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gavo

Peru Express - roteiro enxuto de 7 dias.. 10/07/2010 a 16/07/2010

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Fala Galera!

 

Minha viagem pelo Peru foi curta, apenas 1 semana, mas acho que é de lei colocar aqui o meu relato, já que foi daqui que saíram as informações que me ajudaram a montar todo o roteiro.

 

Primeira dica ao mochileiro que tem pouco tempo para viajar pelo Peru: Monte detalhadamente seu roteiro para não perder tempo, mas não deixe de relaxar, ou sua viagem pode virar ''uma correria''. Por isso, eu e minha esposa (que resolveu ir comigo de última hora) optamos por não fazer Puno e Nazca (que são muito bons) e nos concentramos em Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu. Assim, nossa viagem ficou equilibrada, entre o melhor aproveitamento dos pontos principais e as horas de curtição regadas a muitas Cusqueñas.

 

Primeiro dia - sábado - 10/07 - SP – LIMA: Saímos de nossa cidade natal, Pouso Alegre, sul de Minas, que fica a duas horas do aeroporto de Guarulhos. Às 18h embarcamos no vôo da empresa TACA, com destino a LIMA. Devido ao período de férias o aeroporto de Guarulhos estava um caos. Chegamos com 2 horas e meia de antecedência e mesmo assim quase perdemos o vôo. A fila para o Check in estava saindo do aeroporto. Portanto, não deixem de chegar com bastante antecedência.

Depois da correria, o prêmio: Devido a um provável over na classe econômica, ganhamos nossos lugares na PRIMEIRA CLASSE ::hahaha::

A TACA é uma empresa Peruana, muito boa por sinal. O vôo dura 5 horas de SP a Lima. Mas atenção: se estiver voando de primeira classe e na hora do jantar pedir um Pollo (frango) prepare-se para um prato com tempero típico do Peru.. e o Filé mignon é quase cru ... não combinou muito com o Red Label ::lol3::

 

Chegamos em Lima às 21h (23h aqui no Brasil). Conversamos com alguns taxistas e fechamos uma corrida para o bairro de Miraflores (núcleo turístico de Lima). Os taxis são muito baratos no Peru, mas a empresa oficial do aeroporto custa até 3x mais caro. Se puder sair do aeroporto e pegar um taxi na rua, melhor. Do aeroporto até Miraflores leva quase 30min e o taxi custa em torno de 40 soles (+ ou - R$ 24,00). Coloque seu 'portunhol' pra fora, os peruanos tem dificuldade para entender o português, mas nós os entendemos bem na maioria das vezes. O inglês também pode ser útil.

 

Dica: troque logo seus dólares por soles no Peru. Apesar de grande parte dos estabelecimentos aceitar dólares, cada um tem sua taxa de câmbio e ficar fazendo a conversão toda vez que vai pagar uma conta pode ser um saco. Se precisar sacar dinheiro, há umas máquinas da Global Net que aceitam VISA, MASTERCARD, etc. Até mesmo em Cusco e Águas Calientes eu encontrei estas máquinas. Vc pode sacar em soles (ainda não vi na minha fatura o valor por estes serviços, mas garanto que me quebrou um galho! Ficar sem dinheiro vivo no Peru não rola).

 

20100723180835.JPG

''Lima: viente nuevos soles para pagar o taxi."

 

Chegamos no hotel Nido em Miraflores. A suíte saiu por U$ 40,00. Não posso recomendar. Ficamos sem banho quente na noite de chegada. Somente no outro dia pela manhã consertaram o sistema de aquecimento.

 

Saímos a pé até a praça principal de Miraflores onde tem muitos barzinhos e lanchonetes, além de alguns museus e igrejas interessantes.

 

20100723181320.JPG

''Igreja em Miraflores - Lima: Centro turístico/boêmio''

 

Depois comemos um sanduíche de frango com abacate ... eu gostei, mas minha esposa não encarou. É servido gelado como la cusqueña..

 

20100723181844.JPG

''sanduíche de frango com abacate.''

 

Depois de mais umas voltas por Miraflores o jeito foi pegar outro taxi e voltar pro Hotel. No outro dia partimos para Cusco... (continua) :wink:

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Gavo...

 

Gostei mto do seu tópico, estou pensando em fazer algo do tipo tb... express.. só terei 10 dias de férias..

 

Vc montou planilha, algo assim? Média de gastos??

 

Desculpa perguntar tanto, é q proximo do que quero o seu roteiro é o q mais se aproxima..

 

Fico aguardando suas dicas..

 

Abs,

Vic

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Gavo...

 

Gostei mto do seu tópico, estou pensando em fazer algo do tipo tb... express.. só terei 10 dias de férias..

 

Vc montou planilha, algo assim? Média de gastos??

 

Desculpa perguntar tanto, é q proximo do que quero o seu roteiro é o q mais se aproxima..

 

Fico aguardando suas dicas..

 

Abs,

Vic

 

Hola!

 

Vic, montei uma tabelinha para definir meu roteiro e conexões, o que é o mais importante, pois vc tem que ir pra lá sabendo como funciona os transportes, quais as distâncias e tempo de percurso. Mas é algo básico que depois acabei 'decorando'. Em um roteiro ''express'' isso é crucial para não dar mancada e perder tempo. Levantei tudo lendo os relatos e perguntando para turma aqui no Mochileiros. Posso lhe mandar se quiser.

Quanto aos gastos, posso lhe dizer que a maioria dos itens lá são mais baratos. Restaurante, por ex: eu e minha esposa comíamos muito bem em lugares limpos e agradáveis e nossa conta ficava em torno de S/45, ou seja, R$27,00 (e com cerveza!) Nossa passagem pela TACA saiu por menos de R$900,00 (cada) os 4 vôos (SP / Lima / Cusco / Lima / SP). Comprei pela Decolar.com em 5x no cartão e não tive problemas. Também pesquisei no site da TACA e até liguei lá para confirmar tudo antes de partir (http://www.taca.com).

Fique à vontade para perguntar, a medida do possível vou postando o restante aqui, ok?

Abço!

Gavo :wink:

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Oi Gavo,

Obrigada pela resposta.. Eu gostaria que me enviasse sim :)

 

Os hotéis que vcs ficaram vc tb tem??? Nossa vai ajudar mto.. é a primeira viagem q organizo assim e espero que ocorra certinho :)

 

Abs,

Vic

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A manhã daquele domingo em Lima foi pouco animadora. Acordamos cedo, em torno de 7h, tomamos um banho quente (aleluia) e saímos do Hotel sem tomar café (e nem estava servido mesmo). Pegamos um taxi na mesma rua e partimos para o Aeroporto. O tempo estava sinistro. Depois soube que em Julho é sempre assim: uma neblina que tinge a cidade de cinza. O taxi era bem sucateado, assim como a maioria dos carros que se vê por lá. De repente entramos em uma avenida ladeada por rochas. Percebi que estávamos no litoral e que antes fora inacessível. Aquelas rochas negras e muito íngremes foram recortadas para dar lugar à av. da orla. À nossa esquerda, um mar escuro envolto de névoa com cara de poucos amigos. Foi assim que conhecemos o Pacífico.

 

20100726134404.JPG

“o Pacífico em um dia de inverno em Lima”

 

Ao chegar no Jorge Chavez retomamos nosso ânimo, pois é um excelente aeroporto. Não houve fila nem confusão. Os peruanos são muito educados e humildes e trazem consigo um ar sereno de sabedoria (herança inca?). Ao fazermos o Check In, Pachacuti nos agraciou novamente com mais 2 lugares na Primeira Classe ... não pudemos recusar.

O Vôo saiu às 10h. Até lá, ficamos nas livrarias e lanchonetes olhando as lembrancinhas pra comprar na volta (ainda bem que só olhamos, pois obviamente tudo no aeroporto é muito caro!). Dentro de poucos minutos cortamos o Fog Limenho rumo a 32.000 pés de altura a 850 km por hora. O tempo se abriu em um azul infinito e logo depois eles apareceram... los Andes Peruanos.

 

20100726134441.JPG

“Andes Peruanos”

 

O Vôo até Cusco dura pouco mais de uma hora e para nós foi um dos melhores momentos da viagem devido ao visual.

Logo estávamos no Aeroporto Internacional do ‘Umbigo do Mundo’ que é bem simples, mas funciona bem.

Pegamos um taxi (S/10) e fomos para o primeiro Hostel previamente reservado daqui pel net (http://www.hostelworld.com) A cidade de Cusco parecia em festa, muitos estrangeiros a lá Indiana pelas ruas. E os peruanos com suas cores fortes e alegres. Nos sentíamos em uma pintura surreal ou do outro lado do mundo. Com um astral desses só faltava uma coisa pra completar: Unas cusqueñas geladas. Se vc gosta de cerveja pode pedir sem medo, é uma delícia. Em alguns lugares é bom ressaltar que quer gelada, pois por lá tomam até suco quente. Chegando no Hostel/Hotel ‘O Arqueólogo’ tratamos de guardar as mochilas, descer pro bar, abraçar umas loiras e ver a final da copa que seria faturada pela Espanha. É claro que nessa parte meus planos falharam um pouco, então deixei a camiseta canarinho quieta no quarto. Sempre ao me apresentar como brasileiro a pergunta era "que passa com fútbol del Brasil?" Valeu Dunga.

 

20100726134530.JPG

"Bienvenido a Cusco"

 

 

20100726134552.JPG

Detalhe: Esta é a bandeira de Cusco, posteriormente copiada pelos gays... ainda bem que não foi a de Minas..

 

20100726134634.JPG

“La Plaza de Armas de Cusco’’

 

O Arqueólogo nos surpreendeu. Pensamos que era um lugar mais simples, mas era enorme, com serviço excelente e um verdadeiro breakfast. Mas depois vi que saiu caro, para o lugar. Pagamos U$75,00 na suite. Com essa grana dá pra ficar uma semana em um bom Hostel no centro de Cusco. Perdi pontos com os mochileiros, mas ganhei uns com a patroa.

A noite caiu e pensei em fazer algo, tipo andar pela cidade e claro, tomar unas cusqueñas... Em nosso plano inicial a tarde de domingo seria para fecharmos os passeios pela cidade (o city tour) e Vale Sagrado. Mas como a havia poucas agências abertas, deixamos para fazer isso na segunda bem cedo.

Entonces fomos para La Plaza de Armas. Lá tem de tudo, até uns peruanos roqueiros que mandaram ver no Rage Against.

 

20100726134713.JPG

"banda de rock peruana no barzinho na praça de armas"

 

Já que falei tanto na Cusqueña segue aí uma foto dela na versão 600ml:

 

20100726134900.JPG

"cerveza cusqueña: garrafa com pedras incas em alto relevo na base e rótulo com desenho de Machu Picchu"

 

Voltamos tarde para o Hotel. No outro dia ia começar nossos passeios pelas ruínas mais próximas e o Soroche (mal estar causado pela altura) tava pegando pesado... :wink:

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Oi Gavo,

Obrigada pela resposta.. Eu gostaria que me enviasse sim

 

Os hotéis que vcs ficaram vc tb tem??? Nossa vai ajudar mto.. é a primeira viagem q organizo assim e espero que ocorra certinho

 

Abs,

Vic

 

Oi Vic!

 

Quando pretende ir? Me passa seu e-mail que lhe envio o material, ok.

 

Abço

 

Gavo :wink:

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Hola Vic!

 

Mandei a planilha p vc, ok? Dei uma atualizada e creio que na prática cumpri a risca 99% do previsto.

 

Quanto à data de sua viagem, vc terá a vantagem de escapar da alta temporada que é Junho (festa do sol) e Julho (férias escolares na américa do sul), mas por outro lado estará no início da época das chuvas, veja nessa matéria: http://viagem.uol.com.br/guia/cidade/machupicchu_index.jhtm

 

No meu caso, que fui em Julho, prefiro visitar o local com mais pessoas do que com chuva (o tempo estava aberto e firme toda a semana). Aí vai do que vc prefere.

 

Abço!

 

Gavo

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Gustavo,

 

Estou mudando de empresa e terei do dia 6//08 até 14/08 para descancar, pois nao tiro férias desde 06.

 

Acabei mudando meu roteiro e ao ver seu parecer, fiquei fascinado.

 

Poderia, por favor, enviar a planilha que vc enviou para a Vic?

 

Como decidi ir agora, estou indo sozinho, teria alguma dica para encontrar uma boa galera p curtir por lá?

 

Agradeço.

 

[email protected]

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Opa!

 

Luis, vc terá exatamente a mesma quantidade de tempo que tive e nas mesmas condições de 'férias atrasadas', daí a vontade de aproveitar bem essa preciosa semana. Pela proximidade da data é melhor providenciar tudo de imediato, como documentos, vacinas, reserva de passagens etc. Você pode encontrar informações sobre estes itens nos diversos tópicos aqui do mochileiros.

Quanto a viajar sozinho, eu participei de um tópico sobre o assunto antes de partir, pois minha esposa decidiu ir comigo quase na última hora. Felizmente deu pra providenciar tudo a tempo para ela embarcar, mas se tivesse que ir sozinho iria numa boa. Encontramos várias pessoas de vários países viajando sozinhos.

Tem que fazer amizades no início de cada passeio, assim sua viagem fica ainda mais proveitosa. Em último caso, há uma sessão aqui no mochileiros apenas sobre companhia para viajar, dá uma olhada lá.

Vou te encaminhar a planilha, ok?

 

 

Abço

 

Gavo

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Na manhã da segunda levantamos cedo e fomos procurar alguém ou alguma agência em Cusco para fecharmos os passeios para o Vale Sagrado, Maras, Moray e cia. Ainda pairava a idéia de irmos a Puno (lago Titicaca) , pois queríamos aproveitar ao máximo os dias seguintes para conhecer o que fosse possível, mas depois de analisar as 16h de ônibus e nosso tempo, deixamos para próxima, assim como as linhas de Nazca.

 

20100803075648.JPG

“uma das primeiras artesãs a se acomodarem nas praças de Cusco”

 

 

20100803075733.JPG

“várias casas têm no telhado esses touros com crucifixo e outros símbolos, resultado da fusão das crenças locais com o cristianismo imposto pelos espanhóis durante a colonização’’

 

Depois de andar um bocado fechamos com uma agência que fica em uma galeria pequena na Av. Do Sol. Há várias e, pelo que me pareceu, a maioria é confiável. Apenas não recomendo fechar passeios com as pessoas que lhe oferecem os pacotes na rua, pela falta de garantia. Lembre-se que uma mancada no transporte ou coisa do tipo pode comprometer seu tempo.

 

20100803075904.JPG

“ruas de Cusco na manhã daquela segunda-feira”

 

Fechamos um pacotão que ficou assim:

Segunda (mesmo dia) : City Tour > Qoricancha, Saqsaywaman, Qenqo, Pucapucara e Tambomachay.

Terça: Moray, Salineras em Maras e Chinchero.

Quarta: Vale Sagrado > Pisaq (mercado de artesanatos), centro arqueológico de Pisaq, Urubamba (almoço) e Ollataytambo onde pegamos o trem de tardezinha com destino a Águas Calientes, vilarejo mais próximo de Machu Picchu.

Quinta: Machu Picchu bem cedo (primeiro ônibus 5:30 da manhã). Depois retornamos de Trem até Poroy (5h de trem) e finalmente de van (30min) até Cusco (pernoite).

 

O pacote completo, com todas as passagens de trem, ônibus, van, passeios com guia nos pontos principais, etc saiu por quase U$ 400,00 para nós dois. Levando em conta que nos programamos pelos próximos 4 dias saiu bem barato. Se procurar é capaz de achar por menos, mas a diferença não vale o risco. Embora tenha ocorrido um erro na reserva de um dos tickets de trem (rapidamente consertado) o pacotão funcionou perfeito. Muitas vezes temos a impressão que é tudo complicado e que não vão cumprir com o combinado, mas há um sistema de cooperativa entre os agentes de passeios que facilita. E tome portunhol! Sem ele vc perde de ‘’regatear’’ ou pechinchar, regra básica no comércio local.

O boleto turístico (comprado separadamente) é um tipo de passaporte da alegria para as principais atrações de lá. Vale a pena comprar o completo que custa em torno de R$80,00.

 

No mesmo dia saímos para o famoso City Tour de Cusco em um microônibus bacana e um guia falando em um microfone. É impressionante o conhecimento e a didática daqueles guias bilíngües que se misturam na multidão simples dos habitantes locais. Estão no nível de nossos professores universitários. Por falar nisso, embora haja pobreza visível em toda parte, a educação parece ser bem valorizada por lá. As crianças de escolas públicas e uniformes impecáveis estão por toda parte.

Conhecemos então as primeiras de muitas atrações arqueológicas de nossa viagem.

 

Qoricancha:

 

20100803080328.JPG

“museu de Qoricancha: foi o santuário mais importante dedicado ao Deus Sol na época do Império Inca. Segundo a história, suas paredes eram cobertas de ouro”

 

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“A engenharia Inca fez com que o templo resistisse a fortes terremotos no decorrer dos anos. As construções feitas sobre sua base pelos espanhóis não tiveram a mesma sorte”

 

Saqsaywaman:

 

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“O templo de Saqsaywaman fica a uns 2km (pra cima!) do centro de Cusco, onde há uma bela vista da cidade.”

 

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“Suas construções feitas em zigue zague carregam vários signifados”

 

Tambomachay:

 

20100803080616.JPG

“Tambomachay foi um templo dedicado à água”

 

Este passeio (ainda passando por Qenqo e Pucapucara) foi um dos mais cansativos da viagem. Muita coisa pra ver em um dia, ao mesmo tempo, passagem obrigatória de todos visitantes.

À noite tomamos nossas merecidas cusqueñas antes de apagar no hostel...

 

 

20100803080740.JPG

“Plaza de armas de Cusco”

 

continua :wink:...

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E aí gavo, como foi de viagem??? Tomou muitas cusqueñas??? Também acabei de voltar do Peru, achei o país muito fascinante, não dava mais vontade de voltar pro Brasil!!!

Abração!!!

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Fala Rapamarques!!

A viagem foi muito boa cara!Tenho que voltar para conhecer o Titicaca e linhas de Nazca, que não deu tempo.

Adorei o país, o povo, e claro, las cusqueñas!! O tempo estava ótimo e não tivemos nenhum contratempo no planejamento. Valeu a pena!

Abraço!

 

Gavo

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Fala Rapamarques!!

A viagem foi muito boa cara!Tenho que voltar para conhecer o Titicaca e linhas de Nazca, que não deu tempo.

Adorei o país, o povo, e claro, las cusqueñas!! O tempo estava ótimo e não tivemos nenhum contratempo no planejamento. Valeu a pena!

Abraço!

 

Gavo

 

Pois eh, pra mim também não deu tempo de ver tudo que queria!!! Mas logo no segundo dia já tinha a certeza que voltaria pro Peru, mas daí quero dar uma volta pela Bolívia também!!! Las cusqueñas são muito boas, principalmente a Malta que é a preta.

 

Abração

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    • Por GUILHERME TOSETTO
      Olá, meus amigos!!!!
      Segue agora mais um relato de viagem, desta vez à cidade de Ubatuba nos últimos dias 27 e 28 de Abril, em companhia dos amigos André Petroni, Eduardo (nickname Umpdy), Francisco Lopes, Débora e Osmar Franco.
      Estávamos combinando essa viagem havia algum tempo, mas nunca conseguíamos encaixar as datas convenientes a todos, mas eis que calhou de um fim de semana "vazio" pra galera e marcamos a viagem.
      Eu, Eduardo, Chicão e Débora saímos de São Paulo na sexta-feira à noite, por volta das 19:45 e chegamos em Ubatuba às 23 horas. O André e o Franco tiveram que trabalhar e só foram pra lá no sábado bem cedinho, de ônibus. Seguimos pela Dutra até São José dos Campos e de lá pegamos a rodovia dos Tamoios, que está em obras em diversos trechos. Quem for pegar essa estrada, deverá ficar bastante atento, não paenas às obras, mas principalmente às curvas, muito fechadas e perigosas.
      Lá chegando, fomos para o Tribo Hostel, onde já havíamos feito reservas para o final de semana. Como nesse final de semana estava acontecendo um campeonato mundial de surf em prancha curta (não lembro o nome exatamente), o hostel estava cheio e acabamos ficando num de seus anexos...



       
      Feito o check in, fomos para os quartos, ficando eu e o eduardo em um e o Chicão e a Débora em outro.
      Algumas observações sobre o quarto onde ficamos eu, o Eduardo e o Franco: o teto é baixo e tem ventilador instalado junto à luminária. Como o Du ficou na cama superior, qualquer movimento da perna pra fora da cama já chutaria a porra do ventilador, além de bater a cabela no teto num levantar mais brusco!!!! rsrsrsrs...isso sem falar que o Du trancou a porta do quarto... e ainda havia mais um hóspede no nosso quarto, que chegou de madrugada e ficou esbravejando e xingando do lado de fora, enquanto a atendente do hostel vinha com a outra chave pra abrir...como eu tava morto de cansaço da viagem, não ouvi nada disso!!!!rsrsrsrrs.
      No dia seguinte, sabadão, ficamos esperando o André e o Franco chegarem pra podermos ir à Ilha de Anchieta. Chegaram por volta das 11 horas, também fizeram o check in e fomos arrumar as tralhas pra ir à ilha. Combinamos com o Renato, dono de um barco para nos levar até lá e ir nos buscar no final da tarde. Algumas fotos da ida, da Ilha e do retorno...









       
      Na Ilha de Anchieta há algumas trilhas, como a do Saco Grande e a Praia do Sul. Ambas constam do passaporte Trilhas de SP. Lá também há um antigo presídio, que foi desativado em 1955, três anos após a rebelião de 1952. No local, ainda trabalha um antigo vigia da época em que o presídio ainda era ativo!!! O local lembra um campo de concentração, várias ruínas...
      A ilha em si tem praias muito bonitas e praticamente desertas, talvez pela época do ano não ser a chamada "alta temporada", mas, mesmo assim, são excelentes... água muito limpa, peixes nadando ao nosso redor, quando ficamos numa das piscinas naturais formadas pelas rochas na parte norte da ilha.









       
      Ficamos na ilha até cerca de 16:15, fizemos a trilha da Praia do Sul, que é muito light e voltamos pra Ubatuba.
      À noite, fomos jantar numa pizzaria próxima ao hostel, a Pizza da Nonna...local bem aprazível, simples e comida de bom sabor...voltamos ao hostel, onde fizeram um churrasquinho pra galera...nessa hora, o sr. André cometeu a gafe-mancada da noite: sentou-se em cima de uma caixa de isopor, que servia de "geladeira" pra cerva do povo...o resultado não poderia ser outro, em poucos segundos a caixa estourou completamente de fora a fora... pior foi o que o André falou:
      - "Pô, eu pensei que fosse um puff!!!!"
      O que teve foi um "crash" and "pof" do André caindo!!!!
      Nem os gringos que estavam jogando uma sinuquinha aguentaram e racharam o bico também...
      Mas, gafes e foras à parte, o fim de semana foi excelente!!! No domingo, fomos para a praia da Lagoinha, onde começamos a fazer a trilha das 7 praias, chegando, ao final à praia da Fortaleza. São mais de 10 km de caminhada, passando pelas praias que dão o nome à trilha, com vários níveis de dificuldade, mas com paisagens muito compensadoras em sua beleza...seguem mais algumas fotos...








       
      Levamos cerca de 3 horas e meia pra finalizarmos a trilha, considerando-se que paramos algumas vezes pra descanso, pra um lanche e pra banho numa das praias.
      A fim de ganharmos algum tempo pra voltar onde deixamos o carro, na praia da Lagoinha, resolvemos subir os 7 quilômetros da estrada entre a Fortaleza e a BR101 a pé...chegando lá, pegamos um ônibus de volta à praia da Lagoinha e voltamos ao hostel pra arrumar nossas coisas, tomar um banho e retornar a Sampa...antes disso, ainda deixei o Franco na rodoviária, pois, como estávamos em seis pessoas, não havia espaço suficiente pra todos dentro do carro...saímos de Ubatuba por volta das 18:45 e chegamos à capital às 22:45, um pouco mais demorado do que na ida, mas ainda paramos pra comer um lanche e as curvas em subida requerem menor velocidade e mais atenção.
       
      Realmente foi um fim-de-semana ótimo, em companhia de amigos muito bacanas, sempre dispostos a tudo, sem reclamações, todos de muito bom-humor, enfim ,foi bastante divertido...deixo vocês agora com mais algumas paisagens, agradecendo a atenção de você, que está lendo, e aos amigos que lá estiveram, proporcionando mais uma excelente viagem!!!! Abração, galera!!!!
      Ah, pessoal ,se esqueci de alguma coisa, por favor, complementem o relato...











    • Por Schumacher
      Preparativos
       
      Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA).
       
      Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo.
       
      Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb.
       
      Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis.
       

       
      1° dia
       
      No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade.
       

       
      De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes.
       

       
      Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles.
       

       
      Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação.
       

       
      Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro.
       
      Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas.
       

       
      Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão.
       

       
      Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão.
       

       
      No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h.
       
      À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim.
       
      2° dia
       
      Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante.
       

       
      Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque.
       
      Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação.
       

       
      No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional.
       

       
      O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso.
       

       
      Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos.
       

       
      Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira.
       
      Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso.
       
      3° dia
       
      Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente).
       

       
      Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas.
       

       
      Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia.
       
      Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada.
       

       
      Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena.
       

       
      Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos.
       
      Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário.
       

       
      Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto.
       
      Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 26 km.
       
      4° dia
       
      Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia.
       

       
      Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente.
       
      Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande.
       

       
      Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira.
       

       
      Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim!
       

       
      O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta.
       

       
      A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque.
       

       
      Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo!
       
      Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 23 km.
       
      5° dia
       
      Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas.
       
      Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa.
       

       
      Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando.
       

       
      E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém.
       

       
      Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W.
       

       
      Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano.
       

       
      Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo.
       
      Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini.
       
      Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros!
       
      6° dia
       
      Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque.
       
      Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro.
       
      No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos.
       

       
      Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos.
       

       
      De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno.
       
      Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água.
       

       
      As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol.
       

       
      Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada.
       

       
      Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro.
       
      7° dia
       
      Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo.
       
      Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite.
       

       
      Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes.
       

       
      Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos.
       

       
      Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores.
       

       
      Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera.
       

       
      Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá.
       

       
      Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo.
       
      À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta.
       

       
      Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles.
       
      8° dia
       
      Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque.
       
      Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados.
       

       
      Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata.
       
      Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar.
       

       
      A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento.
       

       
      Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando.
       

       
      Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente.
       
      No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática.
       
      9° dia
       
      Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio.
       
      Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada.
       
      Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle.
       

       
      No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro.
       
      USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho!
       

       
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