Augusto boa noite! Vou relatar um pouco de minha aventura.
Nossa caminhada foi no 1º ano da abertura, a demarcação então ainda não estava completa e o traçado no final era diferente. Minha filha que mora em Atibaia, veio a Jacareí no dia anterior pois havíamos combinado uma despedida familiar, juntamente com minha parceira. No dia seguinte (5/7/2005) partimos de Jacareí até Atibaia de carro; lá tomamos um ônibus até Campinas e outro até Tambaú.
Chegamos após a hora do almoço, nos instalamos no hotel e depois visitamos os pontos principais da cidade. Apanhamos nossas credenciais e aproveitamos para enviar o excesso de bagagem (2"caixas" com comida), através do escritório que coordenava a caminhada para Águas da Prata.
Dia 06/06/2005 - fomos cedinho até o escritório na esperança de conhecer alguém a quem pudéssemo-nos juntar. Nada feito, partimos sózinhas, mas pelo caminho, de passagem, conhecemos alguns peregrinos. Partimos do Portal às 8 horas. Tudo era novidade, tudo nos encatava e acabamos demorando mais do que o necessário.
Resultado: avistamos Casa Branca por volta das 16:30', mas só chegamos na Igreja às 20:30' quase no final da missa; com isso deixamos uma porção de gente preocupada com o que poderia ter acontecido, mas felizmente chegamos bem! No encerramento da missa o padre, que notou nossa presença lá no fundo da igreja, fez a nossa apresentação à comunidade, a qual ficou de queixo caído com a coragem e destemor ao verem duas mulheres de 3ª idade e sobrecarregadas chegarem na escuridão da noite. Talvez faltando pouco mais de 3km para a chegada, tivemos muita sorte de numa encuzilhada, o fraco facho da lanterna à procura da demarcação, clarear uma pedra no chão onde estava pintada a seta amarela.
Dia 07/07/2005 - a caminho de Vargem Grande do Sul. Chegamos com a escuridão, por volta das 18 horas, por detrás do Cristo o visual iluminado foi muito lindo! Só o que desanimou foi chegar até ao hotel que por sinal era bem longe.
Dia 08/07/2005 - Na partida passamos pela igreja para assistirmos a missa matutina e qual não foi nossa surpresa quando o padre fez nossa apresentação àquela comunidade. Fomos aplaudidas!!! Neste dia, enquanto descansavamos sob a sombra de uma árvore conhecemos um morador da região que acabou contando a vida dele inteira. Apesar do papo demorado, chegamos a Águas da Prata cedo. Não havia ninguém para nos receber na sede da Associação, mas adentramos e nos instalamos. Cuidamos da roupa suja, tomamos banho e então já haviam chegado pessoas da Associação que foram simplesmente magnanimas. Cuidaram de nossos ferimentos nos pés e foram de uma delicadeza extrema. No local não havia alimentação, por isso tivemos de sair, andar e conhecer as redondezas.
Dia 09/07/2005 - Já em companhia de duas irmãs, saimos às 6 horas para tomar o café numa padaria.
Eta caminhozinho sofrido neste dia, ao chegarmos na rua de entrada em Andradas, simplesmente desabamos ao chão e alí ficamos deitadas até restaurar um pouco das forças e seguir até o hotel. Simplesmente o melhor (acho que era 3 estrelas) de todo o Caminho da Fé. O visual da cidade mineira também agradou.
Dia 10/07/2005 - Ouro Fino, apesar de uma distensão na coxa esquerda consegui, mesmo chorando de dor, chegar. Ficamos encantadas com o portal de recepção da cidade. Passamos pelo mercadinho onde tem a imagem de N.S.Aparecida e aí em conversa vai conversa vem , descobri eles lá que conheciam os pais de meu chefe, do trabalho em São José dos Campos, e que entrariam em contato para dizer que eu estava em determinado hotel. Qual não foi minha surpresa quando o garçon perguntou por mim e apresentou o casal que me procurava. Naquela noite estavam reunidos peregrinos de várias localidades e comemoravamos a despedida de 2 amigos parceiros que dentro de pouco tempo embarcariam para a Espanha a cumprir o Caminho Francês de Santiago de Compostela.
Dia 11/07/2005 - Inconfidentes, neste percurso ficamos felizes ao encontrar carros com placas de nossa cidade, e até conversamos com algumas das pessoas, moradoras por lá ou mesmo visitantes no local. Pouco passava do meio dia quando chegamos a uma pousada para apor o carimbo na credencial, mas meus pés doíam horrores. Na pousada havia uma piscina de água corrente da montanha e o proprietário mandou que eu tirasse botas e meias e mergulhasse os pés por algum tempo. O choque da água gélida anestesiou instantâneamente cortando a dor; depois um bom banho quente e cuidados médicos me deixaram novinha em folha para o dia seguinte. Além das bolhas, no pé esquerdo havia uma inflamação que era um buraco só entre os 2 últimos dedinhos.
Dia 12/07/2005 - Borda da Mata, estrada com muitas subidas íngremes, chegamos a ajudar um casal de ciclistas à beira da exaustão física. Chegamos relativamente cedo para após o banho e lavagem das roupas, darmos um rolê na praça principal, onde corria a solta uma festa de uma semana. A dona do hotel, alugava o banheiro para o pessoal da festa, então pode imaginar o auhê que era o hotel. Foi nossa pior estadia.
Dia 15/07/2005 - Tocos do Moji
Nesta estrada, olha só que surpresa boa! Estes morangos haviam sido colhidos naquela hora e nos foi ofertado pelo agricultor. Ficamos maravilhadas com o processo de cultivo, bem diferente do que sempre vimos por aqui nos quintais.
[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120406174853.JPG 500 375 Cultivo de morangos na Serra da Mantiqueira ]região Tocos do Moji / Estiva
Dia 16/07/2005 - Estiva, sabadão de cansaço extremo! Ficamos numa pousada encima de uma padaria, a escadaria era infinita, ainda mais ao chegar de longa trajetória. Banho, descanso e missa. Olha a surpresa de novo! Ao término da função o padre fez a apresentação dos peregrinos (que a esta altura eram muitos) e à saída uma baita festa julina em benefício da APAE local. Boa p´rá caramba!!!
Dia 17/07/2005 - Consolação. Durante o dia encontro com ciclistas da região que aproveitam as trilhas. Alegria pura, neste dia em comunicação com a família, recebi notícias do nascimento do sobrinho de minha filha de Atibaia.
Dia 18/07/2005 - Paraisólopis, primeiro dia de céu feio, mas apenas chovisco.
Havia sido passada a máquina na estrada e de repente encontramos isso aí.
Dia 19/07/2005 - São Bento do Sapucaí, entramos no estado de São Paulo.
[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120406191746.JPG 500 375 Vergonha ] Numa calma estrada entre fazendas, vemos desmatamento sem consciência e ilegal.
Encontramos peregrinos ciclista de Campinas. O dia permaneceu nublado, e quando chegamos ao hotel junto veio a chuva, que permaneceu a noite inteira.
Dia 20/07/2005 - Voltamos a Minas Gerais, Sapucaí Mirim
[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120406192425.JPG 500 375 Lixão a céu aberto] Esta é a entrada da cidade de Sapucaí Mirim
Neste trecho crianças da redondeza nos acompanharam por um bom tempo. Vimos mulheres a beira de um riacho colhendo, limpando e embalando cará para levar ao mercado.
Depois disto atravessamos um longo pedaço por dentro de uma mata fechada com piso bastante enlameado e escorregadiço. Já era noite quando chegamos na periferia de Santo Antonio do Pinhal e aconteceu um acidente comigo. Vinha caminhando pelo meio fio quando perdi o equilibrio e caí na rua - tal qual uma tartaruga com as pernas para cima - minha parceira não tinha forças para me ajudar, uma vez que eu era muito mais pesada que ela. Muitos carros passavam mas não paravam, até a chegada de alguém de bom coração que resolveu parar o carro e me levantar.
Dia 21/07/2005 - De Stº Antonio do Pinhal até a Estação de trem que vai para Campos do Jordão é tudo asfastado.
Daí descemos pela linha férrea até após o Reino das Águas Claras - Pinda - o trajeto é longo e como não havia sinalização estávamos nervosas pensando ter pegado caminho errado - cheguei a ligar pelo celular para meu local de trabalho e informar que talvez estivéssemos perdidas, mas de lá nos acalmaram e após bom tempo encontramos e nos hospedamos nos arredores da cidade num convento.
Dia 22/07/2005 - Trajeto urbano, atravessamos a cidade de Pindamonhangaba. Precisei passar num postinho de saúde e arranjar remédio para as dores no corpo e pés. Passamos a noite num hotel novo após a bifurcação para Moreira César.
[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120406194016.JPG 500 375 Trevo de Moreira César Uma bonita estátua de aço inxidável!!!
Dia 23/07/2007 - Saímos no raiar do dia, daqui até o fim é estrada asfaltada, entramos na cidade Roseira para carimbar o passaporte.
[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120406194052.JPG 500 375 Últimos kms Estrada paralela à Rodovia Dutra, à chegada da periferia da cidade de Aparecida
[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120406194550.JPG 500 375 Enfim, o fim!! Vista da Basílica, do porto no Rio Paraíba, onde foi encontrada a imagem da padroeira.
Nossa maior emoção ficou por conta da entrada no estacionamento pelo lado beira rio, exatamente às 12 horas quando do carrilhão da Basílica soavam as doze badaladas, e para completar a emoção o encontro surpresa, com a família de minha parceira. Na visita ao museu deixei minhas botas que me machucaram, mas que também me deram respaldo para a chegada final.