Caros, acabei de voltar da minha Lua De Mel (a patroa mergulha tambem...hehehe) com uma certeza: certamente há mergulhos melhores, talvez mais emocionantes e mais ricos em fauna, MAS não há nada como mergulhar em Bonaire. O esquema, a filosofia e como as coisas são feitas acredito que sejam únicos.
O lema lá é Diving Freedom, então você cata seus cilindros, o equipo, joga na caçamba da picape e sai. Ninguém pra te regular, pra dizer o que fazer, pra navegar, pra mostrar os peixes, pra dizer onde será o mergulho ou se agora você deve fazer isso ou aquilo. É tudo decidido e feito por você (e seu dupla, é claro). E com essa liberdade, vem a responsabilidade.
É parar a picape na estrada e se equipar!
Apesar de haver mergulhos embarcados, o básico lá é o Shore Dive. Saíamos do hotel com 7 cilindros na caçamba (3 mergulhos pra 2 pessoas + um de backup, vai que me estoura um O-Ring...) e um pequeno guia pra ver onde mergulhar. Compramos um guia muito bom da Lonely Planet (uns US$ 40), mas tem outro bem legal que chama Shore Dive Made Easy (ou algo assim) por uns US$ 17, mas só descobri depois. Não tem as fotos e as histórias do Lonely Planet, mas me pareceu mais completo na descrição dos picos, até por apontar alguns que não estão marcados.
Os pontos estão todos apontados por uma pedra amarela na beira da estrada. Parando a picape, é baixar a tampa da caçamba, equipar lá mesmo e entrar na água. No sul da ilha, temos praias (sem areia, só pedras e corais mortos) quase sem ondas. No norte, a entrada costuma ser pelas pedras.
Follow the yellow brick road...
Ao entrar, tem uma faixa rasa que vai de 5m a 8m de profundidade e se estende de 30m a 50m. No fim dessa faixa, começa um paredão de corais que desce a 30m ou 40m.
Deck do Captain Don's: dá pra ver bem onde termina o raso e começa o paredão. O ponto branco no meio é a bóia.
Na ponta desse paredão (quase) sempre tem uma bóia para os barcos que servem como uma ótima referência para o mergulho. Então, entrou no mar, marca a bóia na bússola, afunda e segue até lá. Começou o paredão, quase sempre segue-se para o sul (contra a corrente), afundando junto ao paredão. A volta é mais rápida, por ser a favor da corrente, tenta chegar na bóia e usa a bússola pra subir na frente da picape. Simples assim.
Pra quem ainda está pegando experiência como eu (tenho uns 50 mergulhos, ainda) é uma ótima escola. Aprender a se virar sem um Dive Master dando o caminho das pedras, não tem preço. A única coisa que os dive centers fazem é dar uma preleção falando sobre a ilha, o esquema, a conservação da vida marinha e as regras de mergulho. Também vendem um tag que permite mergulhar, pagando a taxa de US$ 25 para preservação do parque marinho. E, acreditem, o pessoal respeita muito os corais, peixes e tudo mais.
Na ilha são mais de 60 pontos marcados de mergulho, mais uns 25 na ilha-satélite de Klein Bonaire, onde só tem mergulho embarcado. Esses pontos estão quase todos no mar de dentro da ilha, pois o de fora é muito batido e lá quase só se faz mergulho embarcado. Não fizemos, mas o que o pessoal fala é que é um mergulho bem diferente, onde tem pouco coral e mais bicho grande.
Peixe-papagaio. Você vai se cansar dele...
O básico do mergulho no mar de dentro é: muito coral, linda geografia e muito bicho pequeno. Peixe-papagaio, trombeta, borboleta, pargo de rabo amarelo, cirurgião, tudo isso tem até enjoar. Muito, muito mesmo. E os corais/esponjas/anêmonas também lindos. O que vi muito pouco foi raia (2) e tartaruga (1). É o chamado mergulho de aquário.
Foi só uma, mas foi documentada.
Temperatura da água sempre a 30oC na superfície e não baixava de 28oC nem a 40m. Visibilidade sempre na faixa de 40m pra mais. Melhores points:
- Hilma Hooker: o cartão postal de Bonaire. Um naufrágio provocado de 72m de extensão que começa a 12m, bem no topo do paredão de corais, e desce a 30m. Está lá desde 1984 e já constituiu um lindo ecossistema. Esponjas e corais por todo o navio, até em lugares inesperados. Muita vida marinha e peixes maiores, como tarpões "dentro" do navio. as aspas são porque não se faz penetração, mas retiraram o convés, de forma que toda a "concha" do casco é acessível por dentro.
Hilma Hooker adernado no fundo
Popa do naufrágio
- Karpata: o mais bonito paredão de corais. A entrada é por um pier de cimento, meio perrengue, mas nada demais.
Entrada do Karpata
- Invisibles: linda geografia, pois ao fundo do paredão, alguns metros pra lá, começa outro paredão, que desce aos 70m. Não precisa descer, mas ele forma um corredor de dois paredões de corais.
- 1000 Steps: não chegam a ser mil, mas são 64 degraus pra descer e subir equipado.
Os famigerados 1000 steps... vai subir isso equipado, depois do mergulho...
- Atlantis: geografia parecida com o Invisibles, tirando o corredor de corais, mas com mais diversidade de vida.
Peixe Trombeta, assim como o Papagaio, vem em várias cores.
- Salt Pier: único mergulho com necessidade de contratar Dive Master, pois é feito em um porto (de embarque de sal... dããã). Tem alguma legislação internacional a respeito e a necessidade de autorização da Cargill, dona do pier. Faça um noturno lá, pois as cores dos corais incrustrados nas pilastras do pier são impressionantes. Há o Town Pier também, no mesmo esquema, mas está fechado desde o ano passado quando foi castigado pelo furacão Omar.
Corais em um pilar do Slat Pier. Parece uma pintura abstrata.
- Outros que ou fomos ou falaram bem: Oil Slick, Andrea I e II, Windsock, Alice in Wonderland e Boka Slagbaai. Também tem La Machaca, Cliff e Reef Scientifico que ficam no Captain Don's (um hotel). Tem que pagar uma taxa de US$ 5 (a não ser hóspedes), mas utiliza-se estacionamento, pier, locker, tanques de água doce e chuveiros. Vale. Faça um noturno no Machaca, um barquinho de pesca naufragado, vale pelos tarpões que "moram" lá e seguem a luz da sua lanterna pra caçar. Os bichos tem pra lá de metro de comprimento.
Caros, acabei de voltar da minha Lua De Mel (a patroa mergulha tambem...hehehe) com uma certeza: certamente há mergulhos melhores, talvez mais emocionantes e mais ricos em fauna, MAS não há nada como mergulhar em Bonaire. O esquema, a filosofia e como as coisas são feitas acredito que sejam únicos.
O lema lá é Diving Freedom, então você cata seus cilindros, o equipo, joga na caçamba da picape e sai. Ninguém pra te regular, pra dizer o que fazer, pra navegar, pra mostrar os peixes, pra dizer onde será o mergulho ou se agora você deve fazer isso ou aquilo. É tudo decidido e feito por você (e seu dupla, é claro). E com essa liberdade, vem a responsabilidade.
É parar a picape na estrada e se equipar!
Apesar de haver mergulhos embarcados, o básico lá é o Shore Dive. Saíamos do hotel com 7 cilindros na caçamba (3 mergulhos pra 2 pessoas + um de backup, vai que me estoura um O-Ring...) e um pequeno guia pra ver onde mergulhar. Compramos um guia muito bom da Lonely Planet (uns US$ 40), mas tem outro bem legal que chama Shore Dive Made Easy (ou algo assim) por uns US$ 17, mas só descobri depois. Não tem as fotos e as histórias do Lonely Planet, mas me pareceu mais completo na descrição dos picos, até por apontar alguns que não estão marcados.
Os pontos estão todos apontados por uma pedra amarela na beira da estrada. Parando a picape, é baixar a tampa da caçamba, equipar lá mesmo e entrar na água. No sul da ilha, temos praias (sem areia, só pedras e corais mortos) quase sem ondas. No norte, a entrada costuma ser pelas pedras.
Follow the yellow brick road...
Ao entrar, tem uma faixa rasa que vai de 5m a 8m de profundidade e se estende de 30m a 50m. No fim dessa faixa, começa um paredão de corais que desce a 30m ou 40m.
Deck do Captain Don's: dá pra ver bem onde termina o raso e começa o paredão. O ponto branco no meio é a bóia.
Na ponta desse paredão (quase) sempre tem uma bóia para os barcos que servem como uma ótima referência para o mergulho. Então, entrou no mar, marca a bóia na bússola, afunda e segue até lá. Começou o paredão, quase sempre segue-se para o sul (contra a corrente), afundando junto ao paredão. A volta é mais rápida, por ser a favor da corrente, tenta chegar na bóia e usa a bússola pra subir na frente da picape. Simples assim.
Pra quem ainda está pegando experiência como eu (tenho uns 50 mergulhos, ainda) é uma ótima escola. Aprender a se virar sem um Dive Master dando o caminho das pedras, não tem preço. A única coisa que os dive centers fazem é dar uma preleção falando sobre a ilha, o esquema, a conservação da vida marinha e as regras de mergulho. Também vendem um tag que permite mergulhar, pagando a taxa de US$ 25 para preservação do parque marinho. E, acreditem, o pessoal respeita muito os corais, peixes e tudo mais.
Na ilha são mais de 60 pontos marcados de mergulho, mais uns 25 na ilha-satélite de Klein Bonaire, onde só tem mergulho embarcado. Esses pontos estão quase todos no mar de dentro da ilha, pois o de fora é muito batido e lá quase só se faz mergulho embarcado. Não fizemos, mas o que o pessoal fala é que é um mergulho bem diferente, onde tem pouco coral e mais bicho grande.
Peixe-papagaio. Você vai se cansar dele...
O básico do mergulho no mar de dentro é: muito coral, linda geografia e muito bicho pequeno. Peixe-papagaio, trombeta, borboleta, pargo de rabo amarelo, cirurgião, tudo isso tem até enjoar. Muito, muito mesmo. E os corais/esponjas/anêmonas também lindos. O que vi muito pouco foi raia (2) e tartaruga (1). É o chamado mergulho de aquário.
Foi só uma, mas foi documentada.
Temperatura da água sempre a 30oC na superfície e não baixava de 28oC nem a 40m. Visibilidade sempre na faixa de 40m pra mais. Melhores points:
- Hilma Hooker: o cartão postal de Bonaire. Um naufrágio provocado de 72m de extensão que começa a 12m, bem no topo do paredão de corais, e desce a 30m. Está lá desde 1984 e já constituiu um lindo ecossistema. Esponjas e corais por todo o navio, até em lugares inesperados. Muita vida marinha e peixes maiores, como tarpões "dentro" do navio. as aspas são porque não se faz penetração, mas retiraram o convés, de forma que toda a "concha" do casco é acessível por dentro.
Hilma Hooker adernado no fundo
Popa do naufrágio
- Karpata: o mais bonito paredão de corais. A entrada é por um pier de cimento, meio perrengue, mas nada demais.
Entrada do Karpata
- Invisibles: linda geografia, pois ao fundo do paredão, alguns metros pra lá, começa outro paredão, que desce aos 70m. Não precisa descer, mas ele forma um corredor de dois paredões de corais.
- 1000 Steps: não chegam a ser mil, mas são 64 degraus pra descer e subir equipado.
Os famigerados 1000 steps... vai subir isso equipado, depois do mergulho...
- Atlantis: geografia parecida com o Invisibles, tirando o corredor de corais, mas com mais diversidade de vida.
Peixe Trombeta, assim como o Papagaio, vem em várias cores.
- Salt Pier: único mergulho com necessidade de contratar Dive Master, pois é feito em um porto (de embarque de sal... dããã). Tem alguma legislação internacional a respeito e a necessidade de autorização da Cargill, dona do pier. Faça um noturno lá, pois as cores dos corais incrustrados nas pilastras do pier são impressionantes. Há o Town Pier também, no mesmo esquema, mas está fechado desde o ano passado quando foi castigado pelo furacão Omar.
Corais em um pilar do Slat Pier. Parece uma pintura abstrata.
- Outros que ou fomos ou falaram bem: Oil Slick, Andrea I e II, Windsock, Alice in Wonderland e Boka Slagbaai. Também tem La Machaca, Cliff e Reef Scientifico que ficam no Captain Don's (um hotel). Tem que pagar uma taxa de US$ 5 (a não ser hóspedes), mas utiliza-se estacionamento, pier, locker, tanques de água doce e chuveiros. Vale. Faça um noturno no Machaca, um barquinho de pesca naufragado, vale pelos tarpões que "moram" lá e seguem a luz da sua lanterna pra caçar. Os bichos tem pra lá de metro de comprimento.
Tarpão de estimação do Cap. Don's
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