Escrevo este post ainda sob os efeitos do fuso horário... Cheguei ontem do Japāo de uma viagem que me surpreendeu bastante. O Japāo é um país fantástico e que vale muito ser visitado.
Espero ajudar os futuros visitantes com este post assim como fui ajudado pelos colegas que lá estiveram antes de mim.
Vou dividir este post no antes e durante a viagem, pois ir ao Japāo requer uma preparação diferente de uma ida a Europa.
PREPARATIVOS:
Em primeiro lugar vamos aos preparativos da viagem!
Como todos devem saber, para ir ao Japāo é necessário visto que vale apenas para uma entrada no país. Após a viagem, o visto perde a validade e se quiserem retornar à Terra do Sol Nascente será necessário um novo visto.
Eu achei bem chatinho o processo para tirar o visto... Tive que ir duas vezes ao Consulado Japonês na Avenida Paulista aqui em São Paulo.
O que eles pedem?
Copia das passagens aéreas. Sim, tem que comprar a passagem antes de tirar o visto. E se eles negarem? Azar! Perdeu o dinheiro.
Formulário preenchido com os dados pessoais do viajante e que é encontrado no site do Consulado.
Formulário com o roteiro da viagem e que também é encontrado no site do Consulado. Neste formulário você basicamente vai colocar as cidades que visitará, as datas propostas e os hoteis em que se hospedará. Eles querem saber basicamente o que você pretende fazer no Japāo. E, claro, já reserve os hoteis antes e leve os comprovantes das reservas para eles verem que você não está mentindo.
Copia da declaração do Imposto de Renda. Este foi meu problema... Eu entreguei com atraso este ano, pois estava viajando a trabalho. Eles exigiram que eu redigisse uma carta explicando o motivo de eu ter entregue com atraso.
Cópia dos holerites e da Carteira de Trabalho das páginas onde estão a foto e o atual contrato de trabalho se você estiver empregado. E se você não estiver? Encontre um amigo ou mande o do pai e da mãe. Enfim, de alguém que vai custear sua viagem.
Cópia do RG.
Copia do extrato bancário para que eles tenham certeza que você tem dinheiro para viajar. Ouvi falar que eles exigiam cerca de R$ 10 mil na conta. Não é verdade! Eu tinha menos e o visto foi aprovado.
Passaporte válido. É óbvio! Kkkk
Foto 3x4
Com tudo isso em mãos é só seguir ao Consulado das 9h às 12h às segundas, quartas ou sextas-feiras para fazer o pedido do visto de turismo. Terças e quintas não adianta ir, pois são dias reservados para as agências de viagens.
Não se preocupem com filas. Eu demorei no máximo meia hora para ser atendido. Bem rápido!
Aprovado, o visto demora geralmente dois dias úteis para ficar pronto.
Eu fui na segunda-feira, tive que voltar na quarta para entregar a carta explicando porque havia entregue o IR com atraso e na sexta já estava com o visto no passaporte. O pagamento da taxa de emissão do visto japonês é feito no momento da retirada do passaporte e custa R$ 97. Atenção! Só aceitam em espécie o valor. Nada de cartão.
Com a passagem comprada, hotéis reservados (eu faço sempre pelo Booking), roteiro definido e apresentado ao Consulado e visto tirado é hora de partir para o Japāo.
Ahhhh, esqueci de um detalhe. O visto precisa ser usado em até três meses. Portanto, não adianta ir ao Consulado quatro ou cinco meses antes da viagem.
E, segundo: se quiser mudar o roteiro depois de apresentado ao Consulado, sem problemas. Eles não vão ficar te vigiando haha
Vale eu falar um pouco sobre a compra da passagem aérea. Geralmente, uma ida ao Japāo custa em torno de R$ 4500. Mas eu consegui pagar “apenas” R$ 2800 numa oferta que encontrei no Decolar.com voando pela Air Canada.
Como sempre tem aquela taxa do Decolar, fui também no site da companhia canadense para ver a mesma passagem. Só que lá estava mais caro. Portanto, excepcionalmente, comprei no Decolar.
Não há voos diretos do Brasil para o Japão. Você necessariamente pingará em algum lugar. No meu caso foi no Canadá com escalas em Toronto e Vancouver. Mas é possível ir pelos Estados Unidos, México, Europa, Qatar, Emirados Árabes ou Turquia. Vale sempre ficar de olho nas promoções das companhias e aguardar o melhor momento. Abaixo de R$ 3 mil, compra!
Cuidado apenas com o local da escala, pois dependendo do país pode ser necessário um segundo visto.
O Canadá, por exemplo, exige. Mas atualmente os brasileiros que tem visto americano ou já tiveram algum tipo de visto canadense podem solicitar pelo site do Consulado um eTA (Autorização Eletrônica de Viagem). O formulário pode ser preenchido em menos de 5 minutos, custa 7 dólares canadenses e é válido por 10 anos. Bem pratico!
Outro ponto que merece destaque nos preparativos da viagem diz respeito ao Japan Rail Pass, o JR Pass. Este é o passe de trem que dá direito ao turista pegar quantos trens quiser no Japāo sem pagar nada mais. Ele não pode ser adquirido no Japāo. Tem que ser comprado antes da viagem no país de origem do viajante. No nosso caso, claro, o Brasil.
Você deve acessar o site da companhia (jrpass.com) que tem versão em português e escolher o tipo de passe que quer. Há três tipos:
7 dias e que custa US$ 253 ou ¥ 29110 (cerca de R$ 900)
14 dias e que custa US$ 403
21 dias e que custa US$ 515
É caro? Sim, muito!
Mas vai por mim, pode ser muito mais caro sem ele dependendo do que você for fazer no Japāo.
Se a sua viagem for apenas por Tóquio e redondezas eu acredito que não vale comprar o JR Pass. Agora, se pretende ir a Kyoto, Osaka e Hiroshima, portanto, cidades mais distantes, vale muito a pena!
Um trecho apenas entre estas cidades pode chegar a ¥ 10000.
Como eu teria um período de 14 dias de viagem e boa parte seria por Tóquio e região, decidi comprar o passe de 7 dias. Portanto eu teria 7 dias para sair de Tóquio e conhecer Kyoto, Osaka, Hiroshima, Nara, Miyajima e Himeji. Foi o suficiente? Digo que sim. Mas claro que se tivesse mais dias seria melhor ainda.
Comprei o passe pelo site e em sete dias úteis o voucher me foi entregue pelos Correios num envelope da FedEx. Este voucher deve ser apresentado no balcão da JR Pass na sua chegada ao Japāo para que eles façam o passe. Foi bem tranquilo o processo de compra.
Atenção: o JR Pass vale para quase todos os trens do Japāo. Digo quase, pelo seguinte:
O passe pertence a empresa JR. Portanto, você só pode andar nos trens operados pela JR sem pagar quando está em posse deste passe. E mesmo assim, há dois tipos de trens da JR que não são cobertos pelo JR Pass: o Nozomi e o Mizuho que são os trens-bala mais rápidos que ligam as cidades japonesas. Mas há outros tipos de trem-bala que ligam estas mesmas cidades como o trem Sakura e que são cobertos pelo passe. Além disso, a JR tem linhas de ônibus e ferrys e que também são cobertos pelo passe. Portanto, vale a pena e faz você economizar muito.
Eusir, mas como vou descobrir que transporte posso usar?
Há um site muito bom chamado Hyperdia que é especialista em transporte no Japão. Na versão em inglês, você coloca local de destino e partida e o horário que vai sair. Ele te dá todas as opções possíveis com horários e números das plataformas de embarque e você decide o percurso. Além disso, você pede a ele que exclua os trens NOZOMI e MIZUHO. Assim, evita dor de cabeça.
Na viagem eu usei mais o Google Maps, mas quando o Maps me indicava apenas a opção de pegar o NOZOMI, por exemplo, eu ia no Hyperdia e ele me dava outras mil opções de chegada no local que eu queria.
Há outras empresas que administram o transporte sobre trilhos no Japāo. Basicamente, as linhas de metrô e linhas de ônibus municipais. Como escolhi usar o JR Pass apenas fora de Tóquio, usei mais o Google Maps na capital para saber quais linhas de metrô e trem eu deveria pegar para chegar nas atrações. Mas o Hyperdia é uma opção caso precisem.
Último item dos preparativos para a viagem: internet!
Varios blogueiros me alertaram que ficar sem internet no Japāo torna a viagem um desespero. Isso porque fica difícil (às vezes, impossível) achar o hotel em que se está hospedado ou mesmo o ponto turístico. O sistema de endereçamento lá é completamente diferente. As ruas não tem nome. Também é necessário ficar toda hora usando o Google Maps ou o Hyperdia para fazer simulação de rotas de trem e valores.
Eu digo: sem internet não dá pra ficar!
No próprio site da JR Pass há uma opção para aluguel de um pocket Wi-Fi. Eu decidi comprar por ali mesmo e paguei cerca de US$ 90. O pocket Wi-Fi não vem pelos Correios. Você recebe o voucher da empresa pelo e-mail (a empresa chama-se Ninja Wi-Fi) e com este voucher retira o aparelho no aeroporto em que vai chegar. No site há a opção de escolha entre Haneda ou Narita.
O meu roteiro inicial ficou da seguinte forma desenhado:
Dia 23 de outubro - viagem para o Canadá
Dia 24 de outubro - viagem do Canadá para o Japāo
Dia 25 de outubro - chegada ao Japāo
Dia 26 de outubro - Tóquio
Dia 27 de outubro - Tóquio
Dia 28 de outubro - Tóquio
Dia 29 de outubro - Kyoto e início da validade do meu JR Pass
Dia 30 de outubro - Kyoto
Dia 31 de outubro - Bate e volta em Nara
Dia 1 de novembro - Osaka (com bate e volta em Himeji)
Dia 2 de novembro - Osaka
Dia 3 de novembro - Bate e volta em Hiroshima e Miyajima.
Dia 4 de novembro - Retorno para Tóquio e término da validade do meu JR Pass
Dia 5 de novembro - Tóquio
Dia 6 de novembro - Tóquio
Dia 7 de novembro - Tóquio
Dia 8 de novembro - Retorno ao Brasil
Dia 9 de novembro - Chegada no Brasil
Último conselho com relação ao idioma. Dá pra se virar bem com um inglês básico. Não há muitos japoneses que falam inglês, mas você sempre acha alguém.
Vamos agora ao relato da viagem:
DIA 1 - 23 DE OUTUBRO - VOO SÃO PAULO - TORONTO
(SEGUNDA-FEIRA)
21h25 - Voo Air Canada AC 91 - Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Toronto.
O processo de check-in foi bem rápido e tranquilo. Eles conferem se você tem o visto ou eTA canadense e o visto japonês.
Sem surpresas...
Os voos da Air Canadá é que eu acho que são um pouco desconfortáveis. Pouco espaço entre as poltronas... Bem chato para enfrentar as 10 horas de voo para Toronto. A comida servida também não é das melhores, mas também não foi a pior que já comi num voo. Destaque positivo para o atendimento da equipe da empresa e para o sistema de entretenimento a bordo com muitos filmes legais. Inclusive, em português.
DIA 2 - 24 DE OUTUBRO - VOO TORONTO - VANCOUVER - TOQUIO
(TERÇA-FEIRA)
05h30 - Chegada em Toronto - Aeroporto Internacional Toronto Pearson
Como era de se esperar cheguei bem cansado em Toronto e ainda tive que enfrentar uma conexão mega rápida para Vancouver. E a mala não segue direto para o destino final. Em viagens ao Canadá, na primeira cidade em que você para é necessário pegar a mala para inspeção alfandegária. Aí você despacha de novo e a mala pode seguir para o destino final.
Então este foi meu esquema na chegada a Toronto: desembarque, passagem pela Imigração Canadense, retirada da bagagem, passagem pela inspeção alfandegária e despacho da bagagem novamente na Air Canadá.
Eu tinha 1h15 pra fazer tudo isso! Pouquíssimo tempo! Mas ainda no Brasil os funcionários da empresa me tranquilizaram e disseram que eu seria realocado em outro voo para Vancouver se perdesse a conexão. Foi o que aconteceu. Perdi o das 6h45 e embarquei no das 7h30.
A imigração foi um pouco chata, mas liberou minha passagem rapidamente depois de eu deixar claro por duas vezes que estava de férias. Acho que o policial percebeu que eu não estava nas melhores condições de humor devido ao voo haha
Minha mala não demorou para ser entregue e a inspeção alfandegária não quis nem checar haha Rapidamenre cheguei ao balcão de conexão da Air Canadá. Em tese, teria dado tempo de eu pegar o voo das 6h45. Mas quiserem realocar mesmo assim.
07h30 - Voo Air Canada AC 101 - Aeroporto Internacional Toronto Pearson para Vancouver.
09h - Chegada em Vancouver - Aeroporto Internacional de Vancouver
Algumas horinhas de conexão em Vancouver para tomar um café da manhã decente no aeroporto. Fato triste é que perdi meu fone de ouvido Estava muito cansado e, com certeza, deixei ele cair no chão do saguão de embarque. Uma pena!
Apesar dos horários de saída de Toronto e chegada em Vancouver não pensem que foi uma hora e meia de voo. Foram quase 4 horas! Há diferença de fuso horário entre estas duas cidades.
13h15 - Voo Air Canada AC 3 - Aeroporto Internacional de Vancouver
Mais 10 horas de voo! Parece que não chega nunca o Japāo! Kkkkk
E a comida servida neste voo conseguiu ser ainda pior que a do primeiro. Foi difícil!
DIA 3 - 25 DE OUTUBRO - CHEGADA EM TÓQUIO
(QUARTA-FEIRA)
15h10 - Chegada em Narita - Aeroporto Internacional de Narita
Após 30 horas de viagem desembarquei no Aeroporto Internacional de Narita. A cidade de Narita para efeito de comparação é mais ou menos como Guarulhos em termos de distância. Tóquio também tem aeroporto internacional, Haneda. Mas a maioria dos voos chega por Narita.
Exausto, desembarquei e passei pela imigração sem nenhum problema. Conferiram meu visto, perguntaram quantos dias eu ia ficar e me liberaram.
Minha mala foi uma das últimas a ser entregue e confesso que bateu aquele medinho de ela ter ficado em Vancouver haha.
De posse da mala, hora de resolver o JR Pass e pegar o Pocket Wi-Fi.
Em Narita, o escritório da JR fica no subsolo no local de onde partem os trens com destino a Tóquio. Você enfrenta uma filinha básica de turistas estrangeiros, mas retira sem muita dificuldade o passe apresentando o voucher que recebeu no Brasil pelos Correios. É importante deixar claro a partir de qual dia você pretende que inicie a validade do JR Pass. No meu caso seria apenas no dia 29 de outubro.
Mas se vocês pretendem usar o JR Pass já no primeiro dia de viagem saibam que não vão pagar nada para chegar a Tóquio. Já vão poder desfrutar dos benefícios do passe nos trens de Narita para Tóquio. A viagem demora cerca de 1 hora. Eu tive que pagar a bagatela de ¥ 2630 por esta viagem até Tóquio. Cerca de 85 reais.
Mas antes de pegar o trem para Tóquio fui pegar meu Pocket Wi-Fi. E apesar de ter feito a compra no site da JR não é lá que se retira. No saguão de desembarque há um balcão de uma empresa chamada QL. Eles são tipo uma empresa de entregas. A Ninja Wi-Fi, empresa que presta este serviço de internet do site da JR, deixa o pocket Wi-Fi na QL e é com eles que você retira. Seu nome constará numa lista. Claro que eu demorei pra entender isso haha
Hora de usar a internet e descobrir qual trem pegar do aeroporto até o meu hotel que ficava na zona norte de Tóquio. Usei o Hyperdia e ele me indicou pegar a Keisei LINE da JR até a estação de Nippori, em Tóquio. Nesta estação eu faria baldeação para mais uma linha de trem da JR, a Yamanote, para desembarcar na estação Higashi-Jujo. Meu hotel era bem ao lado desta estação.
Cheguei por volta das 18h no hotel Flexstay Inn ansioso por um banho e cama haha. Bom hotel. Quarto pequeno, mas muito confortável. Valeu o investimento. Eu ia ficar em Hostel, mas decidi mudar para um hotel avaliando que eu estaria podre após 30 horas de viagem. Decisão sábia!
Para tentar acordar no dia seguinte sentindo pouco os efeitos do fuso horário de 11 horas a frente de Brasília, decidi tomar banho e sair para comer algo e conhecer algum ponto turístico.
Fui para Shibuya! O cruzamento mais movimentado do mundo. Lindo demais lá. As luzes dos prédios, as ruas cheias. Confesso que me deu uma revigorada.
Cheguei de volta no hotel umas 23h e aí sim capotei não cama.
Aproveito aqui para colocar os valores do que foi gasto no dia:
Trem do aeroporto para o Hotel ¥ 2630
Guarda Chuva ¥ 874 (chovia forte em meu primeiro dia e tive que comprar rsrs)
“Jantar” no Mc ¥ 680 (eu não curto comida japonesa)
Compras no mercado ¥ 394 (água e lanche)
Bilhete Único de Tóquio (cartão Suica ) ¥ 2000
Vale mais um comentário bacana a respeito do transporte público de Tóquio. Lá você paga pelo tanto que usa o transporte. Se usa muito o metrô, paga muito. Se usa pouco, paga pouco.
E como saber o quanto vai pagar ao final?
Confesso que não entendi e achei melhor adquirir o cartão de transporte público de Tóquio: o Suica. Há támbem o cartão chamado Pasmo. Ambos são aceitos em toda a rede de trens, metrôs e até alguns ônibus (acho que todos) de Tóquio. O cartão custa 500 ienes e você compra nas máquinas de autoatendimento que podem ser acessadas em inglês.
Compra, carrega já um valor e fica despreocupado com ter que ficar fazendo contas de quanto vai pagar em cada viagem. O cartão desconta o valor correto e quando estiver acabando o saldo você carrega mais. Simples. Fácil!
Bom, como já escrevi demais hoje vou deixar para continuar amanhã. Espero que gostem do relato até aqui rsrs
Olá, amigos do Mochileiros.com!
Escrevo este post ainda sob os efeitos do fuso horário... Cheguei ontem do Japāo de uma viagem que me surpreendeu bastante. O Japāo é um país fantástico e que vale muito ser visitado.
Espero ajudar os futuros visitantes com este post assim como fui ajudado pelos colegas que lá estiveram antes de mim.
Vou dividir este post no antes e durante a viagem, pois ir ao Japāo requer uma preparação diferente de uma ida a Europa.
PREPARATIVOS:
Em primeiro lugar vamos aos preparativos da viagem!
Como todos devem saber, para ir ao Japāo é necessário visto que vale apenas para uma entrada no país. Após a viagem, o visto perde a validade e se quiserem retornar à Terra do Sol Nascente será necessário um novo visto.
Eu achei bem chatinho o processo para tirar o visto... Tive que ir duas vezes ao Consulado Japonês na Avenida Paulista aqui em São Paulo.
O que eles pedem?
Com tudo isso em mãos é só seguir ao Consulado das 9h às 12h às segundas, quartas ou sextas-feiras para fazer o pedido do visto de turismo. Terças e quintas não adianta ir, pois são dias reservados para as agências de viagens.
Não se preocupem com filas. Eu demorei no máximo meia hora para ser atendido. Bem rápido!
Aprovado, o visto demora geralmente dois dias úteis para ficar pronto.
Eu fui na segunda-feira, tive que voltar na quarta para entregar a carta explicando porque havia entregue o IR com atraso e na sexta já estava com o visto no passaporte. O pagamento da taxa de emissão do visto japonês é feito no momento da retirada do passaporte e custa R$ 97. Atenção! Só aceitam em espécie o valor. Nada de cartão.
Com a passagem comprada, hotéis reservados (eu faço sempre pelo Booking), roteiro definido e apresentado ao Consulado e visto tirado é hora de partir para o Japāo.
Ahhhh, esqueci de um detalhe. O visto precisa ser usado em até três meses. Portanto, não adianta ir ao Consulado quatro ou cinco meses antes da viagem.
E, segundo: se quiser mudar o roteiro depois de apresentado ao Consulado, sem problemas. Eles não vão ficar te vigiando haha
Vale eu falar um pouco sobre a compra da passagem aérea. Geralmente, uma ida ao Japāo custa em torno de R$ 4500. Mas eu consegui pagar “apenas” R$ 2800 numa oferta que encontrei no Decolar.com voando pela Air Canada.
Como sempre tem aquela taxa do Decolar, fui também no site da companhia canadense para ver a mesma passagem. Só que lá estava mais caro. Portanto, excepcionalmente, comprei no Decolar.
Não há voos diretos do Brasil para o Japão. Você necessariamente pingará em algum lugar. No meu caso foi no Canadá com escalas em Toronto e Vancouver. Mas é possível ir pelos Estados Unidos, México, Europa, Qatar, Emirados Árabes ou Turquia. Vale sempre ficar de olho nas promoções das companhias e aguardar o melhor momento. Abaixo de R$ 3 mil, compra!
Cuidado apenas com o local da escala, pois dependendo do país pode ser necessário um segundo visto.
O Canadá, por exemplo, exige. Mas atualmente os brasileiros que tem visto americano ou já tiveram algum tipo de visto canadense podem solicitar pelo site do Consulado um eTA (Autorização Eletrônica de Viagem). O formulário pode ser preenchido em menos de 5 minutos, custa 7 dólares canadenses e é válido por 10 anos. Bem pratico!
Outro ponto que merece destaque nos preparativos da viagem diz respeito ao Japan Rail Pass, o JR Pass. Este é o passe de trem que dá direito ao turista pegar quantos trens quiser no Japāo sem pagar nada mais. Ele não pode ser adquirido no Japāo. Tem que ser comprado antes da viagem no país de origem do viajante. No nosso caso, claro, o Brasil.
Você deve acessar o site da companhia (jrpass.com) que tem versão em português e escolher o tipo de passe que quer. Há três tipos:
É caro? Sim, muito!
Mas vai por mim, pode ser muito mais caro sem ele dependendo do que você for fazer no Japāo.
Se a sua viagem for apenas por Tóquio e redondezas eu acredito que não vale comprar o JR Pass. Agora, se pretende ir a Kyoto, Osaka e Hiroshima, portanto, cidades mais distantes, vale muito a pena!
Um trecho apenas entre estas cidades pode chegar a ¥ 10000.
Como eu teria um período de 14 dias de viagem e boa parte seria por Tóquio e região, decidi comprar o passe de 7 dias. Portanto eu teria 7 dias para sair de Tóquio e conhecer Kyoto, Osaka, Hiroshima, Nara, Miyajima e Himeji. Foi o suficiente? Digo que sim. Mas claro que se tivesse mais dias seria melhor ainda.
Comprei o passe pelo site e em sete dias úteis o voucher me foi entregue pelos Correios num envelope da FedEx. Este voucher deve ser apresentado no balcão da JR Pass na sua chegada ao Japāo para que eles façam o passe. Foi bem tranquilo o processo de compra.
Atenção: o JR Pass vale para quase todos os trens do Japāo. Digo quase, pelo seguinte:
O passe pertence a empresa JR. Portanto, você só pode andar nos trens operados pela JR sem pagar quando está em posse deste passe. E mesmo assim, há dois tipos de trens da JR que não são cobertos pelo JR Pass: o Nozomi e o Mizuho que são os trens-bala mais rápidos que ligam as cidades japonesas. Mas há outros tipos de trem-bala que ligam estas mesmas cidades como o trem Sakura e que são cobertos pelo passe. Além disso, a JR tem linhas de ônibus e ferrys e que também são cobertos pelo passe. Portanto, vale a pena e faz você economizar muito.
Eusir, mas como vou descobrir que transporte posso usar?
Há um site muito bom chamado Hyperdia que é especialista em transporte no Japão. Na versão em inglês, você coloca local de destino e partida e o horário que vai sair. Ele te dá todas as opções possíveis com horários e números das plataformas de embarque e você decide o percurso. Além disso, você pede a ele que exclua os trens NOZOMI e MIZUHO. Assim, evita dor de cabeça.
Na viagem eu usei mais o Google Maps, mas quando o Maps me indicava apenas a opção de pegar o NOZOMI, por exemplo, eu ia no Hyperdia e ele me dava outras mil opções de chegada no local que eu queria.
Há outras empresas que administram o transporte sobre trilhos no Japāo. Basicamente, as linhas de metrô e linhas de ônibus municipais. Como escolhi usar o JR Pass apenas fora de Tóquio, usei mais o Google Maps na capital para saber quais linhas de metrô e trem eu deveria pegar para chegar nas atrações. Mas o Hyperdia é uma opção caso precisem.
Último item dos preparativos para a viagem: internet!
Varios blogueiros me alertaram que ficar sem internet no Japāo torna a viagem um desespero. Isso porque fica difícil (às vezes, impossível) achar o hotel em que se está hospedado ou mesmo o ponto turístico. O sistema de endereçamento lá é completamente diferente. As ruas não tem nome. Também é necessário ficar toda hora usando o Google Maps ou o Hyperdia para fazer simulação de rotas de trem e valores.
Eu digo: sem internet não dá pra ficar!
No próprio site da JR Pass há uma opção para aluguel de um pocket Wi-Fi. Eu decidi comprar por ali mesmo e paguei cerca de US$ 90. O pocket Wi-Fi não vem pelos Correios. Você recebe o voucher da empresa pelo e-mail (a empresa chama-se Ninja Wi-Fi) e com este voucher retira o aparelho no aeroporto em que vai chegar. No site há a opção de escolha entre Haneda ou Narita.
O meu roteiro inicial ficou da seguinte forma desenhado:
Último conselho com relação ao idioma. Dá pra se virar bem com um inglês básico. Não há muitos japoneses que falam inglês, mas você sempre acha alguém.
Vamos agora ao relato da viagem:
DIA 1 - 23 DE OUTUBRO - VOO SÃO PAULO - TORONTO
(SEGUNDA-FEIRA)
21h25 - Voo Air Canada AC 91 - Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Toronto.
O processo de check-in foi bem rápido e tranquilo. Eles conferem se você tem o visto ou eTA canadense e o visto japonês.
Sem surpresas...
Os voos da Air Canadá é que eu acho que são um pouco desconfortáveis. Pouco espaço entre as poltronas... Bem chato para enfrentar as 10 horas de voo para Toronto. A comida servida também não é das melhores, mas também não foi a pior que já comi num voo. Destaque positivo para o atendimento da equipe da empresa e para o sistema de entretenimento a bordo com muitos filmes legais. Inclusive, em português.
DIA 2 - 24 DE OUTUBRO - VOO TORONTO - VANCOUVER - TOQUIO
(TERÇA-FEIRA)
05h30 - Chegada em Toronto - Aeroporto Internacional Toronto Pearson
Como era de se esperar cheguei bem cansado em Toronto e ainda tive que enfrentar uma conexão mega rápida para Vancouver. E a mala não segue direto para o destino final. Em viagens ao Canadá, na primeira cidade em que você para é necessário pegar a mala para inspeção alfandegária. Aí você despacha de novo e a mala pode seguir para o destino final.
Então este foi meu esquema na chegada a Toronto: desembarque, passagem pela Imigração Canadense, retirada da bagagem, passagem pela inspeção alfandegária e despacho da bagagem novamente na Air Canadá.
Eu tinha 1h15 pra fazer tudo isso! Pouquíssimo tempo! Mas ainda no Brasil os funcionários da empresa me tranquilizaram e disseram que eu seria realocado em outro voo para Vancouver se perdesse a conexão. Foi o que aconteceu. Perdi o das 6h45 e embarquei no das 7h30.
A imigração foi um pouco chata, mas liberou minha passagem rapidamente depois de eu deixar claro por duas vezes que estava de férias. Acho que o policial percebeu que eu não estava nas melhores condições de humor devido ao voo haha
Minha mala não demorou para ser entregue e a inspeção alfandegária não quis nem checar haha Rapidamenre cheguei ao balcão de conexão da Air Canadá. Em tese, teria dado tempo de eu pegar o voo das 6h45. Mas quiserem realocar mesmo assim.
07h30 - Voo Air Canada AC 101 - Aeroporto Internacional Toronto Pearson para Vancouver.
09h - Chegada em Vancouver - Aeroporto Internacional de Vancouver
Algumas horinhas de conexão em Vancouver para tomar um café da manhã decente no aeroporto. Fato triste é que perdi meu fone de ouvido
Estava muito cansado e, com certeza, deixei ele cair no chão do saguão de embarque. Uma pena!
Apesar dos horários de saída de Toronto e chegada em Vancouver não pensem que foi uma hora e meia de voo. Foram quase 4 horas! Há diferença de fuso horário entre estas duas cidades.
13h15 - Voo Air Canada AC 3 - Aeroporto Internacional de Vancouver
Mais 10 horas de voo! Parece que não chega nunca o Japāo! Kkkkk
E a comida servida neste voo conseguiu ser ainda pior que a do primeiro. Foi difícil!
DIA 3 - 25 DE OUTUBRO - CHEGADA EM TÓQUIO
(QUARTA-FEIRA)
15h10 - Chegada em Narita - Aeroporto Internacional de Narita
Após 30 horas de viagem desembarquei no Aeroporto Internacional de Narita. A cidade de Narita para efeito de comparação é mais ou menos como Guarulhos em termos de distância. Tóquio também tem aeroporto internacional, Haneda. Mas a maioria dos voos chega por Narita.
Exausto, desembarquei e passei pela imigração sem nenhum problema. Conferiram meu visto, perguntaram quantos dias eu ia ficar e me liberaram.
Minha mala foi uma das últimas a ser entregue e confesso que bateu aquele medinho de ela ter ficado em Vancouver haha.
De posse da mala, hora de resolver o JR Pass e pegar o Pocket Wi-Fi.
Em Narita, o escritório da JR fica no subsolo no local de onde partem os trens com destino a Tóquio. Você enfrenta uma filinha básica de turistas estrangeiros, mas retira sem muita dificuldade o passe apresentando o voucher que recebeu no Brasil pelos Correios. É importante deixar claro a partir de qual dia você pretende que inicie a validade do JR Pass. No meu caso seria apenas no dia 29 de outubro.
Mas se vocês pretendem usar o JR Pass já no primeiro dia de viagem saibam que não vão pagar nada para chegar a Tóquio. Já vão poder desfrutar dos benefícios do passe nos trens de Narita para Tóquio. A viagem demora cerca de 1 hora. Eu tive que pagar a bagatela de ¥ 2630 por esta viagem até Tóquio. Cerca de 85 reais.
Mas antes de pegar o trem para Tóquio fui pegar meu Pocket Wi-Fi. E apesar de ter feito a compra no site da JR não é lá que se retira. No saguão de desembarque há um balcão de uma empresa chamada QL. Eles são tipo uma empresa de entregas. A Ninja Wi-Fi, empresa que presta este serviço de internet do site da JR, deixa o pocket Wi-Fi na QL e é com eles que você retira. Seu nome constará numa lista. Claro que eu demorei pra entender isso haha
Hora de usar a internet e descobrir qual trem pegar do aeroporto até o meu hotel que ficava na zona norte de Tóquio. Usei o Hyperdia e ele me indicou pegar a Keisei LINE da JR até a estação de Nippori, em Tóquio. Nesta estação eu faria baldeação para mais uma linha de trem da JR, a Yamanote, para desembarcar na estação Higashi-Jujo. Meu hotel era bem ao lado desta estação.
Cheguei por volta das 18h no hotel Flexstay Inn ansioso por um banho e cama haha. Bom hotel. Quarto pequeno, mas muito confortável. Valeu o investimento. Eu ia ficar em Hostel, mas decidi mudar para um hotel avaliando que eu estaria podre após 30 horas de viagem. Decisão sábia!
Para tentar acordar no dia seguinte sentindo pouco os efeitos do fuso horário de 11 horas a frente de Brasília, decidi tomar banho e sair para comer algo e conhecer algum ponto turístico.
Fui para Shibuya! O cruzamento mais movimentado do mundo. Lindo demais lá. As luzes dos prédios, as ruas cheias. Confesso que me deu uma revigorada.
Cheguei de volta no hotel umas 23h e aí sim capotei não cama.
Aproveito aqui para colocar os valores do que foi gasto no dia:
Trem do aeroporto para o Hotel ¥ 2630
Guarda Chuva ¥ 874 (chovia forte em meu primeiro dia e tive que comprar rsrs)
“Jantar” no Mc ¥ 680 (eu não curto comida japonesa)
Compras no mercado ¥ 394 (água e lanche)
Bilhete Único de Tóquio (cartão Suica ) ¥ 2000
Vale mais um comentário bacana a respeito do transporte público de Tóquio. Lá você paga pelo tanto que usa o transporte. Se usa muito o metrô, paga muito. Se usa pouco, paga pouco.
E como saber o quanto vai pagar ao final?
Confesso que não entendi e achei melhor adquirir o cartão de transporte público de Tóquio: o Suica. Há támbem o cartão chamado Pasmo. Ambos são aceitos em toda a rede de trens, metrôs e até alguns ônibus (acho que todos) de Tóquio. O cartão custa 500 ienes e você compra nas máquinas de autoatendimento que podem ser acessadas em inglês.
Compra, carrega já um valor e fica despreocupado com ter que ficar fazendo contas de quanto vai pagar em cada viagem. O cartão desconta o valor correto e quando estiver acabando o saldo você carrega mais. Simples. Fácil!
Bom, como já escrevi demais hoje vou deixar para continuar amanhã. Espero que gostem do relato até aqui rsrs
Abs!