Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#718561 por marcosmm
20 Mai 2012, 16:48
Não vai ser a notícia do ano, aliás, nem vai ser notícia, mas não resisti ao desejo de compartilhar...

Ontem fiz minha primeira trilha, depois de uns 20 anos sonhando e desejando fazer alguma coisa do tipo e sem saber como. Depois que descobri o Mochileiros.com percebi que a coisa não precisa ser tão complicada!!

Inspirado em alguns relatos, principalmente nos do renato5129, criei coragem, inventei um roteiro e saí para uma caminhada de um dia apenas, saindo da porta de casa e caminhando aproximadamente 10 km (só a ida), foi possível viver uma pequena grande aventura.

Não vou ser pretensioso e criar um relato todo floreado para dar a impressão que foi uma grande e incrível aventura (apesar de sentir que foi), mas deixo umas fotos, meu agradecimento ao renato5129 pela inspiração e uma frase do grande aventureiro e explorador Amyr Klink:

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir"



Ribeirão São Lourenço
Logo no começo da caminhada foi preciso atravessar o Ribeirão São Lourenço.



Vista de Ituiutaba - MG
Depois uma estrada abandonada sobe em meio à mata, de cima uma vista de Ituiutaba- MG



Casa de madeira
Logo em seguida esta cena quase poética...



Cachoeira Escondida
Um erro no percurso me levou a encontrar esta pequena cachoeira!



Cozinha de aventureiro
Teste de fogo da espiriteira de lata de refri - APROVADA!!!.


Continua...

#718570 por marcosmm
20 Mai 2012, 17:09
Rango esquisito
Arroz+Lentilhas+Carne de soja+tomate disidratado - Aparência extranha, mas o gosto é bom!



Paisagem
Depois do rango, apreciar a paisagem para ajudar na digestão.



Árvore flor
No caminho de volta duas árvores flor, esta...



Árvore flor
...e esta.



No meio da mata
No meio da mata, chegando no Ribeirão São Lourenço.


Resumindo, gostei muito da brincadeira e devo repetir muitas e muitas vezes essa experiência!!!


Saudações,
#718772 por Otávio Luiz
21 Mai 2012, 09:42
Parabéns Marcos, sempre tem que haver um começo.
Você mora em MG, certo? Um dos melhores lugares para trekking do Brasil, aproveite!!!
#718987 por marcosmm
21 Mai 2012, 18:44
Obrigado Otávio Luiz.

Moro em Minas Gerais sim, mas no triângulo mineiro, um pouco distante dos melhores circuitos de trilhas, então tenho que me virar com o pouco que temos por aqui e ir inventando alguma coisa...



Saudações,
#807152 por marcosmm
12 Fev 2013, 09:12
Billy_Digao,

Provavelmente você esteve no Ituiutaba Clube, temos aqui também o Beira Rio que é tão bom quanto ou melhor.

Essa foi minha primeira trilha solo e escolhi o local pela facilidade e proximidade com a cidade. Já fiz outra trilha, um pouco mais distante e difícil, e que me proporcionou melhores paisagens. Me atrevo a postar mais umas fotos:

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Esta é a Serra da Aldeia um "braço" da Serra de São Lourenço, e o "alvo".

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Próximo do alvo final a mata é muito fechada com árvores gigantescas, cipós e bromélias.

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O alvo, a cachoeira do Córrego da Aldeia, que devido ao períoda da estiagem estava reduzida a um fio.

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Gigantescas árvores tombaram sobre o córrego criando uma vista interesantíssima.

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Mais uma vista da Serra de São Lourenço.

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Sou suspeito para falar de árvores pois acho todas especiais, aqui uma que se destacou nessa trilha.

Essa segunda trilha confirmou o que senti da primeira vez e devo continuar com esta atividade por muito tempo ainda.


Billy_Digao escreveu:Poxa vida, conheci Ituiutaba no ano passado, estive no clube da cidade...onde conheci também um dos diretores o Mauro, cara muito gente boa.

Cidade de pessoas muito hospitaleiras.

Parabéns pelas fotos, lugar muito belo onde esteve!!

Abraços
#816762 por marcosmm
10 Mar 2013, 19:46
Já que minhas duas primeiras saídas estão aqui, vou postar um breve relato com fotos da terceira.

Bem perto da cidade onde moro existem diversas "serras" na verdade pequenos morros que se destacam na planície, entre eles a serra do corpo seco que foi o destino escolhido nesta terceira saída.

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A serra do corpo seco ao longe

Logo na saída da pra ver toda a serra do corpo seco e mais à direita a serra do estande, um dos próximos alvos.

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Flôr à margem da estrada

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Flôr à margem da estrada

Às margens da estrada diversas flores, se fosse fotografar todas nem teria chegado ao destino!

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Bela árvore

A caminho da mata do coração esta bela árvore.

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Trilhas de gado na mata do coração

Nas margens da mata do coração haviam diversas trilhas de gado, mas no centro a mata era bem fechada.

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Marcas de escavação

Num certo ponto haviam diversas marcas de escavação, pelo formato acredito que eram de tamanduás.

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Pica-pau do campo

Depois da mata do coração em meio a uma matinha vi de relance um pássaro grande e negro talvez um inhambu ou jacu. Mais adiante um bando de pica-paus do campo.

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Face leste da serra do corpo seco

Em diversos pontos dava pra visualizar os paredões da serra do corpo seco.

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Serra do cachorro deitado

Deu pra ter uma bela vista da serra do cachorro sentado que deve ser também um dos próximos alvos.

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Mata fechada

Tentei explorar essa mata por diversos pontos, mas além da mata fechada o terreno era bastante íngreme, e fui forçado a desistir.

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Face oeste da serra do corpo seco

Depois de dar a volta pela face sul cheguei à face oeste. As cercas atrapalharam bastante a caminhada pois haviam muitas delas, inclusive na parte mais alta da serra.

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A escadaria

Para chegar na parte mais alta da serra passei por este ponto bem íngreme, mas a subida foi facilitada por uma espécie de escada esculpida no solo.

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Flôr no alto da serra

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Flôr no alto da serra

Em cima da serra diversas flores, para fotografar todas precissaria da tade toda.

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Murici

Levei pouca água e precisei buscar mais, no caminho uma grata surpresa um pé de murici carregadinho.

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Vista de Ituiutaba

Do alto da serra pude ver os vales em volta e em todas as direções, do lado norte esta bela vista da cidade de Ituiutaba.

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Ponto culminante

Antes de ir embora fiz esta marcação do ponto que deve ser o culminate da serra do corpo seco.

Esta saída serviu para me ensinar que a água é um dos itens mais importantes da próxima vez devo levar mais e repor sempre que puder. Meu banco de cabo de vassoura foi bastante útil (apesar de ter rasgado o assento de novo), e esta é a última vez que cozinho em caminhadas de um dia. Vou seguir o conselho desta sábia mochileira:

http://www.mochileiros.com/sanduiches-te-salvarao-t76980.html

Assim posso aproveitar para explorar mais o local.

Saudações,
#952209 por marcosmm
24 Abr 2014, 19:19
Como tenho usado essa postagem como um diário das minhas saídas vamos pra última.

Até que enfim me senti preparado para o primeiro pernoite e fiz uma caminhada de cerca de 42 km em dois dias.

Preparei tudo durante a semana e saí no sábado de manhã. Apesar de toda preparação acabei esquecendo sobre a mesa da cozinha o chapéu australiano (adquirido em loja de 1,99) e o protetor solar. Esses dois esquecimentos acabaram acrescentando dificuldades desnecessárias à caminhada, pois durante os dois dias de caminhada o sol esteve escaldante.

Tenho optado nessas primeiras saídas explorar os arredores da minha cidade sendo que posso iniciar as caminhadas sempre direto da porta da minha casa ou com o uso de um moto-táxi.

Desta vez não foi diferente e o moto-táxi me deixou logo após a saída da cidade de onde comecei o primeiro dia de caminhada por volta das 08:00 hs, programado para 21 km e para se encerrar por volta das 17:00 hs.

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Cachoeirinha em uma das nascentes do Ribeirão São Vicente

Optei por fazer a caminhada o máximo por cima das serras e no caminho para alcançar a primeira elevação passei por pequeno trecho de mata onde se escondia essa pequena cachoeira.

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Veludinho Vermelho (Guettarda pohliana)

Próximo aos cursos d'água é bem comum achar Veludinho vermelho, uma fruta nativa. Pra quem gosta...

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Serra do Corpo Seco vista a partir da Serra do Morto (Serra de São Vicente)

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Cruzeiro da Serra do Morto (Serra de São Vicente)

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Cruzeiro da Serra do Morto (Serra de São Vicente)

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Vista de Ituiutaba a partir da Serra do Morto (Serra de São Vicente)

Atravessando a mata em um terreno muito íngreme chega-se ao cimo da primeira elevação da Serra de São Vicente popularmente conhecida como Serra do morto, de onde pode-se ter belas vista do horizonte praticamente em 360º.

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Trecho com mata densa entre as elevações da Serra de São Vicente

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Estrada Pavimenta sobre a Serra do Saltador

Ao chegar à parte de cima da Serra de São Vicente dei de cara com esse trecho de estrada pavimentada, estou curioso para descobrir a história de como ela veio parar lá.

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Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)

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Pegadas de onça

Na estradas de terra batida, bastante arenosa, foi possível visualizar pegadas de diversos animais. Acredito que ví pegadas de anta, veados, nas áreas mais úmidas sinais dos bandos de javali que andam se espalhando por aqui, raposas e essas que acho serem de onça.

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Encruzilhada

A estrada tem muitas encruzilhadas, tem que estudar o roteiro antes de sair ou arrisca-se andar a esmo.

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Flor selvagem

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Linha de transmissão que atravessa a Serra do Saltador

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Lago nas Nascentes de um dos Afluentes do Ribeirão São Lourenço

Por volta do meio-dia cheguei a esse pequeno lago onde me reabasteci com água e comi uma porção de carne louca.

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Estrada Pavimenta sobre a Serra do Saltador

Outro trecho da estrada pavimentada.

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Mata no início da Serra da Aldeia

Início do trecho de quase 3 km de mata fechada.

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Portal vegetal

No início do trecho de mata (bastante íngreme) encontrei essa árvore que parece formar um portal para o mundo selvagem.

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Crânio

Depois do treco íngreme encontrei uma cerca que me serviu de orientação até o próximo trecho de pastagens. Próximo à cerca encontrei esse crânio de algum animal.

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Estradão

Quando já estava ficando preocupado cheguei à estrada que atravessa a mata e que me levaria ao próximo trecho de pastagens.

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Sucupira Branca (Pterodon emarginatus)

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Baru (Dipteryx alata)

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Buriti (Mauritia flexuosa)

O local que havia programado para o pernoite não se mostrou adequado, seguindo adiante encontrei esses Buritis, indicador de água e logo adiante um antigo quintal abandonado (a casa foi demolida) que se mostrou muito adequada para o pernoite. Já eram 17:45 hrs e montei o acampamento, e coletei água para passar a noite. Jantei uma porção de bacon frito e já estava bem escuro.

Demorei para dormir pois as árvores do antigo quintal (mangueiras, abacateiros, laranjeiras...) servia de abrigo para diversas espécies de pássaros e cada vez que elas faziam algum barulho eu me agitava e demorava a me acalmar.

Pendurei toda a tralha para evitar a intromissão de insetos e pequenos animais e conseguir tirar os primeiros cochilos. Às 02:00 hs da madrugada acordei sentindo que alguma chuva se aproximava, passei tudo para dentro da tenda e dormi direto até às 05:00, quando fui acordado pela chuva acompanhada de fortes ventos.

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Desmontando o acampamento

A tenda se mostrou bastante eficiente contra a chuva, que durou até às 06:30, quando saí da rede e tratei de coletar mais água e desmontar o acampamento.

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Córrego da Aldeia por cima

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Cachoeira da Aldeia por cima

700 mts à frente cheguei ao meu objetivo a Cachoeira do Córrego da Aldeia. A altura era tremenda e só não tirei mais fotos porque rapidamente senti fortes vertigens e tive medo de deixar cair o celular (que ainda não terminei de pagar as prestações). A visão do local valeu realmente a pena e permaneci por alí (um pouco distante da beirada) uma meia hora apreciando a vista.

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Orquídea selvagem

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Cascavel (Crotalus durissus)

Essa estava morta, mas sei que muitas estavam espreitando. Sorte que não tive nenhum encontro.

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Gavião-carijó (Rupornis magnirostris)

Mal dá pra ver mas na árvore do centro havia um casal de gaviões-carijós

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O mochileiro mais sapecado das galáxias!

Por volta do meio dia já estava bem sapecado pelo sol e ainda faltava metade do caminho. Sorte que cinco km adiante consegui uma carona e cheguei em casa por volta das 15:00 hs duas horas antes do programado.

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