coamos e deixamos a mandioca decantar e secar. Fiquei maravilhada por ver o polvilho "nascer". Dele, aprendemos a fazer o beiju (ou tapioca). Comíamos o beiju com peixes que eram pescados no dia e assados na fogueira. Até hoje sinto a maior falta dessa refeição. Também passávamos o dia assando milhos (colhidos na hora) na fogueira.

 

Dançamos com os índios e aprendemos suas brincadeiras. Em uma delas, os homens dançam e cantam músicas "falando mal da perereca", com uma cabaça pintada, simulando uma vagina. Então as mulheres invadem a dança, os homens saem correndo jogando a cabaça entre eles, e o objetivo das mulheres é conseguir pegá-la e destruí-la. Há outras brincadeiras semelhantes, em que as mulheres invadem a dança dos homens, jogando água, ou tentando tirar algum do chão.

 

Nas aulas de artesanato, aprendemos a fazer cestas, bijuterias com miçangas e tecer uma rede.

 

As atividades eram ótimas, mas melhor ainda era o tempo livre, em que simplesmente podíamos conviver com os índios, conversar com eles e observar. É muito bonito ver a vida em comunidade que eles têm e como estão sempre juntos.

 

Em uma das aulas, Joca, o antropólogo que trabalha com a tribo, explicou sobre o ritual da sangria. Funciona assim: Eles têm uma arranhador, que é um objeto feito de cabaça com dentes de piranha. Com ele, os índios arranham seu corpo, que acaba sangrando, e, sobre a pele, passam raízes e medicamentos naturais. Cada medicamento tem uma função, mas, de um modo geral, é um ritual de purificação e proteção. Insistimos com o líder da aldeia que queríamos passar pelo ritual também e assim foi feito.

 

Enfim, o objetivo deste relato é mais instigar aqueles que porventura tenham interesse nesse tipo de experiência, que, para mim, foi muito transformadora. Acho que as fotos podem dizer mais. Lá vão:

 

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Bem, espero que este relato tenha sido inspirador. Conhecer um pouco mais da cultura indígena-xinguana foi riquíssimo para mim e me fez repensar muito sobre os valores da nossa sociedade.

 

PS: Meu nome é Lian Tai, sou aluna de doutorado em Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense. Minha pesquisa é sobre relatos de viagem na internet, o que inclui relatos em sites, blogs, redes sociais, enfim, os instrumentos na internet que cada um utiliza para compartilhar sua viagem. Trabalho com este tema inclusive porque também sou mochileira, blogueira e me interesso tanto por viajar quanto por compartilhar e entender esse fenômeno. Estou à procura de pessoas dispostas a contribuírem para minha pesquisa, tanto concedendo entrevista quanto permitindo que eu acompanhe seus relatos variados de viagem. Adoraria se você pudesse ajudar. Posso ser encontrada pelo e-mail [email protected] , ou pelo Facebook como “Lian Tai”, através do mesmo e-mail. Também tenho um blog, que, apesar de não ser específico sobre viagens, também uso para relatá-las: http://www.bolhinhasdalian.blogspot.com . Caso tenha interesse em contribuir ou queira mais informações sobre a pesquisa, por favor entre em contato pelo meu e-mail, com RELATOS DE VIAGEM como assunto, para que eu não confunda com o lixo eletrônico. Desde já agradeço! =)

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Poxa Lian... deve ser sensacional mesmo passar por uma experiencia destas. Mas conta ai:

 

1 - Como ficou sabendo?

2 - Quanto?

3 - Como faz para fazer uma experiencia destas?

 

Valeuu...

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Oi Jackaomello!

Vamos lá: Uma amiga divulgou pelo facebook. Você encontra por lá pelo menos o perfil do Encontro de Culturas (realizado anualmente em julho, também muito interessante, neste ano terão mais de 10 aldeias indígenas presentes) e da Casa de Cultura Cavaleiros de Jorge. Através da página deles, dá pra acompanhar os eventos. Paguei 750 reais (uma semana incluindo todas as atividades e refeições). Procura pelo facebook ou mesmo a organização pelo google. Agora, na segunda quinzena de julho, será o encontro de culturas. Também é muito interessante, cheio de atividades, workshops e você acaba tendo contato com vários povos, inclusive indígenas. Porém é diferente da vivência, em que você passa uma semana com mais calma, tem bastante tempo pra conhecer, fazer amizade, conversar com os índios. Eles estavam planejando uma outra vivência para este ano com os Mebengokré, mas ainda não tinham data fechada. De qualquer jeito, qualquer evento lá tem que ser antes do verão, porque depois começam as chuvas. Se você não conseguir achar pela internet, me avise, que passo o contato do organizador pra você. E, precisando, estou à disposição.

Um abraço!

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