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Wallace Fonseca

Work Exchange pela Croácia e Suíça

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Coloquei na parte da Suíça porque é onde terminei e passei a maior parte da trip, mas tem um pouco sobre a Croácia também.
Eu sei que ta grande, mas..espero que gostem! Qualquer coisa só falar.


PRIMEIRA PARTE – A VIAGEM

   Sempre falei para meus amigos, e até para mim mesmo, que iria – e vou - conhecer todos os lugares no mundo mochilando por aí. Sei que parece exagero, mas ainda pretendo cumprir esse desejo. Decidi que os primeiros lugares seriam fora do brasil. Me deparei com o Work Exchange através do site Worldpacker, não lembro como e nem por qual motivo entrei no site, mas foi como amor a primeira visita hahahaha. Comecei a ver os países disponíveis, os requisitos e comecei a mandar mensagem para os hosts com datas hipotéticas mesmo sem ter em mente uma viagem naquele momento, mais mesmo pra saber se era possível. E não é que era? Os hosts me responderam e confirmaram dizendo que eu poderia ir!! Minha felicidade foi absurda, mas por um momento apenas...lembrei que trabalhava de segunda a sexta e não tinha dinheiro para uma viagem desse tipo. Fechei o site. Desisti! Jamais pensaria em ir para Nova Zelândia ou qualquer outro país sem ter pelo menos uns 30mil na conta e uma empresa própria :P

   Início de 2016, surfando na internet me deparo com o Worldpacker novamente. Seria um sinal? Entro e percebo que se eu juntasse 10 “qualificações” de amigos ganharia 50 dólares pra fazer a primeira viagem. Oras, porque não? Compartilho no facebook e logo consigo o “vale” de 50 dólares. Beleza, para onde poderia ir com esse vale? México? Indonésia? Nova Zelândia? Queria ir pra tantos lugares, mas ainda não tinha como ir. Não tinha dinheiro, nem tempo. Férias já tinha tirado. De novo, teria que desistir de colocar o pé fora de casa.

   Meio de 2016, faltando 1 ano pra terminar o curso técnico e precisando de um estágio para concluir o curso, converso com meus chefes no trabalho, explico toda a situação e consigo minha demissão pra dezembro. A princípio o pedido de demissão era para procurar um estágio, porque não dava para trabalhar de manhã (pegava às 06:00 e ficava até as 16:00), minhas aulas eram a noite no curso e não teria tempo para fazer um estágio. Então decidi que teria que sair do trabalho!

   Acredito que foi em setembro que tudo mudou. Esse foi o mês que recebi um e-mail do Worldpacker informando que tinha uma mensagem de um host da Croácia. Fiquei surpreso pois não lembrava de ter enviado nenhuma mensagem para lá. Bom, era um convite! Na mensagem dizia que o host tinha gostado do meu perfil e gostaria da minha ajuda para construir um hostel na ilha de Bol, na Croácia. Nem preciso dizer que no mesmo instante parecia que eu tinha colado um sorriso de ponta a ponta no meu rosto. No momento eu pensei: “ Vou ser demitido com todos os direitos em dezembro. Estarei de férias no curso. Porque não me dar esse presente e finalmente dar início a esse sonho? “
 Conversava com o host todos os dias, tentava extrair o máximo de informação dele, do local e do trabalho para ver se era confiável mesmo.

   Fiz os cálculos de quanto ganharia da rescisão de contrato e do FGTS e decidi colocar a viagem em prática. Minha namorada não poderia ir comigo, mas mesmo assim ela me incentivou e apoiou a ideia, sempre alertando para analisar tudo com cautela.
De início meus pais acharam que era besteira e que eu estava blefando. Pensavam que eu desistiria da ideia e ponto. Só que não foi bem assim.
 

   De passagem comprada para dia 12/12/2016 saindo do Galeão, faltando 2 meses para a viagem, eles começaram a ficar tensos. Começaram a perguntar sobre o host, o local, o que eu faria, com quem iria, pediram para verificar ficha criminal do host, se tinha família e etc etc etc. Com muita conversa, consegui que eles ficassem ‘’tranquilos’’. Ao menos meu pai pareceu ficar tranquilo, porque minha mãe nada adiantava hahaha.
   Dia 12 de dezembro, com mochila pronta, com todos os documentos possíveis guardados e com um medo que nunca havia imaginado sentir tentando me fazer abandonar a ideia, seguimos para o aeroporto. Com check-in feito e de frente para o portão de embarque começa a melhor parte – ou seria a pior? – Beijos mãe, beijos irmão, beijos namorada linda. Nos vemos daqui a 49 dias se deus quiser. Sigo sozinho sem olhar para trás, para uma viagem de 14 horas de ida com lágrimas nos olhos, sorriso na cara e coração apertado com medo do que viria pela frente.

SEGUNDA PARTE – IMIGRAÇÃO E EXTRAVIO

   Antes de contar sobre a viagem preciso explicar porque decidi viajar dessa forma. Decidi viajar dessa maneira por 2 motivos: Por ser mais econômico, pois quando viajamos dessa maneira nós ficamos na casa dos hosts ou algum lugar destinado para os voluntários e não pagamos por isso; e pelo intercâmbio cultural, já que teremos que conviver 24hrs por dia com seus costumes, idioma, culinária e sem falar na amizade que você faz quando há outros voluntários.

   Particularmente, eu não acho que há mais graça em conhecer um lugar diferente, seja uma cidade dentro do seu país ou fora, e apenas tirar fotos bonitas e colocar no facebook/Instagram pra ganhar curtidas. Caso você encontre graça nisso, me mostre por favor. Acho muito mais interessante quando você conhece e convive com pessoas locais, aprende sobre seus costumes, aprende seu idioma e quando voltar para seu país, voltar com muito mais experiência e maturidade do que simplesmente fotos e vídeos.

   A passagem mais barata que encontrei pra chegar no meu destino final, no caso Croácia, foi para a Áustria, no aeroporto de Viena. Meu percurso foi o seguinte: Rio de Janeiro -> São Paulo -> Madrid -> Áustria. Da Áustria meu plano seria pegar um ônibus até a capital da Croácia, Zagreb, e de lá um ônibus pra Split e, por fim, um catamarã pra cidade onde ficaria, que seria Bol - não sei se percebeu, mas usei verbos no futuro do pretérito, ou seja, eram coisas que aconteceriam, mas não aconteceram – ou melhor, não aconteceram como desejadas    por motivos que vou explicar já já.

   Antes de viajar, li muito sobre a parte da imigração, como era, o que eles poderiam pedir, quais os tipos de documentos levar e etc etc. Fiquei com um medo da por** quando descobri que minha imigração seria feita no aeroporto onde a maioria dos brasileiros – pelo menos no passado – ficavam detidos e eram deportados, o aeroporto de Madrid- Barajas. Por causa disso levei todos os documentos possíveis para qualquer situação. Se perguntassem o tipo sanguíneo do meu pai, eu saberia dizer e comprovar com o exame de sangue dele que estava cuidadosamente alocado na pasta de documentos.

   Meu voo de São Paulo pra Madrid atrasou uns 50 minutos e por consequência disso, eu cheguei, obviamente, 50 minutos atrasado para o voo de Madrid para Áustria, que no caso seria 30 minutos depois que eu chegasse em Madrid no horário previsto, ou seja, se o voo não tivesse atrasado, eu teria 30 minutos para caminhar tranquilamente pelo quarto maior aeroporto da Europa ao invés de correr desesperadamente em busca do meu portão de embarque para Áustria. Foi uma loucura total, porque eu não sabia pra onde ir, fui me guiando pelas placas e perguntando às pessoas. Correndo pelo aeroporto, vejo: imigração, penso: “fodeu”. Sigo em diante e me direciono para o guichê já preparado pra responder qualquer pergunta.
   Agente: “Passaporte”, eu entrego.
   Agente:” Vai pra onde?, eu falo: “Viena”.
   Agente:” Pode ir!”, depois de carimbar meu passaporte.
   Levei uma pasta de documentos pesando quase 1 quilo (brincadeira, é claro) pra nada? De qualquer maneira nem tive tempo para ficar surpreso e rindo à toa porque estava atrasado 30 minutos para meu voo, não tinha passado pelo raio-x e nem sabia pra onde ir. Interessante que quando se está nessas tretas a gente faz amizade muito rápido. Encontrei uma moça da Argentina que me ajudou MUITO perguntando aos funcionários do aeroporto onde ficava meu portão de embarque, sendo que ela também estava atrasada para o voo dela. Com 40 minutos de atraso – lembrando que a culpa não foi minha e sim do voo – encontro meu portão de embarque, explico toda situação – ou melhor, tento explicar a situação, visto que meu inglês estava fraco ainda – e achando que estaria tudo bem e que eu poderia viajar em paz para a Áustria, recebo a notícia que minha mochila não estaria nesse voo porque achavam que eu não embarcaria no mesmo e que eu teria que resolver no ‘’achados e perdidos’’ quando eu chegasse em Viena. Entro no avião, todos me olham como se eu fosse o culpado pelo atraso, sento no pior lugar possível e de quebra não teve comida no voo. Tudo bem, com ‘’sorte’’ não fui barrado na imigração.
 

   Já no aeroporto de Viena, a primeira coisa que fiz foi procurar o Lost and Founds. Estava muito nervoso porque precisaria explicar a situação toda em inglês e, como disse lá em cima, meu inglês era bem básico, então não estava nem um pouco confiante, mas eu precisava da minha mala, era como se ela fosse minha companheira – e não deixava de ser verdade hahaha – então fui direto pro guichê. Bom, posso dizer que deu tudo certo mesmo tendo que esperar 6 horas pra minha mala chegar no aeroporto. A companhia aérea disse que eles entregariam onde eu fosse ficar, mas eu ficaria numa ilha, numa cidade relativamente pequena dentro de uma ilha então, não, eles não entregariam lá. O mais próximo seria longe e demoraria, então decidi ficar no aeroporto esperando. Se algum dia vocês forem parar no aeroporto de Viena e precisarem de ajuda podem falar comigo. Conheço todos os banheiros, lojas, saídas e cadeiras possíveis. Sorte que possuía wi-fi, pois assim pude ficar conversando com minha namorada e meus pais no Brasil.

   Quase chorei quando vi minha verdinha (minha mochila) passando pela esteira. Foi muito gratificante sentir o peso dela nas costas e saber que naquele momento poderia dar seguimento na viagem.
Meu objetivo foi sair do aeroporto – não comentei antes, mas também é chamado de Schwechat Airport – e seguir de metrô para a Erdberg Station onde lá pegaria o ônibus para Zagreb, capital da Croácia, com conexão na Eslovênia. Fiquei 4 horas em Liubliana ou Ljubljana, capital da Eslovênia esperando o outro ônibus que seguiria para Zagreb.
Uma dica: Se for viajar no inverno por esses países e tiver que esperar de madrugada nas estações, leve meias! Muitas meias! Acredite, você vai precisar!

TERCEIRA PARTE – BUNGEE JUMP

 Decidi ficar 2 dias em Zagreb no hostel Chillout – muito bom por sinal – pra conhecer um pouco sobre a cidade. Não queria ir muito longe por causa da grana, então andei pelas proximidades mesmo. Próximo passo seria seguir direto pra uma cidade chamada Split, onde lá pegaria o catamarã pra casa do Host. Bom, sempre quis pular de Bungee Jump. Antes de viajar pesquisei sobre spots de bungee jump na Croácia e achei um em Zadar, uma cidade entre Zagreb e Split. Pensei: ”Por que não? “
De Zagreb segui pra Zadar, e foi lá que tive uma das histórias mais cômicas - pra não dizer desesperadora – da viagem. Antes de seguir rumo a Zadar eu já vinha conversando com a empresa onde faria o salto. No Brasil mesmo já havia pesquisado sobre eles, visto fotos, se eram confiáveis e etc. Por e-mail eles disseram que me buscariam na rodoviária de Zadar e depois do salto me deixariam lá pra poder seguir minha viagem.
   Quero deixar bem claro que não tenho preconceito NENHUM com ninguém, pelo contrário, tenho raiva de quem é preconceituoso com as pessoas. Não julgo ninguém.
   Acontece que eu imaginei algo totalmente diferente dos responsáveis que me buscariam na rodoviária, não me pergunte o quê. Quando um deles acenou pra mim, fiz apenas que sim com a cabeça (não perguntei absolutamente nada – eu fui burro, eu sei), peguei minha mochila no ônibus e o acompanhei até o carro. O motorista do carro tinha uma cara de açougueiro e pra piorar ainda mais ele não falava inglês, o que à primeira impressão o tornava grosso e antipático. Antes de entrar no carro, perguntei ao primeiro se eles eram do Bungee Jump e ele confirmou. Sentado no carro no banco de trás, eu só pensava que tinha me metido numa enrascada, que seria estuprado e meus órgãos vendidos no mercado negro. O motorista com cara de açougueiro só falava croata e toda hora eles ficavam conversando e rindo – rindo muito -, eu imaginava coisas loucas, como se eles estivessem tramando algo, vendo quem ficaria com o que quando sumissem comigo. Vez ou outra o primeiro me perguntava algo e eu respondia normalmente, mas mesmo assim eu já estava me despedindo da minha família mentalmente. Se eu fosse morrer, não morreria sem lutar. Pensei em tudo: desde pular do carro se eu percebesse que estavam me levando pra algum lugar estranho até tentar quebrar o pescoço dos dois e pular. Como o primeiro falava um pouco inglês, eu ia perguntando coisas relacionadas a nossa conversa por e-mail. Perguntei o valor do salto, o nome dele, o nome da empresa e fui ficando mais tranquilo a medida que ele ia confirmando as informações passadas pelo e-mail. Só fiquei mais relaxado quando entrou um outro rapaz que eu já tinha visto nas fotos no site da empresa e ele também falava inglês, então fiquei muito mais tranquilo. O restante do percurso foi super de boa, chegamos no local do salto, a ponte Maslenica Bridge (Maslenički most), eles me explicaram tudo, me equiparam, colocaram a Gopro e tiramos algumas fotos antes do salto. Não parecia alto até o momento que subi no último degrau da escada improvisada e olhei para baixo.
Com 55 metros abaixo de mim, respirei fundo e com o sorriso na cara, saltei em direção ao mar adriático...


O salto foda para caralho. Saltaria todos os dias quantas vezes pudesse. Foi uma das sensações mais loucas que tive na vida. Por um momento pensei que meu cérebro iria explodir com a velocidade que alcançava, mas alguns segundos depois do salto, senti a corda puxar meu tornozelo e soube que tinha acabado.
Agradeço imensamente à Izazov Tours pela experiência sem igual. Agradeço ainda mais pela generosidade de terem me buscado e deixado na rodoviária. Definitivamente recomendo a todos que forem visitar a Croácia.

QUARTA PARTE – “FAÇA COM QUE O NÃO PLANEJADO, FAÇA PARTE DO PLANO “


   Depois de um longo e radical dia, chego na cidade de Split na parte da noite. A cidade à primeira impressão me pareceu bem pacata. Como a rodoviária é em frente ao porto onde saem os catarmarãs para as ilhas, estava bastante frio. Com cara de gringo, com um mochilão nas costas, não tem como não dizer que era turista. Após 5 minutos depois deu ter descido do ônibus, me para um senhor na faixa dos 60 anos, mas com cara de surfista, perguntando se eu precisava de um lugar para dormir. Àquela hora não conseguiria nenhum catamarã para me levar para Bol e muito menos alguém para me buscar quando chegasse lá. Disse que sim, mas nada tão caro. Informei a faixa de preço que eu estaria disposto a pagar e então ele foi me conduzindo pelas ruas da cidade. Na Croácia, usa-se a moeda chamada Kuna, onde 1 Kuna equivale – no momento que escrevi esse texto - aproximadamente 0,50 centavos.
   Como já era noite, aquela parte da cidade estava relativamente vazia e algumas ruas eram escuras. Olha, eu moro no Brasil. Sou desconfiado mesmo. Infelizmente qualquer boa ação que eu receba, nos primeiros momentos eu fico desconfiado até descobrir a real intenção do indivíduo. Não iria mudar estando em outro país, portanto tentava manter uma certa distância do senhor surfista a medida que ele me guiava por ruas escuras e vazias. Íamos conversando, ele dizia que já tinha visitado o Brasil algumas vezes e que como era marinheiro, conheceu uma moça em Split e decidiu morar ali. Interessante a história até!  Chegamos até a entrada de uma catedral e estranhamente ele começou a entrar. Fiquei pensando onde raios era esse hostel que ficava dentro de uma catedral. Juro que eu não sabia. Era como se a catedral fosse um mini condomínio. Tinham lojas, restaurantes, bares, muitas pessoas dançando e curtindo e muitas placas de hostels. Se eu estivesse sozinho jamais entraria na catedral e jamais teria conhecido as pessoas que conheci no hostel onde fiquei. Tem coisas que parecem que precisam acontecer.
Lá dentro, ele me guiava por vielas e mais vielas. Tentou sem sucesso em alguns hostels, mas encontramos um, o Meri Hostel, onde fiquei pelos 3 próximos dias.

O hostel era muito simples: era um cômodo grande com 6 beliches, uma mesinha redonda, uma pia, um fogão de indução e 2 banheiros. Quando cheguei tinham 2 pessoas apenas: 1 senhor que parecia morar lá e um rapaz na faixa de 30 anos que vim a descobrir posteriormente ser da Hungria e que estava lá a algumas semanas estudando para fazer uma prova para ser prático.
No dia seguinte, conversei com o host lá de Bol e falei que gostaria de ficar por mais 2 dias na cidade para conhecer melhor e tentar fazer alguns passeios. Cheguei em Split no dia 15/12, numa quinta-feira e fiquei até domingo.

Quando comentei lá na segunda página que as coisas não aconteceram como planejadas, foi por que antes de entrar no avião no Rio de Janeiro, eu tinha planejado tudo cuidadosamente: o ônibus que eu pegaria até Zagreb num determinado horário quando chegasse no aeroporto em Viena; o outro ônibus que pegaria até Split que eu já sabia que tinha; e o catamarã que eu pegaria para chegar em Bol. Nada disso aconteceu como planejado porque minha mala foi extraviada, atrasou tudo e tive que cancelar o ônibus; Por ter cancelado o ônibus, cheguei em Zagreb em um outro horário, na qual não tinha ônibus para Split naquele dia; E por não ter tido ônibus para Split, consegui mudar a rota para Zadar, consegui fazer o salto e ainda sim consegui ônibus par Split logo em seguida.
O que quero dizer é que nem sempre vamos conseguir seguir com o planejado e isso é bom, pois nos leva a situações onde precisaremos agir diferente, pensar diferente. Pode nos levar a situações inesquecíveis. Ou até mesmo desesperadoras. Mas faz parte! Acredito que essas situações que acontecem, mas que não são pensadas antes, nos fazem crescer. Amadurecer. Então, se algo não acontecer como esperado, não reclame. Faça com que o não planejado, faça parte do plano.

QUINTA PARTE – “LEGAL-MAS-NÃO-TÃO-LEGAL

Em Split deu pra conhecer alguns lugares apesar de não ter feito nenhuma excursão, pois como era inverno, muito dos passeios que queria fazer não estavam disponíveis, mas tudo bem. O dinheiro que economizei dos passeios, gastei em mais 2 rabiscos pelo corpo hahaha.

  No domingo fui para o porto pegar o catamarã até Bol. Aliás, não. Não era mais Bol. Esqueci que agora começa a parte “legal-mas-não-tão-legal-assim da viagem”.
   Antes de seguir pra Croácia, pesquisei sobre Bol e o que tinha ao redor pra fazer. Apesar de ser pequena possui bares, boates, praias – inclusive uma das mais famosas da Croácia, Zlatini Rat – e além do mais o hostel tinha piscina. Excelente: depois de um dia de trabalho curtir uma saída na rua com os outros voluntários, fazer trilhas e tudo mais. Pois é, nada disso aconteceu!

Fiquei sabendo 2 dias antes de chegar em Split que não ficaria mais em Bol. Tudo bem, mesmo que fosse em outro lugar não poderia ser ruim. “Pô, estou na Croácia” – pensei, “Qualquer lugar que eu fique vai ser irado”.

Ficamos (eu e mais 5 voluntários brasileiros) alojados numa casa no interior de Supetar. Quando digo interior, é interior mesmo. Pra quem conhece, mais interior que Antônio Prado de Minas. Não tinha absolutamente nada pra fazer. Íamos trabalhar às 10:00 e voltávamos 17:30 já parecendo que era madrugada pois escurecia absurdamente rápido.
A primeira semana de trabalho foi maneiríssima: acordar cedo num frio da colina (variava de 5°C a -3°C quando ventava muito), tomar café e seguir pro batente procurar pedras achatadas, aprender a usar a betoneira, carregar saco de cimento e baldes com concreto. De almoço comíamos sopa com pão – muito bom por sinal – e a tarde nos era oferecido cachaça croata. Chato era chegar em casa 17:30 e ir deitar pra assistir filme no celular. Todos os voluntários dependiam do carro do host pra sair, seja pro mercado, pra cidade, pra onde fosse. Estávamos realmente isolados de tudo. Não tinha pra onde ir nem andando. O centro da cidade ficava a 20 minutos de carro e mesmo assim lá não tinha muito a ser feito.

Veja bem, em momento algum eu reclamei e nem estou reclamando agora. Eu sempre tento tirar proveito de todas as situações, inclusive as desagradáveis. Acontece que fui pra me divertir apesar de tudo e não apenas pra trabalhar. Realmente era muito chato chegar na casa e não ter NADA pra fazer. O host quando chegava ia dormir ou ficava assistindo televisão e não tinha transporte público, bicicleta e nem pessoas pra pedir carona.

O chato disso tudo é que em MOMENTO ALGUM o host falou pra mim – e nem pros outros voluntários - que ficaríamos numa casa no interior sem poder fazer nada. Em seu perfil estava tudo descrito pra ficar em bol. Inclusive tinha o endereço de lá, as fotos, informações também. Eu fiquei sabendo que íamos ficar em outra cidade porque um outro voluntário brasileiro que estava lá a mais tempo me avisou quando mandei mensagem pedindo mais informações. Uma semana depois de chegar na casa do host, já estava procurando outro lugar pra ficar.

SEXTA PARTE – RUMO A NEVE

   No dia 30/12, numa sexta feira, exatamente 12 dias após chegar no destino que eu acreditava ficar até dia 29/01/17, eu saí de lá rumo a Zurique, Suíça, com o intuito de passar o Réveillon e um dia após seguir para Bienna (Biel ou Bienne) cuidar de 3 magníficos huskies.

   Na Suíça, o meio de transporte público que mais se destaca é o trem seguido dos ônibus. São bem caros comparado aos do Brasil, porém são extremamente bem preservados e pontuais. Preciso repetir: muito pontuais. Cada estação de trem ou ônibus possui algumas telas com os horários dos próximos carros. Se está na tela “O próximo trem para Horgen chega em 23:37”, acredite ele vai chegar às 23:37 e não 23:35 ou 23:40. Na minha opinião acho justo pagar R$ 30,00 de passagem quando você tem conforto, segurança, pontualidade e qualidade.
 Um franco suíço (CHF) equivale a 3,37 reais. Não é um valor tão alto comparado com a libra esterlina por exemplo, que é absurdamente mais cara, porém o que encarece a viagem pela Suíça é o custo das passagens e da alimentação. Com 3 viagens de trem para bairros próximos (mais ou menos 20 minutos de duração cada viagem) gastei aproximadamente R$ 100,00, fora a passagem de 51 CHF (R$ 170,00) que precisei pagar pra ir até a casa do meu novo host que ficava em Bienna.

   O réveillon em Zurique foi iradíssimo apesar de estar sozinho, com saudades dos meus amigos, dos meus pais, do meu irmão e da minha namorada. Tentei fazer amizade, mas não foi tão simples quanto parecia. As pessoas que vi pareciam ser muito reservadas e eu além de ser tímido, estava com MUITO frio, então desisti da ideia e fiquei na minha explorando ao redor.
   A única diferença que percebi no réveillon de Zurique para o réveillon do Rio de Janeiro é que em Zurique as explosões começam 30 minutos depois de 00:00 e as luzes das ruas e dos edifícios se apagam, deixando o local mais escuro. Fora isso, na minha opinião, não achei grande coisa. O pouco que fiquei em Zurique deu pra perceber que é linda, tem muitas lugares a se conhecer e acredito que no verão deva ser melhor ainda. Definitivamente é um lugar que pretendo voltar.
  No dia 01/01/17 segui para a estação de Bienna onde meu host estaria me aguardando.  Bom, antes de falar sobre a experiência de trabalho voluntário na suíça, preciso explicar como fui parar lá.

   Ainda na casa do host em Supetar, uma semana depois de ter chegado já estava procurando outro lugar para ficar devido ao “pequeno imprevisto” que ocorreu. Eu já conhecia o site Workaway, mas, assim como o Worldpacker, nunca acreditei que fosse dar certo e então deixei de lado. Um dos voluntários lá na casa me indicou este e no mesmo dia fiz minha inscrição no site. Estava procurando locais próximos à Áustria porque meu voo de volta sairia de lá, então pra não gastar muito dinheiro com passagens decidi que encontraria lugares próximos. O interessante nesses sites de voluntariado é você ler todo o perfil do host, os feedbacks de outros voluntários, analisar fotos, e claro, você precisa gostar do que ele propõe. Não adianta nada você se candidatar a uma vaga onde você sabe que vai trabalhar carregando peso, cozinhando, ou qualquer coisa e você não estar apto pra isso. Por isso é muito importante ler o perfil antes de se candidatar a vaga. Mandei mensagens para vários hosts da Itália, Alemanha, Eslováquia, Suíça na tentativa de sair de lá o mais rápido possível. Muitos me responderam, mas a maioria dizia não estar disponível para o período de tempo que eu pretendia ficar, outros só aceitavam casal e outros disseram não ter mais vagas.

   Enfim, sempre depois que chegávamos do trabalho, tomava meu banho e seguia pro celular pra procurar vagas. Um belo dia, encontrei um host da Suíça que precisava de ajuda pra cuidar de 3 huskies: Hinata, Akamaru e Sydney. O trabalho consistia em levar os cachorros para passear na floresta 3-4 vezes por dia em troca de um quarto e alimentação. Eram 2 tipos de passeios: o longo e o curto. O passeio longo era todo dia 08:00 da manhã e 17:00 da tarde; o passeio curto era por volta de 11:30-12:00(antes do almoço) e 22:00. Na descrição o host pediu experiência com cachorros e colocou ênfase que o voluntário precisava ter um bom condicionamento físico para o trabalho porque, não importaria o clima, fosse sol, chuva, neve ou vento, precisaria levar os 3 huskies para passear.
   “Bom”, eu pensei, “tive dois poodle toy. Três huskies não podem ser tão diferentes assim”. Enviei mensagem e pra minha surpresa o host respondeu. Conversamos e ele me aceitou em sua casa até o dia que eu iria embora. Feito isso, conversei com o primeiro host, fui bem sincero com ele dizendo que não tinha sido o que eu esperava, visto que pensava que iria ficar em uma cidade com mais movimento e de fácil acesso e perguntei se haveria problemas se eu fosse embora dali a dois dias. Ele aceitou numa boa, e tudo pronto. “ . Pela primeira vez vou fazer um boneco de neve” - pensei
   Arrumei minha verdinha pela segunda vez e partiu Suíça.

SÉTIMA PARTE – AKAMARU, HINATA E SIDNEY

   Akamaru, o imponente, porém o preguiçoso; Hinata, a misteriosa; Sidney, a princesa caçadora, porém a peidorreira. Foram os três huskies que me receberam quando entrei pela porta da casa de meu host em Port – Biel/Bienna. Esses três huskies foram os responsáveis por eu ter tido uma das melhores experiências da minha vida.
  Meu dia começava às 08:00 da matina quando os levávamos pra um loongo passeio variando de 4 a 9 km (uma a duas horas) pela floresta. Geralmente era um passeio supertranquilo: cada um tinha sua vez de andar sem coleira pela trilha e dependendo do caminho que decidíamos tomar dois ficavam soltos. Nunca os três. Vez ou outra a gente encontrava um coelho ou um veado saltitando inocentemente pela trilha e quando isso acontecia era tenso, pois os cachorros partiam atrás e eram bem fortes. Nada comparado a dois poodle toys hahaha. Sorte a minha que eu já andava preparado pra esse tipo de situação pois o host já havia me alertado sobre.
   Teve uma vez em Grindelwald que estávamos descendo uma rua numa calçada bem escorregadia quando, simplesmente, os cachorros avistaram um GATO. É...isso mesmo.. Um gato. Foi tenso porque dessa vez eu não esperava. Eu estava segurando a Hinata e a Sidney quando os três – Akamaru estava com o host – começaram a latir e a puxar freneticamente, avancei uns 2 metros mais ou menos numa mistura de correr e tropeçar até o momento que achei uma mureta e consegui me estabilizar. O gato tinha desaparecido, mas mesmo depois os três continuaram farejando na tentativa de achar o gato.
   Os três huskies tinham o costume de caçar ratinhos na floresta, mas a que mais se destacava era Sidney. É incrível a habilidade que ela tem de DO NADA, pular em cima das folhas, cavar freneticamente e sair com um ratinho pendurado na boca. Eu sei eu sei, coitadinho do ratinho? Pensei exatamente a mesma coisa quando vi a primeira vez, mas depois passei a entender que é o instinto deles. Eles corriam atrás dos outros animais: coelhos, veados, esquilos, mas nunca os vi pegarem e, além do mais, seu dono também não deixava que o fizessem. Acontece que os ratinhos ficavam próximos demais da gente e quando menos se esperava, já vinha um deles com um ratinho na boca.

   Depois que chegávamos do passeio matinal, tomávamos café, eu limpava a casa e relaxava um pouco. Poucos antes do almoço, por volta de 12:00 – 12:30 eu saía com eles para um passeio curto de 30-40 minutos. O host estudou por muito tempo culinária, então praticamente todo dia era uma comida diferente e deliciosa. Esse é o interessante de quando se viaja fazendo Work Exchange porque acaba sendo mais fácil conviver com os moradores, fazer parte da rotina deles, aprender mais a fundo sobre a cultura, experimentar uma comida diferente que não existe nos restaurantes. Com certeza é possível fazer todas essas coisas quando se viaja de modo “tradicional”, mas acredito ser mais fácil quando se faz o Work Exchange.
   Depois do almoço eu tinha um tempo livre até o próximo passeio que era as 17:00, mas acabava ficando em casa lendo ou brincando com os huskies mesmo e vez ou outra a gente saía pra fazer compra no mercado. O passeio das 17:00 era um passeio longo, ou seja, andávamos em torno de 4-9 km dependendo da trilha e eu sei disso porque sempre marcávamos no aplicativo Runstatic. A noite, por volta das 21:00, eu levava os dogs por um passeio curto na rua, mas muitas vezes eu acabava voltando mais rápido do que esperava porque o Akamaru tem medo de escuro e ficava “empacando” quando eu tentava ir por um caminho. Às vezes o host00 me levava pra fazer excursão pela Suíça e com isso visitei algumas cidades como Interlaken, Lucerna, e um vilarejo no meio dos alpes, Grindelwald.
   Foi assim, andando de 20 – 40 km por semana, visitando outros lugares, me alimentando muito bem, conversando em inglês tão bem que eu nem acreditava – com erros é claro, mas bem – que passei as 4 semanas seguintes.
  Dia 29/01/17, com mochila pronta – mais pesada do que nunca com vários chocolates – Thommas me levou até a rodoviária pra eu pegar o bus que seguiria até a Áustria. Estava com saudades de casa...

[...]

OITAVA PARTE – CASA

   Admito que foi triste e chorei um pouco quando fui me despedir dos irmãos de 4 patas. O mais incrível, ou estranho, foi que no dia que eu estava indo embora os três ficaram latindo e se esfregando em mim, coisa que eles não faziam. Hinata raramente ficava comigo e nesse dia, ela ficou pulando em cima de mim, me lambendo, latindo. Não sei se foi apenas coincidência ou se eles sentiram algo. Pode ser que eles estavam felizes porque eu estar indo embora já que eu posso ter sido um pé no saco pra eles, mas acredito que não foi isso – espero que não tenha sido isso hahahah..
  
Na rodoviária me despedi de Thommas, e segui até o aeroporto da Áustria pra pegar meu voo de volta. Com check-in feito e mala despachada, sento na minha poltrona e começo a lembrar de todas as coisas que vivi nesses 49 dias. Fiquei feliz por ter tomado a decisão certa: Ao invés de ficar com medo – e eu estava com medo pra caralho, afinal eu ia viajar sozinho pra outro país - e não ter feito nada do que fiz, com medo mesmo eu comprei a passagem, arrumei minha mala e fiz meu roteiro; com medo mesmo fui para o aeroporto, me despedi do pessoal que estava comigo e segui adiante. Com medo mesmo entrei no avião e fui. Com medo. Mas fui.

CUSTOS


   Bom, admito que gastei mais do que tinha planejado pelo de fato de não ter imaginado que iria pra Suíça. Eu levei 1000 euros (aproximadamente R$ 4000,00) + cartão de crédito. Inicialmente eu pensei que esses 4 mil reais seriam mais que suficientes – e de fato seria se eu não tivesse ficado viajando de ônibus toda hora – mas como decidi algumas coisas de última hora acabei por gastar mais. Detalhadamente:
 -  R$ 2865,00 – Passagem ida e volta;
 -  R$ 4000,00 (1000 euros) que converti no Rio de Janeiro mesmo e foi gasto com passeios, alimentação e passagens;
 -  R$ 3000,00 que gastei parcelando alguns presentes, também passagens de ônibus e alimentação;
Teve coisas que comprei que não deveria e teve coisas que deveria ter comprado, mas não o fiz, mas acredito que faz parte. Se eu simplesmente tivesse ido direto pra casa do host na Croácia eu teria economizado uma bela quantia, mas eu não teria feito Bungee Jump, não teria conhecido Zagreb, não teria feito os amigos que fiz em Split e nem ter visto as coisas que vi. Qual seria o propósito da viagem então? Além de ser pra ajudar – independentemente do tipo de ajuda– você vai pra se divertir também. Queria aproveitar a oportunidade.

Caso esteja planejando viajar eu te digo: Vá! Quando puder, mas vá! Simplesmente. Não deixe que o medo do incerto te faça perder a coragem.  Vá sozinho, vá com namorada (o), vá com amigos... se permita esse momento. É incrível as coisas que podemos fazer quando queremos.
Um livro que me incentivou e me ajudou muito foi do Paulo Coelho: o Alquimista. Leia e entenderá.

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  • Curti 8

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Cara, muito legal seu relato! Também estou procurando alguns "trabalhos" no wordpackers, mas pretendo ficar (de começo) aqui pelo Brasil mesmo.

Obrigada por compartilhar sua experiência, me motivou ainda mais.

Mas tem uma pergunta que ficou martelando muito na minha cabeça enquanto lia o texto: Por que diabos esses cachorros precisavam passear tanto assim? KKKKK

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