Em outubro do ano passado (2015) fiz um mochilão para alguns dos destinos mais famosos na América do Sul: Deserto do Atacama, Salar de Uyuni e Machu Picchu. Por questões de logística, também visitei Santiago, La Paz e Cusco.
Como todas as viagens, meu mochilão começou a ser planejado com antecedência. Após o Carnaval decidi que queria visitar Machu Picchu, Atacama e o Salar de Uyuni na mesma viagem.
Pelo meu tempo apertado de férias, tive que ir de avião em metade dos trechos pra dar tempo de fazer tudo. Só que estes deslocamentos e o dólar astronômico da época encareceram a viagem. Hoje o dólar está um pouco mais baixo e se vocês tiverem uns dias a mais pra fazerem de ônibus os trechos que fiz de avião ou conseguirem promoção, provavelmente sairá mais barato do que os R$6.500,00 que gastei na viagem (nesse valor incluídas as bebidas e saídas a noite). Essa é uma viagem que se faz com US$1.500,00, podendo sair um pouco mais barato dependendo da pessoa.
Vamos lá!
A viagem começou a ser planejada em Março/Abril e como eu estava esperando uma promoção nas cia aéras, deixei de comprar uma passagem na Tam com preço médio de R$1.200,00 nas minhas pesquisas (alguns dias a passagem descia pra R$900,00 e poucos). Nessa espera por promoção, o preço só subiu, até que desisti e acabei pagando R$1.567,63 por esses trechos:
- Rio de Janeiro x Santiago
- Santiago x Calama
- Cusco x Rio de Janeiro (com escalas rápidas em Lima e São Paulo)
Com relação às roupas de frio, eu pensei bastante em comprar diversos casacos e botas, mas acabei encarando com as roupas que eu tinha de quando fui à Patagônia em 2012 (um abrigo corta vento da Trilhas e Rumos que acho que se chama Sommet e um casaco fleece esportivo).
Comprei somente um jogo de underwear com blusa e calça X-Thermo da Solo no site Submarino por R$157,94 e a calça modular Forclaz 100 da Quechua (aquela de trilha que vira bermuda) no site da Decathlon por R$145,94. A calça protegeu bem do frio com o underwear, inclusive no Salar de Uyuni. Não é corta vento, mas foi suficiente visto que só precisei da calça corta vento uma única vez.
- Santiago (25/9 – 27/9)
Dia 1: O meu voo do Rio para Santiago decolou na sexta por volta das 15h20 e cheguei por volta de 20h20 (horário local). Eu levei USD300,00 para as despesas iniciais e decidi sacar dinheiro nas cidades porque já sai na moeda local e a taxa de saque do meu banco é razoável (quando você saca um valor alto de uma vez, comepnsa). Apesar de ter pesquisado sobre transfer em Santiago, acabei fazendo besteira. Fui trocar uma parte do dinheiro para pagar o taxi e comer algo na primeira noite dentro do aeroporto. Quando fui ver o transfer, pelo meu espanhol enferrujado (e só me toquei disso depois) entendi que o cara tava pedindo CLP100.000 ao invés de CLP6.000. Acabei caindo na conversa de um taxista que estava me perseguindo no aeroporto e enchendo a paciência na frente de onde se troca dinheiro e fui com ele por CLP20.000. Depois quando cheguei no albergue descobri que o preço certo do taxi seria por volta de CLP15.000.
Vida que segue! Cheguei no Hostel Providencia e quem me atendeu na recepção foi um gringo e um brasileiro mega gente boa. No meu quarto tinha um cara do interior do Chile se arrumando para sair e um outro de Viena que estava dormindo. Como era relativamente cedo, já sai perguntando de lugares para comer e conhecer algum barzinho ou noitada. Guardei o mochilão e conversando com o chileno, acabamos descendo pra comprar bebida no outro lado da rua. O lugar que vendia bebida tinha um bar/lanchonete ao lado que vendia um sanduíche bom e preço justo.
Ai veio a primeira coisa esquisita, a cerveja lá é quente, no máximo resfriada na geladeira. No frio de 8ºC que tava acabou não sendo tão ruim. O chileno comprou rum e coca cola e voltamos para o hostel para beber, apesar de ser proibido entrar com bebida no hostel.
Enquanto conversávamos no quarto, na 2ª hora de viagem veio a segunda coisa esquisita (ainda mais pra brasileiro que nunca viveu isso): terremoto!!
Eu nem senti tanto, quando o chileno falou que reparei que o chão tava tremendo de verdade e não era o álcool, ai quando olhei pra cama, ela também tava tremendo quase saindo do lugar e foi ficando mais forte. O chileno, que mora perto da região onde teve o terremoto que destruiu uma parte do Chile uma semana antes da minha viagem, disse que não era forte, mas devíamos sair, mas assim que saímos do quarto, o terremoto parou. Quando perguntamos a uma das argentinas que passava no corredor, ela disse que nem tinha sentido. Rimos da situação e voltamos pro quarto. O cara de Viena acordou com o barulho e se uniu a nós para beber e sair.
No dia seguinte descobri que o terremoto foi "fraco" - 5.6 na escala richter e para os chilenos é chamado de "temblor", pois para os chilenos só é terremoto mesmo acima de 7.6 na escala richter. Tá bom!
Por volta de meia noite, descobrimos que a argentina que encontramos no corredor estava com um grupo de mais 40/50 estudantes de arquitetura de Córdoba/ARG e todos estavam dando uma festinha em uma área comum enorme que tem no hostel e que não incomoda quem está nos quartos, pois fica nos fundos praticamente. Nos unimos a eles e depois fomos para uma boate que o hostel deu pulseira para entrarmos de graça chamada Club 57.
O Hostel Providencia fica a 3/4 quadras da Plaza Baquedano, início do bairro Bellavista. Fomos andando para o Club 57 passando pela rua Pio Nono, onde ficam todos os bares e baladas. É perto, uns 10 minutos andando. Numa das ruas que corta a Pio Nono fica o Club 57. Curti muito o lugar!
Dia 2: eu acordei quase na hora do almoço e fiquei enrolando pra sair da cama. Desci para pedir um mapa na recepção e descobri que o Hostel Providencia tem um guichê de informações ao lado da recepção que funciona até 20h há mapas e dicas gratuitas da cidade com uma pessoa que fica nesse balcão de informações. Peguei meu mapa e as informações para o roteiro que tinha desenhado, e fui para o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos. Você pega o metro em Baldequano até a estação Quinta Normal. Não precisa sair da estação do metro porque há uma entrada do Museu com uma mini exposição dentro da estação e de lá você sobe para o museu. Um dos melhores museus que já visitei!
O muro ao lado da entrada quando você sobe do subsolo:
O museu possui três andares além do subsolo e do térreo. No térreo há vídeos, filmes curta metragem, fotos, notícias de jornais, diversos objetos e gravações de discursos da época da ditadura chilena. O primeiro andar mostra a época em que os militares deram o golpe no presidente Salvador Allende, tomaram o poder e instauraram a ditadura militar no Chile. Só que vendo as notícias e os curta metragens, fora os discursos de ódio, torna isso tudo muito mais real e você volta no tempo imergindo na história.
Você senta no banco que tem em frente às TVs e vê quem foi Pablo Neruda e o que ele representou quando vê o povo gritando seu nome inteiro e gritando “PRESENTE” nas ruas de Santiago durante o seu velório público, mortes de manifestantes por militar, a revolta do povo. Vê que o Estádio Nacional era um campo de concentração e escuta os depoimentos dos presos lá. Reproduções de celas e muito mais coisas interessantes.
O segundo andar mostra a revolução do povo, as ligações com a União Soviética, as manchetes da ditadura em jornais de outros países (inclusive no Brasil, com o jornal O Dia). O terceiro andar mostra a história do povo vencendo a ditadura, a articulação política da revolução, o famoso plebiscito do “NO” à permanencia dos militares no poder e como o Chile vai se restruturando sem os militares no poder. Pra quem gosta de história como eu, recomendo muito!
O museu tem uma atmosfera pesada e é bastante forte uma vez que trata de ditadura. Mas para quem é apaixonado por história e curte o tema, como eu, vale muito a pena conhecer.
Depois disso, conhecer Santiago se torna muito mais excitante. Eu peguei o metro para o centro (aproveitei e passei numa loja grande, acho que Fallabella, e comprei meias térmicas para o frio do Atacama e do Salar de Uyuni, recomendo!). Passei pela Catedral, andei um pouco pela Plaza de Armas e fui andando até a Plaza Constitucion onde fica o Palacio de la Moneda, casa da presidente Michelle Bachelet. Vendo aquilo tudo depois de saber que esse Palacio foi bombardeado e parcialmente destruído e entendendo porquê a estátua de Salvador Allende é importante depois de ver a história viva no Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, impossível não se curtir Santiago.
Depois de um tempo na Plaza Constitucion, fui andando ao Cerro Santa Lucia. Bem legal a vista de lá! Muitas subidas e os mirantes no topo são disputados, ainda mais sendo final de semana. Vale a pena.
No final da tarde voltei para o hostel e tava destruído por ter dormido pouco e andado o dia todo. Acabei dormindo enquanto o pessoal saía para mais uma festa. Acabei acordando meia noite e como não conseguia dormir e era sábado a noite, fui andar pelo bairro Bellavista.
Como tinha outra pulseira para entrar no Club 57, fui para lá e encontrei o cara de Viena do meu quarto com os amigos dele. Foi bem divertido. Engraçado ver a galera dançando músicas como É o Tchan e outros axés da década de 1990 que estão bombando lá agora, todo mundo sabe dançar as coreografias. Se você não sabe dançar essas músicas, não dançará com as chicas chilenas. Fica a dica!
Apesar de ter muito gringo, tem uma galera no Club 57 que é chilena e até umas 3h da manhã, os chilenos são maioria e os mais animados na pista, dançando todas as coreografias dessas músicas (Michel Teló é saideira quando todo mundo tá cansado). Depois dessa hora começa a tocar hip hop, house e outros tipos de música eletrônicas que tocam em qualquer boate/festa aqui no Brasil. Boate pra todos os gostos!
Dia 3: Domingo e todos foram embora no checkout. Eu ia embora só de madrugada, então tinha um dia inteiro. Me despedi da galera e voltei pra cama. Dormi até um pouco mais tarde e fui almoçar por volta das 13h30. Sai do albergue em direção ao Museo de Bellas Artes e Museo Contemporáneo. Eu almocei num restaurante/bar que tinha ao lado do Museo de Bellas Artes, almocei e tomei o famoso terremoto!! Achei meio doce e enjoativo, mas realmente é um terremoto na mente. Na próxima vez que for à Santiago, quero tomar Terremoto e as réplicas (os bares dão replicas aos clientes para quem pedem esse drink, igual às réplicas que são tremores menores que sempre vem após o terremoto).
Decidi entrar somente no Museo de Bellas Artes, pois ainda queria conhecer o Cerro San Cristobal. Achei o tour guiado do Museo de Bellas Artes meio sem graça, me separei do grupo na metade do tour e fui ver o museu por conta própria. O museu tem pinturas interessantes, mas algumas esculturas estão danificadas e poderiam ser restruturadas.
Fui andando ao Cerro San Cristóbal andando pelo Parque Florestal, que é bonito e tranqüilo. Na volta, olhando para Baldequano, é possível ver as cordilheiras ao fundo.
Chegando na Pio Nono, é só ir até o final. Como tinha tempo, fiz uma coisa que nunca faço em viagens: visitar o zoo da cidade. Tinha pouco tempo porque estava quase fechando, mas deu pra ver tudo. O destaque são os pássaros. Há um espaço grande em que pode andar entre eles. Felinos são dopados como em todos os zoos, o que é triste.
Alguns animais estão bem mal cuidados ou velhos, mas gostei da variedade. Parece que cuidam mais dos animais do que no zoo de Lujan em Buenos Aires. Vi tigre branco, papagaios de diversas cores, girafas comendo na mão dos visitantes, leão, pinguins, e muitos outros animais. O único animal que tinha no mapa do zoo que não vi foi o urso polar, só o urso pardo.
O teleférico do zoo para o Cerro estava fechado para manutenção, então tive que descer até o pé do Cerro San Cristobal para pegar o teleférico até o topo. De lá subi até a imagem da Virgem e os monumentos/imagem que tem por lá (tem uma imagem do papa João Paulo II). Curti o visual das Cordilheiras que ainda estavam nevadas e desci com o teleférico (aproveitei para comprar uma luva que pechinchei bastante no pé do Cerro).
Parei na Pio Nono, fiquei bebendo umas cervejas sozinho num dos bares e aproveitei para jantar (pollo e papas pra variar). Os bares do bairro Bellavista ficam cheios até domingo.
Obs: todas as comidas em Santiago são pollo e papas, com pimenta, molhos diferentes e algumas vezes arroz, mas sempre pollo e papas. Os chilenos de Santiago se alimentam muito mal, só comem isso e esses restaurantes e bares de rua só têm esses pratos com receitas diferentes, mas no fundo são sempre pollo e papas. O brasileiro que trabalha no hostel comentou isso comigo, que sente falta de comer bem porque em Santiago os chilenos se alimentam muito mal.
Voltando ao hostel, arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto pegar o vôo para Calama que sairia às 4h50 da manhã. Sai do hostel às 2h com o taxi que o pessoal do hostel pediu pra mim. Só pedir que eles agendam.
O detalhe que tinha combinado com o taxista que me levou para o hostel a volta por CLP18.000 (quando fechei estava crente que era um descontão), mas quando o pessoal do hostel disse que era CLP15.000, acabei abandonando o taxista que já tinha me enganado na ida ao hostel. Enfim, cheguei rápido no aeroporto e fiquei esperando 1h30. Após diversas mudanças de portão, embarquei rumo à Calama no horário marcado.
- San Pedro de Atacama (28/9 – 30/9)
Dia 4: foi um dos piores vôos que peguei na minha vida, apesar de ter uma lua cheia espetacular que ficou vermelha durante um período acompanhando o vôo.
E olha que já peguei 45min de total turbulência de Calafate para Ushuaia quando fui à Patagônia argentina que parecia que o avião ia cair.
Cheguei no aeroporto de Calama um pouco antes da 7h e já tinha reservado daqui do Brasil o transfer com a Licancabur. O transfer sairia somente às 8h e o pessoal me ofereceu café, chocolate quente e chá enquanto esperava. Durante esse tempo, senti um frio fora do normal dentro do aeroporto. Na hora de sair pra pegar o transfer, foi pior ainda devido ao frio. Comecei a colocar tudo que tinha trazido para o frio. Dois brasileiros que estavam no mesmo transfer também comentaram o frio que estava.
Após quase 2h chegamos em San Pedro de Atacama e o transfer me deixou na porta do hostel Backpackers. Achei legal, o chão é cheio de cascalho/pedras pequenas, as áreas comuns possuem redes, sofás, três ambientes fechados com cozinha, uma fogueira e violão. Bem o clima do Atacama!
Peguei um folder com os tours oferecidos pela agência parceira do hostel para ver os preços dos passeios. Eu já tinha visto aqui do Brasil a indicação em um blog sobre a FlaviaBia Expediciones e tinha mandado e-mail, mas fecharia somente lá no Atacama. A Flavia Bia é uma brasileira que trabalhou durante anos para a Ayllu, uma das mais famosas agências do Atacama. Recentemente ela abriu uma agência e organiza tours do jeito que ela sempre achou que deveria ser, mais voltado para o lado fotográfico, conhecendo os lugares sem correria, etc.
Mandei mensagem para a Flavia Bia para checar os dias de saída e os preços dos passeios com ela para poder comparar os dois. Estava mega bem, conversando com um brasileiro que trabalha no hostel até que decidi ir na rua comprar água, frutas e talvez passar no centro para decidir quais tours fazer, ver disponibilidade, etc.
Era uma distância relativamente próxima. A rua paralela ao hostel dava num campo em frente ao cemitério onde há uma feira para comprar frutas, algo tipo 300m do hostel. Quando estava indo conheci o soroche/puna/mal de altitude.
Do nada, andar dez passos ficou muito difícil. E tinha um aclive mínimo de três passos na rua para chegar à feira que parecia impossível de passar. Comecei a ficar tonto sem sentir o chão. Consegui chegar lentamente à feira, comprei as frutas e voltei pela rua só querendo deitar. Passei em uma das lojas/tendas que vendiam comida, água, biscoitos, etc. Vi que tinha balas e folhas de coca. Perguntei o que era melhor e mais rápido para o mal da altitude. A simpática vendedora disse que o melhor era mastigar folha de coca ou comer uma das balas a venda. Comprei a bala, folhas, doces, um galão de 5 litros de água, um frango, outras comidas para cozinhar e voltei ao hostel devagar e sempre, tonto e quase desmaiando. No hostel guardei tudo e fiquei sentado. A bala de coca deu uma segurada nos sintomas. Tomei o chá de coca que tinha no hostel e sobrevivi à puna.
Sentei e fiquei conversando com a FlaviaBia pelo whatsapp para ver os passeios. Ela disse que estava nos arredores e podia passar no meu hostel para vermos os passeios e para me explicar melhor cada passeio. Em 10/15min ela chegou de bicicleta e foi explicando cada passeio, o que tinha disponível, os dias que saía cada um.
Ela não tinha o Valle de La Luna com o sandboard que eu queria fazer, mas tinha a Laguna Cejar saindo naquela tarde. Olhando os dias disponíveis, acabei optando por fazer Laguna Cejar no primeiro dia, Lagunas Altiplanicas + Piedras Rojas no segundo dia, Geyser del Tatio de manhã e Valle de la Luna de tarde no terceiro dia. Eu não recordo ao certo, mas acho que fechei tudo por CLP170.000. É realmente mais caro que nas outras agências, mas os serviços oferecidos são visivelmente superiores. Vocês vão entender o que estou falando.
Eu cometi uma gafe porque fiz o almoço correndo e me arrumei esperando até 15h para o primeiro passeio. Deu umas 15h30 e nada da van que me pegaria. Ai mandei mensagem para a FlaviaBia pelo whatsapp. Ela me explicou que a van ia buscar todo mundo antes e o meu hostel era o último, mas disse pra não me preocupar porque ainda eram 14h30. Bola fora minha!
No Chile eles adotam um horário de verão maluco chamado horário de alternância e entraram no horário de verão no dia 6/9/2015 e só saem desse horário de verão em 24/4/2016. Por isso eu tinha que ter acertado meu relógio atrasando em 1h. Não percebi isso em Santiago porque não fiz nada com horário marcado e por isso cheguei mais cedo no aeroporto de Calama achando que o voo tinha sido mais rápido
No real horário combinado, o guia Alexis apareceu com a van na porta do hostel levando três senhoras gaúchas mega simpáticas. Fomos para a Laguna Cejar (2.300m de altitude) com o nosso guia e motorista explicando o que era cada montanha e vulcão na estrada. Chegamos na Laguna Cejar que estava vazia, com exceção de um grupo de cariocas que chegou na mesma hora de carro e uma família que estava indo embora. O lugar é muito bonito, incrível a laguna no meio do deserto. Mergulhamos e ficamos um bom tempo lá. A água é bem gelada e tem mais sal do que o Mar Morto e no meio há um buraco sem fim que dá pra ver enquanto você passa boiando. Foi bem legal ficar boiando na água gelada no calor do deserto sem afundar.
Depois do mergulho, há duchas (geladas) para retirar o sal. Fomos andar ao redor da laguna quando chegou um grupo grande na Laguna Cejar. Voltamos ao carro e visitamos os Ojos Del Salar e a Laguna Tebinquiche.
O nosso guia chegava em todos os lugares antes de todo mundo e enquanto andávamos na Laguna Tebinquiche nas trilhas que tem ao redor da laguna, Alexis preparou um lanche com diversas comidas e preparou pisco sour para todos do grupo verem o por do sol fazendo um brinde. Todos dos outros grupos olhavam, até uma senhora de outro tour chegou perto para ver o que era tanta comida e o que estávamos comendo (tinha tour que oferecia somente suco Del Valle e biscoito).
A noite, eu e o brasileiro que trabalha no hostel ficamos tocando violão na fogueira do hostel que ele acendeu e tomamos umas cervejas com uma canadense, uma francesa/boliviana e um holandês que estavam ali. O hostel possui uma regra que meia noite tem que acabar a fogueira e o som. Fui pra cama e acordei no meio da noite com a cama rodando. Sentei e fiquei bebendo água (o nosso guia Alexis ensinou que você precisa beber água em goles pequenos pra oxigenar o cérebro e isso ajuda muito na altitude). Pensei que fosse vomitar de tão tonto e enjoado que acordei, mas as balas de coca e a água seguraram a onda. Fiquei sentado, sempre que deitava a cama voltava a rodar, então não tinha como voltar a dormir.
Dia 5: Depois de passar uma péssima noite, o jeito era me arrumar para as Lagunas Altiplanicas + Piedras Rojas (4.200m de altitude) que saía às 7h. A estrada é longa e fomos parando em diversos pontos com o Alexis explicando tudo e dando tempo para tirarmos fotos. O grupo teve a presença da Flavia Bia, do Sérgio (projeto 50 Mundos – ele está rodando 50 países de moto e está) e de mais duas moças, todos muito gente boa.
O lugar é incrível, as lagunas refletindo as montanhas com gelo, o deserto e as diversas paisagens que vão mudando são sensacionais.
Ainda ganhamos a clássica foto na estrada:
Dia 6: a noite antes do Geyser del Tatio foi pior do que a noite anterior para dormir. A cama rodava mais ainda e nessa noite consegui dormir somente 2h. Mas é aquilo, sendo só um desconforto que não te deixa de cama, você tem que fazer os passeios e tentar esquecer a altitude. Nas Lagunas Altiplanicas eu masquei folha de coca porque senti um pouco de tontura e uma leve dor de cabeça, mas nesse dia não foi necessário, apesar de passar em lugares a 4.800m de altitude e chegar no campo geotérmico do Tatio (4.400m de altitude). Partimos às 5h e fomos dormindo (ou tentando). Uma dica é não beber de ficar borracho no dia anterior! Na altitude o álcool tem um efeito mais rápido, até para quem está acostumado a beber.
Os Geysers del Tatio são bem impressionantes! Chegamos lá num frio de -9ºC, com a lua de um lado e o sol nascendo do outro. Estava com quatro meias térmicas e senti como se meu pé estivesse congelado. Tirar a luva pra bater foto doía. Mas logo depois de um tempo, quando o sol ia nascendo, a situação ia melhorando. Tomamos um ótimo café da manhã com direito a leite sendo esquentado nos geysers.
Na parte da tarde, fomos para o Valle de La Luna e Valle de La Muerte. Eu achei legal e imponente os valles vistos de cima, mas eu queria ter feito o sandboard com o por do sol nas dunas e achei as andanças nos valles bem sem graça para falar a verdade. Talvez porque eu queria o sandboard com por do sol, talvez porque eu visitei lugares mais bonitos antes, sei lá. Vai de cada um! Contudo, confesso que os vinhos e os lanches vendo o por do sol no Valle de La Luna foram recompensadores!
Escolha de agências - observação pessoal:
Os passeios da FlaviaBia Expediciones são totalmente fotográficos. Você pega os melhores ângulos e tem as melhores fotos, mas o Valle de La Luna é o único passeio que eu teria feito com outra agência porque queria fazer o sandboard ao invés de ter andado pelo Valle. A Flávia até tentou arrumar outra agência por fora que fizesse esse passeio pra mim, mas nenhuma voltava depois do por do sol naquele dia, dei azar! O Brasil tem diversas praias com sandboard (Jericoacoara, Floripa, Praia da Pipa e diversas outras do Nordeste), então não é algo tão imperdível e impossível de ser feito, por isso também decidi abrir mão e incluir no pacote com os outros passeios para ficar mais em conta no final.
Eu encontrei a indicação da FlaviaBia Expediciones no blog Um Viajante. Ela é uma brasileira que está no Atacama há 5 anos e trabalhava na agência Ayllu. Agora ela saiu da agência e está organizando tours do jeito dela, sem querer crescer e virar uma big agência como a Ayllu, contando com guias freelancers experientes como o Alexis que tem 7 anos de experiência como guia no Atacama e dirige desde pequeno pelas estradas do Chile (ele contou que aprendeu a dirigir quando era criança e acompanhava o avô nas estradas de caminhão de Antofagasta e Calama).
A minha opinião é que valeu muito a pena fechar todos os passeios com a FlaviaBia Expediciones. Além de escolher um guia mega gente boa, experiente, que conseguiu tornar os passeios quase privados porque sempre chegava antes nos lugares e quando tinha gente fazia o caminho inverso dos tours clássicos das agências maiores, você via que tanto ela, quanto o guia faziam aquilo com paixão. Os locais de fotos sempre estavam vazios. Paramos no meio da estrada pra tirar as fotos clássicas com as montanhas no mundo e as sugestões de locais para tirar foto foram ótimos. As comidas que a FlaviaBia preparava para os tours eram excelentes e tinha dias que eu não comia quase nada no hostel por ter comido nos passeios. Eu acabei deixando comida no hostel porque comia no tour. As fotos eram sempre fantásticas e você parava pra ficar olhando aquilo esquecendo que estava em um tour.
Eu acho que em uma viagem você deve estar preparado para gastar o justo, ainda que isso não seja o mais barato em algumas vezes. Vale a pena pagar um pouco mais caro por um serviço melhor e que te faz economizar em outras coisas, seja nas refeições, seja em acionar o seguro de vida. Tem que colocar tudo na balança.
Quando retornei do passeio nos Geysers del Tatio no dia 6, eu rodei a cidade com uma menina que tava fazendo o tour comigo atrás do tour até o Salar de Uyuni. Nas principais agências que fui os preços (3d2n) eram CLP99.000 na World White Travel, CLP85.000 na Colque e CLP114.000 na Cordillera Travel. A FlaviaBia disse que não ia recomendar ou deixar de recomendar nenhuma agência porque quando fez o Salar de Uyuni, o motorista estava bêbado e era totalmente irresponsável e a maioria era assim, então fui buscar minhas impressões em amigos que já fizeram e histórias que conheço. Conheço pessoas próximas que perderam uma amiga 2 meses antes da minha viagem nesse tour. Ela faleceu porque pegou o tour com um desses motoristas bêbados e o carro dela colidiu com outro carro no Salar de Uyuni porque o motorista dela estava bêbado, ou porque o motorista dela e o do outro carro estavam bêbados, ninguém nunca descobriu. O que apareceu nas notícias é que morreram 10 pessoas nos dois carros juntos por isso.
Pensando nisso e como vi a diferença entre o serviço da FlaviaBia e os outros, vi que pagar um pouco mais caro por um serviço melhor vale a pena. Os brasileiros que estavam no hostel de uma menina do meu tour com a FlaviaBia fecharam diversos passeios com a Cordillera e conseguiram o tour de 4 dias e 3 noites por CLP120.000. Tentamos chorar desconto na Cordillera e o máximo que conseguimos com o mal educado dono da empresa foram míseros CLP5.000. A menina saiu estressada porque queria pagar o mesmo preço que os brasileiros do hostel dela e não fechou na hora. Eu tentei negociar mais depois que ela foi embora (tentar baixar mais CLP9.000), mas não foi possível. O cara é irredutível e acabei fechando por CLP109.000 mesmo, afinal, apesar de ser a mais cara, era a agência mais confiável pelos relatos dos meus amigos e alguns lidos na internet.
Faaala galera!
Em outubro do ano passado (2015) fiz um mochilão para alguns dos destinos mais famosos na América do Sul: Deserto do Atacama, Salar de Uyuni e Machu Picchu. Por questões de logística, também visitei Santiago, La Paz e Cusco.
Como todas as viagens, meu mochilão começou a ser planejado com antecedência. Após o Carnaval decidi que queria visitar Machu Picchu, Atacama e o Salar de Uyuni na mesma viagem.
Pelo meu tempo apertado de férias, tive que ir de avião em metade dos trechos pra dar tempo de fazer tudo. Só que estes deslocamentos e o dólar astronômico da época encareceram a viagem. Hoje o dólar está um pouco mais baixo e se vocês tiverem uns dias a mais pra fazerem de ônibus os trechos que fiz de avião ou conseguirem promoção, provavelmente sairá mais barato do que os R$6.500,00 que gastei na viagem (nesse valor incluídas as bebidas e saídas a noite). Essa é uma viagem que se faz com US$1.500,00, podendo sair um pouco mais barato dependendo da pessoa.
Vamos lá!
A viagem começou a ser planejada em Março/Abril e como eu estava esperando uma promoção nas cia aéras, deixei de comprar uma passagem na Tam com preço médio de R$1.200,00 nas minhas pesquisas (alguns dias a passagem descia pra R$900,00 e poucos). Nessa espera por promoção, o preço só subiu, até que desisti e acabei pagando R$1.567,63 por esses trechos:
- Rio de Janeiro x Santiago
- Santiago x Calama
- Cusco x Rio de Janeiro (com escalas rápidas em Lima e São Paulo)
Com relação às roupas de frio, eu pensei bastante em comprar diversos casacos e botas, mas acabei encarando com as roupas que eu tinha de quando fui à Patagônia em 2012 (um abrigo corta vento da Trilhas e Rumos que acho que se chama Sommet e um casaco fleece esportivo).
Comprei somente um jogo de underwear com blusa e calça X-Thermo da Solo no site Submarino por R$157,94 e a calça modular Forclaz 100 da Quechua (aquela de trilha que vira bermuda) no site da Decathlon por R$145,94. A calça protegeu bem do frio com o underwear, inclusive no Salar de Uyuni. Não é corta vento, mas foi suficiente visto que só precisei da calça corta vento uma única vez.
- Santiago (25/9 – 27/9)
Dia 1: O meu voo do Rio para Santiago decolou na sexta por volta das 15h20 e cheguei por volta de 20h20 (horário local). Eu levei USD300,00 para as despesas iniciais e decidi sacar dinheiro nas cidades porque já sai na moeda local e a taxa de saque do meu banco é razoável (quando você saca um valor alto de uma vez, comepnsa). Apesar de ter pesquisado sobre transfer em Santiago, acabei fazendo besteira. Fui trocar uma parte do dinheiro para pagar o taxi e comer algo na primeira noite dentro do aeroporto. Quando fui ver o transfer, pelo meu espanhol enferrujado (e só me toquei disso depois) entendi que o cara tava pedindo CLP100.000 ao invés de CLP6.000. Acabei caindo na conversa de um taxista que estava me perseguindo no aeroporto e enchendo a paciência na frente de onde se troca dinheiro e fui com ele por CLP20.000. Depois quando cheguei no albergue descobri que o preço certo do taxi seria por volta de CLP15.000.

Vida que segue! Cheguei no Hostel Providencia e quem me atendeu na recepção foi um gringo e um brasileiro mega gente boa. No meu quarto tinha um cara do interior do Chile se arrumando para sair e um outro de Viena que estava dormindo. Como era relativamente cedo, já sai perguntando de lugares para comer e conhecer algum barzinho ou noitada. Guardei o mochilão e conversando com o chileno, acabamos descendo pra comprar bebida no outro lado da rua. O lugar que vendia bebida tinha um bar/lanchonete ao lado que vendia um sanduíche bom e preço justo.
Ai veio a primeira coisa esquisita, a cerveja lá é quente, no máximo resfriada na geladeira. No frio de 8ºC que tava acabou não sendo tão ruim. O chileno comprou rum e coca cola e voltamos para o hostel para beber, apesar de ser proibido entrar com bebida no hostel.
Enquanto conversávamos no quarto, na 2ª hora de viagem veio a segunda coisa esquisita (ainda mais pra brasileiro que nunca viveu isso): terremoto!!
Eu nem senti tanto, quando o chileno falou que reparei que o chão tava tremendo de verdade e não era o álcool, ai quando olhei pra cama, ela também tava tremendo quase saindo do lugar e foi ficando mais forte. O chileno, que mora perto da região onde teve o terremoto que destruiu uma parte do Chile uma semana antes da minha viagem, disse que não era forte, mas devíamos sair, mas assim que saímos do quarto, o terremoto parou. Quando perguntamos a uma das argentinas que passava no corredor, ela disse que nem tinha sentido. Rimos da situação e voltamos pro quarto. O cara de Viena acordou com o barulho e se uniu a nós para beber e sair.
Por volta de meia noite, descobrimos que a argentina que encontramos no corredor estava com um grupo de mais 40/50 estudantes de arquitetura de Córdoba/ARG e todos estavam dando uma festinha em uma área comum enorme que tem no hostel e que não incomoda quem está nos quartos, pois fica nos fundos praticamente. Nos unimos a eles e depois fomos para uma boate que o hostel deu pulseira para entrarmos de graça chamada Club 57.
O Hostel Providencia fica a 3/4 quadras da Plaza Baquedano, início do bairro Bellavista. Fomos andando para o Club 57 passando pela rua Pio Nono, onde ficam todos os bares e baladas. É perto, uns 10 minutos andando. Numa das ruas que corta a Pio Nono fica o Club 57. Curti muito o lugar!
Dia 2: eu acordei quase na hora do almoço e fiquei enrolando pra sair da cama. Desci para pedir um mapa na recepção e descobri que o Hostel Providencia tem um guichê de informações ao lado da recepção que funciona até 20h há mapas e dicas gratuitas da cidade com uma pessoa que fica nesse balcão de informações. Peguei meu mapa e as informações para o roteiro que tinha desenhado, e fui para o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos. Você pega o metro em Baldequano até a estação Quinta Normal. Não precisa sair da estação do metro porque há uma entrada do Museu com uma mini exposição dentro da estação e de lá você sobe para o museu. Um dos melhores museus que já visitei!
O muro ao lado da entrada quando você sobe do subsolo:
O museu possui três andares além do subsolo e do térreo. No térreo há vídeos, filmes curta metragem, fotos, notícias de jornais, diversos objetos e gravações de discursos da época da ditadura chilena. O primeiro andar mostra a época em que os militares deram o golpe no presidente Salvador Allende, tomaram o poder e instauraram a ditadura militar no Chile. Só que vendo as notícias e os curta metragens, fora os discursos de ódio, torna isso tudo muito mais real e você volta no tempo imergindo na história.
Você senta no banco que tem em frente às TVs e vê quem foi Pablo Neruda e o que ele representou quando vê o povo gritando seu nome inteiro e gritando “PRESENTE” nas ruas de Santiago durante o seu velório público, mortes de manifestantes por militar, a revolta do povo. Vê que o Estádio Nacional era um campo de concentração e escuta os depoimentos dos presos lá. Reproduções de celas e muito mais coisas interessantes.
O segundo andar mostra a revolução do povo, as ligações com a União Soviética, as manchetes da ditadura em jornais de outros países (inclusive no Brasil, com o jornal O Dia). O terceiro andar mostra a história do povo vencendo a ditadura, a articulação política da revolução, o famoso plebiscito do “NO” à permanencia dos militares no poder e como o Chile vai se restruturando sem os militares no poder. Pra quem gosta de história como eu, recomendo muito!
O museu tem uma atmosfera pesada e é bastante forte uma vez que trata de ditadura. Mas para quem é apaixonado por história e curte o tema, como eu, vale muito a pena conhecer.
Depois disso, conhecer Santiago se torna muito mais excitante. Eu peguei o metro para o centro (aproveitei e passei numa loja grande, acho que Fallabella, e comprei meias térmicas para o frio do Atacama e do Salar de Uyuni, recomendo!). Passei pela Catedral, andei um pouco pela Plaza de Armas e fui andando até a Plaza Constitucion onde fica o Palacio de la Moneda, casa da presidente Michelle Bachelet. Vendo aquilo tudo depois de saber que esse Palacio foi bombardeado e parcialmente destruído e entendendo porquê a estátua de Salvador Allende é importante depois de ver a história viva no Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, impossível não se curtir Santiago.
Depois de um tempo na Plaza Constitucion, fui andando ao Cerro Santa Lucia. Bem legal a vista de lá! Muitas subidas e os mirantes no topo são disputados, ainda mais sendo final de semana. Vale a pena.
No final da tarde voltei para o hostel e tava destruído por ter dormido pouco e andado o dia todo. Acabei dormindo enquanto o pessoal saía para mais uma festa. Acabei acordando meia noite e como não conseguia dormir e era sábado a noite, fui andar pelo bairro Bellavista.
Como tinha outra pulseira para entrar no Club 57, fui para lá e encontrei o cara de Viena do meu quarto com os amigos dele. Foi bem divertido. Engraçado ver a galera dançando músicas como É o Tchan e outros axés da década de 1990 que estão bombando lá agora, todo mundo sabe dançar as coreografias. Se você não sabe dançar essas músicas, não dançará com as chicas chilenas. Fica a dica!
Apesar de ter muito gringo, tem uma galera no Club 57 que é chilena e até umas 3h da manhã, os chilenos são maioria e os mais animados na pista, dançando todas as coreografias dessas músicas (Michel Teló é saideira quando todo mundo tá cansado). Depois dessa hora começa a tocar hip hop, house e outros tipos de música eletrônicas que tocam em qualquer boate/festa aqui no Brasil. Boate pra todos os gostos!
Dia 3: Domingo e todos foram embora no checkout. Eu ia embora só de madrugada, então tinha um dia inteiro. Me despedi da galera e voltei pra cama. Dormi até um pouco mais tarde e fui almoçar por volta das 13h30. Sai do albergue em direção ao Museo de Bellas Artes e Museo Contemporáneo. Eu almocei num restaurante/bar que tinha ao lado do Museo de Bellas Artes, almocei e tomei o famoso terremoto!! Achei meio doce e enjoativo, mas realmente é um terremoto na mente. Na próxima vez que for à Santiago, quero tomar Terremoto e as réplicas (os bares dão replicas aos clientes para quem pedem esse drink, igual às réplicas que são tremores menores que sempre vem após o terremoto).
Decidi entrar somente no Museo de Bellas Artes, pois ainda queria conhecer o Cerro San Cristobal. Achei o tour guiado do Museo de Bellas Artes meio sem graça, me separei do grupo na metade do tour e fui ver o museu por conta própria. O museu tem pinturas interessantes, mas algumas esculturas estão danificadas e poderiam ser restruturadas.
Fui andando ao Cerro San Cristóbal andando pelo Parque Florestal, que é bonito e tranqüilo. Na volta, olhando para Baldequano, é possível ver as cordilheiras ao fundo.
Chegando na Pio Nono, é só ir até o final. Como tinha tempo, fiz uma coisa que nunca faço em viagens: visitar o zoo da cidade. Tinha pouco tempo porque estava quase fechando, mas deu pra ver tudo. O destaque são os pássaros. Há um espaço grande em que pode andar entre eles. Felinos são dopados como em todos os zoos, o que é triste.
Alguns animais estão bem mal cuidados ou velhos, mas gostei da variedade. Parece que cuidam mais dos animais do que no zoo de Lujan em Buenos Aires. Vi tigre branco, papagaios de diversas cores, girafas comendo na mão dos visitantes, leão, pinguins, e muitos outros animais. O único animal que tinha no mapa do zoo que não vi foi o urso polar, só o urso pardo.
O teleférico do zoo para o Cerro estava fechado para manutenção, então tive que descer até o pé do Cerro San Cristobal para pegar o teleférico até o topo. De lá subi até a imagem da Virgem e os monumentos/imagem que tem por lá (tem uma imagem do papa João Paulo II). Curti o visual das Cordilheiras que ainda estavam nevadas e desci com o teleférico (aproveitei para comprar uma luva que pechinchei bastante no pé do Cerro).
Parei na Pio Nono, fiquei bebendo umas cervejas sozinho num dos bares e aproveitei para jantar (pollo e papas pra variar). Os bares do bairro Bellavista ficam cheios até domingo.
Obs: todas as comidas em Santiago são pollo e papas, com pimenta, molhos diferentes e algumas vezes arroz, mas sempre pollo e papas. Os chilenos de Santiago se alimentam muito mal, só comem isso e esses restaurantes e bares de rua só têm esses pratos com receitas diferentes, mas no fundo são sempre pollo e papas. O brasileiro que trabalha no hostel comentou isso comigo, que sente falta de comer bem porque em Santiago os chilenos se alimentam muito mal.
Voltando ao hostel, arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto pegar o vôo para Calama que sairia às 4h50 da manhã. Sai do hostel às 2h com o taxi que o pessoal do hostel pediu pra mim. Só pedir que eles agendam.
O detalhe que tinha combinado com o taxista que me levou para o hostel a volta por CLP18.000 (quando fechei estava crente que era um descontão), mas quando o pessoal do hostel disse que era CLP15.000, acabei abandonando o taxista que já tinha me enganado na ida ao hostel. Enfim, cheguei rápido no aeroporto e fiquei esperando 1h30. Após diversas mudanças de portão, embarquei rumo à Calama no horário marcado.
- San Pedro de Atacama (28/9 – 30/9)
Dia 4: foi um dos piores vôos que peguei na minha vida, apesar de ter uma lua cheia espetacular que ficou vermelha durante um período acompanhando o vôo.
E olha que já peguei 45min de total turbulência de Calafate para Ushuaia quando fui à Patagônia argentina que parecia que o avião ia cair.
Cheguei no aeroporto de Calama um pouco antes da 7h e já tinha reservado daqui do Brasil o transfer com a Licancabur. O transfer sairia somente às 8h e o pessoal me ofereceu café, chocolate quente e chá enquanto esperava. Durante esse tempo, senti um frio fora do normal dentro do aeroporto. Na hora de sair pra pegar o transfer, foi pior ainda devido ao frio. Comecei a colocar tudo que tinha trazido para o frio. Dois brasileiros que estavam no mesmo transfer também comentaram o frio que estava.
Após quase 2h chegamos em San Pedro de Atacama e o transfer me deixou na porta do hostel Backpackers. Achei legal, o chão é cheio de cascalho/pedras pequenas, as áreas comuns possuem redes, sofás, três ambientes fechados com cozinha, uma fogueira e violão. Bem o clima do Atacama!
Peguei um folder com os tours oferecidos pela agência parceira do hostel para ver os preços dos passeios. Eu já tinha visto aqui do Brasil a indicação em um blog sobre a FlaviaBia Expediciones e tinha mandado e-mail, mas fecharia somente lá no Atacama. A Flavia Bia é uma brasileira que trabalhou durante anos para a Ayllu, uma das mais famosas agências do Atacama. Recentemente ela abriu uma agência e organiza tours do jeito que ela sempre achou que deveria ser, mais voltado para o lado fotográfico, conhecendo os lugares sem correria, etc.
Mandei mensagem para a Flavia Bia para checar os dias de saída e os preços dos passeios com ela para poder comparar os dois. Estava mega bem, conversando com um brasileiro que trabalha no hostel até que decidi ir na rua comprar água, frutas e talvez passar no centro para decidir quais tours fazer, ver disponibilidade, etc.
Era uma distância relativamente próxima. A rua paralela ao hostel dava num campo em frente ao cemitério onde há uma feira para comprar frutas, algo tipo 300m do hostel. Quando estava indo conheci o soroche/puna/mal de altitude.

Do nada, andar dez passos ficou muito difícil. E tinha um aclive mínimo de três passos na rua para chegar à feira que parecia impossível de passar. Comecei a ficar tonto sem sentir o chão. Consegui chegar lentamente à feira, comprei as frutas e voltei pela rua só querendo deitar. Passei em uma das lojas/tendas que vendiam comida, água, biscoitos, etc. Vi que tinha balas e folhas de coca. Perguntei o que era melhor e mais rápido para o mal da altitude. A simpática vendedora disse que o melhor era mastigar folha de coca ou comer uma das balas a venda. Comprei a bala, folhas, doces, um galão de 5 litros de água, um frango, outras comidas para cozinhar e voltei ao hostel devagar e sempre, tonto e quase desmaiando. No hostel guardei tudo e fiquei sentado. A bala de coca deu uma segurada nos sintomas. Tomei o chá de coca que tinha no hostel e sobrevivi à puna.
Sentei e fiquei conversando com a FlaviaBia pelo whatsapp para ver os passeios. Ela disse que estava nos arredores e podia passar no meu hostel para vermos os passeios e para me explicar melhor cada passeio. Em 10/15min ela chegou de bicicleta e foi explicando cada passeio, o que tinha disponível, os dias que saía cada um.
Ela não tinha o Valle de La Luna com o sandboard que eu queria fazer, mas tinha a Laguna Cejar saindo naquela tarde. Olhando os dias disponíveis, acabei optando por fazer Laguna Cejar no primeiro dia, Lagunas Altiplanicas + Piedras Rojas no segundo dia, Geyser del Tatio de manhã e Valle de la Luna de tarde no terceiro dia. Eu não recordo ao certo, mas acho que fechei tudo por CLP170.000. É realmente mais caro que nas outras agências, mas os serviços oferecidos são visivelmente superiores. Vocês vão entender o que estou falando.
Eu cometi uma gafe porque fiz o almoço correndo e me arrumei esperando até 15h para o primeiro passeio. Deu umas 15h30 e nada da van que me pegaria. Ai mandei mensagem para a FlaviaBia pelo whatsapp. Ela me explicou que a van ia buscar todo mundo antes e o meu hostel era o último, mas disse pra não me preocupar porque ainda eram 14h30. Bola fora minha!

No Chile eles adotam um horário de verão maluco chamado horário de alternância e entraram no horário de verão no dia 6/9/2015 e só saem desse horário de verão em 24/4/2016. Por isso eu tinha que ter acertado meu relógio atrasando em 1h. Não percebi isso em Santiago porque não fiz nada com horário marcado e por isso cheguei mais cedo no aeroporto de Calama achando que o voo tinha sido mais rápido


No real horário combinado, o guia Alexis apareceu com a van na porta do hostel levando três senhoras gaúchas mega simpáticas. Fomos para a Laguna Cejar (2.300m de altitude) com o nosso guia e motorista explicando o que era cada montanha e vulcão na estrada. Chegamos na Laguna Cejar que estava vazia, com exceção de um grupo de cariocas que chegou na mesma hora de carro e uma família que estava indo embora. O lugar é muito bonito, incrível a laguna no meio do deserto. Mergulhamos e ficamos um bom tempo lá. A água é bem gelada e tem mais sal do que o Mar Morto e no meio há um buraco sem fim que dá pra ver enquanto você passa boiando. Foi bem legal ficar boiando na água gelada no calor do deserto sem afundar.
Depois do mergulho, há duchas (geladas) para retirar o sal. Fomos andar ao redor da laguna quando chegou um grupo grande na Laguna Cejar. Voltamos ao carro e visitamos os Ojos Del Salar e a Laguna Tebinquiche.
O nosso guia chegava em todos os lugares antes de todo mundo e enquanto andávamos na Laguna Tebinquiche nas trilhas que tem ao redor da laguna, Alexis preparou um lanche com diversas comidas e preparou pisco sour para todos do grupo verem o por do sol fazendo um brinde. Todos dos outros grupos olhavam, até uma senhora de outro tour chegou perto para ver o que era tanta comida e o que estávamos comendo (tinha tour que oferecia somente suco Del Valle e biscoito).
A noite, eu e o brasileiro que trabalha no hostel ficamos tocando violão na fogueira do hostel que ele acendeu e tomamos umas cervejas com uma canadense, uma francesa/boliviana e um holandês que estavam ali. O hostel possui uma regra que meia noite tem que acabar a fogueira e o som. Fui pra cama e acordei no meio da noite com a cama rodando. Sentei e fiquei bebendo água (o nosso guia Alexis ensinou que você precisa beber água em goles pequenos pra oxigenar o cérebro e isso ajuda muito na altitude). Pensei que fosse vomitar de tão tonto e enjoado que acordei, mas as balas de coca e a água seguraram a onda. Fiquei sentado, sempre que deitava a cama voltava a rodar, então não tinha como voltar a dormir.
Dia 5: Depois de passar uma péssima noite, o jeito era me arrumar para as Lagunas Altiplanicas + Piedras Rojas (4.200m de altitude) que saía às 7h. A estrada é longa e fomos parando em diversos pontos com o Alexis explicando tudo e dando tempo para tirarmos fotos. O grupo teve a presença da Flavia Bia, do Sérgio (projeto 50 Mundos – ele está rodando 50 países de moto e está) e de mais duas moças, todos muito gente boa.
O lugar é incrível, as lagunas refletindo as montanhas com gelo, o deserto e as diversas paisagens que vão mudando são sensacionais.
Ainda ganhamos a clássica foto na estrada:
Dia 6: a noite antes do Geyser del Tatio foi pior do que a noite anterior para dormir. A cama rodava mais ainda e nessa noite consegui dormir somente 2h. Mas é aquilo, sendo só um desconforto que não te deixa de cama, você tem que fazer os passeios e tentar esquecer a altitude. Nas Lagunas Altiplanicas eu masquei folha de coca porque senti um pouco de tontura e uma leve dor de cabeça, mas nesse dia não foi necessário, apesar de passar em lugares a 4.800m de altitude e chegar no campo geotérmico do Tatio (4.400m de altitude). Partimos às 5h e fomos dormindo (ou tentando). Uma dica é não beber de ficar borracho no dia anterior! Na altitude o álcool tem um efeito mais rápido, até para quem está acostumado a beber.
Os Geysers del Tatio são bem impressionantes! Chegamos lá num frio de -9ºC, com a lua de um lado e o sol nascendo do outro. Estava com quatro meias térmicas e senti como se meu pé estivesse congelado. Tirar a luva pra bater foto doía. Mas logo depois de um tempo, quando o sol ia nascendo, a situação ia melhorando. Tomamos um ótimo café da manhã com direito a leite sendo esquentado nos geysers.
Na parte da tarde, fomos para o Valle de La Luna e Valle de La Muerte. Eu achei legal e imponente os valles vistos de cima, mas eu queria ter feito o sandboard com o por do sol nas dunas e achei as andanças nos valles bem sem graça para falar a verdade. Talvez porque eu queria o sandboard com por do sol, talvez porque eu visitei lugares mais bonitos antes, sei lá. Vai de cada um! Contudo, confesso que os vinhos e os lanches vendo o por do sol no Valle de La Luna foram recompensadores!
Escolha de agências - observação pessoal:
Os passeios da FlaviaBia Expediciones são totalmente fotográficos. Você pega os melhores ângulos e tem as melhores fotos, mas o Valle de La Luna é o único passeio que eu teria feito com outra agência porque queria fazer o sandboard ao invés de ter andado pelo Valle. A Flávia até tentou arrumar outra agência por fora que fizesse esse passeio pra mim, mas nenhuma voltava depois do por do sol naquele dia, dei azar! O Brasil tem diversas praias com sandboard (Jericoacoara, Floripa, Praia da Pipa e diversas outras do Nordeste), então não é algo tão imperdível e impossível de ser feito, por isso também decidi abrir mão e incluir no pacote com os outros passeios para ficar mais em conta no final.
Eu encontrei a indicação da FlaviaBia Expediciones no blog Um Viajante. Ela é uma brasileira que está no Atacama há 5 anos e trabalhava na agência Ayllu. Agora ela saiu da agência e está organizando tours do jeito dela, sem querer crescer e virar uma big agência como a Ayllu, contando com guias freelancers experientes como o Alexis que tem 7 anos de experiência como guia no Atacama e dirige desde pequeno pelas estradas do Chile (ele contou que aprendeu a dirigir quando era criança e acompanhava o avô nas estradas de caminhão de Antofagasta e Calama).
A minha opinião é que valeu muito a pena fechar todos os passeios com a FlaviaBia Expediciones. Além de escolher um guia mega gente boa, experiente, que conseguiu tornar os passeios quase privados porque sempre chegava antes nos lugares e quando tinha gente fazia o caminho inverso dos tours clássicos das agências maiores, você via que tanto ela, quanto o guia faziam aquilo com paixão. Os locais de fotos sempre estavam vazios. Paramos no meio da estrada pra tirar as fotos clássicas com as montanhas no mundo e as sugestões de locais para tirar foto foram ótimos. As comidas que a FlaviaBia preparava para os tours eram excelentes e tinha dias que eu não comia quase nada no hostel por ter comido nos passeios. Eu acabei deixando comida no hostel porque comia no tour. As fotos eram sempre fantásticas e você parava pra ficar olhando aquilo esquecendo que estava em um tour.
Eu acho que em uma viagem você deve estar preparado para gastar o justo, ainda que isso não seja o mais barato em algumas vezes. Vale a pena pagar um pouco mais caro por um serviço melhor e que te faz economizar em outras coisas, seja nas refeições, seja em acionar o seguro de vida. Tem que colocar tudo na balança.
Quando retornei do passeio nos Geysers del Tatio no dia 6, eu rodei a cidade com uma menina que tava fazendo o tour comigo atrás do tour até o Salar de Uyuni. Nas principais agências que fui os preços (3d2n) eram CLP99.000 na World White Travel, CLP85.000 na Colque e CLP114.000 na Cordillera Travel. A FlaviaBia disse que não ia recomendar ou deixar de recomendar nenhuma agência porque quando fez o Salar de Uyuni, o motorista estava bêbado e era totalmente irresponsável e a maioria era assim, então fui buscar minhas impressões em amigos que já fizeram e histórias que conheço. Conheço pessoas próximas que perderam uma amiga 2 meses antes da minha viagem nesse tour. Ela faleceu porque pegou o tour com um desses motoristas bêbados e o carro dela colidiu com outro carro no Salar de Uyuni porque o motorista dela estava bêbado, ou porque o motorista dela e o do outro carro estavam bêbados, ninguém nunca descobriu. O que apareceu nas notícias é que morreram 10 pessoas nos dois carros juntos por isso.
Pensando nisso e como vi a diferença entre o serviço da FlaviaBia e os outros, vi que pagar um pouco mais caro por um serviço melhor vale a pena. Os brasileiros que estavam no hostel de uma menina do meu tour com a FlaviaBia fecharam diversos passeios com a Cordillera e conseguiram o tour de 4 dias e 3 noites por CLP120.000. Tentamos chorar desconto na Cordillera e o máximo que conseguimos com o mal educado dono da empresa foram míseros CLP5.000. A menina saiu estressada porque queria pagar o mesmo preço que os brasileiros do hostel dela e não fechou na hora. Eu tentei negociar mais depois que ela foi embora (tentar baixar mais CLP9.000), mas não foi possível. O cara é irredutível e acabei fechando por CLP109.000 mesmo, afinal, apesar de ser a mais cara, era a agência mais confiável pelos relatos dos meus amigos e alguns lidos na internet.
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