Roteiro de 4 dias acampando na Ilha Grande

Roteiro de 4 dias acampando na Ilha Grande


Meu destino de férias esse ano foi Ilha Grande, na cidade de Angra dos Reis, cerca de 2h de viagem do Rio de Janeiro. Apesar de ter ido no mês de julho, conseguimos aproveitar bastante pois fez sol todos os dias.

Como só tínhamos 4 dias, fizemos um planejamento que fosse viável física e financeiramente. Viável fisicamente por que faríamos todos os passeios por trilha, e como estávamos sedentários não poderíamos nos desgastar tanto a ponto de não conseguir fazer todos os passeios. E financeiramente viável por que estávamos com pouco dinheiro e as coisas por lá costumam ser um pouco caras. Fomos com R$250,00 cada um. Valor que cobriu transporte, alimentação e camping.

Nosso roteiro foi:

Dia 1 – Circuito do Abraão / Dia 2 – Vila de Dois Rios / Dia 3 – Praia de Lopes Mendes / Dia 4 – Praia de Palmas

Circuito do Abraão

Praia Preta

A Vila do Abraão é a principal vila da ilha, onde chegam as barcas que vêm do continente e onde se concentram a maioria das hospedagens e restaurantes. Chegamos por volta das 9:30h, na barca que sai da cidade de Mangaratiba às 8h. É a única barca do dia sentido Mangaratiba x Abraão. Fomos direto pro camping montar a barraca e descansar um pouco, nossas mochilas estavam bem pesadas. Saímos depois de almoçar, por volta das 13h pra fazer a trilha T1 que é o circuito do Abraão. É uma trilha pequena e tranquila de 1,9km.

Esse circuito tem duas partes: a parte de baixo, que passa pela praia e nas Ruínas do Lazareto e a parte de cima, que passa por mirantes e termina no Poção. As duas partes terminam no Aqueduto.

Escolhemos ir pela parte de baixo. A trilha começa no final da rua principal da vila do Abraão, onde tem o pórtico com a placa do Parque Estadual da Ilha Grande. Toda essa área é de preservação ambiental.

A trilha vai margeando a praia, oferecendo belas vistas da vila e de algumas ilhotas. A trilha é bem sinalizada. Encontramos muita gente caminhando por ela, indo e voltando da praia. Ao longo do caminho tem uns banquinhos e mesa de madeira para quem quiser parar e fazer um lanche. Após meia hora de caminhada chegamos a Praia Preta, que tem esse nome devido a coloração das suas areias. A praia estava bem movimentada. Por ser próxima a vila, acaba sendo uma boa opção pra quem não quer ir muito longe ou não quer pagar algum passeio de barco.

A praia Preta termina nas ruínas do Lazareto, onde deságua um rio que forma um lago de água doce. O que restou do Lazareto e antigo presídio pode ser visto antes de chegar no mar. O Lazareto era um hospital de quarentena para imigrantes que funcionou de 1886 a 1913. A partir de 1940 até 1954 passou a abrigar o presídio para presos comuns. Com seu fechamento os presos foram transferidos para o presídio na vila de Dois Rios e as instalações foram demolidas por ordem do então governador Carlos Lacerda. O que sobrou no local são apenas algumas celas, um muro de pedra que margeia a praia e as ruínas do cais onde atracavam as embarcações.

Ruínas do Lazareto

Caminhando de volta para a trilha é possível ver alguns restos da construção na mata, uma parte de calçamento de pé-de-moleque e palmeiras imperiais ladeando a trilha. No final do circuito chegamos no Aqueduto, que foi construído em 1893 para abastecer o Lazareto. É possível subir e andar nele, mas é preciso cuidado. O caminho é estreito, cheio de mato e não tem onde segurar direito. Lá em cima você estará a 30m do chão. Não dá pra ver muita coisa, como onde termina o Aqueduto, por exemplo, mas tem uma vista legal. Fui andando só até o meio, onde queria tirar foto. Estava morrendo de medo rs

De frente para o Aqueduto está o Poção, onde é possível tomar um banho pra se refrescar antes de retomar a trilha. Continuando por baixo do Aqueduto está a trilha T2, que segue para o Saco do Céu e pra cachoeira da Feiticeira. Retornamos do Aqueduto mesmo, pois o próximo atrativo era a cachoeira da Feiticeira e como já conhecíamos e estava ficando tarde, achamos por bem voltar.

Vila de Dois Rios

A praia de Dois Rios é onde fica o famoso presídio da Ilha Grande. Esse foi nosso destino no segundo dia de viagem. Para chegar até lá é preciso pegar a trilha T14, que na verdade é uma estrada que liga a vila de Dois Rios a Abraão. Teoricamente é a única estrada da ilha e tem início bem no centro de Abraão, próximo à igreja de São Sebastião.

Acordamos bem cedo, pois a caminhada seria longa e cansativa, aproximadamente 3 horas. Saímos às 7h para aproveitar bem o dia. São 14km ida e volta. Metade da trilha é subida e a outra metade é descida.

Só é possível chegar a Dois Rios por trilha. Os passeios de barco que passam por lá oferecem apenas uma vista panorâmica, não existe cais na praia e o mar agitado dificulta que os barcos atraquem. Lá na praia tinha uma placa indicando barco pro Abraão, mas quando nos informamos os barcos só iam até Lopes Mendes e de lá teria que pegar outro barco pra chegar em Abraão.

A estrada é bem larga, tem algumas casas bem no começo ainda próximo a Abraão, mas logo as casas somem e dão lugar a mata. Detalhe para o som dos macacos bugios ao longo de toda a trilha: é assustador! No início achei que eram cachorros latindo, mas uma senhora que conhecemos no camping e nos acompanhou na trilha disse que o barulho era dos bugios na mata. Tivemos a sorte de não encontrar nenhum pelo caminho, há relatos de que eles são um tanto hostis.

Durante nosso trajeto não encontramos ninguém, exceto um ônibus e uma caminhonete que levavam os trabalhadores da Vila de Dois Rios para o Abraão. Esses são uns dos poucos veículos que tem circulação permitida na ilha e nessa estrada. Infelizmente eles não dão carona. Na estrada para Dois Rios se tem acesso para duas trilhas: a T13, que vai para o Pico do Papagaio fica bem no inicio da estrada, próximo a Abraão; e a T15, que vai para a praia de  Caxadaço, já próximo a Dois Rios. No caminho também há um ponto de parada para banho na Piscina do Soldado, próximo a entrada da T15. Passamos esse atrativo e fomos direto ao nosso destino.

Chegando na Vila de Dois Rios é preciso deixar o nome com um guarda antes de seguir para a praia. A vila tem algumas casas, a maioria abandonada, uma igreja e o presídio Cândido Mendes, na verdade uma parte dele. São cerca de 150 moradores, sendo que grande parte são funcionários da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Caminhamos mais um pouco e logo chegamos à praia. Fizemos o trajeto todo em 2 horas, um tempo muito bom para quem está fora de forma. Mas fomos num ritmo acelerado, recomendo ir com calma, pois sentimos todos os efeitos dessa “loucura” no dia seguinte (o que era tudo o que não queríamos). Voltando a praia: paradisíaca! Estava praticamente deserta. Fomos caminhando para o lado esquerdo, onde deságua um dos rios. Aliás, o nome da vila se deve aos dois rios que deságuam nos dois cantos da praia.

Não aproveitei muito da praia, gostei mais de ficar no rio. Águas transparentes, areias finas e cardumes de peixe passando toda hora. É preciso estar atento, pois apesar de muitas partes rasas, algumas partes tem buracos.

Caminhamos a praia toda, agora indo em direção ao outro rio, no lado direito. Achei esse pedaço mais bonito e mais selvagem. Nesse ponto o rio não estava encontrando o mar, acredito que seja pela maré estar baixa.

A praia não tem quiosques e nem ambulantes, então é necessário levar comida e bastante água. Na vila tem uns dois restaurantes de comida caseira com prato feito. As refeições custam em torno de R$25.

O tempo passou muito rápido e já era hora de voltar para a trilha. Não é possível pernoitar em Dois Rios, não existem pousadas ou camping por lá. Antes de ir embora passamos no que restou do antigo presídio, que hoje abriga o Museu do Cárcere, inaugurado em 2010. O museu, administrado pela UERJ, conta a história do antigo Instituto Penal Cândido Mendes, que abrigou presos políticos na época da ditadura militar. Roupas que os presidiários usavam, armas da época e parte do mobiliário original são algumas das peças em exposição. É bem interessante, vale a visita.

Praia de Lopes Mendes

No nosso terceiro dia em Ilha Grande, acordamos cedo, levantamos acampamento e partimos para a praia de Palmas, nosso último destino. Fizemos este trecho de barco por causa do peso das nossas mochilas. A trilha de Abraão pra lá apesar de considerada de nível moderado tem trechos de subidas muito íngremes. O valor do barco de Abrão até Palmas custou R$20,00.

Chegamos em Palmas e fomos direto para o camping armar a barraca e almoçar. Descansamos um pouco e partimos para a paradisíaca praia de Lopes Mendes, considerada uma das praias mais bonitas do Brasil pelo Traveller’s Choice do TripAdvisor.

A trilha começa no final da praia, bem próximo ao camping em que ficamos, e é um trecho de continuação da trilha T10, que começa na vila do Abraão. A subida é um pouco inclinada e escorregadia pois começa numa pedra. Após 25-30 minutos caminhando chegamos na praia de Mangue, onde a trilha termina numa ponte de madeira que atravessa um rio que termina no mar. Continuamos a caminhada pela areia e mais a frente chegamos a praia de Pouso, que é o desembarque dos barcos que vem do Abraão pra quem vai pra Lopes Mendes.

A partir de Pouso é obrigatória a trilha (T11) pra quem vem de barco também, são mais uns 20 minutos de caminhada. Começa com um trecho de subida que dá pra cansar, mas é tranquilo, depois é só descida até chegar na praia.

A praia de Lopes Mendes é realmente incrível! Areias finas e brancas e mar azul. Fomos até as pedras, no canto direito da praia e o visual de lá é espetacular e rende belas fotos. A praia tinha bem mais gente que Dois Rios, mas só na chegada próximo a trilha. São quase 3km de extensão e antes de chegar na metade da praia ela já estava vazia. Nesse ponto eu esperava mais, confesso que fiquei meio decepcionada por que fiquei com Dois Rios só pra mim hehe. Fomos andando até a boia, que é o cartão postal da praia. Andamos bastante, pois ela fica bem no final da praia, do lado esquerdo. A praia é bem selvagem, de um lado o mar, do outro a floresta de mangue, não existem construções nesse trecho. A boia de ferro se desprendeu de um navio em alto mar e encalhou na praia, um artista plástico da região, Silvio Cavalheiro, fez um mosaico nos dois lados.

Pra voltar pegamos uma trilha alternativa que haviam nos indicado, pra não precisar fazer o caminho de volta pela praia toda. Eu estava um pouco receosa, pois já tinha lido sobre aquela trilha, mas decidimos arriscar. A trilha começa próximo a boia, tem uma capela abandonada bem de frente pra praia. Atrás dela passa uma estrada de areia, que é conhecida como a trilha da Aroeira. É um trecho bem bonito e um tanto sombrio e não encontramos ninguém durante todo o caminho. Pelo caminho placas indicavam a presença de jacarés. É um pedaço quase intocado de floresta, é muito bonito mas eu não tirei fotos, estava com medo de topar com um jacaré ou qualquer outro bicho. Em alguns trechos a trilha vai ladeando o mangue. A trilha é quase toda plana, porém é mais longa, são uns 40 minutos até chegar a praia de Pouso.

Praia de Palmas

No nosso quarto e último dia de viagem à Ilha Grande acordamos de madrugada pra ver o sol nascer na praia. Tivemos uma vista privilegiada e nem precisamos ir muito longe, já que o nosso camping ficava na beira da praia. Acordamos pouco antes das 6h da manhã e o dia ainda estava bem escuro. Alguns minutos depois os primeiros raios tímidos do sol começavam a clarear o céu. Ficamos apreciando o espetáculo por mais ou menos uma hora. Quando o dia já estava claro, voltamos pra barraca pra dormir mais um pouco.

Tiramos o dia pra relaxar e aproveitar a praia, já que seria o dia de voltar pra casa. A praia de Palmas é muito tranquila, com poucas ondas e de um verde esmeralda reluzente. É um dos núcleos menos povoados, com cerca de 70 pessoas e pequena infraestrutura de comércio, em sua maioria bares, campings e pousada. Não tem energia elétrica, é tudo a base de gerador que são desligados por volta das 21h, deixando o local em total breu. É uma ótima oportunidade pra observar as estrelas, ouvindo o som do mar. Tentamos essa experiência, mas eu fiquei com medo e resolvi voltar pra barraca hahaha Fiquei assustada por causa do barulho dos bugios na floresta durante o dia.

O local conta com uma única e bem pequena mercearia, com uns preços bem salgados. O ideal é comprar a comida na Vila do Abraão e levar pra lá. Alguns bares oferecem refeição e aluguel de caiaque e prancha pra S.U.P. Não é muito movimentada durante à noite, pelo menos não na baixa temporada. Durante muitos passam pela praia indo em direção à trilha que leva a Lopes Mendes.

No fim da tarde chegou a hora de partir. Conseguimos um barco para nos levar a Conceição de Mangaratiba por R$35,00. Não precisaríamos ir pra Abraão pegar outro barco.

E assim terminaram nossas maravilhosas férias de inverno. Tivemos sorte pois em todos os dias fez sol e pudemos aproveitar bastante. Espero voltar à Ilha em breve para desbravar outros locais, pois ela é muito grande e cheia de lugares incríveis.

Para ler o relato completo com todas as fotos acesse Bora Descobrir? E siga @boradescobrirno Instagram.


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