Ainda que seja verdade que algumas vezes expedições montadas improvisadamente tenham dado certo, só a existência das possibilidades de fracasso deveriam ser motivo suficiente para que o viajante faça uma cuidadosa preparação do veículo a ser usado.
Um 4x4 novo tem muitas vezes menos chance de sofrer pane mecânica do que um velho, mesmo se bem conservado, já que a fadiga das peças torna quase impossível trocar todas que possam apresentar problemas. Assim, iniciando com um veículo aparentemente em bom estado, deve-se antes de mais nada fazer uma profunda revisão de toda a parte mecânica e elétrica.
Para esta revisão completa pode-se usar um concessionário autorizado de confiança, mas somente naqueles em que se tenha fé nos mecânicos individualmente, coisa nada fácil nestes tempos de oficinas “fechadas” aos clientes. Pode-se também escolher uma oficina independente de sua confiança, desde que o chefe da oficina consiga entender o esforço que o veículo sofrerá durante o trajeto.
Um bom estoque de peças de reposição deve ser levado à bordo, e os chefes de oficina e encarregados dos almoxarifados de peças (que sabem quais quebram mais facilmente) podem dar ótimos conselhos para o modelo do seu 4x4.
Até alguns anos atrás a histórica fábrica do Land Rover na Inglaterra oferecia listas para um bom kit de socorro para expedições, levando em conta a distância a ser percorrida e o tipo de terreno enfrentado. Haviam “kits” para 50 mil km ou 100 mil km que foram montados baseados nas principais ocorrências mecânicas das expedições montadas nos últimos anos com patrocínio da fábrica.
Depois, com o mercado mais selvagem que se criou nos últimos tempos depois dos japoneses entrarem para valer na briga pelo cliente 4x4, deve ter ocorrido aos “marketeiros” das fábricas que estas listas poderiam dar a impressão de que os veículos eram fracos e de que todas aquelas possíveis panes realmente ocorreriam.
Nunca mais ouvi falar destas excelentes listas, mesmo sabendo que a maioria das peças que os viajantes levavam jamais foram utilizadas.
Acessórios
Os acessórios são outra fonte de grandes debates.
Por exemplo, o guincho é útil? Na minha opinião, apesar de absurdamente caros, os guinchos, principalmente elétricos são muito importantes e praticamente indispensáveis se a viagem for feita com um só veículo.
Se é verdade que 95% das vezes que usei meus diferentes guinchos foi para desatolar outros veículos, os 5% que foram para retirar a mim mesmo de frias, muitas vezes garantiram a minha própria sobrevivência. Isto foi o que aconteceu quando atolei com um Land Rover na areia da praia misturada com algas, no litoral do deserto do Saara em plena Mauritânia, a 250 km de qualquer ajuda, onde se não fosse o guincho não sei se estaria aqui para escrever estas linhas.
Dois faróis extras, de longo alcance, são também fundamentais, e que saudades tenho do modelo “Oscar” que era fabricado pela Cibié aqui no Brasil.
O bagageiro é outra necessidade imperativa. Deve-se optar por um que seja principalmente forte, e caso você não confie nos frágeis com cara de parrudo que estão aí à venda no mercado nacional, faça você mesmo o seu usando os resistentes porém leves tubos de metalon, que podem ser encontrados até em pequenas cidades do interior.
Barracas
A barraca de teto é outro acessório que deve ser levado à sério.
Descobri a utilidade destas barracas também no Saara, onde 8 em cada 10 viajantes leva uma no bagageiro. Até hoje tenho uma comprada na Itália em 1988, que já viajou centenas de milhares de quilômetros em diversos continentes provando-se de mil e uma utilidades, nos momentos mais delicados. Dormir bem ajuda a manter o moral elevado em qualquer viagem.
Fundamental também é um kit de ferramentas que possa ser usado para instalar a maioria das peças levadas, já que para trocar todas elas seria necessário uma caixa pesada demais, e nunca se deve menosprezar o fator “peso” na performance de um 4x4 em situações extremas.
Assim, lembre-se de levar o dobro do dinheiro previsto e a metade da bagagem, incluindo nisso a pessoal, afinal viajante não precisa estar elegante o tempo todo. A questão dos pneus é outra que causa grandes discussões, porque enquanto uns preferem pneus bem largos como os que desfilam inúteis pelo asfalto das cidades, há quem prefira os mais estreitos porque por terem até 20% a menos na área de contato com a estrada, tem portanto menos chance de furar num prego ou pedra.
E afinal, numa viagem de longo curso, a esmagadora maioria dos pisos será trafegável até por pneus de série, que custam muito menos do que estes largos. E convém lembrar que durante décadas de viagens em 4x4 pude perceber que os viajantes mais experimentados usam pneus com muitas lonas e pouca largura, fáceis de serem encontrados em qualquer lugar do mundo.
Já imaginaram ter um pneu larguíssimo rasgado num lugar primitivo e ter que comprar um que os 4x4 dos nativos usam, e andar capenga não sei quantos dias?
FONTE: Campos do Jordão
http://www.camposdojordao.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=41&Itemid=1
Ainda que seja verdade que algumas vezes expedições montadas improvisadamente tenham dado certo, só a existência das possibilidades de fracasso deveriam ser motivo suficiente para que o viajante faça uma cuidadosa preparação do veículo a ser usado.
Um 4x4 novo tem muitas vezes menos chance de sofrer pane mecânica do que um velho, mesmo se bem conservado, já que a fadiga das peças torna quase impossível trocar todas que possam apresentar problemas. Assim, iniciando com um veículo aparentemente em bom estado, deve-se antes de mais nada fazer uma profunda revisão de toda a parte mecânica e elétrica.
Para esta revisão completa pode-se usar um concessionário autorizado de confiança, mas somente naqueles em que se tenha fé nos mecânicos individualmente, coisa nada fácil nestes tempos de oficinas “fechadas” aos clientes. Pode-se também escolher uma oficina independente de sua confiança, desde que o chefe da oficina consiga entender o esforço que o veículo sofrerá durante o trajeto.
Um bom estoque de peças de reposição deve ser levado à bordo, e os chefes de oficina e encarregados dos almoxarifados de peças (que sabem quais quebram mais facilmente) podem dar ótimos conselhos para o modelo do seu 4x4.
Até alguns anos atrás a histórica fábrica do Land Rover na Inglaterra oferecia listas para um bom kit de socorro para expedições, levando em conta a distância a ser percorrida e o tipo de terreno enfrentado. Haviam “kits” para 50 mil km ou 100 mil km que foram montados baseados nas principais ocorrências mecânicas das expedições montadas nos últimos anos com patrocínio da fábrica.
Depois, com o mercado mais selvagem que se criou nos últimos tempos depois dos japoneses entrarem para valer na briga pelo cliente 4x4, deve ter ocorrido aos “marketeiros” das fábricas que estas listas poderiam dar a impressão de que os veículos eram fracos e de que todas aquelas possíveis panes realmente ocorreriam.
Nunca mais ouvi falar destas excelentes listas, mesmo sabendo que a maioria das peças que os viajantes levavam jamais foram utilizadas.
Os acessórios são outra fonte de grandes debates.
Por exemplo, o guincho é útil? Na minha opinião, apesar de absurdamente caros, os guinchos, principalmente elétricos são muito importantes e praticamente indispensáveis se a viagem for feita com um só veículo.
Se é verdade que 95% das vezes que usei meus diferentes guinchos foi para desatolar outros veículos, os 5% que foram para retirar a mim mesmo de frias, muitas vezes garantiram a minha própria sobrevivência. Isto foi o que aconteceu quando atolei com um Land Rover na areia da praia misturada com algas, no litoral do deserto do Saara em plena Mauritânia, a 250 km de qualquer ajuda, onde se não fosse o guincho não sei se estaria aqui para escrever estas linhas.
Dois faróis extras, de longo alcance, são também fundamentais, e que saudades tenho do modelo “Oscar” que era fabricado pela Cibié aqui no Brasil.
O bagageiro é outra necessidade imperativa. Deve-se optar por um que seja principalmente forte, e caso você não confie nos frágeis com cara de parrudo que estão aí à venda no mercado nacional, faça você mesmo o seu usando os resistentes porém leves tubos de metalon, que podem ser encontrados até em pequenas cidades do interior.
A barraca de teto é outro acessório que deve ser levado à sério.
Descobri a utilidade destas barracas também no Saara, onde 8 em cada 10 viajantes leva uma no bagageiro. Até hoje tenho uma comprada na Itália em 1988, que já viajou centenas de milhares de quilômetros em diversos continentes provando-se de mil e uma utilidades, nos momentos mais delicados. Dormir bem ajuda a manter o moral elevado em qualquer viagem.
Fundamental também é um kit de ferramentas que possa ser usado para instalar a maioria das peças levadas, já que para trocar todas elas seria necessário uma caixa pesada demais, e nunca se deve menosprezar o fator “peso” na performance de um 4x4 em situações extremas.
Assim, lembre-se de levar o dobro do dinheiro previsto e a metade da bagagem, incluindo nisso a pessoal, afinal viajante não precisa estar elegante o tempo todo. A questão dos pneus é outra que causa grandes discussões, porque enquanto uns preferem pneus bem largos como os que desfilam inúteis pelo asfalto das cidades, há quem prefira os mais estreitos porque por terem até 20% a menos na área de contato com a estrada, tem portanto menos chance de furar num prego ou pedra.
E afinal, numa viagem de longo curso, a esmagadora maioria dos pisos será trafegável até por pneus de série, que custam muito menos do que estes largos. E convém lembrar que durante décadas de viagens em 4x4 pude perceber que os viajantes mais experimentados usam pneus com muitas lonas e pouca largura, fáceis de serem encontrados em qualquer lugar do mundo.
Já imaginaram ter um pneu larguíssimo rasgado num lugar primitivo e ter que comprar um que os 4x4 dos nativos usam, e andar capenga não sei quantos dias?