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Vgn Vagner

TRAVESSIA: Vale do Rio Cubatão de Cima/SP

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Sinceramente, Eu não acreditava que iríamos realizar esta travessia na data combinada: 08, 09 e 10 de Setembro de 2017. Era feriado prolongado da independência do Brasil - iniciado na quinta feira - e como não tínhamos a chance de nos estendermos à uma folga trabalhista de 4 dias para palmilhar pelas mais clássicas travessias que o nosso sudeste guarda nos contentamos a procurar aventura pelo quintal de casa, abrindo as portas da "temporada de expedições pela Serra do Mar" do mesmo ano. 
A estiagem que se prolongava em São Paulo favorecia qualquer aventura selvagem, pois a previsão do tempo prometia que os termometros chegariam aos 30°C e possibilidade de chuva em 0%. Não haveria clima melhor para alegrar "a macacada". Mas, como as conversas a respeito de atravessarmos o vale do Rio Cubatão de Cima seguiam tímidas fiquei incrédulo se iríamos mesmo, tanto que cheguei a anunciar ir para outra travessia local caso essa não rolasse. Mas os meninos continuaram firmes no propósito, e na manhã daquele sábado, às 5h35 da madruga, quase que instantaneamente, nos juntamos em um quarteto formado por: Daniel Trovo, Paulo Potenza, Rafael S Lima e Eu. 
O próximo ônibus com direção ao litoral partiria às 06h00, e com menos de 40 minutos nos largaria na Rod. dos Imigrantes sob uma ponte que antecede a rodovia de interligação com a Rodovia Anchieta. Lá só tivemos o trabalho de atravessar a pista para o sentido norte, onde fomos pegos de surpresa por um carro vindo de marcha à ré em nossa direção com o pisca alerta ligado NA CONTRAMÃO (coisa de louco). Pensamos que iriam pedir informações, coisa e tal, mas o passageiro, pensando que estavamos indo para São Paulo, simplesmente nos ofereceu uma carona - detalhe: o carro já era ocupado por 4 meliantes aparentando estarem sob efeito de substâncias químicas, rs. Só pudemos agradecer pela boa vontade dos "parças " e prosseguirmos caminhando pelo acostamento levando o ocorrido como um presságio de boa sorte e um questionamento em pauta - onde aqueles caras iram nos colocar dentro do carro que já estava cheio????
Foi uma caminhada que chegou perto de 1h, e com a chegada do quilômetro almejado paramos para colocar energia goela abaixo e fazer os ajustes finais antes de encarar a luta daquele dia. Descemos por dentro de uma das centenas de canaletas que jogam as águas da chuva, e todo o lixo produzido pelos porcalhões que utilizam a rodovia, dentro dos rios. Em menos de 20 metros já estávamos de cara com dois túneis que não passam dos 2,2 mts de altura, mas que se estendem por uns 70 metros, ou mais, para desaguar no Ribeirão das Antas. Passamos pelas beirando as laterais mais altas da galeria para evitar molhar os pés naquela manhã que ainda era fria, mas não adiantou muita coisa. Saindo da escuridão do túnel pegamos uma trilha que nasce à esquerda e nos levou por um trecho de caminho bem aberto e prazeroso para andar. Há momentos que a mesma desaparece sob a Mata muito fechada e árvores caídas nos obrigando a enfiarmos os pés no leito raso e largo do afluente e sentir o gelado tomar conta do corpo. Esse prossesso é repetido diversas vezes até o Ribeirão das Antas se encontrar com o Rio Cubatão de Cima, e quanto mais adentro da floresta íamos, mais vestígios de que um mundo selvagem se aproximava. Pegadas enormes marcavam o solo  em que andávamos - eram pegadas de Anta, sucessivamente surgiram as pegadas de felinos, em sua maioria pequenas, aparentando ser de Jaguatiricas, outras maiores acusavam que onças parda também andam pela região. 
Quando entramos pelo Cubatão de Cima vimos beleza e calma nas águas que cruzam o planalto de São Bernardo do Campo ainda em trecho de Serra, largo e de profundidade mediana atingindo, no máximo,  a altura da cintura. Isso por que estávamos no inverno, vindos de uma estiagem de mais de 30 dias sem chuvas. Caso contrário teríamos sérios problemas para atravessar de uma margem à outra do rio. Pois o lixo trazido pela corretenza das chuvas de verão ultrapassava os 2,5 mts da altura que vimos. Mas como não  era o caso, fomos caminhando pelo leito do Rio que faz um ziguezague danado e deixa praias de areia em suas margens. Ideal para um pernoite ao ar livre, sem rede e sem barraca, como fizeram os integrantes do primeiro grupo que quesbravou aquele vale 3 anos antes de nós. Grupo esse que contou com a participação de Daniel Trovo, que tinha como sonho ultrapassar os limites da TERCEIRA QUEDA DO CDC e expor ao mundo das caminhadas um paraíso desconhecido. Tal experiência só viria agregar forças para termos êxito em nossa batalha, tão almejada e inédita aos nossos olhos.
Depois de caminhar 9 km conversando e dando muitas risadas, às 10h30, chegamos nas primeiras grandes piscinas que o rio forma antes de se estreitar e ganhar força bruta vale abaixo. A PRIMEIRA QUEDA é um paraíso natural pra quem quiser tirar um fim de semana de lazer acampando por ali e desfrutando o lugar. Passar daquele ponto não exige abilidades especiais ou super poderes de x-men, mas, logo o Rio afunila a não mais de 2 mts e despenca livre por uns 20 mts formando a SEGUNDA QUEDA. Uma cachoeira linda em tamanho e forma, com um grande e profundo poço para banho. Mas como estávamos focados em não perder tempo, por termos iniciado a travessia na manhã de sábado, diferente do primeiro grupo que iniciou numa sexta feira à noite, tínhamos a sensação de os ponteiros estarem correndo mais rápido para nós. Então nos contentamos com alguns minutos de contemplação e fotos antes de partimos para o nosso próximo desafio: VENCER O MONSTRO daquele Vale - A TERCEIRA QUEDA,  que despenca feroz de uma altura aproximada de 80 mts em um cânion que se abre à sua volta de maneira impressionantemente belo e assustador. 
Descemos uns trinta metros de penhasco, e quando nos vimos à beira do abismo, perdemos um tempo procurando o portal que nos joga pra dentro da Mata novamente. O Trovo não recordava exatamente onde era o ponto em que o mato forma uma cortina que esconde uma árvore, e a única passagem que nos tiraria daquele pedaço de rocha exposta. Mas bastou farejar com mais atenção que em poucos minutos já estávamos nos enfiando floresta à dentro ganhando  altitude e nos afastando daquele enorme buraco esculpido pela natureza há milhares de anos. Foram necessários 15 ou 20 minutinhos de vara-mato para chegarmos ao rio novamente, uns 50 mts abaixo dos pés da cachoeira, onde largamos as mochilas encostadas nas rochas e fomos de encontro ao maior atrativo de nossa aventura. De fronte com a cachoeira a vista é sensacional, e dá uma dimensão do porquê "ninguém" do mundo do trekking se propôs a descer aquele vale antes de Dezembro de 2014. O quanto há de belo, há de perigoso naquele lugar, mas ainda haveria de vir à tona muitas situações de risco. A brincadeira estava apenas começando, e com ela a tensão se fez presente (pelo menos pra mim). Iríamos pegar uma carona no teto do trem de cargas para podermos finalizar a jornada - algo de praxe para os demais, porém, novidade pra mim. Mas como era coisa a ser feita na segunda metade do próximo dia deixei outras preocupações invadirem minha mente, rs. Por exemplo: cobras pelo caminho, despenhadeiros para vencer, paredões para escalar e/ou desescalar, pedras que rolam barranco abaixo, aliás, o primeiro vara-mato com descida acentuada foi marcado por uma pedra que rolou rápido e quase atingiu o Trovo, que ia na linha de frente, isso depois de o Potenza empurrar a pedra com os pés (sempre Ele, rs). Claro que foi um susto, e depois disso, sempre que iríamos descer alguma piramba seguia um de cada vez até sair da linha de tiro do sniper, rsrs. Essa medida preventiva foi adotada até o término do vale.
Logo veio a quarta cachoeira - a parada também foi breve, tiramos algumas fotos e prosseguimos varando mato pela direita da encosta. Hora o Trovo tocava o ritmo, hora eu assumia a dianteira, o Potenza vinha como terceiro (um perigo, rs), e na retaguarda - com a função de fotografar os melhores ângulos do avanço da equipe, Rafael. Eles diziam que enquanto a dianteira da tropa era minha eu só conseguia vislumbrar caminhos suicidas, mas aceitavam tais caminhos, pois o ganho de tempo e de terreno era favorável ao quarteto. Mas foi num desses trechos de piramba kamikaze, onde o solo é argiloso e de vegetação solta, que levei um escorregão e meti o beiço num galho pontiagudo que nascia do chão. Pronto!  foi só o tempo do gosto de sangue se misturar à saliva pra que meu bom humor ficasse por ali mesmo, largado no chão, sem esboçar nenhuma reação para prosseguir viagem comigo. A partir daquele momento eu já não era mais o mesmo, seguia disperso no vara-mato, compenetrado na distração, sem percepção aos detalhes me sentia estranho, mas tinha que prosseguir. Ruim era beirar abismos que esperavam por apenas um escorregão para tragar a vida de quem tivesse a má sorte de dar margem ao erro - detalhe que não deixava meu nervosismo dar fuga. As gargantas vinham se mostrando cada vez maiores, com paredões que davam medo só de olhar, imagine passar por eles. Tal imponência nos obrigava a buscar uma solução rápida e eficaz cada vez que cada uma das gargantas aparecesse. Pular na água era por fim na própria vida, não havia poções com correnteza para irmos boiando ou nadando, só declives e só escarpas. O caminho era pro mato.
Com uma ou outra exceção descemos vencendo essas fendas sempre contornando pela direita do fluxo, nos agarrando em raízes, nos segurando em árvores e olhando para baixo imaginando que bastava um vacilo, e, GAME OVER.
 O dia já vinha com as ultimas horas de luz do sol, olhando no GPS ainda nos restavam cerca de 700 mts para percorrer, era só mais uma curva no rio e logo estaríamos na suposta área de acampamento. Mas já havia um tempinho que o Trovo enfatizava uma tal de ESCALADA que viria pela frente, onde teríamos que colocar na prática todas as abilidades de péssimos escaladores que somos. O Rafa já deixou claro que essa ascensão o preocupava, Potenza não fez diferente, e mesmo calado eu senti aquele tradicional gelo na barriga de quando se tem a noção de que a ação pode dar merda. O Trovo se referia ao obstáculo como quem se refere àqueles que atravessam continentes para enfrentar o sofrimento no Everest, cientes da possibilidade de não voltar mais, e quando ele disse: é aqui, chegamos. Só tivemos o trabalho de atravessar para o outro lado do rio, sob a elevação do cagaço, pois não era possível ver o aclive em que iríamos nos pendurar, apenas um morro apontado para o céu. Não tínhamos escapatória, firmamos os pés no chão, metemos as mãos nas rochas e começamos a subir pelo paredão. Pensei: vamos subir um absurdo, vai falta ar, o peso nas costas vai aumentar a exposição ao precipício, onde há poucas opções para se segurar, se alguém cair não sairá vivo. Como eu ia na frente, girava o pescoço à 360 graus na busca de vislumbrar alguma fenda que nos levasse ao leito do rio novamente (e quem procura acha). Em meio a galhos caídos e sua vegetação vi nossa salvação em 5 metros de altura abrindo caminho à direita, bastava descer. Tive um pouco de dificuldade, mas desci. Já na parte baixa tive uma visão melhor de como os meninos desceriam com menos risco de se esborracharem morro abaixo. A própria árvore que encobriu a passagem serviu como escada para eles descerem, pois havia nela uma sucessão de galhos imitando degraus. Só o Trovo quem quis se prover de sofrimento e seguiu pela mesma via por onde eu desci. Potenza e Rafa não tiveram problemas, e quando nos vimos em terra firme o Rafa olhou para trás e disse, com tom irônico, isso aí que é "A ESCALADA?" rs. Sorte a nossa por conseguir cortar caminho - dias depois o Trovo mostrou a foto do lugar quando passou por ali pela primeira vez. É tenebroso.  
Bastou vencer o obstáculo que o rio veio dar uma trégua, passou a correr largo e plano. Viramos a última curva de rio para esquerda, passamos a única Ilha situada no mesmo, onde haveria de estar a CÁPSULA DO TEMPO instalada na primeira expedição, mas não a vimos, e em menos de 100 metros já caçavamos um local apropriado para armar nossas redes e passar a noite. Trovo ainda se propôs a voltar e procurar pela cápsula do tempo. Além da vontade de assinar novamente o livro de registros, havia a vontade saudosista de recordar as escritas do antigo e desaparecido amigo Kamal. Mas ao retornar trazia consigo apenas a certeza de ter tentado.
Dormitório arrumado, banho tomado (menos Eu, rs), bóia fria devorada em segundos, e logo estávamos desmaiando, cada qual em sua rede. O sono não tardou a vir, os únicos barulhos que ouvíamos eram barulhos rotineiros que iam pela escuridão da floresta. Todos estavam bem acomodados e "protegidos" - assim se presumia. Ao acordar, meu rosto escancarava evidências de que sofri um ataque brutal dos "DEMÔNIOS ALADOS," também conhecidos como borrachudos. Minhas orelhas pareciam com as dos lutadores de jiu jutsu, inchadas e deformadas, o maçã do rosto espremia meu olho direito contra o super cílio, meus lábios fariam jus ao apelido de beiçola caso alguém me chamasse assim. Todo meu rosto latejava, queimava numa espécie de febre interna que mal permitia que eu engolisse a própria saliva sem sentir dor. Com isso meu mau humor foi colocado definitivamente na linha de frente das minhas próximas ações. Quando chegamos na primeira cachoeira do dia - 20 min depois de sairmos do acampamento - o lugar era convidativo para uns tibuns para recompensar todo esforço despejado naquele vale. Quem mais se animou foi o Potenza, que ao tentar me persuadir ao salto ficou desorientado com tamanha ignorância que o tratei. Tempos depois até pedi desculpas por isso. Mas o mal trato não foi motivo para acabar com a vontade dele se jogar de uma altura estimada em 8 ou 9 mts de altura direto no poço da Cach da Barragem. Trovo também embarcou na brincadeira. O momento de recreação deles foi ali, na confluência do Cubatao de Cima com o com que tem o nome da cidade.
O sol já estava brilhando forte quando demos as primeiras pisadas no Rio Cubatão, e foi pouco tempo em que nele ficamos. Tempo suficiente para um banho num poço de águas claras, depois mais uns 10 minutos a contra fluxo e pegarmos um afluente que descia pela esquerda, onde tivemos alguns trepa pedra, um vara mato difícil pra cacete, e em 25 minutinhos de subida chegamos ao "POÇO DA SOJA," onde vimos um pequeno poço de água cristalina, porém, com um fedor de soja podre de arder as narinas. Mas o cheirinho desagradável não impediu que a gente entrasse com roupa e tudo a fim de nos encharcar e ficar beeem molhados, pois a hora de encarar o trem chegaria em menos de 15 min, e seríamos fritos caso a gente não se molhasse.

O TREM

Quando o barulho da buzina anunciou que o minhocão de ferro estava mais perto do que se imaginava a adrenalina já deu sinal pelo corpo. Iniciamos um vara mato às pressas morro a cima na intenção de não deixar que ele passasse sem nos dar a tão desejada carona. Eu ia na frente da tropa puxando em direção à linha férrea, lá pelo terceiro homem vinha o Potenza - Vg, não sai pra fora não. Não sai não. Quando meus olhos avistaram os trilhos logo em seguida apareceu a cabine locomotiva que puxava dezenas e dezenas de vagões cheios de açúcar em direção ao litoral. Assim que se passaram cerca de três composições metemos as caras pra fora do mato. Estávamos posicionados em uma curva fechada e sem espaço para corrermos paralelo ao trem, pois havia uma elevação inclinada nas britas que sustentam os dormentes e os trilhos. Enquanto o Rafa falava que não dava pra subir naquele trem por conta da velocidade que estava muito rápida, o Trovo expressava em seu semblante a mesma serenidade de sempre. Já o Potenza, com uma cara de louco, se balançava feito um lutador pronto pra entrar no ringue, e encarava os vagões passando a todo gás. Eu, sem saber o que fazer, só observava como meus amigos iriam reagir à tudo aquilo que era novo pra mim, e sentia a carga de adrenalina aumentar. De repente, O Potenza mirou uma escadinha de um vagão e deu o pulo do gato. Agarrado na barra de ferro não deu mais do que três passos ao lado do trem e foi lançado ao chão com força bruta. A Primeira coisa que meu cérebro assimilou foi a desgraça alheia, pois faltou pouco para ele ser tragado pra debaixo dos vagões e ser picotado por toneladas e mais toneladas de açúcar e aço. Por sorte não passou de um susto, mas foi o suficiente para aumentar o cagaço. Aquele breve acidente foi a deixa que precisávamos para abrirmos mão da carona e deixar aquele demônio enfurecido seguir seu caminho até a baixada, logo passaria outro trem, e independente do sentido (litoral ou planalto), iríamos arriscar novamente.

SEGUNDA TENTATIVA 
Quando o próximo trem deu sinal de proximidade estávamos prontos para agarrá-lo e montar em suas costas, mas o bicho, mesmo na subida da Serra, veio mais veloz que o primeiro, e quando tentei me segurar em uma escada lateral para ascender ao teto do vagão senti o tranco que me jogaria longe caso não soltasse o degrau a tempo. Mais uma vez Estavam os vendo a oportunidade de uma carona indo embora. A moral do grupo estava sendo nocauteada, e algo deveria ser feito, ou então passaríamos o resto do dia a tentar nos pendurar em vagões. 
Os meninos decidiram descer no rumo da Estação Pai Matias, onde sempre há um aglomerado de trabalhadores na via férrea executando seus serviços, e, obrigatoriamente, o trem reduz a velocidade por questão de segurança. Antes de chegar até esse local vinhamos conversando sobre a possibilidade de encrencarem com a gente por estarmos andando na ferrovia (crime federal), e qual desculpa iríamos dar caso alguém nos abordasse. O Potenza, junto com o Rafael, e seus poderes de seduzir rapazes (rsrs) disseram que já haviam conseguido carona naquele pontos outras vezes, e se fosse necessário eles conversaram com "os donos da casa." Para nossa surpresa, ao invés de dezenas, havia apenas um trabalhador descansando. Quantidade suficiente para uma persuasão hehehe. Após alguns minutos de conversa e aquela jogada de charme pra cima do cabra, a dupla dinâmica veio nos contar que estava seguro pegar a carona, porém, se fossemos descer para baixada santista teríamos que desembarcar antes do túnel 2, onde há uma fiscalização rigorosa e armada que costuma dar um coça em quem chega até lá desavisado.

TERCEIRA E ÚLTIMA TENTATIVA 
Não demorou muito e logo veio outro minhocão de ferro em alta velocidade (segundo o Rafa). Mas, mesmo que passando na velocidade da Luz, era aquele trem o escolhido para o Time CDC embarcar. Não iríamos deixar passar mais um. Nos posicionamos separadamente, e quando ele reduziu a velocidade o Rafa subiu primeiro, em seguida o Potenza, Trovo foi o terceiro, e por último ME FODI!!! Subi na escadinha sem analisar seu tamanho. Escalando seu degraus me dei conta de que ela não chegava até o teto do trem, terminava na metade do vagão. Daí me bateu um desespero relâmpago. Pensei...
"Agora tô fudido! Não vou aguentar ficar pendurado nessa escada por 2h ou mais, tenho que descer e subir em outra escada, mas se eu não conseguir ? os caras vão embora em cima do trem e Eu não vou saber onde descer caso consiga pegar outro..."

Carregado de adrenalina, como nunca estive antes, deixei de lado as tormentas da mente, pulei do vagão e continuei correndo paralelo ao trem, e quase no último vagão é que fui conseguir me pendurar em outra escada que fosse ter fim sobre o teto. Já lá em cima, ajoelhei e agradeci por não ter ficado pra trás naquela missão de louco que eu aceitara participar. Pulei de vagão em vagão e fui ao encontro dos meus camaradas. Não deu dez minutos que estávamos sobre o trem, e o maldito inventa de fazer uma parada que durou mais de duas horas. Escolhemos uma sombra de árvore e nos esticamos, ficamos mexendo num celular que achamos, inacreditavelmente, sobre a chapa de ferro do teto do trem. Alguns até dormiram de tão boa que estava a sombra, também pela demora daquela parada. Quando a composição começou a se mover subindo a Serra era como se estivessem nos apresentando um lindo espetáculo recheado de paisagens da Mata Atlântica em câmera lenta. Quando eu conseguia me concentrar em mim mesmo percebia que sempre estava com um leve sorriso no rosto, maravilhado com tudo aquilo que vinha sendo assistido em cima de um trem de cargas, também por ter a coragem de estar fazendo algo tão arriscado e me divertindo com meus amigos. Eu me senti como uma criança que ganha o presente que mais ama, era uma felicidade sem fim que invadia minha alma e me deixava em paz.
Houveram outras longas paradas, mas tivemos a paciênciade esperar até certo tempo. Quando chegávamos perto da Estação Evangelista de Souza os meninos mencionaram que valeria a pena caminhar pelos 4 km restantes sobre os trilhos, e quando Ele parou saltamos e demos a continuação à pé, mesmo o Potenza se queixando de uma forte dor no tornozelo. Mas quando o trem retomou sua jornada, Trovo e Eu não resistimos, nos penduramos novamente nas escadas dos vagões e seguimos até a tal estação desativada. Lá esperamos pelos nossos amigos e tomamos o rumo da longa estrada de terra (6 km) que nos levaria ao ponto final do ônibus do bairro Barragem. Depois faríamos uma infinidade de baldeações entre as linhas metropolitanas de ônibus até cada um chegar em suas casas e se deleitar com as memórias daquela aventura.
Fim.

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