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lojudice

A farsa de Fernando de Noronha

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Se vc não nasceu em Noronha (e praticamente ninguém nasceu lá) você não pode ter filhos em Noronha. Se você veio de outro lugar (do Recife, como é comum) e sua mulher engravida, ela é obrigada a sair da Ilha no sétimo mês de gravides, ter o filho em seu Estado e depois, sem ele, retornar para Noronha.

 

Eu realmente gostaria de ver como isso é feito... Da próxima vez q vc estiver por lá, por favor, grave a cena da grávida sendo expulsa com 7 meses pra gente poder mandar pra Polícia Federal e pro Jornal Nacional.

 

Abs

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Olha, você como jornalista que é e eu como jornalista que sou podemos imaginar que essa é uma puta história mesmo.

Vale a matéria, sem dúvida.

 

Mas eu não acho que a coisa chegue nesse nível por uma razão ainda mais simples: Noronha não tem maternidade. Ou seja, para fazer todo o acompanhamento da gestação e inclusive dar a luz se não quiser fazer isso com parteira (e não sei se tem parteira em Noronha), a grávida tem que ir para o continente...

 

Aqui está matéria do Globo que prova para você o que eu estou falando:

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/03/28/moradoras-de-fernando-de-noronha-sao-obrigadas-ter-bebes-fora-da-ilha-916189612.asp

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Genteeeeeeeee,

 

Só uma pequena ressalva. Não é todo lugar no Brasil que vc paga de R$200,00 a R$250,00 em saídas de mergulho.

Em Arraial do Cabo-Rio de Janeiro, você consegue fazer saídas, de batismo (iniciantes/ quem nunca mergulhou/ acompanhado de um Dive Master) por no máximo R$160,00, já incluído o aluguel de todo o equipamento.

Ainda é caro, sim. Mas o mergulho é um esporte, caro, porque demanda grandes custos. Manutenção do equipamento, do barco,segurança, atualização dos Dive Masters, e etc.

Não deixem de mergulhar, é uma experiência inesquecível e incomparável. É como visitar um outro mundo, outro planeta.

Quando vcs estiverem a mais de 10m de profundidade ouvindo somente o som de suas próprias bolhas e olhando todos os peixes e animais marinhos, saberão que valeu apena, muito apena gastar seu dinheiro tão suado.

Se um dia conseguirem manter a flutuabilidade, ficando imóveis por um momento, e um peixinho se aproximar ficar te olhando e mordiscar a sua máscara, ou os seus cabelos, por curiosidade (experiência emocionante que vivi)- e esse é só um exemplo das mil e umas aventuras e momentos maravilhosos que vivi no mergulho-, neste dia, neste breve momento, sentirão vontade de não retornar à superfície. Pois, afinal, a vida aqui em cima não é nada fácil.

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Então, eu fui pra FN em Março deste ano. Fiquei 10 dias. E demorou um tempo pra "criar coragem" de devolver as minhas impressões, porque queria deixar a poeira baixar. Eu voltei muito feliz e com muita raiva. Foi a viagem mais cara da minha vida e voltei com uma infecção intestinal braba, que durou 10 dias... Pra mim isso resume o que é noronha: um lugar sem recursos se você não tem dinheiro.

 

Eu sinceramente não me incomodei tanto com os cruzeiros, nem com os land rovers, mesmo porque cruzei pouco com eles. Fui por conta, fiquei em pousada domiciliar de uma pessoa que vive a gerações na ilha e que sim tem duas filhas lindas. Aliás, vi muitas crianças, tem uma escola pública infantil lá. Quem quer estudar o ensino médio, parece que tem que ir pra Recife...

 

Eu me incomodei de ter que gastar no mínimo 15 reais pra comer (cada refeição!) e ter pegado uma infecção (Ah tem o Jacaré que é 10 reais, mas a comida é aquela bomba calórica, mas é caseira). Me incomodei com a fumaça dos buggies velhos e barulhentos que passavam na frente da pousada. Me incomodei com os preços exorbitantes do mercadinho da vila dos remédios, que é o onde a dona da pousada fazia suas compras também. Com a falta de reciclagem na ilha, com a constatação de que preservação acontece somente limitando a quantidade de turistas e nada mais. A energia elétrica vem de uma usina de petróleo (!), a água é dessalinizada então não é potável, tudo vem do continente em garrafas PET, que depois voltam ao continente. O que sobra de lixo na ilha é incinerado (!!). O cheiro é insuportável nas vizinhanças da usina.

 

Então, eu me incomodei MESMO em ter que pagar 300 reais de taxa pro governo de Pernambuco e não ver aonde esse dinheiro foi parar. Eu sou psicóloga social então foi natural pra mim puxar conversa com moradores, trabalhadores e crianças. E me decepcionei com o que ouvi. A população local se sente abandonada pelo governo, e eles têm razão. Os preços abusivos começam no barco que abastece a ilha de mercadorias. Se vc encomenda uma caixa de bananas e o navio fica sem poder chegar no porto por conta da maré, azar o seu. Tem que pagar as bananas podres e o frete. Tem a possibilidade de pagar seguro, mas encarece muito o frete, em especial se são perecíveis. O dono do bar de açaí onde comíamos nos contou que cada vez que o barco não pode chegar ao porto que a irmã dele traz o açaí de avião pela gol. Imagina. O hospital de lá não tem maternidade, qualquer um tem que nascer em Recife. Não tem isso de não poder voltar com a criança (história da carochinha demais essa). Mas muitas crianças me contaram que muitas famílias desistem de FN quando os filhos crescem. Muitas têm primos em Recife.

 

Os locais têm raiva do Tamar e de outras ONGs. Porque os "idiotas dos turistas", como eles falam, podem optar por adotar uma tartaruga, mas ninguém tá nem aí que não ensino médio na ilha. Eles sentem (dizem) que as tartarugas valem mais que eles. Então senti que a relação com o turista é muitas vezes de exploração. De um encontro indesejado, mas necessário. E com as ONGs há uma mágoa porque eles trazem “as menininhas e menininhos do sudeste que vêm te dizer o que tens e o que não tens que fazer”. E senti também o despreparo dos guias (registrados pelo IBAMA!). Fiz a trilha do Atalaia com uma pessoa que peguei o contato aqui no Mochileiros, que também trabalha de salva vidas. Antes da trilha o voluntário do IBAMA que estuda biologia explicou que o protetor solar mata os corais, pediu pra não usar. Pediu pra não tocar os corais pois crescem 2 centímetros por ano. Pediu pra não tocar os animais. O guia turístico fez tudo isso. Na ânsia de mostrar os animais assustava cada um deles metendo o dedo e fazendo eles saltarem de pavor, juro, o que ele destruiu de coral não foi brincadeira. Outra coisa que me incomodou: entre os guias turísticos, a “moeda” de troca com os turistas é o numero de animais que eles prometem te mostrar. Muitas vezes sabem onde se escondem os animais e vão ali perturbar um por um, estressando os animais de uma maneira que qualquer biólogo marinho reprovaria.

 

Massssss, voltei feliz porque tive os melhores momentos de contato com a vida marinha na minha vida. Nadar com as tartarugas, com os tubarões, como os peixes, arraias.... De snorkel mesmo, pois não mergulho por problemas no ouvido. Achava que nunca poderia viver isso de snorkel. Muitas das praias famosas não estavam aptas para mergulho pois era a época de maré braba. Mas descobri outras lindíssimas e 100% naturais, coisa cada vez mais difícil...

 

Enfim, acho que FN é um retrato de como as coisas são tratadas no Brasil, onde falta o poder público e domina o privado. Fiquei possessa de como se enche a boca para falar de preservação quando o que se faz é limitar a quantidade de gente através do econômico. Se não fosse pelas ONGs e os VOLUNTARIOS sem dúvida alguma a ilha já não seria o que é.... Elas realmente garantem a preservação, as palestras do TAMAR são ótimas. Mas a situação é delicada, eu até diria que rola um boicote ao que as ONGs tanto tentam preservar. No final das, os locais não têm razão em ficar cheios de raiva ao constatar que, nesse sistema tal como as coisas estão montadas, as tartarugas valem mais que eles?!

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AH, esqueci de dizer que os melhores momentos de encontro com a natureza foi sem guia, sem ninguém. Só eu e no mar, flutuando, e os animais. Sem pressa, sem pagar 80R$ a hora pro guia, sem ficar P. da vida porque tavam estressando os bichos. Sem a ânsia de contar no dedo o número de espécies que eu ia encontrar, respeitando o ambiente deles e o ritmo deles. Lindo.

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Essa perseguição aos bichos realmente é irritante! Acho que isso foi uma das principais causas para eu ter colocado esse tópico aqui... lembro da turistada pressionando o pessoal do barco a ir atrás dos golfinhos. Aliás, essa perseguição só se dá por "exigência" dos turistas. Os guias percebem isso e vêem nisso a forma mais fácil de ganhar com esse pessoal.

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Ah, André! Ia comentar teu tópico sobre a taxa e esqueci! Eu vi ele antes de ir, e de certa forma já fui prevenida. Mas me chocou mesmo foi como a Ilha se estrutura. Quer dizer, tinha fiscal no Atalaia, o guia era cadastrado pelo IBAMA, antes de ir tinha um estudante de biologia voluntario dando as instruções... Mas eu fui em Março, a ilha tava lotada. Não sou só eu que pago a taxa, a dona da pousada também paga imposto pela minha estância e qual é o retorno que ela tem????

O que mais me deixou P. da vida é o abandono da população à sua própria sorte e o fato de não ter coleta seletiva (isso era O MINIMO), da energia elétrica ser a diesel, do lixo ser incinerado.... Tudo, tudo errado. Eu diria que é um dos lugares em que os habitantes mais pagam impostos e menos têm de retorno.

 

Aí eu acho que entra uma coisa relacionada com o que o lojudice disse. Se os turistas insistem pra contar nos dedos o numero de golfinhos que deu pra tirar foto, é porque falta uma política de sustentabilidade na ilha. Se houvesse uma cultura sustentável, se desde a hora que vc chegasse escutasse que é feio ficar perseguindo os golfinhos, se fosse obrigatório ir a palestras antes de pôr o pé na água, ninguém faria isso. O que acontece é que como o trabalho feito é pouco, é por gente de fora (voluntários e biólogos marinhos), a população local fica excluída da preservação. E vêem os ricaços construindo pousadas animais, ficando mais ricos ainda, ou então fazendo da ilha sua casa de campo e espaço privée. Então o que se estabelece não é uma cultura de ecologia e preservação, mas de consumo. Os locais passam a pensar que têm que garantir o seu, e os animais e a paisagem passam a ser produto de consumo. O slogan dos guias na praia do Sancho é: “20 reais por pessoa; tartaruga, arraia e tubarão garantidos. Se não eu devolvo o seu dinheiro”.

 

Não pode pressupor que o turista vai ter consciência. Tem muita gente que nunca viu galinha viva na vida, só na bandeja do supermercado. Você acha que quem cresceu assim vai ter respeito automaticamente?! Na palestra do TAMAR eles contam milhares de estórias de gente que tentou “abraçar” o tubarão pra tirar uma foto e não entendeu porque ele atacou. Você acha que uma pessoa que faz isso tem alguma consciência do que é estar em um ambiente preservado, com animais selvagens e não domesticados? Você pode dizer que essas pessoas deveriam ir pra Disney, pra se abraçar com os golfinhos, mas eu penso que é privar as pessoas de uma experiência genuína, que não esteja planejada pra vender. É a simples contemplação da natureza que traz o respeito pela sua beleza e a vontade de preservar. Sem promessas de devolver o seu dinheiro.

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Pessoal,

 

Fui pra Noronha agora no início de agosto, fiquei 10 dias, e acho que dei mais sorte que vcs.

 

Talvez tb não tenha percebido tantas coisas ruins pq não procurei os problemas nem sugar maiores informações dos nativos. Mas lendo o que vcs escreveram, tenho certeza que tudo isso é verdade. Só sofri e me irritei mesmo com os preços abusivos e com a taxa de preservação, pois isso não tem como não sentir no bolso. Mas de qq forma já saí aqui do Rio de Janeiro sabendo disso, então já estava acostumado com a ideia.

 

Gostei de ir nesta época pois a ilha estava bem vazia. Cheguei a ter a Praia do Sancho e a Praia do Leão como "particulares". Uma maravilha.

 

Paguei R$160 a diária de casal pra ficar na Pousada Simpatia da Ilha, que é domiciliar. O dono, Sérgio, vive lá há muitos anos, assim como a simpátissima Neide (uma faz tudo) e seu filho. É caro, mas em comparação aos preços que vi em outras pousadas, foi a de melhor relação custo benefício. A pousada tinha lixeiras de reciclagem, o aquecedor era solar e não faltavam avisos e pedidos para que a água fosse economizada.

 

Como fiquei 10 dias na ilha, pude ir em todas as praias de ônibus ou de carona. Nem alugamos Buggy. Os únicos passeios pagos que fizemos foram o mergulho de cilindro, o Aquasub e a trilha do Atalaia.

 

O mergulho já subiu pra R$290 na Noronha Divers (em dinheiro era R$280). Nas outras estava ainda mais caro. Somos credenciados. O batismo é mais barato um pouco (R$270 no cartão ou R$250 em dinheiro) pois tem somente uma descida, enquanto o credenciado tem duas. Foi sensacional, mas caro, muito caro.

 

Em todos os meus contatos com os guias, na maioria das vezes nativos, que se orgulham de dizer que estão lá há muitos anos e tb se orgulhavam de dizer que Noronha é um exemplo de preservação, ao contrário de outros lugares como Porto de Galinhas por exemplo. Eles sempre deram todas as orientações de que não se pode tocar nos animais, matar os corais, usar protetor solar, etc... e se comportaram muito bem.

 

Qdo fiz o aquasub, muito legal por sinal, cruzamos com um grande grupo de golfinhos, mas foi muito rápido, pois o rapaz do barco tratou de se afastar deles rapidamente e depois nos explicou que não é permitido ir atrás dos golfinhos, que só cruzamos com eles pq ele não tinha visto a aproximação. Todos que estavam no barco entenderam e apoiaram a atitude, mas obviamente felizes por termos dado essa "sorte".

 

No mais, me diverti muito nadando em todas as praias, que possuem uma vida marinha incrível, só com máscara e snorkel, que pra quem não pode ou não gosta de mergulhar, são sem dúvidas suficientes para se viver a maior experiência da vida junto à vida marinha.

 

Ou seja, tive uma ótima viagem, cara, mas linda e inesquecível.

 

Sei que diversos problemas aqui relatados são pura realidade e muita coisa precisa melhorar, mas é fato que mesmo assim, Noronha ainda é um exemplo se comparado com outros lugares aqui no Brasil. No Rio, basta citar Ilha Grande, onde o homem não para de destruir aquele paraíso.

 

Abs a todos.

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Ei Vinicius, legal tua experiencia, pra contrastar com as nossas!

 

Acho que o fato de ter ido em Agosto fez toda a diferença. Quando eu fui no final de Fevereiro, a pousada Simpatia da Ilha estava custando R$377. Pra você ter uma ideia dos abusos que aconteciam na época em que fui. Talvez FN tenha seus segredos (como as praias que desaparecem na maré braba, como a do cachorro que não pude conhecer) e seja preciso ir mais de uma vez ou trocar experiencias como aqui para poder saber mais.

 

Eu não precisei sugar nada das pessoas, acho que elas me falavam porque sentiam que eu teria essa escuta tranquila. Eu fiquei numa das pousadas mais baratas (a do Golfinho, pois a da Iris tava cheia) e ia comer nos lugares mais baratos. Mesmo sabendo que a Ilha era cara, fui com milhas e a grana não chegava pra muito. E a verdade é que me identifiquei com o sentimento de muitos dos que vivem lá e trabalham lá, dessa raiva que um sente quando quer fazer as coisas e não pode porque os preços são abusivos (e na entrada já me roubaram 300 reais na porcaria da taxa).

 

Não nego que a ilha esteja preservada, mas o tipo de preservação que acontece é pouca se vista na ilha globalmente. Não comento Ilha Grande pois é um absurdo (infelizmente é um modelo do que NÃO se deve fazer em lugar algum, não deveríamos usar como comparação). Mas penso em lugares como vilas de pescadores na costa da Bahia, pra onde já fui muitas vezes, que têm essa mesma postura dos locais (de orgulhar-se da sua terra), esse mesmo respeito manso pelos animais e pela natureza, a mesma falta de condições e o mesmo abandono do poder público, mas ninguém enche a boca pra dizer que é ecológico, ou que há preservação. Me incomoda FN porque muito do que se diz e se vende é uma farsa. Muito bonito que a Pousada onde vc ficou separe o lixo. E depois, pra onde ele vai, se a ilha não tem sistema de coleta seletiva?

 

Pra mim, o que tem em FN é contenção de danos. E eu diria que na alta temporada é menos efetiva, é uma diminuição. Ajuda? Sim, mas não é sustentabilidade nem preservação. E a taxa é um roubo, e ponto.

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