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Schumacher

Tailândia, Macau, Hong Kong, Malásia, Indonésia e Singapura - 17 dias

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Preparativos

 

No início de outubro saiu uma promoção imperdível no Melhores Destinos, site que acompanho quase que diariamente, ida de São Paulo a Bangkok por R$ 1950,00 já com taxas. No mesmo dia comprei, mas infelizmente a pessoa que iria me acompanhar só tentou no dia seguinte quando esses valores já tinham se esgotado. Confesso que fiquei com medo de fazer uma viagem dessas sozinho, mas se tanta gente faz, por que eu não conseguiria? Passei os meses seguintes pesquisando principalmente pelo guia Rough Guides do Sudeste Asiático, o foco do passeio, que comprei para o Kindle.

 

Dois meses depois surgiu outra promoção incrível, dessa vez para viagens dentro da Ásia, pela companhia AirAsia. Mesmo sem saber direito onde queria ir, comprei todas as passagens do período de viagem nessa mesma companhia, pagando cerca de R$ 50,00 cada!

 

Albergues agendados, roteiro e mochilão pronto, vamos lá! (Não, o vaso não foi incluído na bagagem) Fui direto do trabalho de trem para o aeroporto. Desembarquei em Guarulhos e mal tive tempo para saborear uns petiscos na sala VIP da Gol, pois o voo para Detroit pela Delta já estava quase embarcando quando cheguei.

 

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1° dia

 

Após vários filmes, comidas e sonecas depois, cheguei ao antigo centro da indústria automobilística nos EUA, onde teria algumas horas livres antes de pegar o próximo voo. Depois de passar a demorada imigração, esperei por mais de uma hora, junto com outro brasileiro, pelo ônibus que passava pelo aeroporto. Ao sair, a surpresa em ver uma cidade totalmente decadente: ruas e transporte público em situação pior do que em nosso país, além de casas e até indústrias abandonadas. Depois de um longo trajeto, chegamos ao que pode ser considerado o centro, poucos quarteirões com prédios bem-cuidados e a sede mundial da General Motors, que imperava no local.

 

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Com o estômago cheio de comida mexicana, seguimos a pé por meio aos edifícios. Logo chegamos à orla do rio Detroit, que faz divisa com Windsor, no Canadá. Apesar do frio não ser tanto, estava tudo deserto, raramente víamos alguma alma caminhando. Ali nos separamos. Cansei de esperar pelo ônibus para retornar, e com medo do horário, tive que abrir a carteira e pegar um táxi de US$ 40,00, o valor mais alto que gastei na viagem toda em um meio de transporte.

 

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Embarquei novamente na Delta, que me levaria em seguida para Bangkok, após uma curtíssima escala em Tóquio, onde só deu tempo de conhecer o vaso sanitário tecnológico. Longas horas (dias?) depois cheguei à Cidade dos Anjos (Bangkok em tailandês, e não Los Angeles).

 

2° dia

 

Como já era madrugada, achei melhor dormir no grande e bem-organizado aeroporto de Suvarnabhumi. Consegui apenas cochilar, pois apesar de ver muita gente fazendo o mesmo, fiquei com receio de que furtassem minha bagagem. Esperei o dia amanhecer e peguei o Skytrain, metrô aéreo que levava até o centro da cidade. Fiquei impressionado com o sistema, bastante limpo e organizado. Mas essa boa impressão acabou quando desci dele. Um calor infernal de praticamente 40°C e ruas sujas e lotadas me aguardavam, fato que se repetiria nos demais países, com exceção da China e Singapura. Lembrou-me do caos mostrado no filme “Se Beber Não Case 2”.

 

Com o GPS off-line em mãos e orientação de locais cheguei ao Monumento da Vitória, o centro do transporte público da cidade, erguido em comemoração à vitória contra a França na Indochina. Meu hostel ficava a uma quadra dali. Como a hospedagem, assim como os demais custos, era muito barata, escolhi os albergues com as melhores avaliações. No caso foi o HI Mid Bangkok.

 

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Saí caminhando pelas ruas. Depois de algumas quadras e monumentos, esbarrei num zoológico. Resolvi entrar. Apesar de não ser muito grande possuía uma boa variedade de animais, inclusive raros, e como foi meu primeiro contato com a fauna da região, até que gostei. No entanto, os animais não pareciam estar muito felizes em suas relativamente pequenas jaulas.

 

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Em seguida, foi a vez dos decorados e suntuosos templos budistas, a principal religião do país. Visitei à exaustão mais de meia dúzia, a pé e por meio de um tuk-tuk “patrocinado” – era só eu ir a algumas lojas que pagavam o combustível do motorista, mas não precisava comprar nada. De budas com dezenas de metros ao famoso Wat Pho, onde ficava o Buda reclinado.

 

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3° dia

 

Comecei o dia indo para o Chatuchak Weekend Market, um Mercado de rua gigantesco, onde se vende tudo relacionado ao artesanato do país, a preços muito acessíveis. Passei ali umas boas horas, mas infelizmente meu limite de bagagem me limitou a compra em uma estátua, uma máscara e uma bolsa.

 

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Ali mesmo provei suco de mangostão, uma delícia de doce, e de pitaia, a fruta do dragão, que era levemente doce. Ainda, com alguns reais (bahts, na verdade) fiz uma refeição de pad thai com chá gelado de limão, combinação essa que iria se repetir muitas vezes em minha viagem. O prato típico é uma fritura de macarrão com vegetais verdes, pimenta e mais uma porção de outros temperos locais, acompanhados de frango ou frutos do mar. Aliás, macarrão e arroz frito são a base da alimentação no subcontinente.

 

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Ao retornar a hospedagem conheci um indiano e uma alemã. Saímos à noite rumo a rua famosa entre os mochileiros, a Khaosan Road. Chegando lá, encontrei uma das coisas que buscava: uma barraca de insetos e aracnídeos para degustar. Fui direto para o que considerava o mais impalatável, o escorpião, para cumprir uma promessa que tinha feito. Para minha surpresa, até que não era desagradável. Pontas crocantes e interior gosmento, mas o único gosto que senti foi do sal usado para temperar.

 

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Prosseguindo pela rua, paramos em um dos diversos bares cheios de turistas, onde curtimos um reggae e provei as cervejas Chang e Singha, as mais populares da Tailândia, embora os preços não fossem tanto. Boas, mas nada de mais.

 

Depois de ganhar partidas de sinuca, fomos para outro bar e aproveitamos o resto da noite pela rua, onde turistas dançavam músicas ocidentais regados a baldes de bebida.

 

4° dia

 

Eu, a alemã da noite anterior e mais outra partimos para um passeio de barco no rio Chao Phraya que cruza a cidade. Alguns templos, edifícios contemporâneos e barracos depois, desembarcamos próximo ao Grande Palácio de Bangkok, a residência real.

 

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Antes de chegar ao palácio paramos para que eu tirasse foto com uma amigável píton. No final, o dono já estava querendo me enviar um filhote pelo correio.

 

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Chegando a frente do palácio notamos um movimento atípico de pessoas. Tratava-se da comemoração do Dia da Coroação, pois ao contrário da primeira-ministra, tão odiada pela população que sofreu um golpe militar logo depois que retornei de viagem, o rei era amado pela maioria. A passeata, com suco e bolacha grátis alegrou o país e a nós.

 

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À noite, assisti a lutas de muay thai protagonizadas pelos verdadeiros criadores da arte marcial. Apesar de Sagat não estar presente, foi bastante interessante e menos violento do que pensava ser. Fiquei sentado junto ao povão, mas mesmo assim foi um pouco salgada a conta.

 

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5° dia

 

De manhã peguei o voo no aeroporto de Don Mueang para Macau, onde chovia um pouco, mas fazia um frio bem agradável. Depois de passar pela alfândega sem pegar nenhuma fila, saí do aeroporto. Com os dois ônibus que tomei pude passar por quase toda a Região Administrativa Especial de Macau, que oficialmente é de posse da China, mas que possui quase total independência, inclusive na questão migratória, bem como Hong Kong.

 

Fiquei feliz em ver que a colonização portuguesa ainda deixava marcas na região. Apesar de quase ninguém falar o idioma, que junto com o chinês é oficial, placas por todos os lados apresentam dizeres em nossa língua.

 

Em primeiro lugar desci na vila de pescadores de Coloane, onde se concentra a parte menos turística e mais rural. Depois do pequeno-almoço, segui pela orla, onde tive a sorte de presenciar um festival que acontecia em um dos prédios históricos. Shows de rock chinês e cerveja grátis, que por sinal foi a melhor que tomei durante a viagem toda. Pena que não tive muito tempo para ficar lá.

 

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Continuei passando por um templo e um cemitério chinês. Depois peguei o ônibus e passei por Taipa, onde estão acontecendo grandes aterramentos para construção de mega cassinos ao estilo de Las Vegas, sendo que alguns já operavam no local. Já com o sol se pondo cheguei ao centro histórico, onde dúzias de construções lusitanas bem sinalizadas e intactas como igrejas e fortes contrastavam com edifícios modernos e cassinos. Apesar de ser o país com maior densidade populacional disparado, não tive essa impressão.

 

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Despedi-me desse agradável e seguro lugar caminhando até o porto, aonde por meio de uma moderna balsa cheguei quarenta minutos depois em Hong Kong, onde enormes e iluminados prédios negros espelhados me recepcionaram. Segui até o hostel Yesinn @Causeway Bay.

 

6° dia

 

Pela manhã, depois de trocar o dinheiro, pois os ônibus não devolvem troco, fui com um desses até o ponto mais alto da ilha, o Victoria Peak. No caminho, arranha-céus de mais de 50 andares sumiam em meio às nuvens. Infelizmente a neblina onipresente não permitiu ter a bela vista esperada do topo, mas pelo menos conheci um parque florestal bem agradável que cercava o morro. Ao contrário dos parques brasileiros, esse estava em ótimas condições de manutenção e abundava em informações sobre a fauna e flora. Estava sendo usado sobretudo para caminhada por idosos chineses.

 

Caminhei por horas em trilhas, passando por florestas de encosta e reservatórios, incluindo a árdua subida de volta.

 

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Já que havia comprado um passe diário ilimitado de metrô, saí explorando aleatoriamente a parte continental de Hong Kong. Como boa parte do trecho era superficial, consegui ter uma noção do país. Não observei favelas, apenas prédios de classe baixa. Pessoas ocupadas com seus smartphones por todos os lados. Inglês e chinês em relativo equilíbrio, apesar da esmagadora maioria da etnia chinesa. E uma boa quantidade de áreas verdes.

 

À noite, fui à orla ver o show de luzes e sons do panorama urbano no Victoria Harbour, o maior show permanente desse tipo segundo o Guinness.

 

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Continuei do lado continental, até a Temple Street, mais conhecida como Chinatown, onde pude comprar lembranças baratas e provar a iguaria char siu, que é carne de porco marinada com uma mistura doce, segundo a Wikipédia. Digo isso pois não fazia ideia do que pedi quando entrei num restaurante onde ninguém falava inglês e nem o menu se apresentava nesse idioma.

 

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7° dia

 

Voltei para Macau, de onde voei para Kuala Lumpur, a capital da Malásia. Já no avião tive a primeira experiência culinária desagradável com uma comida super apimentada, fato bastante comum no arquipélago.

 

Ao descer, já era possível ver a mescla de indianos, malaios (árabes) e chineses, as principais etnias. Perdi muito tempo na fila da imigração, assim quando cheguei à cidade propriamente dita, após passar por grandes plantações de palmeiras, já estava no fim da tarde.

 

Pelo menos era possível ler o que estava escrito nos lugares, pois o bahasa, idioma da Malásia e Indonésia, é o único da região que utiliza caracteres romanos como a gente, e a pronúncia não é tonal. Depois do check-in no Suzie's Guesthouse and Hostel KL, o melhor até o momento, fui parar nas Petronas Towers, o maior edifício duplo do mundo. O belo complexo inclui um parque e um shopping center, onde provei outra gororoba local, uma sopa com tanto o nome quanto o conteúdo indistinguíveis.

 

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Terminei o dia em outra Chinatown, onde comprei roupas baratíssimas.

 

8° dia

 

O dia quente começou na estação de trem, onde fui para Batu Caves, o templo hinduísta e paraíso dos macacos encravado em um morro de calcário. Um punhado de degraus e a maior estátua do Deus Murugan separavam o interior das cavernas.

 

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Lá dentro fiz um tour orientado pela caverna agora protegida. Observei aranhas e os mais diversos espeleotemas. Em alguns pontos a visibilidade chegava a zero. Do outro lado ficava o templo hindu, que não prendeu minha atenção por muito tempo.

 

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Voltando para o centro, fui para a área verde dos Lake Gardens, aonde cheguei ao KL Bird Park, o maior aviário de voo livre que existe. Numa zona enorme separada do ar livre por telas a altas alturas, é possível se aproximar de aves de mais de uma centena de espécies, incluindo o diferente calau asiático.

 

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Depois do show de talentos das aves, passei pelo orquidário exterior ao parque e em um museu, antes de dar uma passada no mercado central e partir de volta para o aeroporto.

 

Já era tarde da noite quando cheguei a Surabaya, segunda maior cidade da Indonésia. A ausência de ATM’s, as máquinas de sacar dinheiro, me fez rodar com o taxista pela cidade, já que eu não tinha uma moeda local sequer. Pela primeira vez na vida fiquei milionário, pois 1 real é equivalente a mais de 5 mil rúpias!

 

Escolhi o Krowi Inn para me hospedar pela localização, pois ficava quase em frente ao zoo que visitaria no dia seguinte.

 

9° dia

 

Depois de aproveitar essa escala inevitável para recarregar as baterias e lavar as roupas, cheguei então no zoológico conhecido como o “pior do mundo”, devido às várias mortes causadas por maus cuidados. Era facilmente perceptível a tristeza nos animais. Apesar da variedade de bichos, espero que a campanha pelo fechamento do estabelecimento tenha resultado. A maior atração do parque para mim eram os enormes e pré-históricos dragões de Komodo, endêmicos dessa ilha da Indonésia.

 

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Já para os demais visitantes, 0% deles ocidentais, a maior atração era eu. Apesar de ser uma metrópole, parece que não há muitos turistas no lugar. Todos me olhavam como se eu fosse um ET, e alguns pediram para tirar foto e conversar comigo, inclusive um grupo de muçulmanas. Chegou a um ponto em que não consegui mais me sentir à vontade ali. É, acho que não quero mais ser famoso...

 

À noite, cheguei à plenamente turística ilha de Bali. Por sorte meu colega de faculdade Fidel estava concluindo sua viagem de volta ao mundo justamente em Bali, então conforme combinamos uns dias antes ele me deu uma carona e me hospedou nessa primeira noite. Mas antes disso, me levou para conhecer as baladas de Kuta, a parte mais agitada da ilha. Praticamente em uma rua só concentravam-se dezenas de bares e baladas, apinhados de turistas bêbados e drogados, e locais oferecendo as mesmas, bem como caronas de moto. O bom era que você podia entrar e sair à vontade, sem pagar nada. E foi o que fizemos, até pararmos em um lugar com diversos ambientes. As músicas, sempre ocidentais.

 

10° dia

 

Começamos indo à praia, em Jimbaran, ao sul de Kuta e do aeroporto. A foto com a praia quase vazia e com o lindo mar turquesa fala por si só. Peguei um torrão nesse dia.

 

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Depois almoçamos em um lugar parecido com um buffet, onde comi várias coisas sem saber o que eram, mas saborosas, embora muito picantes.

 

Antes de partir, me deixou num local para eu alugasse uma moto. Com 50 mil rúpias, ou seja, 10 reais, era possível alugar uma por um dia! E nem pediam habilitação. Assim, parti meio cambaleando, visto que além de uma aula prática com meu amigo Bidu, minha experiência com motocicletas era zero. Como era automática, logo consegui pegar a manha, apesar da mão ser inglesa e das ruas estarem entupidas. Segui pelo litoral, passando por belas praias de um lado e arrozais do outro. O ar, no entanto, não era dos mais agradáveis, visto a grande quantidade de queimadas e os combustíveis e veículos totalmente desregulados.

 

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No fim da tarde cheguei a Padang Bai, uma vila de pescadores no leste da ilha. Pelo horário avançado, infelizmente não consegui ir ao vulcão como pretendia. Fiz o check-in no lugar mais roots da viagem (e o único sem ar-condicionado no quarto), o Bamboo Paradise.

 

Saímos para jantar eu, uma holandesa e uma polonesa que recém havia conhecido. Depois do peixe frito, fomos ao único bar aberto e com movimento na vila, onde clássicos do reggae eram tocados ao vivo.

 

11° dia

 

Depois de um baita café-da-manhã saboroso e saudável, mudei o roteiro: em vez de mergulhar nas praias da vila, fui com as duas de canoa motorizada para Nusa Lembongan, a ilha mais próxima dali. No caminho, nuvens e chuva, mas chegando lá, abriu aquele solzão. Tomei a pior decisão possível quando decidi me separar delas e caminhar pela ilha sem alugar um veículo. Agora devidamente protegido do sol, segui de chinelo pelas ruas de chão batido rumo às outras praias. Passei por algumas quase desertas até chegar em uma parte com o mar calmo onde havia fazendas de algas. Importante salientar que em todo caminho via-se templos hinduístas, pois apesar da Indonésia ter a maior população muçulmana do planeta, a religião de Bali é totalmente hindu.

 

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Cruzei uma ponte pênsil, chegando em Nusa Ceningan, onde esperava achar um ponto de mergulho. O que não estava ciente, pois o programa de geolocalização que estava usando não mostrava altitudes, era que eu teria que subir um baita morro. A essa altura as primeiras feridas começavam a surgir nos pés, quando cheguei ao topo. A vista lá de cima era muito bonita, mas com a constatação de que teria que me atirar de um penhasco para conseguir mergulhar ali, me deu um desânimo.

 

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Voltei por outro caminho. Algumas horas e quilômetros depois cheguei à mesma praia em que desembarcamos. Acabei mergulhando em uma praia ao lado. Apesar de ser bem visível o dano aos corais, ainda era possível ver uma boa biodiversidade. Vi até uma moreia, que me deu um susto. O que dificultou foi a maré baixa, que fez eu praticamente me arrastar sob uma lâmina de alguns centímetros de água. Fiquei preocupado com a câmera que não estava funcionando; a bateria chinesa da GoPro tinha morrido.

 

Ao retornarmos próximo ao pôr-do-sol, passamos por uma praia de areia preta, onde diversos barcos iguais ao nosso repousavam.

 

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Jantei barracuda e voltei já à noite para Kuta, onde dormiria no hostel Warung Coco.

 

12° dia

 

Infelizmente não tive tempo para fazer muitas coisas que gostaria em Bali. Devolvi o veículo apressado e parti para Singapura, onde fica Changi, o melhor aeroporto do mundo.

 

O único inconveniente era o calor de dia, e os preços claramente superiores aos demais países da região. No mais, a cidade-estado é provavelmente a mais limpa, segura e organizada que já conheci, e ainda rivaliza com Dubai em termos de arquitetura.

 

De metrô, lógico, a primeira parada foi o jardim botânico. Dividido em setores específicos, como plantas medicinais, gramíneas, bonsais e escala evolutiva, possuía uma quantidade impressionante de exemplares e espécies. Muita gente também usava o local para prática de corrida e piqueniques.

 

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Para não perder o pique, parei em outra estação próxima para conhecer o MacRitchie Reservoir Park. Beirando o reservatório percorria uma trilha, com macacos curiosos, tartarugas e lagartos à vista.

 

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Por fim, as belíssimas árvores mutantes artificiais do Gardens by the Bay de um lado, e o majestoso hotel em forma de navio suspenso Marina Bay Sands do outro. Uma boa quantidade de turistas mirava suas câmeras para todos os lados, pois não havia um espaço que não valesse a pena fotografar.

 

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Voltei ao também excelente River City Inn, onde ao tomar banho fiquei sabendo de mais um fato impressionante de Singapura. Como praticamente não há fontes de água, o que os obriga a importar da Malásia, eles desenvolveram um sistema chamado NEWater, que produz água potável limpíssima através do tratamento de efluentes por meio de diversas etapas que incluem osmose reversa. Também é grande o aproveitamento de água por dessalinização.

 

13° dia

 

Comecei pelo museu de civilizações asiáticas. Esperava que tivesse mais informações sobre Singapura, mas o foco maior era para os outros povos do Sudeste Asiático. Ao redor do museu havia praças, monumentos históricos e o recentemente despoluído e revitalizado rio Singapura. Ali provei um delicioso ice cream sandwich, ícone do Android 4.0.

 

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Por sorte, estava num dos países mais ligados em tecnologia. Assim, não foi difícil achar um centro de compras especializado nisso, onde consegui comprar outra bateria para a câmera, dessa vez japonesa.

 

Enquanto esperava o horário para entrar de graça no museu nacional, fui a Little India, reduto indiano onde era possível comprar muitas coisas baratas, e onde havia muito ouro. Claro que me restringi ao artesanato.

 

De volta ao museu, a mesma exposição que havia assistido no mês anterior em Porto Alegre, do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, estava ocorrendo ali. Muito bom ver um compatriota se destacando assim.

 

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Depois de percorrer outras salas, voltei à beira-mar, dessa vez para admirar a Singapore Flyer, a 2ª maior roda gigante do mundo, a frente da London Eye. Junto a ela fica o circuito de rua de Fórmula 1. Como sou grande fã, foi emocionante caminhar pelas pistas e reta dos boxes.

 

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14° dia

 

O pouco tempo que tinha nesse dia foi ocupado pelos jardins chineses e japoneses, uma porção de área verde com pagodas, estátuas de Confúcio, do horóscopo chinês, lagos e aves aquáticas soltas.

 

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Tive que seguir voo para Krabi sem conhecer o parque de diversões e aquário de Sentosa, e o recife de corais fóssil de Chek Jawa. Ainda assim, considero como o lugar que mais gostei da viagem, ainda voltarei para lá.

 

De volta à Tailândia e novamente em uma vila de pescadores, Krabi tem esse nome justamente pelos caranguejos, que junto aos incríveis peixes gobiídeos que possuem respiração cutânea e saltam com as nadadeiras em terra, estão presentes por todas as partes dos manguezais que cercam a cidade.

 

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Uma caminhada pela costa revelou que a cidade era mais do que manguezal. Uma grande quantidade de pessoas praticava esportes por ali: corrida, badminton, basquete e até futsal, muito diferente de Bangkok.

 

15° dia

 

Finalmente chegara o destino mais esperado da viagem. Uma balsa levaria até Koh Phi Phi Don, uma paradisíaca ilha no mar de Andaman. Paradisíaca sim, mas muuuito turística. O desembarque parecia um corredor polonês, tamanha era a quantidade de gente vendendo passeios de mergulho, artesanatos e outros serviços menos lícitos às várias centenas de mochileiros que chegavam. Esquivei-me rapidamente pelas ruelas e cheguei no Blanco Beach Bar, que ficava na praia do outro lado da ilha.

 

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Peguei o equipamento de snorkel e segui para um dos pontos que havia registrado como passíveis de mergulho. O que não contava era com o morro interminável e as diversas curvas que tornaram o trajeto bem mais longo do que o planejado. Ao chegar à Long Beach me atirei direto na água, que estava com uma boa temperatura, e fui atrás do ser que procurava. Um pescador disse que havia visto 5 deles por ali. Nadei bastante, fui até uma ilha rochosa próxima e nada, apenas poucos corais danificados em meio a areia e algumas dezenas de espécies de peixes. O que abundava ali eram os pornográficos pepinos-do-mar. Nemo e seus amigos protegiam-se em meio à anêmona.

 

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Depois de brincar com uma água-viva rosa já estava retornando, quando enfim dei de cara com a tal criatura, o tubarão-de-pontas-negras-do-recife. Com cerca de 1,5 m, o animal parecia ter mais medo de mim do que eu dele, apesar de ser uma espécie que às vezes morde um ou outro mergulhador. Persegui ele por um tempo, até que suas nadadeiras se provaram mais eficientes que as minhas, e então ele sumiu.

 

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Retornei ao centro pelo mar, o que provou ser bem mais rápido que por terra. Caminhei pelo entorno um pouco, até que no fim da tarde resolvi arriscar um mergulho na praia onde ficava a hospedagem em Loh Dalum Bay. A maré havia recuado centenas de metros. Quando cheguei à parte subaquática segui pelo costão esquerdo até que quando fiz a curva saindo da baía comecei a ver os primeiros sinais de recifes desenvolvidos. Ouriços pontudíssimos, corais multidimensionais, mexilhões gigantes associados a zooxantelas, grandes cardumes das mais variadas e coloridas espécies, lírios-do-mar e até uma lagosta. Como já estava escurecendo não pude ir muito adiante, embora vontade não faltasse, pois quanto mais me afastava da civilização, maior ficava a biodiversidade.

 

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Voltei à terra, e parece que nessa hora meu corpo começou a se entregar, pedindo para voltar para casa. Como o grave do som não me deixou descansar em paz, aguentei e parti para a última noite, que foi a melhor. Na praia mesmo aglomeravam-se os mochileiros, assistindo aos shows de fogo que os nativos apresentavam, junto com muito som e bebida. Conheci vários brasileiros, como não tinha visto ao longo de toda viagem. Provei o tal do baldinho alcoólico e aprovei. Conheci também várias gringas e a festa se estendeu até o dia amanhecer.

 

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16° dia

 

Acordei e fiz o último mergulho, no mesmo lugar da última vez. E então começou a odisseia rumo a Canoas, Brasil. Saí no começo da tarde na balsa até o porto de Phuket, onde tomei uma van para o aeroporto. Esperei lá por horas até o voo para Bangkok. De lá, entrei num transfer até o outro aeroporto da cidade, onde fiquei mais uma madrugada semi-dormindo.

 

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17° dia e final

 

Depois de um pit-stop no mercado do aeroporto, segui para Tóquio e depois Detroit. A essa altura já estava totalmente desorientado no tempo. Achei melhor não sair do aeroporto dessa vez, pela péssima experiência que tive na ida e pelo atraso do voo, então fiquei atirado em uma poltrona até a ida a São Paulo. Não consegui dormir praticamente nada na volta. Parei na longa fila da imigração, comprei uns itens no Duty Free e fui a Porto Alegre, de onde peguei um trem direto para o trabalho. Praticamente 3 ciclos de dia e noite depois, cheguei ao destino final (não faço ideia de quantas horas deu isso), completamente acabado mas satisfeito de que praticamente tudo deu certo, e já pensando na próxima viagem...

 

Ps: Se você curtiu as dicas, quer economizar ainda mais, conhecer outros destinos e apoiar novas relatos, não deixe de conferir meu blog! http://www.rediscoveringtheworld.com ::otemo::

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É incrível como todo mundo se encontra pelo sudoeste asiático! rs

Fomos na mesma época e reconheço dois brasileiros na foto da balada em Phi phi, o pablo que conheci lá e o o outro que acabei conhecendo em Kuala Lumpur! ::otemo::

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Sabendo inglês é tranquilo, sim, principalmente se os destinos forem cidades turísticas. Só tive um pouco de dificuldade em Surabaya, mas a gerente do albergue que fiquei falava inglês.

 

Bota coincidência nisso, haha! E olha que foi praticamente só em Koh Phi Phi que encontrei outros brasileiros!

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Muito bom o relato ! ::otemo::

 

é possivel listar os sites dos hostel / hotel que você ficou e se recomenda ?

 

Estou meio perdido com relação aos vistos...

 

Abs !

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Valeu! ;)

 

As hospedagens foram os seguintes:

HI Mid Bangkok - Bangkok

Yesinn @Causeway Bay - Hong Kong

Suzie's Guesthouse and Hostel KL - Kuala Lumpur

Krowi Inn - Surabaya

Bamboo Paradise - Padang Bai (Bali)

Warung Coco Hostel - Kuta (Bali)

River City Inn - Singapura

Pak-Up Hostel - Krabi

Blanco Beach Bar - Koh Phi Phi

 

Apesar de nem todos serem hostels, eu os recomendo

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Irada a viagem, parabéns!

 

pode falar o custo total? incluindo, passagens, hospedagens e alimentação.

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Obrigado!

 

Eu paguei uns 2 mil reais de ida e volta, mas peguei uma promoção logicamente. Os deslocamentos de um país para outro foram todos através da AirAsia, em média a 40 dólares o trecho.

 

Quanto a hospedagem, os albergues e semelhantes custaram cerca de 10 dólares a diária, exceto por Hong Kong e Singapura, que custaram o dobro.

 

A alimentação foi bem barata nesses países, até 5 dólares o prato, tirando os dois países já mencionados.

 

Os gastos com lazer e extras eu não lembro, mas já dá pra ter uma ideia assim.

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