Segue um resumo da nossa viagem de janeiro de 2012, que foi o meu 2º mochilão, 1ª vez que entrei em um avião e a 1ª vez que saí do Brasil. Embarquei nessa junto com 3 camaradas, um alemão, um negão e um japonês, respectivamente Diego, Alessandro e Marcio, nos dizíamos os caras da piada.
Acho importante dizer também que não tínhamos planejamento quase nenhum, somente uma ideia das cidades que iríamos passar e de alguns lugares para conhecer, o resto seria decidido tudo na hora, inclusive, compramos só a passagem de ida, afinal, não fazíamos a menor ideia de quando voltaríamos (só sabíamos que dia 23 teríamos que estar em SP) e nem de onde voltaríamos. E assim, fomos e voltamos, com o universo conspirando a nosso favor...
Foto: Os 4 toiços (já com as mochilas despachadas).
Nossa viagem seguiu a seguinte ordem: Sucre, Potosí, Uyuni (Salar e Parque Nacional Eduardo Avaroa com passagem pelos desertos, lagoas, gêiseres, etc), La Paz, Copacabana, Isla Del Sol, Copacabana, Cuzco, Águas Calientes, Machu Picchu, Águas Calientes, Cuzco.
[t3]SÃO PAULO - SANTA CRUZ DE LA SIERRA - SUCRE[/t3]
01/01/2012 - Por volta das 10h da noite partiu o nosso voo saindo de Guarulhos/SP para Santa Cruz de La Sierra na Bolívia, ainda fizemos escala em Campo Grande (MS).
02/01/2012
Resumo: Chegada a Santa Cruz de la Sierra, partida imediata para Sucre.
Foto: Dormimos no aeroporto.
Chegamos de madrugada em Santa Cruz, e pernoitamos no aeroporto, esperamos amanhecer e embarcamos direto para SUCRE, onde chegamos perto da hora do almoço. Os primeiros hostels que tentamos estavam cheios e o primeiro onde conseguimos vaga foi no hostel AMIGO. Na hora de fechar rolou um pequeno desentendimento quanto ao quarto com baño ou não, pois queríamos um quarto para dormir e um lugar onde pudéssemos tomar banho, que não precisava ser dentro do quarto (baño privado), e o desentendimento foi causado porque nos passaram os dois preços o do quarto (com baño compartido, como chamam lá) e quarto con baño (nesse caso banheiro privativo), e um primeiro momento entendemos que teríamos que pagar o dobro para poder tomar banho, o que não era verdade. Depois de nos entendermos, assumimos o quarto, um cômodo com duas beliches e muitos cobertores, perfeito para nós. A tarde fizemos um rolê pela cidade, não havia quase nada aberto pois como dia 1º, feriado, caiu no domingo, eles empurram o feriado para segunda-feira, e portanto era feriado. Pudemos observar um pouco da cidade, conhecer ruas e praças que estavam muito pouco movimentadas e quase não havia comércio aberto. A noite fomos dormir cedo, visto que o resto da última noite havíamos passado no aeroporto.
Foto: As ruas pouco movimentadas no centro de Sucre, a direita o Japa sacando uns foto.
03/01/2012
Resumo: A cidade de Sucre com direito a downhill de bicicleta nas montanhas e trilha até El Cânion de Rufo.
Acordamos e fomos para o centro de SUCRE, estávamos decididos a fazer um dos passeios que as agências da cidade oferecem, acabamos fechando um downhill de bicicleta. Saímos da agência no centro da cidade de carro, com um guia e um motorista. O carro saí do centro da cidade, e conforme vai se afastando vai subindo morro, é interessante porque pudemos ver como é o que seria a periferia da cidade de Sucre, é como se fosse roça, não há favelas, pelo menos nós não vimos, apesar de que em vários lugares tivemos impressão de favela porque as casas não são acabadas. Quando chegamos ao alto de uma montanha eles param o carro, todos descem, descem as bicicletas do carro e começamos o downhill, com um guia que desce junto conosco de bike, o Ricardo e outro que vai atrás dirigindo o carro, o Willian.
Foto: Crianças brincando a beira da estrada por onde passamos para chegar até o ponto de onde começaríamos o downhill.
A descida foi tranquila e a vista que se tinha era maravilhosa de uma serra como se fosse um mar de morros. No final da descida atravessamos um pequeno rio e chegamos a um campo de futebol, só digo que era um campo porque havia duas traves em uma área plana mas o terreno era horrível para querer jogar bola ali, muitas pedras, buracos e desníveis absurdos, eu cresci jogando bola em rua não plana de terra e pedra e posteriormente paralelepípedo, que me parecia melhor que aquele campo, depois do campo tinha um trecho de subida onde eles ofereceram para colocar as bicicletas no carro, para subir e depois nos devolveriam para percorrermos uma parte plana mais a frente, eu preferi subir pedalando, foi um pouco cansativo mas consegui sem me matar muito. Lá em cima, todos a postos e de bicicleta novamente seguimos a trilha da mesma forma que fizemos o downhill, com o Ricardo de bike e o Willian atrás de carro. Até que chegamos a um ponto onde havia ocorrido um deslizamento de terra que impedia que o carro passasse pela estrada, passamos com as bicicletas mas o Willian teve que deixar o carro e seguir a pé, pois mais a frente seria necessário que ele estivesse junto com o grupo.
Foto: Parada para foto durante o downhill, o da frente é o guia Ricardo, o motorista Willian que tirou a foto.
Chegamos ao final do trecho que faríamos de bicicleta e as deixamos, com Willian que ficou tomando conta enquanto entramos numa trilha que nos levaria até El Canion de Rufo com o Ricardo. Fizemos a trilha passando por alguns trechos de descida de pedras, depois parte pela beira do rio hora em areia, hora em pedras mesmo e quando chegamos ao canion, que é um vão entre duas montanhas e a água do rio vem do meio desse vão todos estavam cansados e com fome, paramos e o Ricardo nos entregou os kits de lanche que estavam inclusos no pacote do tour da agência. Comemos, descansamos, conversamos bastante e começamos a volta, ao final da parte a pé, reencontramos Willian e as bicicletas, e retomamos a pedalada de volta, Willian saiu correndo a pé na frente, para reassumir o carro.
Foto: Fim da trilha, em El Canion de Rufo, enquanto Ricardo pegava nossos lanches.
Fizemos a trilha de volta pedalando e quando chegamos ao campo de futebol as bikes foram recolhidas, todos entramos no carro e voltamos para o centro de Sucre. De volta ao centro, demos um role, e voltamos para o hostel, tomamos banho e saímos denovo, para comer e talvez sair a noite, mas não foi o que aconteceu, paramos para comer, eu fui tomar um suco e não entendi nenhum dos sabores que fiz a moça repetir 3 vezes (era só o 2º dia na Bolívia), resolvi arriscar pelo último que ela disse, tumbo, não sei o que é até hoje mas o suco era bom. Depois disso voltamos para o hostel e dormimos decididos a prosseguir viagem e ir para Potosí no dia seguinte.
[t3]SUCRE - POTOSÍ[/t3]
04/01/2012
Resumo: Partida de Sucre, chegada a Potosí, la ciudad más alta del mondo.
Em Sucre, tivemos algumas informações diferentes a respeito de ônibus para Potosí, algumas pessoas disseram que tinha ônibus de hora em hora e outras disseram que só havia 4 horários por dia, sem saber direito, saímos do Hostel e pegamos um busão circular de linha que nos levasse até o terminal rodoviário de Sucre, chegamos lá já passava das 10h da manhã e acabamos comprando passagem para 1h da tarde, ficamos por ali, na rodoviária, embassando até o horário do busão. Com um pouco de atraso embarcamos e partimos para Potosí, la ciudad mas alta del mondo a 4060m de altitude acima do nível do mar. Chegamos a Potosí por volta das 4h da tarde e resolvemos descer do ônibus uma parada antes do terminal pois nos disseram que ali era mais perto do centro e que se fossemos até a rodoviária teríamos que voltar para o centro. Descemos e já saímos a procura de hostel. Primeiro fomos a procura do centro, pois o lugar onde descemos era bem residencial. Os amigos já começavam a sentir os efeitos da altitude, eu percebi que o lugar parecia ter menos ar, mas graças a Deus não tive nenhum problema. Chegamos a praça principal da cidade, localizamos uma rua onde alguém (acho que o Japa) tinha pesquisado hostels na internet e seguimos andando, descendo por uma avenida, não encontramos muitos hostels no caminho que fizemos, e em alguns não havia vaga, o primeiro que encontramos vaga, e mesmo assim só havia um quarto com quatro camas, era um quarto muito ruim, que o alemão rapidamente apelidou de ‘La cova de Cristo’, a principio não fechamos, porém ao descermos um pouco mais a rua e ter pesquisado preços em dois hotéis bons, que com certeza eram muito mais caros, resolvemos retornar e fechar lá mesmo pois a altitude já encomodava bastante a galera. Deixamos as coisas e saímos para fazer um peão em Potosí pois já era de tarde e não dava para ficar enrolando muito senão anoiteceria. Começamos a subir pela mesma rua que descemos quando avistamos uma escada que dava para uma praça, subimos, havia uma espécie de feira no local, se destacavam diversos bolos coloridos de tamanhos variados que pareciam muito bons só que estavam ao ar livre, próximos a um local onde escorria esgoto e com muitas pessoas e cachorros andando para todos os lados. Entramos numa galeria, e conhecemos um pouco do centro de Potosí e suas ruas. Anoiteceu, continuamos subindo, passamos pela praça principal, entramos em um calçadão bastante movimentado e com muitos comércios, particularmente eu gostei bastante de Potosí.
Foto: A praça principal de Potosí, bastante movimentada, ainda com as decorações natalinas, em uma noite gelada.
Depois disso voltamos para o hostel, sendo que quase chegando, na mesma praça onde mais cedo havia uma feira paramos para tomar maiz com um grupo de argentinos, uma bebida típica feita com choclo (milho), na verdade se assemelha muito a canjica e depois retornamos para la cova de cristo para dormir. Apesar de estarmos em janeiro e ser Verão, a noite esfria bem por lá.
Foto: Terminamos o dia tomando maiz com uns argentinos.
[t3]POTOSÍ[/t3]
05/01/2012
Resumo: As minas de prata de Potosí, Casa de la Moneda, partida de Potosí para Uyuni.
Acordamos, nos aprontamos, acertamos com o hostel e demos saída, fomos ao mercado municipal a procura de desayuno e em seguida fomos até a agência El Mascarón, onde havíamos fechado o passeio até as minas de prata de Potosí no dia anterior, durante a caminhada vespertina. Como ainda era cedo fomos até o mercado municipal novamente comprar folha de coca para levar como oferenda para os mineiros. Voltamos para a agência e entramos em uma van que passou em alguns hotéis para pegar outras pessoas e seguimos para o bairro mais próximo das minas (nos bairros mais altos da cidade mais alta do mundo), onde fomos conduzidos até o quintal de uma casa onde recebemos as roupas, capacetes e botas que usaríamos para adentrar as minas. Que com exceção das botas podem ser vestidas por cima da sua roupa. Devidamente vestidos, retornamos ao carro que nos levou até a área onde estão as minas, lá recebemos uma lanterna, para prender no capacete e as primeiras instruções. A guia também contou sobre a história das minas e a vida sofrida que levam todas as pessoas que ali trabalham. Antes de entrar já era possível observar aqueles carrinhos que andam sobre trilhos iguais aos que aparecem no desenho do Pica-Pau.
Foto: Últimos ajustes antes de adentrar às minas de pratas.
Entramos na mina, é uma sensação única e não é muito boa, em um primeiro momento me senti incomodado com aquele buraco, pequeno, cheio de gente, parecia que a qualquer momento não haveria mais ar, mas com o tempo fui me acostumando. Existem locais onde há poças no chão, outros em que temos que entrar em outros buracos que dão em outra trilha e assim seguimos até que chegamos em um lugar onde há uma estátua do diabo, que para os mineiros não é um ser do mal, seria como uma espécie de Deus do mundo subterrâneo, e por trabalharem em seus domínios, eles o veneram, oram, fazem oferendas e pedidos. Nesse ponto da estátua sentamos em volta, enquanto a guia, ao lado, explicava isso com mais detalhes. Seguimos caminhando pelas minas, e conforme íamos encontrando mineiros a guia ia lhes entregando os regallos (oferendas) que todo o grupo havia comprado para eles, havia sucos, refrigerantes, alguns doces e muita folha de coca. Em alguns pontos a guia e até mesmo os próprios mineiros oferecem para quem quiser os ajudar em alguma atividade que estejam realizando, algumas pessoas se arriscaram. Acho que vale citar também quando estávamos andando sobre algum trilho e de repente tínhamos que sair de lado porque os mineiros vinham empurrando os tais carrinhos cheios de pedra a toda velocidade. Mas o ponto alto do passeio na minha opinião foi quando encontramos com um mineiro obeso que aparentava ter quase 50 anos, até agora eu não sei se realmente ele é mineiro e as histórias que contou são verdade ou se é um "ator" combinado com as agências para contar aquelas histórias. Contou muitas sobre a vida dos trabalhadores dentro das minas, disse que trabalha a 35 anos e que de um grupo de quase 300 que começaram a trabalhar juntos nas minas, apelas ele e mais dois estavam vivos. De fato o relato dele foi muito impactante. Vou aproveitar essa oportunidade para abrir um parenteses no relato e citar que na Bolívia quase não existem pessoas obesas, então quando você vê um gordinho chama a atenção pois não é comum, como em São Paulo, por exemplo.
Vídeo: Alguns momentos dentro das minas de prata de Potosí, edição do Negão.
Depois disso saímos das minas de prata, e a sensação de sair de lá de dentro é muito boa, chega a dar um alívio. Retornamos a casa onde recebemos as roupas e as devolvemos, a van nos levou até a agência no centro de Potosí novamente. Resolvemos fechar na mesma agência, nossa ida para Uyuni, ainda naquela noite + hospedagem em Uyuni + tour de 3 dias pelo Salar e os desertos do parque Eduardo Avaroa. Saiu um pouco mais caro do que gastaríamos se fossemos por conta, embora não fosse possível ter essa certeza naquele momento, mas valeu a pena, evitamos alguns perrengues (como ter que procurar hostel em Uyuni de madrugada quando já está tudo fechado) e aprendemos essa lição, que serviu para todo o resto da viagem.
Depois de fecharmos o tour com a Nancy, que por sinal é muito boa vendedora, é o tipo de pessoa que tem o dom, parece que sabe o que precisa dizer para te convencer que o que ela está oferecendo é melhor do que o que os outros oferecem, fomos almoçar porque as 14h abriria uma das atrações de Potosí, La Casa de la Moneda, e que pretendíamos visitar antes de partir para Uyuni. Conhecemos a casa que por sinal é interessante, eu gostei de tê-la visto, ao final da visita, como ainda tínhamos tempo até a partida do nosso ônibus para Uyuni ficamos em um café, dentro da Casa de Moneda, trocando ideia, comendo alguma coisa e aproveitando o wi-fi do lugar para saber como estavam as coisas por aqui, rimos muito ao ver que em pleno Janeiro, São Paulo tinha mais 200km de vias congestionadas segundo informações da CET, que nunca retratam a real situação da cidade, pois monitoram menos vias que outros calculadores de índices, afinal muitas das vias que não participam da medição também ficam com trânsito ruim.
Foto: Como não pagamos a taxa "a mais" para fotografar na Casa de Moneda, só temos essa foto do pátio.
Saindo de lá retornamos a agência, que pagou um taxi para nos levar ao terminal de buses de onde partimos para Uyuni.
[t3]O INÍCIO[/t3]
Segue um resumo da nossa viagem de janeiro de 2012, que foi o meu 2º mochilão, 1ª vez que entrei em um avião e a 1ª vez que saí do Brasil. Embarquei nessa junto com 3 camaradas, um alemão, um negão e um japonês, respectivamente Diego, Alessandro e Marcio, nos dizíamos os caras da piada.
Acho importante dizer também que não tínhamos planejamento quase nenhum, somente uma ideia das cidades que iríamos passar e de alguns lugares para conhecer, o resto seria decidido tudo na hora, inclusive, compramos só a passagem de ida, afinal, não fazíamos a menor ideia de quando voltaríamos (só sabíamos que dia 23 teríamos que estar em SP) e nem de onde voltaríamos. E assim, fomos e voltamos, com o universo conspirando a nosso favor...
Foto: Os 4 toiços (já com as mochilas despachadas).
Nossa viagem seguiu a seguinte ordem: Sucre, Potosí, Uyuni (Salar e Parque Nacional Eduardo Avaroa com passagem pelos desertos, lagoas, gêiseres, etc), La Paz, Copacabana, Isla Del Sol, Copacabana, Cuzco, Águas Calientes, Machu Picchu, Águas Calientes, Cuzco.
[t3]SÃO PAULO - SANTA CRUZ DE LA SIERRA - SUCRE[/t3]
01/01/2012 - Por volta das 10h da noite partiu o nosso voo saindo de Guarulhos/SP para Santa Cruz de La Sierra na Bolívia, ainda fizemos escala em Campo Grande (MS).
02/01/2012
Resumo: Chegada a Santa Cruz de la Sierra, partida imediata para Sucre.
Foto: Dormimos no aeroporto.
Chegamos de madrugada em Santa Cruz, e pernoitamos no aeroporto, esperamos amanhecer e embarcamos direto para SUCRE, onde chegamos perto da hora do almoço. Os primeiros hostels que tentamos estavam cheios e o primeiro onde conseguimos vaga foi no hostel AMIGO. Na hora de fechar rolou um pequeno desentendimento quanto ao quarto com baño ou não, pois queríamos um quarto para dormir e um lugar onde pudéssemos tomar banho, que não precisava ser dentro do quarto (baño privado), e o desentendimento foi causado porque nos passaram os dois preços o do quarto (com baño compartido, como chamam lá) e quarto con baño (nesse caso banheiro privativo), e um primeiro momento entendemos que teríamos que pagar o dobro para poder tomar banho, o que não era verdade. Depois de nos entendermos, assumimos o quarto, um cômodo com duas beliches e muitos cobertores, perfeito para nós. A tarde fizemos um rolê pela cidade, não havia quase nada aberto pois como dia 1º, feriado, caiu no domingo, eles empurram o feriado para segunda-feira, e portanto era feriado. Pudemos observar um pouco da cidade, conhecer ruas e praças que estavam muito pouco movimentadas e quase não havia comércio aberto. A noite fomos dormir cedo, visto que o resto da última noite havíamos passado no aeroporto.
Foto: As ruas pouco movimentadas no centro de Sucre, a direita o Japa sacando uns foto.
03/01/2012
Resumo: A cidade de Sucre com direito a downhill de bicicleta nas montanhas e trilha até El Cânion de Rufo.
Acordamos e fomos para o centro de SUCRE, estávamos decididos a fazer um dos passeios que as agências da cidade oferecem, acabamos fechando um downhill de bicicleta. Saímos da agência no centro da cidade de carro, com um guia e um motorista. O carro saí do centro da cidade, e conforme vai se afastando vai subindo morro, é interessante porque pudemos ver como é o que seria a periferia da cidade de Sucre, é como se fosse roça, não há favelas, pelo menos nós não vimos, apesar de que em vários lugares tivemos impressão de favela porque as casas não são acabadas. Quando chegamos ao alto de uma montanha eles param o carro, todos descem, descem as bicicletas do carro e começamos o downhill, com um guia que desce junto conosco de bike, o Ricardo e outro que vai atrás dirigindo o carro, o Willian.
Foto: Crianças brincando a beira da estrada por onde passamos para chegar até o ponto de onde começaríamos o downhill.
A descida foi tranquila e a vista que se tinha era maravilhosa de uma serra como se fosse um mar de morros. No final da descida atravessamos um pequeno rio e chegamos a um campo de futebol, só digo que era um campo porque havia duas traves em uma área plana mas o terreno era horrível para querer jogar bola ali, muitas pedras, buracos e desníveis absurdos, eu cresci jogando bola em rua não plana de terra e pedra e posteriormente paralelepípedo, que me parecia melhor que aquele campo, depois do campo tinha um trecho de subida onde eles ofereceram para colocar as bicicletas no carro, para subir e depois nos devolveriam para percorrermos uma parte plana mais a frente, eu preferi subir pedalando, foi um pouco cansativo mas consegui sem me matar muito. Lá em cima, todos a postos e de bicicleta novamente seguimos a trilha da mesma forma que fizemos o downhill, com o Ricardo de bike e o Willian atrás de carro. Até que chegamos a um ponto onde havia ocorrido um deslizamento de terra que impedia que o carro passasse pela estrada, passamos com as bicicletas mas o Willian teve que deixar o carro e seguir a pé, pois mais a frente seria necessário que ele estivesse junto com o grupo.
Foto: Parada para foto durante o downhill, o da frente é o guia Ricardo, o motorista Willian que tirou a foto.
Chegamos ao final do trecho que faríamos de bicicleta e as deixamos, com Willian que ficou tomando conta enquanto entramos numa trilha que nos levaria até El Canion de Rufo com o Ricardo. Fizemos a trilha passando por alguns trechos de descida de pedras, depois parte pela beira do rio hora em areia, hora em pedras mesmo e quando chegamos ao canion, que é um vão entre duas montanhas e a água do rio vem do meio desse vão todos estavam cansados e com fome, paramos e o Ricardo nos entregou os kits de lanche que estavam inclusos no pacote do tour da agência. Comemos, descansamos, conversamos bastante e começamos a volta, ao final da parte a pé, reencontramos Willian e as bicicletas, e retomamos a pedalada de volta, Willian saiu correndo a pé na frente, para reassumir o carro.
Foto: Fim da trilha, em El Canion de Rufo, enquanto Ricardo pegava nossos lanches.
Fizemos a trilha de volta pedalando e quando chegamos ao campo de futebol as bikes foram recolhidas, todos entramos no carro e voltamos para o centro de Sucre. De volta ao centro, demos um role, e voltamos para o hostel, tomamos banho e saímos denovo, para comer e talvez sair a noite, mas não foi o que aconteceu, paramos para comer, eu fui tomar um suco e não entendi nenhum dos sabores que fiz a moça repetir 3 vezes (era só o 2º dia na Bolívia), resolvi arriscar pelo último que ela disse, tumbo, não sei o que é até hoje mas o suco era bom. Depois disso voltamos para o hostel e dormimos decididos a prosseguir viagem e ir para Potosí no dia seguinte.
[t3]SUCRE - POTOSÍ[/t3]
04/01/2012
Resumo: Partida de Sucre, chegada a Potosí, la ciudad más alta del mondo.
Em Sucre, tivemos algumas informações diferentes a respeito de ônibus para Potosí, algumas pessoas disseram que tinha ônibus de hora em hora e outras disseram que só havia 4 horários por dia, sem saber direito, saímos do Hostel e pegamos um busão circular de linha que nos levasse até o terminal rodoviário de Sucre, chegamos lá já passava das 10h da manhã e acabamos comprando passagem para 1h da tarde, ficamos por ali, na rodoviária, embassando até o horário do busão. Com um pouco de atraso embarcamos e partimos para Potosí, la ciudad mas alta del mondo a 4060m de altitude acima do nível do mar. Chegamos a Potosí por volta das 4h da tarde e resolvemos descer do ônibus uma parada antes do terminal pois nos disseram que ali era mais perto do centro e que se fossemos até a rodoviária teríamos que voltar para o centro. Descemos e já saímos a procura de hostel. Primeiro fomos a procura do centro, pois o lugar onde descemos era bem residencial. Os amigos já começavam a sentir os efeitos da altitude, eu percebi que o lugar parecia ter menos ar, mas graças a Deus não tive nenhum problema. Chegamos a praça principal da cidade, localizamos uma rua onde alguém (acho que o Japa) tinha pesquisado hostels na internet e seguimos andando, descendo por uma avenida, não encontramos muitos hostels no caminho que fizemos, e em alguns não havia vaga, o primeiro que encontramos vaga, e mesmo assim só havia um quarto com quatro camas, era um quarto muito ruim, que o alemão rapidamente apelidou de ‘La cova de Cristo’, a principio não fechamos, porém ao descermos um pouco mais a rua e ter pesquisado preços em dois hotéis bons, que com certeza eram muito mais caros, resolvemos retornar e fechar lá mesmo pois a altitude já encomodava bastante a galera. Deixamos as coisas e saímos para fazer um peão em Potosí pois já era de tarde e não dava para ficar enrolando muito senão anoiteceria. Começamos a subir pela mesma rua que descemos quando avistamos uma escada que dava para uma praça, subimos, havia uma espécie de feira no local, se destacavam diversos bolos coloridos de tamanhos variados que pareciam muito bons só que estavam ao ar livre, próximos a um local onde escorria esgoto e com muitas pessoas e cachorros andando para todos os lados. Entramos numa galeria, e conhecemos um pouco do centro de Potosí e suas ruas. Anoiteceu, continuamos subindo, passamos pela praça principal, entramos em um calçadão bastante movimentado e com muitos comércios, particularmente eu gostei bastante de Potosí.
Foto: A praça principal de Potosí, bastante movimentada, ainda com as decorações natalinas, em uma noite gelada.
Depois disso voltamos para o hostel, sendo que quase chegando, na mesma praça onde mais cedo havia uma feira paramos para tomar maiz com um grupo de argentinos, uma bebida típica feita com choclo (milho), na verdade se assemelha muito a canjica e depois retornamos para la cova de cristo para dormir. Apesar de estarmos em janeiro e ser Verão, a noite esfria bem por lá.
Foto: Terminamos o dia tomando maiz com uns argentinos.
[t3]POTOSÍ[/t3]
05/01/2012
Resumo: As minas de prata de Potosí, Casa de la Moneda, partida de Potosí para Uyuni.
Acordamos, nos aprontamos, acertamos com o hostel e demos saída, fomos ao mercado municipal a procura de desayuno e em seguida fomos até a agência El Mascarón, onde havíamos fechado o passeio até as minas de prata de Potosí no dia anterior, durante a caminhada vespertina. Como ainda era cedo fomos até o mercado municipal novamente comprar folha de coca para levar como oferenda para os mineiros. Voltamos para a agência e entramos em uma van que passou em alguns hotéis para pegar outras pessoas e seguimos para o bairro mais próximo das minas (nos bairros mais altos da cidade mais alta do mundo), onde fomos conduzidos até o quintal de uma casa onde recebemos as roupas, capacetes e botas que usaríamos para adentrar as minas. Que com exceção das botas podem ser vestidas por cima da sua roupa. Devidamente vestidos, retornamos ao carro que nos levou até a área onde estão as minas, lá recebemos uma lanterna, para prender no capacete e as primeiras instruções. A guia também contou sobre a história das minas e a vida sofrida que levam todas as pessoas que ali trabalham. Antes de entrar já era possível observar aqueles carrinhos que andam sobre trilhos iguais aos que aparecem no desenho do Pica-Pau.
Foto: Últimos ajustes antes de adentrar às minas de pratas.
Entramos na mina, é uma sensação única e não é muito boa, em um primeiro momento me senti incomodado com aquele buraco, pequeno, cheio de gente, parecia que a qualquer momento não haveria mais ar, mas com o tempo fui me acostumando. Existem locais onde há poças no chão, outros em que temos que entrar em outros buracos que dão em outra trilha e assim seguimos até que chegamos em um lugar onde há uma estátua do diabo, que para os mineiros não é um ser do mal, seria como uma espécie de Deus do mundo subterrâneo, e por trabalharem em seus domínios, eles o veneram, oram, fazem oferendas e pedidos. Nesse ponto da estátua sentamos em volta, enquanto a guia, ao lado, explicava isso com mais detalhes. Seguimos caminhando pelas minas, e conforme íamos encontrando mineiros a guia ia lhes entregando os regallos (oferendas) que todo o grupo havia comprado para eles, havia sucos, refrigerantes, alguns doces e muita folha de coca. Em alguns pontos a guia e até mesmo os próprios mineiros oferecem para quem quiser os ajudar em alguma atividade que estejam realizando, algumas pessoas se arriscaram. Acho que vale citar também quando estávamos andando sobre algum trilho e de repente tínhamos que sair de lado porque os mineiros vinham empurrando os tais carrinhos cheios de pedra a toda velocidade. Mas o ponto alto do passeio na minha opinião foi quando encontramos com um mineiro obeso que aparentava ter quase 50 anos, até agora eu não sei se realmente ele é mineiro e as histórias que contou são verdade ou se é um "ator" combinado com as agências para contar aquelas histórias. Contou muitas sobre a vida dos trabalhadores dentro das minas, disse que trabalha a 35 anos e que de um grupo de quase 300 que começaram a trabalhar juntos nas minas, apelas ele e mais dois estavam vivos. De fato o relato dele foi muito impactante. Vou aproveitar essa oportunidade para abrir um parenteses no relato e citar que na Bolívia quase não existem pessoas obesas, então quando você vê um gordinho chama a atenção pois não é comum, como em São Paulo, por exemplo.
Vídeo: Alguns momentos dentro das minas de prata de Potosí, edição do Negão.
Depois disso saímos das minas de prata, e a sensação de sair de lá de dentro é muito boa, chega a dar um alívio. Retornamos a casa onde recebemos as roupas e as devolvemos, a van nos levou até a agência no centro de Potosí novamente. Resolvemos fechar na mesma agência, nossa ida para Uyuni, ainda naquela noite + hospedagem em Uyuni + tour de 3 dias pelo Salar e os desertos do parque Eduardo Avaroa. Saiu um pouco mais caro do que gastaríamos se fossemos por conta, embora não fosse possível ter essa certeza naquele momento, mas valeu a pena, evitamos alguns perrengues (como ter que procurar hostel em Uyuni de madrugada quando já está tudo fechado) e aprendemos essa lição, que serviu para todo o resto da viagem.
Depois de fecharmos o tour com a Nancy, que por sinal é muito boa vendedora, é o tipo de pessoa que tem o dom, parece que sabe o que precisa dizer para te convencer que o que ela está oferecendo é melhor do que o que os outros oferecem, fomos almoçar porque as 14h abriria uma das atrações de Potosí, La Casa de la Moneda, e que pretendíamos visitar antes de partir para Uyuni. Conhecemos a casa que por sinal é interessante, eu gostei de tê-la visto, ao final da visita, como ainda tínhamos tempo até a partida do nosso ônibus para Uyuni ficamos em um café, dentro da Casa de Moneda, trocando ideia, comendo alguma coisa e aproveitando o wi-fi do lugar para saber como estavam as coisas por aqui, rimos muito ao ver que em pleno Janeiro, São Paulo tinha mais 200km de vias congestionadas segundo informações da CET, que nunca retratam a real situação da cidade, pois monitoram menos vias que outros calculadores de índices, afinal muitas das vias que não participam da medição também ficam com trânsito ruim.
Foto: Como não pagamos a taxa "a mais" para fotografar na Casa de Moneda, só temos essa foto do pátio.
Saindo de lá retornamos a agência, que pagou um taxi para nos levar ao terminal de buses de onde partimos para Uyuni.
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