por naclau » 12 Fev 2012, 04:32
Bem, apesar de passados alguns anos desde o último relato neste tópico, gostaria de postar a minha impressão sobre Noronha quando voltei de lá pela primeira vez em 2010 (estou indo pela terceira vez em abril, mês de chuvas). Alguma coisa mudou, é verdade, mas o relato é bem verdadeiro, assim como o do nosso colega que não gostou de lá (a-do-rei seu texto, mesmo não compartilhando a mesma opinião que você).
Comecemos pelo lado negativo de Noronha, que é quase desprezível diante de tantas maravilhas: os preços de hospedagem e comida são altos, no fim de ano as melhores praias não estão legais para banho (mar agitado - bom para surfar) e a cidade peca em infra-estrutura (ruas esburacadas e chega a faltar água em algumas épocas, segundo dizem). Lá não tem hotel de luxo (graças a Deus) e você vai ter que ralar um pouco, pois ali caminha-se bastante. Se você for do estilho turista de resort all-inclusive, não vá. Noronha definitivamente não tem nada a ver com isso. Não creio que seja comparável a qualquer outro destino no Brasil. É um lugar único. E inesquecível.
A parte boa são as inúmeras praias de água límpida, areia limpa e bastante preservadas, graças a uma política de preservação que parece funcionar muito bem. Vale cada centavo a alta taxa de preservação ambiental que todos nós precisamos pagar para colocarmos nosso pezinho para além do aeroporto. Além disso, os nativos são muito afetuosos, lindos e incrivelmente simpáticos. Querem fazer de sua estada algo especial e conseguem.
A comida, apesar de cara, é boa. Fuja do bolinho de tubalhau do Museu do Tubarão pois, apesar da boa fama, vem congelado de Recife. Prefira experimentar essa iguaria no Restaurante da Edilma, que é bastante simples, mas muito bem localizado, em frente aos Correios na Vila dos Remédios. Ali prepara-se tudo na hora, o que garante aquele sabor de comida fresquinha de casa. No entanto, justamente por isso, os pratos demoram a sair, então, não vá lá com pressa. Na verdade, não sinta pressa em Noronha - definitivamente não vale a pena. Para se comer uma boa isca de peixe na praia, vá ao Bar do Meio, na Praia do Meio. O local é simples, mas a comida é deliciosa e o visual simplesmente lindo. Fique até o pôr-do-sol, que se esconde por trás do Morro do Pico, bem à sua frente. Você vai ver esse show de camarote. De lá, pode-se ir a pé, pela areia, até a Praia da Conceição, pro bar do Duda Rei, onde às vezes rola luau e algum movimento no fim do dia. Os preços por lá são e-xor-bi-tan-tes, mas é um "point", entende? Cheguei a pagar R$ 7,00 em uma latinha de cerveja nada gelada, mas a "galera" estará lá. Dê pelo menos uma passada. E essa praia de dia é linda, com uma vantagem aos clientes do local: tem ducha de água doce. Não se espante: pode parecer mentira, mas água doce nas barracas é coisa rara. Água é artigo de luxo, então, vá pensando em economizar essa riqueza da natureza e desde logo junte-se à onda de preservação que te invade assim que você pisa na Ilha.
Mergulhar em Noronha é maravilhoso - a temperatura e a visibilidade da água são incríveis (palavra de mergulhadora). Busquem a operadora Atlantis, uma das três registradas na Ilha, que contam uma equipe de terra e de mar bastante profissional e possuem as melhores embarcações da Ilha. É um pouquinho mais cara que as demais, mas não hesitem em relação a esse gasto a mais, pois é um investimento não só em conforto, mas também em sua segurança. O mar de fora por vezes fica muito agitado (em um dos meus mergulhos eu fiquei bem assustada) e estar em um barco mais forte faz diferença. Cada saída custa em torno de R$ 300,00, que dá direito a dois mergulhos em cada um deles se você for credenciado - você passa uma manhã ou uma tarde inteira por conta de cada saída. Ah, sim: não é possível escolher o ponto do mergulho, pois quem faz isso é a Marinha, que só informa às próprias empresas o local por onde irão navegar pouco tempo antes da saída. Assim mesmo, vá. Não há mergulho perdido em Noronha, mesmo se coincidir de você repetir os locais. Pedras Secas é um ponto lindo de mergulho, mas como fica no Mar de Fora, pode não ser o ponto ideal para todos. Não entre em paranóia em relação a isso. Compre o mergulho e vá, seja para onde for.
Voltando para a terra, uma dica é alugar um buggy. Assim, você vai se dar ao luxo de ficar o tempo que quiser nos locais que você (e mais ninguém) preferir. Só há uma rodovia em Noronha, então é muito fácil se deslocar por lá. Se as condições do carro estiverem leais, arrisque-se sem medo e conduza, você mesmo, o veículo, depois de se ambientar (com um guia, eu sugiro). As praias de Noronha quase todas não têm sombra, então, caso queira evitar o sol, leve na mala aqueles chapéus de aba bem larga - você vai precisar.
O passeio de barco é imperdível. E a trilha da Atalaia também, principalmente para os não são mergulhadores, porque poderão ver bichos legais (tubarões e peixes de vários tipos) usando apenas snorkeling, e em um local magnífico. A volta do passeio (por trilha), é por uma subida debaixo de sol, então, prepare-se. Há as versões longa e curta da trilha, mas mesmo a curta exige um pouco de esforço. Só é possível ficar meia-hora, é necessário agendar no IBAMA antes (pois limita-se o número de turistas/dia) mas, ainda assim, vale a pena a visita. Pelo menos uma vez na vida. Também tem a Baía do Sueste, onde, com alguma sorte, verá tartarugas, arraias, polvos e tubarões também apenas com snorkeling, com a vantagem do acesso ser fácil, fácil.
Outra dica: em Noronha, fuja das lojinhas: tudo muito caro e nada, de fato, especial. Gaste com você, com momentos dos quais não se esquecerá jamais - serão muitas oportunidades de fazer isso, que custam muito caro, mas valem bem a pena. Aliás, cabe frisar: não economize em Noronha. Se estiver com pouca grana, não vá. Se estiver com média grana, fique menos dias, mas não estenda sua estada pensando em poupar. E antes de ir embora, passe na "Mãezinha", uma loja de conveniência/farmácia bem na Vila dos Remédios e compre uma foto ampliada de Noronha por R$ 20,00, assinada por um artista local muito talentoso chamado Ari Guedes. Há fotos de vários pontos - difícil escolher. A minha é do Morro Dois Irmãos e está lindamente emoldurada bem em frente a minha cabeceira. Vou dormir todos os dias olhando esse visual extasiante e, vez ou outra, me pego agradecendo a Deus por ter tido essa experiência turística e de vida tão singular. Confesso que também me enche de satisfação o fato de um lugar como esse ficar bem aqui no meu Brasil. Só de escrever isso já sinto vontade de chorar. Animem-se e boa viagem.