Alguns dias antes do feriado de Finados, o Jorge me pediu algumas informações sobre o Pico de São Sebastião, em Ilhabela e como eu já estive lá no inicio de 2001, disse que não sabia como estava a trilha atualmente, mas que era fácil encontrá-la. Naquela época eu tinha me perdido a cerca de 300 mts antes do topo, mas que tinha encontrado a trilha para subida depois de uma procura incessante.
Passei algumas infos de como chegar no inicio da trilha desse pico e do Pico do Baepi (esse já tinha ido 2x).
Depois disso o Jorge mandou o convite para uma lista de treking da qual fazemos parte e marcamos para sair na Quinta pela manhã (dia 01), aproveitando o feriado prolongado.
Ficamos aguardando outras pessoas confirmarem, mas no final só o Eric quis ir.
Iriamos sair de Sampa na Quinta pela manhã, subindo o Pico do Baepi no mesmo dia e no dia seguinte fazer o Pico do São Sebastião.
Era meio loucura subir um pico de pouco mais de 1000 mts em cerca de 5 horas direto e no dia seguinte fazer a outra subida do São Sebastião com altitude de + - 1350 mts em apenas 1 dia também. E isso sem saber como estava a trilha. Eu e o Jorge agüentamos qqer parada, então topamos na hora. O desafio maior seria da Márcia, que no final até que se comportou bem e o Eric.
E lá fomos nós.

No dia 01/11 (Quinta) eu e a Márcia acordamos pouco depois das 04:00 hrs da manhã porque íamos embarcar no onibus das 06:00 hrs, chegando em Ilhabela por volta das 09:30 hrs. O Jorge nós íamos se encontrar na Rodoviária.
A viagem foi tranqüila e com alguns assentos vazios e o Eric iria se juntar a trip lá na balsa, em São Sebastião.
O acesso a trilha do Pico do Baepi passa próximo a sede do PE Ilhabela e eu sabia que eles poderiam criar problemas para quem sobe sem ajuda de algum guia (é aquela velha burocracia que vigora em alguns PEs). Como eu já conhecia um dos guias do parque, tinha falado com ele alguns dias antes sobre a intenção de subir o pico sob a minha responsabilidade (sugiro que se alguém for fazer essa trilha que entre em contato com o pessoal do PE, para evitar futuros problemas).
Ao descermos da balsa, tomamos o ônibus que seguia para o centro de Ilhabela e assim que ele chegou na Praia de Itaguassú, ao lado da Igreja Assembléia de Deus, descemos. Era pouco depois das 10:40 hrs e aqui tomamos a rua que sai da praia e se inicia ao lado dessa Igreja e segue subindo morro acima, passando próximo a sede do PE.
A rua que sobe até o inicio da trilha é a Morro da Cruz e tem um trecho muito íngreme logo depois de passar pela sede do PE e algumas vezes tivemos que parar para recuperar o fôlego, pois todos os 4 estavam com mochilas cargueiras.
Passamos ao lado de 2 reservatórios da SABESP e aqui é o único ponto de água de toda a subida (pegue água aqui ou vai ter problemas). A estrada continua subindo e logo passa a ser de terra e termina em frente a uma área de vegetação baixa. Aqui existe uma trilha que sobe o barranco da direta (que deve levar a alguma cachoeira) e uma outra que segue em frente. Para seguir para o Baepi é só ir em frente, passando ao lado de uma cerca de arame (que marca a altitude de 200 mts e a partir daqui vc está entrando na área do PE).

A trilha segue pela vegetação baixa e com uma mata do lado direito e olhando para trás já dá para ver Ilhabela e algumas praias lá embaixo (com visual muito bonito por sinal).
Por volta das 12:10 hrs passamos ao lado de um banco de madeira (estrategicamente colocado para descanso da longa subida).
Aqui já dá p/ ver bem a frente o imponente Pico do Baepi, mas ainda restam uns 700 mts de subida íngreme.
Aqui o Eric disparou com sua mochila na frente e eu, a Márcia e o Jorge ficamos para trás. Depois de uns 10 minutos a trilha entra na mata fechada e nós 3 fomos encontrar um lugar onde pudéssemos esconder as mochilas, levando para o topo somente água e alguma coisa para comer.
Como o ritmo meu e o da Márcia era menor, o Jorge seguiu em frente, logo atrás do Eric.
A trilha vai ficando íngreme conforme vai subindo, tendo alguns trechos bem difíceis e na subida a Márcia deparou com uma cobra Jararaca e alguns lagartos que apareciam de vez em quando na trilha.
Depois de pegar um trecho de bambuzal bem fechado, onde tivemos que nos arrastar, chegamos no topo pouco depois das 15:00 hrs.
O visual daqui é de 360 graus, visualizando a maior parte das praias do centro e algumas ao sul e ao norte de Ilhabela.
No Baepi existem dois topos (um logo que a trilha termina e outro mais ao norte onde se chega através de uma outra trilha).
Ficamos aqui em cima por quase 1 hora e pouco antes das 16:00 hrs iniciamos a descida porque o Sol castigava e não tínhamos muita água. Depois de pegarmos as mochilas que estavam escondidas, voltamos para a trilha e continuamos a descida aonde chegamos no reservatório da SABESP pouco depois da 17:30 hrs. O Sol já tinha ido embora e ao longe já podíamos ver que a chuva estava chegando e depois de passarmos em frente a sede do PE tivemos que colocar as capas das mochilas porque a chuva veio muito forte.
Continuando a descida, logo chegamos ao ponto de ônibus e lá a chuva piorou. Tínhamos a pretensão de chegar naquele mesmo dia até o inicio da trilha do Pico São Sebastião, com a intenção de não caminharmos tanto no dia seguinte, porque a altitude do São Sebastião era bem maior (por volta de 1350 mts).

No ponto de ônibus, ficamos aguardando pouco tempo e assim que passou o circular Borrifos, embarcamos e que nos deixou na entrada da bifurcação para a Cachoeira 3 Tombos e o Chalé Recanto dos Pássaros.

Essa bifurcação fica pouco depois da Praia do Portinho e pouco antes da entrada da Praia da Feiticeira, tendo um portal de concreto bem no início da estrada. Chegamos nessa bifurcação pouco antes das 19:00 hrs e sem chuva, mas só foi iniciar a subida que ela voltou novamente.
O caminho é sempre subindo e desprezando as bifurcações e a indicação de uma placa marcada “CACHOEIRA” (essa é uma cachoeira menor e fica bem mais abaixo). A chuva forte ia e voltava e já anoitecendo ainda estávamos na estrada asfaltada, mas decididos a acampar próximo da cachoeira, por isso seguimos em frente mesmo no escuro.
Chegamos em um ponto da estrada onde a mata tomava conta e aí não teve jeito, tivemos que usar as lanternas. Ainda caminhamos uns 15 minutos pela estrada tomada pelo mato e chegamos ao local plano onde montamos as barracas.
Era pouco depois das 20:00 hrs e estávamos na altitude de + - 200 mts e próximos da base da cachoeira.
Eu, o Jorge e o Eric ainda fomos tomar banho na cachoeira e pegamos água para o jantar e por ter sido um dia muito puxado, todos caíram no sono logo e ajudou também a chuva forte que caiu a noite toda em cima das barracas.
Por volta das 07:00 hrs de Sexta-feira todos já estavam de pé e se preparando para a grande caminhada do dia: chegar ao topo do São Sebastião antes do anoitecer mesmo sabendo que as dificuldades seriam muito maiores do que as do Baepi. Pelo menos o tempo ajudava, pois não havia qualquer indicio de chuva e o Sol já estava bem forte.
Por volta das 08:00 hrs iniciamos a subida, mas logo já tomamos um pequeno susto: uma cobra cega estava atravessada na trilha e provavelmente tinha se escondido embaixo das barracas durante a noite.
Iniciando a subida da trilha, em + - 3 minutos chegamos na base da Cachoeira 3 Tombos onde tiramos algumas fotos e depois seguimos para o topo da cachoeira, onde sai uma trilha a esquerda do rio e que segue rente a ele, sempre subindo e em poucos minutos a trilha entra na mata, chegando em uma arvore onde existe uma enorme raiz.

Aqui tem uma indicação marcada com tinta vermelha de F4 P2 com a seta para a direita (não siga por aqui, provavelmente é para confundir). Volte uns 5 mts da arvore e bem do lado esquerdo existe um vestígio de trilha que sobe um enorme barranco e tomando o cuidado de não escorregar, pois a trilha possui um aclive muito forte e daqui para frente é só seguir por ela.
Aqui um alerta: em vários pontos a trilha possui pequenas bifurcações que podem confundir, mas tendo alguma experiência não terá problemas.
Nesse inicio da trilha o Eric resolveu esconder a mochila e subir sem nada (não deveria ter feito isso) e dessa forma estávamos só eu, a Márcia e o Jorge. A subida da trilha não dá trégua e é sempre em aclive acentuado e em vários trechos, tivemos que passar se arrastando por debaixo de bambuzal, e isso sem contar os espinhos (o ideal é vir com luvas).

Por volta das 11:00 hrs encontramos o Eric que estava retornando dizendo que tinha chegado em um trecho da trilha onde não encontrava a continuação dela, falando que era um local de vegetação baixa e para que não ficasse perdido sozinho na mata, resolveu retornar.
Era a primeira baixa do dia e eu, a Márcia e o Jorge resolvemos seguir em frente e pouco antes do meio dia chegamos na altitude de + - 800 mts onde encontramos água à esquerda da trilha, embaixo de algumas pedras e a uns 20 mts da trilha. Aqui paramos para fazer um lanche e descansar. A trilha do pico é toda em mata fechada e foram poucas as vezes em que pudemos ver o litoral mas o que compensa é a temperatura amena, apesar do forte calor, e a exuberância da mata atlântica (passamos por inúmeras bromélias).
Depois de um belo lanche voltamos para a trilha e só foi a gente caminhar uns 50 mts chegamos no que parece se o ponto onde o Eric não encontrou mais a trilha.
A vegetação aqui é mais baixa o que dificulta um pouco e procura dali, procura daqui, encontramos uma fita amarela amarrada em uma arvore.
Era a continuação da trilha e daqui para frente ainda encontramos outras fitas, o que nos ajudou bastante.
Pouco antes das 14:00 hrs e na altitude de 1040 mts, chegamos em uma enorme pedra, à esquerda que pode ser usada como abrigo e aqui resolvemos montar as barracas e só eu e o Jorge resolvemos continuar até o topo do São Sebastião (a Márcia que estava exausta resolver ficar na barraca). Água aqui não tem, por isso resolvi levar algumas garrafas para pegar água próximo do topo (sabia que lá perto havia água).
Quando fiz a caminhada desse pico em 2001, eu e um colega meu (Sérgio) não encontramos a trilha nesse ponto e resolvemos acampar por aqui para no dia seguinte subir até o topo, onde chegamos sem problemas.
Daqui para frente é o pior trecho de toda a trilha por ser muito íngreme e com lances de escalaminhada por entre bambuzais e mata fechada.
A trilha que segue para o topo sai a direita da pedra como se estivesse contornando ela e aqui existem algumas fitas amarradas nas arvores para orientar a subida. Além da cobra encontrada no inicio da trilha passamos ao lado de um mutum (ave totalmente negra e muito grande) e continuando a subida ainda tivemos problemas em alguns trechos para encontrar a trilha correta e só fomos chegar ao topo as 15:20 hrs com Sol muito forte.
Aqui o altímetro marcou por volta de 1350 mts, mas segundo a carta topográfica do IBGE a altitude aqui é de 1375 mts. Anos atrás eram raros os lugares planos para acampar e atualmente abriram um descampado onde cabe mais de uma barraca e a água se consegue descendo na direção sul como se estivesse indo em linha reta para a Praia do Bonete, vista daqui bem ao longe. Para se chegar a esse ponto deve-se descer uns 50 mts passando ao lado de enormes pedras e chegando em uma espécie de gruta. A nascente está em um enorme buraco no meio de varias rochas.
Depois de pegar a água voltei ao topo e fui apreciar o visual que compensa qualquer esforço. Daqui se consegue ver até a Serra da Mantiqueira bem ao longe. As 16:30 hrs eu e o Jorge iniciamos a descida, chegando nas barracas pouco depois das 17:30 hrs, mas só foi chegar lá e o tempo fechou completamente, com a chuva retornando assim que começou a escurecer.
Esse foi o dia mais exaustivo para todos e por isso depois do jantar de miojo com salame fomos dormir marcando para acordar por volta das 07:00 hrs da manhã.
No dia seguinte ainda chovia um pouco e por isso ficamos esperando um certo tempo até a chuva diminuir e as 08:15 hrs iniciamos a descida, chegando na Cachoeira 3 Tombos por volta da 11:30 hrs. O Jorge resolver ficar em um poção um pouco antes da cachoeira e eu e a Márcia ficamos tomando Sol um pouco mais abaixo, junto ao topo da cachoeira.
Logo depois chegou um grupo de turistas e aí resolvemos iniciar a descida até a avenida da orla saindo da cachoeira por volta de 13:00 hrs e chegando lá embaixo pouco antes das 14:00 hrs.
Ficamos aguardando o circular para a balsa que passou cerca de 20 minutos depois. Próximo da balsa existe uma agência da empresa Litorânea onde compramos a passagem das 16:30 hrs para São Paulo e depois pegamos a balsa e em São Sebastião procuramos algum lugar onde pudéssemos comer. Depois disso pegamos o ônibus que nos deixou no Tietê por volta das 20:00 hrs do sábado.
Por hora é isso.
Abcs






Resumo