E aí, galera! Passamos ,eu e Thiago (member/Thiago%20Dias%20V), 3 semanas entre Patagônia Argentina e Chilena em jan.2017 e vamos tentar contribuir aqui com nosso relato, já que foi aqui no Mochileiros que conseguimos tirar praticamente todas as nossas dúvidas, desde roupas apropriadas, até bons supermercados, e fazer nosso próprio roteiro, baseado no de várias pessoas massas que tem por aqui.
E por que a Patagônia?
Há uns 4 anos eu vi uma foto do lago Pehoe em TDP e fiquei encantada. Em 2014 fiz um amigo argentino que me apresentou El Chaltén e foi amor à primeira vista. Em 2015, logo quando conheci o Thiago, introduzi o sonho da Patagônia nele também kkk Daí, em maio do ano passado, decidimos que tava na hora de começar a colocar o sonho em prática. Foi quando começamos a planejar.
O primeiro problema foi a vestimenta. Vivemos onde faz sol de preparar para o inferno uns 360 dias por ano. Logo, não se oferta quase nada de frio e o que tem não esquenta muito ou é feito de materiais não indicados para esse tipo de viagem. Tivemos que comprar todas as roupas e calçados por lojas online (Decathlon, CotsWold Outdoor e Alpinetrek, sendo as duas últimas lojas europeias)
Com mochila, barraca, saco de dormir não nos preocupamos, pois uns amigos que fizeram TDP em 2015 emprestaram tudo pra gente. <3 Mas indicamos coisas leves e sacos de dormir que esquentem bem.
O que cada um levou de vestimenta e calçado:
Duas camisas dry fit (Thiago levou 3) techfresh (Quechua);
Uma camisa segunda pele (eu levei duas) (Wedze);
Uma calça segunda pele (Wedze);
Um fleece mais fino (Ayacucho BlizzArt 3-1) e um fleece mais grosso (Quechua Forclaz 500);
Uma calça fleece (Quechua);
Casaco corta-vento impermeável (Ayacucho BlizzArt 3-1), muito bom;
Calça corta-vento impermeável (Montagne, que compramos em Buenos Aires mas se mostraram um desastre, o que será relatado mais à frente);
Shorts (só usamos em Buenos Aires);
Chinelo de dedo;
2 pares de meias liners (Lupo Dry);
2 pares de meias de lã merino (Bridgedale); [vejam a importância de boas meias quentinhas aqui: meias-t11589.html]
Bota impermeável (Scarpa Kailash GTX), excelente;
2 toalhas de secagem rápida - uma grande e uma pequena (Nabaiji).
2 mochilas de ataque (Forclaz 20 air).
As meias, botas e o corta-vento 3 em 1 vieram da Irlanda com uns amigos que estavam lá. Segunda pele, fleece, toalhas e as duas mochilas de ataque compramos no site da Decathlon. Mochilão, isolante térmico, saco de dormir, bastões de trekking e barraca pegamos emprestados com os mesmos amigos que trouxeram nossas coisas. Levamos poucas meias pois tentamos lavá-las quando ficávamos em hostel.
Não temos do que reclamar de nada que compramos (exceto da calça impermeável da Montagne) e só levamos o essencial. Todos foram úteis em algum momento. Mas os mais importantes são o corta-vento e as botas.
Uma bota boa vai salvar seu pé de muito sufoco e, muito provavelmente, sua vida também. Em terrenos pedregosos, como a Loma del Pliegue Tumbado e a Laguna de los Tres, é muito importante ter o calçado certo. Vimos gente de tênis por lá, mas não deve ser o mais seguro e confortável (ainda mais na Laguna de Los Tres, pois no dia que fizemos a trilha choveu na noite anterior e se formou um córrego na trilha, o que a deixou meio escorregadia). É claro que também você não vai deixar de fazer só por isso.
Mas mais uma vez indicamos a bota. Eu nunca tinha usado uma e amei a minha. É uma bota realmente boa. Não precisou nem amaciar e se mostrou impermeável sempre. Passamos por lama, rio e chuva e ela se manteve intacta.
O casaco fleece é que se você não usar só vai passar frio mesmo. E com o vento de lá só fleece não resolve muito em locais abertos. Mas é bem útil pra dormir. E confortável!
Durante o dia dá pra ficar de boa só com dry fit se estiver mais quente ou segunda pele e corta-vento se estiver um clima mais frio.
Seguro Viagem
Fizemos pela Mondial, saiu R$ 293,52 para os dois. Não usamos (ainda bem haha). Sempre que um dos dois começava a reclamar de qualquer sintoma que fosse a gente já tirava a bolsinha de medicamentos da mochila e tratava logo o problema.
Itens diversos
Acho importante também relatar o que levamos ou o que compramos lá que acharíamos que seria importante para as nossas trilhas e nossa rotina na viagem, ainda mais pra quem está preparando um mochilão pela primeira vez:
Medicamentos:
Levamos analgésicos e antitérmicos (Dipirona ou Novalgina e Ibuprofeno), Simeticona (Luftal), anti-inflamatório (Nimesulida, para prevenir futuras crises de garganta), antialérgicos (Loratadina, Prometazina ou Fenergan, Decongex e Dexametasona), para enjoo e vômito (Bromoprida), relaxante muscular (Ciclobenzaprina ou Miosan), para cólicas (Buscopan e Ácido Mefenâmico ou Ponstan), Dexpantenol para hidratação de lábios, nariz e dedos (o famoso Bepantol, mas compramos genérico porque o preço do Bepantol é absurdo).
Desses o que não pode faltar são os antialérgicos, principalmente os mais fortes como Fenergan e Dexametasona, pois nunca se sabe em que momento da viagem você pode ter uma crise alérgica séria, mesmo sem nunca ter tido algo parecido antes, por motivos como alguma comida exótica que você nunca comeu ou picadas de insetos. Como ambos temos rinite alérgica, também levamos antialérgicos mais brandos para esse fim.
Kit primeiros socorros, higiene e relacionados:
Esparadrapo e gaze (para curativos e para cobrir possíveis calos e bolhas nos pés), álcool 70 e clorexidina 2% (como antissépticos para limpeza de feridas), talco, repelente de insetos, protetor solar para rosto e corpo, tesourinha de unha, xampu e condicionador (um frasquinho de 100 mL cada que desse para toda a viagem).
Diversos:
Um rolo de fita tipo silver tape, saquinhos tipo zip lock, uma lanterna de mão e uma de cabeça, pilhas, um fogareiro pequeno, uma panela leiteira pequena (fazíamos a comida e nos campings comíamos nela mesmo), câmera fotográfica cybershot, apito, corda, duas doleiras (uma pra cada, para guardar boa parte do dinheiro e o passaporte, evitando risco de perda ou roubo), comidas como leite em pó, sopa instantânea, aveia, atum enlatado, macarrão (expresso 3 minutos mas não é tipo miojo hahaha), purê de batata, barras de proteína e sal.
Gastos
Gastamos cerca de R$ 6500 no total. Sem aéreo. Levamos R$ 3500 em espécie e cartão de crédito com R$ 3000 de limite.
Menos de 1/3 foi com hospedagem e o resto foi transporte, entradas de parque, passeios e alimentação.
Podemos dizer que o que mais deixa caro é o deslocamento, principalmente na Argentina. As passagens de ônibus na Argentina são todas caras. Nenhuma, por mais que seja perto, custa menos de 100 R$. Então, se a intenção for deixar a viagem mais econômica, desloque-se menos. Ou vá de carona.
Dentro da cidade, táxi só em último caso. Na viagem inteira só usamos táxis 3 vezes, uma saindo do Aeroparque, outra indo e voltando do Glaciar Martial e outra indo pro aeroporto de Ushuaia (que com disposição dá pra ir a pé).
Alimentação dá pra salvar fazendo no hostel. Não deixamos de comer fora, mas também não saímos esbanjando. Só comíamos fora quando a preguiça ou cansaço batiam forte. Em Ushuaia a única coisa que comemos fora foi um sorvete na Freddo, que por sinal tava bem caro.
Passeio pago foi só a Pinguinera na Isla Magdalena mesmo.
Pra uma viagem de 3 semanas e na Patagônia podemos dizer que foi até econômico rs
Passagens aéreas
Como somos de Fortaleza e compramos as passagens com milhas, não temos como informar valores de voos, somente das taxas (que por sinal, a taxa de embarque da volta para o Brasil foi bem cara, R$ 290,82 por pessoa), e o valor da volta de Ushuaia a Buenos Aires (R$ 1529,42 para os dois). Passamos dois dias em Buenos Aires pra fazer câmbio e terminar de comprar nossas roupas para trekking, pois vimos que câmbio na Patagônia não é bom.
Roteiro
Pré-Patagônia
07.01 – FOR-AEP: Dia em aeroportos, avião e câmbio no Aeroparque;
08.01 – Buenos Aires: Compras na Montagne, Obelisco, Plaza de Mayo/Casa Rosada, Feira de San Telmo, Puerto Madero;
09.01 – Buenos Aires: Câmbio e Bosques de Palermo, ou Como perdemos um dia no banco e tomamos o maior e mais inesperado banho de nossas vidas;
Parte 01 - Patagônia Argentina
10.01 – AEP-FTE e o melhor cubierto da vida;
11.01 – El Calafate: Perito Moreno e ida a El Chaltén;
12.01 – El Chaltén: Loma Del Pliegue Tumbado;
13.01 – El Chaltén: Chorrillo Del Salto;
14.01 – El Chaltén: Laguna Capri e Campamento Poincenot;
15.01 – El Chaltén: Glaciar Piedras Blancas;
16.01 – El Chaltén: Laguna de Los Tres e volta para Calafate;
Parte 02 - Patagônia Chilena
17.01 – El Calafate-Puerto Natales: compras de comidas para Torres Del Paine;
18.01 – Puerto Natales-Torres Del Paine: ida ao Campamento Paine Grande, ou Como tudo começou a dar errado;
19.01 – TDP: ida ao Campamento Italiano;
20.01 – TDP: ida ao Campamento Las Torres Central, ou Como deu realmente tudo errado;
21.01 – TDP-Puerto Natales: Recarregar as energias;
22.01 – Puerto Natales-Punta Arenas: Visita aos pinguinos na Isla Magdalena;
23.01 – Punta Arenas-Ushuaia: o dia inteiro num ônibus;
Parte 03 - Voltei, Patagônia Argentina, meu amor
24.01 – Ushuaia: Recarga de energias;
25.01 – Ushuaia: Glaciar Martial;
26.01 – Ushuaia: Parque Nacional Tierra Del Fuego;
27.01 – Ushuaia: Parque Nacional Tierra Del Fuego e volta para Buenos Aires;
28.01 – Buenos Aires: Livraria El Ateneo, Floralis Generica e volta pra casa.
Pré-Patagônia
Dia 07 – FOR-AEP: Dia em aeroportos, avião e câmbio no Aeroparque;
Saímos de Fortaleza pela Latam, chegamos a Guarulhos e almoçamos no Vivenda do Camarão, Terminal 2. Comida boa e o único restaurante que não pedia nosso rim em troca. Um prato de filé de peixe tava uns 20 e poucos reais.
Passamos mais um tempão lá e, finalmente, fomos pro Aeroparque. Quando chegamos o Banco de La Nacion de lá ainda estava aberto (fecha meia-noite e abre às 06h) e com uma cotação muito melhor do que esperávamos. 5,60 PESOS ARGENTINOS POR REAL!!! Fizemos câmbio e tentamos pegar um Uber até o hostel, mas eles não aceitam corridas saindo de lá. Saímos, pegamos um táxi na rua com um taxista nada gentil e super grosseiro e chegamos no Hostel Suites Palermo. A reserva de um quarto privado foi feita pelo Hostelworld. Quando chegamos, eis a surpresa: o quarto não tem ar-condicionado.
Nem ventilador.
E tava um calor pior do que o de Fortaleza. ãã2::'>
Dia 08 – Buenos Aires: Compras na Montagne, Obelisco, Plaza de Mayo/Casa Rosada, Feira de San Telmo, Puerto Madero;
Tomamos café (bem fraquinho. Café, leite, pão, doce de leite, manteiga, geleia, cereal, suco) no hostel e fomos à Montagne procurar umas calças impermeáveis que ainda não tínhamos. Escolhemos essa loja porque o Thiago viu durante a pesquisa que tinha um preço relativamente bom e as coisas eram boas. Lá compramos as calças e neck cuellos (aquele paninho multiuso pra pescoço, nariz que não sei como chama no BR).
Compramos um cartão SUBE - cartão para se utilizar os ônibus e o metrô da cidade, e só se pode utilizar esses serviços com o cartão, já que não aceitam passagem paga em dinheiro - num kiosco, recarregamos na estação e pegamos o metrô (Subte) até o Centro. Fomos ao Obelisco, almoçamos por lá, descemos caminhando para a Plaza de Mayo/Casa Rosada e seguimos para a Feira de San Telmo (maravilhooosaaaaa), onde compramos luvas e gorro de lã, a um preço bem camarada (já que não pretendíamos mais comprar equipamentos caros, tentaríamos nos virar com as luvas de lã mesmo). Passamos num mercadinho chino e compramos o melhor doce de leite!!!! Bom e barato. INDICO. La Serenisima Estilo Colonial. Vende em qualquer mercado. Pegamos a recomendação do menino que não sei o nome (Olá ) do Patagônia Colossal (ótimo relato. Eis o link: patagonia-colossal-ushuaia-tdp-el-chalten-calafate-e-buenos-aires-22-dias-em-abril-de-2014-t96868.html)
Descemos para Puerto Madero, Puente de La Mujer. Super lotado. Deve ser a beira-mar da galera de lá.
Voltamos para o hostel e depois jantamos na Pizzaria Kentucky, perto do hostel. Funciona 24h e a pizza tem uma massa bem boa. Grossinha, mas crocante. Magia argentina, acho. Mas o que chamam de calabresa por lá na verdade é salame, então foi meio estranho para quem curte pizza de calabresa no Brasil. rs
Dia 09 – Buenos Aires: Câmbio e Bosques de Palermo, ou Como perdemos um dia no banco e tomamos o maior e mais inesperado banho de nossas vidas;
Quando fizemos o câmbio no aeroporto, no dia que chegamos à cidade, tentamos fazer para pesos chilenos também, mas o cara do banco falou que só era possível no mesmo dia da ida para o Chile. Como iríamos por Calafate, de ônibus, e só uns dias depois, não ia dar certo. Então ele falou que poderíamos tentar nas casas de câmbio do Centro.
Fomos ao Centro e ficamos perguntando a um cambista e outro. O problema é que eles não trocavam de real para pesos chilenos direto. Primeiro cambiavam para peso argentino e depois para chileno e a cotação de peso argentino tava tabelada nos 5 (enquanto no banco estava 5,6) por real. Foi aí que tivemos a brilhante ideia de cambiar os R$ por AR$ no Banco de La Nacion da Plaza.
FOI A PIOR IDEIA DE TODAS!
Entramos no banco e tinha uma filinha. Então resolvemos ficar lá porque a fila não tava assim tão grande.
SÓ QUE NÃO ANDAVA.
Em suma, passamos a tarde inteira no banco!
Lá a gente fica numa primeira fila para triagem e só depois vamos para a fila de cambiar de verdade. Nessa triagem acho que tinha só 1 ou 2 funcionários. Um deles desmentiu o cara do aeroporto e tirou nossa ilusão de trocar por chilenos lá mesmo, pois, segundo ele, estrangeiro só pode trocar por peso argentino (o que até faz sentido).
Depois de uma tarde perdida, e de ver que burocracia inútil também é comum na Argentina, encontramos um peruano muito gente boa (que falava super rápido e não entendíamos quase nada) que trocou os pesos argentinos por chilenos pra gente, numa cotação excelente de 200 pesos chilenos por real (que já tinha virado pesos argentinos). O sufoco foi na hora de trocar. Quando ele me dá os CLP e começo a contar, a polícia começa a ficar de olho e vir pra cima da gente e eu só pensando na manchete “brasileiros presos em flagrante realizando câmbio negro em Buenos Aires”
Daí ele levou a gente pro prédio dele pra disfarçar e eu já desconfiada achando que iam pegar a gente no caminho e levar todo nosso dinheiro! Felizmente deu tudo certo e indicamos o peruano! Ele fica numa esquina da Florida, +/- no nº 100, tem cara de peruano, é baixinho e gente boa :'>
Passado o sufoco de câmbio e uma quase prisão, pegamos um Subte de volta à Palermo e fomos para os bosques. No caminho a gente viu uma família de papagaios lá nas árvores! Em pleno turbilhão de Buenos Aires! Pensamos na importância das zonas verdes em áreas urbanas e ficamos ali um pedaço amando os bichinhos.
Foi então que vimos que o céu tava ficando meio escuro, sentimos umas gotinhas beeeem leves, mas só pensamos “ah, não vai chover logo” e seguimos para o Planetário. Chegamos lá e... fechado! Parece que esses espaços culturais fecham às segundas. Ficamos admirando os patinhos no lago e DO NADA, BEM DO NADA MESMO, começa a cair uma chuva daquelas de cinema, com aqueles pingos gigantescos que doem quando batem na pele e um vento chicoteando. Eu e Thiago somos míopes de doer e a chuva encharcou tudo nosso, inclusive os óculos. Então, além de tudo, estávamos cegos!
Mas o pior ainda estava por vir... rs No dia anterior a gente tinha andado muito e com chinelo de dedo. Daí no fim do dia os pés tavam bem fodidos. Como eles seriam bem exigidos nas trilhas, resolvemos que no outro dia iríamos de bota. Rerere
A bota era impermeável. O problema é que os dois estavam de shorts e a água entrou toda por cima, transformando as botas em verdadeiras piscinas para nossos pés!
Ainda tivemos que voltar pro hostel a pé, porque táxi nenhum queria pegar a gente e o que tínhamos no SUBE não dava pra duas passagens nos ônibus kkkkkkk
Já tínhamos feito check out no hostel, mas o recepcionista (brasileiro. Flávio ou Fabiano. Alguma coisa com F. Obrigada, amigo) foi super gente boa e deixou a gente fazer uma bagunça na sala com nossas coisas e usar o banheiro pra tomar banho e se recompor. A gente só tinha levado as botas e chinelo de dedo e elas ainda tavam encharcadas. Então era só chorar e esperar que secassem no hostel de Calafate kkkkkkkkkkk
Saímos para comprar umas empanadas na El Secreto. Uma mini padaria que fica na Av. Santa Fé e tem essas empanadas MARAVILHOSAS, super recheadas e crocantes. Por 22 pesos cada. Voltamos pro hostel, pegamos nossas mochilas e nossas botas que estavam pesando 5 kg o par e pedimos um Uber pro Aeroparque, pois o voo sairia de madrugada. O Uber deu quase o mesmo valor do táxi, uns 100 e poucos pesos.
Parte 01 - Patagônia Argentina
Dia 10 – AEP-FTE e o melhor cubierto da vida;
Viajamos de chinelo de dedo e com as botas molhadas dentro de sacolas plásticas como bagagem de mão . Pegamos o voo com a Latam argentina no Aeroparque com conexão em Ushuaia e, por fim, El Calafate. O que pode ser dito é que a Lan pareceu péssima! O lanche foi péssimo (um único biscoito de limão, um mini alfajor e um bombom de amendoim horríiiiiiivel!), os espaços super apertados (muito mais que em aviões da Gol) e no voo final não teve nadica de nada de lanche. Acho que só água!
O aeroporto de Calafate é longe da cidade. Uns 20 km, acho. Então só rola ir de van ou táxi. Pegamos uma van pela Ves Patagonia no próprio aeroporto. Custou 160 pesos por pessoa, eles deixam na porta do hostel/hotel e não precisa reservar antes. Lá na hora tem essa e outras empresas disponíveis. Os táxis custam uns 400 e tantos pesos (pelo que lembro), então deve valer a pena para grupos de 3 ou 4 pessoas.
Chegamos ao Hostel Del Glaciar Pioneros e já sentimos o vento patagônico nos pés A recepcionista olhou pra gente e pros nossos pés descalços com um jeito meio estranho E aí vem outra surpresa...
Reservamos duas camas em quarto compartilhado pelo Booking, daí a recepcionista disse que o Booking tinha jogado pra quartos separados e agora ela não tinha mais o que fazer, pois o hostel tava lotado! Fiquei meio P na hora, mas já tava bem preocupada com as botas, então deixei pra lá. No fim nem fez muita diferença, porque dormimos na mesma cama.
Para nossa alegria, tava um dia lindo, ventando pra caralho (como sempre) e bem ensolarado. As botas ficaram num gramado secando e fomos almoçar, comprar comida para El Chaltén e as passagens para Puerto Natales, já que para El Chaltén e Perito Moreno compramos tudo antecipadamente com a Caltur (72 dólares por duas pernoites no hostel Pioneros del Valle em El Chaltén, 99 dólares pelas passagens de ida para El Chaltén e volta para El Calafate e 55 dólares das passagens de ida ao Perito Moreno e volta a El Calafate).
Pesquisamos em todas as empresas na rodoviária e o preço da passagem de Calafate para Puerto Natales variava de 450 a 500 pesos. Compramos para o dia 17, às 08h, com a Turismo Zaahj por 500 + 10 pesos, que são como uma taxa de embarque da rodoviária de Calafate que você tem que pagar em cada viagem.
Almoçamos no 9405 e indicamos mais pelo melhor cubierto da vida! Eles servem um pão maravilhoso com uma bebidinha cítrica muito boa (até hoje não sei se ali é só limonada ou tem algo mais kkkkk). O almoço até que tava bom, mas o cubierto era excepcional kkkkkk Ah, pedimos truta e cerdo com vegetais e os pratos custaram cerca de 200 pesos cada.
Fomos ao supermercado La Anonima e compramos algumas comidas já para El Chaltén, pois a gente leu por aqui que lá não tem quase nada e é tudo caro. E é bem assim mesmo!
Ao voltar para o hostel, ficamos extremamente aliviados ao ver que as botas, que estavam bem molhadas quando chegamos, secaram bem e poderiam ser usadas normalmente no dia seguinte, na ida ao Perito Moreno.
Dia 11 – El Calafate: Perito Moreno e ida a El Chaltén;
Nos enrolamos no café e saímos correndo do hostel para a rodoviária com medo de perder o ônibus para o Perito Moreno, que saía às 9h. Detalhe: a rodoviária tem umas escadinhas chatinhas pra você subir de mochila, mas nada horrível. Como dito acima, fomos no ônibus da Caltur para o Perito. Várias empresas fazem o trajeto, que dura umas 2h e custa uns 200 e tantos pesos (o trecho) + a entrada no parque, que pra integrantes do MERCOSUL é 250 pesos.
Na entrada do parque pagamos o ingresso, ouvimos as instruções da galera que trabalha lá e recebemos folhetos informativos e saquinhos para lixo. Daí eles saem, o ônibus segue mais um pouquinho e a gente começa a ver aquele negócio gigaaaaante, lindo pra caralho e ter um heart attack.
Decidimos não contratar nenhum passeio. Tudo que envolve gelo é caro pra cacete e eu ainda não tava segura sobre o impacto ambiental dessas caminhadas no gelo. Então, ficamos nas passarelas. O impacto ambiental é mínimo (embora tenhamos achado uns lixinhos embaixo das passarelas como tampas de garrafas PET e pedaços de pacote de biscoito) e o bolso também agradece hehe
Nas passarelas você pode escolher entre 5 caminhos e seguir.
Vão desde o acessível, com elevador e tudo, até o mais difícil, que é pelo bosque (acho). Começamos com o que vai pela costa do lago e foi maravilhoso. Estar pertinho daquele negócio gigantesco com seus milhares de metros de extensão, dezenas de altura e milhares de anos de existência é de uma sensação única na vida. Se a viagem acabasse ali, eu já voltaria plena.
E ali ainda era só o começo da Patagônia <3
Paramos por um momento pra comer e ouvir os sons dos pedaços do glaciar se desprendendo e afundando no Lago Argentino quando aparece uma corujinha beeem pertinho!
A vista central das passarelas.
Voltamos para a parte dos ônibus e compramos uns hambúrgueres num café de lá. Foi gostosinho e até que não muito caro, uns 100 e poucos pesos cada. Entramos no ônibus, mas querendo ter virado uma pedrinha do Glaciar (rs) e voltamos para Calafate.
Chegamos à rodoviária, pegamos nossas mochilas no escritório da Caltur (a moça que vendeu as passagens pra gente, Yamila, foi super atenciosa e disse pra gente deixar tudo lá, porque se fosse pegar no hostel não ia dar tempo) e pegamos outro bus, agora para El Chaltén.
A viagem dura 3 horas e, quando tá chegando, a gente já sabe que vai ser foda. O Fitz Roy já começa a dar o ar da graça e tudo que você quer é só amar aquilo ali!
Daí quando a gente chega no povoado vê logo UM MOCHILÃO ESCULPIDO EM MADEIRA NO MEIO DA CIDADE!
O motorista do ônibus deixou a gente no hostel Pioneros Del Valle (os dois tem parceria e rola até um descontinho se comprar as passagens pela Caltur e se hospedar lá). Dessa vez não teve nenhum imprevisto (aleluia), só que eles tavam sem mapa da cidade mesmo, mas pegamos um no Centro de Informações no outro dia.
Jantamos no hostel e fomos dormir, porque o outro dia prometia rsss
Dia 12 – El Chaltén: Loma Del Pliegue Tumbado;
A Loma. Ai, a Loma...
Tomamos café e seguimos logo pro Centro de Informações, que fica ao lado da rodoviária. Lá dá pra saber sobre hospedagem, alimentação, pegar mapas, etc. Falamos que queríamos fazer a Loma e a moça disse que tínhamos que ir até o Centro de Visitantes do Parque, pois não é recomendado fazer a Loma em dia com previsão de chuva, neve ou muito vento. Lá a guardaparque autorizou, mas perguntou se estávamos preparados pra mudanças no clima e para o escurecer.
Felizmente, o dia novamente estava bonito e não teve nenhuma mudança brusca no tempo.
Daí começamos a bendita trilha. PQP
Sou semissedentária e sofri horrores.
Era quase um calvário, mas ao mesmo tempo eu tava amando e achando tudo lindo!!!
A trilha é entre 10 e 12 km (muda de um mapa pro outro rs) dura mais de 4 horas e é só subida. Uma subida sem fim. O desnível é de 1 km rs Mas não desanima porque é cheio de idoso e criança fazendo!
Começa numa área aberta, um descampado. Daí segue pelo bosque, passa por outro descampado, volta pro bosque e depois chega ao mirador. Depois do mirador é só pedra, pedra e pedra. De todos os tamanhos e num lugar todo aberto.
A trilha é toda bem demarcada e, na parte das pedras que não dá pra demarcar, há umas estacas amarelas sinalizando o caminho. Então risco de se perder não tem.
Depois de quase morrer de cansaço e dor no joelho subindo, eis a vista:
Passamos um tempo lá (esperando o Fitz Roy aparecer por trás das nuvens mas sem sucesso ) e voltamos. No meio do caminho a gente vê uma galera correndo na descida e com umas cargueiras e já olha pra trás desesperado Na hora ninguém descobriu o que era, mas aí vimos que o tempo não tava mais tão lindo assim e era bom se abrigar. Quando vou colocar a calça impermeável (aquela nova comprada em Buenos Aires), o zíper da perna trava e não fecha mais Logo depois começa a cair umas gotinhas, mas coisa bem suave.
Ainda na descida, lá vem outra criatura correndo e com cargueira. Passa por nós e pergunta se estamos bem. É aí que notamos que é um guardaparque. Só consigo sentir inveja do condicionamento físico e do trabalho maravilhoso!
Passamos no mercado e as prateleiras vazias, quase todas. Tentamos comprar queijo, mas só tinha cremoso, salame, mas só tinha um estranho! Compramos uns pedaços de carne pra fazer (isso nunca falta na Argentina) e fomos jantar no hostel.
O planejado era ficar duas noites no hostel e, no outro dia, seguir para o Poincenot e montar acampamento lá. Só que na volta da Loma os dois estavam mortos e nenhum tinha estrutura para sair com mochilão no outro dia. Tentamos mais uma diária no hostel, mas estava lotado. Então, só aproveitamos bem a dormida, já que no outro dia estaríamos desabrigados.
Dia 13 – El Chaltén: Chorrillo Del Salto;
Café, arrumar as tralhas pra fazer check out no hostel (aqui o Thiago percebeu que a calça corta vento que ele comprou na Montagne, em Buenos Aires, estava começando a rasgar bem na virilha, perto do ziper, e não aparentava que iria parar de rasgar com os movimentos comuns de um trekking ) e lá fomos nós em busca de um teto.
TUDO LOTADO!
A única coisa que achamos disponível era uma cabana. Mais de 1500 pesos a diária!!!
Aceitamos a vida de sem teto e fomos almoçar pra tentar ir acampar na Laguna Capri. Fomos ao restaurante Ahonikenk, que pegamos a indicação aqui, (realmente bom e barato) e... Eles tem uns quartos em cima!
Já tínhamos visto isso no dia anterior e tentado lá, mas a moça disse que só no dia mesmo, pois lá não tinha reserva. Nem aparecemos antes porque ficamos pensando que já estava lotado. Depois do almoço entramos lá e... tinha vaga!
Era melhor que não tivesse!!!
Não era um hostel, era um muquifo só Tudo sujo. Tudo! Um povo super estranho, o lugar frio... Mas já havia sido pago (180 pesos por pessoa kkkk) e agora era só aceitar.
Então deixamos nossas coisas e, para não perder o dia, fomos para o Chorrillo del Salto.
É provavelmente a trilha mais simples de lá, mas o caminho é bem bonitinho. Uma parte é meio blé, porque você tem que caminhar pela estrada e os carros ficam jogando areia e poeira na sua cara. Depois de uns 3 km da placa inicial você chega numa cachoeirinha com uma água fria pra cacete
Passamos um pedaço, voltamos e paramos pra tomar um sorvete na Domo Blanco. Provei o de Calafate, mas não simpatizei com o sabor. Na verdade não achei ruim, só achei outros melhores (tipo o lemon pie, que é ótimo). Jantamos pizza no Ahonikenk (a pizza é bem ok), subimos pro hostel e lá dividimos um relaxante muscular pra dormir de boa, porque a cama era bem barulhenta!
Dia 14 – El Chaltén: Laguna Capri e Campamento Poincenot;
Café na cozinha do chiqueiro, check out e vamos ao mercado comprar uns lanchinhos pro acampamento. Foi difícil! Compramos umas coisinhas num supermercado de lá, que não digo o nome porque não tem nome mesmo e porque nada era barato (mas fica no fim da primeira parte da rua principal e tem uma placa informando que é supermercado e lojinha de souvenirs). Lá vende umas frutinhas desidratadas. Lembro de ter visto banana, uva, pomelo e abacaxi, mas acho que tem outras. Organizamos as comprinhas nas mochilas e seguimos para a trilha.
No comecinho da trilha há o mirador do Rio de Las Vueltas, um dos rios que passa pela cidade de Chaltén.
Há dois caminhos até o Poincenot. O da Laguna Capri e o do mirador Fitz Roy. Como a intenção era ver o Fitz mais de perto na Laguna de los Tres, decidimos pela Capri. Até o Poincenot são 8 km e 350 m de desnível. A Capri fica na metade do caminho. A dificuldade é média. Uma subidinhas aqui e ali, mas nada como a Loma kkkkkk
Quase chegando à Capri, olha só quem aparece:
Admiramos um pouquinho nosso amigo e fomos ver a laguna. É bonitinha e dá pra ver o Fitz Roy (que é praticamente onipresente) atrás. Ficamos lá descansando um pouco (principalmente aliviando as dores nas costas causadas pelas mochilas cargueiras rs) e seguimos para o Poincenot.
Pouco tempo depois chegamos ao acampamento, pois a parte até a Laguna é que é mais mais íngreme, depois é um terreno quase nivelado.
O acampamento, assim como o Capri, é no bosque. Protegido, pouco vento, mas não menos frio Os espaços para as barracas são até bem definidos e há dois banheiros químicos (só papéis higiênicos podem ser deixados lá) e pás, pra quem preferir a mãe Natureza.
Eles fedem bastante, mas não ficam muito próximos das barracas. Eu indico ir na mãe Natureza mesmo kkkkkkk Mas guardando o lixinho! A água potável é do Rio Blanco (acho que é esse), que fica lá ao lado. Pode beber sem medo (não usamos clorin e não passamos mal nenhum dia, fora que a água era ótima, bem geladinha), mas tem que ficar de olho se não tem nenhum sem noção lavando nada no rio
Foi a primeira vez que armamos uma barraca na vida. O manual da barraca informa que dá pra armá-la em 7 minutos. Demoramos mais de uma hora. Depois de tanta demora, armamos a barraca e, como vimos que já tava tarde pra seguir até a Laguna, decidimos ficar e só esperar pra saber se o tempo permitia nossa ida no outro dia ou não.
Dia 15 – El Chaltén: Glaciar Piedras Blancas
No dia anterior, no início da trilha, a guardaparque nos informou que só poderíamos subir até a Laguna de Los Tres se fosse naquele mesmo dia ou dois dias depois, pois no dia 15 a previsão era de vento de 120 km/h e chuva rs Então acordamos e ficamos sem saber muito o que fazer, pois mesmo no bosque estava uma ventania do caralho, que encheu a barraca de todo mundo com uma areia beeem fina. Pra completar, durante a noite tinha chovido e tava tudo uma lama só. Só choveu na noite seguinte, nessa noite da areia não choveu. Então, limpamos a barraca e os sacos de dormir e decidimos ir até o Glaciar Piedras Blancas. Desde o Poincenot a trilha é bem fácil, só uns 2 km e quase nada de subida.
Aí do nada vem um vento suuuuuper forte e leva meus óculos pro meio do bosque A sorte foi que não quebrou, eu consegui acompanhar o vento levando e achei logo.
Passamos um pedaço lá no Piedras Blancas esperando pra ver se ainda rolava fazer a Laguna naquele dia, mas o vento não parou Então voltamos pro campamento e ficamos relaxando por lá, mas um pouco preocupados com o fato de poder não rolar ir até a Laguna se o vento continuasse muito forte.
Dia 16 – El Chaltén: Laguna de Los Tres e volta para Calafate
A trilha que em 1,2 km conseguiu ser pior que a Loma com seus 10-12 km!
Choveu a noite inteira, o que deixou o terreno do acampamento aquela lama ótima. Quando acordamos tava fazendo muito, muito frio e a vontade era de ficar no quentinho da barraca, porque lá fora tava hostil Mas era a última oportunidade de ir até a Laguna. Então só fomos.
Enquanto deixávamos tudo pronto na barraca, pra na volta da trilha, só desarmá-la e sair correndo, o frio tava cortante e, do nada, eu começo a ver uns pingos brancos no chão Falo pro Thiago que é NEVE e ele, bem cético, diz que não. O tempo passa e os pinguinhos bem espaçados continuam a cair, até que ele aceita que É REALMENTE NEVE!!!!! (foi a primeira vez que vimos) Daí saímos do acampamento, começamos a trilha e o céu estava limpinho, aberto e com pouco vento!
Ah, o clima patagônico em menos de 24h presenciamos tempestade de areia, ventania de 120 km/h, neve e tempo limpo! Só lá mesmo <3
Do Poincenot para a Laguna são pouco mais de 2 km, mas quando a gente chega no km final lá vem essa placa:
Bate logo o: caralho, vai ser fodido!
É só pedra. Em alguns momentos você precisa quase escalar. Em outros tem umas escadinhas de pedras. Mas esse último km é bem pesado e demora um pouquinho pra chegar. Eu, morta nas calças e tendo comido pouco no café, já tava bem cansada e demorando muito mais que os outros na trilha. Quase chegando ao fim da trilha se pode ver, na parte de trás, as lagunas Madre y Hija lá embaixo.
Daí comecei a ficar aflita achando que não ia dar tempo de chegar à Laguna, voltar e pegar o ônibus de volta, que saía 18h e já era quase meio dia. Parei pra me recompor, subimos, subimos e subimos e chegamos a um local plano, enfim!
Só que não tinha Laguna ali
Tinha que subir mais um montinho de pedras soltas e, aí sim, estava lá a Laguna.
Foi a visão mais foda que já vi na vida!
É tudo gigantesco, a Laguna é um espelho de um azul liiindo e o Fitz Roy com todas as outras montanhas lá atrás é incrível!
Vale todo o esforço exigido e foi o melhor desfecho para El Chaltén, deixando aquele gostinho de ‘quero viver por aqui’.
Voltamos super rápido para o campamento, escorregando algumas vezes, desarmamos a barraca, pegamos as mochilas cargueiras e fizemos a trilha de volta quase correndo. Recomendo fortemente usar bastões de trekking nesse tipo de trilha, principalmente na descida, pois seus joelhos agradecerão bastante depois. Na Capri vimos de novo um pica-pau. Pesquisei depois e parece que vive uma família lá. Durante a volta vimos que lá atrás o céu começava a ficar pesado, em cima do Fitz Roy, e vimos uma outra cena foda na viagem:
Chegamos no povoado quase na hora da saída do último ônibus para Calafate (e com a calça corta vento do Thiago cada vez mais rasgada kkkkk) , pedimos carona ao motorista de ônibus que estava saindo do Pioneros del Valle até a rodoviária para dar tempo e voltamos às 18h
Em Calafate, fedendo bastante, só jantamos num restaurante que não lembro o nome, mas tinha uma milanesa boa e gigante por menos de 100 pesos. Vou tentar descobrir o nome pra colocar aqui. Passamos no La Anonima, compramos o café e os lanches da viagem para Puerto (que dura umas 5 horas) e voltamos para o hostel só pra dormir, sonhando com o Fitz Roy e já com saudades dessa cidade maravilhosa
E aí, galera! Passamos ,eu e Thiago (member/Thiago%20Dias%20V), 3 semanas entre Patagônia Argentina e Chilena em jan.2017 e vamos tentar contribuir aqui com nosso relato, já que foi aqui no Mochileiros que conseguimos tirar praticamente todas as nossas dúvidas, desde roupas apropriadas, até bons supermercados, e fazer nosso próprio roteiro, baseado no de várias pessoas massas que tem por aqui.
E por que a Patagônia?
Há uns 4 anos eu vi uma foto do lago Pehoe em TDP e fiquei encantada. Em 2014 fiz um amigo argentino que me apresentou El Chaltén e foi amor à primeira vista. Em 2015, logo quando conheci o Thiago, introduzi o sonho da Patagônia nele também kkk Daí, em maio do ano passado, decidimos que tava na hora de começar a colocar o sonho em prática. Foi quando começamos a planejar.
O primeiro problema foi a vestimenta. Vivemos onde faz sol de preparar para o inferno uns 360 dias por ano. Logo, não se oferta quase nada de frio e o que tem não esquenta muito ou é feito de materiais não indicados para esse tipo de viagem. Tivemos que comprar todas as roupas e calçados por lojas online (Decathlon, CotsWold Outdoor e Alpinetrek, sendo as duas últimas lojas europeias)
Descobrimos como nos vestir adequadamente aqui: como-vestir-se-em-locais-frios-sistema-de-camadas-anorak-fleece-underwear-t32962.html
O que calçar? Aqui: botas-quais-comprar-t27581.html
Com mochila, barraca, saco de dormir não nos preocupamos, pois uns amigos que fizeram TDP em 2015 emprestaram tudo pra gente. <3 Mas indicamos coisas leves e sacos de dormir que esquentem bem.
O que cada um levou de vestimenta e calçado:
Duas camisas dry fit (Thiago levou 3) techfresh (Quechua);
Uma camisa segunda pele (eu levei duas) (Wedze);
Uma calça segunda pele (Wedze);
Um fleece mais fino (Ayacucho BlizzArt 3-1) e um fleece mais grosso (Quechua Forclaz 500);
Uma calça fleece (Quechua);
Casaco corta-vento impermeável (Ayacucho BlizzArt 3-1), muito bom;
Calça corta-vento impermeável (Montagne, que compramos em Buenos Aires mas se mostraram um desastre, o que será relatado mais à frente);
Shorts (só usamos em Buenos Aires);
Chinelo de dedo;
2 pares de meias liners (Lupo Dry);
2 pares de meias de lã merino (Bridgedale); [vejam a importância de boas meias quentinhas aqui: meias-t11589.html]
Bota impermeável (Scarpa Kailash GTX), excelente;
2 toalhas de secagem rápida - uma grande e uma pequena (Nabaiji).
2 mochilas de ataque (Forclaz 20 air).
As meias, botas e o corta-vento 3 em 1 vieram da Irlanda com uns amigos que estavam lá. Segunda pele, fleece, toalhas e as duas mochilas de ataque compramos no site da Decathlon. Mochilão, isolante térmico, saco de dormir, bastões de trekking e barraca pegamos emprestados com os mesmos amigos que trouxeram nossas coisas. Levamos poucas meias pois tentamos lavá-las quando ficávamos em hostel.
Não temos do que reclamar de nada que compramos (exceto da calça impermeável da Montagne) e só levamos o essencial. Todos foram úteis em algum momento. Mas os mais importantes são o corta-vento e as botas.
Uma bota boa vai salvar seu pé de muito sufoco e, muito provavelmente, sua vida também. Em terrenos pedregosos, como a Loma del Pliegue Tumbado e a Laguna de los Tres, é muito importante ter o calçado certo. Vimos gente de tênis por lá, mas não deve ser o mais seguro e confortável (ainda mais na Laguna de Los Tres, pois no dia que fizemos a trilha choveu na noite anterior e se formou um córrego na trilha, o que a deixou meio escorregadia). É claro que também você não vai deixar de fazer só por isso.
Mas mais uma vez indicamos a bota. Eu nunca tinha usado uma e amei a minha. É uma bota realmente boa. Não precisou nem amaciar e se mostrou impermeável sempre. Passamos por lama, rio e chuva e ela se manteve intacta.
O casaco fleece é que se você não usar só vai passar frio mesmo. E com o vento de lá só fleece não resolve muito em locais abertos. Mas é bem útil pra dormir. E confortável!
Durante o dia dá pra ficar de boa só com dry fit se estiver mais quente ou segunda pele e corta-vento se estiver um clima mais frio.
Seguro Viagem
Fizemos pela Mondial, saiu R$ 293,52 para os dois. Não usamos (ainda bem haha). Sempre que um dos dois começava a reclamar de qualquer sintoma que fosse a gente já tirava a bolsinha de medicamentos da mochila e tratava logo o problema.
Itens diversos
Acho importante também relatar o que levamos ou o que compramos lá que acharíamos que seria importante para as nossas trilhas e nossa rotina na viagem, ainda mais pra quem está preparando um mochilão pela primeira vez:
Medicamentos:
Levamos analgésicos e antitérmicos (Dipirona ou Novalgina e Ibuprofeno), Simeticona (Luftal), anti-inflamatório (Nimesulida, para prevenir futuras crises de garganta), antialérgicos (Loratadina, Prometazina ou Fenergan, Decongex e Dexametasona), para enjoo e vômito (Bromoprida), relaxante muscular (Ciclobenzaprina ou Miosan), para cólicas (Buscopan e Ácido Mefenâmico ou Ponstan), Dexpantenol para hidratação de lábios, nariz e dedos (o famoso Bepantol, mas compramos genérico porque o preço do Bepantol é absurdo).
Desses o que não pode faltar são os antialérgicos, principalmente os mais fortes como Fenergan e Dexametasona, pois nunca se sabe em que momento da viagem você pode ter uma crise alérgica séria, mesmo sem nunca ter tido algo parecido antes, por motivos como alguma comida exótica que você nunca comeu ou picadas de insetos. Como ambos temos rinite alérgica, também levamos antialérgicos mais brandos para esse fim.
Kit primeiros socorros, higiene e relacionados:
Esparadrapo e gaze (para curativos e para cobrir possíveis calos e bolhas nos pés), álcool 70 e clorexidina 2% (como antissépticos para limpeza de feridas), talco, repelente de insetos, protetor solar para rosto e corpo, tesourinha de unha, xampu e condicionador (um frasquinho de 100 mL cada que desse para toda a viagem).
Diversos:
Um rolo de fita tipo silver tape, saquinhos tipo zip lock, uma lanterna de mão e uma de cabeça, pilhas, um fogareiro pequeno, uma panela leiteira pequena (fazíamos a comida e nos campings comíamos nela mesmo), câmera fotográfica cybershot, apito, corda, duas doleiras (uma pra cada, para guardar boa parte do dinheiro e o passaporte, evitando risco de perda ou roubo), comidas como leite em pó, sopa instantânea, aveia, atum enlatado, macarrão (expresso 3 minutos mas não é tipo miojo hahaha), purê de batata, barras de proteína e sal.
Gastos
Gastamos cerca de R$ 6500 no total. Sem aéreo. Levamos R$ 3500 em espécie e cartão de crédito com R$ 3000 de limite.
Menos de 1/3 foi com hospedagem e o resto foi transporte, entradas de parque, passeios e alimentação.
Podemos dizer que o que mais deixa caro é o deslocamento, principalmente na Argentina. As passagens de ônibus na Argentina são todas caras. Nenhuma, por mais que seja perto, custa menos de 100 R$. Então, se a intenção for deixar a viagem mais econômica, desloque-se menos. Ou vá de carona.
Dentro da cidade, táxi só em último caso. Na viagem inteira só usamos táxis 3 vezes, uma saindo do Aeroparque, outra indo e voltando do Glaciar Martial e outra indo pro aeroporto de Ushuaia (que com disposição dá pra ir a pé).
Alimentação dá pra salvar fazendo no hostel. Não deixamos de comer fora, mas também não saímos esbanjando. Só comíamos fora quando a preguiça ou cansaço batiam forte. Em Ushuaia a única coisa que comemos fora foi um sorvete na Freddo, que por sinal tava bem caro.
Passeio pago foi só a Pinguinera na Isla Magdalena mesmo.
Pra uma viagem de 3 semanas e na Patagônia podemos dizer que foi até econômico rs
Passagens aéreas
Como somos de Fortaleza e compramos as passagens com milhas, não temos como informar valores de voos, somente das taxas (que por sinal, a taxa de embarque da volta para o Brasil foi bem cara, R$ 290,82 por pessoa), e o valor da volta de Ushuaia a Buenos Aires (R$ 1529,42 para os dois). Passamos dois dias em Buenos Aires pra fazer câmbio e terminar de comprar nossas roupas para trekking, pois vimos que câmbio na Patagônia não é bom.
Roteiro
Pré-Patagônia
07.01 – FOR-AEP: Dia em aeroportos, avião e câmbio no Aeroparque;
08.01 – Buenos Aires: Compras na Montagne, Obelisco, Plaza de Mayo/Casa Rosada, Feira de San Telmo, Puerto Madero;
09.01 – Buenos Aires: Câmbio e Bosques de Palermo, ou Como perdemos um dia no banco e tomamos o maior e mais inesperado banho de nossas vidas;
Parte 01 - Patagônia Argentina
10.01 – AEP-FTE e o melhor cubierto da vida;
11.01 – El Calafate: Perito Moreno e ida a El Chaltén;
12.01 – El Chaltén: Loma Del Pliegue Tumbado;
13.01 – El Chaltén: Chorrillo Del Salto;
14.01 – El Chaltén: Laguna Capri e Campamento Poincenot;
15.01 – El Chaltén: Glaciar Piedras Blancas;
16.01 – El Chaltén: Laguna de Los Tres e volta para Calafate;
Parte 02 - Patagônia Chilena
17.01 – El Calafate-Puerto Natales: compras de comidas para Torres Del Paine;
18.01 – Puerto Natales-Torres Del Paine: ida ao Campamento Paine Grande, ou Como tudo começou a dar errado;
19.01 – TDP: ida ao Campamento Italiano;
20.01 – TDP: ida ao Campamento Las Torres Central, ou Como deu realmente tudo errado;
21.01 – TDP-Puerto Natales: Recarregar as energias;
22.01 – Puerto Natales-Punta Arenas: Visita aos pinguinos na Isla Magdalena;
23.01 – Punta Arenas-Ushuaia: o dia inteiro num ônibus;
Parte 03 - Voltei, Patagônia Argentina, meu amor
24.01 – Ushuaia: Recarga de energias;
25.01 – Ushuaia: Glaciar Martial;
26.01 – Ushuaia: Parque Nacional Tierra Del Fuego;
27.01 – Ushuaia: Parque Nacional Tierra Del Fuego e volta para Buenos Aires;
28.01 – Buenos Aires: Livraria El Ateneo, Floralis Generica e volta pra casa.
Pré-Patagônia
Dia 07 – FOR-AEP: Dia em aeroportos, avião e câmbio no Aeroparque;
Saímos de Fortaleza pela Latam, chegamos a Guarulhos e almoçamos no Vivenda do Camarão, Terminal 2. Comida boa e o único restaurante que não pedia nosso rim em troca. Um prato de filé de peixe tava uns 20 e poucos reais.
Passamos mais um tempão lá e, finalmente, fomos pro Aeroparque. Quando chegamos o Banco de La Nacion de lá ainda estava aberto (fecha meia-noite e abre às 06h) e com uma cotação muito melhor do que esperávamos. 5,60 PESOS ARGENTINOS POR REAL!!! Fizemos câmbio e tentamos pegar um Uber até o hostel, mas eles não aceitam corridas saindo de lá. Saímos, pegamos um táxi na rua com um taxista nada gentil e super grosseiro
e chegamos no Hostel Suites Palermo. A reserva de um quarto privado foi feita pelo Hostelworld. Quando chegamos, eis a surpresa: o quarto não tem ar-condicionado.
Nem ventilador.
E tava um calor pior do que o de Fortaleza.
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Dia 08 – Buenos Aires: Compras na Montagne, Obelisco, Plaza de Mayo/Casa Rosada, Feira de San Telmo, Puerto Madero;
Tomamos café (bem fraquinho. Café, leite, pão, doce de leite, manteiga, geleia, cereal, suco) no hostel e fomos à Montagne procurar umas calças impermeáveis que ainda não tínhamos. Escolhemos essa loja porque o Thiago viu durante a pesquisa que tinha um preço relativamente bom e as coisas eram boas. Lá compramos as calças e neck cuellos (aquele paninho multiuso pra pescoço, nariz que não sei como chama no BR).
Compramos um cartão SUBE - cartão para se utilizar os ônibus e o metrô da cidade, e só se pode utilizar esses serviços com o cartão, já que não aceitam passagem paga em dinheiro - num kiosco, recarregamos na estação e pegamos o metrô (Subte) até o Centro. Fomos ao Obelisco, almoçamos por lá, descemos caminhando para a Plaza de Mayo/Casa Rosada e seguimos para a Feira de San Telmo (maravilhooosaaaaa), onde compramos luvas e gorro de lã, a um preço bem camarada (já que não pretendíamos mais comprar equipamentos caros, tentaríamos nos virar com as luvas de lã mesmo). Passamos num mercadinho chino e compramos o melhor doce de leite!!!! Bom e barato. INDICO. La Serenisima Estilo Colonial. Vende em qualquer mercado. Pegamos a recomendação do menino que não sei o nome (Olá
) do Patagônia Colossal (ótimo relato. Eis o link: patagonia-colossal-ushuaia-tdp-el-chalten-calafate-e-buenos-aires-22-dias-em-abril-de-2014-t96868.html)
Descemos para Puerto Madero, Puente de La Mujer. Super lotado. Deve ser a beira-mar da galera de lá.
Voltamos para o hostel e depois jantamos na Pizzaria Kentucky, perto do hostel. Funciona 24h e a pizza tem uma massa bem boa. Grossinha, mas crocante. Magia argentina, acho. Mas o que chamam de calabresa por lá na verdade é salame, então foi meio estranho para quem curte pizza de calabresa no Brasil. rs
Dia 09 – Buenos Aires: Câmbio e Bosques de Palermo, ou Como perdemos um dia no banco e tomamos o maior e mais inesperado banho de nossas vidas;
Quando fizemos o câmbio no aeroporto, no dia que chegamos à cidade, tentamos fazer para pesos chilenos também, mas o cara do banco falou que só era possível no mesmo dia da ida para o Chile. Como iríamos por Calafate, de ônibus, e só uns dias depois, não ia dar certo. Então ele falou que poderíamos tentar nas casas de câmbio do Centro.
Fomos ao Centro e ficamos perguntando a um cambista e outro. O problema é que eles não trocavam de real para pesos chilenos direto. Primeiro cambiavam para peso argentino e depois para chileno e a cotação de peso argentino tava tabelada nos 5 (enquanto no banco estava 5,6) por real. Foi aí que tivemos a brilhante ideia de cambiar os R$ por AR$ no Banco de La Nacion da Plaza.
FOI A PIOR IDEIA DE TODAS!
Entramos no banco e tinha uma filinha. Então resolvemos ficar lá porque a fila não tava assim tão grande.
SÓ QUE NÃO ANDAVA.
Em suma, passamos a tarde inteira no banco!
Lá a gente fica numa primeira fila para triagem e só depois vamos para a fila de cambiar de verdade. Nessa triagem acho que tinha só 1 ou 2 funcionários. Um deles desmentiu o cara do aeroporto e tirou nossa ilusão de trocar por chilenos lá mesmo, pois, segundo ele, estrangeiro só pode trocar por peso argentino (o que até faz sentido).
Depois de uma tarde perdida, e de ver que burocracia inútil também é comum na Argentina, encontramos um peruano muito gente boa (que falava super rápido e não entendíamos quase nada) que trocou os pesos argentinos por chilenos pra gente, numa cotação excelente de 200 pesos chilenos por real (que já tinha virado pesos argentinos). O sufoco foi na hora de trocar. Quando ele me dá os CLP e começo a contar, a polícia começa a ficar de olho e vir pra cima da gente e eu só pensando na manchete “brasileiros presos em flagrante realizando câmbio negro em Buenos Aires”
Daí ele levou a gente pro prédio dele pra disfarçar e eu já desconfiada achando que iam pegar a gente no caminho e levar todo nosso dinheiro! Felizmente deu tudo certo e indicamos o peruano! Ele fica numa esquina da Florida, +/- no nº 100, tem cara de peruano, é baixinho e gente boa
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Passado o sufoco de câmbio e uma quase prisão, pegamos um Subte de volta à Palermo e fomos para os bosques. No caminho a gente viu uma família de papagaios lá nas árvores! Em pleno turbilhão de Buenos Aires! Pensamos na importância das zonas verdes em áreas urbanas e ficamos ali um pedaço amando os bichinhos.
Foi então que vimos que o céu tava ficando meio escuro, sentimos umas gotinhas beeeem leves, mas só pensamos “ah, não vai chover logo” e seguimos para o Planetário. Chegamos lá e... fechado! Parece que esses espaços culturais fecham às segundas. Ficamos admirando os patinhos no lago e DO NADA, BEM DO NADA MESMO, começa a cair uma chuva daquelas de cinema, com aqueles pingos gigantescos que doem quando batem na pele e um vento chicoteando. Eu e Thiago somos míopes de doer e a chuva encharcou tudo nosso, inclusive os óculos. Então, além de tudo, estávamos cegos!
Mas o pior ainda estava por vir... rs No dia anterior a gente tinha andado muito e com chinelo de dedo. Daí no fim do dia os pés tavam bem fodidos. Como eles seriam bem exigidos nas trilhas, resolvemos que no outro dia iríamos de bota. Rerere
A bota era impermeável. O problema é que os dois estavam de shorts e a água entrou toda por cima, transformando as botas em verdadeiras piscinas para nossos pés!
Ainda tivemos que voltar pro hostel a pé, porque táxi nenhum queria pegar a gente e o que tínhamos no SUBE não dava pra duas passagens nos ônibus kkkkkkk
Já tínhamos feito check out no hostel, mas o recepcionista (brasileiro. Flávio ou Fabiano. Alguma coisa com F. Obrigada, amigo) foi super gente boa e deixou a gente fazer uma bagunça na sala com nossas coisas e usar o banheiro pra tomar banho e se recompor. A gente só tinha levado as botas e chinelo de dedo e elas ainda tavam encharcadas. Então era só chorar e esperar que secassem no hostel de Calafate kkkkkkkkkkk
Saímos para comprar umas empanadas na El Secreto. Uma mini padaria que fica na Av. Santa Fé e tem essas empanadas MARAVILHOSAS, super recheadas e crocantes. Por 22 pesos cada. Voltamos pro hostel, pegamos nossas mochilas e nossas botas que estavam pesando 5 kg o par e pedimos um Uber pro Aeroparque, pois o voo sairia de madrugada. O Uber deu quase o mesmo valor do táxi, uns 100 e poucos pesos.
Parte 01 - Patagônia Argentina
Dia 10 – AEP-FTE e o melhor cubierto da vida;
Viajamos de chinelo de dedo e com as botas molhadas dentro de sacolas plásticas como bagagem de mão
. Pegamos o voo com a Latam argentina no Aeroparque com conexão em Ushuaia e, por fim, El Calafate. O que pode ser dito é que a Lan pareceu péssima! O lanche foi péssimo (um único biscoito de limão, um mini alfajor e um bombom de amendoim horríiiiiiivel!), os espaços super apertados (muito mais que em aviões da Gol) e no voo final não teve nadica de nada de lanche. Acho que só água!
O aeroporto de Calafate é longe da cidade. Uns 20 km, acho. Então só rola ir de van ou táxi. Pegamos uma van pela Ves Patagonia no próprio aeroporto. Custou 160 pesos por pessoa, eles deixam na porta do hostel/hotel e não precisa reservar antes. Lá na hora tem essa e outras empresas disponíveis. Os táxis custam uns 400 e tantos pesos (pelo que lembro), então deve valer a pena para grupos de 3 ou 4 pessoas.
Chegamos ao Hostel Del Glaciar Pioneros e já sentimos o vento patagônico nos pés
A recepcionista olhou pra gente e pros nossos pés descalços com um jeito meio estranho
E aí vem outra surpresa...
Reservamos duas camas em quarto compartilhado pelo Booking, daí a recepcionista disse que o Booking tinha jogado pra quartos separados e agora ela não tinha mais o que fazer, pois o hostel tava lotado! Fiquei meio P na hora, mas já tava bem preocupada com as botas, então deixei pra lá. No fim nem fez muita diferença, porque dormimos na mesma cama.
Para nossa alegria, tava um dia lindo, ventando pra caralho (como sempre) e bem ensolarado. As botas ficaram num gramado secando e fomos almoçar, comprar comida para El Chaltén e as passagens para Puerto Natales, já que para El Chaltén e Perito Moreno compramos tudo antecipadamente com a Caltur (72 dólares por duas pernoites no hostel Pioneros del Valle em El Chaltén, 99 dólares pelas passagens de ida para El Chaltén e volta para El Calafate e 55 dólares das passagens de ida ao Perito Moreno e volta a El Calafate).
Pesquisamos em todas as empresas na rodoviária e o preço da passagem de Calafate para Puerto Natales variava de 450 a 500 pesos. Compramos para o dia 17, às 08h, com a Turismo Zaahj por 500 + 10 pesos, que são como uma taxa de embarque da rodoviária de Calafate que você tem que pagar em cada viagem.
Almoçamos no 9405 e indicamos mais pelo melhor cubierto da vida! Eles servem um pão maravilhoso com uma bebidinha cítrica muito boa (até hoje não sei se ali é só limonada ou tem algo mais kkkkk). O almoço até que tava bom, mas o cubierto era excepcional kkkkkk Ah, pedimos truta e cerdo com vegetais e os pratos custaram cerca de 200 pesos cada.
Fomos ao supermercado La Anonima e compramos algumas comidas já para El Chaltén, pois a gente leu por aqui que lá não tem quase nada e é tudo caro. E é bem assim mesmo!
Ao voltar para o hostel, ficamos extremamente aliviados ao ver que as botas, que estavam bem molhadas quando chegamos, secaram bem e poderiam ser usadas normalmente no dia seguinte, na ida ao Perito Moreno.
Dia 11 – El Calafate: Perito Moreno e ida a El Chaltén;
Nos enrolamos no café e saímos correndo do hostel para a rodoviária com medo de perder o ônibus para o Perito Moreno, que saía às 9h. Detalhe: a rodoviária tem umas escadinhas chatinhas pra você subir de mochila, mas nada horrível. Como dito acima, fomos no ônibus da Caltur para o Perito. Várias empresas fazem o trajeto, que dura umas 2h e custa uns 200 e tantos pesos (o trecho) + a entrada no parque, que pra integrantes do MERCOSUL é 250 pesos.
Na entrada do parque pagamos o ingresso, ouvimos as instruções da galera que trabalha lá e recebemos folhetos informativos e saquinhos para lixo. Daí eles saem, o ônibus segue mais um pouquinho e a gente começa a ver aquele negócio gigaaaaante, lindo pra caralho e ter um heart attack.


Decidimos não contratar nenhum passeio. Tudo que envolve gelo é caro pra cacete e eu ainda não tava segura sobre o impacto ambiental dessas caminhadas no gelo. Então, ficamos nas passarelas. O impacto ambiental é mínimo (embora tenhamos achado uns lixinhos embaixo das passarelas como tampas de garrafas PET e pedaços de pacote de biscoito) e o bolso também agradece hehe
Nas passarelas você pode escolher entre 5 caminhos e seguir.
Vão desde o acessível, com elevador e tudo, até o mais difícil, que é pelo bosque (acho). Começamos com o que vai pela costa do lago e foi maravilhoso. Estar pertinho daquele negócio gigantesco com seus milhares de metros de extensão, dezenas de altura e milhares de anos de existência é de uma sensação única na vida. Se a viagem acabasse ali, eu já voltaria plena.
E ali ainda era só o começo da Patagônia <3
Paramos por um momento pra comer e ouvir os sons dos pedaços do glaciar se desprendendo e afundando no Lago Argentino quando aparece uma corujinha beeem pertinho!
A vista central das passarelas.
Voltamos para a parte dos ônibus e compramos uns hambúrgueres num café de lá. Foi gostosinho e até que não muito caro, uns 100 e poucos pesos cada. Entramos no ônibus, mas querendo ter virado uma pedrinha do Glaciar (rs) e voltamos para Calafate.
Chegamos à rodoviária, pegamos nossas mochilas no escritório da Caltur (a moça que vendeu as passagens pra gente, Yamila, foi super atenciosa e disse pra gente deixar tudo lá, porque se fosse pegar no hostel não ia dar tempo) e pegamos outro bus, agora para El Chaltén.
A viagem dura 3 horas e, quando tá chegando, a gente já sabe que vai ser foda. O Fitz Roy já começa a dar o ar da graça e tudo que você quer é só amar aquilo ali!
Daí quando a gente chega no povoado vê logo UM MOCHILÃO ESCULPIDO EM MADEIRA NO MEIO DA CIDADE!
O motorista do ônibus deixou a gente no hostel Pioneros Del Valle (os dois tem parceria e rola até um descontinho se comprar as passagens pela Caltur e se hospedar lá). Dessa vez não teve nenhum imprevisto (aleluia), só que eles tavam sem mapa da cidade mesmo, mas pegamos um no Centro de Informações no outro dia.
Jantamos no hostel e fomos dormir, porque o outro dia prometia rsss
Dia 12 – El Chaltén: Loma Del Pliegue Tumbado;
A Loma. Ai, a Loma...
Tomamos café e seguimos logo pro Centro de Informações, que fica ao lado da rodoviária. Lá dá pra saber sobre hospedagem, alimentação, pegar mapas, etc. Falamos que queríamos fazer a Loma e a moça disse que tínhamos que ir até o Centro de Visitantes do Parque, pois não é recomendado fazer a Loma em dia com previsão de chuva, neve ou muito vento. Lá a guardaparque autorizou, mas perguntou se estávamos preparados pra mudanças no clima e para o escurecer.
Felizmente, o dia novamente estava bonito e não teve nenhuma mudança brusca no tempo.
Daí começamos a bendita trilha. PQP
Sou semissedentária e sofri horrores.
Era quase um calvário, mas ao mesmo tempo eu tava amando e achando tudo lindo!!!
A trilha é entre 10 e 12 km (muda de um mapa pro outro rs) dura mais de 4 horas e é só subida. Uma subida sem fim. O desnível é de 1 km rs Mas não desanima porque é cheio de idoso e criança fazendo!
Começa numa área aberta, um descampado. Daí segue pelo bosque, passa por outro descampado, volta pro bosque e depois chega ao mirador. Depois do mirador é só pedra, pedra e pedra. De todos os tamanhos e num lugar todo aberto.
A trilha é toda bem demarcada e, na parte das pedras que não dá pra demarcar, há umas estacas amarelas sinalizando o caminho. Então risco de se perder não tem.
Depois de quase morrer de cansaço e dor no joelho subindo, eis a vista:
Passamos um tempo lá (esperando o Fitz Roy aparecer por trás das nuvens mas sem sucesso
) e voltamos. No meio do caminho a gente vê uma galera correndo na descida e com umas cargueiras e já olha pra trás desesperado
Na hora ninguém descobriu o que era, mas aí vimos que o tempo não tava mais tão lindo assim e era bom se abrigar. Quando vou colocar a calça impermeável (aquela nova comprada em Buenos Aires), o zíper da perna trava e não fecha mais
Logo depois começa a cair umas gotinhas, mas coisa bem suave.
Ainda na descida, lá vem outra criatura correndo e com cargueira. Passa por nós e pergunta se estamos bem. É aí que notamos que é um guardaparque. Só consigo sentir inveja do condicionamento físico e do trabalho maravilhoso!
Passamos no mercado e as prateleiras vazias, quase todas. Tentamos comprar queijo, mas só tinha cremoso, salame, mas só tinha um estranho!
Compramos uns pedaços de carne pra fazer (isso nunca falta na Argentina) e fomos jantar no hostel.
O planejado era ficar duas noites no hostel e, no outro dia, seguir para o Poincenot e montar acampamento lá. Só que na volta da Loma os dois estavam mortos e nenhum tinha estrutura para sair com mochilão no outro dia. Tentamos mais uma diária no hostel, mas estava lotado. Então, só aproveitamos bem a dormida, já que no outro dia estaríamos desabrigados.
Dia 13 – El Chaltén: Chorrillo Del Salto;
Café, arrumar as tralhas pra fazer check out no hostel (aqui o Thiago percebeu que a calça corta vento que ele comprou na Montagne, em Buenos Aires, estava começando a rasgar bem na virilha, perto do ziper, e não aparentava que iria parar de rasgar com os movimentos comuns de um trekking
) e lá fomos nós em busca de um teto.
TUDO LOTADO!
A única coisa que achamos disponível era uma cabana. Mais de 1500 pesos a diária!!!
Aceitamos a vida de sem teto e fomos almoçar pra tentar ir acampar na Laguna Capri. Fomos ao restaurante Ahonikenk, que pegamos a indicação aqui, (realmente bom e barato) e... Eles tem uns quartos em cima!
Já tínhamos visto isso no dia anterior e tentado lá, mas a moça disse que só no dia mesmo, pois lá não tinha reserva. Nem aparecemos antes porque ficamos pensando que já estava lotado. Depois do almoço entramos lá e... tinha vaga!
Era melhor que não tivesse!!!
Não era um hostel, era um muquifo só
Tudo sujo. Tudo! Um povo super estranho, o lugar frio... Mas já havia sido pago (180 pesos por pessoa kkkk) e agora era só aceitar.
Então deixamos nossas coisas e, para não perder o dia, fomos para o Chorrillo del Salto.
É provavelmente a trilha mais simples de lá, mas o caminho é bem bonitinho. Uma parte é meio blé, porque você tem que caminhar pela estrada e os carros ficam jogando areia e poeira na sua cara. Depois de uns 3 km da placa inicial você chega numa cachoeirinha com uma água fria pra cacete
Passamos um pedaço, voltamos e paramos pra tomar um sorvete na Domo Blanco. Provei o de Calafate, mas não simpatizei com o sabor. Na verdade não achei ruim, só achei outros melhores (tipo o lemon pie, que é ótimo). Jantamos pizza no Ahonikenk (a pizza é bem ok), subimos pro hostel e lá dividimos um relaxante muscular pra dormir de boa, porque a cama era bem barulhenta!
Dia 14 – El Chaltén: Laguna Capri e Campamento Poincenot;
Café na cozinha do chiqueiro, check out e vamos ao mercado comprar uns lanchinhos pro acampamento. Foi difícil! Compramos umas coisinhas num supermercado de lá, que não digo o nome porque não tem nome mesmo e porque nada era barato
(mas fica no fim da primeira parte da rua principal e tem uma placa informando que é supermercado e lojinha de souvenirs). Lá vende umas frutinhas desidratadas. Lembro de ter visto banana, uva, pomelo e abacaxi, mas acho que tem outras. Organizamos as comprinhas nas mochilas e seguimos para a trilha.
No comecinho da trilha há o mirador do Rio de Las Vueltas, um dos rios que passa pela cidade de Chaltén.
Há dois caminhos até o Poincenot. O da Laguna Capri e o do mirador Fitz Roy. Como a intenção era ver o Fitz mais de perto na Laguna de los Tres, decidimos pela Capri. Até o Poincenot são 8 km e 350 m de desnível. A Capri fica na metade do caminho. A dificuldade é média. Uma subidinhas aqui e ali, mas nada como a Loma kkkkkk
Quase chegando à Capri, olha só quem aparece:
Admiramos um pouquinho nosso amigo e fomos ver a laguna. É bonitinha e dá pra ver o Fitz Roy (que é praticamente onipresente) atrás. Ficamos lá descansando um pouco (principalmente aliviando as dores nas costas causadas pelas mochilas cargueiras rs) e seguimos para o Poincenot.
Pouco tempo depois chegamos ao acampamento, pois a parte até a Laguna é que é mais mais íngreme, depois é um terreno quase nivelado.
O acampamento, assim como o Capri, é no bosque. Protegido, pouco vento, mas não menos frio
Os espaços para as barracas são até bem definidos e há dois banheiros químicos (só papéis higiênicos podem ser deixados lá) e pás, pra quem preferir a mãe Natureza.
Eles fedem bastante, mas não ficam muito próximos das barracas. Eu indico ir na mãe Natureza mesmo kkkkkkk Mas guardando o lixinho! A água potável é do Rio Blanco (acho que é esse), que fica lá ao lado. Pode beber sem medo (não usamos clorin e não passamos mal nenhum dia, fora que a água era ótima, bem geladinha), mas tem que ficar de olho se não tem nenhum sem noção lavando nada no rio
Foi a primeira vez que armamos uma barraca na vida. O manual da barraca informa que dá pra armá-la em 7 minutos. Demoramos mais de uma hora. Depois de tanta demora, armamos a barraca e, como vimos que já tava tarde pra seguir até a Laguna, decidimos ficar e só esperar pra saber se o tempo permitia nossa ida no outro dia ou não.
Dia 15 – El Chaltén: Glaciar Piedras Blancas
No dia anterior, no início da trilha, a guardaparque nos informou que só poderíamos subir até a Laguna de Los Tres se fosse naquele mesmo dia ou dois dias depois, pois no dia 15 a previsão era de vento de 120 km/h e chuva rs Então acordamos e ficamos sem saber muito o que fazer, pois mesmo no bosque estava uma ventania do caralho, que encheu a barraca de todo mundo com uma areia beeem fina. Pra completar, durante a noite tinha chovido e tava tudo uma lama só. Só choveu na noite seguinte, nessa noite da areia não choveu. Então, limpamos a barraca e os sacos de dormir e decidimos ir até o Glaciar Piedras Blancas. Desde o Poincenot a trilha é bem fácil, só uns 2 km e quase nada de subida.
Aí do nada vem um vento suuuuuper forte e leva meus óculos pro meio do bosque
A sorte foi que não quebrou, eu consegui acompanhar o vento levando e achei logo.
Passamos um pedaço lá no Piedras Blancas esperando pra ver se ainda rolava fazer a Laguna naquele dia, mas o vento não parou
Então voltamos pro campamento e ficamos relaxando por lá, mas um pouco preocupados com o fato de poder não rolar ir até a Laguna se o vento continuasse muito forte.
Dia 16 – El Chaltén: Laguna de Los Tres e volta para Calafate
A trilha que em 1,2 km conseguiu ser pior que a Loma com seus 10-12 km!
Choveu a noite inteira, o que deixou o terreno do acampamento aquela lama ótima. Quando acordamos tava fazendo muito, muito frio e a vontade era de ficar no quentinho da barraca, porque lá fora tava hostil
Mas era a última oportunidade de ir até a Laguna. Então só fomos.
Enquanto deixávamos tudo pronto na barraca, pra na volta da trilha, só desarmá-la e sair correndo, o frio tava cortante e, do nada, eu começo a ver uns pingos brancos no chão
Falo pro Thiago que é NEVE e ele, bem cético, diz que não. O tempo passa e os pinguinhos bem espaçados continuam a cair, até que ele aceita que É REALMENTE NEVE!!!!! (foi a primeira vez que vimos) Daí saímos do acampamento, começamos a trilha e o céu estava limpinho, aberto e com pouco vento!
Ah, o clima patagônico
em menos de 24h presenciamos tempestade de areia, ventania de 120 km/h, neve e tempo limpo! Só lá mesmo <3
Do Poincenot para a Laguna são pouco mais de 2 km, mas quando a gente chega no km final lá vem essa placa:
Bate logo o: caralho, vai ser fodido!
É só pedra. Em alguns momentos você precisa quase escalar. Em outros tem umas escadinhas de pedras. Mas esse último km é bem pesado e demora um pouquinho pra chegar. Eu, morta nas calças e tendo comido pouco no café, já tava bem cansada e demorando muito mais que os outros na trilha. Quase chegando ao fim da trilha se pode ver, na parte de trás, as lagunas Madre y Hija lá embaixo.
Daí comecei a ficar aflita achando que não ia dar tempo de chegar à Laguna, voltar e pegar o ônibus de volta, que saía 18h e já era quase meio dia. Parei pra me recompor, subimos, subimos e subimos e chegamos a um local plano, enfim!
Só que não tinha Laguna ali
Tinha que subir mais um montinho de pedras soltas e, aí sim, estava lá a Laguna.
Foi a visão mais foda que já vi na vida!
É tudo gigantesco, a Laguna é um espelho de um azul liiindo e o Fitz Roy com todas as outras montanhas lá atrás é incrível!
Vale todo o esforço exigido e foi o melhor desfecho para El Chaltén, deixando aquele gostinho de ‘quero viver por aqui’.
Voltamos super rápido para o campamento, escorregando algumas vezes, desarmamos a barraca, pegamos as mochilas cargueiras e fizemos a trilha de volta quase correndo. Recomendo fortemente usar bastões de trekking nesse tipo de trilha, principalmente na descida, pois seus joelhos agradecerão bastante depois. Na Capri vimos de novo um pica-pau. Pesquisei depois e parece que vive uma família lá. Durante a volta vimos que lá atrás o céu começava a ficar pesado, em cima do Fitz Roy, e vimos uma outra cena foda na viagem:
Chegamos no povoado quase na hora da saída do último ônibus para Calafate (e com a calça corta vento do Thiago cada vez mais rasgada
kkkkk) , pedimos carona ao motorista de ônibus que estava saindo do Pioneros del Valle até a rodoviária para dar tempo e voltamos às 18h 
Em Calafate, fedendo bastante, só jantamos num restaurante que não lembro o nome, mas tinha uma milanesa boa e gigante por menos de 100 pesos. Vou tentar descobrir o nome pra colocar aqui. Passamos no La Anonima, compramos o café e os lanches da viagem para Puerto (que dura umas 5 horas) e voltamos para o hostel só pra dormir, sonhando com o Fitz Roy e já com saudades dessa cidade maravilhosa

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