Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#834569 por Renato37
30 Abr 2013, 13:20
Trilha feita em 28/04/2013.

Álbum com todas as fotos estão em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

Eram 5:20h da manhã qdo estava terminando de ajeitar e prender a minha mochila no bagageiro da moto e partir, numa madrugada fria de 13ºC em direção a Rodovia Regis Bittencourt, acessando-a diretamente pela final da Av.Prof. Francisco Morato. A cidade de São Paulo e suas avenidas, tradicionalmente congestionadas ou carregadas durante os horários de pico, durante as madrugadas o cenário é totalmente outro: Ficam bem desertas e circular pelas ruas da cidade mais populosa da América do sul, seja de carro ou moto, fica parecendo que está numa cidade do interior.

Mesmo sem trânsito algum e alguns semáforos em pisca amarelo, notei que por conta do medo de assalto, os poucos carros que vi nas avenidas, não estavam parando no sinal vermelho, preferindo ser multado ao risco de sofrer um assalto.

Ouvira dizer em noticiários locais na TV que por conta disso, tramita na prefeitura, um projeto de lei que prevê que das 0h as 6h da manhã, a maior parte dos semáforos da cidade fiquem apenas em pisca-alerta,o que pode aumentar o risco de acidentes, mais diminui o risco de assaltos e outros, tendo em vista que a esmagadora maioria dos motoristas qdo chegam a um cruzamento com semáforo em pisca amarelo, automaticamente reduz e cruza o mesmo com cautela.

A cidade é tão grande que mesmo sem trânsito, para quem sai da região do centro expandido (Paraíso), leva-se um tempo considerável para chegar até o inicio da Rod. Régis, como foi o meu caso, levei 25 minutos, utilizando Av.Paulista, Rebouças e a Francisco Morato inteira. Pouco antes de chegar ao inicio da rodovia, parada rápida para abastecer e calibrar os pneus para a viagem que levaria cerca de 2 horas até Miracatu, sul de SP, utilizando a "rodovia da morte" (como é conhecida a Régis Bittencourt por conta dos altíssimos índices de acidentes, principalmente no trecho de serra).

Adentrei a mesma com movimento quase zero as 6h00, já começando a clarear. Durante a viagem, o céu azul e a lua deram lugar a uma densa neblina qdo me aproximara da região de Juquitiba. Por ser uma região tipicamente mais serrana, portanto, natural estar totalmente coberto por uma forte neblina, o que me obrigou a reduzir a velocidade, por pura questão de segurança, já que a visão ficou bastante prejudicada e a neblina ajuda a embaçar mais rapidamente a viseira do capacete.

Com a rodovia vazia, cruzando com um ou outro caminhão ou carro, fui seguindo até que passei por Juquitiba por volta das 6:45h e as 7:00h estava cruzando o posto da policia rodoviária federal que fica no topo da serra do Cafezal. Após a sinuosa descida da serra e contemplar a bela visu, com os primeiros raios do sol ainda em tom avermelhado cobrindo o topo das montanhas, além de imaginar qtas cachus deve ter escondidas por essas entranhas de serra, es que cheguei em Miracatu, a 138km de distancia de SP as 8:15h.

Por ser domingo, dia de folga da grande maioria das pessoas, a pacata cidadezinha do interior com apenas 20.592 habitantes (segundo dados do IBGE) ainda dormira, com todo o comércio fechado. Em minha rápida passagem por dentro da cidade, logo após sair da BR 116, avisto apenas meia dúzia de moradores, fazendo sua caminhada matinal com trechos ainda sob neblina densa.

Resolvo fazer uma rápida parada para consultar o caminho mapeado e após cruzar o centro da cidade, as 8:30h, adentro a Estrada do Faú, seguindo uma placa que indicara o caminho para a cachu do Faú. Após 14 km percorridos pela estradinha de terra que estava bem batida e mais parecia um asfalto de "terra", es que em 20 minutos chego a cachu do Faú, a primeira cachoeira da região as 8:50h. Pausa para fotos, claro. A Cachoeira do Faú é formada pelo Rio São Lourenço que vem lá do topo da serra do mar e possui apenas 6 metros de altura, mas com uma grande corredeira. Tempo de caminhada: Zero (a cachu fica do lado da estrada do Faú).

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Piscina natural do rio

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Estrada do Faú, do lado da Cachoeira de mesmo nome

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Cachoeira do Faú

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Seguindo a mesma por mais 10 minutos, a estrada do Faú termina em 2 sítios, onde estacionei a motoca e após localizar as picadas e ajeitar a mochila, es que inicio a pernada para a Cachoeira da Pedra Grande as 9:10h. A trilha segue bem aberta, seguindo inicialmente em nível, mas subindo discretamente a serra, acompanhando o rio que desce furioso a esquerda, onde em alguns trechos, se avista lá embaixo, trechos encachoeirados do rio.

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Final da Estrada do Faú e logo a frente, inicia-se a trilha para a Cachu da Pedra Grande.

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Inicio da trilha

As 9:25h e 9:30h a trilha cruza com 2 pequenos riozinhos afluentes do rio principal, cujas aguas cristalinas são um convite para molhar a goela e lavar o rosto um pouco suado. 20 minutos a frente, a trilha cruza o rio principal com bastante volume, o que imaginei que ali seria o fim do conforto do tênis seco, mas para a minha sorte, uma ponte feita com 3 grossos troncos de árvore e amarrada com grossas cordas estava disponível a esquerda, permitindo a travessia do rio por cima sem necessidade de meter os pés na agua geladíssima do rio, cuja correnteza era relativamente forte. Rápida parada para fotos.

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Trecho de travessia de rio

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Atravessando o rio por uma ponte construída na trilha pelos moradores locais.

As 9:55h cheguei a um sítio, com um afluente do rio, uma casa ao fundo do lado esquerdo, uma bifurcação e uma placa num poste com os dizeres: "Proibido a entrada de palmiteiros, caçadores e estranhos". Caracas, pensei. E agora? Como havia visto a bifurcação a frente após a placa (teoricamente já dentro da propriedade do sítio), avancei alguns metros a frente para ver melhor a bifurcação. Es que vi a continuação da picada a direita e outra a esquerda que cruzava o rio e dava direto na casa.

Sabia por infos coletados com moradores que a cachu da Pedra Grande era por ali, e qdo pensava em voltar ou até arriscar em entrar escondido pegando a picada a direita (que adentrava novamente na mata longe da vista dos proprietários do sitio) ao ver 2 pessoas lá na casa, resolvi ir lá falar com eles, me dando uma de perdido e me informar sobre a cachu. Em caso da não permissão, tentaria buscar outro caminho ou na pior das hipóteses, contornaria a propriedade por fora e pegaria a trilha mais a frente. Felizmente não precisou. Sempre é mais fácil pedir autorização do que tentar ir as escondidas. E foi o que resolvi fazer.

Um rapaz veio até o rio qdo me viu indo em direção da casa e logo que se aproximou, pedi desculpas por entrar na propriedade sem permissão (citando a placa), e disse sobre a cachu. Ele me levou para falar com o dono, um simpático senhor (cujo nome não me lembro agora) que me recebeu muito bem. Novamente me desculpei citando a placa e ele, muito solícito, falou que não tem problema algum, geralmente o pessoal passa por aqui sempre indo para a cachoeira. Perguntei da cachoeira e ele falou que a trilha a direita do lado da placa (onde eu estava) é um atalho e seguia direto até ela.

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O Sitio com a bifurcação logo a frente e a placa de proibido entrar....

Então numa curta prosa, ele disse que poucas pessoas vem aqui, perguntou se eu já conhecia a cachoeira e o caminho, dai eu disse que não, mas que faço caminhadas e exploro trilhas há muitos anos. Gentilmente ele me levou por uma bifurcação que sai do sitio dele, cruzava com um pequeno rio e caia diretamente na continuação da trilha. Disse que era só seguir em frente que eu iria sair no "cachoeirão".

Qdo ele falou: Cachoeirão eu (curioso), perguntei: Cachoeirão? Então a cachoeira é grande né?...ele disse: é um espetáculo, cuidado para não se encharcar, brincou ele. Agradeci pela gentileza, me despedi do simpático senhor e logo retornei a pernada pela continuação da trilha as 10:25h.

Alguns minutos após sair do sitio, a trilha começou a subir mais forte, o que me arrancou várias gotas de suor do rosto. Porém, a subida ingreme dura pouco tempo e logo a mesma nivela, para o meu alivio. A névoa havia se dissipado totalmente com o sol e o céu azul marcando presença absoluta no meio das árvores, secando o orvalho da madrugada e iluminando aquela mata eternamente úmida e fresquinha.

As 10:50h chego ao trecho de rio, onde pela indicação do senhor lá do sitio, a trilha acabara ali e o trecho final de cerca de 200 metros, teria que ser feita subindo pela margem do rio a esquerda. As pedras do trecho de rio estavam com muito limo, o que gerou alguns esqui-bunda (escorregões, onde se cai sentado, rs ), mas nada mais sério, faz parte. O trecho final é relativamente sussu e curto, tal como o trecho final do rio na trilha da cachoeira da fumaça em Paranapiacaba.

A diferença é com o rio da Pedra Grande só foi um pouco maior por ser uma reles subida leve e algumas árvores caídas que precisaram ser vencidas ou contornadas pelo mato a beira da margem. Es que as 11:05h, com 1 hora e 18 minutos conometrados de trilha (descontando algumas paradas para anotar, espiar bifurcações, rios e o pit stop para conversar com o dono do sitio) chego a magestosa Cachoeira da Pedra Grande.

A Cachoeira tem 70 metros de queda, cravadas num buracão no meio da mata Atlântica onde suas aguas despencam furiosamente lá do topo num estrondo altíssimo, gerando muitos respingos, o que me fez entender o que o senhor lá do sitio quis dizer: "Cuidado para não se encharcar". De fato, a cachoeira da Pedra Grande é um belo de um cachoeirão e chegar próximo dela com roupas secas, significa voltar com as mesmas molhadas em poucos minutos.

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Cachoeira da Pedra Grande

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Vista mais acima, subindo um morro

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Cachu grandiosa! ::otemo::

Com o objetivo da trip concluída e dono absoluto do lugar (já que não havia ninguém na cachu), resolvo fazer uma mega pausa para fotos, forrar o estômago e molhar a goela com o suco gelado além de barras de cereais do lado daquele belo cenário. Valeu a pernada de mais de 1 hora, os escorregões, algumas picadas e até espinhos por conta de ter optado por varar o mato na encosta do rio ao invés de subir pelas pedras cheias de limo, tudo para atingir o sopé dessa imponente cachu. :D

Permaneci na mesma por 1 hora e es que as 12:20h, com o estômago forrado e revigorado, inicio o retorno até a estrada de terra, onde cheguei as 13:30h, direto, inclusive voltando pelo "atalho" que passou direto pelo sitio e caiu próximo a saída, na placa. De volta a estradinha e com metade do dia livre, aproveitei para explorar outras trilhas extras na região,além de dar uma passadinha em Itariri, a cerca de 30km dali, para reconhecer terreno, e as trilhas para as cachus de lá.

Antes disso, resolvi espiar a picada a direita logo no inicio que desprezei e segui nela por 30 minutos, ignorando algumas bifurcações e cheguei a um trecho de rio, atravessei e ela virou a esquerda. Mas a mesma sumiu de vez e eu acabei voltando. Claro que era só varar o mato que provavelmente ela iria reaparecer lá na frente, mas como estava mais interessado em ir logo para Itariri e dar uma zapiada por lá, deixei para voltar outro dia com mais tempo para explorar melhor.

De volta a bifurcação das 2 trilhas, explorei outras picadas aqui, ali, acolá e perguntando para moradores locais, es que fico sabendo de mais cachus na região de Miracatu: Cachoeira da Mutuca e Manecão que deixei pendentes. Então retornei pelos 14km da estradinha de terra, passando novamente pela cachoeira do Faú agora a direita e em 22 minutos, já estava novamente na Régis, onde as 14:00hs segui sentido São Paulo, em direção a bifurcação para a Rod.Padre Manoel da Nóbrega, vicinal que liga a BR-116 ao litoral sul.

Mais 20 minutos de rodovia, chego em Itariri e adentro uma estradinha de terra que leva a outros rios da região da Serra da Juréia....rodei aqui, ali, e trilhas novas foram descobertas e mapeadas, novamente para uma pernada futura, já que o combustível da motoca estava no fim e infelizmente precisaria abastecer, pois não havia nenhum posto próximo naquela região, só em Miracatu ou no entroncamento da SP 344 com Peruíbe.

Então, com o horário avançado, o fato de escurecer cedo nessa época do ano e o combustível no fim, me limitei a explorar apenas o entorno de um outro rio das pedras próximo a ponte para outra estradinha que estive anteriormente após ter ido ao Pico do Itatins com o Eric, Bel e Yumi. Sim, há outro grande rio das pedras descendo forte lá do outro lado do vale, o que me impressionou, geralmente cada vale costuma ter apenas 1 rio descendo reto em um mesmo sentido, mas nesse vale, há 2 grandes rios, um bem perto do outro.

Não é a toa que a região tem tantas cachoeiras. Picadas adentrando forte na mata foram vistas em alguns trechos do rio, o que me atiçou a curiosidade em voltar lá o mais breve possível, para explorar tais trilhas que sempre levam a algum lugar, seja banal como um sitio ou casa, ou majestosas e imponentes cachus, como a da Pedra Grande.

Então fiquei curtindo o local por cerca de meia hora e depois as 17:00hs me mandei dali, voltando pela própria Padre Manoel da Nóbrega, dessa vez evitando o caminho que vim de manhã e voltando pela Imigrantes, a fim de evitar o excesso de caminhões e os congestionamentos típicos do trecho de subida da serra do Cafezal.

Miracatu é uma cidadezinha pequena, mas cheia de cachus encravada nas entranhas da serra no vale do Ribeira. Por estar situada estrategicamente no corredor do Mercosul, interligando as duas capitais e o Porto de Santos, é conhecida também como o Portal do Vale do Ribeira. Limita-se com Juquitiba, Pedro de Toledo, Iguape e Juquiá.

A grandiosa cachu da Pedra Grande e do Faú, são apenas 2 cachus exploradas nessa região, que junto com Itariri, Pedro de Toledo, Juquia e Iguape, comportam um local com muitas cachus escondidas, prontas para serem desbravadas, apenas mapeando-as, traçando caminho, se informando e meter as caras no local!

Ter a sensação de "dono absoluto do lugar" não tem preço e compensa qualquer esforço em atingir tal local. E o melhor: Sem gastar nada mais que isso, exceto o transporte e alimentação.Seja por trilha curta, média ou de longo percurso ou mesmo percorrendo trechos de rio...

Mas seja consciente e FAÇA A SUA PARTE: Leve sempre o seu lixo de volta com você e jogue-o em uma lixeira qualquer na cidade. Não seja um farofeiro porco. Respeite a natureza para que lugares assim estejam disponíveis para todos nós e as próximas gerações. A natureza agradece =)

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Como chegar nas Cachoeiras do Faú e Pedra Grande:

Saindo de SP, pegue a BR-116, Rodovia Regis Bittencourt direto até Miracatu. Siga por 138 km até avistar a placa indicando "Retorno - Miracatu" e entre a direita, poucos quilômetros após passar pelo entroncamento da BR-116 com a Padre Manoel da Nóbrega.

Entre na avenida principal, Av. Dona Evarista de Castro Ferreira, seguindo reto até o final e vire a esquerda, seguindo placas que indicam "Cachoeira do Faú". Ao ultrapassar uma ponte, é só seguir pela estrada de terra,cujo nome é "Estrada do Faú", ignorando todas as bifurcações. Ao passar por uma segunda ponte, vire a esquerda, há outra placa indicando "Cachoeira do Faú" e siga em frente até o final dela.

A estradinha chega até o trecho do rio e adentra na mata, com o rio em seu lado esquerdo. A cachoeira do Faú beira a estrada e há uma casa logo acima dela. Seguindo mais a frente, até a estradinha terminar em 2 sitios, é só seguir reto que você encontrará a trilha logo a frente. Ignore a picada menor a direita e siga reto. Qualquer coisa, se informe com moradores da região.

Como citado acima, há outras cachus em Miracatu, se resolver explora-las no mesmo dia sem a intenção de pernoite, esteja de volta a estrada de terra pelo menos até ao meio dia, 1 da tarde para dar tempo de explorar as demais. A trilha da cachoeira da Pedra Grande é um pouco longa, mesmo bem aberta e indo rápido, levei mais de 1 hora para chegar até a cachoeira e outra 1 hora para retornar, isso direto, pois a única pausa para descanço que fiz foi lá na cachu. :)
Editado pela última vez por Renato37 em 01 Abr 2015, 16:18, em um total de 1 vez.

#837262 por Renato37
06 Mai 2013, 21:18
GUILHERME TOSETTO escreveu:Caraca, véio ,quero ir conhecer essas maravilhas!!!!


Olá Guilherme, é só prestar atenção nos topicos que abro lá no seu grupo chamando para as trilhas pra cachus e picos através de infos de amigos, relatos aqui mesmo no mochileiros e mapeamento via google earth, maps, etc.

No momento estou para ir desbravar as cachoeiras da região de São Francisco Xavier + subir a trilha até o pico da Onça + Queixo d'anta (ou focinho da anta) + para o periodo 20 a 26 de Maio. ::otemo::

Logo mais, abrirei um evento lá no grupo convidando quem queira desbravar essa subida para ambos os picos.

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