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Trip Pico da Bandeira

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Texto originalmente publicado em meu blog, no dia 1º de Agosto de 2001.

http://www.holococos.vardump.com/index.php?p=1&mes=2001_08_01_archive.php#4860005'>http://www.holococos.vardump.com/index.php?p=1&mes=2001_08_01_archive.php#4860005

 

Saí de SJdR na sexta feira 9:30 e cheguei no acampamento do pico da bandeira às 21:00. Viajar de Toyota só é divertido quando ela está saculejando e fazendo barulho. O Daniel tinha imprimido um roteiro de viagem do Guia 4Rodas. Muito bom, com as cidades, o tempo, o combustível, a kilometragem e as estradas que percorreríamos. Na sexta a gente chegou super cansado, arrumamos as 3 barracas, a "cozinha", fizemos uma janta e fomos dormir. Eu ainda fiquei conversando com as 9 minas que foram lá de carro, só com um pouco de agasalho, velas e comida. Iriam subir o pico naquela noite de madrugada, 2:30. Eu queria ter ido, a lua estava no céu e não havia uma única nuvem. Era possível ver as estrelas, Marte e todas aquelas estrelas cadentes que caem o tempo todo.

 

 

Acordei no sábado, fizemos um super lanche com pão, presunto, queijo, manteiga, leite, café, cappuchino (capuccho!), laranja, banana, maçã, biscoitos... Fomos depois pras cachoeiras lá perto, no parque mesmo. Tinham 2 que valiam a pena e fomos nelas. A primeira cachoeira era pequena, mas tinha uns lagos muito gelados. Tava tão frio no dia que não valia a pena nadar, mas eu tinha dito pro Rafael que eu nadaria se ele nadasse também... Na volta eu cortei minha perna na altura do joelho... único machucado sério na viagem inteira. Na segunda cachoeira o pai do Marcelo & Daniel & Rafael nadou também. Andamos no meio do mato por uns 10 minutos antes de chegar lá. Quando já estávamos voltando para o acampamento passou por nós a caminhonete do pai de uma das minas de sexta, de Espera Feliz, com todas aquelas minas na caçamba, super cansadas. Elas tinham gasto 5 horas pra subir até o Pico da Bandeira e umas 3 pra descer. Chegamos no acampamento, fizemos o almoço e íamos jogar truco, mas acabou que todo mundo dormiu, menos o Marcelo. Rafael, Alessandro e Daniel na barraca grande e eu na porta dela, esticado no saco de dormir. Acordei já de noite, com umas 6 pessoas cantando e fazendo barulho perto do banheiro, fui lá e voltei pro saco de dormir, só que dessa vez na minha barraca mesmo. Acordamos de madrugada, fizemos a janta, que estava uma delícia e nos preparamos pra subir o pico.

 

Às 2 horas começamos a subir. A animação era tanta que a gente nem ligou pras nuvens no céu. Nem dava pra ver as estrelas e a lua estava encoberta. O Paulzinho levou a mochila 72 litros dele com biscoitos, pães, café, água, roupa e outras coisas também. A gente subia no escuro, só com a luz de 5 lanternas (o Marcelo ficou sem lanterna), seguindo os pauzinhos brancos, os X e as setas brancas. A subida era íngreme e cansativa, paramos diversas vezes para descansar, principalmente o pai do Marcelo & Rafael & Daniel, que estava com a mochila. Chegou um ponto em que a lanterna fazia um faixo de luz branca no céu, de tanta neblina. A gente só via uns 50 metros, iluminados pela lanterna, e mais nada. Não sabíamos se estavamos pra norte, sul, leste ou oeste, nem se estávamos em um vale, no topo de um morro ou em uma encosta. Em um ponto, chegamos a ter de ajudar um grupo, que foi pra frente enquanto a trilha virava abruptamente pra esquerda, mas eu acho que se eles não tivessem perdidos e dizendo que não tinha marca onde estavam, a gente teria ido pro mesmo lado. Naquele ponto a trilha, no mato, acabava em cima de um chão de pedra, de uns 20 metros, cercado de mato pros outros lados, como a trilha era reta até aquele ponto, o normal era continuar reto, mas na esquerda, na entrada do mato, tinha uma seta.

A pior (ou mais emocionante) parte da subida foi quando chegamos em um "platô" de pedra, a neblina era tão forte que o facho da lanterna não iluminava mais de 3 metros. A pilha da minha lanterna estava fraca e eu tinha ido na frente até aquela hora. Achamos um X em uma pedra e ficamos rodando em volta do X, pra frente, tentando achar a outra marca. Na hora começou a chover, tive de colocar minhas duas blusas por baixo da blusa preta impermeável. Meus dois gorros ficaram molhados, minha calça ficou molhada até as coxas, meus óculos embaçavam e ficavam molhados. Ventava muito e estava muito escuro, a gente gritava e ninguém respondia. Pra direita tinha um paredão de pedra, pra esquerda tinha um penhasco, a gente só via a neblina e quanto mais íamos pra esquerda mais inclinado ficava e pra frente era uma descidona com muito mato. O Rafael, Marcelo e Alessandro assentaram em uma pedra, encolhidinhos, um do lado do outro e eu, o Daniel e o Paulo ficamos rodando, procurando a próxima marca. O problema era que a pedra era preta e as marcas brancas, mas tinha muito musgo branco no chão e sempre que pensávamos ter achado a marca, quando chegávamos perto, víamos que era musgo. Ficamos parado lá por meia hora. Só saímos quando eu, indo pra frente, em direção ao mato, ví uma reta branca em um pedaço do paredão da esquerda. Subí lá pra ver o que era e tinha realmente uma seta, de uns 15cm, que mandava ir pro lado. Mais pro lado tinha outra seta que mandava subir o paredão. O problema da primeira seta era que ela estava em um mini platô no paredão, mais alto do que nós e não dava pra ser vista, já que estava no chão. Se ela tivesse pintada na parede do paredão seria bem mais fácil.

Já não dava mais pra eu ir na frente, já que minha lanterna estava fraca e meu óculos embaçados. O Daniel foi na frente até quando chegamos em um ponto com pouca marcação e neblina muito forte. A estratégia que tomamos foi seguir um do lado do outro, distanciados, para frente, procurando a seta, quanto um achava a fileira se dirigia pra lá e começavamos a procurar a próxima marcação. Andamos mais um tempo até já poder escutar a falação de pessoas, que devia estar no pico. Quando chegamos em uma pedra e tinham lá umas 4 pessoas descansando percebemos que estávamos perto. O dia já estava ficando claro e nada de neblina desaparecer. Fomos subindo um morro e depois a subida ficou bem íngreme, no meio das pedras. Pensamos que já estávamos a uns 200 metros do pico, mas caímos na realidade quando, a uns 100 metros mais alto que nós, vimos uma lanterna piscando. A subida foi fácil, estávamos querendo chegar no pico e a neblina já não estava um branco tão negro e tão próximo, já foi possível apagar as lanternas nesse ponto. Quando chegamos lá eu fiquei impressionado com a quantidade de pessoas. Tinha um plano de cimento, de uns 10 metros quadrados, onde antigamente tinha uma casa de madeira que foi queimada por uns turistas que estavam com frio... Subi os 3 últimos metros que faltavam pra chegar no cristo e na torre e nos escondemos entre uma pedra e outra. Tive de improvisar uma luvas, colocar minha mão nos bolsos, tirar um dos gorros, que estava molhado (chegou a ter cristais de gelo). Ventava muuuito! A temperatura estava -2ºC. Por entre as neblinas conseguimos avistar outra parte do pico, que não tínhamos visto por causa da neblina. Lanchamos e fomos até lá, o cruzeiro, no 3º ponto mais alto do Brasil. Ventava e fazia tanto frio que só ficamos um pouco, tiramos umas fotos e começamos a descer.

 

A descida foi bem mais fácil. Estava claro, não precisávamos da lanterna e era só descida. No caminho todo, só tivemos de subir uma vez... imagina na hora de subir o pico! Erramos só uma vez, agora era possível ver mais que 10 metros na nossa frente, mas mesmo assim a neblina não tinha ido embora e não conseguíamos ver os morros ao nosso redor. Quando deu pra ver por entre a neblina um vale coberto de nuvens e morros, paramos pra tirar fotos, comer, tirar um pouco das blusas e depois descemos mais. Fomos chegar no acampamento depois de 2 horas e meia de caminhada... Tomei meu segundo banho (gelado, gelado, gelado) na viagem e fui dormir, de cueca mesmo, no saco de dormir eu não ia sentir frio nem calor.

O Paulzinho acordou a gente pra almoçar, almoçamos, pegamos a Toyota e fomos pro Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça. Depois de rodar quase 2 horas em estrada de terra. Tivemos muuuuuita sorte, pois em cada cruzamento em que passamos, encontramos alguém a pé, ou de cavalo ou de bicicleta ou de carro que poderia nos dar informações. A cachoeira da fumaça é muuuuuito grande e tem muuuita água. Mesmo agora no Inverno. Lá estava deserto e é muito bonito, tem uma área de camping super legal, com churrasqueiras e tudo... Fizemos um lanche lá e depois voltamos pro camping. Depois de mais quase 2 horas por estrada de terra chegamos na portaria do parque pela segunda vez e pela segunda vez estava de noite. Subimos os 9km da portaria até o camping sacolejando e sacudindo e fazendo curvas e desviando de buracos, com tração 4x4 e de primeira/segunda. O Marcelo, que não tinha dormido no sábado antes de subirmos o pico e de manhã dormiu pouco, estava incomunicável e foi dormir... na verdade todo mundo foi dormir e eu fiquei fazendo a janta com o Paulzinho, depois de acender a fogueira, é claro. Ele com a pinga, eu com o vinho, foi um "fast food", como disse ele, já que quando ficou pronto todos (menos o Daniel) levantaram, comeram e voltaram a dormir, até eu.

 

Acordamos na segunda feira de manhã, eu estava morto de sono... lanchamos e fomos aprontando as coisas pra saír. Nesse dia íamos para o lado de Minas Gerais do parque. Lá é mais urbanizado, mais organizado e mais bonito, só que mais longe. Demoramos pra arrumar as coisas e só fomos saír lá pelas 9:30. Andamos um monte até chegar na portaria de Minas... de novo passando por cidadezinhas de 3 casas, vilas, estradas e mais estradas de terra que subiam e desciam morros, fazendo curvas por entre as fazendas de café e cercado por plantações de café por todos os lados. Em Minas é tudo melhor... a portaria tinha sido avisada pelo rádio que nós íamos subir, chegamos lá e subimos, evitando aquela burocracia toda. Primeiro fomos no Vale Encantado. Mata Atlântica mesmo! Fomos seguindo um riozinho que descia pelas pedras super super super cristalino. Num dos pontos tinha uma lago gigantesco, clarinho, no meio da floresta e cercado de pedras. Subimos por uma trilha que era quase vertical, no meio da floresta, segurando nas raizes e nos troncos das árvores. Passamos por duas cavernas, uma tão escura, fechada e funda que não conseguimos ver nada lá dentro. Voltamos pela trilhazinha no meio da floresta, não antes de brincar de tarzã num cipó e pegamos a Toyota de novo. E subimos até a Tronqueira, último lugar que o carro subia. Depois disso são 4km de trilha até o Terreirão, onde as pessoas acampam, subindo à pé ou com mulas e mais 5km até o pico, pelo lado de Minas. Pelo lado de Espírito Santo são os 9km de estrada ruim até a Casa Queimada, onde a gente acampou e mais 4km de subida íngreme até o pico, que a gente tinha percorrido à noite. Fomos no mirante, tiramos fotos de quatis e do visual, lanchamos e descemos mais um pouco de Toyota, até a Cachoeira Bonita. Depois de ir na Cachoeira da Fumaça, ela nem é tão bonita assim... decepcionante. Voltamos pra Toyota e descemos a estrada larga, sem buracos e com bloquetes nas descidas mais íngremes. Deu até pra tirar fotos do por do sol, por entre as montanhas.

A gente tinha se perdido uma vez na hora de ir até a portaria de minas, erramos a entrada de São Domingos, isso de dia e de noite a gente acertou o caminho... incrível. Chegamos na portaria do Espírito Santo já de noite e até o momento o menino de 11 anos que tinha se perdido do pai em Pedra Menina (uma cidade) na sexta não tinha sido encontrado... Subimos pela 3ª vez a estradinha de 9km e pela 3ª vez de noite... Foi o primeiro dia que não tomei banho... a água lá é tão gelada, que na hora de lavar a louça os dedos ficam tão gelados que a gente chega a parar de sentir eles, quando eles voltam a ser sentidos, tremem sozinho!

Fizemos o jantar: churrasco, bife à milanesa, arroz, feijão, frango ensopado, abóbora, arroz com ovo e suco, comemos e fomos dormir. Só ficaram acordado eu, o Paulzinho e o Marcelo. O céu estava tão claro quanto estava quando a gente chegou lá, na sexta, a lua estava mais cheia ainda (vai ser lua cheia agora, no dia 4) e iria se por mais tarde ainda. Não sei se por causa do excesso de vinho no sangue, brincando, ou sei lá o que, o Marcelo disse: "Vamos subir de novo?", eu na hora disse: "Vc num sobe!" e 5 minutos depois já estávamos arrumando as coisas pra subir... Peguei as luvas do Rafael, já estava com a calça de lã, a calça jeans da Herig que estava vestindo há quase duas semanas, por cima duas meias, caneleiras de lã, camisa, blusa de gola alta, blusa preta impermeável e os dois gorros. Também achei o capuz impermeável da blusa preta, dobrei meu saco de dormir e coloquei na mochila e o pai do Marcelo disse que tinha uma roupa de chuva dele na Toyota. Que roupa de chuva que nada! Era aquele agasalho vermelho, quase de lona, com borracha por cima, mais duro que couro, que ele usa na Petrobrás. Eu fiquei com a parte de cima e o Marcelo com a calça. Parecíamos dois aventureiros do Alasca... Troquei as pilhas da minha lanterna, coloquei uma lanterna sobresalente na mochila, um saco de biscoitos, a blusa do marcelo e as máquinas fotográficas e enchemos o cantil de couro com água. Eu fiquei na beira da fogueira e o Marcelo dentro da Toyota, ouvindo rádio, como no sábado. Quando eram 2:00 em ponto de Terça Feira, 31/07/01, começamos a subir o morro.

 

Começamos a subir o morro que tem no fim da área de campinga. Ponto inicial de partida, é um dos morros mais íngremes. Nós fomos subindo sem parar, só paramos quando chegamos do lado das Duas Irmãs (uma pedra que tem lá que é partida ao meio), andamos mais um pouco e depois começamos a descer este morro (única descida do percurso). A lua estava no céu e podíamos ver os morros e montanhas ao redor do acampamento. Quanto mais subíamos, mais luzes de fazendas, vilas e cidades nós íamos vendo. O Marcelo ia na frente, com a lanterna dele e eu ai atrás, com a minha apagada, só acendendo quando era necessário, de tanto que a lua iluminava. Eu queria tirar uma foto da lua quando ela estivesse quase no horizonte, grande e brilhante, mas ela ainda estava altinha, pelos nosso cálculo ela só ia se por lá pelas 4 horas. Nessa subida a gente sabia para onde estávamos indo, viamos a lua no leste e os morros que estávamos subindo. Se tivesse visto os morros antes era capaz de termos desanimado, pois são montanhas monstruosas que nós subimos! Com a lanterna iluminando uns 50 a 100 metros, as vezes até mais, tinhamos noção do caminho que estávamos pegando. No domingo de madrugada a gente estava bitolado nos 5 a 10 metros à nossa volta e só... Em uma das curvas que nós fizemos a lua ficou escondida e não a vimos mais... colocar água no cantil foi uma dificuldade! O cantil é de couro e a água desce tão devagar nesse ponto que não tem queda... ele desce escorregando nas pedras e na terra. Eu tive de afundar o cantil em uma poça menos funda que um palmo. Meu gorro verde, que cobre as orelhas e pescoço caiu na água... ainda bem que não era minha lanterna que estava no bolso interno da blusa preta impermeável. Estavamos um pouco depois da metade do caminho. O chato da subida é que vc fica cansado e suando, eu cheguei a tirar minha blusa de gola alta, o gorro verde e abrir o ziper da blusa preta impermeável e da capa de chuva amarela. A parte mais engraçada da subida foi quando eu, na frente, subi um degrau de pedra de quase um metro de altura e depois só escutei um RRRAASG atrás de mim, seguido de um "Rasguei minha calça", eu perguntei "Muito?" e o Marcelo respondeu, depois de uma breve pausa "Bastante", olhei pra trás e estava o marcelo olhando pra um buraco na calça que ia do joelho até a cintura. Na parte em que tinhamos nos perdido no domingo até com a claridade que estava era possível se perder um pouquinho... a seta está muito mais alta que a última marca e no claro é possível ver a altura do paredão. Eu estava sentindo o vento frio no meu corpo e meu corpo quente ao mesmo tempo, foi quando eu percebi que sem a blusa e com os dois zipers aberto, eu estava só com a camisa de manga curta no peito, tratei de fechar o ziper da blusa preta e continuei subindo. Depois desse ponto foi possível ver tudo à nossa volta, as montanhas, as cidades, as estrelas, as estrelas cadentes, os vales... é tão alto e tudo tão bonito... Até o fim da subida nós fomos meio que pelo instinto mesmo, eu andando rápido na frente, procurando setas ou X bem na frente, com o facho da lanterna, que ia bem longe. Também nas partes de mato, onde já estava mais pisado e pelas marcas de terra na pedra. A terra lá em cima é mais preta que carvão e a pedra fica toda marcada. Quando descemos no domingo a gente percebeu que pelo caminho tinham pedras uma em cima das outras, coisa de mão humana e percebemos que era outra forma de marcação, que nos foi útil nessa subida da terça feira. Eu estava querendo chegar lá o mais rápido possível pra poder dizer que fiz em pouco tempo e pra não pegar o dia clariando, como aconteceu no domingo.

 

 

Quando chegamos eram só 4:36, 2 horas e 36 de caminhada. No acampamento a gente tinha ouvido dois caras dizerem que fizeram a subida em duas horas e meia e acharam rápido. E olha que eles fizeram isso de dia! Lá em cima estava tudo escuro e não tinha ninguém! Fomos direto pro cruzeiro, a primeira coisa que fiz foi tirar toda a roupa, inclusive a camisa de manga curta, que estava molhada, e colocar a blusa, seguido da blusa preta impermeável e abrir o saco de dormir. Ventava tanto que tive de colocar meus tênis no saco de dormir antes de entrar nele pra ele não voar, também tive de tirar a blusa preta, que não cabe lá dentro. Talvez até coubesse, mas o que mais eu queria era entrar dentro daquele saco o mais rápido o possível. Fiquei deitado na pedra, olhando pra onde o sol ia nascer, mas depois fui até o cruzeiro e assentei nos degraus dele, dentro do saco de dormir. Minha bunda e meu pé estavam ficando gelados, então coloquei a camisa e a blusa nos degraus, em baixo do saco de dormir, pra me aquecer. O Marcelo estava do meu lado, todo encolhido, com a capa de chuva amarelo, usando o cruzeiro como quebra vento. Eu e o Marcelo começamos a conversar pra evitar de dormirmos e perdermos o sol nascendo, além de chegar atrasado no acampamento, já que estava previsto voltar pra SJdR 9 horas da manhã.

 

 

Estávamos pensando o quanto doido nós éramos pra subir o Pico da Bandeira novamente, não tinha uma alma viva lá em cima, comparando isso com o domingo que estava cheio e não vimos nada, só faltava o tempo fechar. Só para o lado que eu estava olhando, em 180º de visão eu consegui contar 63 pontos luminosos (que não eram estrelas), da pra ver muuuitas cidades lá de cima, alguns pontos eram cidades grandes, outros apenas vilas, outros deviam ser luzes de fazendas, de tão fraquinhas, outros ainda eram cidades atrás de morros, só com as núvens acima da cidade iluminadas. Por fim o horizonte foi começando a dar sinais de que ia clarear e eu resolvi sair do saco de dormir, meus pés até doeram quando eu pisei na pedra fria. Começamos a ouvir vozes e eu coloquei a blusa preta e a capa de chuva amarela. Era difícil até de andar com ela, de tão grossa. O sol foi nascendo, foi aparecendo mais gente, umas 9 no total, os morros foram surgindo à nossa volta, as estrelas continuavam persistentes no céu... Entre as pessoas estava um fotógrafo profissional e seus amigos, com câmera reflex, tripé e tudo mais. Ele tirou umas fotos pra gente e deu várias dicas de como usar a câmera do Marcelo (a minha é ruim e simples pra caramba e só tinha mais 3 fotos). Lá de cima a gente consegiu ver as duas irmãs... pena que não tinhamos levado o binóculo... No oeste tinha muita nuvem, parecia uma geleira, espessa pra caramba! No norte tinha um vale verdinho verdinho, deve ser o Vale Encantado, onde fica a Cachoeira Bonita, no lado de Minas Gerais, pq se for pensar bem, as Duas Irmãs fica no sul... Júpiter e Saturno ficam um tempo no céu, antes de sumirem, a coloração do céu no oeste fica azul escuro, roxo, rosa, lilaz, alaranjado, amarelo e azul claro. No leste as nuvens vão baixando e as montanhas vão aparecendo, cada vez é possível ver mais pedaços de montanhas no meio das núvens, incluindo um vale grandão, sem montanha nenhuma, só núvens.

 

Por fim decidimos descer, eram 6:36 da manhã, fazia exatamente 2 horas que havíamos chegado. A descida foi mais fácil, tendo as duas irmãs como referência, era só andar na direção dela, seguindo a trilha, fomos andando bem rápido mesmo, já haviamos subido uma vez no escuro com neblina, uma no escuro e descido uma no claro com neblina longe, descer no claro e vendo todos os morros em volta inclusive as duas irmãs foi facinho. Depois de descer um pouco, a gente viu gelo no chão. Tinha geado e a parte com mais geada foi justamente onde nós nos perdemos no domingo... cheguei até a tirar foto. Toda aquela trilha antes pretinha agora toda branca. Os galho de árvores estavam brancos (tinha pouca árvore, mais era galho mesmo), a terra estava branca, os arbustos e os matos, as flores e até algumas pedras. Em uma parte eu me sentia na Rússia, com todo aquela brancura e um barro preto no chão, fiz questão de pisar no barro. Quando chegamos no acampamento era 8:02, fizemos o percurso de volta em 1 hora e 25 minutos. Menos que o 1 hora e meia, de dia, "dos caras" . Peguei minha toalha minha mochila, que já estava feita e corri pro banho. Gelado, gelado, gelado pra caramba!!!! Saí do banho e, só de toalha, estava sentindo calor... de tão gelada a água.

 

 

O pessoal no acampamento estava acordando ainda... Eles tinham lavantado mais cedo, só que tinha neve no chão e as barracas estavam molhadas, tava tão frio que voltaram pra barraca. Fiz um lanche e ajudei a arrumar as coisas, rearrumei minha mala, ajudei a colocar as coisas na Toyota e saímos do parque. Minhas pernas estavam doendo de tando andar, a vontade que eu tinha era de nunca mais subir o pico... O Rafael e o Paulzinho disseram que tinha sido a noite mais fria desde que tinham chegado. Agora eu já sei que o pé frio da viagem não fui eu ou o Marcelo. Na portaria tiramos uma foto do lado da Toyota e da placa do Parque Nacional do Pico da Bandeira.

 

 

Na volta ainda passamos na Cachoeira do Chiador, alí pelas bandas do parque, segundo um dos minhocas (gente da terra, que mora por alí): "adrenalina pura". E num é que é mesmo? Depois de andar "uns 500 metros à pé" (disse um garoto, minhoca também) por uma trinha dentro de uma fazenda que pra chegar tinha de "subir nas banda (sic) do morro" (segundo uma minhoca). É uma cachoeira em uma pedra de uns 200 metros e a água desce deslizando por ela. Eu estava só de calça de moletom (as outras estavam todas sujas) e fiquei só olhando. O Rafael, o Alessandro e o Paulziho foram e desceram, eu acabei pegando o short do Paulzinho e fui também, é muito bom! São vários obstáculos. O primeiro é a água geladíssima. O segundo é sair da água e subir na pedra, que está inclinada uns 45º mas cheia de lodo e não tem pegas. O terceiro desafio é chegar em algum ponto da cachoeira um pouco longe da margem, senão vai de bunda num degrauzinho de uns 5cm (como o Alessandro fez). Depois de assentar na margem da pedra e ir andando de lado, como um caranguejo, com a bunda na água/lodo eu consegui chegar um local e desci. Vc nem sente a pedra, parece que fica entre a água e a pedra, muito bom, e olha que só desci uns 5 metros. Na segunda vez eu fui dar um de "esperto", descer uns 10 metros e fui escorregando pertinho da margem, só consegui parar quando coloquei o pé no degrau. Voltei pros 5 metros, escorreguei de novo e saí de lá, depois de algum tempo tentanto sair sem sucesso ou todo sujo de lodo, só consegui sair limpo quando nadei até uma pedra que estava no meio do poço e de lá fui pulando de pedra em pedra até chegar na margem.

 

 

Quando cheguei na Toyota o Marcelo já estava lá, morto de cansaço. Ele nem o Daniel tinham nadado. Fui dormindo/cochilando/descansando de olhos fechados metade da viagem, até a segunda parada, quando deixei de ser zumbí. Chegamos em SJdR 8:15, cheguei em casa mais ou menos 9 horas... tava morto de cansaço, tomei um litro de leite, um pouco de uma sopa que minha mãe tinha feito, lí sobre o gerbil (esquilo da mongólia, algo assim) que meu irmão comprou e fui dormir, sem banho nem nada, só de cueca e dentro do meu saco de dormir.

 

--

Henrique Cintra

ICQ: 5626854

blog: http://www.holococos.vardump.com

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De carro da pra leva ate um freezer gelado d cerveja hahhahahahahahahahahahaahhaahahahah

mais kem nao tem carro vai de DEDAO!!!!

[]s pro cs ai.....

 

 

 

Editado por - dete on 05/05/2004 04:39:53

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HOLOCOCOS,

QUE BELA VIAGEM E ESPERO EM AGOSTO FAZER ESSE PEDAÇO DO BRASIL QUE DESAFIA A MUITOS E POUCOS SÃO OS QUE CHEGAM LA E VE SUA REEAL BELEZA.

 

VALEU PELA AVENTURA CONTADA!!!!

ROGERIO FELIX!

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