Assim seguia na bicicleta: perna pra baixo, perna pra cima. Todo dia na Suíça, a mesma coisa. A vida já estava virando rotina. Parei no cruzamento perto de casa e esperei cinco animais humanos passarem, vinham da escola pedalando na ciclovia. Só os bois correm numa velocidade daquelas.
Não quero dizer que quem provocou o acidente foi o cara da mobilete que também andava na ciclovia, como permite a lei do país, mas a consciência deles foi pra cima, cadernos e pernas na mesma direção e na encruzilhada fiquei esperando a poeira baixar. A vítima estava com cortes, a iniciativa seguinte foi me transformar em enfermeiro da Cruz Vermelha Internacional. O barulho que eles faziam era tanto que mais parecia o antigo Aeroporto Internacional do Recife, todos falavam ao mesmo tempo e ninguém conseguia fazer nada. Escolhi um, para explicar em inglês que poderia levá-los até a casa da família onde estava morando. Isso foi uma solução. Fiz a oferta e o estudante falava em alemão-suiço para aquela que ficou caída no asfalto vivendo um verdadeiro 11 de setembro. Ela recusou o convite desesperadamente. Ele explicou de novo, não sei se fez alguma ameaça de morte naquele idioma bruto, mas ela terminou aceitando. Finalmente a Europa se rende aos conselhos da América do Sul! Todos unidos venceremos os ferimentos.
Para quem me esperava com o almoço, a dona da casa, a senhora Ursula Meyer e sua mãe Elizabeth, apenas tomaram um susto, mas seguindo o estatuto da criança e do adolescente daquele país, foram logo providenciado os primeiros socorros. Um dos estudantes utilizou o telefone para chamar o pai de Michelle. O homem chegou num carrão, tinha jeito de senador da República Federativa do Brasil. Cadê os panfletos de campanha pra gente votar no senhor? Todos embarcaram nos seus veículos e foram embora e nós engavetamos a história junto com o algodão e os esparadrapos.
Pra comemorar a saúde de Michelle, foi servido um autêntico almoço suíço. Depois de recebido o combustível, peguei a bicicleta e uma estrada. Fui trilhar até a cidade vizinha, conquistando 19 quilômetros até Biel-Bienne, mas sem queda. Voltei pra casa e na sala tinha um buquê de flores. O presente foi do tal senador em agradecimento à família.
A senhora Meyer me explicou que na Suíça quando alguém faz um favor, logo se retribui. Contou que uma vez um dos seus animais de estimação fugiu de casa e ela procurou na "região metropolitana" de Morigen, (essa cidade tem apenas 342 habitantes, com 600 anos de existência) e eles consideram nova, comparando com as outras. Um fazendeiro achou a arara e já tinha montado o esquema de levar o animal para o veterinário. No outro dia ela levou uma caixa de chocolates para a família que por estar de prontidão, encontrou a ecologia voando. O motivo do presente é porque na Suíça as pessoas não precisam do favor das outras. No país das instituições financeiras, favor praticamente não existe e eles fazem o repasse de um presente na hora que acontece essa situação.
A ciclovia está em Morigen, aproxima-se Michelle no limite de 120 quilômetros por hora, dessa vez, quem conseguir salvá-la pode solicitar do pai, um buquê de Flores e do Papa, a canonização.
O ACIDENTE DE BICICLETA NA SUÍÇA
Edmilson Vieira
Assim seguia na bicicleta: perna pra baixo, perna pra cima. Todo dia na Suíça, a mesma coisa. A vida já estava virando rotina. Parei no cruzamento perto de casa e esperei cinco animais humanos passarem, vinham da escola pedalando na ciclovia. Só os bois correm numa velocidade daquelas.
Não quero dizer que quem provocou o acidente foi o cara da mobilete que também andava na ciclovia, como permite a lei do país, mas a consciência deles foi pra cima, cadernos e pernas na mesma direção e na encruzilhada fiquei esperando a poeira baixar. A vítima estava com cortes, a iniciativa seguinte foi me transformar em enfermeiro da Cruz Vermelha Internacional. O barulho que eles faziam era tanto que mais parecia o antigo Aeroporto Internacional do Recife, todos falavam ao mesmo tempo e ninguém conseguia fazer nada. Escolhi um, para explicar em inglês que poderia levá-los até a casa da família onde estava morando. Isso foi uma solução. Fiz a oferta e o estudante falava em alemão-suiço para aquela que ficou caída no asfalto vivendo um verdadeiro 11 de setembro. Ela recusou o convite desesperadamente. Ele explicou de novo, não sei se fez alguma ameaça de morte naquele idioma bruto, mas ela terminou aceitando. Finalmente a Europa se rende aos conselhos da América do Sul! Todos unidos venceremos os ferimentos.
Para quem me esperava com o almoço, a dona da casa, a senhora Ursula Meyer e sua mãe Elizabeth, apenas tomaram um susto, mas seguindo o estatuto da criança e do adolescente daquele país, foram logo providenciado os primeiros socorros. Um dos estudantes utilizou o telefone para chamar o pai de Michelle. O homem chegou num carrão, tinha jeito de senador da República Federativa do Brasil. Cadê os panfletos de campanha pra gente votar no senhor? Todos embarcaram nos seus veículos e foram embora e nós engavetamos a história junto com o algodão e os esparadrapos.
Pra comemorar a saúde de Michelle, foi servido um autêntico almoço suíço. Depois de recebido o combustível, peguei a bicicleta e uma estrada. Fui trilhar até a cidade vizinha, conquistando 19 quilômetros até Biel-Bienne, mas sem queda. Voltei pra casa e na sala tinha um buquê de flores. O presente foi do tal senador em agradecimento à família.
A senhora Meyer me explicou que na Suíça quando alguém faz um favor, logo se retribui. Contou que uma vez um dos seus animais de estimação fugiu de casa e ela procurou na "região metropolitana" de Morigen, (essa cidade tem apenas 342 habitantes, com 600 anos de existência) e eles consideram nova, comparando com as outras. Um fazendeiro achou a arara e já tinha montado o esquema de levar o animal para o veterinário. No outro dia ela levou uma caixa de chocolates para a família que por estar de prontidão, encontrou a ecologia voando. O motivo do presente é porque na Suíça as pessoas não precisam do favor das outras. No país das instituições financeiras, favor praticamente não existe e eles fazem o repasse de um presente na hora que acontece essa situação.
A ciclovia está em Morigen, aproxima-se Michelle no limite de 120 quilômetros por hora, dessa vez, quem conseguir salvá-la pode solicitar do pai, um buquê de Flores e do Papa, a canonização.
Edmilson Vieira é artista plástico e escreve. dnv01@uol.com.br