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relato Luang Prabang e o ano novo budista

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CHEGANDO EM LAOS: UM PESADELO EM DOIS CAPÍTULOS

 

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Quando decidimos ir de Chiang Rai para Laos, havia algumas possibilidades: ir de avião – uma hora de voo, mas teríamos que voltar à Chiang Mai (mais três horas de viagem) e pagar R$ 500; de lancha – seis horas perigosas, com o barulho ensurdecedor do motor; de ônibus – 18 longas horas numa estrada ruim; e de barco – 14 horas divididas em dois dias, num ritmo lento, o que nos permitiria trabalhar, ler e dormir, por apenas R$ 150. A opção óbvia seria ir pelos céus, mas por uma questão de custo – e de aventura – resolvemos ir pelo famoso rio Mekong, admirando a paisagem. Como não tínhamos pressa, pareceu ser a melhor alternativa. Não deveríamos ter feito isso.

 

Acordamos às 5h30 de sábado para pegar uma minivan às 6h que, após 1h30, nos deixaria no barco. A van chegou depois de 6h30, já praticamente lotada. A viagem até a fronteira durou duas horas extremamente desconfortáveis. Aí ficamos um tempo na Imigração para retirarmos nosso visto, mais um período aguardando dentro de um ônibus, até que fomos levados a um outro local para pegarmos outra condução. Tudo isso com mochilas nas costas e mais 15 quilos em cada mala. De lá, fomos conduzidos para perto do porto, onde pegaríamos nossas passagens e faríamos reserva para pernoitar depois de sete horas na embarcação.

 

O atendente era muito gentil e atencioso, sempre sorridente, e nos garantiu que nosso hotel era ótimo, que haveria tuk tuks nos esperando no porto, e que não haveria comida no barco nem em outro lugar que não fosse na vendinha diante de seu escritório. Portanto, se não quiséssemos passar fome durante as sete horas seguintes, deveríamos comprar alguns suprimentos ali. Para isso, precisaríamos de kip (a moeda local), então trocamos com ele o suficiente para suportarmos a viagem sem sofrer de inanição. Acreditamos nele – por que não acreditaríamos? -, e rapidamente fomos percebendo que todas essas informações eram falsas. Todas.

 

Em nossa última parada antes de subir no barco, saltamos numa rua com várias tendas cheias de frutas e comidas. Naqueles que gastaram o pouco dinheiro que tinham – comprando porcarias como biscoitos porque era só o que havia na tendinha anterior – começou a surgir o nobre sentimento da indignação. O remédio foi comprar um cacho de bananas, que era tudo o que o nosso pouco dinheiro em kip era capaz de pagar.

 

Às 11h30 zarpamos, praticamente seis horas após subirmos na van. O calor intenso deixava tudo com cara de provação divina. Mas, como o casal simpático de nosso hotel havia dito que o passeio era ótimo, com bancos acolchoados e reclináveis, com uma vista linda e um ventinho gostoso, imaginamos que, uma vez o barco em movimento, seria mais fácil suportar aquela temperatura. Mesmo que por sete horas seguidas num dia e mais sete no outro.

 

Aí veio mais uma surpresa: havia bastante comida e bebida, se você tivesse dinheiro para comprar (não tínhamos). Os bancos eram acolchoados e reclináveis, mas nem tanto, e não poderiam ser classificados como confortáveis. E o calor, ah, o calor… Era insuportável.

 

Após um sofrimento de sete intermináveis horas, chegamos ao porto de nossa primeira parada, no qual ainda havia uma pirambeira a ser vencida. Exaustos, desnutridos e desidratados, tudo o que queríamos era chegar no hotel, tomar um banho, comer alguma coisa e desmaiar na cama. Imaginar subir aquilo com as mochilas e mais 15 kg nas costas, com nossas colunas em pandarecos, fez com que lágrimas surgissem em nossos olhos.

 

Até que alguns cidadãos apareceram, colocaram as malas nas costas e partiram morro acima. Fomos atrás imediatamente, mas eles eram muito rápidos. Saltavam por sobre troncos como gazelas felizes. Quando pararam, já no asfalto, logo percebemos do que se tratava: queriam dinheiro. Como não tínhamos mais kips – lembre-se, havíamos gasto o pouco que possuíamos com biscoitos (que haviam acabado) e bananas -, sugeri que ele ficasse com o que restava do cacho. O largo sorriso de poucos dentes que surgiu no rosto dele nos fez pensar que ele deveria estar com mais fome do que nós. De verdade nos comoveu e amansou um pouco nossa revolta.

 

Subimos então na carroceria de uma picape – sem proteção traseira – e partimos por outra pirambeira segurando as malas, no estribo e rezando para não cair. E pela nossa vida, que – literalmente – estava em nossas mãos, correndo o risco de escapar por nossos cinco dedos (a outra mão impedia que a mala voasse ribanceira abaixo).

 

Até que chegamos no nosso hotel, no alto do morro.

 

Trash. Total.

 

Não havia sequer toalhas, então tivemos que tomar banho e nos enxugar com nossa canga, que graças a Deus havia sido lavada há pouco tempo e estava limpa e perfumada. As paredes pareciam de papelão, de tão finas, e se via o abismo por entre as frestas do chão. No quarto ao lado, um velho careca que tinha a voz igual a do personagem Brick Top, de Snatch, gritava e falava sozinho, como um louco embriagado de amor.

 

Ao irmos jantar no restaurante do hotel – que tinha uma vista magnífica para o Mekong – fomos interceptados por um simpático cidadão que, aparentemente, trabalhava na casa. Ele se aproximou com um sorriso amigo no rosto e perguntou, em inglês:

 

– Maconha?

 

– Não, obrigado – respondemos.

 

– Ópio? – insistiu ele.

 

Como proceder?

 

Agradecemos e declinamos gentilmente. Jantamos e depois nos recolhemos em nosso quarto.

 

Capotamos cedo, às 22h, pois o barco sairia às 9h do dia seguinte para mais uma jornada de sete horas. E porque estávamos acabados.

 

Por isso, não foi nada legal quando, aproximadamente às 3h da manhã, se iniciou uma sinfonia de dezenas de cães que se prolongou por bem mais do que uma hora. Devido à espessura de nossas paredes, era como se a matilha estivesse dentro de nosso quarto, conosco. Sim, estávamos no inferno. Amantes de cachorros que somos, tivemos o desejo de matar a todos eles.

 

No dia seguinte, acordamos, tomamos um café da manhã clássico à beira do rio Mekong, e fomos pegar o barco. Ninguém nos avisou, mas nossa nova embarcação valia por duas, comportava muito mais gente do que havia vindo no dia anterior e já estava praticamente lotada. Poltronas iam sendo colocadas de qualquer maneira dentro do barco, ignorando qualquer preocupação quanto à superlotação.

 

Conseguimos arranjar dois lugares bem no fim do barco – por isso, nossos bancos não eram reclináveis -, perto do motor (e do barulho), e finalmente seguimos viagem até Luang Prabang.

 

Ou assim imaginávamos, pois, após sete horas, paramos num “porto” com uma ribanceira maior do que a anterior, a 10 km do centro da cidade. Dessa vez não havia escapatória: teríamos nós mesmos que arcar com 15 kg no lombo, morro acima. E talvez caminhar arrastando as malas por quase uma ponte Rio-Niterói até chegar em nossa pousada.

 

A revolta era grande e foi compartilhada por todos no barco, que se recusavam a desembarcar, já que havíamos pago para sermos deixados em Luang Prabang. Era uma tentativa de motim, meus caros amigos bucaneiros, que não deu em nada (aqui cabe uma notinha: nada temos contra um passeio roots, com perrengue incluído, que informe de antemão o que está sendo comprado para que role uma preparação psicológica. Não achamos que seja uma “frescura burguesa” salientar quando o combinado não é cumprido reiteradas vezes).

 

Evidente que deixar a todos a 10 km do ponto prometido era um esquema para, lá em cima, no asfalto, nos obrigar a pagar alguém para nos transportar por uma módica quantia (já inclusa) até a hospedagem. Revoltados, pagamos a taxa em dólar (lembre-se que não tínhamos mais kip) e subimos em nosso transporte. Após alguns minutos, finalmente chegamos em Luang Prabang.

 

Ou seja, se alguém sugerir a você fazer o lúdico passeio de barco por dois dias entre a Tailândia e o Laos, não discuta: bata o pé, diga “Não” e vá de avião.

 

Obs: Há barcos que fazem um “cruzeiro de luxo” e que devem ser muito mais confortáveis do que aquele que pegamos. Se realmente quiser fazer a travessia pelo Mekong, pesquise bem. Também havia a opção de fazer essa viagem a partir de Chiang Mai, com três dias de duração.

 

Visto do Laos

Pega na chegada da fronteira

Preço: US$ 31

1 foto 3×4

 

Slow Boat

De Chiang Rai Para Luang Prabang

Preço: 1.550 THB (R$ 155)

Duração: 2 dias

 

Boonmee Guesthouse

Endereço: Pakbeng (parada do barco em Laos)

Preço: 500 THB (R$50)

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LUANG PRABANG: UM ÓTIMO LUGAR PARA RELAXAR

Laos é um país muito pobre e bastante remoto, cujo povo humilde e simples carrega uma simpatia indisfarçável no rosto.

 

Patrimônio Cultural da Humanidade, de acordo com a UNESCO, Luang Prabang é uma cidadezinha como sua gente: acanhada mas bastante agradável. As diferenças básicas que notamos entre o Laos e a Tailândia dizem respeito à sua população, aos templos e à comida de rua (e à economia, claro).

 

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Todos os templos que visitamos em Luang Prabang cobravam entrada. Fomos em um – Phu si hill – bem no alto de uma escadaria que brindava o visitante – que conseguisse chegar lá em cima ainda vivo – com uma belíssima vista.

 

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Diferentemente da Tailândia, não aconselhamos comer nas barraquinhas de rua. Passamos mal por uns três dias seguidos, com febre, vômitos e dor de barriga.

 

Também, ao contrário do modo de vida tailandês, não há prostituição. Se você, forasteiro, quiser levar uma local para cama, terá que casar com ela. Não aconselhamos.

 

Também desaconselhamos o consumo ou a compra de drogas. Há muitos policiais fingindo ser traficantes, e a pena varia entre o pagamento de 500 dólares e a morte. Caso o sujeito vá para a prisão, a família – ou amigos – tem que levar comida para o preso. Do contrário, ele morrerá de fome. O Estado é muito pobre e não gastará o pouco que tem alimentando contraventores.

 

Devido ao péssimo sistema público de saúde, os laocianos têm um lema: “Não fique doente”. Não se vê muita gente idosa nas ruas, e o motivo é muito simples: estão – quase – todos debaixo da terra (a estimativa de vida no Laos não chega a 57 anos).

 

Um passeio interessante a se fazer em Luang Prabang é ir até as cachoeiras de Kuang Si. Distantes cerca de 45 minutos do Centro Histórico, elas lembram bastante aqueles passeios à Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Recomendamos que você se programe e vá bem cedo. Caso contrário, você terá uma sensação semelhante a ir à Praia de Ipanema, na hora do almoço, num fim de semana de verão.

 

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Ou seja, longe de ser agradável, disputando metros quadrados, palmo a palmo, com a mais autêntica farofa. Evite isso. Mas, se somente puder ir nessas condições, ainda assim recomendamos. Conseguimos encontrar um cantinho menos visado e passamos ótimos momentos.

 

Fomos até protagonistas de uma daquelas fotos em que os turistas se tornam modelos involuntários. No nosso caso, a menina foi super simpática, se apresentou com um sorriso e, na hora da pose, até abraçou este que vos escreve. Que não viu outra alternativa a não ser também abrir um largo sorriso.

 

Tomada de confiança, ela então pediu para que seu parceiro tirasse mais uma fotografia. Depois, como que para evitar algum mal-entendido que pudesse ser causado pelo bicho verde do ciúme, agradeceu muito gentilmente e se retirou.

 

No fim, não tivemos dúvidas. Assim como amamos a Tailândia, adoramos Luang Prabang!

 

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Royal Palace

Preço: 30.000 Kip (R$ 7,50)

 

Wat Xieng Thong

Preço: 20.000 Kip (R$ 5,00)

 

Phu si hill

Preço: 20.000 Kip (R$ 5,00)

 

Kuang Si Wartefall

Preço: 20.000 Kip (R$ 5,00)

 

Tamnak Lao Restaurant

Endereço: Sakkaline Road, Luang Prabang, Laos

 

Dao Fa Bistro

Endereço: Sisavangvong Rd, Luang Prabang, Laos

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O ANO NOVO EM LUANG PRABANG

Inicialmente ficaríamos em Luang Prabang apenas uma semana, mas como o Ano Novo se aproximava resolvemos aumentar nossa estadia e permanecemos o dobro do tempo.

 

Celebrada entre 13 e 15 de abril, a festividade que saúda a chegada de mais um ano é marcada por guerras de água, das quais participam todos que estão na cidade: locais, turistas, crianças, adultos, sem preconceito ou restrição, querendo ou não.

 

Diz-se que a água serve para lavar o azar e prestar respeito a Buda. Que quanto mais molhado você for, menos problemas e obstáculos terá em sua vida. Que assim seja, pois passamos metade da semana encharcados.

 

Era muito divertido ver marmanjos de quase dois metros de altura duelando atrás de carros com crianças de pouco mais de meio metro. Luang Prabang ficou lotada de turistas que disputavam armas de plástico cada vez maiores nas vendinhas das calçadas.

 

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Picapes percorriam as ruas cheias de gente nos bagageiros jogando água de grandes tinas, baldes ou bacias; locais usavam mangueiras para molhar a todos que passavam; garçons estrategicamente localizados atiravam água em clientes passados e futuros.

 

Era uma festa! Cujo único ponto fraco, devemos destacar, era a música (ruim) extremamente alta que teimava em se fazer escutar de potentes alto-falantes. Uma das mais tocadas era um funk brasileiro.

 

Por falar nisso, nossa cultura tupiniquim estava mesmo em baixa por lá: a quantidade de camisas da Alemanha “7×1″ Campeã do Mundo era assustadora, principalmente o modelo rubro-negro, numa proporção aproximada de 10 para 1 em relação à branca (mais uma pra conta do Felipão).

 

Devido ao Ano Novo, a cidade estava muito cheia e, por isso, tivemos a “oportunidade” de nos hospedar em três lugares diferentes, que variavam entre o muito bom e o ruim (pelo menos, o quarto em que ficamos no Phousi Guesthouse era apertado e escuro, além de inseguro). Conseguimos ficar uns 10 dias (no início e no fim da viagem) numa pousada ótima, Thatsaphone Hotel, com boa internet, TV com HBO, limpa, espaçosa, confortável e com diversas opções de café da manhã. Em comum entre as três hospedagens, uma ótima localização.

 

Em tempo: em uma das pousadas, Phousi Guesthouse, tentaram entrar em nosso quarto pensando que não havia ninguém, fechando a porta em seguida ao descobrirem que estava ocupado. Mais tarde, tiramos uma foto de nossos pertences antes de sairmos para jantar. Ao voltarmos, cerca de 40 minutos depois, verificamos que alguém havia entrado em nosso quarto e mexido em nossas coisas. Não levaram nada porque estava tudo dentro da mala, trancada com cadeado. Portanto, olho vivo!

 

No fim das contas, a decisão de ficar uma semana a mais para curtir o Ano Novo em Luang Prabang nos deixou muito felizes. Mesmo sem roupas secas.

 

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Thatsaphone Hotel

Endereço: Sisavang Vong Road Ban Choum Khong, Sisavangvong Road, Luang Prabang 06000, Laos

Preço: US$ 32

 

Phousi Guesthouse

Endereço: 29. Ban ChoumKong, Luang Prabang, Laos

Preço: US$ 30

 

Villa Champa

Endereço: Ban Vatnong, interjunction Pakhouay, Khounboulom Road, Luang Prabang, Laos

Preço: US$ 25

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Parabens pelo topico!! Sensacional!!

 

Vou chegar bem na vespera do ano novo em Luang Prabang. Vcs sabem dizer como foram as atrações por lá? Minha maior duvida mesmo é em relação a cachoeiras Kuang Si, vcs sabem se elas ficam abertas a visitação nesse periodo? e as demais atrações como o palacio real e templos?

 

Muito obrigado e parabens novamente pelo conteudo ^^V

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    • Por GUILHERME TOSETTO
      Olá, meus amigos!!!!
      Segue agora mais um relato de viagem, desta vez à cidade de Ubatuba nos últimos dias 27 e 28 de Abril, em companhia dos amigos André Petroni, Eduardo (nickname Umpdy), Francisco Lopes, Débora e Osmar Franco.
      Estávamos combinando essa viagem havia algum tempo, mas nunca conseguíamos encaixar as datas convenientes a todos, mas eis que calhou de um fim de semana "vazio" pra galera e marcamos a viagem.
      Eu, Eduardo, Chicão e Débora saímos de São Paulo na sexta-feira à noite, por volta das 19:45 e chegamos em Ubatuba às 23 horas. O André e o Franco tiveram que trabalhar e só foram pra lá no sábado bem cedinho, de ônibus. Seguimos pela Dutra até São José dos Campos e de lá pegamos a rodovia dos Tamoios, que está em obras em diversos trechos. Quem for pegar essa estrada, deverá ficar bastante atento, não paenas às obras, mas principalmente às curvas, muito fechadas e perigosas.
      Lá chegando, fomos para o Tribo Hostel, onde já havíamos feito reservas para o final de semana. Como nesse final de semana estava acontecendo um campeonato mundial de surf em prancha curta (não lembro o nome exatamente), o hostel estava cheio e acabamos ficando num de seus anexos...



       
      Feito o check in, fomos para os quartos, ficando eu e o eduardo em um e o Chicão e a Débora em outro.
      Algumas observações sobre o quarto onde ficamos eu, o Eduardo e o Franco: o teto é baixo e tem ventilador instalado junto à luminária. Como o Du ficou na cama superior, qualquer movimento da perna pra fora da cama já chutaria a porra do ventilador, além de bater a cabela no teto num levantar mais brusco!!!! rsrsrsrs...isso sem falar que o Du trancou a porta do quarto... e ainda havia mais um hóspede no nosso quarto, que chegou de madrugada e ficou esbravejando e xingando do lado de fora, enquanto a atendente do hostel vinha com a outra chave pra abrir...como eu tava morto de cansaço da viagem, não ouvi nada disso!!!!rsrsrsrrs.
      No dia seguinte, sabadão, ficamos esperando o André e o Franco chegarem pra podermos ir à Ilha de Anchieta. Chegaram por volta das 11 horas, também fizeram o check in e fomos arrumar as tralhas pra ir à ilha. Combinamos com o Renato, dono de um barco para nos levar até lá e ir nos buscar no final da tarde. Algumas fotos da ida, da Ilha e do retorno...









       
      Na Ilha de Anchieta há algumas trilhas, como a do Saco Grande e a Praia do Sul. Ambas constam do passaporte Trilhas de SP. Lá também há um antigo presídio, que foi desativado em 1955, três anos após a rebelião de 1952. No local, ainda trabalha um antigo vigia da época em que o presídio ainda era ativo!!! O local lembra um campo de concentração, várias ruínas...
      A ilha em si tem praias muito bonitas e praticamente desertas, talvez pela época do ano não ser a chamada "alta temporada", mas, mesmo assim, são excelentes... água muito limpa, peixes nadando ao nosso redor, quando ficamos numa das piscinas naturais formadas pelas rochas na parte norte da ilha.









       
      Ficamos na ilha até cerca de 16:15, fizemos a trilha da Praia do Sul, que é muito light e voltamos pra Ubatuba.
      À noite, fomos jantar numa pizzaria próxima ao hostel, a Pizza da Nonna...local bem aprazível, simples e comida de bom sabor...voltamos ao hostel, onde fizeram um churrasquinho pra galera...nessa hora, o sr. André cometeu a gafe-mancada da noite: sentou-se em cima de uma caixa de isopor, que servia de "geladeira" pra cerva do povo...o resultado não poderia ser outro, em poucos segundos a caixa estourou completamente de fora a fora... pior foi o que o André falou:
      - "Pô, eu pensei que fosse um puff!!!!"
      O que teve foi um "crash" and "pof" do André caindo!!!!
      Nem os gringos que estavam jogando uma sinuquinha aguentaram e racharam o bico também...
      Mas, gafes e foras à parte, o fim de semana foi excelente!!! No domingo, fomos para a praia da Lagoinha, onde começamos a fazer a trilha das 7 praias, chegando, ao final à praia da Fortaleza. São mais de 10 km de caminhada, passando pelas praias que dão o nome à trilha, com vários níveis de dificuldade, mas com paisagens muito compensadoras em sua beleza...seguem mais algumas fotos...








       
      Levamos cerca de 3 horas e meia pra finalizarmos a trilha, considerando-se que paramos algumas vezes pra descanso, pra um lanche e pra banho numa das praias.
      A fim de ganharmos algum tempo pra voltar onde deixamos o carro, na praia da Lagoinha, resolvemos subir os 7 quilômetros da estrada entre a Fortaleza e a BR101 a pé...chegando lá, pegamos um ônibus de volta à praia da Lagoinha e voltamos ao hostel pra arrumar nossas coisas, tomar um banho e retornar a Sampa...antes disso, ainda deixei o Franco na rodoviária, pois, como estávamos em seis pessoas, não havia espaço suficiente pra todos dentro do carro...saímos de Ubatuba por volta das 18:45 e chegamos à capital às 22:45, um pouco mais demorado do que na ida, mas ainda paramos pra comer um lanche e as curvas em subida requerem menor velocidade e mais atenção.
       
      Realmente foi um fim-de-semana ótimo, em companhia de amigos muito bacanas, sempre dispostos a tudo, sem reclamações, todos de muito bom-humor, enfim ,foi bastante divertido...deixo vocês agora com mais algumas paisagens, agradecendo a atenção de você, que está lendo, e aos amigos que lá estiveram, proporcionando mais uma excelente viagem!!!! Abração, galera!!!!
      Ah, pessoal ,se esqueci de alguma coisa, por favor, complementem o relato...











    • Por Schumacher
      Preparativos
       
      Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA).
       
      Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo.
       
      Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb.
       
      Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis.
       

       
      1° dia
       
      No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade.
       

       
      De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes.
       

       
      Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles.
       

       
      Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação.
       

       
      Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro.
       
      Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas.
       

       
      Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão.
       

       
      Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão.
       

       
      No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h.
       
      À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim.
       
      2° dia
       
      Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante.
       

       
      Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque.
       
      Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação.
       

       
      No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional.
       

       
      O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso.
       

       
      Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos.
       

       
      Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira.
       
      Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso.
       
      3° dia
       
      Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente).
       

       
      Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas.
       

       
      Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia.
       
      Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada.
       

       
      Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena.
       

       
      Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos.
       
      Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário.
       

       
      Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto.
       
      Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 26 km.
       
      4° dia
       
      Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia.
       

       
      Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente.
       
      Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande.
       

       
      Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira.
       

       
      Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim!
       

       
      O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta.
       

       
      A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque.
       

       
      Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo!
       
      Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 23 km.
       
      5° dia
       
      Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas.
       
      Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa.
       

       
      Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando.
       

       
      E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém.
       

       
      Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W.
       

       
      Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano.
       

       
      Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo.
       
      Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini.
       
      Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros!
       
      6° dia
       
      Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque.
       
      Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro.
       
      No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos.
       

       
      Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos.
       

       
      De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno.
       
      Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água.
       

       
      As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol.
       

       
      Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada.
       

       
      Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro.
       
      7° dia
       
      Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo.
       
      Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite.
       

       
      Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes.
       

       
      Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos.
       

       
      Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores.
       

       
      Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera.
       

       
      Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá.
       

       
      Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo.
       
      À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta.
       

       
      Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles.
       
      8° dia
       
      Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque.
       
      Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados.
       

       
      Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata.
       
      Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar.
       

       
      A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento.
       

       
      Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando.
       

       
      Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente.
       
      No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática.
       
      9° dia
       
      Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio.
       
      Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada.
       
      Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle.
       

       
      No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro.
       
      USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho!
       

       
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