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Castro

Voltei de lá a 15 dias - Dicas

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Prezados colegas, cheguei do Peru a pouco tempo (29/09), e resolvi postar aqui minhas impressões para enriquecer ainda mais este fórum.

* Viagem em si: Fui de avião S.Paulo-Lima-Cuzco. Ficamos em Cuzco (3.400 mts) num hostal (Sumac Wasi), recomendo, limpo, barato (U$30.00/dia em quarto privativo para 02 pax com banheiro) e, principalmente, muito bem localizado, a poucos metros da Plaza de Armas e perto das baladas da noite...porém existem inúmeras opções de hospedagem ao redor, como já colocado aqui. Fiz tudo via internet e sem depositar nada antes.

* 2º dia-Machupicchu (2.4000 mts): Não ficamos em Aguas Calientes, fomos de trem de manhã bem cedo e voltamos de trem no mesmo dia no final da tarde. A viagem de trem compensa só na ida (visual e etc...), sentando-se no lado esquerdo do trem é melhor. Na volta não compensa, a viagem dura 1 hora a mais, você já está muito cansado do dia em si e não vê nada mesmo pois já escureceu. É melhor voltar de ônibus. Gastamos U$ 119.00 no trem ida e volta, mas fomos em um trem "melhor" com janelas mais amplas e janelas no teto, o backpacker custa cerca de U$ 20.00 ida e volta. Como disse, achamos que vale a pena somente a ida de trem (iria novamente no mais caro) e retornar de ônibus.

Nos arrependemos (um pouco) de não termos pernoitado em Águas Calientes, pois assim poderíamos ter chegado no parque (M.Picchu) mais cedo, não consegui subir o outro topo (esqueci o nome, "Huana"...) pois a quantidade limite do dia já tinha se esgotado. Pernoitando em Águas Calientes, vc chega cedo e aproveita mais. Peguem algum grupo com um bom guia (há guias e guias...) porque vale a pena. Nossos guias, em todos passeios, foram ótimos. Foram providenciados por pacotes comprados em separado na Sumac Wasi com o Alfredo (fala Inglês também). Como se percebe, não fiz a trilha Inca. Particularmente, não estava afim de fazer a trilha porque queria aproveitar mais o tempo de minha viagem, a trilha dura cerca de 3 noites, 4 dias. Muito gringo picado por mosquitos, quem for...bem, quem for é melhor consultar as dicas da galera que fez, eu não tenho condições de "aconselhar".

Obs.: Muitos turistas lá, mesmo sendo "baixa estação", dizem que em Julho é um "inferno", você tira uma foto de M.Picchu e as ruínas e pedras não aparecem, "só aparece turista"....

* 3º dia-Valle Sagrado: Fomos, com guia e de ônibus (qdo digo ônibus, é ônibus do grupo fechado para o passeio, são confortáveis e com ar, não me refiro a bus regular). Fomos aos sítios arqueológicos de Pisaq, Ollantaytambo (entre 3.400 e 2.400 mts) e Chinchero (3.740 mts).

- Pisaq: Tem uma feira de artesanato que é a mais barata de todas feiras e lojas que visitamos. A feira é muito tumultuada, parece mais um camelódromo da rua XV em Barbacena de tamanho maior. Muitas cores, isso as vezes dá uma sensacao de "coisas feias"...tipo rua Caetes no centro de BHte...mas há muitas coisas belas, mas como é tudo junto, zoneado, passa despercebido. Sempre há que se negociar, tipo nossos camelôs aqui. Almocamos em uma cidade cumprida no Valle que chama Urubamba (ou Vilcanota), nome do Rio que corta o valle e que é um dos dois rios que formam o "nosso" rio Amazonas.

As ruínas são bem legais, mas gostei mais de Ollantaytambo que são show. Chinchero é simples, o mais legal é o caminho e suas paisagens até chegar lá.

- Os sitios arqueológicos sao indescritíveis, impressionante como no meio do "nada" e em locais de dificil acesso, surgem ruínas do que foi cidade no século XIV/XV...pedras grandes em locais contrastantes com a geografia local. Eles construíam tudo baseado na astronomia, sol, lua e estrelas, de modo que as luzes do sol faziam diversas sinalizacoes para que eles pudessem saber e conhecer as estacoes do ano. Desta forma eles tinham sucesso em sua principal atividade e ciência: Agricultura. Sistemas de irrigacao montanha "abaixo", diferentes níveis de (solo) para a cultura agrícola que serviam inclusive de testes para que as desenvolvessem melhor, pois nos diferentes níveis haviam diferentes temperaturas e de vento, etc...

Nao tinha idéia da dimensao do império Inka, ele ocupava o Peru, parte da Bolívia, parte norte do Chile, parte sul do Equador e ainda parte norte da Argentina.

Descobri tambem que, apesar do mundo todo (inclusive o Peru e de maneira oficial) chamar a cultura de "Inka", é algo falso, deveria ser Quechua...que era o povo, Inka era o imperador que tinha este nome por ser "filho do Deus Sol", sol em Quechua era Inti, a palavra Inka veio daí. Muitos escrevem Inca, os dois tao certo...

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A paisagem é exuberante em termos de montanhas e, claro, arqueologia. As vezes fica um pouco repetitivo, mas quando voce chega perto e anda nas ruínas voce se surpreende. Gostei mais das ruínas de Ollantaytambo, a de Chincero sao muito pequenas, mas o caminho em si (a viagem), passa por locais bonitos e pouco habitados e quando habitados, pobreza e condicoes de vida muito ruim. Nao sei tambem se estou "exagerando" na pobreza porque no Brasil ficamos "vacinados" e a ignoramos no dia a dia e aqui, como estava viajando e conhecendo, observava mais atentamente, mas uma diferenca é gritante: Estamos em uma regiao turística e nao se vê "classe média alta ou alta".

No Brasil, o contraste é gritante, aqui a pobreza é predominante.

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Muitas criancas, muitas mesmo, com as bochechinhas rosadas e trincadas pelo vento frio e seco, sao bonitas, mas, como disse, o trato é complicado...

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* 4º dia- Cuzco: Pela primeira vez fomos conhecer a cidade onde estávamos, casario, museus, igrejas, etc...isto pela manhã. A tarde, no grupo e guia e fomos a alguns sítios arqueológicos ao redor, um chama-se Saqswaman, que é o mais legal deles, muito impressionante, fica no alto de Cuzco e os gringos chamam de "Sexy Woman" por conta da pronúncia. O outro é Puka Pukara, Q'qencho e Tambo...desculpem-me, mas esqueci a grafia correta de alguns. São interessantes e valem a pena. Este passeio incluiu também o templo sagrado dos Incas em Cuzco (Qorikancha), é bem interessante.

* 5º dia-Cuzco: Reservamos o último dia para ficarmos full-time em Cuzco, rodando, caminhando, museus, fotos, igrejas, etc...era domingo no entanto e eu tinha exagerado nas doses de Pisco Sour na noite anterior no Mamma Afrika, resultado: pela manhã estava ainda ressaqueado. Recomendo não exagerarem nas doses, pois a altitude parece que aumenta o impacto da ressaca...

Noites em Cuzco: A balada na região da Plaza de Armas é show, muitas gringas européias lindas, algumas peruanas bonitas outras nem tanto, muita animação, música variada e de bom gosto, muita animação. Não achei os preços caros, considerando que estava em um ponto turístico internacional. Restaurantes variados, o que incomoda um pouco é a galera te "empurrando" cardápio na rua o tempo todo, tipo quando vamos a alguma praça de alimentação em Shoppings aqui...porém mais agressivo ainda. Os preços dos restaurantes da praça são mais caros um pouco mas nada diferente das grandes cidades do Brasil, até mais barato.

Cuidado com as massagens que oferecem, eu fui fazer uma no sábado a noite, pensando em relaxar para aguentar a noitada e o dia seguinte e foi um desastre. O produto utilizado e a massagem em si quase me causam lesões nas pernas e me irritou os pelos das pernas. Depois o cara do Hostal me disse que existem algumas que são profissionais mas a maioria são de aventureiros, sem técnica e atrás de um tipo de trabalho. Antes que perguntem: Estava atrás de massagem mesmo, não estava atrás de "programa" e a pessoa oferecia massagem mesmo, porém, amadora e desastrosa.

* 6º dia-Viagem Cuzco-Puno (Lago Titicaca): Fomos de ônibus com grupo e guia e parando em 4 locais ao longo da viagem (10 horas). Se for direto, de bus, sem parar, são 6 horas. Valeu super a pena, conhecemos mais alguns locais e paisagens interessantes fora as informações de cunho histórico e cultural que o guia fornece. Almoço incluído, guia e transporte, saiu tudo a U$ 30.00/pax.

- Em Puno ficamos no hotel Ferrocarril (U$ 35.00/diária, suíte para 2 pax). Não contra-recomendo mas não recomendo muito, faltou água quente na primeira noite e a noite em Puno é mais fria ainda que Cuzco, existem outros hotéis e hostels melhores...

- Puno: A cidade é muuiito feia e tumultuada, parece que se está em uma cidade da Índia, não gostamos. Mas Puno só serve mesmo como ponto de apoio para conhecermos o

- Lago Titicaca ("Puma cinza"), cuja alta estação vai de Julho a Setembro...como dizem os peruanos, "Titi" é do Peru e "Caca" é da Bolívia...Compramos um passeio de barco com guia para irmos às ilhas flutuantes (Los Uros) e a ilha Taquile. Isto foi no 7º dia, saímos bem cedo e voltamos a Puno no final do dia. Almoçamos na ilha Taquile (opção e peixe ou omelete, escolhi omelete e passei mal a noite toda, vomitei muuiito).

O passeio vale super a pena, fiquei bem impressionado como Los Uros, é muuiitto interessante. Taquile, que é tombada pela Unesco, possui um visual muito bonito e o meio de vida da comunidade é igualmente exótico, vale a pena. Não fomos à parte boliviana, ilha do sol e etc...não dava tempo.

* 8º Dia-Viagem Puno-Juliaca-Lima: De ônibus até Juliaca (cidade bem feia também, é só para pegar o avião mesmo...), pegamos o vôo para Lima e chegamos em Lima ainda a tempo de curtir a noite em Miraflores, que é bem legal !

* 9º dia-Lima: Nossa viagem de volta a S.Paulo/Rio era a noite, então acordamos bem cedo (ficamos no HitchBackpackers em Miraflores, quarto privativo com banheiro, 1 pernoite e late check-out, U$ 25.00 por pessoa) e fomos rodar algumas partes da cidade. Miraflores, San Isidro e Centro Histórico. Gostamos do que vimos, Lima me surpreendeu. Claro, é outra realidade, possui 1 terço da população do país, é nível do mar, etc...Lima parece que está em um país diferente do Peru do Valle Sagrado e Titicaca...como no Brasil, quando vamos a alguns cantões e comparamos com as cidades grandes mais conhecidas, parece países diferentes...

- Preços em geral: repito, considerando se tratar de uma região turística internacional, achamos os preços bem acessíveis.

- Altitude: Eu não senti nada, tomei o Diamox antes e lá, como sugerido por aqui, minha irmã passou mal as 4 primeiras noites. Ela aguentava o tranco de dia mas sentia a noite. Ela não podia tomar o Diamox que lhe era contrarecomendado. Eu sentia o cansaço normal quando resolvia querer andar rápido e/ou subir as ruínas rápido, fora isso, foi ok.

- Dolar x Soles: Vale a pena trocar dinheiro e gastar em soles, caso contrário voce perde nas conversões nas compras. Exceto nas passagens e passeios que os preços já são em dólar mesmo.

- Peru em si: Mais pobre que a gente, poucos carros particulares, a maioria é táxi ou carro de hotel, vans e etc...povo cordial e receptivo, clima seco nesta época. Cuzco, Valle Sagrado e Lago Titicaca, frio de manhã e a noite e quente de dia. Lima, tá sempre com garoa forte (muita névoa).

O turismo é efervecescente, gente do mundo todo e a cada passeio (com grupos diferentes) conhecíamos pessoas de tudo quanto é lugar.

Se alguém quiser perguntar algo, fique a vontade,

Abraços e boa viagem !

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