Um sábado pela manhã estava dividido entre ir ao centro da cidade ou seguir pela avenida á frente. Decidi caminhá-la até o final. Bairro de Boa Viagem, Recife, palco diferente do que costumava percorrer. Era a Avenida Conselheiro Aguiar, seis mil metros de calçada, às dez horas da manhã.
Já passando do número mil e um, chamou a atenção uma loja de roupas (Product). Disponibilizaram quadros da artista plástica Guita Charifker. Rendeu uma boa olhada, fato que me deixou atento para os detalhes das aquarelas.
Voltei à calçada e no trajeto, um conjunto de lojas chamado, Galeria Trade Center. Não se restituiu ali o 11 de setembro e sem me expor à fragilidade e ao medo, encontrei lá dentro, uma casa de café chamada Quituteria. Estava com vontade de saborear um expresso e não ficou só nisso. No local, as pessoas se queixam de saudades, tem fotos antigas nas paredes. Deve ter sido um ambiente idealizado para lembrar a nostalgia de Buenos Aires.
Nessa mesma galeria ainda foi possível conhecer uma casa de cds chamada Le Disque. É uma escola de grandes obras da música: blues, jazz, mpb e eruditos. A loja tem um quê de músicas pra quem pretende radicalizar em qualidade.
Vou danado pra Catende, ou melhor, Canindé, não, não, pra calçada. Encontro uma exposição já em outra loja, na boutique "People", número 1212. Estava indicando logo na entrada, obras do artista Ferreira, pratos em cerâmica.
Em seguida vi um acidente de trânsito. Os transeuntes pararam e fizeram uma reflexão sobre a guerra do Iraque nas ruas do Brasil.
À hora tardia, o sol forte, mas estava motivado pelo espírito de caminhada. A maneira que encontrei naquele dia foi conhecer o novo, revezando as avenidas da capital pernambucana. Um itinerário fora do roteiro tradicional do turismo, lugares distintos que nem imaginava existir.
A caminhada contribuiu para gostar mais e odiar menos essa cidade. Provavelmente voltarei pra não ficar apenas em um passeio pela manhã de dezembro.
Edmilson Vieira é artista plástico e escreve crônicas
PELAS RUAS DO RECIFE
Edmilson Vieira
Um sábado pela manhã estava dividido entre ir ao centro da cidade ou seguir pela avenida á frente. Decidi caminhá-la até o final. Bairro de Boa Viagem, Recife, palco diferente do que costumava percorrer. Era a Avenida Conselheiro Aguiar, seis mil metros de calçada, às dez horas da manhã.
Já passando do número mil e um, chamou a atenção uma loja de roupas (Product). Disponibilizaram quadros da artista plástica Guita Charifker. Rendeu uma boa olhada, fato que me deixou atento para os detalhes das aquarelas.
Voltei à calçada e no trajeto, um conjunto de lojas chamado, Galeria Trade Center. Não se restituiu ali o 11 de setembro e sem me expor à fragilidade e ao medo, encontrei lá dentro, uma casa de café chamada Quituteria. Estava com vontade de saborear um expresso e não ficou só nisso. No local, as pessoas se queixam de saudades, tem fotos antigas nas paredes. Deve ter sido um ambiente idealizado para lembrar a nostalgia de Buenos Aires.
Nessa mesma galeria ainda foi possível conhecer uma casa de cds chamada Le Disque. É uma escola de grandes obras da música: blues, jazz, mpb e eruditos. A loja tem um quê de músicas pra quem pretende radicalizar em qualidade.
Vou danado pra Catende, ou melhor, Canindé, não, não, pra calçada. Encontro uma exposição já em outra loja, na boutique "People", número 1212. Estava indicando logo na entrada, obras do artista Ferreira, pratos em cerâmica.
Em seguida vi um acidente de trânsito. Os transeuntes pararam e fizeram uma reflexão sobre a guerra do Iraque nas ruas do Brasil.
À hora tardia, o sol forte, mas estava motivado pelo espírito de caminhada. A maneira que encontrei naquele dia foi conhecer o novo, revezando as avenidas da capital pernambucana. Um itinerário fora do roteiro tradicional do turismo, lugares distintos que nem imaginava existir.
A caminhada contribuiu para gostar mais e odiar menos essa cidade. Provavelmente voltarei pra não ficar apenas em um passeio pela manhã de dezembro.
Edmilson Vieira é artista plástico e escreve crônicas
Email: dnv01@uol.com.br